Total de visualizações de página (desde out/2009)

sábado, 4 de julho de 2015

O direito de quem?

“A História do Homem é a história da luta de classes”. É assim que Marx inicia uma de suas mais importantes obras, O Manifesto do Partido Comunista. Em nossa época, esse antagonismo social se torna ainda mais claro, pois contradiz duas classes absolutas: a burguesia e o proletariado.

Enquanto uma busca o lucro incessante e consolidar o seu predomínio, a outra busca as condições de existência e trabalhos dignas. Porém, como atingir esse fim em uma sociedade que já está completamente assentada em valores capitalistas? Como afirma Marx, a infra-estrutura determina super-estrutura da sociedade. As relações econômicas, a propriedade privada, o trabalho assalariado, o lucro como norte de toda atividade humana, determinam todo o resto, a cultura, nossa consciência, a política, o Estado, e não podemos esquecer, aquilo que hoje estudamos, o Direito.

De acordo com Marilena Chauí:
                                             “Por outra plana, entendemos o papel do Direito na sociedade capitalista, conforme observou Marx (e diversos outros autores), é o de manter o status quo. Através não somente da violência, monopolizada legitimamente pelo Estado, conforme analisou Weber (2002), mas também, e principalmente, através da ideologia de classe, entendida aqui como um mecanismo poderosíssimo de mascarar a realidade social, justificando a exploração da classe detentora dos meios de produção sobre a classe trabalhadora e, por fim, a injustiça social.” (CHAUÍ, 2001).

 Portanto, como afirma Marilena Chauí, o Direito é a representação de uma ideologia burguesa. Ideologia essa baseada na manutenção da ordem já estabelecida, buscando legitimar através dos ideais de liberdade do indivíduo e econômica, as injustiças e desigualdades sociais que vivenciamos hoje, proporcionadas pelo capitalismo brutal. A premissa de que todos são iguais perante a lei, então, possibilita indagações: é igual para que e para quem?


       “Vossas próprias ideias são um produto das relações burguesas de produção e de propriedade, assim como vosso direito é apenas a vontade da vossa classe erigida em lei, cujo conteúdo é determinado pelas condições materiais de existência da vossa classe.” (MARX)

Fernando Augusto Risso - direito diurno

Mais um soneto irregular

Na mente de seletos desprivilegiados sociais
padece - corpo e alma - a luta de classe.
Há, no entanto e sobretudo, outros tais
Submetidos e acometidos por demais impasse.

Em vão se chocam, ademais,
ideologias e politicagens face a face,
inofensivas aos atores (ou seriam motores?) principais,
que as digerem e efetivam a catarse.

"Dinamitar a ilha de Manhattan"
e reduzir ao pó o que do pó veio -
bradam superficialmente gauches anacrônicos.

Sorri de desprezo o econômico Leviatã,
bipolar em seu maquiavélico asseio.
A miséria se perpetua em meio a juízos oníricos.

Homem< Sistema do Capital




Elegia 1938
Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Elegia 1938 (Poema da obra Sentimento do mundo), de Carlos Drummond de Andrade.
                                                                                             

Como afirma Drummond, os indivíduos vítimas da dialética do capitalismo, que produz em seus polos acumulação de riquezas e de misérias, ao mesmo tempo, veem-se pequenos, insignificantes fronte à Grande Máquina. Segundo, ainda discutido pelo filósofo Karl Marx, os homens fazem sua própria história, mas não do jeito que desejam, não a fazem sob circunstancia de sua escolha e sim sob aquelas legadas pelo passado. Isso demonstra que o homem é o maior construtor desse mundo, para o qual trabalha e, em consequência indireta, sente calor, frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual, o que denota sua incoerência, pois se ocupa com trabalhos que nada lhe oferece mas, ao contrário, lhe privam de verdadeiramente viver.

Não obstante, a sociedade descrita por Drummond muito se assemelha à sociedade contemporânea, a impotência é explícita e inevitável: Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra — única forma de fuga da realidade, dormindo, os problemas desaparecem. Porém, o subterfúgio é efêmero, dado que, ao despertar, tudo volta ao que era antes: a Grande Máquina, é real, posto que invisível, impalpável, o que dificulta uma possível luta contra ela. O ser humano, pequenino, se confronta com o sistema, grandioso. É a insignificância do homem, ante esse mundo, que, na verdade, sobressai.

Vale ainda ressaltar que contrariamente ao que diz o filosofo Engels, que o socialismo, é um percurso incontornável da história, um produto da luta de classe entre a burguesia e o proletariado, o que vê-se hoje, é a aceitação do homem da classe oprimida devido a sua impotência fronte ao grande sistema do capital, bastou-se infelizmente em conformar-se, adiar para outro século a felicidade coletiva, aceitar a chuva, contra a qual nada se pode fazer, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição, (contra as quais muito se poderia e pode fazer, mas se...), pois não é possível, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan, símbolo, no passado e mesmo agora, do sistema capitalista. O homem aceitou que resta, portanto, a revolta contida, a incapacidade, a frustração.

Heloisa C. Leonel
1º ano Direito Diurno

Capitalixo e suas consequências

      Sociedade contemporânea: o homem produz sem fim definido – em abstrato – produz algo que não sabemos o que é e muito menos para que serve, apenas vendemos nossa forca de trabalho em troca de um reconhecimento financeiro para conseguir ter uma vida decente. Isso é normal, e não deveria ser. Percebe-se que, com o passar dos anos, os homens se tornaram cada vez mais “mecanizados”, parecendo maquinas. Alem disso, também percebe-se sua limitação, uma vez que, por exemplo, numa empresa, a pessoa que trabalha no call center é responsável única e exclusivamente por seu cargo e não sabe o que acontece no todo, sendo que as funções deveriam se interligar e o trabalhador ter noção do que faz e sua importância em determinado local.
    A contradição do sistema se encontra no aumento dos meios de produção, minorias se tornando ricas, ostentação, luxo, mansões, carros e junto a isso, o aumento da desigualdade social, da pobreza, fome, miseria. Para engels, isso é algo incompreensível, alem de ser uma ruptura na sociedade contemporânea, uma vez que nunca houve discrepâncias tão gritantes – não faz parte da ordem natural, sendo que é uma “escassez planejada”, concluindo que o capitalismo é um sistema egoísta e excludente. As desigualdades sociais são uma contradição gritante em quase todos os países globalizados hoje em dia, nota-se os EUA e os países africanos, enquanto um pais aprova o casamento gay em todos os seus estados, os outros tratam o homossexualismo como pena de morte.
A fixação na perspectiva de produção ocorre porque o trabalho faz parte da ontologia do ser social, ou seja, é inerente ao ser humano. Produz espaço, riqueza, vida política e social, é um imperativo, é a estrutura para compreender o sistema vigente. O materialismo dialético dá condições reais e materiais de existência, tudo se correlaciona a produção.           Essa dialética materialista busca a causa, que é a experiência histórica, uma vez que “a historia natural é o espelho da dialética”, o real é a base da analise cientifica (via puramente empírica de se chegar ao conhecimento, uma vez que a resposta para os males de qualquer época não esta nas idéias, mas na própria historia).. Devemos compreender transformações, enxergar além das mudanças materiais e compreender o que a história trouxe de realidade nova, é a perspectiva de vontade de mudança e evolução social.

