Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

O alcance curto da liberdade

Igualdade, equilíbrio de renda e eliminação da exploração do trabalho. Esses são os alicerces para a teoria socialista que, apesar de se popularizar com o marxismo, germinou nas ideias de Charles Fourier e Robert Owen no chamado socialismo utópico. O romantismo desses filósofos se deve à ação pouco combativa dos operários frente aos patrões, sendo assim julgado por Karl Marx como utópico se comparado ao socialismo científico do mesmo em conjunto com Friedrich Engels.
Na obra "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" (1887) de Friedrich Engels, aponta-se a questão das condições materiais das pessoas: seriam privilégios ou uma simples reparação isonômica? Pode-se perceber esse impasse quanto às cotas nas universidades públicas, onde a minoria privilegiada demonstra uma visão individualista, fazendo vista grossa às adversidades enfrentadas pelos jovens cotistas de baixa renda e marginalizados pela sociedade. Outro exemplo se dá no momento das abordagens policiais, visto que é evidente que jovens negros da periferia são mais abordados do que jovens brancos da zona sul.
Marx condena a propriedade privada. Analogamente, expõe-se um exemplo medieval do cerceamento do uso do bosque, tornando-o exclusividade do senhor feudal. Essa privatização tem efeitos catastróficos para o povo, pois certamente faltará lenha para resistir ao rigoroso inverno do clima temperado europeu. Dessa forma, conclui-se que a propriedade privada foi a grande causadora dos transtornos sofridos pelos camponeses.
Outra questão levantada pelo marxismo é o embate entre o idealismo e o materialismo. Contemporaneamente, esse dilema é visto no direito formal e no direito real da liberdade. Isto é, formalmente todos têm direito à liberdade, contudo apenas os mais abastados têm a liberdade de fato, comprovando assim o alcance curto da liberdade. Prova disso é o caso de Thor Batista que matou um trabalhador mas permanece livre, enquanto um jovem da periferia que roubar um frango assado para se alimentar será severamente punido sem chances de recorrer à liberdade.

O socialismo, portanto, mantém-se mais hodierno do que nunca. Houve um grande caminho desde o socialismo utópico ao científico, porém essa evolução adaptou a teoria aos dias de hoje, conforme visto nas comparações materiais entre as pessoas. Ainda, a condenação da propriedade privada aliada à relativização de direitos fundamentais como a liberdade mostram a incapacidade do capitalismo em proporcionar uma sociedade decente e justa para todos.

Fernando Jun Sato. 1º Ano de Direito Diurno

A hostialização de Marx



A dialética ascendente de Marx
expurgou os idealismos hegelianos e religiosos do espectro que circundava a Alemanha e
proporcionou a dialética hodierna entre os marxistas e os marxizantes.
Os primeiros, alçando o autor num pedestal, evangelizaram seu nome e suas ideias,
petrificaram-nas
e sem qualquer manutenção foram dadas, às hóstias, por infindos redutos que
trancafiados em séculos de conhecimento
não os adequam à realidade.
Ignorando a própria expressão de Marx quando lhe coube a frase
“(...) a realidade deve igualmente compelir ao pensamento.”,
discípulos marxistas,
mesmo escutando horas à fio da rebelião de seu timoneiro contra as religiões,
ópio do povo, segundo ele,
agora dão a ela uma nova roupagem com sua ideologia.
Travestidos marxistas, fanáticos religiosos.
Mais uma vez, quando Marx expõe o êxito da reforma luterana:
“não se tratava (...) da luta do leigo com o padre fora dele, mas da luta contra o seu próprio padre interior”,
contemporiza-se em seus discípulos atuais.
A petrificação de uma ideia e
a germinação de uma ideologia,
possibilitam que a transposição do ideário para a realidade não se faça.
A luta, então, por hora, é o desenraizamento,
é a briga de cada marxista atuante contra seu próprio interior.
Por fim, aos marxizantes,
os quais souberam amalgamar Marx,
unam-se.
A revolução só se dá pra quem se deu!

