Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 25 de abril de 2022

O sono positivista

Durante os anos de 1964 até 1985, o Brasil foi governado por uma elite militar de caráter positivista. Isto é, segundo a concepção filósofica de Augusto Comte, as realidades sociais devem ser apresentadas por meio de um prisma científico. Com efeito, em períodos anteriores ao surgimento dessa concepção, os países eram governados por visões quer teológicas, quer metafísicas, contudo, somente a visão científica aplicada nas ciências sociais que poderia dar ensejo a um desenvolvimento pleno das capacidades humanas dos indivíduos e do pleno crescimento político-econômico. 

Dessa maneira, por meio de um golpe de Estado, o Brasil foi vítima de um regime militar e ditatorial que pregava uma suposta cientificidade política. Vale ressaltar, entretanto, a inconsciência, ou melhor dizendo, o sono positivista no qual os militares que tomaram o poder estavam inseridos. 

Sem nenhuma formação filósofica, antropológica e, sobretudo, sociológica, a classe militar estava repleta de convictos positivistas, que bradavam lemas, como "ordem e progresso", impresso em nossa atual bandeira, como se fossem dogmas religiosos. Nesse sentido, a frase de Hugo von Hofmannsthal, de que "Nada está na realidade política de um país se não tiver antes em sua literatura." consegue explicar o porquê da elite militar estar repleta de positivistas inconscientes. A literatura, e não a política, é responsável por formar o imaginário de milhões de pessoas para que, posteriormente, possam tomar atitudes políticas revolucionárias, como aconteceu na Revolução Francesa. 

Destarte, torna-se evidente a influência positivista na formação do imaginário dos militares durante o período de vigência da ditadura militar brasileira, cujo cerne de sua doutrina não se baseava em estudos cansativos dos livros de Comte, mas sim de uma influência inconsciente derivada da literatura nacional da época. 

Cauan Eduardo Elias Schettini - Turma XXXIX - matutino

Desordem e Retrocesso

O primeiro método científico desenvolvido para o estudo da sociedade foi a corrente filosófica do positivismo que, a partir da sua filosofia, marca o amadurecimento do espírito humano tendo como base fatos concretos e a ideia da constante evolução e progressão, no entanto,  a associação desta metodologia com o real corpo social que vivemos é uma mera ilusão. Conflitos e inconstâncias ocorrem a todo momento e todos tem que conviver com elas, a visão do coletivo tornou-se individual e os interesses pessoais viraram mais importantes do que os de bem público.

O Brasil é um excelente exemplo de país que tomou como influência em maior parte de seus âmbitos o positivismo, isto pois, a nação se espelhou na "física social" proposta pelo sociólogo Augusto Comte para a construção de seus preceitos, seja para a adoção da laicidade do Estado ou até mesmo para a Proclamação da República. Contudo, onde ela está na prática? Como podemos associar a corrente com as atitudes retroativas que encontramos em nosso dia a dia?
Mais de um milhão de mulheres são violentadas todos os anos, crimes de ódio ocorrem diariamente no país, a política se mantém em crise por mais de 4 anos, como relacionar esses aspectos com os conceitos positivistas e o lema "Ordem e Progresso" descrito em nossa bandeira? 

"Eles não usam black-tie" - Uma obra atemporal que ilustra a teoria positivista.

 Na obra teatral “Eles não usam black-tie”, do dramaturgo e ator Gianfrancesco Guarnieri, observamos diversas características que a unem ao pensamento positivista. 

Ambientada no final dos anos 50, uma problemática se instaura no contexto social dos personagens: uma greve está prestes a estourar. 

Pai e filho, empregados numa mesma fábrica, exemplificam dois opostos; o primeiro, um homem sindicalista, um dos cabeças da greve; o segundo, um homem preocupado com as proporções que o movimento operário poderia alcançar.

O positivismo é a busca constante por progresso, mas que tipo de progresso? Ora, não estamos falando do progresso na vida de um operário pobre e morador do morro; estamos falando do progresso dos grandes, a ininterrupção do acúmulo de riquezas e, acima de tudo, a conservação desses padrões sociais. 

Tião, o filho, se vê em um dilema, apoiar o pai e os companheiros de fábrica, desafiar o sistema, incentivar a transgressão do status quo, ou manter seu emprego, rejeitar a greve e não desafiar seus superiores. Além de tudo, a esposa de Tião está grávida, como iria se expor de tal forma? Precisava do dinheiro, de sua estabilidade. 

Do outro lado, temos Otávio, o pai, um homem consciente, revolucionário, justo. Otávio sabe e testifica tudo que está errado, testemunha o descaso com os trabalhadores e torna-se peça principal da greve. 

Um grande aspecto da teoria positivista é a “solidariedade”, novamente retorno a pergunta, que tipo de solidariedade? Também não estamos falando da solidariedade de nos sensibilizar com os problemas sociais de nossos companheiros, não é solidariedade a ponto de lutarmos pelos direitos daqueles que são pequenas pecinhas nesse grande mecanismo industrial; é a solidariedade em prol dos mais poderosos, continuar a progredir para que esse grupo nunca saia do alto da “cadeia alimentar social”. Que coisa mais dicotômica, não? 

Tião, solidário aos interesses daqueles que estão acima, fura a greve. Não podia fazer parte daquilo, da transgressão, da violação da moral. Otávio vai preso, quebrou a norma, deturpou o sentido de harmonia positivista. 

A linha tênue entre conservar e melhorar embasa todo o positivismo, mas tudo depende das lentes que você usa para visualizá-lo. A sua ótica é positivista ou revolucionária?


Ana Beatriz Cordeiro Santos - 1º semestre de Direito (noturno)


O raso entender sobre o subversivo

   Apesar do caráter pós-teológico do Positivismo de Auguste Comte, muitas de suas características ainda são vistas em nossa sociedade. O traço imediatista da observação positivista é, quiçá, um dos objetos mais perpétuos da corrente, sendo visto cotidianamente nas opiniões e pensamentos populares.