    A vida esta em constante dinâmica, as relações sociais mudam e a idéia das contradições esta bem clara. O socialismo é, então, para Engels, um percurso incontornável da historia; é um produto necessário da luta entre as duas classes formadas historicamente: o proletariado e a burguesia. A mais-valia é algo muito injusto na realidade dos meios de produção, uma vez que nota-se a injustiça e desigualdade nos modos de distribuição da renda, sendo que o burguês empregador fica com a maior parte do lucro, deixando apenas uma pequena porcentagem com o trabalhador. Ainda bem que, graças à dialética social, surgiu o descanso remunerado e mais leis em favor da classe trabalhista. Para Engels, as causas profundas das transformações de cada época devem ser buscadas no modo de produção e de troca e cada época, nota-se ai a “primazia do econômico diante das idéias, política e cultura”. Para superar o modo de produção capitalista, é necessário compreender as forcas produtivas a fim de buscar sua racionalização. Ao conhecer a essência e a natureza dessas forcas, o socialismo pode transformá-las. 

mariana de arco e flexa nogueira - direito noturno 1 ano

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Incrível metamorfose do mundo


"Quando nos detemos a pensar sobre a natureza, ou sobre a história humana, ou sobre nossa própria atividade espiritual, deparamo-nos, em primeiro plano, com a imagem de uma trama infinita de concatenações e influências recíprocas, em que nada permanece o que era, nem como e onde era, mas tudo se move e se transforma, nasce e morre. [...] Essa concepção do mundo, primitiva, ingênua, mas essencialmente exata, é a dos filósofos gregos antigos, e aparece claramente expressa pela primeira vez em Heráclito: tudo é e não é, pois tudo flui, tudo se acha sujeito a um processo constante de transformação, de incessante nascimento e caducidade".

Friedrich Engels


A realidade é transformada a partir dos conflitos existentes na sociedade. Assim, a realidade está ligada aos acontecimentos que a antecedem. Está ligada à história. 

Isabela Ferreira Sastre
1º ano Direito Diurno
Introdução à Sociologia - aula 7

Por que o Capitalismo e o Empreendedorismo não oprimem o trabalhador

Por conceito, o capitalista é aquele que detém o capital e os meios de produção, o empreendedor é quem elabora e executa um plano de investimento daquele capital — também chamado de empreendimento —, e o proletário (trabalhador) é a mão-de-obra contratada para ajudar nesse empreendimento.
A propaganda socialista popularizou a ideia de que o capitalista e o empreendedor exploram o trabalhador, pois estes se apropriariam de parte do salário do trabalhador transformando-o em lucro.  De acordo com tal raciocínio, o operário constitui um elemento essencial do processo de geração de riqueza, sendo o capitalista um parasita, que o oprime e toma a força parte da riqueza gerada por seu trabalho.  No entanto, a realidade é bem outra.
A justificativa de que o trabalho seja em muitos casos uma condição necessária para gerar riqueza não significa que ele seja uma condição suficiente para gerá-la.  É bem verdade que, antigamente, em uma ordem social extremamente simples e primitiva, praticamente qualquer trabalho permitia a geração de riqueza: as necessidades urgentes não satisfeitas, como alimentação, vestuário, abrigo, ornamentação, eram tantas, e os meios potenciais para se alcançá-las eram tão escassos e pouco variados (majoritariamente apenas a força bruta), que, para bem da verdade, o único pré-requisito era o esforço físico.  A coordenação deste trabalho físico, embora importante, tinha apenas uma função meramente prática, de modo que era fácil visualizar o esforço humano como sendo uma condição suficiente para melhorar o próprio bem-estar.
Já em uma ordem social extremamente complexa, as necessidades não-urgentes a serem satisfeitas, bem como os meios disponíveis para se alcançá-las, são de uma variedade tão grande, que a função de selecionar onde a criação de riqueza deve ser maximizada e como isso deve ser feito advém de uma constatação básica: investir recursos em uma linha de produção significa não poder investir esses mesmos recursos em uma outra linha de produção; ou seja, seguir um determinado curso de ação impede a possibilidade de seguir outros cursos, que poderiam se revelar mais vantajosos. 
Este é justamente o trabalho fundamental que o capitalista desempenha. Por ser fomentador do empreendedorismo (possuindo o "capital" para tal), ele seleciona, por sua própria conta e risco, quais serão aqueles empreendimentos que irão gerar mais valor para os consumidores e que, por isso, merecem receber financiamento.  Tais empreendimentos, uma vez colocados em prática por empreendedores, empregarão vários trabalhadores.  Da mesma maneira que para se encontrar a saída de uma enorme floresta é preferível ter um bom guia a ficar dando voltas contínuas e sem rumo, na hora de coordenar bilhões de pessoas para gerar riqueza é essencial contar com bons comandantes que evitem o naufrágio deste processo de coordenação social: é a famosa "divisão do trabalho".
É só então — quando um bom plano empreendedorial já foi criado por algum hábil empreendedor e o financiamento já foi levantado com o capitalista —, que o empreendimento pode começar a ser implantado e os fatores produtivos necessários para implantá-lo são alocados, entre eles os trabalhadores.  No entanto, vale enfatizar que o trabalhador é apenas um relevante companheiro de viagem, uma vez que esta viagem já havia sido iniciada antes de ele ser contratado.  Se de alguma forma fosse possível prescindir do trabalhador — por exemplo, substituindo-o por uma máquina —, o capitalista e o empreendedor ainda assim continuariam gerando riqueza com seu empreendimento.  Por outro lado, o operário seria incapaz de gerar riqueza sem o capitalista e o empreendedor (a menos que ele se tornasse também um empreendedor autônomo bem-sucedido e elaborasse um plano de negócios tão bom quanto ou melhor que o de seus rivais).
Consequentemente, são o empreendedor e o capitalista que cedem ao trabalhador parte da riqueza o empreendimento cria: longe de espoliar a mais-valia do proletário, é o trabalhador que fica com uma parte da mais-valia que corresponderia ao capitalista e ao empreendedor.  Marx, portanto, entendeu exatamente ao contrário o processo social de trabalho do capitalismo: o valor não é extraído do proletário para o capitalista e para o empreendedor, mas sim do capitalista e do empreendedor para o proletário. 
Fica claro então que, também ao contrário do que diz a propaganda marxista, em nenhum caso será válido dizer que o trabalhador explora o capitalista e o empreendedor tomando parte de seus lucros, afinal, as relações trabalhistas são acordos feitos voluntariamente em que os dois lados ganham.  Se apenas um dos lados ganhasse, não haveria acordo voluntário.  Portanto, trata-se de uma relação na qual não existe nenhum parasitismo por parte do capitalista, mas sim uma simbiose contratual.
Em suma, o capitalista é o proprietário do capital (tanto do financiamento quanto dos meios de produção), o empreendedor elabora o plano de negócios, o trabalhador executa o plano em colaboração com vários outros fatores de produção, e o consumidor desfruta a enorme quantidade e variedade de bens assim produzidos.  Capitalismo de livre mercado, este é o nome de todo este arranjo.
Túlio Tito Borges - Direito Diurno

