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domingo, 3 de junho de 2012

Da Revolução à Evolução


   O Caminho da dialética, defendido por Engels, é formulado a partir de teses e antíteses, contrapondo-se de forma a criar soluções para os problemas e após isso problematiza-los novamente, garantindo a evolução. Assim o ideal de revolução permanente segue dominado o caráter evolucionista da sociedade.

   As revoluções advêm de ideias, no entanto para Engels uma ideia só tem a capacidade de adquirir caráter revolucionário quando a mesma está atrelada a realidade. Desta forma o materialismo científico por ele proposto buscava encontrar as chaves históricas que movem as revoluções. Na busca por essa ferramenta da evolução Engels conclui que a luta de classes cumpre esse papel revolucionário necessário para a evolução social, atingindo seu auge no socialismo, sendo esse o ápice da evolução humana em sociedade.

   Essa caminhada revolucionária empreendida pela humanidade sempre funcionou como propulsora do desenvolvimento humano e da sociedade, ficando evidente sua importância em revoluções como a francesa e a Gloriosa, nas quais seus ideais acabaram por mudar a sociedade e a forma de controle que agia sobre as mesmas.

   Para Engels o sequencia natural da evolução humana acabaria atingindo o socialismo e com isso o ser humano finalmente abandonaria o “reino da necessidade” e atingiria o “reino da liberdade” tornando se plenamente humano. 




Diante da realidade social  insustentavel, produzida pelo capitalismo, ja era de se esperar a aparicao da indignacao ,com as condicoes de trabalho e de sobrevivencia , gerando um novo “sistema”, o socialismo. No estado absolutista , a revolucao burguesao foi inevitavel e ,pregava criacao e efetivacao dos Direitos do Homem, assim para Engels a revolucao socialista nao poderia ser evitada.Porem, a revolucao burguesa , acabou por reproduzir as mazelas do antigo regime,atraves de novos artificios, cabendoa aqui a ideia de “circulo vicioso” explicado por Fourier.Essa e uma critica tanto de pensadores mais concervadores como Edmund Burke e de pensadores socialistas, ja que os tao “Infaliveis Direitos do Homem” nao pasavam de direitos burgueses. E claro que nao podemos ver apenas o lado pessimista da revolucao francesa, ja que esses mesmos direitos burgueses abriram portas no futuro para o reconhecimento dos direitos humanos e sua devida protecao pelo Estado , em suas varias geracoes e, ate o atual estado democratico de direito; independente dos interesses politicos que se tinha por tras disso.Mas o que me intriga ; mesmo entendendo a visao de proletariado de Engels,de classe emancipadora do homem para conservacao de sua propria existencia; e como sera possivel acabar com desigualdades se e uma classe em si que faz a revolucao, e estando esta  na condicao humana (egoismo), quando chega ao poder, acaba por sobrepor seus interesses  e toma “gosto” pelo Poder, como ocorreu  na revolucao bruguesa.Isso acaba por levar a uma ideia bastante pessimista, mas real, em relacao a perfeicao humana e ao perfeicao do Estado e , que obviamente nao e possivel, mas ao mesmo tempo nao podemos desconsiderar formas, sistemas, pensamentos, que buscam melhorar a condicao humana, mesmo que a efetivacao desse sistemas nao seja completa.
Temos assim, que essas novas formas de analisar a realidade e buscar solucoes para ela, contribui , de certa forma, para que o capitalismo absorvesse suas antiteses, e claro que nao por completo, pois se nao, deixaria este de existir.Produziu uma sintese, mas e justamente ai que novas antiteses aparecem e , essa sintese se tranforma em tese . Trazendo para realidade , temos que muitas melhorias  sociais foram feitas, muitos direitos foram conquistados,o que nao se pode negar , mas a proporcao em que essas melhorias aumentam  para os mais necessitados e evidentemente menor que os beneficos gerados pelo capitalismo aos grandes produtores agricolas, empresarios etc. Assim  a miseria, a fome, a exploracao, os preconceitos , as desigualdades em geral, ainda existem, mesmo que sob novas formas e aspectos, sob novas antiteses. Mas ainda assim caminhamos para uma realidade diferente, com suas mazelas amenizadas,e espero eu , e acho que a maioria, com suas mazelas superadas,mesmo que seja a um passo lento(gostaria que fosse obviamente mais acelerado),seja pelo aparecimento de um novo ciclo capitalista , seja por ideias totalmente inovadoras; mas que esse caminhar nunca para ou cesse por completo.
Jessica Duquini  
*meu teclado nao possui acentos ortograficos



Engels elogia o Iluminismo, pois este rompe com o passado e prega o “reino da razão”. Todavia, como ele próprio diz, “já sabemos, hoje, que esse império da razão não era mais que o império idealizado pela burguesia; que a justiça eterna tomou corpo na justiça burguesa”. Dessa forma, tal corrente é utilizada pela burguesia para acabar com os privilégios de classes, criando contraditoriamente, privilégios para si mesma.
Ao passo que o capitalismo e a indústria se desenvolviam, “ia-se dando a divisão da sociedade em grandes capitalistas e proletários que nada possuem”. Dessa forma, as condições em que viviam a classe subjugada foram se degradando: o proletariado encontrava-se em estado de miséria, submetia-se a uma jornada de trabalho desumana e era uma classe desmoralizada.
Devido às condições em que se encontrava a maior parte da população, surge, primeiramente, o socialismo primitivo, que pregava a destruição das diferenças de classes. No entanto, ele é incompatível com a visão materialista da história, apenas criticando o modo de produção capitalista, sem destruí-lo ideologicamente. Engels tece o seguinte comentário sobre os socialistas utópicos, entre eles Saint-Simom, Charles Fourier e Robert Owen: “Para todos eles, o socialismo é a expressão da verdade absoluta, da razão e da justiça, e é bastante revelá-lo para, graças à sua virtude, conquistar o mundo. E, como a verdade absoluta não está sujeita a condições espaço e de tempo nem ao desenvolvimento histórico da humanidade, só o acaso pode decidir quando e onde essa descoberta se revelará.”.
O socialismo científico surge com Engels, pois ele defendia que este deveria se inserir na realidade, pois somente dessa maneira seria possível produzir uma crítica viável do capitalismo, assim como explicar o seu surgimento e demonstrar a possibilidade de sua superação, como se nota na seguinte passagem: “Desse modo o socialismo já não aparecia como a descoberta casual de tal ou qual intelecto genial, mas como o produto necessário da luta entre as duas classes formadas historicamente: o proletariado e a burguesia. Sua missão já não era elaborar um sistema o mais perfeito possível da sociedade, mas investigar o processo histórico econômico de que, forçosamente, tinham que brotar essas classes e seu conflito, descobrindo os meios para a solução desse conflito na situação econômica assim criada.”.
O socialismo surgiu para tentar corrigir os problemas sociais oriundos do capitalismo. No entanto, tal sistema econômico também apresenta seus entraves. É certo que sua implantação em Cuba, por exemplo, foi de certa forma benéfica para tal país, já que chegou a possuir o melhor sistema de saúde publico e um sistema educacional que abrangia toda a população. Mas, como Hobbes dizia, “o homem é o lobo do homem”, e é ele próprio impede a igualdade entre todos, já que possui uma natureza puramente competitiva. Apesar de a igualdade ser benéfica para a população como um todo, muitos a vêem prejudicial para si mesmos, pois estão de tal forma inseridos na mentalidade capitalista, que entendem que possuir mais do que o próximo e subjugá-lo é única maneira de se beneficiar. 