   Assim, por exemplo, vê-se, nos últimos anos, um extremismo político que, no geral, baseia-se em constatações que não apresentam qualquer tipo de aprofundamento. Tratam-se como subversivo quaisquer ações que destoem de um falso moralismo religioso acerca de família e Estado. “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.” é o slogan de um governo que, formalmente, é laico, mas que explicita em todos seus atos um ataque ao que considera imoral ou contrário à ideia de religião que acatam – apesar de serem tudo o que atacam.

   A subversão, nestes moldes, representa tudo que ataca a ordem que se pretende manter, apesar dos positivistas bradarem constantemente a ideia de “progresso”. Talvez, assim como no livro distópico “1984” de George Orwell, os positivistas desejem que “O progresso, no nosso mundo, será o progresso da dor” (ORWELL, 1948, p. 310) e o que atrai melhorias nestas estruturas que se pretende manter seja alvo de combate, seja o objeto a ser apontado como subversivo e imoral.

   Afinal, qual o caráter científico de uma corrente que, dentro da realidade, não acata mudanças? Tratar tudo e todos contrários como subversivos, não admitir este necessário espaço para alterações e se manter como “conservador” é, também, ser anticientífico ao ignorar um dos traços mais marcantes da natureza: a inconstância.

Patrícia André - Direito, 1° ano noturno 

 O positivismo dos anos 2000, escrito em 1800 

O positivismo de Comte é mais atual do que nunca. Segundo o consagrado pensador Auguste Comte que idealizou o positivismo através da estruturação do pensamento e da organização do conhecimento, o progresso só deveria acontecer após a manutenção da ordem das coisas como são, sem revoluções ou rompimentos, que apenas a manutenção das estruturas e aperfeiçoamento da ordem levaria ao progresso. No entanto, no período em que Comte teorizou seu pensamento, os movimentos conservadores não eram tão fortes e os movimentos liberais tão abrangentes. 

 Nos últimos anos, a evolução dos movimentos feminista, LGBTQ+, trabalhista e outros, levaram a um levante conservador na sociedade, tanto nacional quanto global. O atual governo brasileiro acabou se elegendo a partir de um forte discurso positivista de manutenção da família, da religião e contra os movimentos liberais já existentes. Enquanto isso, movimentos parecidos aconteceram em outros lugares: Nos EUA, com a eleição do Trump; Na França, com a candidata Le Pen indo para o segundo turno; E a eleição de Boris Johnson na Inglaterra.  

Assim, percebemos que mesmo a teoria de Comte tendo sido fundamentada no séc. XVIII, suas ideias de progresso e a manutenção da família, são fundamentais na política mundial, tendo sido prioridade no discurso de muitos vencedores, e alavancando as ideias conservadoras num cenário global


Gabriel Goes Rosella-1 ano/ NOTURNO

Acima de tudo


Brasileiro raiz é aquele que acorda às 5, tem que ser pontual. Pega ônibus, metrô, e pula a pinguela. Respeita a faixa e o patrão, não perde tempo nem dinheiro, já que entende que os dois são um só. Fala baixo e sabe o certo e o errado, tem que saber onde é seu lugar! Beija a mulher e os filhos, dorme bem e não sabe reclamar.  

Ah como é bom ver meu país crescer, sou digno! Dou meu sangue e minha lágrima pelo bem do meu Brasil.  

Tem que ser positivo! 

 

Nicole Caldas Fernandes Pimentel 

1º ano direito noturno 

 Sejamos positivos


    Existe hoje grande relevância na visão positivista da ciência. Nos últimos dois anos, muito se ouviu esse nome, quase sempre em um contexto em que o que ele representa é defendido e louvado – por vezes louvado quase que messianicamente --, e na filosofia positivista podemos encontrar algumas ideias relevantes a seu respeito.
      Para Auguste Comte, filósofo criador do positivismo, o desenvolvimento das ciências e das tecnologias, o desvendar as leis naturais e produzir a partir dessa compreensão coisas úteis à humanidade, é indispensável ao progresso, e este, nas palavras do filósofo, “constitui, como a ordem, uma das duas condições fundamentais da civilização moderna”.
    Ainda que sejam justas tantas das críticas que estudiosos fazem ao Positivismo, acredito que nesse ponto relativo à ciência e à tecnologia não há como condenar tal filosofia. Assim, a meu ver, a defesa da ciência enquanto a prática do método científico observada recentemente é perfeitamente acertada. Causa incômodo somente o quanto frases em sua defesa passaram a ser repetidas como chavões, muitas vezes sem que quem as repetisse sequer se preocupasse em compreender o que, afinal,  é a tal ciência. No entanto, eu entendo que essa repetição de chavões sem que se entenda o que significam é uma tendência humana perfeitamente perdoável  o leitor talvez discorde quanto ao quão perdoável é, mas não nos detenhamos nisso, sobretudo quando exibida por indivíduos que, devido a pressões de toda sorte que a vida lhes impõe, não têm a possibilidade real de se preocupar com coisas abstratas e tão distantes de suas necessidades imediatas.
    É importante lembrar também que foi a partir das ideias de Comte que o mundo ganhou a Sociologia como ciência, como um campo do saber dotado de método, farto que é também de extrema relevância para o mundo de hoje. Nesse contexto da pandemia dos últimos dois anos, quando se fala em ciência, tipicamente está-se referindo às naturais, mas são de igual relevância para a humanidade as ciências humanas, inclusive as sociais, para cuja origem a doutrina positivista deu uma contribuição fundamental. Comte acreditava que o mundo carecia de uma "física social", isto é, de uma análise dos fenômenos sociais feita do mesmo modo, no sentido de com o mesmo rigor metodológico, com que é feita a análise de fenômenos físicos; como fez Descartes em relação às ciências naturais, o positivista defendia que essa física social tivesse preocupações práticas, a preocupação em alterar o mundo, visando sempre à conquista do progresso e à manutenção da ordem, objetivo certamente passível de críticas.
    Tendo em mente essa dualidade do legado comtiano, eu faço ao leitor um convite: sejamos mais positivos, no sentido que comumente se atribui à palavra – façamos questão de reconhecer qualidades sempre que as encontrarmos, ainda que seja em meio a algo ou alguém que julguemos donos de muitos defeitos. Sendo, quase certamente, o único leitor o caro professor Agnaldo, esse convite parece-me desnecessário, mas ainda assim achei que seria pertinente e, principalmente, bonito, terminar o texto com ele. 