Fenômeno jurídico: ponto de partida vs. resultado



O Direito é paulatinamente conceituado por muitos estudiosos e até mesmo por filósofos famosos que expressam, sobretudo, suas análises acerca da sociedade. Diante disso, como o Direito é um fenômeno social, está diretamente vinculado com essas teorias, pode-se enxergar e conceituá-lo de diversas formas. Assim, a seguir será discutida a relação que o Direito possui com as ideias de Hegel, Marx e Engels, demasiadamente discutidos sobre o funcionamento da sociedade, seus acontecimentos e objetos.
Uma das ideias básicas sobre o Direito é que este rege comportamentos humanos, por meio de normas e autoridades que possuem o poder da sanção perante todos a fim de manter a ordem social. Então, mediante a filosofia do alemão Hegel e a sua visão da monarquia constitucional da época, pode-se colocar esse fenômeno como igualitário a todas as relações da sociedade, obtendo uma razão de que esse conjunto impera execuções sobre o mesmo patamar em todas as categorias que de alguma forma tem na sociedade.
Já para Marx e Engels, é necessário olhar para os aspectos que compõem a sociedade tendo uma visão dialética, ou seja, entender o Direito, por exemplo, como um processo histórico no qual muitos fatos foram acontecendo para que o homem tenha a noção da organização do Direito. Então, não se pode olhar para as coisas tendo uma direção idealista, é preciso analisar a fundo as causas de tal objeto, fugindo da filosofia tradicional e da metafísica que portam este como estático. É com essa ideia que os autores defendem o materialismo dialético, sendo um “norte” que possibilita conhecer o processo, concreto vivido, um resultado e não um ponto de partida como posto por Hegel.
Esses sociólogos refletem acerca da profundidade com que os objetos, no caso, o Direito se detêm. Assim, uma questão dentro dessa pauta é se o sistema jurídico defendido por Hegel realmente coloca-se com igualdade a todos na sua execução. Conseguinte, eles veem o funcionamento do Direito como influenciado pelas relações e funções das classes sociais que gradativamente vão se diferenciando com o aumento da produção capitalista.
Portanto, munindo-se da perspectiva de Direito colocada por Marx e Engels, vários são os exemplos dessa perspectiva. Afinal, as possibilidades de uma pessoa da classe média alta obter um bom advogado propiciando-o a delegação de vantagens e sucessos em ações judiciais são bem maiores do que uma pessoa da classe baixa. Então, há muito no que refletir acerca do papel do Direito e também nas teorias filosóficas e sociológicas que cercam as ciências sociais.

Ana Caroline Gomes da Silva, 1º ano Direito noturno

A angústia de Drummond e de todo proletariado

“Oh, there ain't no rest for the wicked,
Money don't grow on trees
I got bills to pay,
I got mouths to feed,
There ain't nothing in this world for free.
I know I can't slow down,
I can't hold back,
Though you know, I wish I could.
No there ain't no rest for the wicked,
Until we close our eyes for good”
  
   A letra de Ain’t no rest for the wicked da banda americana Cage the Elephant simboliza de forma sucinta a vida do homem capitalista. Inserido nesse sistema que impulsiona o trabalho e consumismo de modo a ostentar uma vida de imenso acúmulo financeiro, o proletário passa toda a sua vida trabalhando em busca desse “sonho capitalista”.
   Friedrich Engels, em sua obra Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, aborda a temática da vida do homem capitalista e decorre sobre as principais correntes socialistas do século XVII. Ao abordar o socialismo utópico, Engels apresenta os principais teóricos dessa corrente, apresentando Saint-Simon, Fourier e Owen. Estes teóricos afirmavam que o a classe proletária necessitava de ajuda para dar fim a exploração do trabalho, e essa ajuda deveria vir da burguesia. 
   Desse modo, Engels e Marx irão formular um socialismo científico no qual são os trabalhadores que vão realizar a revolução. Assim, os teóricos alemães farão uso de um materialismo dialético para analisar a sociedade, pois essa metodologia seria capaz de compreender a dinâmica social de modo realista, visto que, a história está sempre se transformando. Com isso, há a formação de uma síntese partindo-se de uma tese e uma antítese, como por exemplo, a oposição entre duas classes sintetizando a realidade vivida, a luta de classes. Esta que é tão evidenciada nos estudos de Engels e Marx, perpetua-se até na atualidade, moldado a perspectiva social de uma fase histórica. Todavia, o proletariado dos tempos soviéticos e cubanos parecem não mais existir, cedendo espaço à donos do capitalismo com sede de enriquecimento da mais-valia e principalmente, à pessoas que não acreditam no socialismo.
   Na atualidade pouco se acredita na capacidade dos trabalhadores em assumir o poder para impor a ditadura do proletariado. Parece que a imprensa midiática e outros aparelhos do Estado moldaram a consciência coletiva, alienando a todos. Há a sensação que o individualismo impera e que todos se encontram sozinhos e incapazes de mudar algo na sociedade, como se o socialismo científico tivesse se tornado, de algum modo, uma forma de utopia. Trabalhadores esqueceram-se de que são eles quem comandam a produção e que sem eles o sistema econômico entra em crise. É preciso que, além da vontade, haja ação. É como Carlos Drummond de Andrade escreveu no poema Sentimento do Mundo“Tenho apenas duas mãos/ E o sentimento do mundo”. Esses versos refletem a situação social, como se todos se sentissem impotentes para transformar, apesar de desejarem essa mudança.
  Essa sensação de impotência e descrença advinda do capitalismo torna a todos conformados e angustiados com a situação social vivida, repleta de antagonismos e desigualdades. Portanto, é necessário o materialismo dialético, é preciso dizer que tudo muda e que essa sociedade conformista e desigual irá mudar.
   Em tempos sombrios de aprovação da redução da maioridade penal no Brasil, é preciso acreditar que essa situação vai se alterar, que aqueles prejudicados pelo sistema capitalista vão se impor, vão mostrar o rosto, levantar voz e não serão suprimidos pelo sistema. É necessário que o mundo diminua o ritmo a fim de que haja futuro, pois o indivíduo capitalista, imediatista, prefere transformar a natureza em uma cédula financeira do que preservá-la para o bem geral. Como apresentado na música acima, o homem só visa a obtenção monetária, sendo seu único objetivo.
   Apesar de todo esse massacre e egoísmo que o capitalismo gerou e ainda gera, é preciso acreditar que revolucionários surgirão, que todos, e não somente alguns, serão beneficiados com isso. É preciso que os trabalhadores acreditem nisso novamente; a angústia de Drummond e de todo o proletariado precisa desaparecer. A vida vai melhorar, repetindo com um mantra. A vida vai melhorar.