O percurso do movimento socialista


     O socialismo utópico, primeira vertente do movimento socialista, surgiu no início do século XIX, iniciando-se na França e depois difundindo-se por toda a Europa. Ele nasce em meio à crises provocadas pelo avanço do sistema liberal, visto que a sociedade industrial e as tecnologias cresciam cada vez mais, entretanto, a qualidade de vida do proletariado parecia caminhar na direção contrária. Dentre seus principais idealizadores, encontravam-se Charles Fourier, Henri de Saint-Simon, Robert Owen, entre outros, que defendiam ideias como o combate a qualquer tipo de tradicionalismo, a razão como sendo a medida de tudo, e criticavam fielmente as instituições políticas, a religião, os governos, a ciência e a sociedade. Entretanto, tal movimento não obteve sucesso.
     Mais tarde na história, Friedrich Engels, em seu livro “O materialismo dialético como método científico”, veio criticar o socialismo utópico, participando de uma nova corrente de socialismo, o científico. O autor defendia que o socialismo deveria ser encarado como ciência, e assim, deveria ser encaixado na realidade, contrariando a utopia e a metafísica que caracterizavam o socialismo utópico. Defendia também que o homem mantivesse a visão do todo ao examinar seu objeto de estudo, negando assim a dialética, pois, na sua visão, o isolamento dos componentes do objeto comprometeriam a veracidade dos fatos constatados a partir da sua observação, uma vez que diversos fatores do todo que influenciam tais componentes seriam ignorados.
     Engels também discute, com ênfase, em sua obra, sobre a luta de classes, afirmando que “toda a história é a história da luta de classes”, pois elas definiram os detentores de poder de cada época. Desse modo, o autor encaixa o socialismo como sendo o caminho para a continuidade da história, já que estimularia a luta entre a burguesia, dominante, e o proletariado, instaurando esse último no poder.
     Apesar de tal luta realmente ter ocorrido em alguns lugares, e ter definido o rumo da história, seu final não foi o pretendido pelos socialistas científicos, pois ela também não obteve sucesso. O socialismo ganhou destaque com a União Soviética, onde rendeu bons frutos em alguns tempos, e também na China, por exemplo, porém não conseguiu sobreviver com sucesso em meio a um mundo predominantemente capitalista. 

As máquinas vivem entre nós


Em seu livro "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" , Friedrich Engels disserta a respeito de um materialismo dialético posto como método científico e sobre um socialismo existente como uma idéia não aplicável na prática.
Em um dado momento da obra, Engels ainda afirma que o real existiria apenas como uma projeção de certa idéia e que tal fato ocasionaria conexões falsas e artificiais no ramo do cotidiano. No entanto, não seria este fato muito conveniente para determinado grupo social? Ora, manter as pessoas em um mundo de ilusões pode ser muito útil.
No filme Matrix, máquinas demasiadamente complexas utilizam o ser humano como fonte de energia para sua sobrevivência. A referida utilização acontece por meio de uma prisão mental, de um programa chamado Matrix no qual a população vive em uma realidade montada, na época em que as máquinas não eram uma constante.
Parece que as máquinas presentes na produção cinematográfica são, de certa forma, o que hoje denominamos elite dominante, afinal, a classe citada cria por meio de um controle social as obrigações, os sonhos e as condições de vida da maioria das pessoas no mundo, tudo para se perpetuar no poder, é claro.
Quais roupas são dignas de se vestir, que conquistas tornam uma vida significativa ou mesmo a idéia de que é importante trabalhar, tudo isso é pré-estipulado pelo grupo dominador, pelos líderes do capital, ora pois, estes precisam fazer a manutenção do sistema, ou seja, precisam estimular o consumo seja de produtos manufaturados, seja de “pensamentos base” – pensamentos como a noção de que é  válido trabalhar mais horas que o necessário para ganhar mais dinheiro, por exemplo, é um “pensamento base”, afinal de contas, proporciona mais lucro para o empregador e gera o desejo de consumir exageradamente.
Em suma, é essencial que aqueles, assim como Engels, os quais possuem o conhecimento de que idéias não são a solução dos males sociais e que estas podem ludibriar o homem, lembrem-se sempre: As máquinas vivem entre nós e são elas que moldam nossa realidade.



O Trabalhador, sua ferramenta, seu saber


                                         A magnificência dos polegares opostos.
Os primatas próximos do ser humano, cuja inteligência e capacidade de raciocínio surpreendem a muitos, poderiam ter alcançado o patamar de espécie dominante no planeta, mas um pequeno detalhe, na realidade, dois pequenos detalhes impediram a sua evolução: os polegares. Os polegares voltados para o lado interior não possibilitaram a agilidade motora, sendo assim, suas capacidades se tornaram diminutas em relação ao Homo Sapiens, e dessa maneira, nos tornamos os dominantes no território. Mas, como toda benção carrega em si sua maldição, o que foi o membro que possibilitou a dominação do mundo foi também o que sujeitou o homem à escravidão.

A partir do momento em que o saber proveniente da experiência e da vivencia humana serviram como meio de escravizar o mais fraco houve a inversão dos valores humanos, e a máquina se sobrepôs ao homem. O homem deixou de ser humano para ser trabalhador, uma nova classe de seres de polegares opostos que se subestimam ao poder inquestionável de um instrumento acéfalo. E a nova espécie que teve seu poder intelectual reprimido se espalhou pelo mundo todo.

O mercado que domina a nova espécie tornou-se diminuto perante o crescimento dela. O intelecto humano foi tão reprimido que forçou a humanidade a aderir à espécie trabalhadora, deixando de lado a inteligência que lhe havia restado. A maravilhosa máquina biológica que se confina na caixa craniana foi obrigada a se voltar à mecanização inútil.

