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sábado, 18 de julho de 2015

Marx e os MC's

Gostaria de fazer aqui uma breve reflexão sobre o manifesto comunista e realidade em que vivemos atualmente. Primeiramente busquemos compreender qual seria a ideia fundamental e diretriz do Manifesto, como Engels explica:

É que a produção econômica e a organização social que dela resulta necessariamente para cada época da história constituem a base da história política e intelectual dessa época; que, por conseguinte (desde a dissolução da antiga propriedade comum do solo), toda a história tem sido uma história de lutas de classes, de lutas entre classes exploradas e classes exploradoras, entre classes dirigidas e classes dirigentes, nos diversos estádios da evolução social; mas que essa luta chegou presentemente a uma fase em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) não pode mais se libertar da classe que a explora e oprime (a burguesia), sem libertar, ao mesmo tempo e para todo o sempre, da exploração, opressão e lutas de classes, a sociedade inteira.

A ideia que se destaca é a de que existe desde o início da civilização humana a luta de classes. Assim sendo:

os comunistas apóiam por toda parte qualquer movimento revolucionário contra o estado social e político existente. Em todos esses movimentos, situam no primeiro plano, como questão fundamental, a questão da propriedade... Enfim, os comunistas trabalham, por toda parte, para a união e entendimento dos partidos democráticos de todos os países.

Tendo em vista conceitos básicos do manifesto comunista, quero agora usar o funk ostentação para falar da sociedade atual. É óbvio que essas músicas fazem sucesso apenas com um determinado grupo da sociedade, mas nesse grupo encontram-se muitos daqueles que formam a camada mais explorada da sociedade.
Comecemos com MC Guimê:


Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também. (2x)

A noite chegou, e nois partiu pro Baile funk,
E como de costume, toca a nave no rasante
De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira
Com os brilho das jóias no corpo de longe elas mira,
Da até piripaque do Chaves onde nois por perto passa,
Onde tem fervo tem nois, onde tem fogo há fumaça.

Percebemos em seu discurso o quanto seus valores estão ligados ao capital e ao hedonismo, sua motivação é o consumo. Como artista ele acaba por transmitir essa mensagem para seus fãs, que por sua vez propagam esse disicurso alienado.
Chamo atenção agora para o sucesso de MC Gui - Sonhar:


Sonhar, nunca desistir
Ter fé, pois fácil não é e nem vai ser
Tentar até se esgotar suas forças
Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar

Aqui temos sutilmente inserido o discurso da meritocracia, encarado como a única possibilidade de viver que não esteja ligado ao crime. Assim como a religião (fé), o trabalho é valorizado. E é claro, temos a peróla: "Ostentar pra esperança levar" Não estou certo de que o autor dessa letra possua total consciência do que essa afirmação significa, mas analisando-a temo que estejamos diante do ápice do que as elites gostariam que fosse propagado ao proletariado. Se a teoria de Marx está certa, fazer o proletariado defender o capital dessa maneira é certamente a melhor maneira de manter o sistema como está.
Naturalmente, alguma reação deveria aparecer. Temos então Edu Krieger com Resposta ao Funk Ostentação:


Você ostenta o que não tem
Pra tentar parecer mais feliz
Mas não sabe que pra ser alguém
Tem que agir ao contrário do que você diz
Você pensa que tem liberdade
Exibindo riqueza e poder
Mas não vê que na realidade
O sistema é que lucra usando você

E o sistema tem a cor
Do racismo e da escravidão
Cada vez que você dá valor
À roupinha de marca e à ostentação
A elite burguesa e branca
Que ê dona das lojas de grife
Se dá bem, pois você bota banca
Mas ê o sistema que aumenta o cacife

Se percebe na letra de Krieger uma forte influência marxista, demonstrando a noção de classes e da exploração. Como bom comunista, convoca a classe explorada a se rebelar contra o sistema.

Jansen R. Fernandes
1 Direito Diurno

Quem sabe amanhã?

Karl Marx, um dos mais importantes teóricos do século XIX, causou grande impacto e influências que duram até hoje com sua teoria. Nela, Marx conta com a ajuda de Friedrich Engels. Dentre suas obras, chamam atenção principalmente O Manifesto do Partido Comunista e O Capital. Marx estudou muito a obra de Hegel, a qual serviu de base para sua crítica à dialética, a política e a filosofia do Estado. Marx ressalta a história com a relação opositora entre opressor e oprimidos, a história da luta de classes. Com o advento da burguesia com as revoluções burguesas, o desenvolvimento do capitalismo criou condições para que a diferença socioeconômica se ampliasse entre a burguesia e o proletariado, classe operária colocada a margem da sociedade e afastado da propriedade devido ao sistema capitalista.
Portanto, a sociedade burguesa, criou péssimas condições de vida e de trabalho para aqueles que conduziam a produção, tornando-os alienados, explorados, excluídos. Para vencer essa situação era necessário a revolução. Esta partiria do próprio proletariado, o qual se apoderaria do poder estatal, estabeleceria a ditadura do proletariado, a qual conduziria para o fim das classes sociais. Com a emancipação política do sociedade através da burguesia, Marx defendia que este estágio, apesar de inovador e importante para o desenvolvimento da sociedade, deveria ser complementado com a emancipação social, a qual deveria ser realizado pelo proletariado, excluído da sociedade, desse modo a sociedade se emanciparia em sua totalidade, garantindo também a realização da democracia. Desse modo, o advento da burguesia criou seu próprio carrasco, o proletariado, segundo a teoria marxista.
A burguesia, além de possuir os meios de produção material, também possui os meios de produção intelectual, assim, as luta de classes se expande também para o campo ideológico, a burguesia usa suas ideias para legitimar a dominação capitalista. Assim, a ideologia socialista/comunista, em tempos de crise, fortalece a luta por emancipação, buscando a destruição das instituições burguesas, para garantir, não somente a igualdade formal prevista no direito burguês, mas a igualdade material, uma igualdade de fato, símbolo da emancipação universal humana.
Em O Manifesto Comunista, Marx utiliza de uma linguagem mais simples do que suas demais obras, devido ao fato de que a obra seria distribuída entre os operários, como tentativa e chamamento do proletariado, para que se revoltassem, abrissem seus olhos para os motivos de sua exploração, se unissem e, juntos, fossem capaz de instalar o socialismo, juntos, pudessem transformar a realidade de repressão em que viviam, acabar com a alienação e a dominação burguesa. Mas, será que essa lógica revolucionária seria eficaz atualmente? Será possível o comunismo de maneira pura como proposto por Marx?
Como o próprio Engels ressaltou em um dos prefácios do Manifesto, “alguns pontos deveriam ser retocados”, e, se naquela época Engels já era capaz de enxergar isso, fica claro que hoje em dia outros pontos a mais são passíveis de adaptações para implantação desse regime. Mas mesmo assim, Engels estabelece que os princípios gerais, as ideias centrais do Manifesto, são certas em sua totalidade.
Segundo o método utilizado por Marx para distribuição do Manifesto, hoje em dia seria necessário um modo mais eficaz de alcançar o proletariado, como a divulgação pela internet, a qual grande maioria das pessoas tem acesso. Mas, além disso, seria necessário a quebra de tabus, como a demonização do comunismo, ainda presente nas cabeças de uma parcela da população, devido à grande perseguição aos comunistas durante a guerra fria. Além do mais, seria necessário o esclarecimento ideológico para a parcela da população oprimida, pois estes são radicalmente levados pelo senso comum, o qual está marcado pela lógica do mercado, da opressão, do lucro e da meritocracia.
Como é possível notar, a grande parte dos oprimidos de hoje não querem apenas deixar de serem oprimidos, mas também querem oprimir, ao contrário do que disse Maquiavel. Esta característica é herança do capitalismo, que, colocando o lucro acima de tudo, colocou ideologicamente na mentalidade das pessoas que é isso que elas devem buscar, é esse o tipo de emancipação que elas precisam, é enriquecer e sair da condição de pobreza, possuindo, comprando e gastando cada vez mais. Isso se deu com a vitória do capitalismo sobre o comunismo, as pessoas tendem a seguir aquilo que vence, assim como a história, a qual é contada pelos vencedores. Logo, a vitória do capitalismo implantou essa mentalidade do consumo desenfreado e opressora em grande parte dos alienados, impedindo que a igualdade material seja algo almejado pelo povo.

