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segunda-feira, 19 de julho de 2021

A ignorância de Bolsonaro ao percistir no positivismo.

 A ignorância de Bolsonaro ao persistir no positivismo

O positivismo é uma ideia de Augusto Comte , que se baseia em uma perspectiva cientificista , cujo a qual dá total poder à razão humana . Partindo desse ponto de vista, Comte, tenta estabelecer princípios reguladores da sociedade , utilizando para isso , metodologia científica baseada nos princípios da Ciências da natureza . Esse estudos buscavam entender a sociedade para gerar leis que acarretaria em "evolução" da sociedade.

    As conclusões, de Comte, após seus estudos, é que o progresso ou evolução só poderia ser alcançada por meio da ordem. Com a sociedade aceitando seus status quo , isso e, deixa tudo como está, não questionar , e não opinar sobre o estado da sociedade.

     Essa ideia de ordem gerar progresso parece até plausível quando olhada de maneira superficial , mas quando analisada de maneira mais crítica , ela se mostra completamente mentirosa. E para provar isso posso apresentar exemplos histórico e econômico . Um exemplo histórico e o rosa Parks , que ao desobedecer uma ordem,recusando se a ceder o seu lugar a uma pessoa branca, casou um movimento que levou ao fim de várias leis racista no Estado Unidos . um exemplo econômico e a China , que após adotar uma economia desregulada e descentralizada deixou de ser um país pobre e se tornou a segunda maior economia do mundo.

 Apesar da história e da economia mostrarem que ,Augusto Comte , estava errando ,o presidente Jair Bolsonaro ,continua defendendo a ideia de que ordem gerar progresso , isso se torna evidente em suas falas e discurso , sempre falando em defender a ordem . Mas não só em suas falas , também em suas atitudes , buscando preservar tudo ,até o que não é bom. Como estatais que só dão prejuízo , caso da ebc . 

Nome: Gabriel Henrique Zorneta


Um poema anti-positivista

 

Ordem, Rigor e Empenho, 
O progresso tá por aí
Para melhorar-se o desempenho
É só seguir o... paraí...

 

Na busca da perfeição 

Vem Comte fazendo história 

Ao lado da burguesia 

Favorecendo a sua vitória 

 

Seria possível, uma matriz neutra 

Sem preconceitos e suposições 

E avaliar a sociedade 

Isolando ações de opiniões 

 

Para analisar um fato  

É preciso rigor e concretude, 

Se atentar às variadas nuances 

Não é exagero, e sim, virtude 

 

Sendo assim, 

 

É expressamente PROIBIDO 

Que busquemos a ruptura social 

Pois, para manter a ordem 

A manutenção da desigualdade é essencial! 

E sem o materialismo 

O que nos resta é idealismo 

E um mundo irracional.

 

De acordo com Augusto Comte, o positivismo tinha como objetivo explicar os fenômenos naturais e humanos, acreditando que era possível desenvolver uma ciência que poderia estudar o comportamento humano coletivo seguindo os métodos das ciências naturais. Para entender o comportamento humano Comte desenvolveu a Lei dos três estados: a primeira, teológica, o Homem explicava fenômenos atribuindo-os a forças ou seres; a segunda, metafísica, em que os acontecimento eram explicados a partir de entidades abstratas e o terceiro, a fase positiva, os seres humanos observa os fenômenos sociais e deixa de lado suas causas para que entender as leis que os governam. A função da física social, fundada pelo positivismo, tinha como propósito entender as condições e imutáveis da sociedade (ordem) e as leis que regiam o desenvolvimento (progresso). A partir desse pensamento que foi criado o lema da bandeira nacional do Brasil “Ordem e Progresso e ,além disso, o positivismo brasileiro teve forte presença no movimento republicano e no desenvolvimento da Constituição de 1891. E esse ideal positivista que contêm ideias republicanas, que tinha como função promover respeito aos seres humanos, salários dignos e melhorar o país intelectualmente e moralmente, objetivo que não foi alcançado no Brasil.