Lara Costa Andrade – 1º ano de Direito (Diurno)
Introdução à Sociologia - Aula 7

McValia


        O que é a mais-valia? Certamente muitos responderiam que é a diferença entre o valor produzido pelo trabalho e o salário pago ao trabalhador, e essa diferença transforma-se em lucro para o capitalista. Entretanto, há uma maneira mais simples de conceituar esse termo consagrado por Karl Marx: é o trabalho não pago.
         Recentemente, ficou em destaque o caso da rede de fast food Mc Donald’s. No dia 15 de abril de 2015, funcionários realizaram protestos contra a empresa. Um dos motivos de revolta é o fato de os salários serem, muitas vezes, inferiores ao salário mínimo estabelecido por lei, que hoje é de R$ 788,00. E é a partir daí que pode-se explicar melhor o que seria a mais-valia.
     Os funcionários do Mc Donald’s ganham, aproximadamente, R$ 2,4 por hora de trabalho. A carga horária é de, em média, 10 horas diárias. Considerando o mês de 30 dias (sem contar os dias de folga!), o salário desse trabalhador seria de R$ 720,00. No Brasil, em 2010, a rede contava com 544 lojas, 34 mil funcionários e um faturamento de R$ 2,6 bilhões.
      Dessa forma, nota-se que pouco mais de 10% do faturamento total é utilizado para pagar os funcionários. Um lucro de quase 90%! Esse lucro exorbitante é a mais-valia.
        O que é mais contraditório nisso tudo é o McDia Feliz, quando todo o lucro obtido com a venda de Big Mac é revertido para a caridade. É inegável que essa ação beneficia um número enorme de pessoas, mas deve-se pensar que um dia não pode compensar a exploração de milhares de trabalhadores durante o ano inteiro. Será que todos os dias não poderiam ser McDias Felizes, com salários mais justos e melhores condições de trabalho?

       É claro que, esse tipo de exploração não é apenas observado no Mc Donald’s, mas em quase todas as grandes empresas capitalistas do mundo, nas quais o objetivo maior é tirar a máxima capacidade produtiva do trabalhador, pagando o mínimo possível.

Luiza Macedo Pedroso
1º ano - Direito diurno

A Filosofia da Práxis

O materialismo dialético como método científico foi desenvolvido por Marx como método de superação da dialética. A partir dele, as conclusões geradas não se baseariam meramente em categorias construídas através da imaginação e arquitetadas pelo raciocínio. O entendimento de tais categorias indo além do mundo das ideias, relacionando as imaginações com o real e o prático. Assim se formaria a filosofia da práxis.
Práxis é uma palavra com origem no termo em grego praxis que significa ação. Seria uma atividade prática em oposição à teoria.  Apesar das primeiras noções do termo terem surgido com Aristóteles, muito antes de Marx, foi este o responsável por desenvolve-lo e aprofunda-lo. Marx utilizou o conceito de práxis como uma crítica ao idealismo e materialismo.
Em oposição à Marx, a dialética Hegeliana se baseava no ideal de ser possível conceber a história de acordo com categorias filosóficas criadas no mundo das ideias. Ele concluiu, por exemplo, pela época em que viveu, e meramente através da teoria (de categorias lógicas), que o momento em que até o rei se submetia ao direito representaria o de máxima liberdade possível (no caso, a Alemanha do século XIX pintaria tal imagem).
Já o proposto por Marx seria observar cada uma das práticas, como a Alemanha de tal época, construindo categorias a partir do concreto – síntese de muitas determinações (na situação em tela, burguesia, nobreza e proletariado).
Como analisado, Marx busca decifrar e compreender as relações das civilizações engendradas na pele. Outro exemplo do concreto, do ponto de vista do direito, seria a da questão racial, que equivaleria à síntese de variadas determinações (como o Art. 5º, que trata de igualdade, somado à criminalização do racismo, à criação de cotas raciais no vestibular, etc...). Justamente por representar tal síntese, o concreto seria um resultado e não ponto de partida.

A realidade é concreta, e está em movimento, tem dinâmica. O presente é o resultado, compreendido apenas pela dialética social.