Helena B. Almeida
Direito - Matutino

Positivismo no Brasil

O Positivismo deriva dos ideais iluministas do séc. XVIII, tendo Augusto Comte como seu idealizador, pautado na ideia de que a ciência e o progresso são os pilares para evolução social. 

Ele afirma que a sociedade naturalmente evolui e segue seus estudos sociais nessa premissa. Sendo assim, para ele, a escravidão, por exemplo, existiu porque, naquele momento, os europeus portugueses eram superiores aos povos africanos.

Na prática, o positivismo influenciou, e muito, o exército brasileiro, especialmente aos Oficiais instrutores da Academia Militar da Praia Vermelha (RJ). Nesta perspectiva, o golpe da República seria uma evolução natural necessária ao progresso, visto que não havia mais monarquia nas Américas.

Porém, acreditar na evolução natural da sociedade, seria anular as responsabilidades dos governos que têm o dever de "conduzir" seus cidadãos e sua função de reduzir as desigualdades.

Neste diapasão, o positivismo caiu em desuso no Brasil, haja vista que é inviável aqui e em qualquer outro país, pois trata sociedades diferentes como iguais, implantando um modelo progressivo natural. Isso quer dizer que, àqueles que não seguissem o que o governo considera certo e importante ao progresso, seria naturalmente excluídos. Da mesma forma, aqueles que não acreditassem que a ciência nos rege estariam fadados à marginalização. 

 A herança deixada pelo positivismo:

 

                         

                      Segundo Augusto Comte o positivismo consiste na observação dos fenômenos sociais e na descrição deles, levando em consideração a relação entre esses fenômenos. Isso foi um marco importante para as ciências sociais, pois as aproximou das ciências exatas no que tange ao método. Além disso o positivismo de Comte fez conclusões no que diz respeito a moral e o comportamento do indivíduo, para ele a moral deve ser universal e imprescindível para que haja ordem e por consequência progresso dentro de uma sociedade, e quanto ao comportamento do indivíduo, este deve deixar os seus interesses e necessidades em segundo plano para manter a sociedade ordenada. Contudo essas duas últimas conclusões apresentam complicações, pois uma sociedade estável não é sinônimo de progresso, uma vez que o indivíduo deve renunciar os seus interesses e necessidades em razão da ordem.

                       Ademais devido a moral ser universal e não deve sofrer alterações, isso implica na dificuldade de fazer um Estado que busque diminuir as desigualdades sociais.

                   Outrossim se o indivíduo deve renunciar as suas vontades e necessidades em função da estabilidade social, isso dificulta ou mesmo impossibilita a participação desse indivíduo na vida social e política, uma vez que ele não deve se opor a moral vigente.

                    A partir dos argumentos discorridos pode-se inferir que o positivismo proposto por Augusto Comte deixou como herança a sistematização das ciências sociais aproximando-as das ciências exatas no que diz respeito ao método e deixou lacunas no que tange a moral e o posicionamento do indivíduo em relação a ela.


Pedro Paulo de Souza 

1° Ano de Direito

Período: Noturno

Parte do todo

O poema a seguir reflete os princípios de comunidade social, adotado no positivismo de Comte. O ser humano, não visto como unidade, passa a ter suas questões interpretadas de maneira coletiva, ou seja, o homem não existe e sim a humanidade.

 

Parte do todo

Me encontro no completo eu

Afogado em prol da sociedade

Sistematizado na harmonia

Renunciado a qualquer particularidade

 

Enxergo-me como mecanismo dessa engrenagem

Enferrujado, gasto naturalmente pela evolução

 

Sei que tudo isso é pela moral

Sei que tudo isso é pelo método

Sei que tudo isso é pela regra

Tudo isso é pelo projeto

 

E se progredir impede a interpretação

O método se dá em repressão

O método persiste na tradição

O método impede a evolução

 

Reabasteço-me de subjetividades vazias

E a engrenagem volta a funcionar


Júlia Lima Souza

1ª ano direito - Matutino 

O egoísmo positivista


O positivismo de Comte tem um objetivo essencial para a desenvoltura de seu pensamento: a ordem, para ele o progresso da sociedade só pode ser conquistado através da organização social. Ele constrói a sociologia como uma ciência exata, analisando e observando o que ele considera concreto e trabalha a partir dessas informações coletadas, utilizando-as para definir a organização social que o positivismo requer para evoluir. A partir disso, percebe-se o importante lugar que o ser humano ocupa no corpo social, pois - além de integrá-lo e torná-lo existente - é ele que tem a função de manter essa ordem, pois a organização buscada por Comte cria um padrão, que precisa ser seguido por todos para ter estabilidade.

Assim começam os conflitos. O padrão defendido pelo positivismo exige um comportamento normativo dos cidadãos de determinada civilização, um comportamento que por vezes não é compatível com todas as pessoas que integram a sociedade, mas que para o positivismo deve ser seguido mesmo assim. Uma sociologia como essa necessita de um apoio coletivo muito grande, ela requer que o homem coloque o bem-estar social acima do seu próprio, o que para Comte não deveria causar tantos conflitos de opiniões, já que a sociedade é anterior ao indivíduo e apenas ela deve importar, um posicionamento que me faz lembrar da definição de “amor próprio” de Jean Jacques Rousseau.

