Nota-se que, principalmente no
decorrer da última década (leia-se: 2.011 a 2.020), a espécie humana, claro que
não em sua totalidade, esteve tomada por uma vontade imensa de estar certa
quanto ao que se diz; por tabela, percebe-se também o desejo incontrolável de
que o outro, caso pense diferente, esteja errado. Isso é consequência, em
grande parte, do avanço dos meios de telecomunicações, através dos quais toda e
qualquer informação pode ser confrontada de modo instantâneo, sem que
necessariamente seja empregado o mínimo bom senso ao se fazer a referida
contestação.
Mas o que é o certo? E o errado?
Caso houvesse maior disposição
para ouvir um ponto de vista dissonante ao que se tem, em detrimento de querer
sair como certo em uma discussão, o aprendizado seria maior, visto que
ocorreriam mais trocas, ou seja, diferentes experiências de vida seriam
compartilhadas. O conhecimento de que se dispõe hoje é resultante da união de
distintas formas de agir, pensar e escrever que se deram ao longo do tempo; e
essa união possibilita o desenvolvimento de todas as esferas do conhecimento...
Como exemplo desse processo, tem-se: no campo matemático da Probabilidade, é
aprendido que dois eventos não são mutuamente excludentes se eles podem ocorrer
ao mesmo tempo; mas esse conceito também é aplicável quando se estuda a
Genética, parte fundamental da Biologia.
O âmbito universitário, agora
restringindo a análise ao Brasil, é outro modelo de que a diversidade, seja ela
cultural, ética, política, por parte do corpo docente e do discente, contribui
de forma positiva para a edificação do conhecimento. A história de uma
universidade foi construída por pessoas bastante diferentes que viviam em um
mesmo ambiente, debatendo sobre os mesmos assuntos, mas analisando-os através
de olhares distintos, sendo que, por trás de cada olhar, havia uma história de
vida única... E nem por isso a universidade “deu errado”.
Partindo desse modo de enxergar
as situações, fica mais suavizado o estudo das aulas 2 e 3 do curso de
Introdução à Sociologia, cuja temática gira em torno de modos divergentes de
ver a produção do conhecimento, porque essa visão de mundo exime o leitor de
“tomar partido” de uma das teorias lidas ou assistidas, e sim o direciona para um
olhar mais acolhedor, aberto a diferentes pontos de vista, sem se preocupar em
definir qual está certa e qual está errada, como se essa distinção fosse
simples assim de ser feita, aliás.
A perspectiva apresentada por
Francis Bacon, em seu livro Novum Organum (1.620), é vinculada ao método
Empírico-Indutivo, através do qual se induz a ocorrência de um evento que se
deseja estudar e, a partir de experimentos feitos com esse evento, o
conhecimento é produzido. Portanto, Bacon atribui muito valor à experiência, ao
olhar, ao toque, fazendo uma grande revisão do conhecimento que vigorava até
então, representado, principalmente, pela filosofia Escolástica, influenciada,
a título de exemplo, por Aristóteles.
René Descartes, apesar de, assim
como Bacon, também estar disposto a questionar a tradição, propunha outra
maneira de fazê-lo, como se percebe em sua obra Discurso do Método (1.637).
Descartes, conhecido pelo método do Racionalismo, propunha a criação de uma
nova ciência, que seria única e universal. Fazia isso buscando um fundamento
único para todos os conhecimentos, tendo a dúvida como recurso para a busca da
verdade; o método de Descartes, portanto, é o método da dúvida... É preciso, em
um primeiro momento, duvidar de tudo. Para ele, esse era o método que conduzia
sua razão na busca do que era verdadeiro. Procurava uma certeza que resistisse
a qualquer dúvida, e a encontrou: “Eu penso, logo existo”, escrevendo que esse
era o primeiro princípio da filosofia que ele pretendia criar.
No que tange ao filme Ponto de
Mutação (1.990), de Bernt Capra, também constatam-se maneiras dissonantes de
enxergar a vida. Uma física, um poeta e um político dialogam sobre o mundo e as
múltiplas maneiras de se produzir conhecimento. A maior parte do filme gira em
torno do que a física Sonia Hoffman argumenta, demonstrando uma visão mais
consciente e sustentável sobre os problemas mundiais. Jack Edwards, o político,
mantém-se durante boa parte do filme relutante quanto às contundentes
afirmações de Sonia; mas, percebe-se que, conforme ele vai aceitando mais as
ideias da física, seu semblante muda... Jack fica mais aberto ao que lhe é
antagônico, retrucando menos e mais disposto a ouvir. Thomas Harriman, o poeta,
fala menos, mas não se omite! É no desfecho do filme que ele discursa de
maneira mais longa, quando diz aos seus interlocutores Sonia e Jack: “Vocês
errarão se esquecerem-se de que a vida é infinitamente mais do que as suas ou
as minhas obtusas (limitadas) teorias a respeito dela. Sentir o Universo é um
trabalho interior.” Thomas, portanto, elucida a ideia apresentada no terceiro
parágrafo deste texto, cujo ponto central é o respeito às mais variadas maneiras
de se enxergar os acontecimentos.
Decerto, enquanto o subtrair
vencer o adicionar, será mais difícil construir conhecimento, por mais variados
que sejam os métodos conhecidos.
Aluno: Marcos Tadeu Gaiott
Tamaoki Junior
Curso: Direito (noturno)/2.021
Termo: Primeiro
Turma: XXXVIII.