Todavia, o positivismo de Comte tomou outro rumo ao ser assimilada ao evolucionismo social, isto é, é confundida com a teoria darwinista da origem das espécies, teoria que sugere a prevalência da das espécies mais fortes, ou seja, foi entendido que apenas “sobreviveriam” as sociedades mais “fortes” e as “bem adaptadas”. Como por exemplo o nazismo, que colocava a raça “ariana” acima das demais por serem supostamente a “mais pura” entre todos os seres. Diferente da verdadeira proposta de Comte. Ademais, o francês não negava que as diferenças eram sociais causadas por fatores geográficos, raciais e culturais, porém, acreditava que a sociedade industrial, que seria seguida por espontânea vontade por outras sociedades, unificaria o espírito do Homem, visando a adoração da humanidade. Dessa forma, concluo que deve-se ter uma interpretação mais apurada do positivismo comtiano, que visa buscar respostas científicas para entender e solucionar um problema, e não confundi-lo com atos bárbaros feitos pela humanidade.

O Peso Negativo do Positivismo

 

O espírito revolucionário é único e não é para todos. Ele se baseia em uma série de fatores momentâneos e particulares de certa realidade, que por muitas vezes tomam proporções maiores, ultrapassando o local inicial. Não foi diferente com a corrente Positivista de Auguste Comte, filósofo Francês ligado ao contexto revolucionário do país, com sua ciência da sociedade.

No contexto em que Comte criou sua ciência, sua teoria social positiva, para o estudo social na época, a sua teoria apesar de complexa, era revolucionária uma vez que se baseava na busca pelo desenvolvimento dos processos, como eles se davam e suas leis, e não buscar a origem ou destino de algo. Era revolucionário e uma forma nova de observar o universo em uma óptica positiva, mas para aquele momento e aquela realidade.

Entretanto, quando trazemos a realidade positiva para a nossa sociedade brasileira atual, que temos um grande impasse. A ideia de felicidade de Comte, que retrata o bem social geral, excluindo o individual torna-se um grande problema na sociedade individualista brasileira, cheia de desigualdades, onde um recebe doações de ossos para sobreviver e outro come caviar, onde um morre de frio nas ruas e outro se aquece na sua casa de campo. Não há como existir uma felicidade geral, uma ordem, um progresso, numa sociedade completamente instável, desigual, injusta.

Portanto, aos defensores de tal ideal positivo, guardem as memórias dessa filosofia num contexto revolucionário em que Comte criou esse ideal. Na sociedade em que vivemos, é completamente ultrapassado impor ou acreditar que perante total desigualdade, uma moral universal irá guiar o país para uma ordem e um progresso. A harmonia social é quase impossível para desfrutarmos de uma sociedade repleta de felicidade, uma vez que uma parte da sociedade nunca irá pensar no coletivo, e sim apenas no individual.

Thales Berrocal Garcia 

Turma XXXVIII - Noturno

Física social: pela arte da impassibilidade e o princípio da obediência

 “Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, / Casualmente, uma vez, de um perfumado / Contador sobre o mármore luzidio, / Entre um leque e o começo de um bordado”. Escrito pelo poeta Alberto de Oliveira, o trecho do poema “Vaso Chinês” carrega a essência da escola literária que ditava as tendências dos séculos XIX e XX: o Parnasianismo. Esse movimento apareceu pela primeira vez na França em oposição às grandes transformações da época, fundamentando-se no princípio da “arte pela arte”, o qual exigia do poeta uma abordagem impessoal, antirromântica, de objetividade temática e perfeição estética. Nesse sentido, o parnasianismo foi responsável por refletir na arte as teorias científicas e filosóficas que caracterizaram o final do século XIX e início do XX, com destaque para as teorias de Augusto Comte, autor do Positivismo.