A revolução socialista me parece distante e inalcançável, embora possua belos princípios, a ideologia neoliberal venceu e predomina na maioria do povo. Entretanto, como dito pelo próprio Marx, não se sabe quando virá o comunismo, mas a revolução surgirá em seu devido contexto histórico próprio, caracterizado por momentos de crise econômica e social. O mundo passa por constantes mudanças no cenário político, econômico, social, como também ambiental. Quem sabe quando alguma nova crise poderá surgir? Quem sabe quando virá e quais as suas consequências para o mundo? Quem sabe as necessidades que surgirão com isso? Hoje pode parecer que a sociedade comunista é impossível, mas quem saberá o dia de amanhã?

Gabriel Magalhães Lopes
1º ano de Direito Noturno 

O papel do proletariado e a conduta da burguesia na teoria de Marx e Engels


            Quando Marx e Engels escrevem acerca do socialismo científico vivencia-se um momento de ascensão de uma nova classe social – a classe operária. Ironicamente nascida da própria organização capitalista, o destino do operariado era, segundo Karl Marx, de inevitavelmente conduzir a sociedade capitalista ao seu redor a uma reversão das relações de poder, de forma a por fim ao conflito de classes e à histórica luta entre opressores e oprimidos, de maneira a substituir uma situação de conflito por uma situação de compartilhamento, representada pela consolidação do socialismo.
            O sistema feudal - que cedeu lugar ao sistema das manufaturas – valorizava a iluminação divina e os privilégios de nascimento. Quando esse sistema cai, a sociedade burguesa dá lugar ao mérito – a sagacidade e perspicácia humanas passam a ser valorizadas, associadas à capacidade de empreender de cada indivíduo, independentemente da hereditariedade. O que se observa, nesse sentido, é que a superação política do feudalismo levou, indiscutivelmente, à superação econômica desse mesmo modelo.
            Nesse sentido, Marx e Engels escrevem acerca de um momento em que a burguesia emergiu com força brutal – em sua perspectiva, no entanto, o surgimento da burguesia era fator fundamental para a ocorrência da revolução. A sociedade burguesa despertou o operariado, que será o responsável por transformar as relações de dominação existentes até então em relações de solidariedade. O burguês, ao pregar a exploração e dominação dos operários visando seus próprios privilégios, desencadeia as ações responsáveis por abrir caminho para todos.
            É nesse sentido que as esperanças de superação do capitalismo, de Marx e Engels, se depositam na classe operária – pois ela é aquela que operacionaliza a nova estrutura produtiva, operando os meios de produção, aqueles que garantem a produção em escalas globais cada vez mais abrangentes. Para Marx, o proletariado estaria destinado a promover essa revolução diante do cenário em que o capitalismo começava a eliminar quaisquer elementos que não fossem a exploração pura e simples de uma classe por outra dentro das relações sociais.

            Assim, percebe-se que, para Marx e Engels, o socialismo seria responsável por transformar as relações de dominador e dominado em relações de reciprocidade e cooperação. Dessa forma, se estabeleceria não só uma relação pura de homens entre homens, no sentido de opressores e oprimidos, mas sim uma relação dos homens com a natureza ao seu redor, objetivando a ampliação de benefícios para toda a humanidade. 

Heloísa Ferreira Cintrão
1º ano - Direito Diurno

Anacrônico

De um lado,
Outrora detinha um o meio da produção;
agora acionistas múltiplos possuem o seu quinhão.
Outrora estava a burguesia a produzir em demasiado;
pois saiba que agora seu proceder é ainda mais desenfreado.
Outrora crises determinariam o sucesso da coletividade;
pois agora são meros pretextos para a austeridade.
Outrora organizados, a vestimenta liberal,
agora entediados, sua riqueza ilegal.

Do outro,
Outrora proclamavam extasiados: "viva a revolução!";
agora os proletários querem, ouriçados, obter a mais nova televisão.
Outrora a queixa da mais-valia e da ausência de descanso remunerado;
agora o advogado trabalhista é, quem sabe, o mais endinheirado.
Outrora orientados por um alemão e um inglês;
agora desolados: definitivamente não é sua vez.
Outrora conscientes, ativos em seu intento;
agora ouvem, desatentos, a um discurso sobre um tal engajamento.

A decadência do capitalismo

            O manifesto comunista foi o livro em que Marx evocou os proletários do mundo todo para se unirem em pró de uma revolução. Para convencê-los disso traça um panorama de toda a história, evidenciando o fato de sempre ter existido um conflito de classes e que o surgimento do capitalismo intensificou essa luta. A burguesia fez sua revolução, transformou todas as estruturas para que refletissem seus interesses, unicamente mercadológicos. Porém, ela tem construído os próprios meios de se desfazer, pois o capitalismo é contraditório e gera as crises cíclicas, as quais   são sempre combatidas por meio de mais exploração e, com isso, os motivos de sua extinção aumentam cada vez mais.
            A  união  dos proletariados a que se refere não é mais do que fruto da união  burguesa. Esta reprime o trabalhador através da desvalorização de sua tarefa, tendo em vista que o desenvolvimento da indústria coage o operário a acompanhar o ritmo da produção e que os salários diminuem, pois a máquina é responsável por grande parte dos procedimentos. Como realizam simples e repetitivas ações, os empresários  aumentam o número de empregados, a ampliação do mercado no âmbito mundial permite o contato de explorados de diferentes locais e a formação de organizações de trabalhadores passa a ser algo fácil e freqüente. Ou seja, "a burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros".
            Os comunistas defendem a classe operária e acreditam que, por a propriedade burguesa traduzir a exploração das classes, ela deve ser abolida, da mesma forma que a propriedade feudal  fora. No capitalismo, o capital, adquirido por contribuição de toda a sociedade, transforma-se em uma propriedade não social, mas sim particular. O que Marx propõe é apenas a mudança para seu caráter  social, já que seu caráter pessoal não permite que todos a possuem- "a propriedade já está extinta para nove décimos de seus membros".
            Abolir a propriedade significaria retirar toda a cultura burguesa que vigora e mantém a exploração. A escola, a família, a mídia, a arte, o estado e todas as outra instituições refletem o ideal burguês. Subordinam o ser humano ao capital. A revolução do proletariado refletirá na mudança de ideias tradicionais, pois estas foram moldadas no antagonismo de classes. Para isso, seria necessário um momento de transição em que todo o capital fosse unificado nas mãos do estado, sem que houvesse maneira de a classe dominante resistir à mudança, período chamado de ditadura do proletariado. 