Ana Luiza Felizardo
Turma XXXII
Direito - Período Noturno

A dialética do concreto e da pedra


   Marx e Engels estabelecem o materialismo dialético, tendo como inspiração a dialética hegeliana, mas não se igualando a esta por completo, haja vista que ambas possuem uma tese, com uma proposição dada, e uma antítese, que se opõe a tese. Estas levam a uma síntese, ou seja, a uma conclusão, contudo esta não é estática estando assim em constante movimento, puxando novas téses que levam a novas antíteses que  conduzem a novas sínteses , sendo então o desenvolvimento da humanidade um processo dinâmico e histórico, que  é resultado do passado e uma projeção para o futuro. Contudo a dialética marxista de diferencia da de Hegel ao criticar a base idealista deste, pois esta levaria a conclusões falsas e artificiais, e adotar uma concepção materialista, que se realiza no concreto e na realidade social existente.
   Dessa forma, Marx e Engels elevam-se do abstrato ao concreto, convergindo a razão e a causa e transformando o "concreto vivido" em "concreto pensado", Alem de se afastar da filosofia tradicional alemã, pois está não correspondia a realidade existente no país na época, ignorando os instrumento de dominação das classes possuidoras dos meios de produção. Portanto, o materialismo dialético busca desvendar experiência histórica e seu desenvolvimento, e não somente a explicação racional,

Mariana Miler Carneiro
1º ano- Direito- Noturno

A trava que impede o ser humano de ser humano

Rente às cortinas de camurça, espio pela janela estática a dinâmica sinfônica da rua. O sol rege a cena e leva consigo toda alma embora, para que a lua possa guiar os reis da miséria que vagam em meio aos perfumes das “damas-da-noite”. Desalmados. Lunáticos.

O crepúsculo ainda segura alguns raios de sanidade, e em meio à cal e cimento, surge heróica figura que trabalha e sua e sofre e tenta. Errante entre as frias paredes de cimentos que derretem aos poucos em sua cabeça até chegarem a sua condição real de deserto, de secura. Vem assim, surgindo da rua cinco, humilde homem. Transeunte da vida.

Sentimos, soprando a rua, um frio que apressa ou estanca os passos. A leve chuva que precipita abafa minha alma e aos poucos escurece a camisa surrada azul de seu portador. Portador de sonhos velhos, esquecidos; de rugas como marcas de batalha; de uma barba mal e mal feita como forma singular de descrença.

Descrença nos homens e nos olhos, na vida em geral, frágil como as nuvens lá do céu que lhe molham o rosto. Os olhos escuros e tristes pelo adultério da vida, da bola, do doce da coca-cola. A cara amargurada.

Mesmo assim, segue o pedreiro assim vazio, assim sem nada. Seria quase que inevitável sentir qualquer tipo de compaixão por tal criatura. É essa espécie de desconforto que a chuva trás e encharca meus olhos.

O homem então pára, parando assim a minha respiração. Seria ele capaz de me tornar dinâmica, uma vez estático? Dirigiu-se temeroso a minha porta. Apertou a campainha e com a voz faminta implorou-me pão. E eu disse não.

A chuva findou. Sentimos, soprando a rua, um frio que apressa ou estanca os passos. Soprando, para longe, algo de verdejante que surgia em minha alma – para os ventos do oeste.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Burguesia advisory: explicit consciência de classe content

Engels, em sua teoria, emancipa o conceito até então cristalizado como socialismo. À época do pensador, socialismo era traduzido como política e entendido como verdade a ser revelada; um resultado do processo metafísico. Para Engels, essa era uma visão utópica do socialismo. Portanto critica-o referindo-se ao seu método como fragmentador dos objetos no processo de obtenção da clareza. Assim, Engels não acreditava que somente pela razão pensante, esperando soluções vindas “de cima” e negando a dialética, seria possível a concretização do socialismo.

Dessa forma, teorizou uma nova forma de doutrina, o Socialismo Científico. Em sua obra, discorre o socialismo como pensado cientificamente, devendo ser pautado no materialismo dialético. Utilizou, para tanto, como fonte, o filósofo idealista Hegel. Hegel foi representante do idealismo dialético. Apesar de Engels discordar de seu pensamento idealista, aproveitou a inovação dialética da teoria hegeliana. Assim, afirmava que Hegel pôde “libertar da Metafísica a concepção da História” ¹. Aliado à Marx, Engels traça as linhas do Materialismo Dialético, base para toda a concepção do famigerado Socialismo Científico.

A passagem acima, foi uma resenha rasa do que pode-se expor e discutir sobre a trajetória do pensamento socialista. Isso porque, o que se faz contundente aqui é a aplicação e explanação da teoria (e do Marxismo) na realidade atual.

O poema “Elogio da Dialética”, de Bertolt Brecht pode ser dissecado aos olhos da teoria Marxista


Elogio Da Dialética

A injustiça avança hoje a passo firme.

Uma das ideias mais importantes de Marx é a da desigualdade social gerada pelo sistema capitalista. Este, está sujeito à luta de classes, a qual seria o “motor” de toda a história. A luta de classes, nesse caso, é a protagonizada pela burguesia x proletariado. A desvantagem desse com relação àquele é relevante aqui em dois pontos (dentre vários): o proletário não é dono dos meios de produção e o proletário é sujeito à mais valia. A desvantagem no primeiro caso é reversível – pensando na classe trabalhadora como força motriz da ruína do sistema caso seus integrantes se unam para alcançar a práxis – entretanto, a do segundo caso é mais aderida à realidade (e depende muito da práxis da primeira para conseguir desjuntar).

Os tiranos fazem planos para dez mil anos.
O poder apregoa: as coisas
continuarão a ser como são.
Nenhuma voz além da dos que mandam.

O burguês é a voz do poder, regendo o sistema. Segundo sua perspectiva o capitalismo nunca deixará de existir, nada mudará. Nesse sentido, o modo de produção (bosque) tecerá indivíduos, leis, modo de governo e relações sociais (árvores). Para o burguês, o modo de produção é imutável, para Marx e Engels, ele pode ser transformado, ao passo que, a classe proletária adquira consciência de seu poder transformador. Porém, até agora o capitalismo continua sendo hegemônico, e o materialismo consolida-se, ou seja, as condições materiais determinam a consciência e realidade dos sujeitos.

E em todos os mercados proclama a exploração:
Isto é apenas o meu começo.
Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem:
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos.

Aqui cabe o papel da consciência de classe. Porém no panorama atual, antes mesmo do proletário considerar-se impossibilitado de galgar um estágio de não opressão, é preciso que ele tenha ao menos consciência de que está sendo explorado, e se mobilize. Essa consciência, sempre fora de responsabilidade de movimentos sociais e sociólogos, e hoje em dia o despertar cabe também a uma nova personagem: o rap, o hip hop. Como por exemplo, nas músicas provocativas do rapper Criolo:

Retomando às atividades do dia:
Lavar os copos, contar os corpos e sorrir
A essa morna rebeldia”
(Lion Man)

O mecanismo do sistema é sugar sua alma vivo
Seu sangue, seu suor, são só detalhe nisso”
(Ainda há tempo)

O opressor é omisso e o sistema é cupim” (Cartão de Visita)

Eles ficam assim, olhando pra mim, terceiro setor, vem que tem dimdim, vendem a ideia de que são legais, nadar de costas vai jacaré abraça!” (Chuva Ácida)

Nessas letras o conceito de “concreto vivido” está presente: é o cotidiano dos indivíduos, daqueles que precisam reconhecer sua situação de exploração

Quem ainda está vivo nunca diga: nunca.
O que é seguro não é seguro.
As coisas não continuarão a ser como são.
Depois de falarem os dominantes, falarão os dominados.