Em sua obra “Discurso sobre o Espírito Positivo”, o filósofo francês discorre sobre a necessidade de uma ciência para o conhecimento sistematizado do mundo social, a qual teria o estado positivo como último estágio para o entendimento da sociedade. Segundo o autor, essa doutrina sociológica baseava-se na Teoria dos Três Estados, logo, os seres humanos passariam pelo estágio teológico dos mitos e da crença no sobrenatural, pelo estágio metafísico da dúvida e das máximas negativas e atingiriam o amadurecimento no último estágio, o estado positivo de progresso e ordem. Para isso, a Sociologia deveria respaldar-se nas ciências da natureza, sobretudo na Biologia e na Física. Portanto, o sociólogo deveria fazer um trabalho análogo na sociedade: descobrir e decodificar as leis sociais, ser um cientista observador e apoiar-se no conteúdo de sua análise. Desse modo, assim como na temática parnasiana, o pesquisador deveria adotar uma postura passiva diante dos fatos, recusando investigar a origem e o destino final dos acontecimentos, uma vez que a busca pela transformação social resultaria em um “revolucionarismo” insustentável.

Além disso, o resgate da moral é indispensável para a construção de uma sociedade harmônica segundo Comte. Não a moral egoísta do pensamento religioso, mas sim uma moral que valoriza a coletividade em detrimento do indivíduo e exige dos homens o cumprimento de normas de conduta que garantam a ordem. À luz dessa teoria se deu o nascimento da república brasileira, o que, apesar de remoto, produz reflexos da aplicação da filosofia positivista ainda na contemporaneidade brasileira.

Caracterizadas por uma gestão compartilhada entre a Secretaria de Educação e a de Segurança Pública, as escolas cívico-militares são a mais clara expressão da doutrina positivista no Brasil. Com a administração pedagógica sob responsabilidade de pedagogos e a gestão de conduta sob os militares e profissionais de segurança, essa modalidade de ensino preza pela moral e pela ordem e, por conseguinte, geram no imaginário popular a ideia de um ambiente seguro e disciplinado. Entretanto, o que se observa nesse ambiente é a banalização das normas de conduta e do que seria “indispensável” para o bom funcionamento da sociedade, uma vez que são exigidas posturas inadequadas e até mesmo desnecessárias. Dessa maneira, está presente a valorização de um comportamento passivo diante das exigências – em conformidade com a teoria positivista de observação dos fatos –, o que corrobora para a ausência de um pensamento crítico dos indivíduos, um cumprimento de normas irrefletido – seguir regras pelo simples fato de segui-las – e, principalmente, a aceitação de punições severas e inaceitáveis com a justificativa de manutenção da disciplina.

Em suma, o enaltecimento do positivismo vai muito além do pretexto de garantia do equilíbrio social, pois, mesmo que de forma velada e desconhecida pela opinião popular, essa doutrina é responsável por disseminar a submissão e a conformação coletiva diante dos problemas da sociedade, das posições sociais e da reinvindicação de direitos. A busca pelo bem-estar comum não deve pautar-se em uma moral que oprime debates e isenta práticas violentas, mas sim na insatisfação e no questionamento das condições sociais, em um posicionamento ativo e distante da mera observação dos parnasianos e positivistas.

Giovanna Cardozo Silva - Turma XXXVIII - matutino

Um futuro não tão brilhante

 

Um Brasil que assassina, que tortura, que aterroriza.

O país que mais mata mulheres transexuais. Em que tantas pessoas negras morrem por dia, que paramos de prestar atenção em seus nomes.

“Ordem e progresso” diz a bandeira. Uma ordem de opressão e um progresso apenas para alguns.

Que pais é esse que diz “cumpra seu papel social prescrito, nem que ele seja sofrer”?

“Trabalhe cada vez mais, não questione. Você tem um dever, seus direitos não importam”

Crueldade sendo idolatrada, relatos de torturadores servindo como livro de cabeceira.

O que são pretos, indígenas, lgbtq+ e mulheres, se não carne barata e dispensável?

E em sua própria concepção, o positivismo incorporado na cultura brasileira estipula que ao renunciar descobrir a origem de uma questão, também não sabemos seu destino final.

Sem visão de futuro, sem previsão para acabar.

E a questão que persiste é: que tipo de futuro tem um país construído nessa mentalidade?


Vitoria Talarico de Aguiar, direito matutino.

