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sábado, 17 de julho de 2021

Imagine o que seria do Brasil...

Imagine, que lindo seria, se o lema da nossa bandeira fosse positivista.

A partir do ideal que Comte ensinou, 

mesmo se faltasse incluir o amor.


Deus e família seriam a base, 

de uma sociedade perfeita e sem desigualdade.


Porque pensa só, pra que diversidade? 

se somos todos parte da mesma unidade.


Como o Comte previu, só você não viu, 

imagine, o que seria do Brasil?!


A pobreza teria fim de imediato, 

pois basta o trabalhador se sentir realizado.


Um país perfeito, desde de sua fundação, 

e não esse atual que pobre tem ambição.


Estudar pra quê? seu lugar é esse aí, 

daqui a pouco a Disney empregada vai ir.


Imagine também, em plena pandemia, 

sacrificar sua vida só pra salvar a economia.


Porque quem se importa de fato,

com o destino da Dona Maria ou do Seu João.


E nesse sentindo, seu papel social estaria completo, 

pois a ordem natural resulta em progresso.


Seria o fim da luta dos homens então, 

se a moral e os costumes regessem à nação.

 

O egoísmo por princípio, 

a meritocracia por base e a desigualdade por fim.


A República está feita, proclamou o Marechal, 

mesmo se faltou combinar com geral.


Esse é o Brasil, não precisa imaginar, 

pois o cientificismo de Comte encontrou seu lugar.


Claudio Marinheiro

Turma XXXVIII

Noturno

Elite brasileira: a defensora da moral e dos bons costumes.

 Maria da Silva, 47 anos, trabalha na casa de uma família como empregada doméstica desde seus 17 anos. Todos os dias de segunda a sábado trabalha das 8h até as 18h, isso quando ela não é chamada para fazer uma almoço de domingo para a família, família essa que sempre afirma que Maria é como se fosse da família, mas "como se fosse não é,ser". Maria foi quem criou os 3 filhos da família e para isso teve que abrir mão de criar os seus próprios filhos, Maria é que cuida da casa da família e para isso abriu mão de cuidar da sua própria casa, que diferente da casa em que trabalha no bairro dos Jardins, fica na periferia de São Paulo sem acesso a direitos básicos,como rede esgosto.

Os 2 filhos de Maria, diferente dos filhos da família, sempre estudaram em escola pública e fizeram cursinho popular para conseguirem ser aceitos na USP e na UNESP, universidades de grande renome no país e no mundo. Com a aprovação dos filhos nessas universidades, Maria sentiu a diferença do tratamento da família para com ela, para eles apenas os seus filhos poderiam ter acesso a essas univerdades.
A vida de Maria é de muita luta, no entanto, apesar de tudo isso durante os seus 30 anos de trabalho na casa da família conseguiu juntar dinheiro e levar a família para a Disney, ela e os 2 filhos viveram momentos mágicos,mas, dias depois de sua volta foi demitida porque a família não aceitava que sua empregada doméstica frequentasse os mesmos locais que eles.
"Empregada doméstica ia para Disney", a frase foi dita como se fosse um absurdo uma mulher que trabalhou anos de sua vida conseguir levar a sua família para fazer uma viagem. A elite brasileira, não está preparada para ver os empregados em pé de igualdade, eles se chocam ao menor sinal de que essa igualdade está começando a ocorrer.
Essa elite defende "a moral e os bons costumes" , baseadoa em ideais positivistas de ordem e progresso que estão estampados na bandeira do país. Essa moral e esses bons costumes, são apenas para eles. No pensamento deles, Maria é menos humana e menos sujeita de direitos do que eles, ela deve abrir mão de seus filhos e deu sua casa para cuidar dos deles. Ela tem que trabalhar 10 horas por dia de segunda a sábado e as vezes aos domingos, mas não pode reclamar ou disfrutar de momentos de lazer com sua família.
A moral e os bons costumes são defendidos pela elite,porque é através deles que ela oprime os trabalhadores e fazem com que eles pensem que são menos sujeitos de direitos do que eles.
Quantas Maria da Silva você conhece?
Tem que ter filho da empregada na faculdade pública,tem que ter empregada indo pra Disney, tem que ter empregada com carro e com casa própria. Assim, a elite será desbancada e então a ordem e o progesso passaram a existir de fato, deixando de ser apenas uma frase na bandeira do país.

Ellen Luiza de Souza Barbosa
Turma XXXVIII
Noturno

MERITOCRACIA E PROGRESSO

        A meritocracia é um modelo na qual se privilegia aqueles que se sobressaem em meio a todos, seja intelectualmente ou mesmo economicamente, tem a premissa de que todos possam prosperar basta o esforço individual, vinculando o sucesso unicamente ao esforço, e independe da situação financeira ou das oportunidades, restringindo apenas ao indivíduo.  Vincula as suas “conquistas” há um falso merecimento, como por exemplo, um aluno que conquista uma vaga em uma determinada universidade, essa conquista será tratada como merecimento pelos seus esforços enquanto estudante.

        A grande questão da meritocracia é que ela faz uma análise superficial, positivista, leva em consideração somente o fato consumado da “conquista” de determinado objeto ou cargo, como o exemplo dado anteriormente, não busca entender os acontecimentos sucessivos que levaram a tal fato, como as condições desse aluno, que pode ter tido uma qualidade de ensino melhor que de outro aluno, e por isso teve maiores chances no vestibular, ou mesmo de qual região esse indivíduo pertence. Portanto, coloca de maneira indevida todos em um mesmo ponto de partida, sendo que vários privilégios colocam os indivíduos em posições diferentes, uns mais a frente e outros trás, de modo desigual.

        A meritocracia apoia-se do método positivista como um modelo, fazendo uma análise meramente vaga dos fatos, ou melhor do fato observável, tido como válido apenas a realidade, excluindo todas as análises mais profundas que possam levar a conclusões diferentes. De certo modo, é um sistema que naturaliza as injustiças sociais, já que não leva em consideração uma investigação mais profunda da conjuntura, e, portanto, não busca a profundidade que reverbera a dinâmica social, assim sendo, o indivíduo aceita o seu “lugar social” e seu papel assim definido. Nesse sentido, toda a busca pela superação desse modelo é tida como a desordem e contraria ao caminho, dessa sociedade, do progresso.

        No Brasil, como em todos os países capitalistas, tem a meritocracia no cerne da sociedade civil, aliás é extremamente comum escutarmos que uma pessoa é esforçada, muito dedicada e por isso conseguiu um feito extraordinário, dito para poucos. Não passa de um mecanismo adotado para que essas “ambições exorbitantes”, como uma graduação em uma universidade pública, sejam vistas como algo difícil de ser alcançado e só com muita dedicação é possível alcançá-la, renunciando o papel do Estado nessas questões, que a priori deveriam ser tratadas pelo próprio Estado, ou seja, querem que haja uma harmonia social, e que não ameacem a ordem, quer dizer, querem a manutenção das desigualdades sociais. Ironicamente essa é a tal ordem defendia pela elite politica brasileira em prol do progresso.

Cássio Goulart - 1°Semestre Direito-Diurno

O fim das anormalidades.