Olhando a sociedade atual e focalizando no maior aglomerado de humanos no mundo podemos ver quão grande é a transformação do homem em trabalhador. A China, em seu sistema político deveria negar todo tipo de exploração ao homem, mas o capital fala mais alto na hierarquia do poder, e no lugar onde deveria reinar a liberdade, impera a exploração. A fadiga que ela causa sobre os homens já cansados força a transformação deste em trabalhador compulsivo.

Ao final, aquele que usou de seu polegar para domesticar ao mundo foi domesticado por ele. Seu intelecto magnífico foi deturpado, o homem se tornou gorila. A comunicação se dá por grunhidos, as relações se baseiam na força bruta, aquele que detém o respeito é o mais forte. De que adiantou termos os polegares opositores se por vontade própria estamos abaixo dos primatas?


Escrito pelo Grupo 1.
Integrantes: Giovana Branco, Luísa Thomazella, Leandro Bertoldo, Rodolfo Baldissera e Sahid Sekeff

A criança como força de trabalho

Com o surgimento da máquina e a fragmentação do processo de produção perdeu-se a necessidade de conhecimento integral do mesmo. As técnicas e o empenho, antes fundamentais, foram substituídas pela praticidade do sistema industrial, que tornou dispensável o emprego de mão de obra qualificada. É neste contexto, onde a força física não mais era necessária, que surge a inserção da criança como força de trabalho.
A máquina foi lançada a todos os membros da família. Tornou-se então mais barato colocar crianças no meio fabril do que adultos, visto que enquanto um homem ganhava em torno de 45 xelins, três meninos ganhariam de 6 a 8 cada um, ou seja, juntando os três, no máximo 24 xelins. Devido à enorme procura por crianças, essas passaram a ser vistas e tratadas como escravos; existiam anúncios e até leilões de crianças, e os pais, obrigados pela necessidade de sobrevivência e também por desejarem manter seus filhos por perto concordavam com essa situação, sendo que nos casos em que não concordavam, muitas vezes matavam os filhos envenenados para não vê-los sofrer.
Tudo isso pode parecer muito indignante, mas atualmente essa idéia de usar crianças como mercadorias ou forma de ganhar dinheiro continua presente nas famílias. Meninos muito pequenos são vendidos, é exatamente esse o termo, para serem jogadores de futebol, por exemplo. A apresentadora mirim Maísa também trabalha desde os cinco anos em programas da SBT, um caso claro e exposto de trabalho infantil, entre muitos outros, mas que são tolerados pela sociedade e aparentemente não vistos pelo poder público. Existe até um certo orgulho em ver essas crianças expressando sua genialidade tão precocimente, ainda mais porque são também provedoras de recursos para a família. Precisa-se realmente pensar nas consequências desses exemplos nas mentes tão facilmente impressionáveis das outras crianças que assistem à essas subtrações da infância.
Esses exemplos, os antigos e os atuais, são uma demonstração daquilo que é a grande sacada do capitalismo: sua enorme capacidade de adaptação às diversas situações impostas pela evolução da sociedade. Houve, no decorrer da evolução desse sistema, lutas pelos direitos dos trabalhadores e das crianças, de modo que atualmente não é tão comum encontrar, na maioria dos países, menores de 14 anos operando máquinas nas fábricas, mas o trabalho infantil ainda persiste camuflado, ou talvez na verdade ignorado pela grande massa populacional. Apesar da melhora conquistada através das legislações trabalhistas e dos estatutos de menores e adolescentes ao redor do mundo, ainda precisamos acabar com a hipocrisia da sociedade. Aturar crianças famosas nos campos do entretenimento (por exemplo na TV ou nos esportes) trocando sua infância por dinheiro não deixa de ser trabalho infantil porque é bem remunerado ou prestigiado. Uma criança privada de seu tempo livre e de educação pelo trabalho não se desenvolvera de forma saudável, tanto no ponte de vista social como físico.

Escrito pelo Grupo 3: Nathalia Marcelino Vieira, Heloisa Tenello Bretas, Adri Nayane de Souza, Carolina de Rousset e Vicente Videira

Máquina, ferramenta e a relação com o trabalhador


                                                                                                                                             
Marx no livro O Capital explica que todas máquinas são constituídas por potências simples, que seriam mecanismos simples como uma alavanca por exemplo, o parafuso ou um plano inclinado. Ele difere a máquina da ferramenta, a segunda seria movida pela força humana, já a máquina é movida por uma força que não seja a humana, podendo esta ser animal, força da água, do vento e assim por diante. De acordo com essa lógica arado puxado por bois seria uma máquina, já o tear circular inventado por Claussen por ser movido por um trabalhador seria uma ferramenta, mesmo sendo capaz  de fazer 96 mil malhas por minuto.
 Além disso, traz o conceito de máquina- ferramenta. Este seria “um mecanismo que, ao lhe ser transmitido movimento apropriado, realiza com suas ferramentas as mesmas operações que eram antes realizadas pelo trabalhador com ferramentas semelhantes”(MARX, pg 426). Em nossa sociedade atual há fábricas inteiras que operam com máquinas- ferramentas e dessa forma as pessoas não tem que realizar trabalhos arriscados, todavia estamos sendo desde as invenções dessas máquinas- ferramentas substituídos por elas e perdendo espaço no mercado de trabalho. Isso fez com que surgisse na época da revolução industrial o Ludismo, um movimento de revolta contra a mecanização das fábricas, pois com a vinda das máquinas  as pessoas perdiam seus empregos. Entretanto a quebra de máquinas era apenas paliativo, pois o desemprego era estrutural. Hoje as pessoas buscam novas formas de trabalho, ao invés de quebrar as máquinas se aliciam a elas para trabalhar, como o computador uma máquina essencial para inúmeros empregos hoje, se por um lado as máquinas- ferramentas tiram empregos por outro auxiliam e muito algumas profissões, tendo, portanto, dois viés.
John Stuart Mill diz: “É duvidoso que as invenções mecânicas feitas até agora tenham aliviado a labuta diária de algum ser humano”. As máquinas e as ferramentas inventadas não visam aliviar o trabalho do homem, mas sim ampliar a exploração sobre ele, ou seja, aumentar a mais valia.E se para aumentar seus lucros for preciso demitir um funcionário ou três mil, como na charge acima, os burgueses não hesitarão.

A família como força de trabalho

A revolução industrial mudou de forma intensa e irreversível a sociedade inglesa do século XXIX, tanto em questões econômicas quanto em questões sociais. A substituição da manufatura pela maquinofatura revolucionou o instrumento de trabalho, tornando a força muscular, anteriormente fundamental na produção, em algo banal e supérfluo, tornando-se assim possível a incorporação de trabalhadores sem força muscular no mecanismo de produção. 