 

Limite entre justiça e liberdade: O Prometeu contemporâneo




Por acaso pedi a Ti, ó Criador, que do barro
Me moldasses Homem, por acaso solicitei a Ti
Que da escuridão me resgatasses?
(Paraíso Perdido - John Milton)

...

Em análise ao Positivismo, corrente filosófica inaugurada na França do século XIX por Augusto Comte, pode se afirmar que há um interesse de poucos em sistematizar os muitos marginalizados para fins de contenção de qualquer “desvio” humano daquilo que propuseram como progresso; portanto a necessidade da ordem, imposta a força se necessário. 

Precisamos aqui nos debruçar sobre algumas questões essenciais, dentre elas que: a concepção daquele que é ou não humano sofre suas variações para a lógica do dominador, dominador este, que terá o controle da história que será contada. Portanto, para crítica ao positivismo, há de se adotar a luta de opostos como uma constante no percurso filosófico, o que significa dizer que não importa a ótica adotada, sempre existirá uma oposição entre dois pólos principais, que utilizam do que podem para a própria sobrevivência; deste modo, assim como o positivismo serviu, e continua servindo, às classes dominantes para sua manutenção, Prometeu deu à humanidade “o fogo”:  a revolta que pode levar à liberdade.

Para tal liberdade a humanidade, que aqui trago representando os que sofrem as imposições, perpassa por limites entre a liberdade absoluta e justiça absoluta: inevitavelmente sob a lógica positivista, a justiça como foi estabelecida entra em oposição ao caminho necessário para a liberdade da maioria subjugada, ou seja, o único caminho para a liberdade humana é que se revolte contra as classes dominantes, que convenientemente atribuem como justo tudo o que não foge da própria concepção de ordem - uma sociedade estática em cultura e construção histórica própria, uma sociedade piramidal onde a base não pode se movimentar independente do motivo. 

Portanto, Prometeu que figurativamente é um ser exterior aos conflitos meramente humanos, ao nos dar liberdade de conhecimento, tornou-nos um pouco deuses. Seja para impor-nos uns aos outros ou tomar o poder para reverter as estruturas, talvez estejamos regenerando eternamente o fígado comido e nós mesmos comendo o próprio fígado.

Stephani E. C. Luz

Positivismo

 O positivismo de Augusto Comte em um primeiro momento se apresenta como uma ideia racional, que prega o progresso humano e o aperfeiçoamento individual. Entretanto, a concepção de que a humanidade segue um rumo linear e único pode levar ao erro de se pensar que todos os eventos humanos até hoje seguem uma ordem “natural”, sem nenhum “culpado”, ou sem interferência direta de preconceitos e marginalizações.  

A ideia de que cada indivíduo, independentemente de sua história, desempenha o papel que lhe cabe na sociedade é simplista e ignora partes importantes da história, que foram responsáveis pela discriminação de povos e raças. Para o positivismo, não se faz necessário o estudo da causa do problema, mas sim como ele contribui para a manutenção da ordem da sociedade e o seu progresso, muito apoiado na ideia evolucionista da época. Desta forma, a pesquisa e o entendimento preconceitos, como o racismo, machismo e a homofobia não ganhariam destaque nessa corrente, uma vez que, seria algo natural e parte do progresso humano. Proposta de Comte: não buscar a essência das coisas, mas apenas a vinculação entre os fenômenos. “Não penetrar no mistério de sua produção”. 

Mas, se nós como sociedade, não estudarmos as causas de nossas questões atuais e seus impactos na vida dos indivíduos, o que nós estudaremos? Se ignorarmos séculos de escravidão e de opressão e apenas focarmos no que se apresenta atualmente como racismo, esse estudo não será raso e de certa forma até mesmo utópico? A necessidade de assegurar que o oprimido se comporte como tal e que reconheça seu “lugar na sociedade” constitui a base da filosofia positivista.  

