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domingo, 27 de maio de 2012

Tribos de Engels

Vivemos em um tempo no qual as mazelas, principalmente sociais, são os principais problemas da sociedade. Estes problemas afetam bilhões de pessoas no mundo. Um exemplo é que uma em cada sete pessoas do mundo não tem o que comer. Em números absolutos, um bilhão de pessoas. Como resolver isso ?

Segundo Friedrich Engels, devemos buscar soluções na história, preterindo as ideias. Caso façamos isso, encontraremos exemplos de solução em sociedades indígenas, nas quais o sistema capitalista não era ativo e muito menos fazia sombra ao modo de produção vigente nas aldeias. Nesse lugares, embora houvessem rituais de passagem que poderiam ceifar a vida de alguns integrantes da tribo, cada um tinha seu papel na economia, se é que podemos chamar assim o que eles desenvolveram para sua sobrevivência, com pessoas coletando e outras caçando.

Contudo, imaginar que não existia luta de classes é irreal. Como Engels diz, apenas nas sociedades primitivas isso não existia. Apesar disso, nessas sociedades tidas como “primitivas”, a briga pelo poder, por quem iria ser o chefe sempre existiu, sendo possível caracterizar duas classes, as dos dominados e a dos dominantes, semelhantes ao proletariado e a burguesia, que foi o modelo instituído por Engels.

É possível a solução, a pacificação dessa guerra entre as classes? Dificilmente. Quem está no topo da pirâmide social não quer vê-la como uma linha, tal qual a do horizonte. Assim como quem se encontra na base, passando fome, sendo explorado pela classe dominante não aceitará sua permanência no alicerce da estrutura social. Enquanto continuarmos mantendo tal estrutura, a tendência é que aumente a quantidade de pessoas passando fome, sem ter o que vestir nem ter onde morar.

Apesar de parecer, a solução não é o socialismo, muito menos o capitalismo. Devemos tomar como base um sistema no qual seja dado a cada um o que cada um merece e que necessita, mas sem deixar faltar o necessário, garantindo ao menos uma vida digna a toda a sociedade inserida em tal sistema.

Socialismo na atualidade


            “[...] as condições de superação das contradições devem ser buscadas na estrutura material (econômica) da sociedade”
F. Engels

            A burguesia utilizou seu poder econômico para modificar as formas de governo em muitos países do mundo. As Revoluções Industriais provaram que o homem é capaz de transformar a natureza em bens de consumo. Engels acerta em dizer que a “estrutura material” de uma sociedade é influenciadora política e social e origem das desigualdades.
            O capitalismo, resultado do esforço da burguesia em garantir todos seus interesses, garantiu o salto dos meios de produção de um patamar insuficiente dentro do sistema feudal até a fabricação em grandes escalas. Até aqui, Engels admite os bons aspectos, porém a grande crítica é a apropriação por parte dos burgueses pelo produto que os trabalhadores produzem. E o excesso, a superprodução alavancou a pobreza, as contradições sociais e engessou os indivíduos em classes sociais sem aparente mobilidade, uma sociedade estamental moderna: as oportunidades não alcançam nem a maior parte da população.
            Então como buscar, atualmente, as “condições de superação das contradições na estrutura material”? A resposta está na associação entre os a participação do Estado e da parte da sociedade que possui ativismo social. Contrariando Engels, que escreveu sobre o mundo em seu tempo, não há em vista na atualidade uma revolução como o socialismo: com a tomada de poder pelo proletariado, que hoje se encontra em situação mais complexa em relação aos seus componentes, haveria uma verdadeira guerra e os modos de produção seriam mais uma vez apropriados por outra classe social, agora dominante. Não se extinguiria as desigualdades, a propriedade privada, as opressões e, por último e ainda menos viável, o Estado.
            Pode-se afirmar que a herança do socialismo para o nosso tempo é o ideal de progresso humano. Os benefícios da modernidade que devem ser transferidos a todos dever estar sob a responsabilidade dos direitos humanos, auxiliados pelo próprio sistema capitalista, que parece ser inerente a personalidade humana.