Diogo Heilbuth
Direito Noturno

O papel da ideologia capitalista na sociedade burguesa


Aldeia global pode ser definido como um sentimento de pertencimento, de aconchego, de união de todos. Esse conceito é um conjunto de mecanismos de regimento “invisíveis”, que inibe a consciência da divisão de classes, referindo-se a apenas um homem brasileiro, uma família brasileira. Dessa forma, a ideologia capitalista usa-se de um discurso falso para justificar o enorme abismo social existente em toda extensão do globo: questões de talento individual, de natureza, de destino, de ambição... E, ainda dissemina ideia de que as oportunidades são iguais para todos. Não obstante, a contradição acentua-se quando a o chavão acima, é repetido por pessoas economicamente desfavorecidas.

Além disso, conforme discutido por Marx e Engels, a sociedade é movida pela luta de classes, relação entre dominantes e dominados. No entanto, a ideologia capitalista apazigua essa realidade difundindo a ideia de que os conflitos surgem isoladamente nos indivíduos: “Seu problema não é igual ao dele, vocês nem trabalham na mesma fábrica...”

Vale ainda ressaltar que que o sistema econômico do capital, por meio de mecanismos de dominação, como a cultura, a religião e o aparelho midiático, tornou o homem individualista, desprovido de solidariedade e totalmente superficial em suas relações. Assim, ele vive uma eterna busca pelo lucro, impulsionado pela ambição.


Todavia, é necessário a inversão de valores com a valorização de sentimentos e criticidade e a subvalorização dos bens materias, através de uma educação critica disponível para todos, e não apenas para uma pequena parcela privilegiada economicamente. 





Heloísa C. Leonel
1º ano Direito Diurno 

Sorria, você está sendo enganado!

Sabe-se que, hodiernamente, seria quase impossível a implantação do Socialismo como o compreendido por Marx e Engels em virtude de diversos fatores como a alienação do proletariado, a força da burguesia como um meio repressivo aos ideais comunistas bem como a desatualização de algumas das ideias propostas pelos estudiosos – formuladas sob outras circunstâncias em uma sociedade e época diferentes. A partir desse pressuposto, entende-se como extremamente necessário não só uma atualização de obras como o “Manifesto Comunista” que destrinchem as facetas da sociedade atual, suas complexas relações e soluções que prezem a igualdade mas também e principalmente, mudar o modo de pensar do indivíduo, seja ele o opressor ou oprimido.
Na busca por esse objetivo, uma alternativa óbvia para a mudança do pensar capitalista seria, de fato, a leitura de Marx e Engels como obrigatória, devendo estar presente nas ruas, nos colégios e nas universidades, uma vez que esse aparato intelectual daria aos indivíduos uma percepção da realidade opressora, agressiva e desigual em que vivem, mas que muitas vezes não se reconhecem como inseridos. No entanto, sabe-se que uma parcela ínfima da população lê e estuda os ideais de igualdade marxistas, seja por falta de acesso à informação ou por mero desinteresse. Assim, pergunta-se: como  atingir o proletário alienado e o burguês acomodado?
A resposta é simples e está no próprio texto: a parcela ínfima. Se considerarmos esta como o grupo pensante da sociedade, a par da realidade exploratória, percebemos a capacidade potencial desses intelectuais em compartilhar o conhecimento e despertar a curiosidade, influenciando o maior número de alienados a sua volta. Desse modo, cada vez mais teríamos indivíduos conscientes sobre suas ações e capacitados de retribuir os ensinamentos, sendo a melhora – ainda que sem o socialismo –  visível e contagiante. Mas então, por quais motivos essa mobilização não é feita?
De certa forma, alguns estudiosos até tentam mobilizar-se, no entanto, sem sucesso. A mídia, como principal fonte de informação, mostra-se parcial sobre os assuntos, uma vez que suporta e tem como suporte os grandes empresários, dificultando que as ideias sejam perpetuadas. Graças à tecnologia, algumas portas foram abertas para o impenetrável mundo do dinheiro, status e ostentação, sendo o Facebook, por exemplo, como uma ferramenta de comunicação eficaz para o debate ainda incipiente sobre a sociedade. Acredita-se que daqui um tempo esses debates sejam mais frequentes nesses meios sociais, ampliando a visão do trabalhador que, ao adquirir mais direitos, pode ter mais tempo para o ócio, assim como o pregado pelos gregos no tempo áureo de mudanças na forma do pensar o indivíduo como agente decisivo para as mazelas sociais. Engana-se quem pensa em aceitar sua posição na sociedade pela falsa sensação de meritocracia e deixa de participar ativamente da sociedade, vivendo sempre a margem como um zero à esquerda. Por fim, questiona-se: se o mundo é de todos, por que uns têm mais e outros têm pouco?


Leonardo Borges Ferreira 1° ano direito noturno

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Choque de realidade

    Estavam pai e filho conversando em uma praça, o garoto tinha oito anos aproximadamente. O pai, embora fosse relativamente jovem, aparentava ser muito mais velho do que realmente era, estava com um ar de cansaço e não muito contente com sua vida.
    Sentei próximo ao banco em que os dois estavam e continuei a ler o livro “contos” de Machado de Assis que me acompanha em todos os lugares que eu vou. No entanto, apesar de estar lendo o livro não pude deixar de escutar a conversa dos dois. O filho se queixava que o pai estava muito ausente, que não o levava no treino de futebol, e nunca ia assistir aos campeonatos. O pai tentava se defender, dizia que trabalhava muito para poder dar boas condições de vida para ele e para os seus irmãos e que ele era obrigado a se sujeitar a vontade de seu chefe, porque afinal dependia dele para assegurar a renda da família.
    Aquelas palavras me inquietaram, comecei a ler o “Um Apólogo”, um dos meus contos favoritos, em voz alta.


Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


    Ambos calaram-se, acharam estranha minha atitude, mas ficaram escutando com muita atenção cada palavra que eu pronunciava, com o intuito de ao menos compreender o que eu estava fazendo.           Quando terminei a leitura, virei para o pai e disse:
- Machado de Assis fez uso da agulha e da linha para metaforizar certas relações interpessoais. Sem querer, acabei escutando a conversa de vocês dois e vou te dar um conselho, pare de ser a agulha para o seu patrão, pois enquanto você perde momentos importantes da vida de seu filho, o burguês, aquele que detém os meios de produção, “vai gozar da vida” que você possibilitou a ele.

    Saí de perto e ele ficou com um olhar reflexivo enquanto seu filho o olhava sem compreender muito bem tudo aquilo. 
1º Ano- Direito Noturno
Introdução à Sociologia
Ariane do Nascimento Sousa


A modernidade a favor do operariado?

     “Mas a burguesia não só forjou as armas que trazem a morte para si própria, como também criou os homens que irão empunhar estas armas: a classe trabalhadora moderna, o proletariado”
     “Mas com o desenvolvimento da indústria, o proletariado não só aumenta em número, como torna-se concentrado em massas maiores; sua força cresce e ele sente mais essa força”
     “De tempos em tempos, os trabalhadores vencem, mas só provisoriamente. O verdadeiro fruto de suas batalhas repousa, não no resultado imediato, mas na união cada vez mais abrangente dos trabalhadores. Esta união é favorecida pelos meios de comunicação mais desenvolvidos, criados pela indústria moderna e que colocam os trabalhadores de localidades diferentes em contato uns com os outros”
     “Era somente este contato o necessário para centralizar as numerosas lutas locais, todas do mesmo caráter, em uma luta nacional entre classes. Mas cada luta de classe é uma luta política. E com essa união, para alcançar o que os burgueses da idade média, com suas estradas vicinais, precisaram de séculos, os proletários modernos, graças às estradas de ferro, alcançaram em poucos anos”
     Esses trechos de Marx e Engels, presentes na obra O Manifesto Comunista, expressam bem e ajudam a entender o motivo de tamanha convulsão social e confiança na revolução proletária, ainda no século XIX. Quando falam em união favorecida pelos meios de comunicação, a discussão se torna ainda mais contemporânea, uma vez que as tecnologias de troca de informações à distância estão desenvolvidas de uma forma nunca antes vista.
     Porém, pode-se afirmar que, à medida que essas tecnologias se desenvolvem, a própria classe burguesa ganha cada vez mais capital e, consequentemente, mais poder. Assim, sendo os burgueses os legítimos detentores dos meios de produção, questiona-se a validade e a efetividade da união dos proletários através desses meios comunicativos, considerando-se que esses mesmos meios são controlados, inevitavelmente, pelos burgueses.
     Dessa forma, percebe-se o imenso poder de controle da classe dominante sobre a classe dominada, talvez o maior desde o início da luta de classes, ainda mais quando se considera que a acessibilidade aos meios de comunicação se dá pelo salário, talvez o maior instrumento de controle da burguesia. Enfim, é preciso maior organização das forças de resistência aliada a fortes instituições democráticas, com a finalidade de amenizar essas disparidades diametrais entre os dominantes e os dominados.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno

A “Revolução” no século XXII

Analisando a famosa  e  incansavelmente citada obra de Marx e Engels,  “O Manifesto Comunista”, destaca-se que os autores expõem que a luta de classes representa a história da sociedade: homem livre X escravo; o patrício X plebeu, senhor X servo. Por sua vez, a sociedade burguesa traz intrínseca a si a luta entre burguesia e proletariado. A partir da hegemonia da sociedade burguesa; a qual nasceu das ruínas feudais, percebe-se  uma alteração profunda no seio da sociedade: a burguesia destruiu as relações fraternais, findou o fervor religioso; escancarando o individualismo, o consumismo, o egoísmo. Isso é muito nítido nos dias atuais: as pessoas, apesar de viverem em grupo, agem como se estivessem presas à um universo paralelo. Assustadoramente, essa situação está presente no próprio convívio familiar, por exemplo, quando os membros de uma família preferem isolar-se cada um em seu quarto, ouvir sua música em seus fones de ouvidos particulares, mexerem cada qual no seu próprio celular. Nesse ínterim, concluímos que, na sociedade burguesa, o individualismo, a competitividade se elevam, em detrimento do altruísmo, da solidariedade.

Conforme Engels e Marx destacam, na sociedade burguesa dá-se uma importância muito elevada ao dinheiro, às relações monetárias. Elas parecem substituir as demais relações sociais. Isso é, no mínimo, triste, já que gera o constante descontentamento e ,posterior, frustação do homem, pois ele nunca se satisfaz ao suprir determinadas necessidades materiais,  uma vez que sempre surgirão outras e outras, num ciclo eterno e angustiante. Muitos estudiosos afirmam que essa é uma das origens da depressão (“o mal do século”). O que sabemos indubitavelmente é que essa liquidez das relações afetivas, cujo princípio remete-se à nascente sociedade burguesa amplamente criticada por Marx e Engels, ou seja, essa superficialidade no contato com o outro apenas colabora para reiterar a hegemonia do capital; o que nos leva à seguinte reflexão: será que o estabelecimento pela burguesia da liberdade de comércio em prejuízo das demais liberdades é favorável aos cidadãos?

“Com o rápido aprimoramento de todos os meios de produção, com as imensas facilidades dos meios de comunicação, a burguesia arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras para a civilização”(p. 30) Com essa citação de O Manifesto Comunista, conseguimos fazer uma analogia com o objetivo das nações europeias na época das Grandes Navegações. Não podemos considerar um tanto pretensiosa e rodeada de preconceitos acerca de uma “superioridade” essa “missão” da burguesia em levar seu ethos, considerado superior ao demais, para todos os povos,? Não seria equivocado e até ilegítimo a tentativa burguesa de criar “um mundo à sua imagem”?


Marx e Engels destacam o intuito burguês em expandir seu modo de produção ao mundo todo, como já foi exposto. Trazendo esse raciocínio para o século XXII, podemos relaciona-lo à globalização; a qual colabora para alienar  e homogeneizar a tudo e a todos, transformando os indivíduos naqueles operários pré-programados pela indústria na época da Revolução Industrial. No contexto atual quem os domina e os padroniza é também uma indústria, mas não aquela de automóveis, de tecidos à época de Marx e Engels, é ,talvez, uma mais cruel; a “indústria cultural” .Resta-nos saber se esses “robôs” que os homens tornaram-se, serão capazes de se libertar das amarras do consumismo, da massificação cultural, do individualismo e  se conseguirão fazer a revolução; a qual nada tem a ver com modos de produção como outrora Marx e Engels defendiam, e sim, em tornar o mundo um lugar, ao menos, mais harmônico e fraternal.