A transgressão e a revoltada são vistas como a perturbação da ordem. É necessário, para as classes que se aproveitam da organização vigente, que os excluídos se conformem, “sempre foi assim”, que abaixem a cabeça. E é dessa necessidade de se manter o “status quo” que vem o medo das elites no diante do conhecimento. O reconhecimento de uma ordem opressora é o primeiro passo para a subversão, quando não se conhece a sua história e passado, se é mais facilmente manipulado e enganado.  

Em suma, a corrente positivista se apresentou como uma filosofia que apenas busca manter as coisas como estão, sem mudanças drásticas. Entretanto, para pessoas que sofrem diariamente com a conjuntura social, não será tão fácil comprar a ideia de naturalidade vendida pelos positivistas. Não será tão simples crer que todo o sentimento de exclusão e não pertencimento é “normal”.  

Jade Cocatto - noturno - TURMA 38

A nocividade do positivismo

 


Durante o século XIX, o pensador francês Auguste Comte desenvolveu o método positivista, que se caracterizava como uma corrente filosófica de pensamento. Essa linha de raciocínio utilizava a ciência como base e seu lema era “ordem e progresso”, na qual defendia o desenvolvimento linear de uma sociedade. Porém, essa ideologia resultou em diversos problemas na sociedade, como o etnocentrismo, a discriminação com povos vistos como diferentes e as disparidades de classe. 

Durante a segunda guerra mundial, o líder do fascismo alemão, Hitler, utilizou como subterfúgio a “supremacia ariana” para executar povos judeus e grupos minoritários, resultando na morte de milhões de pessoas. Desse modo, mostra-se o perigo da adoção de ideologias que colocam indivíduos como sendo superiores ou mais evoluídos.

Ademais, o progresso almejado pelo positivismo acaba resultando na intensificação do etnocentrismo, pois interpreta-se que as sociedades ditas mais evoluídas são um modelo a ser alcançado. Essa interpretação, em conjunto com o  darwinismo social, resultou no neocolonialismo no final do século IX, pois colocava os povos africanos como inferiores. Com essa justificativa, países europeus exploraram a riqueza e a população dos países.

Além disso, é importante ressaltar que Comte defendia que a harmonia entre os grupos sociais é benéfica e indispensável para a humanidade. Esse conceito faz com que se aumente a exploração do trabalhador, sendo que este, de acordo com o positivismo, não deve contestar essa disparidade de mais valia.

Assim, apesar do positivismo ter instigado diversas evoluções nas ciências humanas, deve-se considerar a problematização da sua adoção, visto que cada sociedade evolui de uma forma, não sendo uma superior a outra. Ademais, sua evolução não ocorre de maneira linear como Comte ensaia, mas sim cada sociedade evolui de seu modo, de acordo com seus anseios, percepções e realidade histórico-cultural.


Bruno Occaso Belizario Vieira -1° semestre direito matutino


O positivismo e a raiz do problema


O positivismo, criado por Augusto Comte, é criado em meio a um contexto histórico de ascensão da burguesia, após a revolução francesa e a revolução industrial, e de organização da classe operária que havia se formado também em decorrência da recente revolução industrial e da exploração burguesa. Em meio a esse agitado cenário e o desenvolvimento acelerado das ciências naturais, Comte, tenta sistematizar o conhecimento social, da mesma forma das outras ciências e assim surge o positivismo. A filosofia positiva é pautada na estática e na dinâmica, sendo a primeira a ordem e a segunda o progresso. Ao ver essas palavras presentes na bandeira brasileira, já fica evidente o fato de o Brasil ser um país com uma forte influência positivista, podendo ser notado desde a constituição até as escolas cívico-militares. O positivismo não busca a essência das coisas, mas somente busca o fenômeno imediato, e essa visão superficial que é feita pelo positivismo que será o ponto chave abordado nesse texto. 