O Futuro e a Síntese

  Presente em toda a obra de Friedrich Engels, o Materialismo Dialético é o fruto da confrontação de ideias contraditórias. Assim, quando postas em contato, tese e antítese geram uma síntese. Esta síntese, por sua vez, torna-se uma nova tese a partir do momento em que se choca com ideias contrárias às suas. Apesar de aparentemente abstrato, o Materialismo Dialético é facilmente identificável tanto historicamente quanto cotidianamente.
  Um exemplo histórico pode ser encontrado na Revolução Francesa. A França absolutista (tese) era marcada pelo total descaso para com o Terceiro Estado, o qual, além de ser o único a pagar impostos, possuia péssimas condições de vida. A situação de injustiça social ocasionou um sentimento de indignação no povo, que, sentindo-se explorado, foi às ruas e, incentivado e financiado pela burguesia, concretizou a revolução (antítese). Com o fim dos privilégios da nobreza, o povo ganhou o direito de maior participação política e melhorias na qualidade de vida (síntese). Surge, porém, uma nova classe privilegiada: a burguesia. Existiam, no entanto, diferenças ideológicas dentro dessa mesma classe, disparidades essas que causaram a segmentação da própria burguesia e que podem ser vistas como novas teses e antíteses a partir de uma síntese.
  No cotidiano, o Materialismo Dialético pode ser encontrado de forma menos complexa, como em debates e críticas.
  Assim, pode-se inferir que a necessidade por transformação é uma característica essencialmente humana. A dúvida sobre a qual ainda é preciso refletir é se homem está caminhando em direção à síntese final, aquela à qual seria desnecessária qualquer oposição. Provavelmente esse ainda é um futuro muito distante.

O sistema jurídico na óptica socialista


No contexto do socialismo cientifico, oque o diferencia das doutrinas que o precederam é a ligação intima entre o direito e certa organização politica e social. Segundo Henri Lévy-Bruhl  para Marx e Engels “ O direito não existe sem o Estado, nem o Estado sem o direito, e o Estado nada mais é que instrumento de dominação de uma classe burguesa sobre o proletariado”. Desta forma, a formação do direito baseia-se em uma sociedade hierarquizada, servindo de arma na luta de classes. 

Como consequência, a percepção marxista entende o direito como um conjunto de instituições, que estão destinadas a ser abolidas com o fim da luta de classes, ou seja, quando se implantar a ditadura do proletariado. No livro “Do socialismo utópico ao socialismo cientifico”, Engels critica o pensamento dos utopistas, por não proporem uma ruptura com o sistema capitalista e não se basearem em uma vocação global. Porem da mesma forma que os utopistas aderiram a ideias impraticáveis, o socialismo cientifico, quando analisado de modo jurídico torna-se tão utópico quanto os outros. 

Citando novamente Henri Lévy-Bruhl, ele afirma que “É certamente utópica a asserção segundo a qual qualquer organização jurídica desaparecerá no dia em que cair o regime capitalista, pois é demasiadamente ingênuo imaginar um regime social em que os interesses de todos se ajustem automaticamente à satisfação de cada um”. Na verdade o sistema jurídico é mais do que um conjunto de instituições burguesas. É absolutista em uma sociedade absolutista, é burguês em uma sociedade burguesa e é socialista em uma sociedade proletarizada.

Em suma, parece indispensável, a contribuição do socialismo cientifico, pois este tem como objetivo principal compreender as estruturas complexas de funcionamento do sistema capitalista a fim de planejar os alicerces de sua superação. Da mesma forma que nos parece indispensável a presença de um sistema jurídico e do Estado, pois estes são fundamentais ao progresso da sociedade.


O conceito de mais-valia e a exploração da classe trabalhadora nos dias atuais


Karl Marx e Friedrich Engels, desenvolvedores das teorias socialistas, viveram em uma época de profundas mudanças no âmbito econômico da cidade. A nova classe dominante passava das mãos da nobreza para a burguesia, surgindo, assim, uma nova classe social: a do proletariado.
Os burgueses, como classe em ascensão e detentores dos meios de produção, tiravam cada vez mais proveito da classe operária, utilizando-se da sua força de trabalho e dando em troca salários irrisórios. A classe operária, cada vez mais encurralada pela perca de seus trabalhos (que antes era manual, e em consequência da Revolução Industrial passou a ser de maquinário), se via obrigada a aceitar empregos horríveis, com baixos salários e condições de trabalho péssimas.
Mas isso nos faz pensar: “Essa fase já acabou, aconteceu no século XVIII e agora os tempos são outros!”. Mas será que acabou mesmo? Ainda nos dias atuais vemos notícias de abuso da mão-de-obra, pessoas com salários atrasados, sem contar na baixa quantia oferecida à população como salário mínimo para a sobrevivência. Assim, a teoria de Marx e Engels ainda se mostra atual no século XXI, quando ainda existem pessoas que condições indignas de trabalho, sendo exploradas pelos seus patrões.
O conceito de mais-valia, principal mecanismo de exploração da classe trabalhadora, no qual a operário ganha uma quantia menor do que o que foi produzido por ele, se mostra muito presente nas condições de trabalho. O patrão, querendo cada vez mais o lucro, faz o que for preciso para consegui-lo, mesmo que tenha que ser em detrimento de muitas pessoas e famílias que necessitam do salário para sobreviver. 