Rousseau trouxe um pensamento diferente de outros filósofos de sua época, pois também acreditava que a sociedade deveria vir em primeiro lugar, tanto que define que o sujeito que tem amor próprio é egoísta por fazer mais caso de si mesmo que dos outros, enquanto o que tem amor de si mesmo é o que preza por ele sem fazer descaso da humanidade, mas a ideia dele e a de Comte de individualidade fazem com que seus pensamentos se afastem em questão de semelhança. Enquanto Rousseau defende a soberania social de modo que crie um espaço mais igualitário - acabando com a propriedade privada, por exemplo -, Comte espera que os cidadãos mudem para se adequarem ao normativo.

Isso gera uma outra concepção de egoísmo. A defesa de que cada um ocupe um lugar pré estabelecido na sociedade que é inerente ao humano como pessoa leva-os a ter atitudes egoístas, pois ter características (que muitas vezes nascem com os homens) diferentes das consideradas normais faz com que a harmonia positivista seja abalada e manter essas características automaticamente torna-se egoísmo.

Essa é uma ideia que não está distante de nós, é visível que ela é muito presente na comunidade em que vivemos, já que, além da frase na própria bandeira do Brasil ser um ditado positivista, o condenamento que pessoas que não se adequam aos padrões sociais ocorre ininterruptamente. O não seguimento das expectativas investidas no indivíduo antes mesmo de ele nascer gera frustração coletiva, mas é injusto atribuir a culpa dessa frustração a quem fugiu das normas, pois não foi ela que criou noções irreais sobre o comportamento adequado ao cidadão.

Logo, é visto que a subversão dos papéis sociais incomoda, mas o egoísmo criado por tentar se ajustar a um local que não é seu continua existindo, afastando os ideais de ordem do positivismo e transformando a sociedade. 


Beatriz Moraes Rodrigues de Oliveira - matutino

O positivismo na prática

O positivismo é uma doutrina que prega a ordem e o progresso da sociedade humana e que, apesar de tentar acabar com a influência da teologia e da metafísica, é possível perceber que ainda pode ser muito defendida na contemporaneidade por não ter atingido toda sua complexidade como Comte esperava.
É possível perceber facilmente como a metafísica e principalmente a religião ainda tem espaço nas decisões da humanidade. Mesmo após 3 séculos das críticas positivistas a religião continua baseando diversas discussões no campo político, como em casos de casamento homossexual ou o aborto. Dessa forma, é possível perceber que apesar do positivismo ter ganho força, a racionalidade científica defendida por Comte só é usada em quando interessa para determinada parte da sociedade defender seu pensamento. 
Além disso, é também visto que o pensamento positivista reforça discursos autoritários, muitas vezes colabora para ignorar a situação que envolve os casos de crimes, muitas vezes realizados por necessidade, para enfatizar que a lei deve ser rigorosamente aplicada para manter a ordem, fazendo assim com que a situação se repita e consequentemente, como é o caso do Brasil, tendo uma superlotação de presídios.
Desse modo, apesar da ideia teórica promover o progresso da sociedade humana, na prática podemos realizar que não ocorre como esperado, pois ao ser usado de maneira arbitrária somente promove o caos e impede o progresso.

O Positivismo de Comte: Uma breve provocação.

 O Positivismo consiste em uma corrente ideológica que tem como seu criador o francês Auguste Comte, que também é considerado Pai da Sociologia. Durante o período da chamada primeira revolução industrial a sociedade passou por intensas e severas mudanças, como o advento da urbanização, o surgimento das fábricas e dos trabalhadores industriais, as modificações da sociedade de até então foram tamanhas que Comte viu a necessidade de criar-se uma nova ciência, a chamada Sociologia, com o objetivo de interpretar e compreender de forma mais profunda e detalhada a dimensão dessas transformações sociais, e intimamente ligado a esse ciência que estava surgindo, surgia também o chamado Positivismo. O Positivismo, nada mais é do que uma corrente ideológica que engloba os campos da política e da ciência, o qual defendia um tipo de doutrina para a ascensão e progresso da sociedade civil, e a ordenação e o avanço das ciências experimentais, segundo essa doutrina, seriam responsáveis pelo desenvolvimento social da humanidade como um todo, pregando, também, que somente a ordem política e o rigor civil poderiam retomar a estabilidade política que fora perdida com as turbulências político-sociais causadas tanto pelo revolução francesa, quanto pela revolução industrial.

 Outro ponto que é válido destacar é que, o Positivismo de Comte desenvolveu a chamada Lei dos Três Estados, na qual, para Comte, a humanidade culminaria em um estado mais desenvolvido e evoluído, sendo esses três estados: O primeiro é o estado teológico, que consiste no estado em que a humanidade responde aos acontecimentos com crenças e mitos, ou seja, a irracionalidade predomina; o segundo é o estado metafísico, que é o estado onde a humanidade utiliza a lógica e argumentos fundamentados para interpretar o mundo, portanto, o predomínio é o da racionalidade; e o terceiro é o estado positivo, no qual a humanidade busca respostas para interpretar o mundo não apenas em argumentos e em lógica, mas sim na observação rigorosa e metódica dos acontecimentos e fatos, visando assim o progresso da ciência e, por consequência da humanidade. Outro destaque a se ressaltar é que o Positivismo se caracteriza, também, pelas chamadas: Doutrina filosófica, que consiste no estudo de pensadores iluministas e de suas ideias como base do positivismo, e que prega que a educação, além de ter que ser para todos, é a única capaz de garantir o progresso da humanidade; Doutrina sociológica, que consiste no estudo detalhado, metódico e rigoroso do fenômeno social e do funcionamento da sociedade como um todo, sendo também a base para uma formação de uma moral relacionada ao progresso científico, tal que leve o homem a agir para o avanço do humanidade; e a Doutrina política, que afirma que a disciplina e a ordem são os meios necessários tanto individual quanto coletivamente para se alcançar o progresso da humanidade.