 Victória Afonso Pastori
1 º Ano Direito- Noturno

Inevitável Fim

Em um momento de ascensão de uma classe operária na Europa, Karl Marx e Friedrich Engels abordam, em sua obra “O Manifesto Comunista”, os aspectos desta classe em oposição à burguesia dado que sobre aquela é depositada a confiança dos referidos intelectuais para a superação do capitalismo dado que o operariado eliminaria a luta de classes.
Defende-se que a classe operária estabelece uma nova relação social substituindo a dominação por uma forma de interdependência, ou seja, a perspectiva de transformar as relações de poder em relações de solidariedade de modo a interromper a burguesia na criação de um mundo à sua imagem, Isto pode ser verificado pela forma como o modelo de produção burguês influencia as nações a introduzirem o que define por civilização. Basicamente, induz aquelas a se tornarem burguesas.
Assim, a burguesia pode ser classificada como classe revolucionária uma vez que modifica, incessantemente, os instrumentos de produção e, com isso, as relações de produção ocasionando na revolução de todas as relações da sociedade. Entretanto, a burguesia necessita para existir e ter poder da formação e crescimento de capital e estes são sustentados pelo trabalho assalariado. 
Logo, a burguesia impulsiona-se ao seu fim visto que o trabalho assalariado fundamenta-se na competição entre os trabalhadores o que deveria causar isolamento entre eles, porém os associa pela combinação revolucionária. Desta forma, afirma-se que o cerne da união do operariado está na própria burguesia.
Em suma, Marx e Engels defendem que a classe operária decretará o fim das lutas de classe motivadas pela própria burguesia ao afirmarem que "a burguesia não só forjou as armas que trazem a morte para si própria , como também criou os homens que irão empunhar estas armas" (1998, p. 19)


Camila Migotto Dourado
1º ano Direito - Diurno

"Rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre"


“(...) pois os que no regime burguês trabalham não lucram e os que lucram não trabalham”


A nossa história sempre foi marcada pela luta de classes, contudo, o capitalismo contribuiu para um aprofundamento desta, separando a sociedade entre burguesia e proletariado. A burguesia sempre visando o lucro, principalmente através da mais valia e da expansão dos mercados, e o proletariado sempre sendo explorado. 
Dessa forma, a existência da burguesia só é possível graças ao trabalho do operário, que permite o que a ela é essencial: o acúmulo de capital. A exploração dos donos dos meios de produção daqueles que dependem dos salários para viver no mundo capitalista é impiedosa. A solução proposta por Karl Marx no Manifesto Comunista (1848) para esse problema é simples: os trabalhadores devem se unir para acabar com a propriedade burguesa, ou seja, a propriedade privada. 
Nos dias de hoje, essa dominação burguesa sobre os trabalhadores, e sobre toda a população mundial é possibilitada pela globalização. De forma que ficamos subordinados ao sistema econômico capitalista, que está presente na vida de todos, alguns para o bem, outros para o mal. Os frutos do capitalismo são refletidos na desigualdade social e econômica mundial, enquando 99% da população possui apenas 52% dos recursos mundiais, o outro 1% concentra os outros 48%. Como diria uma música popular "o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre". 
Apesar do capitalismo atual ser diferente daquele da época de Marx  ao fazer concessões como a existência de Estados sociais e de se existir certa preocupação com o o meio ambiente, ele é ainda extremamente prejudicial para aquela população que trabalha muito todos os dias e continua recebendo um salário desproporcional em relação aos chefes. Dessas forma, hoje em dia existem algumas concessões sim, mas não a ponto de abalar ou mudar o sistema capitalista.

Mariana Miler Carneiro
1º ano- Direito- Noturno

O comunismo para Marx e Engels

A obra “Manifesto do Partido Comunista” reflete a visão crítica de Marx e Engels sobre o capitalismo, a luta e a necessidade da união dos proletários contra a burguesia. Publicada em 1847. Constituindo-se num importante documento que delineava em seus pontos essenciais as bases econômicas e a luta de classe como o motor da história. Segundo seus autores, para surgir uma sociedade sem classe e sem exploração, esta só seria possível através da união dos proletários.
Desde os primeiros tempos da História a sociedade existiu através da luta de classes sociais, ou seja, entre burgueses e proletários, verificamos assim, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais que reina até os dias de hoje. Com o desenvolvimento da burguesia (capital), desenvolve-se também o proletariado, a classe dos operários modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho e que só o encontram na medida em que este aumenta o capital. Esses operários, constrangidos a vender-se diariamente, são mercadoria, artigo de comércio como qualquer outro. De todas as classes que ora enfrentam a burguesia, só o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As outras classes degeneram e perecem com o desenvolvimento da grande indústria; o proletariado, pelo contrário, é seu produto mais autêntico. O movimento proletário é o movimento espontâneo da imensa maioria em proveito da imensa maioria. O proletário, a camada inferior da sociedade atual, não pode erguer-se, pôr-se de pé, sem fazer saltar todos os estratos superpostos que constituem a sociedade oficial.
A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho assalariado. Este baseia-se exclusivamente na concorrência dos operários entre si. Os comunistas apoiam os proletários como um todo, pois objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado. A característica distinta do comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa. O capital é um produto coletivo: só pode ser posto em movimento pelos esforços combinados de muitos membros da sociedade, O capital não é uma força pessoal; é uma força social. Assim, quando o capital é transformado em propriedade comum, pertencente a todos os membros da sociedade, não é uma propriedade pessoal que se transforma em propriedade social. A teoria dos comunistas pode ser resumida na sentença: abolição da propriedade privada, o fim da exploração dos muitos pelos poucos.
Na sociedade burguesa existente, a propriedade privada já acabou para nove-décimos da população. A sua existência para os poucos deve-se simplesmente à sua não existência nas mãos desses nove-décimos. O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, apenas suprime o poder de escravizar o trabalho de outros por meio dessa apropriação. Na proporção em que a exploração de um indivíduo por outro termina, a exploração de uma nação por outra também terminará. Na proporção em que o antagonismo entre classes dentro de nações desaparece, a hospitalidade de uma nação para outra terminará. Em suma, o comunismo é a ruptura mais radical com as relações de propriedade tradicionais existentes no capitalismo, em que o desenvolvimento livre de cada um é a condição para o desenvolvimento livre de todos.
Pode-se finalizar dizendo que essa obra em questão constitui um magnífico instrumento para a humanidade, pois nos pensamentos transcritos nesse documento representa um agudo grito contra o processo mecânico e a alienação do homem, contra sua perda da cidadania, de humanidade e sua transformação em objeto explorado.