Eis portanto a confirmação do que Marx e Engels pronunciaram: a dialética e sua dinâmica. Assim, como “todo ser é o que é, e outro diferente”, o sistema também transforma-se. Nenhuma tese é tão certeira que não se sujeite a uma antítese e esteja prestes a formar uma síntese (pódio completamente diferente da tese e da antítese). Assim, “os dominados falarão” por conta da renovação inerente à história das sociedades.

Quem pois ousa dizer: nunca?
De quem depende que a opressão prossiga? De nós.
De quem depende que ela acabe? De nós.
O que é esmagado, que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe e o que se chegou, que há aí que o retenha?
Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.
E nunca será: ainda hoje.





¹ ENGELS, Friedrich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico (1887). São Paulo: Centauro, 2005. 



Ana Flávia Toller - 1º Ano Direito Diurno - Aulas 7 e 8 -  Introdução à Sociologia.

Marx, Engels, a realidade e o materialismo dialético


            Em junho de 2015 a maior montadora de carros do Brasil interrompeu suas atividades. Localizada em Belo Horizonte, MG, a fábrica da Fiat, responsável pela produção de três mil carros por dia parou. Quase 19 mil funcionários foram dispensados e nenhum carro foi montado. O motivo da paralisação total das linhas de montagem? O estoque lotado – o pátio da Fiat estava cheio. A estratégia de reduzir a produção tem se tornado, cada vez mais, uma tendência entre as montadoras por todo o Brasil – fábricas de grandes marcas como Mercedes-Benz, a GM e Volkswagen têm adotado estratégias de redução produtiva.
            A situação descrita acima é mais do que ideal para se discorrer acerca do pensamento de Friedrich Engels, um pensador e teórico alemão que, junto com Karl Marx, fundou o socialismo científico. Em poucas linhas é possível identificar diversas correspondências com a obra de ambos os pensadores.
            Marx foi quem brilhantemente explicou e elucidou o materialismo dialético – ele defendeu a ideia de que o real é dinâmico, e de que tudo é movimento, destacando a importância da evolução e desenvolvimento históricos como fornecedores de material para a fundamentação das mais diversas análises. Seguindo essa linha de pensamento, Engels escreveu sobre o círculo vicioso que envolve as crises capitalistas, algo que se aplica perfeitamente à atual situação das montadoras brasileiras.
Segundo Engels, é visível na história mundial capitalista que nem sempre a produção acompanha o ritmo do consumo e do mercado consumidor. Quando isso ocorre, os mercados ficam saturados, os produtos se acumulam, e o dinheiro – que perpassa todas as relações capitalistas – se converte em um obstáculo. O conflito econômico atinge, nesses períodos, seu ápice. A sociedade capitalista demanda de algum tempo para recuperar-se desses abalos - são necessárias algumas intervenções, até mesmo do Estado - mas a recuperação ocorre. No entanto, levam-se apenas alguns anos ou décadas para que a mesma situação mais uma vez se instaure. Diante de tais constatações é que se propõe a revolução do proletariado.

Observa-se então que a descrição teórica feita por Marx e por Engels, que culminou no materialismo dialético, teve sua fundação no real, na observação da realidade, e não nas ideias simplesmente – tanto isso é verdade que, ainda nos dias atuais, encontram-se correspondências claras às suas teorias na realidade social, seguindo o ciclo descrito por Engels. O capitalismo se estrutura e consolida nas sociedades, e o modo de produção estabelecido determina toda a estrutura social e política nesses casos. Assim, a história se constrói e se reconstrói, modificando-se sempre, sempre em movimento, sempre dinâmica, e sempre seguindo em frente, ainda que oscilando, fruto de determinações históricas muito longas que tendem, cada vez mais, a se consolidar.

Heloísa Ferreira Cintrão
1º ano - Direito Diurno

Os discursos inflamados que nada falam


   A sociologia é a ciência que, segundo Marx e Engels, deveria analisar profundamente os meios econômicos e sociais. Essa visão mais realista, que diverge do idealismo alemão de Hegel, propõe uma analise efetiva do real, do concreto para que se possa, a partir daí, transformar o meio social.
  Na visão de Friedrich Engels as utopias são “messias” que chegam propondo revoluções sem a devida analise critica e densa da realidade. É por isso que o teórico revolucionário alemão refuta discursos inflamados de revolução, que servem apenas para ludibriar o povo dado que são totalmente ineficazes por não possuírem base cientifica, propondo a revolução sem sequer entender os meios e as implicações desta.
   Ambos os fundadores do socialismo cientifico devem estar se revirando no caixão. Isso porque é frequente esbarrarmos nesse tipo de discurso hoje em dia. Inclusive em locais onde se espera que o conhecimento seja profundo e coerente, como nas universidades, encontramos inúmeros alienados que se contentam em ler orelhas de livros e sair pregando revoluções infundadas, fanáticas e sem nenhuma perspectiva de concretização por não condizerem com a realidade atual (ou com qualquer outra realidade). A utopia tão combatida por estes pensadores contaminou sua própria teoria dado que muitos desses discursos inflamados que nada falam citam os nomes de tais admiráveis pensadores.
   É necessário que a alma da teoria de Karl Marx e Friedrich Engels seja resgatada, a fim de que o conhecimento volte a ser baseado na realidade e não no idealismo e na alienação como o que vem acontecendo hoje em dia. É só a partir da analise densa da realidade e das possibilidades que esta comporta que pode se propor qualquer tipo de transformação social. É mesmo lastimável que tantos que se dizem admiradores destes alemães tenham se corrompido levando o socialismo cientifico para o campo metafísico, contradizendo os fundadores deste ao passo que usam seus nomes para validar suas homilias.
    É preciso que o bom senso seja readquirido por esses desenvolvedores de retórica rasa para que possamos viver em um mundo mais concreto, que se volte para a realidade, em que o marxismo falado não seja mero achismo alienado, mas sim a teoria de Marx e Engels pós uma antropofagia, a fim de que se encaixe no contexto atual sem perder sua essência.