Como já mencionado anteriormente, o positivismo ainda influencia fortemente o Estado brasileiro e isso acaba sendo bastante problemático, pois as instituições seguem essa linha de pensamento e não resolvem realmente problemas, justamente por não procurar a raiz deles. Temos como principal exemplo a “guerra contra as drogas”, que eu coloco propositalmente entre aspas, pois devido a influência positiva nas instituições de combate à criminalidade, ela não passa de um massacre de jovens negros e pobres nas favelas. Essa “guerra contras as drogas” sem procurar a essência do fenômeno já se provou falha, visto que essa política de extermínio da população já vem sendo implementada há várias décadas com milhões de reais gastos, e o problema do tráfico não diminui. O positivismo enraizado, faz com que as autoridades responsáveis não se perguntem e não investiguem como um armamento de nível militar foi parar em uma favela no Rio de Janeiro na mão de um jovem de 14 anos, para eles a solução deve ser eliminar o fenômeno imediato, e não buscar a essência real e causadora do fato social patológico, tudo isso para manter uma falsa sensação de ordem. Assim eu encerro essa reflexão com a seguinte pergunta: é realmente possível manter a ordem e atingir o progresso da sociedade sem cortar o mal pela raiz?


Guilherme Kazuo Rocha Ychibassi - Primeiro semestre- Direito/diurno

Por que somos tão complexos?

 

É fato que o Brasil é palco de leis absurdas, visto que muitas delas garantem privilégios e regalias exorbitantes a parlamentares que priorizam o âmbito privado individualista em detrimento do âmbito público, coletivo e social. Nesse sentido, ao analisar-se o bordão positivista “Ordem e Progresso” estampado na bandeira nacional, tido como uma premissa de que esses termos, compreendidos em seu sentido mais amplo, revelam a existência de leis que organizam a vida dos cidadãos brasileiros, sob a forma de respeito e disciplina geral, fica evidente que essa frase não é nada mais que uma falácia, visto que nem os próprios cidadãos são respeitados pelo governo, que se diz disciplinado mas que, em verdade, é um antro de hipocrisia.

O positivismo, enquanto ideologia social, falha, logo de início, ao propor-se como estágio mais elevado de conhecimento, posicionando-se como superior aos estágios teológico e metafísico, demonstrando grande prepotência, uma vez que a compreensão e disposição da sociedade pode ser sempre aprimorada. Ademais, a sociedade, enquanto conjunto de populações e culturas, é demasiadamente complexa e dinâmica para ser compreendida sob um viés fixo, imutável. Nesse sentido, fica evidente que o objetivo positivista de vislumbramento das leis gerais da sociedade expõe um intuito pouco fundamentado, posto que a sociedade deve ser entendida como um sistema dinâmico, complexo e repleto de variáveis.

O positivismo sobrevive fragilmente na realidade contemporânea, visto que as abordagens desse movimento são consideradas ultrapassadas na atualidade. Além disso, a intenção de compreender a sociedade tal qual se compreende uma ciência exata tende a ser temerária, visto que não há padrão único de funcionamento do humano em seu meio. Assim, não há uma física social, torna-se inverossímil propor uma solução única para todas as incógnitas que compõem a existência humana e sua junção enquanto sociedade.

Ademais, ideias do positivismo como a primazia da sociedade sobre o indivíduo contribuem para certificar o padecimento dessa ideologia. Não se trata da primeira sobrepor-se em relação ao segundo, mas sim de se compreender ambos como fundamentais para tudo que compõe o âmbito social. Nesse sentido, deve-se priorizar tanto o indivíduo como a sociedade no intuito de aprimorar tudo que contribui para a humanidade, seja em seu sentido específico, seja em seu sentido amplo.

Logo, o positivismo sobrevive na contemporaneidade, no sentido mais nítido da palavra, e não mais vive seu auge como no século XIX. O positivismo deixa, na atualidade, resquícios que evidentemente já não se comportam na compreensão do mundo Pós-moderno. Faz-se necessário evoluir, romper com a visão estática de mundo, questionar a disposição do Estado: O que se entende por ordem? O que se entende por progresso? Por que não questionar, como os metafísicos, as essências das coisas? Se existe um amadurecimento das formas de entendimento e explicação do mundo, talvez ele comece com a abdicação de respostas fáceis a problemas complexos. A sociedade não é exata.