Thais Amaral Fernandes - 1 ano Direito Diurno 

Pelo despertar dos sonhos de níquel

   A obra de Karl Marx e Friedrich Engels, de 1848, intitulada de Manifesto do Partido Comunista, trata sobre a análise do sistema capitalista na sociedade, de modo a superá-lo, alertando o operariado sobre o poder que dispõe, podendo revolucionar todo o sistema. Embora considerado como uma profecia, Marx nada mais fez do que analisar profundamente a história e a sociedade em si, evidenciando a forma supressora que o capitalismo trabalha, acentuando as desigualdades em um mundo que cada vez mais é individualista. A luta de classes que se apresentou em todas as sociedades existentes, como afirmado no Manifesto, na sociedade moderna se apresenta entre o operário e o burguês. Pode-se afirmar que em algumas sociedades o primeiro venceu; em outras, o segundo, mas na atualidade é o operário quem sai perdendo.
   O capitalismo aprofundou e acentuou a desigualdade socioeconômica, além disso, dispõe de instrumentos de extrema influência na população para fazê-la acreditar que esse sistema é o ideal para a sociedade: a mídia é um desses instrumentos principais. Um exemplo dessa alienação midiática ocorreu em momentos pré-ditadura militar no Brasil, em que supostamente havia uma “ameaça comunista” que rondava a América Latina; os Estados Unidos, como líderes do capitalismo na época, estavam prontos para intervir, mas o exército brasileiro o fez primeiramente, aplicando um golpe, assumindo o governo.
   Com isso, a ascensão social passou a ser o “sonho capitalista” de todos, e não mais a condição de igualdade geral. De algum modo, o trabalhador se perdeu dentro do movimento, passando não mais a querer dominar os meios de produção na classe em que pertence, mas sim a querer ser dono de toda a produção, elevando-o a condição de burguês. Talvez seja pela desilusão na forma como o socialismo foi empregado na União Soviética, por exemplo, mas na realidade, não se conhece devidamente o sistema socialista na prática. Todas as formas que foram concebidas foram, na verdade, uma deturpação desse sistema.
   A sociedade contemporânea é um reflexo de como o capitalismo tem se enraizado na natureza humana, tornando o homem cada vez mais materialista. O dualismo monetário presente na concepção de que dinheiro resulta em malefícios para a humanidade, mas que também provém uma felicidade material, faz com que o homem permaneça nesse sistema. Um exemplo dessa dualidade está presente na música Money da banda Pink Floyd. Apresentando sons que remetem à caixa registradora e moedas caindo, a música mostra como o homem vive uma relação de busca constante de dinheiro, tornando a vida cada vez mais difícil, como mostrado no trecho da canção:

“Money, it’s a crime
Share it fairly
But don’t take a slice of my pie
Money, so they say
Is the root of all evil today”

   A consciência de uma necessidade de transformação social que Marx aborda, parece ter desaparecido pouco a pouco, fazendo com que as pessoas não enxergassem mais o socialismo como uma real alternativa para todo o caos provindo do sistema econômico atual. Um antigo movimento coletivo é agora cada vez mais individual e egocêntrico. Citando uma célebre frase da escritora e filosofa Simone de Beauvoir, “É horrível assistir à agonia de uma esperança”, a esperança de uma sociedade mais justa e igualitária tem desaparecido na conjuntura atual e isso deveria se alterar de alguma forma. O conformismo e a alienação resultante da mídia capitalista deveriam ser as primeiras coisas que o operariado atual deveria se desvencilhar. Libertando-se desse ciclo de infinitudes de miséria e ambição, faria o trabalhador despertar desse sonho repleto de níquel e outros metais que mais parece infinito. Como disse Marx no Manifesto, é preciso da união dos trabalhadores para que a revolução dê certo, apesar de tudo, o sonho não pode acabar. Avante!

Lara Costa Andrade -1º ano Direito (Diurno)
Introdução à Sociologia – Aula 8

                       "Tudo que é sólido: 
                           
                                                                                                                              Derrete-se no ar"


Modo asiático, feudal,

                                                                       capitalista de produção

                          Evolução ou mera ficção?

                                                           Veja o avanço: Crise por falta
                     de alimentos?, não

                             Na atual ocasião, a crise é pela

Superprodução.              
                                                                                                              Puerilidade, não?           

                                                       A ferramente era a

                     extensão do varão
                                                                                         Em poucos séculos,
                                     
                                         quanta inversão
                                                                                                                Quanta contradição!

                                                                                         E não é que o homem
                   

                    é que virou a extensão?



A interdependência universal e a crise grega

“Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pela produção do país, encontramos novas necessidades, exigindo para satisfazê-la produtos de terras e climas distantes. No lugar da antiga reclusão e auto-suficiência local e nacional, temos conexões em todas as  direções, uma interdependência universal.”
    Esse excerto extraído do Manifesto Comunista de Marx, ao meu ver, serve muito para compreender a situação que a Grécia está passando no momento. Seu envolvimento com o bloco econômico europeu, do qual é membro desde 1981, é demasiado e marcado, sobretudo,  pelo estabelecimento de uma relação de mais pura dependência. O que torna cada vez mais difícil o enfrentamento de uma situação de crise ameaçadora das condições sociais, da estabilidade política e econômica.
        Diante dessa crise ameaçadora, aprofundada desde 2008, o primeiro ministro do partido Syriza, Tsipras, tinha um plano original para livrar a Grécia da mesma: sua intenção é mantê-la na Zona do Euro,  reverter as medidas de austeridade, usurpadora de direitos, preponderantes nos acordos com a Troika. Renegociando os termos da dívida grega. Difícil mesmo é negociar com o imperialismo, contra a ditadura do capital, sem ser visto como um inimigo do sistema.
        Com efeito, enquanto Tsipras tentatava pressionar abertamente os representantes dos organismos multilaterais, mostrando que tais medidas de austeridade tinham um alto custo social, cuja aplicação resulta em um forte retrocesso em matéria de direitos fundamentais e sociais. As negociações não vingavam nesse sentido, pois eles, do “sistema”, se recusam a renegociar a dívida grega, temerosos de que isso poderia acabar estimulando outros países a fazer o mesmo. Consequência de tal situação, isto é, para superar esse muro de resistência entre os credores, convocou-se o referendo grego, no qual a população se mostrou majoritariamente contra a concessão de novos empréstimos com respaldo em novas medidas de austeridade.
       Disso tudo podemos extrair uma lição sobre a democracia e o capitalismo, pois, se em detrimento de uma relação econômica, com objetivo de manter-se ativo no mercado mundial e integrar o sistema globalizado, em nome de uma moeda valiosa como euro, tiverem que negar direitos ao motor da economia, melhor votar “OXI, OXI”, ou seja, contra. Já que o empréstimo de mais moeda para continuar vivo nessa organização global, não deveria valer o sofrimento, sobretudo da classe trabalhadora, que padeceria com o desemprego ou com menores salários. Em outras palavras a dignidade pessoal não pode adquirir um simples valor de troca, as numerosas liberdades, conquistadas com tanto esfroço não deveria ser substituída pela única e implacável liberdade de comércio, conforme Marx afirma que o fez a burguesia revolucionária.
      No caso grego, reportando ao autor do Manifesto Comunista, o caso não era buscar mercadorias e rescursos em “terras distantes” pois estavam logo ali, na própria Europa (o "inimigo" mora ao lado). Mas sim compreender que sua relação de dependência com relação ao “fornecedor” é tão grande que o futuro social e econômico não pertence mais ao senhor deles. 