O ingresso de mulheres e crianças no mundo do trabalho acabou por tornar os vínculos sanguíneos submissos e substituídos pelas necessidades e valores de mercado,  torna-se a principal fonte de trabalho, devido ao menor porte muscular e aos membros mais flexíveis, fundamentais para a operação das máquinas, colocando todos os membros das famílias sob o domínio do capital. A família, com a revolução da indústria e com o advento da maquinaria, perdeu seu valor afetivo e passou a ter um valor propriamente econômico. Isso porque, como ele mesmo diz, “a maquinaria, desde o início, ampliou o material humano de exploração”. A necessidade de uma mão de obra mais abundante e flexível obrigou todos os integrantes da família, e não somente mais o “cabeça da família”, a participar do processo produtivo. Com isso, o próprio conceito de família foi extinto, uma vez que seus integrantes passaram a representar apenas suas respectivas forças de trabalho e não mais representavam uma unidade de convivência afetiva, como assim se esperava. Crianças acabam por se tornar meros instrumentos nas engrenagens do mecanismo de produção, aumentando de forma alarmante os índices de mortalidade infantil. O homem, que antes vendia sua força de trabalho, agora passa a vender sua mulher e filhos.  É fácil julgar o quanto as condições de trabalho eram desumanas, mas o que ocorria era que necessitavam trabalhar para seu sustento, não havia escolha, um dia de trabalho equivalia praticamente a uma refeição.

É muito evidente nos pensamentos de Marx, que a mulher tinha um papel fundamental dentro do lar. Após a substituição da instituição familiar de afetiva para uma comercial, a mulher se afasta do lar. Esse fato vai influenciar na dinâmica em relação as crianças, que passam a ser vistas como mais um integrante para ser alimentado.  Mulheres parindo durante seus turnos não era uma cena que indignava, pelo contrário, era corriqueiro. Não era mais possível uma estrutura familiar, todos trabalhavam durante muitas horas do dia e quando chegavam em casa não havia tempo para afetos e preocupações com o próximo. É nesse contexto que aparecem os infanticídios, abandono de lar e uma total dissincronia do ambiente familiar.

As condições da época eram muito diferentes do que nós conhecemos hoje, não havia direitos trabalhistas, melhor dizendo, praticamente não havia vida para esses operários. Entretanto, apesar dessas transformações terem ocorrido durante o século XXIX, algumas ainda são vigentes na sociedade atual, como é o caso do funcionamento das escolas.
De acordo com a lei fabril emendada de 1844, crianças menores de 14 anos eram obrigadas a passar um determinado período de horas na escola, recebendo assim um certificado que comprovasse o feito. O estado das chamadas escolas era precário, o professor mal sabia ler, a situação era lamentável, havia a falsificação de certificados e havia crianças de várias idades em uma única sala sem nenhuma forma de estudo.

Mais de um século se passou e a situação atual das escolas brasileiras se encontra de forma semelhante as escolas inglesas daquele período. Há falta de livros e de material de ensino, falta de comprometimento por parte dos professores, pois de acordo com a pesquisa realizada pelo Censo
do IBGE, o magistério é a carreira de pior remuneração no país e desinteresse dos alunos, que muitas vezes abusam da violência, ameaçando os professores de modo obter nota e passar de ano, há a expedição de certificados de aprovação dos alunos, mesmo não sendo esses aptos para o proxímo ano, devido ao regime de progressão continuada, recomendado pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (lei 9.394, de 1996), no artigo 32, que permite que alunos passem de ano mesmo sem saber ler e escrever.

A revolução industrial revolucionou a sociedade européia do século XXI, trazendo fortes conseqüências para a sociedade atual.

Por Gabriela Costa Frigo de Carvalho, Guilherme Jorge da Silva Gravatim, José Eduardo de Andrade Filho, Lorena Carpinelli Perozzi Brasileiro e Ludmila Zaroni Teixeira
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Duas faces de uma mesma moeda.



Ao refletirmos acerca de sistemas econômico-sociais, deparamo-nos com dois métodos antagônicos: socialismo e capitalismo. O primeiro, com base na classe proletária; o outro, embasado na burguesia. Tais camadas são apenas faces diferentes de uma mesma moeda: a sociedade.
O sistema capitalista, amplamente conhecido, é um exemplo concreto de organização social. A burguesia, detentora dos meios de produção, explorando a classe operária, dona da força de trabalho. Para muitos, um destino inevitável; para outros, motivo para revolução. Marx e Engels defendiam esta última hipótese: a revolução do proletariado.
Tais filósofos defendiam a ideia de um materialismo histórico e, além disso, a dialética. A primeira defende a posição de que a resposta para os males de qualquer época não está nas ideias, mas sim na própria história. Por Marx, “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”. A evolução do conhecimento forneceria materiais para esta análise e, consequentemente, proporcionaria o alcance das metas socialistas. Já a dialética marxista demonstraria uma tese, sobre a qual atuaria uma antítese, resultando em uma síntese.
Para Marx, a tese seria a exploração burguesa que, contraposta pelo descontentamento dos proletários (a antítese) acabaria em uma revolução (a síntese), instaurando um regime socialista. Isto também era defendido por Engels, que acreditava ser o Socialismo uma fase incontornável da história.
Por defender um estudo apoiado em fatos concretos, e não somente em ideias abstratas, esse Socialismo ficou conhecido como Científico. A cientificidade deste novo tipo, em contrapartida ao Socialismo Utópico, estaria na busca por leis históricas e contradições inerentes ao capitalismo.
Por fim, um aspecto que demonstraria essa necessidade de revolução seria o conceito de mais valia, resumo de toda a exploração sobre o trabalhador. A valorização dos produtos, apesar de gerar lucros, não era destinada ao dono da força de trabalho, mas sim àquele que possuía os meios de produção (a burguesia).  Nas palavras de Marx, “A desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas”.