Bruna Krieck Farche

1º ano, Direito, Diurno.

O sol é para todos

O socialismo científico de Engels e Marx, desenvolvido em meados do século XIX, inaugura a luta histórica contra a propriedade privada e em prol da igualdade social humana. Ao final do século XVIII, com a Revolução Francesa, o ideal da liberdade passa a ser um pilar social, algo a ser buscado incessantemente. Mas como ser livres em uma sociedade capitalista? Para os marxistas, a propriedade privada condena o meio a ser desigual – economicamente, socialmente e culturalmente. E é impossível haver liberdade quando há desigualdade: são conceitos indivisíveis. Segundo o sociólogo estadunidense Immanuel Wallerstein:
“Que significa realmente o slogan ‘liberdade, igualdade, fraternidade’? O slogan da Revolução Francesa é familiar a todo mundo. Ele parece fazer referência a três fenômenos diferentes, cada um situado em três domínios entre os quais estamos acostumados a dividir nossas análises sociais: a liberdade no campo político, a igualdade no campo econômico e a fraternidade no campo sociocultural. E estamos igualmente habituados a debater a respeito de sua importância relativa, em particular entre a liberdade e a igualdade. A antinomia da liberdade e da igualdade parece-me absurda. Tenho dificuldades em ver como podemos ser “livres” se há desigualdade, já que aqueles que têm mais têm sempre mais opções que não são possíveis àqueles que têm menos e, por consequência, estes últimos são menos livres. E, do mesmo modo, tenho dificuldades em ver como a igualdade pode existir sem a liberdade uma vez que, na ausência de liberdade, alguns têm mais poder político que outros, donde se segue que há desigualdade. Não estou sugerindo nenhum jogo de palavras aqui, mas a rejeição da distinção entre liberdade-igualdade. Liberdade-igualdade é um único e mesmo conceito.” (WALLERSTEIN, 1989.).
Nisso reside grande parte da crítica marxista ao capitalismo: em uma sociedade baseada na exploração do trabalho, a liberdade não pode ser alcançada. Não há liberdade possível entre desiguais. E a liberdade só tem sentido se for geral, universal. Se não, não passa de mero privilégio de alguns. Por isso, Engels afirma em sua obra “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, que “(...) a existência das classes contradiz a justiça, a igualdade etc.”.
Não é surpresa, portanto, que a sociedade capitalista demostre tantas disfunções. Quanto maior a liberdade econômica, menor a liberdade social. E quanto menor a liberdade social, maior a hierarquização da sociedade e maior os índices de violência. Claro exemplo disso: os Estados Unidos, nação de caráter claramente liberal e capitalista, têm cidades onde a violência social é absolutamente dominante – em 2008, foram mortas mais pessoas em Chicago do que na Guerra do Iraque.  Enquanto isso, em países onde o Estado é agente marcante na economia, como por exemplo, os países nórdicos (Suécia, Finlândia, Dinamarca, Islândia e Noruega), lideram os rankings de países com menor criminalidade no mundo.
É a partir disso que se compreende a contemporaneidade das ideias propostas por Engels e Marx. Para tornarem-se iguais, os homens têm que lutar contra a opressão, desenvolvendo forças produtivas que superem as limitações capitalistas e incentivem a igualdade e (consequentemente) a liberdade. O sol é para todos. 

Lívia Armentano Sargi
Direito diurno
Mais-valia atual
       O materialismo dialético de Marx e Engels, como superação da filosofia tradicional, atua de forma diferente que o idealista alemão, Georg Hegel, que pautava seus estudos em ideias, e não em casos concretos.
         Ao colocar em pauta o avanço do capitalismo com o advento da Revolução Industrial, por parte dos grandes industriais, a busca insaciável por lucro, os rotulou como uma característica marcante.
Como se sabe, as condições de trabalho dos operários eram desumanas. Jornadas de trabalho exaustivas, péssimas remunerações, ausência de direitos trabalhistas, entre tantos outros aspectos que tornam esse tratamento dado a eles desumano.
        Contudo, essas condições não estão muito distantes de nossa realidade, visto que frequentemente podemos acompanhar nos jornais casos de maus tratos ao trabalhadores. O que ocorre também é o conhecimento de locais que aplicam formas análogas à escravidão em pleno século XXI.
      De fato, o capitalismo e a busca por enriquecimento atuam como elementos que cegam ao homem, que passa a tomar atitudes insanas para atingir tais objetivos.
         No filme “Tempos Modernos”, no qual Chaplin vive o personagem Carlitos, operário de uma fábrica que visa apenas o lucro. Os operários trabalhavam muito mais do que suas condições psicológicas, físicas e fisiológicas suportavam. Nesse contexto, há a presença da mais-valia, a qual Marx define como um modo pelo qual os detentores dos meios de produção exploram a classe operária. Assim, as horas trabalhadas pelo trabalhador somariam muito mais do que eles realmente recebem como salário.
          Os maus tratos conferidos à classe trabalhadora é algo ainda pertinente. Como exemplo nos dias atuais, têm-se os casos de bolivianos vivendo em condições desumanas e em regime de trabalhos tão degradantes como os já citados.

        Com isso, pode-se perceber como os assuntos tratados por Marx e Engels ainda refletem mazelas da sociedade. O capitalismo e suas contradições acompanham o homem ao longo da sua evolução.


Gabriela Cabral Roque
Introdução à Sociologia
1º ano- Direito diurno 

Com o embate, a tão esperada mudança: quando Hegel atinge os Gays.