Yasmin Commar Curia
1º ano- Direito- Noturno



quinta-feira, 16 de julho de 2015

A "brilhante" burguesia

Em sua obra, O manifesto comunista, Karl Marx descreve diversos aspectos da burguesia, desde seu surgimento até sua "inevitável" queda. Refletindo sobre o percurso dessa classe daquela época, o livro foi publicado em 1848, até os dias de hoje, é incrível seu comportamento e desenvolvimento.
Desde seu surgimento, essa classe empreendedora foi revolucionária. Responsável por toda a alteração da ordem social do feudalismo, ela conseguiu dominar não só o campo econômico, como também o político e o social. A formação das Monarquias Nacionais dependeu diretamente da burguesia. Para Marx, a centralização política foi uma consequência das transformações feitas por ela para dominar os meios de produção, a propriedade e a população. Ele afirma que poder político é o meio de  opressão entre classes. Dessa forma, com a dependência dos reis para manter a centralização de seu poder, a burguesia foi se fortaleceu e dominou toda a sociedade. Cada avanço seu foi seguido por um progresso político correspondente.
Vale lembrar também a importância dela para os avanços científicos. A burguesia foi pioneira na valorização da razão humana, utilizada para empreender. E quantos avanços não houve desde então! Quando os mercados da Europa estavam saturados, a burguesia apoia e financia a aventura ultramar, e como resultado dessa ânsia de "estabelecer-se em toda parte, explorar em toda parte, criar vínculos em toda, parte" tivemos a globalização. Além das duas revoluções industriais sempre visando aumentar a produção e o lucro, que transformaram radicalmente os meios de produção, e a mais recente revolução técnico-científica. Hoje, ela conseguiu transformar até mesmo a cultura em um meio lucrativo, com a criação de um industria cultural, responsável pela uniformização de valores e comportamentos.
Todos esses fatos foram simultâneos com diversas lutas de classe. Ela já batalhou contra a aristocracia, o clero, ela própria (conflitos por concorrência) e, principalmente, o proletariado. Nas palavras do próprio Marx, A burguesia vive em guerra perpétua. 
É claro que tudo tem um preço, e todos pagamos pelas consequências de suas transformações. Seja pela destruição do planeta, dos laços familiares e sociais, que se tornaram meras relações de interesses, ou a redução do operário a mera mercadoria e das crianças em "objetos de comércio", ou então, a transformação da política em uma atividade altamente lucrativa. 
Por mais triste que sejam os resultados de um mundo construído pela burguesia e dos ideias por ela propagados, não tem como deixar de se impressionar com sua performance, desafios enfrentados e avanços ao longo dos séculos.

Do The Evolution


A música "Do The Evolution" da banda estadunidense Pearl Jam conta em sua letra e seu videoclipe a história da humanidade a partir de uma visão bastante crítica. Apesar de tratar de diversos aspectos e diversos momentos da história da humanidade abordados na música, a crítica feita por Eddie Vedder (autor da música e vocalista da banda) coincide com a crítica marxista quando fala do capitalismo ou de aspectos do capitalismo que estiveram presentes ao longo da história.

Dessa forma, é possível inferir aspectos presentes no Manifesto Comunista de Marx e Engels a partir de uma análise da letra traduzida e do videoclipe de "Do The Evolution". É importante lembrar que a música foi escrita em meados da década de 1990, quando a Guerra Fria havia acabado de chegar ao fim após um longo período com o mundo polarizado entre o bloco capitalista alinhado aos Estados Unidos e o bloco comunista aliado a extinta União Soviética.

Eu estou a frente, eu sou o homem 
Sou o primeiro mamífero a usar calças
Estou em paz com a minha luxúria
Eu posso matar porque em Deus eu confio
É a evolução, querida.

Na primeira estrofe da música, é retratado no videoclipe o início da evolução a partir da formação do mundo (usando a teoria do Big Bang) e logo dos seres humanos. A letra trata da autoimagem que o homem tem como um ser dominador - o que também é mostrado no vídeo, no qual fica evidente o espírito de competição e a defesa humana dos próprios interesses (ou seja, o individualismo, traço fundamental do capitalismo que é criticado por Marx e Engels no Manifesto).

Além disso, aqui também cabe outra crítica marxista, mas agora com relação a religião. Ao dizer que "a religião é ópio do povo" em Crítica a filosofia do direito de Hegel, Marx fala do uso que é feito da crença religiosa, usada para convencer as pessoas a aceitar o sofrimento terreno. Ele defende que a própria crença religiosa é criada como uma reação a injustiça, mas acaba sendo instrumentalizada pelas classes dominantes para manter a submissão das classes oprimidas. Na música, Eddie Vedder faz uma referência ao momento medieval das Cruzadas, que provocou muitas mortes "em nome de Deus". Tanto a crítica marxista quanto a da música são ainda bastante atuais: ficam evidentes nas "guerras santas" promovidas por grupos fundamentalistas no Oriente Médio e no norte da África e em atitudes dos fanáticos evangélicos na política brasileira.

Eu estou em paz, eu sou o homem 
Comprando ações no dia da quebra
À solta, eu sou um trator
Todas as colinas eu vou aplanar, é
É a evolução, querida.

A segunda estrofe começa, tanto na letra quanto no vídeo, com referências a quebra da bolsa de valores de Nova York e a consequente Crise de 1929. Pode-se dizer que aqui se faz uma crítica ao "capitalismo selvagem" - termo que Marx utiliza em O Capital para tratar do momento da Primeira Revolução Industrial, no século XVIII (mais uma vez, a crítica marxista se faz bastante atual, seja para a crise de 1929 ou pro contexto contemporâneo).

Nesse momento, o clipe também faz referência ao estado nazista: cabe lembrar aqui que tanto a Primeira quanto a Segunda Guerra Mundial são consequências direta ou indiretamente do modelo capitalista de produção, considerando a necessidade de expansão constante de mercados que motivava o neocolonialismo. Além de mostrar a doutrinação promovida pelos estados totalitários no século XX, a música retrata as atrocidades cometidas ao retratar um campo de concentração.

Admire a mim, admire o meu lar
Admire o meu filho, ele é meu clone
Esta terra é minha, esta terra é livre
Eu faço o que quiser, mas irresponsavelmente
É a evolução, querida.