Cadeia alimentar social

Desde o surgimento da propriedade privada, as lutas entre classes sempre estiveram presentes, mas esta relação vai mais além do imaginado, seriam estes conflitos originados pelo sistema em que o homem está inserido ou próprio da sua natureza? A relação entre a classe dominadora e a oprimida pode ser estendida à teoria de Charles Darwin do mais adaptado ao meio?
Grandes filósofos como Hobbes e Rousseau apresentaram teorias distintas quanto ao ser humano em seu "estado de natureza", onde o primeiro autor afirma que neste estado ocorre a guerra de todos contra todos, "o homem lobo do homem". Já Rousseau apresenta outro aspecto em seu pensamento, a famosa expressão do "bom selvagem", em que no estado de natureza o homem é inocente e busca viver somente com o essencial. Ambas as teorias, apesar de serem opostas, chegam ao pressuposto da necessidade de um contrato social para equilibrar as disparidades que o homem ou a natureza gerou, mas será que depois de instituído este contrato simplesmente a natureza perversa, segundo Hobbes, é cessada?
Um grande exemplo na história está no socialismo utópico que Robert Owen aplicou em Indiana nos Estados Unidos, a sociedade igualitária e idealizada foi supostamente estabelecida pelo seu fundador, mas o ócio e a má vontade, segundo Owen, derrubaram este sistema, seria a igualdade uma inimiga da natureza conquistadora e obsessiva por privilégios do homem?
Com o desenvolvimento do estudo sobre uma sociedade igualitária e o modo de se chegar a ela, obteve-se o socialismo científico.Uma base melhor e definições convincentes, a revolução sendo a chave para o sucesso do método, foi a febre de uma época, espalhou-se por toda a Europa, entretanto a sua aplicação não obteve sucesso como na teoria.A utopia deste sistema é demonstrada pelo instinto selvagem do ser humano, por mais escondido e maquiado que esteja, sempre vai tratar o próximo como um adversário, competidor, esquecendo o lado humano e fixando o evolucionismo, onde haverá o predador e a presa, o explorador e o explorado, mesmo trocando os nomes ao longo do tempo como a burguesia e o proletariado, o senhor feudal e o camponês, as personagens mudam mas a história é a mesma.A cadeia alimentar passa do caráter selvagem para o social.



João Pedro Leite- Direito Noturno

sábado, 2 de junho de 2012

Crítica à maquina para a "libertação" da produção material e cultural.


            Em Sobre o humanismo, Heidegger (1995) afirma que “A linguagem é a morada do ser” e que o homem é o guardião do ser. Ao afirmar isso, o filósofo da floresta negra menciona vários filósofos; dentre esses há um destaque para Marx. De fato, esse grande economista e filósofo alemão, abriu muitos horizontes para o pensamento humano; um desses horizontes, obviamente, foi, como assinala Heidegger, a intuição prévia de um império da técnica que vigoraria em nosso tempo.
            De fato, Marx (1996) não[1] era tão pessimista quanto Heidegger, uma vez que, obviamente, não teve acesso aos desenvolvimentos que o Capitalismo alcançou nos dias de hoje; apesar dessa situação, o autor de o Capital plantou, por assim dizer, sementes críticas que abriram o caminho de grandes autores. Desses autores, destacam-se aqueles que compõem a chamada escola de Frankfurt[2].
            Considerando, então, esse grande filho do pensamento Marxista (A escola de Frankfurt), o objetivo desse pequeno texto será desenvolver, brevemente, uma reflexão crítica a respeito da técnica no tempo em que vivemos. Em tal reflexão procuraremos mostrar que, pelo menos do modo como a sociedade atual está configurada, as máquinas não funcionam como um instrumento da produção material e cultural.
             Ao defender esse ponto de vista, obviamente, não queremos desqualificar o papel importante da tecnologia na vida moderna. Infelizmente não poderemos desenvolver, aqui, esse relevante papel da tecnologia: procuraremos nos focar em um aspecto crítico com relação ao desenvolvimento da técnica; porém deve ficar claro – e as próprias concepções filosóficas e sociológicas de que partiremos terão isto como algo implícito – que nossa crítica da técnica apenas quer mostrar que a técnica não se justifica por si mesma, mas deve estar a serviço da própria emancipação humana.
            Tendo, então, essa finalidade, iniciaremos nossa reflexão expondo algumas reflexões sociológicas a partir do pensamento de um dos grandes representantes da Escola de Frankfurt: Habermas[3]. Em Técnica e ciência como ideologia (Habermas, 2007) e A teoria da ação comunicativa (Habermas, 2011), Habermas, partir de influências como Weber e o próprio Marx, procura construir uma interessante teoria sociológica. Nosso objetivo, aqui, será partir de tal teoria sociológica para conseguir ler uma das principais obras que o filósofo do consenso (Habermas) escreve naquilo que concerne à perspectiva de uma visão crítica a respeito da técnica: trata-se de O futuro da natureza humana (Habermas, 2010).
            Ao desenvolver todo esse raciocínio habermasiano, procuraremos não perder de vista suas raízes marxistas. A razão disso decorre do fato de que acreditamos que o marxismo possui um poderoso histórico de crítica social e, talvez, o principal potencial de análise dos autores da escola de Frankfurt (como é o caso de Habermas) tenha provindo da inspiração marxista que subjaz à sua formação.
            Feito, então, esse pequeno parêntese metodológico, passemos á uma exposição a respeito das teorias de Habermas em sua relação com Marx. Tal exposição, obviamente, não pretende, nem de longe, atingir o grau de complexidade das obras habermasianas em que se baseia: procuraremos, obviamente, apenas fornecer alguns rudimentos necessários para empreender, sucintamente, a crítica da técnica a que nos propusemos acima.
            Para iniciar tal crítica podemos iniciar a exposição dos dois conceitos fundamentais de Habermas; trata-se das noções “sistemas” e “mundo da vida”. Considerando separadamente tais noções, podemos afirmar que os “sistemas” remetem a tudo aquilo que concerne à chamada razão instrumental: a razão instrumental consiste na lógica da técnica que apenas consegue se conectar com os elementos do mundo (natureza, humanidade e etc.) a partir da lógica que relaciona meios e fins; à razão instrumental não concerne moral ou bom senso, uma vez que tal razão, apenas, se limita a procurar, a partir de um calculo racional (ciências, matemática e etc.), encontrar os melhores caminhos para atingir um determinado objetivo. Nesse sentido, inclusive, o próprio nazismo, do ponto de vista da razão instrumental, pode ser pensado como racional. Para Habermas, tal razão instrumental está associada com muitos dos objetos que, até os dias de hoje, possuem uma utilidade prática: ciências da natureza, ciências matemáticas, o próprio direito e etc.
            Tais áreas do saber, no entanto, não devem, necessariamente, para Habermas, serem tratadas como algo negativo, posto que – e aí podemos entrar na segunda noção importante a que havíamos nos proposto – elas sempre estiveram associadas àquilo que o filósofo do consenso chamava de Mundo da vida. Tal noção, segundo Pizzi (2006), possui uma raiz em Husserl (que cunhou a própria noção de “Mundo da vida”) e em Weber (a partir da noção de “Quadro institucional”). Partindo dessas concepções, Habermas constrói a noção de “mundo da vida”: o mundo da vida, a grosso modo, concerne a tudo aquilo que, no senso comum, chamaríamos de cultura no sentido mais amplo, ou seja, tudo aquilo que se refere a valores, religião e comunidade (seja a comunidade humana em geral, sejam comunidades específicas).  O mais relevante, no entanto, a respeito de tal “mundo da vida” concerne ao fato de que, na perspectiva de Habermas ele esteve, ao longo da maior parte da história das principais civilizações, associado aos sistemas.
            Nesse sentido havia, para usar um linguajar habermasiano, uma continuidade entre a produção simbólica e a produção material dos indivíduos: a vida em si mesma e sua reprodução eram unas. Essa situação de unidade sofreu uma queda durante a modernidade: Habermas define a modernidade como sendo, justamente, o desacoplamento entre “sistemas” e “mundo da vida”. Isso significa que na modernidade os sistemas, separados do mundo da vida, ganharam uma independência tal que sua racionalidade (a razão instrumental da técnica) passa a agir autonomamente e ser tratada como justificável por si mesma.
            Com isso, os aspectos morais e culturais passam a ser desrespeitados em função de uma sociedade em que, cada vez mais, qualquer coisa (valores, obras de arte e os próprios seres humanos podem ser tratados como meros meios para se atingir determinados fins)
            Vê-se, interessantemente, como toda essa estrutura assemelha-se a algumas intuições que, brilhantemente, Marx já havia tido no volume II, seção IV e capítulo XIII de O capital, (MARX, 1996). Nesse excerto de sua obra, o grande filósofo e economista alemão mostra o processo pelo qual, aos poucos, a relação entre os trabalhadores e a produção foi se tornando mais distante: segundo Marx, nas primeiras indústrias, os trabalhadores possuíam uma relação mais direta com a produção , uma vez que as ferramentas eram simples e necessitavam, enormemente, do auxílio humano para que fossem manipuladas. Assim, a produção dos mais diversos produtos era realizada por meio de etapas (que, dependendo do produto, podiam ser mais heterogêneas ou homogêneas) em que cada trabalhador manipulava detalhadamente as ferramentas que compunham uma máquina: Marx usa, inúmeras vezes, o exemplo da máquina de tear cujas ferramentas componentes precisavam de extrema atenção do trabalhador que, por sua vez, precisava atentar, constantemente, tanto para o movimento dos pés (que acionavam o tear) quanto para o das mãos que regulavam qualquer disfunção em tal máquina (tear).
            Isso mudou, radicalmente, com o surgimento das máquinas a vapor; tais máquinas possuíam um caráter universal (pôde-se, segundo Marx, produzir os mais diversos tipos de máquina a vapor voltadas para as mais diversas funções) e eram muito mais completas (possuíam muito mais ferramentas) e autônomas (não precisavam ser operadas por seres humanos e não estavam sujeitas às suas imperfeições) do que as máquinas que as precederam. Tais máquinas a vapor, por sua vez, se desenvolveram tanto que, com o passar do tempo foi possível criar máquinas através de máquinas. Isso, segundo Marx, faz com que o trabalhador seja completamente distanciado da produção; Surge aí a famosa noção de alienação passa a não poder acompanhar os processos de produção.
            A relação de todas essas concepções marxianas com relação a Habermas é impressionante: da mesma forma que, em Habermas, o desenvolvimento autônomo da técnica leva a um processo onde esta começa, não só a se distanciar, mas a destruir o âmbito da vida (mundo da vida), em Marx a alienação faz com que, cada vez mais, os trabalhadores (e a humanidade em geral) passem a perder a consciência dos reais sentido e utilidade da produção para suas vidas.
            Esse entrelaçamento de gênios é bastante profícuo, pois nos permite perceber a utilidade e relevância de um autor mais antigo (Marx) e compreender a tradição de um autor mais atual (Habermas).
            Isso, inclusive, nos leva à discussão final de nosso texto: Marx e Habermas nos apontam um caminho perigoso a que o elogio desmedido da técnica pode levar. Esse perigo, inclusive, nos é, lucidamente, trabalhado, por Habermas, em O futuro da natureza humana (HABERMAS, 2010). Nessa obra, Habermas, nos alerta para o perigo da libertinagem excessiva no uso dos resultados de certas pesquisas científicas: Habermas, por exemplo, explica que, no uso dos resultados das pesquisas que envolvem a genética, devemos estabelecer fronteiras ente uma eugenia positiva e uma eugenia negativa. Esse tipo de fronteira é essencial: seguindo, também, o caminho de Marx, poderíamos pensar um mundo em que indivíduos alienados e sem consciência histórica consumiriam, abusivamente, os resultados das pesquisas em genética; em tal mundo as pessoas não teriam consciência histórica o suficiente para perceber que muitas pessoas desfavorecidas não poderiam ter acesso aos melhoramentos oferecidos pela genética. Em uma situação como essa poderia, como aponta Habermas, surgir uma eugenia neoliberal.
            Feito esse comentário, cremos poder encerrar, as nossas colocações críticas a respeito da técnica. Esperamos, com nosso raciocínio, ter sabido desenvolver bem as concepções de Marx e Habermas, apontar seu entrelaçamento e usá-las, não só para apontar o caráter alienante da técnica, como, também, para mostrar perigos nefastos que tal técnica, se não for moderada, pode trazer em um futuro próximo.