 Além de tudo isso, Comte também pregou que o avanço científico deve estar atrelado ao desenvolvimento tecnológico, ademais é válido destacar também a chamada religião positiva que, dentro desse conceito de positivismo e ao contrário das religiões tradicionais que sai baseadas em fé, mitos, lendas e divindades, deve ser estritamente baseada em fatos e em observações metodicamente realizadas pelo homem, sendo de cunho estritamente racional, sendo que nela o homem só deve acreditar naquilo que é capaz de constatar de foram 100% racional, sem a presença de Deuses ou qualquer coisa do tipo.

 Diante de todo o exposto até aqui, é possível constatar que o Positivismo de Auguste Comte é uma corrente ideológica que surgiu junto da Sociologia, e que prega acima de qualquer coisa a racionalidade e a razão, com bases apenas metódicas e de rigorosa observância, sem qualquer interferência não observável, tendo a intenção sempre de pregar pelo avanço das ciências e, com isso o avanço da humanidade como um todo.

Aluno: Otávio Aughusto de Andrade Oliveira
Turma: 1° Ano de Direito - Matutino

Desordem necessária

 É imperioso destacar a importância do positivismo como fonte pioneira em criticar os dogmas que regiam as sociedades antigas. Sociedades essas que eram comandadas por mitos, lendas, histórias religiosas ou pela total anarquia politica. Ao contrário disso, o positivismo se encaixa como doutrina que afasta todas essas crenças e busca apenas a verdade empírica pra nossa realidade. Segundo Comte, somente com essa busca incessante pela verdade resultaríamos em uma sociedade ordenada.

Contudo, é importante notar um erro na retórica positivista abordada por Comte, que é a busca a todo custo pela ordem. A ordem inegavelmente tem importância numa sociedade justa, mas Comte falha quando pressupõe que a mudança é negativa, e que o positivismo basta em si mesmo. É de grande negligência para com as classes menos favorecidas achar que devemos manter a ordem a todo custo e não devemos lutar por revoluções sociais. Claro que em sua geração as realidades eram outras e que seria um erro o julgar, mas o ponto que devemos nos preocupar é na propagação dessas idéias de comodismo social nos nossos tempos modernos. Chega ser engraçado ver como o próprio positivismo foi alvo de subversão, já que hoje os que buscam pela ordem são os mais influenciados por crenças.

Portanto, devemos apoiar o positivismo como idéia que desconsidera mitos e verdades inventadas, mas também é valioso não deixarmos cair em estabilidade política quando a mesma não se apoia na realidade dos cidadãos.


Vinicius Alves. Direito Matutino 1°ano

 Descartes e Bacon: pensadores atemporais


“Enquanto eles não se conscientizarem, não serão rebeldes autênticos e, enquanto não se rebelarem, não têm como se conscientizar.”


A citação retirada do livro “1984”, de George Orwell, expressa um conceito inserido dentro das bases epistemológicas da ciência moderna que nasce com o objetivo de ser guiado pela razão. Nesse contexto, inegavelmente os autores René Descartes e Francis Bacon se destacam por suas proposições científicas que se tornaram marcas no entendimento do mundo moderno. 

Para Descartes, a dúvida metódica seria a chave no desenvolvimento de uma ciência, tendo também a clareza como critério da verdade. Já Bacon, por sua vez, além de não enxergar grandes colaborações por parte da filosofia grega, propõe um método conhecido como “cura da mente”, isto é, a regulamentação da mente por mecanismos da experiência. 

No livro, Orwell introduz aos leitores um conceito conhecido como “duplipensar”, que trata-se da ideia de aceitar duas crenças contraditórias ao mesmo tempo, mas sem saber que ambas não se completam. Nos tempos modernos, acredito que existam muitos exemplos desse fenômeno, visto que algumas pessoas confiam na busca pela essência da razão, por meio das experiências vivenciadas.

Em suma, é interessante analisar como fragmentos de ambas visões, mesmo que divergentes em alguns tópicos, perpetuam em nossa sociedade atual. Uma das principais lições que devemos carregar conosco é a existência e a alimentação de nosso espírito curioso, que nos questiona as fontes dos conhecimentos adquiridos ou sobre a procedência da rede de comunicação que levará aquela informação a outras pessoas.


Sarah de Jesus Silva dos Santos 

1º ano - Direito (Matutino)

 O Positivismo e seus impactos ao longo do tempo na sociedade brasileira


É de conhecimento geral que desde o início da colonização, e especialmente nos primórdios da república, a política brasileira sempre foi fundamentada em costumes e teorias filosóficas originárias da Europa, tendo como exemplo o próprio Positivismo. Essa influência pode ser analisada sob diversas perspectivas, em diferentes tempos históricos e em diferentes vertentes compositoras de nossa sociedade. 

Na literatura nacional destaca-se a “ironia machadiana” ao utilizar do Humanitismo como uma paródia do Positivismo, de Comte. Machado de Assis, em toda a sua genialidade, e na voz do fictício filósofo Quincas Borba, cria suas próprias fases (baseadas na filosofia Comtista) que constituem o Humanitismo: a fase do mito, a fase da filosofia e, a terceira fase, marcada pelo racionalismo. Nas duas obras em que a personagem aparece, “Memórias Póstumas de Brás Cubas” e “Quincas Borba”, é possível encontrar referências que evidenciam a visão do autor diante dessa transição de períodos, comumente acompanhado de seu típico tom sarcástico e crítico.

Através dessa análise, destaco a forma com que o surgimento de uma nova corrente de pensamento de tamanha importância como o Positivismo, normalmente causa polarizações e uma aceitação progressiva dentro de uma comunidade. Machado de Assis não era um apoiador dos postulados cientificistas, racionalistas e positivistas do Realismo-Naturalismo, e utilizava-se de seus romances para testemunhar sua indignação.