A Razão é Base para Tudo?



Edmund Burke, em seu livro “Reflexões sobre a Revolução em França”, faz uma análise dos resultados da Revolução de 1789 para a França, e os critica duramente, alegando que o rompimento com as bases históricas de formação do país tornaram a revolução sem fundamento, sendo que a quebra com as tradições a deixou sem rumo e acabou levando ao despotismo napoleônico.

Embora Friedrich Engels concorde que a Revolução Francesa tenha fracassado em grande parte, acredita que foi por causa do pequeno e recente proletariado, que ainda não era capaz de levar a cabo uma revolução com tamanha magnitude. Segundo ele mesmo afirma em “Do socialismo utópico ao socialismo científico”, “Todas as formas anteriores de sociedade e de Estado, todas as leis tradicionais, foram atiradas no monturo como irracionais; até então o mundo se deixara governar por puros preconceitos; todo o passado não merecia senão comiseração e desprezo. Só agora despontava a aurora, o reino da razão; daqui por diante a superstição, a injustiça, o privilégio e a opressão seriam substituídos pela verdade eterna, pela eterna justiça, pela igualdade baseada na natureza e pelos direitos inalienáveis do homem.”

Analisando a afirmação pode-se inferir que para Engels todos os governos são irracionais a menos que não reconheçam autoridade exterior de nenhuma espécie, submetendo a religião, a concepção de natureza, a sociedade e a ordem estatal à crítica mais impiedosa; uma vez que tudo quanto existe deve se justificar através da razão ou renunciar a continuar existindo.

Mas o que é a Razão para que tudo conteste? O Homem é fruto não só da razão, mas também em grande parte de suas emoções e instintos, que não podem ser desconsideradas na análise e justificação da realidade. Acreditar que o Homem é só razão é também utópico e impeditivo, uma vez que tira parte do seu caráter humano. Dessa forma, desconsiderar tradições, religiões e a forma de se organizar de uma dada sociedade para elaborar somente pela razão o que seria melhor para ela é desumanizador. 

O socialismo científico


     Karl Marx previu o fim do capitalismo, encontrando mais do que fatores econômicos para essa proposta, considerando que os fatores sociológicos influenciariam nessa derrocada. Para analisar esses fatores contribuintes, deveria ser realizada uma análise da historia. Assim, tanto para ele como para Engels, o socialismo viria de forma natural, uma consequência da historia.
     Partindo dos ideais socialistas dos utópicos, a nova concepção de socialismo, o científico, viria para quebrar os paradigmas da sociedade em que viviam. Fatores como a criação de classes devido à apropriação dos métodos de produção por uma parte da população, e a consequente mais-valia, advinda do lucro sobre o trabalhador, iriam levar a conflitos, chegando a um ponto que o socialismo seria a melhor saída.
     Ainda que essas ideias preconizadas por Marx e Engels, não tenham se implantado de fato, não podendo considerar a tentativas russa ou a atual realidade cubana como sucessos dessa teoria, vemos que a análise do que Engels considerava ser uma transformação pela necessidade, falhou, pois o próprio sistema capitalista se adaptou às novas necessidades. Sendo assim, mais do que revolução no método utilizado pela sociedade, a ideia era de que o socialismo viria como um aliado da população, uma nova ferramenta que permitiria ao homem o controle de si próprio, uma ampliação dos benefícios gerados para todos, não apenas a uma parcela da sociedade.
                                                                                     Murilo Martins
Do socialismo científico ao socialismo utópico

Quem lê tal título pensa que é um erro do autor, pois está acostumado a ler "do socialismo utópico ao científico", uma alusão ao desenvolvimento do socialismo, que com o tempo passou a ser melhor idealizado, com idéias coerentes por parte de seus autores.