1- Caro leitor, irei lhe contar a história de Beltrano e seu filho, conhecidos da família. - ver nº 10

2-Até que começasse as aulas, Beltrano obrigou o menino a ler Augusto Comte, para que ele pudesse entender seu erro. -ver nº 11

3- Acredito, leitor, que Comte estaria festejando ao ver um discípulo tão assíduo em suas teses, já que este pai visava o bem coletivo e seu filho em breve abdicaria de sua felicidade para a continuação do ordenamento. - ver nº 7

4-Furioso com a cena e o medo de seu filho ser homossexual, proferiu o seguinte discurso: - ver nº 9

5- No entanto, meu caro leitor, o que me assustou é que, ao conversar com o recém-formado, descobri que o fatídico episódio não era nada mais que uma ajuda entre amigos, o outro menino tinha perdido sua mãe em decorrência de um câncer de mama. - ver nº 8

6- Em determinado dia, ele viu seu filho dando um beijo na bochecha de um amigo. - ver nº 4

7- Passados anos, com a formatura do filho de Beltrano o inevitável aconteceu: o jovem se transformou em mais um defensor da normalidade e lutava contra possíveis anomalias sociais. - ver nº 5

8- Ainda hoje me sinto desconfortável ao ver tamanha brutalidade que ainda persiste nesta sociedade ao denunciarmos as mazelas da desigualdade. - fim.

9-"Isto que fez é anormal, desconfigura a ordem da sociedade. Serei obrigado a te mandar a uma escola cívico-militar para virar homem de verdade. Você está proibido de sair de casa e visitar este 'viado'." - ver nº 2

10- Beltrano é ex-militar de alta patente, adepto da doutrina positivista. - ver nº 6

11- Durante o jantar, sempre era o mesmo discurso "Não podemos permitir que ocorra uma ditadura gayzista, ninguém sofre preconceito. Só querem causar caos em algo ordenado." - ver nº 3

Bruna Soares Teixeira

Turma XXXVIII - Noturno



Dialética dos princípios positivistas

Auguste Comte presenciou a desordem e o caos em seu país; o que tardiamente se tornaria responsável por revoluções em escala mundial.  Fundador e pai da Sociologia, o francês nunca foi apto às doutrinas católicas que lhe eram impostas desde sua infância, contribuindo para o cenário político que surgia da época das luzes. Seu trabalho é voltado para a reorganização social, visando a ‘’Ordem e o Progresso’’ como um princípio, trazendo o sistema de política positivista, que preza por uma religião da humanidade, a qual abandona as superstições e a teologia, para o alcance do estágio ideal – estágio positivo – trazendo a paz, a ordem e o progresso em uma sociedade organicista.

A sociedade organicista de Comte pode ser considerada bastante contraditória. Ao apresentar esse modelo, o sociólogo coordena-a pela estática e dinâmica social garantindo o encontro de uma lei fundamental e funcional para todos. O que se detém, já que na prática, somente a lei não é possível assegurar até o mesmo o direito inato de cada indivíduo. Comte define a felicidade como realização plena do bem público. Mas, desvaloriza a solidariedade social que é diretamente ligada as relações sociais. Portanto, Não há como obter a felicidade individual ao parâmetro organicista - onde cada indivíduo é visto como uma parte essencial dentro de um todo- se o todo, possui diversas desigualdades e conflitos externos e internos, que se desdobrarmos esses conflitos, é nítido os conflitos patológicos que devastam a dignidade humana.  Como por exemplo: A exclusão da população que possui doenças mentais.

O Estatuto da Pessoa com Deficiência afirma e reafirma, entre outros, a proteção dos direitos à saúde e à educação, como também se assegura o direito ao trabalho. O que na prática, não vemos tanta efetivação desses direitos. O preconceito é um dos pilares enraizados na história do Brasil que desvalorizam a vida pessoal, profissional e amorosa dessas pessoas; Sempre colocando pressupostos no caráter ou na personalidade, tornando cada vez mais difícil a inserção na sociedade. De acordo com o psiquiatra, Antônio Geraldo da Silva ‘’ A psicofobia é o preconceito às pessoas que sofrem de transtornos e deficiências mentais. Popularmente, as doenças mentais são distorcidas para conotações negativas. A psicofobia existe quando o indivíduo  é caracterizado como “louco” ou “doido” e quando a doença é negada por familiares, profissionais de saúde, pelo próprio paciente ou até mesmo pelo governo (municipal, estadual ou federal). ‘’

Atualmente temos redes públicas, onde dão auxílios e prestam atendimento para aqueles que possuem transtornos mentais graves e persistentes, como o CAPS; que são sustentados através de verbas do governo municipal.  É de suma importância as suas realizações para ajudar, através de atividades, a introdução na comunidade e a sua evolução no meio. Mas, muitas vezes entram em risco, por conta dos cortes de gastos, valorizando ainda mais a exclusão e  desprezando a inter relação de forma geral.

De fato, o positivismo não passa de uma idealização de um mundo perfeito. O mundo é vasto e abstrato, possuindo conflitos patológicos e outros que levaram a grandes revoluções.  Não há possibilidade de ignorar as outras ciências e as suas pesquisas empíricas.

 


Érica Caroline Olivio - Turma XXXVIII - Matutino.

Vencemos.

 

Vejo passos mecânicos e vida sem cor. Adoraram ao falso deus e agora pagam seu preço. Abandonaram a humanidade, a sensibilidade e pouco mais. Acreditaram no mito do progresso e sacrificaram seus irmãos em nome do óleo, da fumaça e do carvão...

Qual o futuro?
Se me permite responder, é melhor nem saber... Aquele que no fim do dia pouco sabe, também pouco sente.
E não me venha dizer que acabou.
O que acabou está apenas começando.
Então, abracemos o futuro apático e sua melodia tediante. Ignoremos suas brutalidades e o sangue derramado dos inocentes.
Louvemos a ciência! As Máquinas! Os cientistas!
Quem sabe, louvemos até nós mesmos!
Somos brilhantes, incríveis, diferentes e implacáveis...
Não me importa de onde veio, me interessa o que se tornou.
Do beco do mundo ao topo da vida. Do topo da vida ao limite do além. Somos Deuses e muito mais!
Em mensagem aos que virão, atentem-se:
O progresso é o que importa. O nosso progresso.
Ilusões, apenas as que criamos e as que nos são úteis para manipular.
Vencemos a natureza e seus entraves.
Vencemos uns aos outros.
Vencemos ao mundo.
Vencemos o atraso.
Nos perdemos no processo. Já não nos reconhecemos.
O que importa no fim do dia, é que por bem ou por mal, vencemos.

Pedro Basaglia - 1° semestre Noturno

O progresso não pode parar

  A corrente positivista que surgiu durante o século XIX defende a concepção de “ordem e progresso”, essa que inspirou inclusive a bandeira do Brasil e a carrega consigo até os dias de hoje. Infelizmente, as ideias positivistas não estão apenas ilustradas na bandeira mas norteiam grande parte das políticas públicas no país desde a proclamação da República, em 1889, com forte apoio militar e da burguesia civil.

O positivismo enquanto ideologia defende que a ordem e o progresso só poderiam ser alcançados por meio de um Estado Forte, em que os indivíduos deixam sua perspectiva individual, seus sofrimentos, suas reivindicações e necessidades particulares, em prol da sobrevivência e do progresso coletivo. Dessa forma, a moral humana seria a concepção de que a felicidade está na realização plena do bem público, distante de conflitos e orientado pela família, Estado e pela moral.