REFERÊNCIAS.
DUARTE, R. Adorno e Horkheimer e a dialética do esclarecimento. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2002.
HABERMAS, J. Técnica e ciência como ideologia. Lisboa: Edições 70, 2007.
HABERMAS, J. Teoria de la accion comunicativa. Madrid: Catedra, 2011.
____. O futuro da natureza humana. São Paulo: Martins fontes, 2010
HEIDEGGER, M. Sobre o humanismo. Rio de janeiro: Tempo brasileiro, 1995.
MARX, K. O capital. São Paulo: Abril cultural, 1996.
PIZZI, J. O mundo da vida. EDITORA UNIJUI, 2006.



[1] Ao afirmar isso, não estamos querendo atribuir, a Marx, quaisquer tipo de ingenuidade: ao longo deste trabalho procuraremos introduzir as idéias da chamada Escola de Frankfurt e, principalmente, de Habermas; apesar dessas idéias terem significativa discrepância com relação ao pensamento original de Marx, esse não deixa de ter sua relevância para a construção delas (principalmente a partir da noção de Fetichismo da mercadoria).
[2] Segundo Duarte (2002), o instituto de pesquisas sociais de Frankfurt foi, inicialmente, fundado para ser um instituto de pesquisas marxistas; esse, talvez, seja motivo pelo qual alguns historiadores da filosofia referem-se ao pensamento de tal instituto a partir do epíteto de Marxismo ocidental. 
[3] Devido a brevidade do projeto deste trabalho, não podemos, obviamente, trabalhar todos os autores que representam a chamada Escola de Frankfurt, notando-se que, se escolhemos Habermas, é porque o caráter mais recente faz com que seja impossível questionar a atualidade do presente texto.