Entretanto, o texto que aqui escrevo tem a finalidade de mostrar poque o socialismo de Mark e Engels não teve sucesso, ou seja, passou a ser considerado pela maior parte da nossa geração atual como um sonho que jamais se realizará.

De fato quem observa a situação atual de Cuba, ou então a situação da Coréia do Norte em comparação com a Coréia do Sul, por exemplo, pode ficar instigado com os resultados do socialismo.

Primeiramente, então, é bom constatar que o sistema fora implantado de forma errada por uma simples questão de lógica: para repartir é preciso ter. Assim, não é possível imaginar um sistema igualitário que fincione bem dentro de países pobres, como é Cuba, como era a Rússia, Coréia do Norte e por aí vai.

Além disso, o sistema sofre com alguns erros, como a falta da chamada meritocracia. Se eu for ganhar sempre a mesma coisa, porque é que trabalharei melhor ou por mais tempo? Essa pergunta explica o porque da diminuição cade vez maior da produção e consequentemente da renda em países socialistas...

José Eduardo Garcia Tavares
O socialismo pode ser considerado a síntese entre o modo de produção capitalista e o conflito das masas. Para Engels, é uma consequência inevitável, visto o processo histórico precursor.

O capitalismo é a junção de opostos imersos na lógica da lei da oferta e da procura, a competição é contínua. O trabalhador perde seu tempo ocioso e com ele a chance de desenvolver outras atividades que estimulam o raciocínio, além da oportunidade de usufruir da recompensa do seu labor.

O mercado é uma provação incansável de competência e disponibilidade, quando poderia ser um espaço construtivo de experiências, formando a base de uma ordem social mais justa.

No socialismo a apropriação do Estado pelo proletariado possibilitaria a transformação das forças produtivas em um meio de vida do qual todos poderiam tirar proveito, tornando sua existência desnecessária.

sábado, 26 de maio de 2012

A aplicabilidade atual da teoria socialista




   Muito se discute sobre a teoria socialista e a sua capacidade de se adequar ou não a realidade da sociedade do século XXI. O que se precisa entender, no entanto, é que a teoria socialista não foi criada como oposição ao capitalismo, mas como uma possível organização econômico-social para a superação deste que é o modelo atual. O socialismo é, portanto, consequência do modelo capitalista, é proveniente do capitalismo.

   O socialismo não desconsideraria os avanços conquistados com o modelo econômico atual, mas teria como um de seus principais objetivos socializar esses avanços.

   Um dos pontos defendidos não só por Marx, mas pelos socialistas em geral, é a dialética. A dialética seria a existência de um fato (tese) que provocaria uma negação (antítese) e, decorrente desse conflito, originar-se-ia uma síntese. Um exemplo dessa afirmação seria a recente aprovação do STF ao aborto de anencéfalos. A tese seria o nascimento e a consequente morte desses bebês ou até mesmo o nascimento sem vida, a antítese seria os apelos sociais pelo direito ao aborto e a síntese a aprovação do tribunal.

   A própria existência da dialética na sociedade e de questões como a exploração do trabalho são provas de que a teoria socialista continua, pelo menos em partes, atual. Negar tal fato seria o mesmo que negar a sociedade capitalista.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Teoria x Prática


Quando estudamos Descartes, Bacon, Comte ou Durkheim nos focamos em uma observação totalmente racional do modo de se viver, em que o método de criação das doutrinas acontece baseado num pensamento preferencialmente imóvel, que não considera as possíveis contradições e alterações que, provavelmente, ocorrerão na sociedade, como se ela fosse algo estável, o que não necessariamente acontece, pois esta comunidade é composta por pessoas, que tem por natureza evoluir e se transformar. Por isso, quando surge uma nova doutrina que visa à organização social e se pauta na idéia de uma sociedade que vive em constante mudança, ou seja, em constante alteração de suas necessidades e desejos, esta acaba respondendo os problemas sociais de forma mais completa e abrangente, pois tem como característica o fato de que se adapta as situações, na medida em que estas se adaptam a ela.
            Em “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico” Fredrich Engels, decorre sobre a formulação da dialética materialista, uma doutrina, criada por ele e Karl Marx, que busca responder as necessidades sociais do seu tempo e, no decorrer de seu processo, acaba abrindo caminho para uma solução mais genérica de problemas sociais, acabar com o capitalismo para implantar o socialismo, ou seja, estabelecer um sistema político que tenha como ênfase o bem estar social e seja fundado a partir da ciência, sem idealização, como tinha ocorrido anteriormente.
Enquanto doutrina, a teoria criada por Marx e Engels é perfeita e responderia perfeitamente as exigências e necessidades sociais que buscamos, pois ela propõe a equidade entre as pessoas e possibilita a melhoria da vida de todos sem disparidades, porém, tendo em vistas as experiências anteriores de socialismo, seria melhor uma solução mais viável para os moldes de vida que temos ou uma mudança gradual na mentalidade da população, inclusive daqueles fanáticos pela teoria de esquerda que vivem bitolados em suas idéias sem aceitar qualquer contestação, o que demandaria mais tempo do que a sociedade possui antes de entrar em colapso.