Essa corrente de pensamento se posiciona contrariamente às ciências criticas como a filosofia e sociologia, uma vez que essas trazem aspirações exorbitantes e pensamentos críticos para o proletariado e impede a propagação do bem comum, de acordo com seu principal pensador Augusto Comte. 

Assim, pode-se observar que as medidas adotadas pelo governo neoliberal liderado por Jair Bolsonaro possuem grandes influências dessa corrente de pensamento, tal qual aconteceu anteriormente na história do país como na Ditadura Militar, em que há a tentativa de criminalizar todos os tipos de manifestações políticas em prol da conservação da família e da boa moral brasileira. Dessa forma, manifestações das minorias em favor dos seus direitos são diretamente atacadas, como aconteceu com a parada gay, mundialmente reconhecida, e outras manifestações, sejam elas em defesa das mulheres, dos negros ou mesmo da população economicamente marginalizada. 

Além disso, a necropolítica adotada com a pandemia de COVID-19, que coloca a economia acima da vida, com a justificativa de que o progesso não pode ser retardado por uma “gripezinha” mesmo depois de matar 530 mil pessoas, demonstra o quão prejudicial o positivismo se apresenta quando aplicado em uma nação composta pela diversidade, como no caso brasileiro.


Mariana Moreira Belussi - 1º semestre diurno

A proposta positivista para a educação

     Ao longo da segunda metade do século XIX, manifestam-se os primeiros prenúncios de uma nova corrente filosófica, denominada Positivismo. Esse segmento crítico-revolucionário, constituído massivamente pela burguesia, possui muita importância para o desenvolvimento de uma ideologia conservadora que se mantém presente até o momento atual. Pode-se dizer que esse caráter conservadorista é associado à sua origem, tendo em vista que Auguste Comte, considerado pai do positivismo, elabora a ideia principal dessa filosofia após a Revolução Francesa, especificamente no período em que a burguesia batalhava intensamente contra os interesses da classe proletária.

    Sob esse prisma, é importante salientar alguns princípios essenciais para a estruturação da teoria positivista. No que diz respeito às ciências sociais e da natureza, essas deveriam ser limitadas à elucidação, de maneira direta, imparcial e desprendida de ideologias e de pré-conceitos. Nesse sentido, é viável pontuar que a premissa da neutralidade frente às ciências da sociedade faz com que a conjuntura histórico social seja desprezada, ou seja, não há uma ligação entre a ciência social e o conhecimento científico positivista. Assim sendo, pode-se pontuar que o positivismo não é anacrônico, haja vista que hodiernamente essa corrente filosófica ainda desempenha influência na sociedade, de maneira análoga, os programas de escolas sem partido são representantes dessa filosofia.

    Sob esse ponto de vista,  deve-se ressaltar a relação entre o objetivo do movimento Escola Sem Partido e o Positivismo. De forma sucinta, pode-se dizer que esse movimento visa alcançar cidadãos que sejam passivos, inertes, às leis em vigor, além de as admitirem, a fim de preservar a ordem social. Esse é o ponto de convergência entre a proposta ‘educacional’ e a corrente filosófica, tendo em vista que, na visão positivista, a sociedade é administrada por leis naturais, que funcionam independentes dos anseios e das vontades dos homens, e, principalmente, invariáveis.

    No entanto, esse pressuposto de neutralidade nas escolas, e nas ciências sociais, é a aspiração mais almejada pela classe dominante, uma vez que, com a falta de posicionamento, a probabilidade da emancipação do oprimido é nula. Assim, é de vontade da camada conservadora defender seus próprios interesses e ideologias sob o aspecto da neutralidade. Posto isso, evidencia-se que todo conhecimento, científico ou social, é tomado de ideologias de um grupo social. É nesse momento que o marxismo manifesta-se criticamente em oposição à premissa de neutralidade ostentada pelo positivismo. Sendo assim, na visão de Marx, assumir determinado posicionamento não seria um empecilho para alcançar o conhecimento, pelo contrário, a tomada de partido é requisito primordial para compreender a realidade.

    Portanto, sob o contexto da neutralidade educacional, é imprescindível questionar-se: de que têm medo esses setores conservadores contrários à politização da educação? Será temor de uma ascensão juvenil estimulada a questionar  e problematizar as profundas desigualdades vigentes na sociedade? Será apreensão de uma juventude que não corrobora e não consente com a existência de concentração de privilégios a uma classe minoritária? Ou será medo de um ensino libertador que incentivasse a questionar a ‘ordem’, ao contrário de aceitá-la bovinamente?

Clara Crotti Cravo - 1° Semestre - Diurno

POSITIVISMO EM 21

 

            A corrente sociológica do Positivismo é a primeira forma de ciência social - denominada inicialmente como “física social” – preconizada pelo sociólogo Augusto Comte. Essa ciência além de explicações, busca ter todo o controle da sociedade em suas mãos e para isso, aproxima-se fortemente das ciências naturais, por estabelecer um método para o conhecimento sistematizado e domínio do mundo social.

            Primeiramente, para se alcançar o estado positivo – último estágio da construção do conhecimento – é necessário passar por outros dois estágios, o teológico e o metafisico. Para Comte é preciso explicar a problemática única e exclusivamente pelo fato em seu fenômeno imediato, sem buscar as raízes nem explicar as causas que levaram ao acontecimento. A filosofia positiva rejeita todos aqueles métodos, estabelecidos pela filosofia antiga, nos quais o questionamento é um pilar primordial para a obtenção do conhecimento e do esclarecimento. Desse mesmo modo, o saber advindo de aspectos religiosos, adquiridos por meio de uma revelação divina é invalidado pelo Positivismo.

            Mas o que torna a “física social” preocupante é a necessidade de manter a ordem a fim de gerar o progresso – lema escrito na bandeira brasileira “Ordem e Progresso”. Com o objetivo de estabelecer constantemente essa ordem é estipulado que tudo seja mantido em seu perfeito estado, sem que haja alterações, melhoras ou reivindicações. Assim como nas leis naturais, tudo precisa estar equilibrado, modelado e ordenado, da maneira que é imposta pelo preceito moral – modo de conduta – estabelecido. A estática é uma das leis logicas que produz a aptidão para agir, dentre os alicerces fundamentais que constroem essa “estática” encontra-se a família, o direito e a moral.

            Diante disso, tudo aquilo que de alguma forma abala a ordem social imposta está inviabilizando o progresso almejado pela filosofia positiva. Na atualidade é visível claramente tudo aquilo que é sacrificado em nome do bem social, a fim de que não ocorra uma “degeneração moral”. Diariamente, no Brasil, indivíduos que buscam direitos igualitários, condições dignas, tolerância religiosa e sexual, são atacados, inferiorizados, agredidos e, infelizmente, mortos por estarem reivindicado algo mais humano do que a racista, machista, heteronormativa “ordem” estabelecida.

            Portanto, é ameaçador quando governos em pleno século XXI utilizam do Positivismo como suporte para o seu modelo de conduta, de tomada de decisões e suas ações, por impor que indivíduos se sacrifiquem – renunciem suas reais personalidades – para que a sociedade se mantenha coesa e estável, a fim de não ameaçar a ordem imposta. Sendo assim, as desigualdades continuam estabelecidas, os preconceitos potencializados e as formas de conduta pessoais invalidadas.


Maria Fernanda Barra Firmino - 1° ANO MATUTINO

sexta-feira, 16 de julho de 2021

O retrocesso chamado Positivismo.