Hodiernamente, vivemos uma situação muito similar no sentido que práticas adotadas com o objetivo de promover maior liberdade pessoal e coletiva, bem como reivindicações por direitos considerados básicos a todos os seres humanos ganham cada vez mais força, mas continuam sendo taxadas como ações subversivas ou qualquer outro termo pejorativo. Assim como naquela época, essas exigências anunciavam rupturas radicais, e uma rede de cidadãos mais conscientes em relação aos seus direitos, o que posteriormente poderia resultar em promessas de substituição da forma de poder vigente por formas modernas de autoridade.

No entanto, é importante mencionar que teorias como essa costumam ser controversas pelo fato de apresentarem alguns furos ao, por exemplo, não englobar determinada camada da população em suas considerações essenciais. Por fim, à medida que a sociedade vai evoluindo, novas postulações que se sejam capazes de suprir as lacunas da realidade vivenciada tornam-se necessárias.

Sarah de Jesus Silva dos Santos 

1º ano - Direito (Matutino)

O positivismo e a sua miríade de problemas

O positivismo pretende sistematizar o estudo social, organizá-lo de forma metódica. Para isso, conta com uma série de atributos indicados por Auguste Comte. Tal corrente transfere à análise da sociedade os parâmetros da Ciência moderna, como definidos por Bacon e Descartes, os quais abrangem: o conhecimento fundado pelas experiências; a busca da neutralidade; a divisão em etapas; e o encontro de descobertas úteis e produtivas ao corpo social. A filosofia positiva faz uso de uma abordagem científica e empirista, a partir da qual consolida as Ciências Sociais. Em tal construção, Comte ressalta que a preocupação exclusiva está em obter “as leis efetivas” e as “relações invariáveis”. Ou seja, o pensador procura o que não é alterado, o padrão e as normas da realidade social, enquanto recusa o fundamento e a finalidade das coisas. Dessa maneira, o positivismo tenta originar preceitos inabaláveis e precisos, através do encontro do óbvio e dos laços mais evidentes.

Além disso, a positividade racional preconiza a dependência mútua entre a ordem e o progresso. Nesse sentido, o desenvolvimento técnico e intelectual, a melhoria civilizatória só são possíveis com a existência da estabilidade, do ordenamento das situações. Comte alega que a subversão, daqueles que colocam-se contrários, prejudica a progressão social. As obras dele ressaltam a contribuição da filosofia teológica à moral, por considerar valiosa a imposição de regras gerais ao comportamento, de forma a regular a existência tanto doméstica, pessoal quanto social. Que os modernos tenham se desligado disso é um ponto de frustração ao Comte, o qual acusa-os de possuir “Um cego ardor de emancipação mental” e “Utopias subversivas”. Outro aspecto de destaque do positivismo é o reforço dado ao predomínio da sociedade sobre o indivíduo. Isto é, a felicidade coletiva e a conduta bem regrada preponderam sobre os prazeres e interesses pessoais.

Críticas são com facilidade tecidas ao positivismo. Primeiramente, pode-se citar a depreciação de lutas sociais de cunho popular, que almejam modificar a sociedade a fim da distribuição mais igualitária de recursos ou de proporcionar a inclusão de setores marginalizados. Como tais embates resultam na alteração da ordem, a teoria de Comte as coloca como subversivas e degradantes, pois tentam superar posições sociais predeterminadas e buscam uma nova dinâmica de sociedade. Ademais, o interesse predominante na obtenção de leis inabaláveis e óbvias apresenta alguns problemas. Nesse aspecto, não há a procura pela razão profunda e contextual de uma situação, mas o contentamento com pontos superficiais, sem um raciocínio mais complexo sobre o que está por trás dos dados da realidade. Também não há o reconhecimento da dinamicidade da vivência humana, de que a convivência não é objetiva e imutável, como é repleta de conflitos e de processos de alteração.

Para melhor relacionar a problematização da filosofia positiva a uma situação concreta e prática, é interessante mencionar a Ditadura Militar brasileira. A própria instalação do Estado militar foi feita com base no repúdio aos movimentos e conquistas sociais da época, como as Reformas de Base, que eram ditos “subversivos”, ameaças à ordem e à honra do país. No Ato Institucional Nº 5, é afirmado que a intenção está “no combate à subversão e às ideologias contrárias às tradições de nosso povo”. Com isso, entende-se que segmentos divergentes do credo militar eram atacados por conter, na visão dominante, a ruína do progresso social e da moral. Outro ponto é o que de fato era compreendido como progresso. O Estado militar tinha a pretensão de levar a ocupação ao território amazônico, no entanto, tal feito proporcionou a devastação de zonas da Amazônia, com intenso prejuízo ambiental. Ademais, os povos originários, à percepção militar, tinham de ser incorporados à civilização “desenvolvida”. Tais concepções, que produziram danos severos ao país, possuíram uma base positivista em algum grau. Seja através da noção de progresso como apenas o europeu e industrial e o desprezo à interferência na ordem. Assim, o positivismo, apesar de ter sido o princípio das Ciências Sociais, contém um largo conjunto de problemas.

Alexandra Valle Goi - Direito Matutino - 1º Semestre

A chegada do Positivismo


 Todo degrau já avançado durante os séculos torna o modo de vida humano cada vez mais independente, apartado da natureza, rompendo as cadeias alimentares desde o momento que passou a mudar todo ambiente em volta de si e não adaptar-se como os demais, durante toda sua existência a espécie humana abalou todo o sistema a sua volta, das primeiras fogueiras aos gigantescos monumentos o acúmulo de conhecimento seria imparável em todas as civilizações.

As navegações e a eventual conquista de todo o redor do globo levariam o ser humano a buscar mais e mais informações sobre todo seu mundo .As forças misteriosas que o cercam,os animais,plantas e sons que inicialmente tiveram explicação religiosa passavam a surgir mesmo que de maneira rudimentar em uma nova visão.