Das Revoluções Fantasiosas Às Revoluções Concretas


"... já não se tratava de abolir os privilégios de classe, mas de destruir as próprias diferenças de classe."
(Engels, Friedrich)

Apesar de todas as grandes mudanças sociais da história terem sido baseadas no discurso do "melhor para todos", toda e qualquer forma estabelecida de sociedade conhecida pela história se fez de forma a privilegiar certos indivíduos, enquanto, para isso, outros sofriam uma silenciosa - e dissimulada - privação de gozos. Dessa forma, o grupo oprimido, em geral, ao perceber as injustiças da hierarquia social instaurada, punha-se em lutas para reverter tais quadros através de Revolução (as chamadas "Revoluções Burguesas" do século XVII, por exemplo).

Entretanto, as novas sociedades estabelecidas também trouxeram sempre roupagens novas para repassar a já tradicional opressão a outros grupos. Tomando-se o exemplo da Revolução Francesa, esta transformou uma parte do terceiro estado em grupo dominante (burguesia), enquanto o resto desse terceiro estado (povo) continuava a ser indiscriminadamente explorado, como se nada tivesse mudado. Isso mostra que se faz inerente a qualquer sociedade com divisão de classes a opressão de uns em favor de outros.

Nota-se, ao decorrer do texto "Do Socialismo Utópico Ao Socialismo Científico" de Friedrich Engels, que a elaboração teórica do socialismo se iniciou - mesmo que de forma ingênua com o socialismo utópico - graças às óbvias injustiças que o sistema capitalista estabelecia. Porém, os teóricos socialistas perceberam, para formular suas propostas ideológicas, que todas as sociedades com classes estão fadadas ao fracasso. Nisso está o ponto mais revolucionário e diferencial do socialismo: a proposição da busca por uma sociedade em que não haja qualquer tipo de separação de indivíduos por classes e, com isso, não haja a exploração de uns por outrem.

Posto isso, fica evidente o fato de que o molde capitalista de sociedade (o qual, aliás, se faz completamente ultrapassado, tendo que, muitas vezes, se manter às custas de argumentos moralistas e religiosos, assim como era feito para a manutenção das Monarquias Absolutistas na Idade Média) se instalou através de uma "revolução" que apenas mudou o nome dos opressores e oprimidos, mas com a manutenção do sistema de exploração incessante. Conclui-se, portanto, que apenas se atingirá um real avanço na sociedade quando as tais estruturas opressoras forem suprimidas através de uma Revolução realmente transformadora e, assim, todos finalmente poderão ser considerados iguais.

Marx e Engels discorrem em "O Materialismo Dialético como Método Científico" sobre a interminável luta de classes e o socialismo, meio pelo qual, para eles, é possível a destruição das diferenças sociais. Além disso, há uma certa crítica à metafísica, pois, explica-nos o texto, enquanto as ideias prevalecerem sobre o real, não haverá transformação de fato.
É interessante pensar sobre a origem dessas desigualdades, tão marcantes em nossa sociedade. Até a Idade Média, a produção era escassa e a vida difícil. Com o surgimento do capitalismo, esse cenário muda. Nunca antes na História, o homem produziu tanta riqueza como agora. A produção é tão abundante que agora é possível gerar e fornecer para todos. Porém não foi esse o desenrolar da história.
Apesar de o mundo capitalista ser muito abundante e capaz de suprir as necessidades de todos, é possível perceber que quanto mais acentuado ele é, maiores são as desigualdades aparentes. Isso porque houve aumento de produção mas não houve sua divisão. A realidade do capitalismo é a realidade do egoísmo, dos excessos para uns e a miséria para muitos outros.
Aliado ao não compartilhamento das riquezas, houve um considerável aumento do consumo. Isso se dá em sociedades ditas ricas e mais desenvolvidas. É tanto desenvolvimento que se todos acompanhassem o nível de consumismo desses países, os recursos naturais do mundo todo seriam insuficientes. É preciso, portanto, redirecionarmos nosso modo de pensar sobre desenvolvimento e partirmos em direção à transformação de emancipação plena do homem.