    Antes do texto começar, recomendo que ouça a música "Natural Born Killer - Avenged Sevenfold" e medite sobre a letra.

    Se existisse uma forma de analisar o mundo pela metade, como ela seria?! Apenas observando fatos palpáveis e vistos diretamente; ignorando completamente as variáveis e individualidades históricas e pessoais. Positismo, criada por August Comte, ao contrário do seu nome mostra um olhar frio e negativo do mundo, pois se limita a uma análise superficial e não aprofunda na reflexão.

    Todavia, voltemos para a musica que logo no segundo parágrafo se tem a seguinte frase: "You wanna talk about it? I'm begging you to walk in my shoes any time" que numa tradução simplória pede para que o ouvinte se ponha no lugar, relembrando é claro as variaveis sociais que levam alguém a cometer crimes, como histórico familiar e dificuldades financeiras.

    Secundariamente, no decorrer reflita sobre a seguinte frase: "Another killer from a broken home. Until you cover me with maniac fame", nela se vê o fato do eulírico comentar dos problemas famíliares, ironizando o fato de julgarem-no um assassino maníaco, sem olhar toda a história.

    Por ultimo, vá até o último estrofe da composição: "Would crush the fish lens we all see through/To kill the glare/ Expose the ugliness we hold true" em que claramente o autor passa a mensagem que tirando os julgamentos por trás de cada olho, somos todos iguais, com dificuldades e problemas sociais, diferente da moral imposta e coletiva e da hierarquização imposta pela filosofia supracitada.

    Em suma, peço então caro leitor que escute novamente a musica e reflita sobre ela, teve uma mudança de opinião? Uma visão mais ampla? Se sim, não preciso explicar com palavras o porque o Positivismo de Comte tem uma visão limitada e arcaica do mundo, mas para aqueles que não, ainda volto a explicar: não aprofundamento de uma situação é a mesma coisa que não entendê-la, pois sua visão é limitada apenas uma parte do todo. Uma visão quase como cega.

Carlos Gabriel Pagliuzo - Primeiro Direito Noturno. 

quinta-feira, 15 de julho de 2021

Positivismo, outras Malalas surgirão

O positivismo é uma corrente que tem na ordem a progressão social, a qual entende a manutenção dessa ordem como maneira de orientar a sociedade, que está acima do indivíduo. Nesse sentido, ações fora dos padrões considerados válidos para a preservação desse arranjar do meio desafiam a tão defendida harmonia fundamental e, por isso, necessitam ser combatidas por essa filosofia da ação imediata. Posto isso, é possível fazer um paralelo com o caso de Malala, uma jovem que contestou as dinâmicas as quais ela estava inserida e sofreu consequências de razão instantânea.

     Numa sociedade positivista, o que impera é a ordem. Sendo assim, o funcionamento dessa esfera social deve ser estático, logo mudanças são confrontadoras. A partir disso, pode-se pensar em Malala. A garota é proveniente de uma região paquistanesa conservadora dominada pelo Talibã em 2008, o qual exigia a interrupção das aulas ministradas às meninas. Ao manifestar-se contra essa proibição, isto é, ao ir em oposição à harmonia fundamental e à ordem, se observado por um olhar positivista, ela sofreu repressão ao ser baleada na cabeça por talibãs por atentar contra a norma moral.

    Permanecendo nesse olhar positivista, a medida adotada pelo grupo ao tentar manter a ordem de maneira violenta demonstra essa física social da ação instantânea, a qual não busca entender a essência desses elementos mais profundos no curso do desenvolvimento social. Por que Malala queria estudar? Violentá-la realmente é efetivo? O que o ato de Malala reflete? Será que essa postura adotada pela menina não expõe um conservadorismo que inibe as mulheres? Amedrontar e ferir, utilizando da violência, apenas tampa um buraco e não o soluciona de fato, ao passo que outras Malalas surgirão ao longo dos futuros anos e, mesmo assim, ainda não se analisa o background do problema.

        Portanto, o positivismo apresenta lacunas ao procurar soluções rápidas e pode-se entender que essa proteção da norma moral para o bom funcionamento social pode ser refutada de certo modo. Por trás de toda ação existem questões profundas, sendo que é preciso entender suas essências e enfrentar um pouco essa sociedade positivista ideal.

Anna Beatriz Hashioka- Direito Matutino


A teoria positivista presente no combate ao tráfico de drogas

 A ideia positivista de observar somente fatos, não buscar a essência das coisas está diretamente relacionada com o famoso “jeitinho brasileiro de ser”, em que simplesmente julgam sem saber o que se passa, o que realmente acontece. 

A teoria positivista diz que buscar a essência das coisas leva a um “filosofar infindável”, mas talvez esse filosofar sem fim nos leve a respostas coerentes e assim podemos ir avançando e por fim chegar a um progresso.

A teoria positivista de 1822, ainda está presente em muitos traços da sociedade contemporânea, como por exemplo no combate ao tráfico de drogas.  

“No primeiro semestre de 2020, foram realizadas 48.298 prisões relacionadas ao tráfico de drogas e 14 mil (14.117) armas. Foram confiscados, ainda, 681 veículos e instaurados 57 mil (57.352) inquéritos. “O governo Bolsonaro em um ano e meio apreendeu mais do que nos últimos 10 anos”, disse o ministro André Mendonça”. 


Ao ver esta notícia muitas pessoas podem ficar extasiadas, acreditando que a “ordem” da sociedade está sendo mantida, isso se olharmos por visão positivista, que só considera os fatos. Ao fazermos uma análise mais profunda do caso, percebemos que quem realmente foi preso foi só o aviãozinho, a pessoa que está no “estamento” mais baixo na pirâmide do tráfico de drogas, enquanto o dono realmente está mais livre e mais rico do que nunca.  


Enquanto a sociedade brasileira continuar a acreditar que o problema do tráfico está simplesmente naquele menino que está vendendo droga na boca de fumo, o problema nunca será resolvido por total. 


Mas por que será que as investigações só conseguem atingir a “camada mais baixa” do tráfico? Acredito que não seja uma questão de conseguir e sim de querer, porque depois que a sociedade descobrir quem realmente está atras de todo esse esquema criminoso, a ordem poderá ser quebrada, o equilíbrio da sociedade estará em ruinas, uma coisa que não pode ocorrer em uma sociedade positivista.  

 

 

IZABELLA DUARTE DE SÁ MORILLO – DIREITO - DIURNO - 1° SEMESTRE 

O POSITIVISMO COMO “FÍSICA SOCIAL” E A SUA SOBREVIVÊNCIA NA REALIDADE CONTEMPORÂNEA

O Positivismo, sistema criado pelo pensador francês Auguste Comte (1798-1857), apresenta uma abordagem própria como modo de analisar e interpretar a realidade social concretamente, além de uma perspectiva de projeto de construção social, que não é presa ao passado, mas, ao contrário, pujante em nossos tempos contemporâneos. Ela rompe com a moral católica no que toca aos elementos católicos que contaminam essa ideia de bem comum voltado ao essencialmente humano, enquanto conserva os preceitos católicos de família e disciplina comportamental, por exemplo. Não se trata de uma moral cristã, mas humana, onde a ideia de felicidade está na realização plena do bem público no presente, no sentido terreno, de harmonização e equilibro das coisas numa perspectiva secular, oposto ao religioso.