Autores: Danilo Saran Vezzani, Gustavo Augusto de Bourbon, Marco Aurélio Ferreira Caires, Murilo Martins, Yuri Rios Casseb. 

O emprego da mão de obra familiar: da unidade afetiva à unidade econômica


Família: núcleo de convivência, unidade afetiva pautada nas relações entre seus membros, interligados por sentimentos. Contudo, essa definição vem sendo deturpada desde a Revolução Industrial, período em que a demanda do mercado de trabalho capitalista se estendeu a todos os integrantes da família. Afinal, quais os motivos que desencadearam o processo de desestruturação familiar e como isso se refletiu na sociedade?
Com a introdução das máquinas nas linhas de produção, eliminou-se a necessidade de uma força física e, consequentemente, a força de trabalho foi desvalorizada. A partir de então, a remuneração do proletariado diminuiu à medida que seu papel no ambiente fabril perdeu a relevância. Para suprir a queda do rendimento econômico familiar, mulheres e crianças foram inseridas no explorador mercado de trabalho e submetidas a péssimas condições de vida.
Como observado por Marx em seus estudos, essa mudança econômico-social modificou brutalmente a estrutura das famílias operárias, uma vez que os laços afetivos foram substituídos por laços materiais e econômicos. A mulher, então, deixou de exercer seu papel tradicional – como cuidar dos filhos e do lar – para complementar a deficiente renda familiar. As crianças, por sua vez, quando não abandonadas, eram forçadas a trabalhar (sempre sob condições absurdas de insalubridade e insegurança).
Em decorrência da desestruturação da família enquanto unidade de afeto, os índices de abandono infantil aumentaram, bem como a taxa de mortalidade: narcóticos eram utilizados para condicionar as crianças ao trabalho. Marx ressalta que, ao passar longas jornadas no ambiente fabril, as mães tornaram-se estranhas a seus filhos e, por muitas vezes, os envenenavam para que se livrassem do ônus de criar um ser humano dentro daquele ambiente hostil.
Para o capitalista, o uso da mão de obra familiar era mais do que vantajoso: gastava-se pouco a mais que para contratar o chefe da família (pai), mas lucrava-se consideravelmente mais. Dessa forma, a força de trabalho do adulto foi desvalorizada, e como num ciclo, o emprego de todos os membros se tornava cada vez mais necessário para garantir as mínimas condições de sustento.
É importante analisar a conjectura atual e obter um paralelo entre a família do período da Revolução Tecnológica e a família de hoje. As condições dos trabalhadores atualmente, embora ainda não sejam perfeitas, melhoraram muito, principalmente quanto à garantia de direitos que proporcionam uma melhor qualidade de vida (se é possível chamar as antigas condições de “qualidade de vida”). Nota-se, porém, que mesmo sendo superadas as patologias, as relações fundamentais entre os familiares ainda permanecem como relações econômicas, uma vez que a família tem a necessidade de se manter. Esse quadro é consequência do capitalismo que invade o ambiente familiar e rege as necessidades e as satisfações das pessoas, formulando uma imagem meramente materialista da felicidade: o carro da família, os eletrodomésticos, os presentes de Natal ou dia das mães ou dos pais, etc.
O trabalho infantil hoje é proibido, mas é inegável que esse problema ainda existe na sociedade. Acontece, porém, que as crianças hoje submetidas à exploração são geralmente as das camadas mais pobres e as péssimas condições são mascaradas ou tratadas às vistas grossas por quem não considera aquilo um problema seu. As mulheres conquistaram sua independência e, também por questões de necessidade, para manter-se no mercado de trabalho deixam seus filhos em casa. É de suma importância ressaltar que a família moderna sofreu modificações: há famílias em que o único provedor da casa ainda é o pai, mas existem outras em que só a mãe exerce esse papel; há também as mães solteiras, viúvas, etc., e para garantir a boa criação de seus filhos, se entregam à luta diária na busca de melhores condições.
Ao longo da história os trabalhadores obtiveram muitas conquistas. Mudanças ocorreram sim, mas a luta diária pela sobrevivência, explícita no período das Revoluções, ainda existe. Mesmo que em diferentes graus, a família está envolvida nessa luta desde a substituição da força de trabalho pela máquina e, se não houver um tempo para conversas e carinho, as relações familiares vão continuar sendo contaminadas pelo espírito do consumo e as famílias vão se construir sobre frágeis alicerces financeiros, abandonando seu caráter fundamental de afeto para adquirir um caráter imposto: a família como unidade econômica.

GRUPO 4 - Diurno: Ana Caroline Borges, Fernanda Keri, Isabela Risso, Lívia Sbroggio, Maria Cláudia Cardin.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A educação na civilização industrial


Quando a escola pública foi criada, no ápice da Revolução Industrial, ela tinha como objetivo atender às demandas relacionadas às profundas alterações nas relações de produção. Como a força trabalhadora era composta, em sua maioria, por camponeses, tornava-se necessário instrui-los para que dominassem a nova tecnologia. Contudo, a educação dada era de má qualidade: as condições escolares eram precárias, os professores eram mal qualificados e o ensino fornecido não se ocupava em proporcionar a compreensão do mundo em que os indivíduos estavam inseridos. Tinha por função apenas capacitar a população trabalhadora em determinado ofício para atender às demandas do mercado, melhorando a produtividade. A escola era apenas uma ferramenta de controle social, à medida que não desenvolvia o pensamento crítico.
Com relação à educação infantil, a lei de educação foi desenvolvida pelo governo diante de uma grande concentração de mão de obra infantil nas fábricas. Segundo a lei, as crianças teriam de cumprir períodos mínimos de estudo e posteriormente poderiam trabalhar. Aparentemente, seria uma lei de proteção, entretanto, em vez de dificultar o trabalho infantil, ela acabou por legitimá-lo. As crianças passavam um período breve na escola e longo nas fábricas. Pode-se perceber, também, que na Era Industrial a grande preocupação da instituição familiar, ao permitir que seus filhos trabalhassem, era a obtenção de capital para sobreviver. Hoje, no Brasil, tal capital é garantido pelo simples fato da criança frequentar a escola.  Essa medida reduz o número de crianças que realizam a função de um adulto, no entanto não aumenta a qualidade do ensino.
            Comparando a realidade analisada por Marx à atual realidade brasileira percebem-se outras coincidências. Os professores das escolas públicas ainda não possuem uma boa qualificação, os dados que analisam o número de estudantes que completam o ensino médio e são considerados analfabetos funcionais são prova disso. Além disso, é notável que vivemos em uma sociedade onde o conhecimento se tornou o principal fator para se criar valor. Nossas escolas foram estruturadas para produzir mão de obra para o mercado, deixando em segundo plano a importância do papel dos indivíduos para a sociedade.
É necessário se compreender que a escola é um local de redescoberta do ser dentro da sociedade. O jovem deve estudar não apenas visando o sucesso no mercado de trabalho, mas também deveria entender que a educação é a chave para o entendimento do mundo em que ele está inserido.