LUCAS GABRIEL DINIZ DE PAULA BARCELOS

DIREITO - 1° PERÍODO – NOTURNO – TURMA XXXVIII

Jéssica!

"Ordem e Progresso" é o que está escrito na bandeira brasileira. Essas duas palavras fazem parte do pensamento positivista, criado no século XIX por Augusto Comte e que inspirou a instauração da República no Brasil. A máxima positivista em si é maior: "O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim". Mas o amor ficou de fora. No positivismo, há uma valorização da ciência e a sociedade para Comte, inclusive, deve ser analisada com o rigor do método científico, em uma busca pelas leis e regras universais que a regem. Nesse sistema filosófico, há a ideia de harmonia social, em que não se fala dos indivíduos e de suas subjetividades, mas sim do coletivo. É preciso que as pessoas aceitem seus papéis sociais para que assim, a ordem, a paz e a coletividade sejam mantidas. E com a ordem mantida, o progresso é obtido. Para os positivistas, o progresso é constante e para ele caminha a humanidade.

No que se refere à manutenção da ordem, é curioso pensar que desde o início da República brasileira, em 1889, a ordem é mantida para o benefício de alguns, geralmente aqueles que detém o podem e cuja ruptura do “status quo” significaria a perda dos privilégios que possuem. A própria República, por exemplo, foi feita para quem? Como escreve o político da época, no Diário Popular do Rio de Janeiro, Aristides Lobo (1838 – 1896): “[...] Por hora, a cor do Governo é puramente militar, e deverá ser assim. O fato foi deles, deles só, porque a colaboração do elemento civil foi quase nula. O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que significava”. Então, basicamente, uma República (e consequentemente uma ordem) de que, para quê e para quem?

Contudo, as relações sociais desiguais não são exclusividade do século XIX. No Brasil do século XXI, é no filme “Que horas ela volta” que um retrato preciso da realidade pode ser encontrado. No bairro do Morumbi [um bairro de contrastes, diga-se de passagem: se por um lado é lar de elites, por outro, abriga a segunda maior favela de São Paulo] na cidade de São Paulo, vive uma família: Dona Bárbara, Doutor Carlos e Fabinho, que tem como empregada Val, pernambucana que trabalha e mora na casa dos patrões há muitos anos, tendo inclusive, criado Fabinho. Até certo momento, tudo estava “normal”, até Val receber uma ligação de sua filha Jéssica, que ficara no Nordeste e agora viria para São Paulo prestar vestibular, querendo fazer arquitetura na Universidade de São Paulo (USP). É com a chegada de Jéssica que aquela ordem começa a mudar. Agora os conflitos, as opressões, as divisões [“ficar pro lado de lá da casa”, o quartinho de Val, a piscina, entre outras] são mais evidentes e a ordem estabelecida é impactada. A presença de Jéssica é um afrontamento, incomoda. Como pode, ela, querer fazer vestibular? Certamente, Jéssica e Val devem manter suas realidades para que a família de Dona Bárbara progrida. Mas tudo bem, dias melhores virão. Jéssica passou no vestibular.


Laura Ruas, direito matutino


O Frio positivismo de Comte

 

Como é possível observar na bandeira nacional, os ideais positivistas influenciaram o início da república brasileira e ainda podem ser identificados nos costumes e na moral de parcela da população. Com o ideal de ordem e progresso, a filosofia de Auguste Comte abarcava a epistemologia, a sociologia, a política e o cientificismo.

No Positivismo de Comte estava presente o primado da ciência objetiva, que enxergava o indivíduo separado do objeto que ela estuda, o abandono das causas últimas, antes valorizado por Aristóteles, por exemplo, e a busca das leis que regem os fenômenos, mais calcadas no empirismo e nas ciências naturais. Ademais, o iluminismo, o otimismo e o evolucionismo também influenciaram fortemente o pensamento positivo. 

Comte propôs com a filosofia positiva um método científico baseado desde a matemática, mais geral, até a sociologia, a mais complexa. O filósofo entendia esta última em duas partes: a sociologia estática, que analisava como as sociedades se mantinham coesas e as condições de existência delas, e a sociologia dinâmica que analisava as mudanças e como ocorriam os progressos e evoluções nas sociedades.