Nesse contexto, os anseios e vontades individuais desaparecem no coletivo, para alcançar-se a felicidade geral, a ordem, a sociedade sem conflito, que seria o horizonte da felicidade positivista. Comte assim define essa relação como “...ligação de cada um a todos, sob uma multidão de aspectos diferentes, de maneira a tornar involuntariamente familiar o íntimo sentimento de solidariedade social, convenientemente desdobrado para todos os tempos e lugares”. Surge então a harmonia social fundamental, que não cria sobressaltos, não subverte a coesão, não atenta ou ameaça a ordem e o curso tranquilo da coletividade, ao contrário, ela tem como principal resultado a sólida formação de uma moral universal.

Esse ideal de ausência de conflito gera, na contemporaneidade, um contexto nebuloso no qual qualquer ideia contrária ao poder vigente é vista como ameaça. No caso de nosso país, uma ameaça “comunista”. Preceitos fundamentais de dignidade humana que, em casos concretos, conflitem com os ideais governistas, são vistos como subversão à ordem ou à moral. Um exemplo claro dessa triste realidade é o caso de uma garota agredida fisicamente pelo pai, além de ter seus cabelos raspados, por ter perdido sua virgindade. Ela obteve como resposta da juíza uma sentença que qualifica como “correção moderada” os atos praticados por seu progenitor. O contexto revela uma posição positivista no sentido de entender a perda da virgindade como um “descaminho” que abala a ordem moral e reforça ao pai o status de chefe familiar com plenos poderes sob seus familiares.

Além disso, o pensamento comtiano apresenta o trabalho como expressão privilegiada da solidariedade preconizada pelo positivismo, pois liga o indivíduo ao restante da sociedade, onde cumpre seu papel, expressando a negação de si em prol do todo. A greve, nesse cenário, representa a subversão, que afeta a ordem vigente em prol de determinado grupo. Quaisquer ideias referentes a sair de seu posto mecânico de cumpridor do papel social e almejar posições melhores, que extrapolem o seu local natural dentro da ordem positivista são tidas como “ambições exorbitantes”, que geram inquietação nos setores de poder e contrariam a perspectiva presente, impactando em pontos como salários, políticas sociais e separação de classes. Como exemplos comuns dessas ambições em nossa sociedade podemos citar as ações afirmativas de acesso às universidades, as viagens da classe trabalhadora ao exterior, a proteção contra o trabalho infantil, entre outras.

Uma outra ponderação possível diz respeito aos direitos políticos, que na lógica positivista são substituídos por políticas sociais mais afeitas às necessidades do proletariado. Ao invés da posse direta do poder político há a indispensável participação contínua no poder moral (único e verdadeiramente acessível a todos, sem perigo para a ordem universal), com a exigência aos governos o cumprimento dos deveres essenciais. Essa realidade pode ser ilustrada, na atual realidade brasileira, a partir do Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares, criado em 2020, que coloca a educação como fator formador do “indivíduo novo” para o novo poder moral. Os elementos presentes nesse plano acabam por fomentar o desenvolvimento de ideias contemporâneas repletas de ideais positivistas, como ordem, respeito e “disciplina geral”.

Por fim, é evidente que, embora criado no século XIX, o Positivismo persiste em vários cenários e sociedades, muitas vezes camuflado por um discurso de valores e morais que subverte a ideia de igualdade social e direitos humanos. A sua permanência na realidade contemporânea poderia ser minimizada ou combatida com uma melhor formação, estudo e reflexão crítica do povo, abandonando as estruturas rígidas do pensamento de Comte em busca de seus direitos de fato. Para isso, entretanto, seria fundamental uma mudança no posicionamento das lideranças políticas do país, que ditam como deve ser a formação básica de cada cidadão. Uma realidade tão distante quanto necessária.


Laredo Silva e Oliveira - 1º Ano Direito Noturno

quarta-feira, 14 de julho de 2021

As soluções imediatas

 A discussão sobre o porte de armas certamente tomou maiores proporções por causa da campanha presidencial do atual presidente Jair Bolsonaro com a promessa de tornar o acesso à armas facilitado. Tal promessa teria como objetivo solucionar os complexos dilemas da segurança pública no país, apoiando-se na falsa ideia da existência de uma panaceia, uma "fórmula mágica" capaz de solucionar os problemas, por mais complicados que fossem, de uma maneira simples. A respeito disso, no século XIX, o positivismo de Comte já pregava o uso dessas soluções imediatas. 


O positivismo é uma doutrina intensamente ancorada no pensamento científico, sendo este a única forma de conhecimento verdadeiro, a partir disso, torna-se possível aplicar soluções práticas e teóricas aos problemas sociais. Deste modo, questões complexas são observadas de uma maneira rasa, isentando-se da explicação do  "por que" das coisas, e assim, são propostas soluções superficiais. Em relação a isso, exemplifica-se a defesa da liberação das armas de fogo que está fortemente vinculada com o discurso punitivista, ideias como “bandido bom é bandido morto”, no qual acredita-se que a criminalidade erradicar-se-á por total apenas com a punição dos bandidos, estes muitas vezes estereotipados. Essa solução não se sustenta, uma vez que busca resolver o problema somente na superfície, sem procurar os diversos motivos e raízes da criminalidade, a origem verdadeira do problema não será eliminada e ele só continuará a crescer.


As soluções simples e imediatas para as questões complexas parecem muito atrativas a princípio, por isso que foram muito prometidas ao longo da história principalmente pelos governos demagogos. Essas soluções podem até abrandar o problema por um certo período de tempo, no entanto, apenas nas aparências, pois o problema persiste por trás, e quando se revela, apresenta-se mais agravado e profundo. 


Luisa K. Herzberg 

1* semestre Direito matutino 

Turma XXXVIII

segunda-feira, 5 de julho de 2021

O indivíduo, o coletivo, e a natureza

            O ser humano é um animal social. Essa máxima aristotélica tem como consequência que, para analisar o mundo, devemos identificar os sistemas sociais e naturais que nos cercam. Mas isso não é o suficiente.

Essa relação de interdependência e mutualismo é abordado no filme ‘’Ponto de mutação’’, de Bernt Amadeus Capra. O filme se propõe a trazer um triálogo entre um senador democrata, um poeta expatriado e uma física que se isolou do mundo em uma ilha na França. Para além do quase monologo expositivo e proselitista da personalidade cientista para com os demais, o filme traz ótimos questionamentos acerca do mecanismo cartesiano e da sociedade de exploração predatória em que vivemos, propondo um olhar atraente, mas limitado para o mundo - a teoria geral de sistemas.

É proposta a ideia da desvirtuação moderna do desenvolvimento científico, que passaria de ser a serviço do homem para ser a serviço de projetos de poder e dominação. A relação com a ideia, partindo dos filósofos que são base da ciência moderna, como René Descartes, de que, munidos do conhecimento para moldar e subjugar o mundo a nossa vontade, nos tornamos ‘’senhores e possuidores da natureza’’, é vista como base para esse processo.

A visão ecológica e cultural utópica, de reorganização das diversas esferas humanas – econômicas, sociais e materiais, é onde Capra diverge frontalmente de autores como Roger Scruton, expoente do conservadorismo britânico, que trata a questão ambiental sobre um outro viés, em seu livro “Filosofia verde”.