Grupo 6- Diurno (Gabriela Marcassa, Mariana Borges, Pamela Santos, Gisele Moreira, Maria Luiza, Jessika Perondi)

                No final do século XVIII, o Socialismo surge como uma alternativa ao método até então vigente, no entanto, ainda de forma muito primitiva e inocente. Autores como Saint-simon que exaltava o conflito entre trabalhadores e ociosos ou mesmo Robert Owen com sua teoria de que o trabalho tem um fim coletivo não conseguiam obter uma aplicabilidade para sua teoria. O socialismo primitivo assume, portanto, um aspecto utópico e não prático. Contudo, deve-se lembrar e exaltar a importância desses autores que nas palavras de Engels são “homens iluminados” já que foram eles que romperam com os modelos até então aceitos e aplicados, eles foram os escolhidos pelo acaso para trazer ao mundo bases para teorias mais bem formuladas e aplicáveis.
                Engels enxerga o socialismo como uma ciência e, para tanto, o mesmo deve ser algo real e não mera abstração metafísica. O enfoque deve ser geral e dinâmico, ao contrário do isolamento estático atual, para Engels a transformação é permanente. Tal teoria é por si só conflitante com a apresentada por Hegel, onde o mesmo diz que o real são as projeções de idéias. Para Engels, tais idéias podem levar a conclusões falsas e podem ser danosas.
                Engels parte então para uma analise histórica da humanidade e percebe que desde o Estado primitivo, toda a história é a história da luta de classes, todo conflito é o conflito de classes. As condições inerentes ao capitalismo como a competição brutal, o acumulo de capital e por conseqüência o aumento da miséria gera uma instabilidade social o que propicia um descontentamento com o atual modo de produção e, a partir disso, ele conclui que o Socialismo é algo inevitável.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

PODER: DIABO SOCIAL


    O poder só muda de dono. Já repararam como nas mais diversas sociedades o poder sempre foi exercido por uma minoria e que esse poder vai passando de mão em mão, sem pertencer, jamais, a todo o povo ? Me parece que desde que o homem tomou consciência de sua existência em sociedade passou a exigir que houvesse um poder. E por que ? Por que o homem esteve sempre solidificando um poder e transmitindo ele de mão a mão ? Talvez por que desde que a sociedade começou a se configurar como tal, sempre conteve trabalhos que desagradavam a uma imensa maioria. Sejamos sinceros. Raramente se encontra uma pessoa que goste de limpar o chão, varrer o lixo, limpar a casa e mais, confeccionar produtos que foram se tornando essenciais à vida humana, como vestimentas, alimentos, enfim, trabalhos pesados que exigem desgaste corporal. Mas esse trabalho "precisa, necessariamente, ser feito". E será feito pela maioria desprivilegiada, a massa trabalhadora que não tem a opção de recusar esses trabalhos porque se o fizer morre faminta. E se esse trabalho será feito sem que o trabalhador goste, acredito que será feito na base da EXPLORAÇÃO!  Me parece que não só o poder mudou de dono. Parece que ao decorrer dos séculos, a grande massa desprivilegiada trabalhadora miserável também foi mudando de dono. Se antes, no escravismo, era expressamente propriedade do seu dono, na Idade Média era do seu Senhor, na sociedade burguesa é da burguesia. Me parece que só o que aconteceu foi uma troca do dono do poder camuflada por "direitos concedidos". Mas isso acontece de uma forma muito mais HIPÓCRITA, que faz parecer tudo muito justo, tudo muito certo. Mas na verdade é como roubar as esmolas dos mendigos para enriquecer ainda mais os milionários. E assim o homem é vítima de sua própria espécie e sua própria mesquinharia, e caminha rumo a própria extinção.
    Isso tudo me lembra a política européia em relação aos países latino americanos quando recém descobertos (América pré-Colombiana). Aniquilava-se a elite dessas sociedades bem como seus governantes. E o que sobrava ? Sobrava uma imensa massa desprivilegiada miserável e desinformada, a mercê agora do seu novo dono, o europeu. E por que será que essa imensidão de pessoas não conseguia combater o invasor ? Talvez pelo mesmo motivo que hoje, essa mesma imensidão de pessoas abandonadas não consegue, ainda, combater os donos do poder. Parece que na sociedade que conhecemos, sempre terá de existir um explorador e um explorado. Afinal de contas, alguém tem que fazer o serviço...

terça-feira, 29 de maio de 2012

Marx e Engels: socialismo utópico x socialismo científico

Em “Do socialismo utópico ao socialismo científico” Friederich Engels aborda de maneira lacônica as ideias marxistas, sobretudo a respeito do Socialismo Francês, a Filosofia Alemã e a Economia Inglesa. Engels ressalta a importância das antigas teorias socialistas, as quais pregava-se que em uma sociedade quando todos o compreendessem e nele acreditassem, ai então apareceria uma sociedade socialista, mas afirma que para tal sistema ser instaurado com êxito seria necessário situa-lo na realidade livre de utopias e ilusões. Disserta também a respeito do método dialético em oposição ao metafísico e sobre as contradições do capitalismo.  
            Marx e Engels  defendiam a analise da história material dos homens, suas relações entre si e com o meio natural , para depois desvendar as formas ideológicas. Propunham o estudo das relações empíricas entre indivíduos, países, classes, regiões, etc, conjuntamente com a interpretação de tais relações, pois o essencial era investigar o processo de desenvolvimento da sociedade. Acreditavam que a História, Economia e Política forneceriam base factual para se determinar o comportamento social, observados por um viéz crítico e um ponto teórico específico: o materialismo dialético.    
            Outro conceito abordado por ambos é o da luta de classes. É no conflito entre classes com interesses antagônicos, como por exemplo, a burguesia e o proletário, que a história atravessa seus diferentes estágios.  Uma classe só se origina na medida que indivíduos se reúnem para lutar contra outra classe, e como fruto desses conflitos a ideologia daqueles que vencem é transmitida com a ideologia geral.
            Apesar do socialismo real, pregado por Marx e Engels, nunca ter vingado de fato em país algum, as questões relacionadas ao Pensamento Socialista não devem ser consideradas ultrapassadas, posto que são importantes para retomarmos e repensarmos algumas discussões sobre determinados assuntos como  desigualdade entre classes, exploração econômica, má distribuição de renda, etc., uma vez que esses são "fantasmas" que nos assombram até hoje e cada vez mais.