A partir deste ponto , as civilizações ficaram maiores ,a população cresce e desenvolve e então quando entramos no contexto de revolução industrial surge o Positivismo. Por influências anteriores mas principalmente pelas mãos de Auguste Comte ,pai da sociologia e um dos principais autores da doutrina positivista. Já não mais se lutava pela sua sobrevivência e agora o foco se torna o entendimento completo , célula a célula, de cada fenômeno,o Iluminismo numa época semelhante já trouxe a valorização da verdade e importância de um pensamento guiado pela razão, o Positivismo traria agora uma abordagem mais materialista também focada no método científico e em como a ciência seria o único conhecimento real.

Como Comte teoriza em sua " Lei dos três estados" nos primórdios da espécie estávamos num estado Teológico ,onde utilizamos entidades para explicarmos nosso redor, deuses,espíritos ou qualquer outra magia era suficiente para aclarar dúvidas. Com os anos uma simples força divina já não era suficiente para que se entendesse a natureza e logo entramos num estado metafísico prezando pela razão e já cercado de um caráter mais realista, até filosófico, mas apenas quando o estado Positivo toma conta que o método científico brilha e temos como conhecimento exclusivamente o que pode ser comprovado.

A doutrina de Comte presa por um aprendizado sólido e altamente testado,inspirado pela revolução industrial e a crise social sua análise trouxe o método visto nas ciências da natureza para uma análise da sociedade, sua obra aborda também como o método Positivo se sobressai comparado ao Metafísico ou o Teológico.

A sociologia ( como seria chamada mais tarde) nascida em Comte mostrava a que ponto chegou o avanço da humanidade , ela já não mais deve voltar seus estudos apenas para criar mais alimentos ou otimizar suas construções, agora deve-se voltar estudos para otimizar a própria humanidade, suas crises criadas com todo o avanço tecnológico e a natureza humana em si , esse estudo é até hoje fundamental e devemos perpetuar e reafirmar sua importância independente das décadas que passem.


Fernanda Tiemi Razera 

1°ano Direito matutino 

Contribuições e complicações gerados por Comte

    O filósofo francês Auguste Comte foi essencial para as ciências humanas, através da criação da doutrina do Positivismo. Essa doutrina tem, inerente a si mesma, a valorização da ordem e do  progresso natural da sociedade, defendendo que ela evolui linearmente com o passar do tempo, de forma que a natureza se sobrepõe às ações humanas.

    No entanto, o positivismo é controverso. Ele foi sim, extremamente importante para dar início ao estudo da sociedade, marcando o início da sociologia e desenvolvendo um método de estudo das relações humanas, ao utilizar o mesmo método das ciências da natureza (com a razão e experiência). Contudo, apesar dessas contribuições, a doutrina também abre espaço para interpretação de absurdos: considerando que a sociedade evolui linearmente, e que todos os seus processos são naturais, seria então a escravidão natural da sociedade? Acontecendo independentemente das alternativas humanas? Evidentemente que não, mas era o que muitos positivistas defendiam.

    Da mesma forma, mais recentemente, o positivismo influencia o Brasil, e ainda de maneira negativa. Não só no "ordem e progresso", da bandeira nacional, como também na famosa frase do presidente Jair Bolsonaro "Brasil acima de tudo". Em ambos os casos o indivíduo é desconsiderado, valorizando-se apenas o todo (no caso o progresso social e o país, respectivamente), sem levar em conta as especificidades humanas e a origem de cada um.

    Assim, percebe-se que o positivismo tem seus pontos positivos reconhecidos, mas não se pode deixar de lado seus pontos negativos, que tiveram influência, inclusive, no nazismo, no contexto da Alemanha em que se considerava natural a superioridade dos povos germânicos. Revela-se, assim, a "faca de dois gumes" que até mesmo contribuições essenciais para a humanidade, podem vir a se tornar.

    

Fernando Alee Suaiden - 1°ano Direito matutino

Por que a extrema direita cresce no mundo?

 

Escrevo esse texto em 2022, e muito já aconteceu desde a eleição que garantiu à Jair Bolsonaro o cargo de presidente de nosso país e de muitas outras figuras ganharem espaço entre a população, como Donald Trump nos Estados Unidos e Marine Le Pen na França. Atualmente, são inúmeras as denúncias que esses governantes recebem. O leque é bem grande, tem-se denúncia de corrupção, de negligência durante a pandemia de covid-19, de desmatamento ilegal e muito mais. Entretanto, muitos cidadãos ainda os defendem fervorosamente, por quê?

O positivismo possui a resposta. Essa corrente científica filosófica surgiu com a intenção de criar leis que funcionariam no mundo social assim como as leis de Newton funcionam no mundo da física. Assim, o pensador dessa teoria August Conte a criou para controlar grandes mudanças na sociedade. Afinal, ele acreditava que era preciso uma certa “ordem” na sociedade para se alcançar o “progresso”. Ou seja, quando surge algum tipo de mudança da sociedade, a tendencia é reprimir. Agora, a questão é:  O que isso tem a ver com o crescimento da extrema direita? E a resposta é: Tudo.

Nos últimos anos no Brasil e no mundo, tem se observado uma luta por direitos até então renegados. O movimento por respeito e igualdade de pessoas negras cresceu muito, as mulheres cansaram de serem vistas como inferiores, as populações LGBTQIA+ passaram a exigir seu lugar por direito na sociedade e os povos indígenas levantaram de vez a bandeira pela preservação de suas terras. Com tudo isso acontecendo em países que possuem bases históricas racistas, patriarcais, heteronormativas e defensoras do “progresso”, uma parcela da população que era favorecida com a antiga norma social sente-se ameaçada pelo novo.