Para Scruton, não é necessária uma reestruturação geral dos sistemas estabelecidos para proteger nossa herança comum, basta uma aliança do estado de direito – que dita as leis ambientais, e as faz cumprir - com o mercado e os indivíduos – que devem absorver os custos e ser responsabilizados pelas consequências de suas ações de transformação do meio ambiente. Esse equilibro, que hoje nos falta, aliado a um incentivo de mercado a preservação e sustentabilidade, até mesmo para perpetuação do consumo, é o que faria o sistema se tornar suportável ao longo prazo. Como nas palavras de Scruton:

- Embora os mercados não possam resolver todos os nossos problemas ambientais, e de fato eles respondem por alguns deles, as alternativas contrárias são quase sempre piores.

Trazendo essa problemática ao Brasil, vemos o estado como motor e até mesmo facilitador do desmatamento e piora da questão ambiental, com sua relação corporativista com empresas irresponsáveis e o não cumprimento das ordens legais.

Assim, fica clara a necessidade da ação, por parte do poder público e de entes privados, para resolver a disfuncionalidade do mundo moderno, em sua complexidade, considerando o indivíduo, o coletivo e a natureza.


Miguel Francisco Corrêa Rodrigues - Direito – Noturno

  Destartes foi um pensador do século XVII que enxergou o mundo como um mecanismo, como se a natureza funcionasse com um relógio feito, pois era possível desmontar e reduzir às simples peças, assim, as partes se tornavam fáceis de serem analisadas e assimiladas como um todo.  No aclamado filme Ponto De Mutação, uma inteligente cientista pauta-se no pensamento de Descartes para decorrer a ideia de que a ciência possibilitou que complexas engrenagens pudessem ser restritas a chips minúsculos, em contraste, ao conversar com um candidato às eleições dos EUA, afirma que: “a ciência já passou o pensamento mecanista nesta proporção, mas vocês, políticos apresentam ideias de esquerda e de direita tão antiquadas e mecânicas que parecem ter relógios arcaicos dentro de suas cabeças”.

   Embora Descartes tenha sido um dos primeiros pensadores da ciência moderna (incentivou o questionamento das proposições impostas pelas crenças tradicionais) e o filme retratado tenha sido produzido no ano de 1990, a perspectiva sobre a ciência e a política da maneira como foi abordada continuam recorrente e latentes até os dias atuais. A exemplo disso, pode-se dizer que o mandado do governo Bolsonaro realizou sucessivos cortes de gastos em pesquisas universitárias e tem apresentado posturas negacionistas em relação à eficácia das vacinas em meio a pandemia, período quando o Corona Vírus atingiu de maneira grave todo o país e as medidas de amparo governamental à população revelaram-se extremamente imprescindíveis. Nessa mesma entoada, outras lideranças têm apresentado uma postura que fere com a laicidade do Estado e recupera uma visão dogmática religiosa datada de tempos da Idade Média assim evidenciado na seguinte frase da ministra Damares Alves: “é o momento de a igreja ocupar a nação”.

   Esse crescente fenômeno de negacionismo aos avanços científicos refreia um pensamento racional crítico e abre margem para o fortalecimento do senso comum. De acordo com o autor José Koche em sua obra Fundamentos de Metodologia Científica: teoria da ciência e prática da pesquisa, o senso comum é a forma mais usual que o homem utiliza para interpretar a si mesmo, pois ele surge como consequência da necessidade de resolver os problemas mais imediatos da vida prática, em outras palavras, à medida que a vida vai acontecendo, o senso comum se desenvolve seguindo a ordem natural dos acontecimentos. Por isso, há uma tendência de manter o sujeito que elabora como um espectador passivo da realidade, atropelado pelos fatos, “é um viver sem conhecer”. Essa linha de conhecimento baseada no subjetivismo emotivo representa aquilo que Francis Bacon denomina por Ídolos uma vez que prendem os homens a preconceitos, crenças e falsas percepções de mundo, por conseguinte, impedem o pensamento crítico e a construção do verdadeiro conhecimento, abrindo espaço para teorias que refutam a ciência.

   Portanto, é notável que grandes pensadores da ciência moderna, como Descarte e Bacon, estudados nas aulas de Sociologia desenvolveram conceitos e métodos de análise que continuam sendo imprescindíveis para o desenvolvimento racional critico na contemporaneidade, pois permitem uma opinião fundamentada e reflexivas a respeito dos fenômenos que circundam a sociedade mesmo em meio a crescente onda de extremismos ideológicos, pensamentos religiosos dogmáticos, negacionismo cientifico e subjetivismo do senso comum.

Resenha Crítica aprofundada - Filme: O Ponto de Mutação

O filme “O Ponto de Mutação”, de Fritjof Capra, retrata um debate acerca do conhecimento e da visão de mundo entre três personagens principais: a cientista (Sonia), o político (Jack) e o poeta (Thomas). Cada um destes traz suas opiniões sobre o pensamento humano, de acordo com a bagagem de vida em suas respectivas profissões.


O enredo praticamente se inicia quando os dois homens, já amigos, conversam sobre o relógio presente na torre onde estão e, a partir disso, a mulher entra em cena despretensiosamente para também opinar a respeito. Desde então, os três travam um diálogo em que cada um se apresenta e, a cientista discute sobre o pensamento cartesiano tomando como base o relógio do ambiente. Segundo ela, a percepção de René Descartes na busca do conhecimento é muito fragmentada e não ampla, de forma que cada peça do relógio representaria essa dialética, ao invés de uma percepção de seu funcionamento como um todo. 


Essa reflexão torna-se apenas ponto de partida para um longo diálogo que é travado entre os personagens centrais e que traz principalmente essa discussão sobre a maneira de pensar do ser humano. Conforme todos vão andando no local, Sonia também tenta convencer Jack sobre mudar a própria ideia tão ultrapassada e errônea de governar. Em sua defesa, a cientista retoma a crítica em relação à visão cartesiana fragmentada, na medida em que os homens de poder encaram os problemas e trazem as soluções de maneira estanque e simplista.


Indo além até mesmo do que é citado no longa-metragem e aprofundando a dialética de René Descartes, o próprio filósofo, em seu livro “Discurso do método”, expõe a sua experiência na busca do conhecimento por meio de um processo metódico. Sob a perspectiva cartesiana, cada saber humano deve ser questionado como verdadeiro ou não e, conforme as dúvidas são desvendadas, o filósofo conclui a ideia de ciência como elemento voltado para o bem do homem. Nesse sentido, a crítica proposta pelo filme volta a tona pela própria vivência da cientista que viu suas grandes descobertas na física serem desvirtuadas para a esfera militar por causa dos políticos, contrariando, corretamente, a premissa anterior de Descartes. Vale destacar que sim, o conhecimento pode ser um instrumento benéfico para a vida do homem; porém, em mãos erradas, pode ser utilizado equivocadamente.


Ademais, conforme o enredo do filme vai sendo desenvolvido, Jack questiona como essa ideia fragmentada de políticas públicas pode ser consertada no meio político e como convencer os eleitores sobre essa mudança. De acordo com a física (Sonia), essa postura passa por uma mudança de mentalidade da sociedade em geral em encarar seus males. Na medida em que os governantes agem e respondem por milhões de pessoas, é necessário que os problemas (sociais, econômicos, ambientais) sejam resolvidos em sua raiz e não de modo a combater as consequências destes. Assim como é criticado a Descartes, o mundo é muito complexo para se acharem respostas individualizadas.