Antes do início da terceira estrofe da letra, o vídeo faz referência a Revolução Francesa a partir da guilhotina. Marx reconhece no período das revoluções o caráter revolucionário da burguesia, que foi capaz de romper com o sistema estamental feudal e a dominação arbitrária do absolutismo. A partir daí, a burguesia liberta o potencial produtivo do qual o homem é capaz. Mas a burguesia faz isso para si mesma, enquanto a ideia marxista era que a classe operária formasse uma consciência coletiva de que é necessário estender isso a todos os grupos indistintamente. Apesar dessa superação, a própria música demonstra que em outros momentos da história as conjunturas econômicas do capitalismo - a partir de uma perspectiva marxista - levaram a dominações autoritárias e arbitrárias. Além disso, nesses regimes, as tão caras liberdades individuais (tal qual a liberdade de expressão) para a democracia-liberal (desenvolvida pela burguesia para que o sistema político se adequasse aos seus ensejos econômicos), foram fortemente suprimidas, deturpando o sistema que as motivou.

A letra também fala, nesse momento, sobre a propriedade privada, um dos principais fundamentos da sociedade burguesa e, por conseguinte, da democracia liberal e do capitalismo. Enquanto Marx identifica na propriedade privada o surgimento da desigualdade social, muitos dos textos liberais a defendem como um direito natural do homem, cuja proteção é o objetivo final (senão o único) do Estado. Burke, por exemplo, chega a defender que mesmo a desigualdade social é fruto da natureza humana e que não há porque lutar contra ela, em sua crítica a Revolução Francesa, no qual também ironiza o ideal de liberdade citado no texto.

Um elemento interessante que não aparece na letra da música, mas que é retratado no clipe, é a exploração dos escravos na construção dos grandiosos monumentos da antiguidade. Mostra também cruzes sendo vendidas, já que tornaram-se símbolos da religião católica - criticando novamente a religião (que ganha, como tudo, um caráter mercadológico no capitalismo) e o individualismo.


Admire a mim, admire o meu lar
Admire o meu filho, admire minhas roupas
Porque nós sabemos, tenho apetite para banquete noturno
Esses índios ignorantes não conseguem nada de mim 
Nada, por quê?
Porque... É a evolução, querida.

Finalmente, a letra da música referencia a importância do status dentro do capitalismo, que substituiu os privilégios hereditários dos estamentos medievais pelos privilégios a elite industrial e financeira, de acordo com cada um dos momentos do capitalismo - mais uma evidência do caráter revolucionário da burguesia. Trata também do "apetite" humano, com o qual pode ser feito um paralelo com a constante necessidade de expansão de mercados e aumento na geração de lucros do capitalismo. Finalmente, referencia os índios, principais vítimas do primeiro momento de expansão capitalista e de uma espécie de globalização primitiva nas Grandes Navegações do século XV.

Eu estou a frente, eu estou avançado
Eu sou o primeiro mamífero a fazer planos
Eu rastejei pela terra, mas agora eu sou mais alto
2010, veja tudo pegar fogo
É a evolução, querida!
Faça a evolução.



Heloisa de Maia Areias
1º ano de Direito - diurno

Capitalismo: uma triste realidade

O Manifesto Comunista escrito por Max e Engels não pode ser considerado uma profecia, mas sim um exercício de compreensão e interpretação da realidade. Eles abordam o momento vivido na Europa de ascensão de uma classe social. Eles depositam uma esperança muito grande na modernidade, e buscam, com o socialismo, expandir o progresso humano, e não regredir, como muitos acreditam.
O capitalismo surge a partir do momento que o sistema feudal ou corporativo já não bastava para a demanda em crescimento de novos mercados, passou-se a utilizar, portanto, o sistema de manufaturas. Entretanto, esse sistema deixou de acompanhar o desenvolvimento dos mercados e das demandas, necessitando portanto, que o vapor e as máquinas assumissem esse posto, revolucionando a produção industrial. Marx e Engels deixam claro também, que no capitalismo há uma liberdade imaginária.
A luta de classes e o contraste e a oposição entre opressor e oprimidos sempre existiu, terminando sempre com uma transformação revolucionária ou com a destruição das classes em disputa. É importante destacar, entretanto, que a essa luta de classes nunca foi tão exacerbada como ocorreu com o advento do capitalismo. Ademais, a sociedade burguesa foi um fator muito importante para que a luta de classes ocorresse de forma inédita. A tecnologia foi de extrema importância para a superação da fragilidade orgânica pelo homem. Além disso, ela possibilitou, através dos meios de comunicação, favorecer a união.
A forte crítica ao capitalismo existente na obra Manifesto Comunista também pode ser observada na música Capitalismo da banda Ratos de Porão e na imagem abaixo. A condenação do capitalismo é baseada na exploração existente nesse sistema econômico, seja sobre os trabalhadores ou por sempre visar o lucro, seja a partir das guerras alimentadas ou da destruição da natureza.

Capitalismo - Ratos de Porão

Cultiva guerras
Destrói nações
Dinheiro e poder
Suas razões
Capitalismo
Um mal incurável
Capitalismo
O homem é irresponsável


Capitalismo
Destrói natureza
Mata animais
Só o dinheiro importa
O restante são coisas banais
Mal incurável

Capitalismo
Ganância e ambição
Em qualquer situação
Está gerando um caos na humanidade
Esta é a triste realidade.




Amanda Barbieri Estancioni
1º ano - Direito matutino
Introdução à sociologia - Aula 08

               O anacronismo e a atualidade de Marx e Engels
O que impressiona dos escritos feitos por Marx e Engels é como estes ainda são verídicos ainda hoje. Sua tese foi tão revolucionária que não passou a ser totalmente obsoleta ou superada, até hoje, movimentos de esquerda se baseiam em ideias marxistas como base de ação. Porém, alguns podem afirmar que é justamente essa falta de atualização do pensamento marxista que gera uma certa desvalorização da esquerda.
               As bases de seu pensamento, expressas no manifesto comunista ainda tem muito a ver com a nossa realidade atual, parece mesmo que se ampliou a veracidade de suas afirmações, já que muitos dos eventos tratados se tornaram quase explícitos nessa era pós-moderna. Um exemplo seria o que, mais tarde, ficaria denominado como “destruição criativa” burguesia, ou seja, a possibilidade de estar renovando constantemente as relações de produção e, assim, revolucionando as relações sociais: a sociedade passou por quatro revoluções industriais, que mudaram a forma da sociedade se relacionar. Hoje, a tecnologia muda a cada a ano: criam-se ciclos de avanço tecnológico, como é o caso dos smartphones por exemplo, que mudam anualmente (Apple, Samsung etc.).
               Contudo, o manifesto já não cumpre mais o seu papel original de fomentar a luta do proletariado; hoje, se estuda esse livro mais com fins acadêmicos do que como um manual revolucionário. Como disse o sociólogo Agnaldo de Sousa Barbosa, professor doutor da universidade paulista Júlio de Mesquita filho (UNESP), é necessário se atualizar o manifesto comunista, criar um novo “vem ser feliz” para as classes exploradas, motivando-as e direcionando-as para que elas possam lutar por seus direitos de forma mais eficaz e efetiva.



Tiago de Oliveira Macedo- 1ºano Direito diurno- aula 8