O embate é constante e constantemente nós nos vemos no meio dessa luta. Hegel, Marx e Engels discorrem sobre o assunto; primeiramente Hegel, que nos traz a mente essa ideia, digamos inovadora, de se enxergar o mundo, mas também idealizadora, digamos até sonhadora e por que não “do céu para terra”, como coloca Marx ao analisar esse aspecto da filosofia Hegeliana. Nesse ponto se contrapõe Marx, se contrapõe buscando uma explicação para a realidade vinda da realidade, ou seja, “da terra para o céu”, do concreto, do real, para a análise pela razão.
E enfim, o embate novamente, ideias, ideais, conceitos, pessoas, países que se chocam de forma antagônica, dando origem a um novo sistema de características provindas das condições prévias ao choque “definitivo”, que trará a mudança.
Olhando para o que nos foi proposto por esses grandes pensadores, vemos veracidade no que foi dito, podendo ser aplicado inclusive hoje e sendo uma das formas mais eficazes de se analisar a sociedade, sua formação, sua queda e sua repercussão no mundo. Porém, a dialética, nome dado a esse processo, também se vê intrometida em diversos aspectos da vida social e dos conflitos existentes dentro da própria sociedade. Um exemplo muito recente e que mostra essas forças antagônicas atuando ativamente na sociedade é a discussão sobre o casamento gay.
Esse tema é polêmico sem dúvida, mas por que tanta polêmica? A resposta gira entorno de, simplificando o panorama, duas grandes forças que se opões: aqueles que apoiam o casamento gay e aqueles que o condenam. Atualmente a força conservadora e anti-gay ainda tem maior influência, espelhando preconceitos que resultam, infelizmente, muitas vezes em crimes contra homossexuais e até mesmo aqueles que os suportam. Mas a maré está mudando, a notícia da legalização do casamento homoafetivo nos Estado Unidos mostra como esse outro grupo vem ganhando força e conquistando seu espaço, ainda mais quando consideramos um país do porte dos EUA e sua influência cultural no Mundo, principalmente o Ocidental. O embate dessas duas forças está resultando em uma mudança na sociedade e que, felizmente, prega por um ambiente onde se presam o amor e a tolerância.



Tiago de Oliveira Macedo- 1ºano Direito diurno- aula 7

Produtividade Essencial

      Na quarta-feira, dia 1º de julho de 2015, um operário alemão da fábrica Volkswagen foi morto por um robô em um raro acidente reacendendo o debate sobre a segurança dos trabalhadores industriais. Especialistas afirmam que este caso relaciona-se mais com os acidentes de trabalho que ocorrem há anos do que com o novo tipo de tecnologia que é desenvolvida pela indústria automotiva. Por conseguinte, sabe-se que os robôs pesados são mantidos em gaiolas de segurança evitando o contato com os humanos e o operário estava dentro desta gaiola durante o acidente.
      Logo, especula-se sobre o motivo do técnico em questão violar as normas de segurança de modo a ficar a uma distância curta do robô. Há quem diga que isto seria a pressa causada pela produtividade, ou seja, a fábrica deve estar em constante produção e o funcionário procurou entrar na gaiola de segurança para resolver um problema qualquer tentando evitar qualquer prejuízo ao funcionamento da indústria. Entretanto, esta afirmação, sem qualquer fundamento plausível sendo apenas uma hipótese, leva ao questionamento da importância da produtividade.
     Partindo da ideia de que a produtividade é fruto do capitalismo e que, sob a perspectiva da sociedade capitalista, o trabalho assalariado é o meio de prover ao trabalhador sua inserção no mercado; percebe-se que a produtividade é pautada pelas relações de mercado tendo estas grande relevância na sociedade em que esta inserida devido à concepção de que todos estão imersos nas referidas relações.
      Deste modo, o mercado influi sobre diversos setores da sociedade assim como estabelece determinadas necessidades, tais quais a modernização. Sendo esta inerente ao mercado visto que é uma forma de garantir práticas competitivas a fim de se manter no mercado, ou seja, como afirmou Engels, a capacidade da maquinaria de se aperfeiçoar converte-se a uma prescrição imperativa que determina a melhoria das máquinas por parte dos capitalistas industriais de forma a aumentar sempre a força de produção.
      Isto posto, percebe-se que as simples atitudes no ambiente de trabalho são pautadas pelas relações de mercado que, dentro de uma sociedade capitalista, possuem extrema importância e influência.


Camila Migotto Dourado
1º ano Direito - Diurno
      

A ambição do proletariado

Filha de pai proletariado e mãe burguesa, acredito ter presenciado em diversos momentos da minha vida a tão famosa luta de classes. Muitas vezes, vi meu pai reclamar de questões do seu trabalho, como salário, carga horária, exploração e falta de benefícios; que poderiam ocorrer naturalmente da mesma forma às funcionárias da minha mãe. Com tudo isso, pude enxergar um pouco mais de perto a realidade do proletariado e entender (talvez) o que o prende tanto ao sistema capitalista: a ambição. 
Ao contrário do que o esperado por Marx, acredito que a classe operária, de hoje, simplesmente perdeu seu "espírito revolucionário". Não vejo as pessoas de meu ciclo social, como meu pai, tios, primos e seus amigos reclamarem de forma a querer mudar o sistema. Vejo apenas eles exporem suas angustias, cansaço e a esperança de um dia, finalmente, alcançarem "seu lugar ao sol". Para mim, é exatamente isso que faz a manutenção do sistema capitalista, a esperança do explorado de virar explorador. Aqueles que tanto trabalham só querem chegar ao nível daqueles podem usufruir de uma vida luxosa.
A ambição é a peça fundamental dessa história porque é, principalmente, ela o que faz até mesmo aqueles em condição degradante de trabalho levantar todos os dias e continuar sua jornada, continuar servindo a máquina capitalista. Porque somente dessa forma poderão aproveitar também do fruto de seu esforço. Mesmo que ele não seja a riqueza em si, mas certos bens materiais, viagens, lazer e uma vida melhor para os seus descendentes. Esse último ponto é um dos mais famosos da história, afinal, quantos pais e mães não se sacrificam para poder dar aos seus filhos uma condição da qual nunca tiveram, mas já sonharam ter ou por simplesmente se espelhar na elite acreditam ser a melhor?
Vale ressaltar a ausência do desejo por uma sociedade mais igualitária. Parece, muitas vezes, que as pessoas aceitaram em como funciona o sistema e tentam apenas se adequar a ele. Quantas vezes não vi meus pais brigarem por causa da administração do trabalho da minha mãe, sendo a causa principal, ele querer repetir com as funcionárias dela "as regras" do seu trabalho. Ele não só tinha se conformado com exploração, mas também apto a fazer o mesmo com os outros. 
Sem intenção de mudar o sistema, seja pela falta de tempo, disposição, ou "formação ideológica", os proletariados acabaram, então, cedendo seu lugar revolucionário aos seus filhos. Acredito ser por isso que, atualmente, os professores tanto apontam os jovens universitários de classe média/alta os atores da luta revolucionária. Afinal, muitos deles cresceram com essa realidade de exploração, e diante da falta de interesse dos principais envolvidos (burguesia e operários), resta a eles essa missão. 
Isabela Gonçalves Alcântara- 1º ano- Direito Diurno