Além dessa questão filosófica, em algumas partes do filme é possível perceber o subjetivo dos três personagens que os faz construir tal percepção de mundo. Em primeiro plano, percebe-se que a cientista tem suas inseguranças pessoais no que se diz respeito a se relacionar além do seu domínio científico e se aventurar na própria carreira política para colocar em prática suas boas ideias. Em segundo plano, o político é aberto ao diálogo, mas encara a dificuldade em transpor a ideia de mundo abrangente para sua vida de candidato. Por último, o poeta sempre permeia a interlocução trazendo seu lado artístico para enriquecer o debate e também aprender mais sobre o que a cientista tem a dizer. Thomas também traz uma reflexão final ao filme recitando um poema que se encerra com todos se despedindo e deixa em aberto os caminhos de vida a serem percorridos por cada personagem, após a assimilação de todas as ideias compartilhadas.


De maneira geral, o longa-metragem não apresenta um enredo dinâmico, com muitas ações e ambientes diferentes; porém é uma boa forma de provocar uma reflexão individual sobre como encarar as questões da sociedade em geral. Apesar de ter sido produzido no final do século passado, a discussão mantém-se atual e necessária, tendo em vista que muitos governantes ainda têm uma visão rasa de combater as consequências dos problemas e não suas origens. Além disso, a percepção da ciência apenas como um alicerce benéfico ao homem apresenta-se como dicotômica, tanto com os avanços empregados nos conflitos armados, quanto com as descobertas essenciais sobre vacinação para o combate do coronavírus, por exemplo. Portanto, o mais importante para o espectador é o estabelecimento de uma mentalidade aberta e capaz de se tornar um “ponto de mutação” em suas ações voltadas para o bem comum.


Gabriel Drumond Rego - Direito Matutino (1° semestre) - Turma XXXVIII

Será ?

 Durante a Idade Média, no que concerne a interpretação da Natureza,  ocorreu a predominância do chamado  misticismo. Este, baseava-se no entendimento do mundo a partir de crenças que  levavam  em consideração a existência de um universo metafísico, sujeito a forças sobrenaturais. No entanto, após o “fim” desse período, a sociedade  ocidental europeia  passou a analisar os acontecimentos terrestres através de uma perspectiva menos mística e mais racional, baseada na observação e no questionamento.

     Neste contexto, algumas figuras destacaram-se pela notoriedade de seus trabalhos, de caráter mais científico que religioso, como é o caso de René Descartes, filósofo, físico e matemático francês , o qual  simboliza bem  o contraste entre as constantes dúvidas a respeito dos fatos cotidianos intrigantes , para os quais a religião não tinha pleno esclarecimento, e a herança teocêntrica medieval, fundamentada na superstição. 

     Diluindo ciência em religião, no início de sua obra Discurso do Método, Descartes defende  metodicamente a existência de um ser superior de natureza perfeita, ou seja, um Deus onisciente, onipotente e onipresente, cuja natureza é compartilhada entre  os seres humanos. 

    Através desta lógica de ideias, percebe-se a fusão de elementos de natureza teo e antropocêntrica, assim como aquela  observada no filme Ponto de Mutação,  no qual uma cientista (caráter antropocêntrico) encontra outros dois personagens do filme em um castelo da Idade Média ( caráter teocêntrico).  Essa dicotomia  ciência –religião, representou   o contexto no qual viveram René Descartes e Francis Bacon, na França e na Inglaterra, respectivamente.  Neste cenário, começam a surgir os pilares que sustentam a denominada Ciência Moderna ,  através, por exemplo, da contribuição  proporcionada por Bacon, no que diz respeito à rigorosa  separação entre a conclusão baseada na Ciência e a oriunda do senso comum fortemente influenciado pelo misticismo.

    Porém, na atualidade, especificamente no Brasil no ano de 2021, o atual presidente da República propaga as ideias de que a atual pandemia, provocada pela disseminação de um vírus com alto poder de propagação que já causou mais de 500.000 mortes no país, foi originada pela China com objetivos financeiros/políticos ; e que o vírus supracitado é apenas uma “gripezinha” .  Será que voltamos para antes de Descartes e Bacon, quando superstições e ideias místicas predominavam e a Terra era o centro do Universo ?

Método conservado x mudança radical

 A discussão na aula dessa semana trás dois pontos de vista diferente sobre a maneira de ver a

ciência . o ponto mais conservado trazido pela obras de Rene descarte ( o discorso do método)

é Francis Bacon ( novum organum) , colocan a ciência como um instrumento do homem para

modificar a natureza a seu Bel prazer , dessa forma colocando o homem como dono da

natureza ou como diz bacon " o homem, ministro e intérprete da natureza, faz e entende tanto

quanto constata " . Já do outro ponto de vista , a ciência deveria ter um caráter mais ecológico

e social , buscando resolução para os problemas do mundo e não do homem . esse ponto e

defendido no filme o ponto de mutação. Que nos faz pensar , se não seria nécessario uma

mudança radical na nossa maneira de em chegar a ciência .

 René Descartes e Francis Bacon se dedicaram em suas obras em estabelecer

as bases para a produção de conhecimento, os dois, por meio de métodos

diferentes, deram início à chamada ciência moderna. Ambos criticavam o

conhecimento da filosofia clássica, o primeiro, decepcionado com o ensino

tradicional e, também, pela futilidade e inutilidade do conhecimento vindos da

tradição. O segundo, por entender que o conhecimento - principalmente da

filosofia grega - até então disponível se preocupava à mero exercício da mente,

sem nenhum fim prático ou de utilidade.

Para romper com a tradição vigente, Descartes, por meio do Discurso do

Método, usou como princípio fundamental a dúvida, que consistia em rejeitar

qualquer conhecimento que pudesse existir dúvida, e, assim, classifica-lo como

falso, a fim de chegar a um conhecimento que fosse completamente

incontestável. Como resultado desse princípio fundamental, Descartes chegou

à famosa frase “Penso, logo existo”, tornando-a regra geral para a obtenção da

verdade.

Bacon, por sua vez, na sua obra Novum Organum, estabeleceu que o

conhecimento viria pela cura da mente, por meio da “regulação da mente por

mecanismos da experiência”. Sim, Bacon era empirista, ao contrário de René

Descartes, um racionalista, mas o pensamento de ambos convergia ao

propósito do bem do homem e da dominação da natureza.

Ambos concordavam que a natureza devia se subjugar ao homem, porém, mal

sabiam eles das consequências. Foi essa visão que nos colocou na atual

emergência climática na qual nos encontramos, que coloca o futuro do planeta

em dúvida. Mas, ao contrário da dúvida cartesiana, infelizmente, essa dúvida é

a mais pura verdade. Será que todo esse conhecimento foi em prol da

humanidade? Ou será que foi apenas por “Saber, é poder”?

Leonardo Barbosa Souza – Direito noturno, 1° período.