Ademais, por meio da sociologia dinâmica é que Comte chega à chamada “lei dos três estágios” que versava sobre as maneiras de se explicar um fenômeno. No primeiro estágio, o sobrenatural ou fictício, procura-se se explicar os fenômenos com o auxílio de teorias de seres sobre-humanos. No segundo estágio, o metafísico, procura-se explicar as coisas através de ideias abstratas, como por exemplo a teoria aristotélica dos quatro elementos. No terceiro estágio, o positivo, o mais elevado os três, os fenômenos se explicam por meio de leis invariáveis e método científico.

Em suma, os ideais do positivismo, apesar de influenciarem nas primeiras fases da república no Brasil, hodiernamente se encontram enfraquecidos. A necessidade do mundo contemporâneo de enxergar os problemas sociais como um todo fez com que um modo mais humanizado de se pensar fosse adotado, afastando a frieza positivista.

O Lema da Bandeira em 10 Versos

 

Ordem e progresso”, eles disseram.

E o povo foi chutado para o morro.

E as balas voaram soltas na favela.

E o Pantanal ardeu em chamas.

E a Amazônia. E o Cerrado.

E queimaram o indígena.

E queimaram a travesti.

E queimaram o menino preto que passava por ali.

E não sobrou quase ninguém

Pra desfrutar do tal progresso.



Johann de Oliveira Plath - Matutino


Deficiências de um pensamento filosófico

   Existe uma relação entre poder e sociedade que é intrínseca ao próprio convívio coletivo. Muitos pensadores já discorreram sobre essa relação e demonstraram como o anseio por poder é combustível para a violência e domínio do homem sobre o homem. A escola positivista protagonizada por Augusto Comte propõe uma solução baseada no estudo científico e corroborada pelo método, que indica, como soluções para os problemas sociais, medidas como o domínio dos estudados e a soberania do conhecimento técnico. O que Comte não leva em consideração é que o desenvolvimento da sociedade orgânica não é apenas avanço tecnológico. A falta de orientação para o respeito e liberdade são os fatores chaves do fracasso positivista e da ideia de progresso.
    Seria impossível propor uma filosofia progressista em qualquer sociedade com deficiências sociais. Um tanto redundante, certo? Isso significa, que a ideia de progresso positivista não leva em consideração a sociedade como um todo, ela ausenta do coletivo todos os indivíduos que não se encaixam perfeitamente aos moldes propostos pela dominância. Por exemplo, são excluídos da ideia de progresso os marginalizados e a população em situação de rua. Esses indivíduos não são levados em consideração para o positivismo, eles são vistos como incapazes de produzir conhecimentos científicos e, por consequência, inúteis ao progresso.
    Além de não considerar todos os integrantes da sociedade, o positivismo propõe como solução para a dignidade, o trabalho. Ainda que o trabalho seja a melhor forma de construir uma condição de vida e orientar uma estabilidade, é muito evidente que as condições para isso, não podem, em hipótese alguma, ser irregulares ou inexistentes, caso contrário, a sua função de garantir dignidade será facilmente substituída pelo domínio dos mais fortes. Imaginemos um cenário, no qual um trabalhador braçal é contratado por uma empresa para produzir tapetes. Sua mão de obra será capitalizada e o trabalhador será usurpado. Já se as condições de produção forem facilitadas, o trabalhador poderá transformar a sua mão de obra em capital para benefício do próprio negócio.
     Então, se pensarmos sobre os defeitos do positivismos, poderemos concluir que o seu maior problema está na desconsideração da sociedade como um todo. Há um forte determinismo sobre os benefícios do saber científico, porém, muito pouco é debatido sobre o alcance das ideias de progresso propostas pela filosofia citada e sobre a forma como a sociedade como um todo é beneficiada ou não por ela.
Álvaro Galhanone - 1˚ ano direito noturno

domingo, 18 de julho de 2021



Isabelle Carrijo Mouammar - Diurno