Maria Cláudia Silva Cardin
Direito Diurno- 1º ano

O Materialismo Dialético e o Direito


A humanidade convive com diversas mudanças ao longo de sua história. Algumas são brandas e lentas, outras mais explosivas e marcantes. Dentre elas, Engels, em seu texto “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, destaca as revoluções que lutavam pela emancipação dos povos. Porém, o autor chama atenção para o fato de que a burguesia, que lutava pela destruição dos privilégios das classes superiores (nobreza e clero), acabou criando seus próprios privilégios, carregando assim sua antítese.
            Para tratar de tal assunto, Engels se utiliza da dialética que trabalha os opostos na medida em que eles interagem e transformam um ao outro, num processo de contradições progressivas. Dessa forma, a tese da burguesia produziu uma antítese, que ao se relacionarem, produziram uma síntese. Mas o que vem a ser tal síntese?
            Engels desenvolve seu pensamento com base no Materialismo Dialético. Ele explica que a reunião do ser humano em sociedade está baseada na produção material, como as matérias-primas e produtos finais, e nas relações que se desenvolvem entre o burguês e o proletariado, entre o trabalhador e seu produto. Para o autor, a síntese de tal movimento burguês se dá na nova ordem que surgiu com a industrialização: a da exploração do proletariado pelo burguês, principalmente através da mais-valia.
            O autor ainda enfoca que a produção é a base da ordem social. Dessa forma, as causas das transformações sociais de cada época devem sempre ser buscadas no modo de produção. Esse ponto de vista possibilita a análise de sua época (e também dos dias atuais) sob a ótica do capitalismo: as relações sociais de opressão do trabalhador, o esquecimento da grande massa de reserva, as patologias sociais, são alguns fatores consequentes do sistema econômico vigente.
            A fim de que se resolva tal situação, Engels e Marx propõem o socialismo como um caminho a ser percorrido pelas sociedades em sua história. Busca-se a superação do modo capitalista de produção, através da libertação das forças produtivas que promoveria a libertação de todos e o pregresso para a modernidade.
Atualmente, a exploração da classe trabalhadora continua e quem poderia fazer alguma coisa por essas pessoas não faz nada além de vista grossa. Os direitos são muitos, civis, humanos... Talvez o caminho para a superação desse quadro exploratório não seja o socialismo, devido à necessidade de uma solução rápida e visto que a transição para um novo sistema demanda um bom tempo. A humanização dos direitos, como se tem notado nas últimas conquistas sociais, mostra-se efetiva na resolução de alguns problemas. Ainda é pouco, mas o Direito tem a capacidade de ir além: realizar de fato o seu papel para a sociedade, garantir os direitos fundamentais de cada ser humano, livrando a massa da exploração.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

A dialética como método


Friedrich Engels, no seu texto "Do socialismo utópico ao socialismo científico", defende o Materialismo Dialético (concepção criada por ele e Karl Marx no século XIX) como método científico. 
O Materialismo Dialético entende que a existência humana em sociedade é condicionada pela sua base material: o capital, as matérias-primas (os recursos naturais) e os meios de produção (fábricas, máquinas). Os que detêm a propriedade destas riquezas formam a classe dominante (burguesia), uma minoria que para produzir explora a mão-de-obra da classe proletária (maioria) que, não sendo proprietários, têm que vender sua força de trabalho. Mas a sociedade é dinâmica, a História está sempre em movimento, e este movimento é Dialético: esta oposição entre Capital e Trabalho, a luta entre estas duas classes antagônicas resultaria na superação para uma nova sociedade, onde não haveria mais propriedade privada destes meios de produção, que seria coletiva, e, portanto, estariam extintas também as classes sociais.
Para entender a Dialética: dada uma tese, esta produzirá o seu contrário, uma antítese, e o confronto entre tese e antítese vai resultar, num estágio mais avançado, uma síntese. Esta Síntese se constitui numa nova Tese, e assim dando continuidade ao movimento. Também para ilustrar esse pensamento de Engels, deixo esse poema do poeta brasileiro João Batista do Lago:

"ANOMIA

Perambula pela tonta cidade
O exército dos deserdados
Há muito condenado
Perdido e desgraçado da sorte

Anômico mendiga uma naca de felicidade
Esses soldados da infeliz cidade
Não conseguem essa guerra vencer
E assim desesperam dia-a-dia no viver

Vêem dia-a-dia a esperança morrer (mas)
Sem trabalho si morrem em cada alvorecer
E a cidade… Ó, infeliz cidade!
Anônima de toda felicidade

Enfileira sua miséria encantada
E transforma a vida dos deserdados
Em campo de concentração de miseráveis
Ah, povo dos trabalhadores!

Povo deserdado.
Povo condenado.
Povo vexado.
Povo marcado.

Não esperem que o céu resolva suas dores
Essa divinal esperança só aumenta seus horrores
Isso não é destino de Deus: é do homem a miserável economia!
Que encerra todas as gentes no inferno da anomia"

                                                

 
A dialética de Engels e Marx
                              
O Materialismo dialético é uma concepção que defende o ambiente em si, o organismo e os fenômenos físicos tanto regulam os animais e os seres humanos, sua civilização e sua cultura quanto são regulados por eles. Em outras palavras é que a matéria está em uma relação com o psicológico e o social e que se opõe ao idealismo que acredita que o ambiente e a sociedade são fontes divinas.
Essa concepção citada acima criada por dois grandes pensadores do século XIX faz parte do cotidiano de nossa sociedade mesmo tendo sido criada há certo tempo atrás. A dialética não pode ser considerada como um conceito, mas sim deve ser pensada como um mecanismo presente e que regula as sociedades independentemente de seu período histórico.
Para se ter uma ideia de como esta concepção está presente em nossa realidade me proponho a dar alguns exemplos: um deles é a greve de médicos da rede pública de saúde que fizeram essa manifestação como forma de subverter a ordem vigente e conseguindo assim uma nova síntese que é o aumento de salário tão desejado por eles mesmos; e por fim outra realidade próxima de nós é a obtenção dos direitos dos gays que também conseguiram modificar a ordem e através disso conseguir seus objetivos.
Portanto as relações humanas sempre tiveram e sempre terão posições divergentes àquela adotada como vigente, porém através de mecanismos que vão de acordo com a sua realidade efetiva vão tentar modificar a estrutura corrente para assim conseguir uma nova síntese que passará a ser a tese de suas relações.

   Afonso Marinho Catisti de Andrade                                

Fato social ou econômico?

      Ao contrário do que aquilo que afirma Durkheim,em “As regras do método sociológico”,na sociedade contemporânea um fato só existe se houver uma finalidade;mais precisamente,uma finalidade econômica.Émile Durkheim argumenta que os fatos sociais muitas vezes ocorrem apenas como resultado de costumes,pela força do hábito apenas.Porém,com a ascensão do capitalismo enraigado pelo individualismo e interesse meramente econômico,a situação se modificou.
      Atualmente,não se vêem atitudes que não possuam um vínculo com o dinheiro,ou que não possuam um objetivo a ser alcançado.Ongs são criadas todos os dias ao redor do mundo,e não somente com o objetivo de angariar fundos a pessoas carentes ou a crianças doentes,mas também para promover o nome do fundador das mesmas,fazendo sua imagem de “bom samaritano”.O individualismo está presente em todos os âmbitos da sociedade moderna.
      Direitos humanos.Expressão bonita,de forte impacto,sensibiliza as pessoas.Expressão essa,entretanto,só sai do papel quando há interesses econômicos relacionados à questão.A própria ONU,a qual deveria exercer intervenção quando houvessem violações aos direitos humanos,só é eficaz quando a economia de seus países-membros corre risco de ser afetada por tais violações.Quando a “desumanidade” pode acarretar a alta do preço dos barris de petróleo a ONU prontamente faz uma intervenção,até mesmo quando não seria necessário fazê-la;por outro lado na Somália,onde não há interesse econômico nenhum,alimentos doados são trocados por armamentos e ninguém faz intervenção alguma.
      O que se vê hoje,é uma sociedade na qual só há ações quando se há finalidades.Os fins não só justificam os meios como também servem de estímulo para que se inicie o posicionamento e a tomada de atitude.A “força exclusiva do hábito” não mantém um fato social no século XXI.