O Conhecimento Científico contra o Negacionismo

  Um dos principais problemas presentes no Brasil atualmente é o Negacionismo, fruto de uma histórica cultura nacional de valorização do Conhecimento do Senso comum e seu repasse as futuras gerações. Ademais, há de se destacar que tal corrente de pensamento se mantém tão viva na sociedade devido a facilidade de se adotar ideias que neguem um raciocínio complexo, mesmo não havendo solidez nessa argumentação negacionista que atrapalha o desenvolvimento nacional. 
  A principal problemática por detrás de um pensamento negacionista é que este não se usa do constante questionamento para a construção de um conceito. Segundo Descartes, o ser humano deve seguir um método científico racional para se libertar do obscurantismo e assim alcançar uma verdade. Tal processo deve, segundo ele, permear-se pela: criticidade no raciocínio, divisão do objeto de estudo em partes, estudá-lo de seu aspecto menos para o mais complexo e fazer revisões que evitem a omissão de fatos. Tal falta de uma metodologia científica se faz presente no Movimento Antivacina, cujos apoiadores não apresentam provas concretas do por que a vacina poderia ser prejudicial ao oragnismo humano e por que os laboratórios estariam criando um produto maligno para a humanidade. Essa falta de solidez no argumento antivacina deve-se a falta de autocrítica no processo de construção de sua ideologia, comportamento presente também no Movimento Terraplanista e Anti-Evolucionista.
   Outra problemática relacionada ao pensamento do Senso Comum e por conseguinte ao Negacionismo, é que tais discursos são fáceis de serem assimilados e passados aos outros. Francis Bacon, em sua obra Novum Organum, discute que a Antecipação da Mente é muito mais simples e prática que a Interpretação da Natureza, portanto o Senso Comum é predominante ao Conhecimento científico na Sociedade. Esta situação pode ser exemplificada por um pensamento equivocado, como a crença de que o Nordeste tem falta de água em todas as suas regiões. Áreas como a Zona da Mata e o Agreste não apresentam secas constantes, mas o brasileiro como meio de simplificar tal análise acaba generalizando. Quando o correto seria ele investigar e estudar a região para que assim ele estabelecesse uma noção verdadeira e experimentada da Área.
    Destarte, o Negacionismo (fruto do senso comum) são contrários a forma moderna de se construir o saber, através da análise, dedução, experimentação e conclusão. Estes passos são fundamentais para a constituição da verdade e para uma produção científica racional, cujos resultados melhorem a vida humana. 


Pedro Miguel Segalotti Rueda - Direito Primeiro Semestre Matutino

A importância de ouvir

Nota-se que, principalmente no decorrer da última década (leia-se: 2.011 a 2.020), a espécie humana, claro que não em sua totalidade, esteve tomada por uma vontade imensa de estar certa quanto ao que se diz; por tabela, percebe-se também o desejo incontrolável de que o outro, caso pense diferente, esteja errado. Isso é consequência, em grande parte, do avanço dos meios de telecomunicações, através dos quais toda e qualquer informação pode ser confrontada de modo instantâneo, sem que necessariamente seja empregado o mínimo bom senso ao se fazer a referida contestação.

Mas o que é o certo? E o errado?

Caso houvesse maior disposição para ouvir um ponto de vista dissonante ao que se tem, em detrimento de querer sair como certo em uma discussão, o aprendizado seria maior, visto que ocorreriam mais trocas, ou seja, diferentes experiências de vida seriam compartilhadas. O conhecimento de que se dispõe hoje é resultante da união de distintas formas de agir, pensar e escrever que se deram ao longo do tempo; e essa união possibilita o desenvolvimento de todas as esferas do conhecimento... Como exemplo desse processo, tem-se: no campo matemático da Probabilidade, é aprendido que dois eventos não são mutuamente excludentes se eles podem ocorrer ao mesmo tempo; mas esse conceito também é aplicável quando se estuda a Genética, parte fundamental da Biologia.

O âmbito universitário, agora restringindo a análise ao Brasil, é outro modelo de que a diversidade, seja ela cultural, ética, política, por parte do corpo docente e do discente, contribui de forma positiva para a edificação do conhecimento. A história de uma universidade foi construída por pessoas bastante diferentes que viviam em um mesmo ambiente, debatendo sobre os mesmos assuntos, mas analisando-os através de olhares distintos, sendo que, por trás de cada olhar, havia uma história de vida única... E nem por isso a universidade “deu errado”.

Partindo desse modo de enxergar as situações, fica mais suavizado o estudo das aulas 2 e 3 do curso de Introdução à Sociologia, cuja temática gira em torno de modos divergentes de ver a produção do conhecimento, porque essa visão de mundo exime o leitor de “tomar partido” de uma das teorias lidas ou assistidas, e sim o direciona para um olhar mais acolhedor, aberto a diferentes pontos de vista, sem se preocupar em definir qual está certa e qual está errada, como se essa distinção fosse simples assim de ser feita, aliás.

A perspectiva apresentada por Francis Bacon, em seu livro Novum Organum (1.620), é vinculada ao método Empírico-Indutivo, através do qual se induz a ocorrência de um evento que se deseja estudar e, a partir de experimentos feitos com esse evento, o conhecimento é produzido. Portanto, Bacon atribui muito valor à experiência, ao olhar, ao toque, fazendo uma grande revisão do conhecimento que vigorava até então, representado, principalmente, pela filosofia Escolástica, influenciada, a título de exemplo, por Aristóteles.

René Descartes, apesar de, assim como Bacon, também estar disposto a questionar a tradição, propunha outra maneira de fazê-lo, como se percebe em sua obra Discurso do Método (1.637). Descartes, conhecido pelo método do Racionalismo, propunha a criação de uma nova ciência, que seria única e universal. Fazia isso buscando um fundamento único para todos os conhecimentos, tendo a dúvida como recurso para a busca da verdade; o método de Descartes, portanto, é o método da dúvida... É preciso, em um primeiro momento, duvidar de tudo. Para ele, esse era o método que conduzia sua razão na busca do que era verdadeiro. Procurava uma certeza que resistisse a qualquer dúvida, e a encontrou: “Eu penso, logo existo”, escrevendo que esse era o primeiro princípio da filosofia que ele pretendia criar.

No que tange ao filme Ponto de Mutação (1.990), de Bernt Capra, também constatam-se maneiras dissonantes de enxergar a vida. Uma física, um poeta e um político dialogam sobre o mundo e as múltiplas maneiras de se produzir conhecimento. A maior parte do filme gira em torno do que a física Sonia Hoffman argumenta, demonstrando uma visão mais consciente e sustentável sobre os problemas mundiais. Jack Edwards, o político, mantém-se durante boa parte do filme relutante quanto às contundentes afirmações de Sonia; mas, percebe-se que, conforme ele vai aceitando mais as ideias da física, seu semblante muda... Jack fica mais aberto ao que lhe é antagônico, retrucando menos e mais disposto a ouvir. Thomas Harriman, o poeta, fala menos, mas não se omite! É no desfecho do filme que ele discursa de maneira mais longa, quando diz aos seus interlocutores Sonia e Jack: “Vocês errarão se esquecerem-se de que a vida é infinitamente mais do que as suas ou as minhas obtusas (limitadas) teorias a respeito dela. Sentir o Universo é um trabalho interior.” Thomas, portanto, elucida a ideia apresentada no terceiro parágrafo deste texto, cujo ponto central é o respeito às mais variadas maneiras de se enxergar os acontecimentos.

Decerto, enquanto o subtrair vencer o adicionar, será mais difícil construir conhecimento, por mais variados que sejam os métodos conhecidos.

 

Aluno: Marcos Tadeu Gaiott Tamaoki Junior

Curso: Direito (noturno)/2.021

Termo: Primeiro

Turma: XXXVIII.