Nesse ponto, nenhum crime de Bolsonaro, Trump ou Le Pen é levado em consideração. O importante é que eles defendem a família tradicional composta por homens e mulheres, a religião cristã e outros valores antigos. Para muitos defenderem Bolsonaro significa defender uma ordem social que acreditam estar correta. É exatamente dessa maneira que o positivismo age, ele procura sempre proteger o status quo e proibir qualquer tipo de subversão as antigas tradições.

Portanto, quando muitos movimentos sociais surgem, eles criam uma fissura no status quo. E para se defender de uma nova ordem social muitos reagem fortemente. Em suma, apesar de todas as atrocidades vividas até agora, eu tenho esperança, afinal, se estão reagindo é porque o primeiro passo para a mudança já foi realizado.

Heloísa Salviano. 1° ano de direito-noturno.

Positivismo como limitador social

        A corrente filosófica positivista iniciou-se no século XVIII, mesmo período da ascensão de inúmeras revoluções, em destaque a Revolução Industrial. Tal movimento ocasionou um intenso êxodo rural para as cidades, levando ao agrupamentos de famílias - que até então estavam acostumadas a viver no campo, cultivando apenas para subsistência e convivendo somente com os parentes - em um território delimitado pelas indústrias, tendo de trabalhar e conviver em conjunto com suas divergências de crenças, criação e costumes.

Em virtude de tais diversidades, foi-se necessário a criação de uma lógica a fim de manter esta nova sociedade em ordem em prol do convívio social, desse modo August Comte instaurou o Positivismo. Corrente da qual tinha como objetivo organizar toda coletividade através dos princípios científicos, ou seja, usando a razão e o empirismo, com intuito de concretizar a ordem e o progresso do organismo social.   Mantendo esses novos cidadãos e trabalhadores padronizados para as fábricas e para a coabitação, a partir de dogmas e papéis representativos na sociedade. 

Primordialmente, as atribuições surgiram como meio de padronizar situações e pessoas, ocasionando a repetição de determinado comportamento e pensamento até que os mesmos se tornem uma norma a ser seguida socialmente, ao mesmo tempo que condiciona a comunidade excluir os que fogem desse conceito. Como exemplificação dos papéis sociais pode-se citar o ambiente de trabalho (do século XVIII e dos dias contemporâneos), onde há uma divisão e hierarquização explícita e um comportamento esperado do proletariado, que será refletido em seu cargo. Não deixando espaço para indagações e revoluções. 

Em suma, o positivismo surge como um meio de criar uma base para o convívio em sociedade, onde apesar das diferenças de criação, crenças e hábitos; Todos mantenham uma mesma linha de raciocínio e transferência de ideais para seus descendentes, não possibilitando grandes divergências no coletivo e evitando grandes revoltas, suscitando uma sociedade conservadorista, com receio da mudança. 


   oɐ̰ɔɐıɹɔ ɐ ǝ soɐɔ o

  No início, só havia o Caos: na mitologia grega, esse deus primordial representava a origem, a Criação; o princípio fértil e engenhoso da desordem. Essa alegoria do caos enquanto um mecanismo de renovação pode ser facilmente transposta para realidade quando se observa as subversões do ordenamento social provocadas pelas grandes revoluções ao longo da História: da Revolução Francesa à Revolução Russa, a desestruturação e ruína deram lugar a novas concepções e modelos de vivência, partindo do caos como princípio para a criação. Apesar desse conceito de renovação contínua da vida e da sociedade se manifestar das mais diversas formas ao longo dos séculos, essa ideia de quebra da ordem nem sempre é compreendida como natural ou adequada: Auguste Comte, filósofo da teoria positivista, parte do pressuposto de que a Humanidade deve reconhecer suas limitações e se contentar em definir a realidade a partir do empírico e verificável, construindo a partir disso um ordenamento sistemático e útil que deve ser preservado em uma busca pelo progresso

  Nesse sentido, faz-se necessário explorar a insuficiência dessa teoria em sua tentativa de explicação e definição do real. É evidente que tentar equacionar a Humanidade, definindo-a a partir de uma simples relação entre os fenômenos, de forma a encontrar “leis” gerais como nas ciências exatas, mostra-se de uma grande ingenuidade sob uma análise contemporânea. Essa visão limitada de estabelecer que tudo que não é aparente não deve ser levado em conta pode ter sido uma ferramenta funcional nos primórdios do desenvolvimento da sociologia, estabelecendo parâmetros práticos de ciências já consolidadas, mas mostra-se ineficaz na atualidade em compreender uma realidade complexa, de diversas demandas étnicas, sociais e de gênero das diferentes culturas que coexistem.

O problema central da questão explicita-se na permanência do pensamento positivista, ultrapassado em séculos, na gênese da sociedade brasileira. Com uma forte base positivista durante a formação do imaginário republicano nacional, há uma clara confusão entre moral e pragmatismo: o que é de mais simples compreensão a partir do ordenamento social estabelecido, representando apenas uma faceta mais evidente da expressão em sociedade, é considerado como um fundamento moral absoluto, do qual os desviantes são vistos como “subversivos". Essa visão preguiçosa e simplista da existência de uma realidade única reforça preconceitos e violências contra minorias e movimentos sociais diversos, em uma tentativa de reprimir o “desviante”. Assim, os problemas abundam: não se enxerga a instabilidade e insatisfação como uma oportunidade de melhora e renovação, mas sim enquanto um desvio ao que já foi consolidado e, portanto, uma ameaça ao progresso.

  Portanto, se a ordem pode ser castradora e um instrumento de repressão, o que é considerado subversão e caos pode, na verdade, conter uma semente de liberdade e criação. A simples existência de grupos minoritários e de movimentos que os defendem já indica avanços na questão de direitos e, portanto, na construção de uma sociedade mais igualitária. O simbolismo do caos, no fim, representa a renovação necessária e natural às demandas e às vivências humanas.


Isabella Neves- matutino, 1° semestre