Leonardo Henrique de Oliveira Castigioni
1º Ano Direito - Noturno

Em Meio a Teses Antitéticas, Um Ônibus Atrasado e o Cerne do Mal

    O não mais tão jovem Tese acordou de bom humor. O sol entrava pela janela emitindo um feixe de luz que tocava graciosamente a escrivaninha, enquanto pássaros cantavam uma doce melodia. O mindinho passou longe do pé da cama e o café estava perfeito. Comodamente terminou de se aprontar e saiu do apartamento.  O mundo ali fora parecia estar diferente. Não lhe agradava. Não gostava de mudanças...
    Parado no ponto de ônibus, observava, sem ver, o mundo a seu redor, absorto pela melodia que radiava pelos fones no ouvido. Corpos padronizados passavam em sua frente e juntavam-se à espera, folhas de árvores passavam voando guiadas pelo vento em uma dança estonteante, um cachorro passava guerreando com um gato sagaz cuja astúcia e agilidade conferiam-lhe sempre a vitória. Tudo passava. Tudo, exceto o ônibus.
    E com o passar do tempo também esse pareceu parar de passar. Ergueu os olhos entediados e definitivamente sentiu o tempo parar. Aquele único momento em que as folhas pararam no ar gentilmente beijando o vento, e cão e gato se encaravam com algo que não parecia ódio nos olhos. Um único segundo que durara uma eternidade. E quando o segundo passou e foi por fim capaz de ouvir os ruídos emanando dos fones novamente, sentiu o chão deixar seus pés sem alicerce e a sensação de que cairia em meio àqueles olhos. Ela era estonteantemente linda.
    “Prazer. Antítese”- Ela disse, enquanto Tese tentava se recompor e forçava-se a parar de olhá-la como se fosse algum tipo de psicopata, ou talvez (e melhor descrevia) um “demente”. Retribuiu o cumprimento, buscando com dificuldade as palavras para se apresentar, mas conforme a conversa caminhava, mais facilmente as palavras lhe saltavam da boca. Não precisou muito tempo para perceberem que eram completos opostos. A conversa fluía e tudo estava bem, mas era visivelmente evidente o quanto eram diferentes.
    Passado mais um segundo, o ônibus apontava virando a esquina. O silêncio pairava em meio aos dois, que se encaravam, tal qual cão e gato, com algo que não era ódio nos olhos. Mais uma vez o segundo parou e ela o beijou. Durante aquele materialismo dialético, ambos perceberam a ironia da vida. Nem sempre ideias contrarias são danosas e prejudiciais. Muitas vezes o são, e dilaceram umas às outras sempre tentando se impor. Fazer valer a sua própria verdade, eliminando a concorrência. Mas o fato é que duas ideias convergentes nunca levaram a humanidade a lugar algum. O motor que move o mundo é conflituoso e independente de se o gato odeia o cão, o que importa é a presença do conflito. Ideias diferentes, lábios diferentes, se tocando gentil ou selvagemente, sintetizando um novo mundo.
    A tese do Capital parece odiar a antítese Socialista. Talvez seja hora daquele segundo duradouro paralisar o tempo, enquanto Capitalismo e Socialismo se encaram com algo nos olhos. Um toque gracioso de lábios e um entrelaçar de almas, sintetizando a eficiência capitalista com a filosofia ideal do bem social socialista. Mas talvez o homem seja ganancioso demais e prefira vencer uma guerra aniquilando um adversário a estabelecer um acordo com um aliado. Talvez seja otimismo demais pensar que ambas as teses sejam assim tão completamente diferentes. No final, tudo acaba se resumindo à natureza do homem. E um lobo faminto precisa comer.
    Um certo Marx acreditava que somente através da revolução armada seríamos capazes de evoluir (sob a perspectiva darwinista) enquanto sociedade. Mas feita a revolução proletária, realizado o aspecto braçal do serviço, quais mentes seriam responsáveis pela manutenção da sociedade instaurada? De uma forma ou de outra, acaba-se sempre dependente da boa-fé de um grupo seleto de indivíduos. Indivíduos por natureza corruptíveis e corruptos. O sistema capitalista se adaptou tão bem na sociedade hodierna porque reflete o espírito do ser humano: poder e violência. Não é o sistema capitalista, o monstro apocalíptico que precisa ser decapitado. O cerne de todo o mal que assola a humanidade, ontem, hoje e amanhã, sempre foi, é e será a própria humanidade.

Abner Santana de Oliveira. 1º Ano, Direito-Noturno
A MALEABILIDADE DO DIREITO


A superação, realizada por Marx, da dialética Hegeliana foi muito importante para a decorrente história do pensamento alemão haja visto que a dialética materialista de Marx se pautava na ideia de mudança daquilo que, com o passar do tempo, torna-se insustentável, isto é, para Marx a síntese não é um ente abstrato e diferente da tese e da antítese, como era para Hegel, mas sim um resultado da antiga ordem, sendo que este já estava contido de alguma forma na mesma.
O Direito se encontra em constante transformação, e esta pode ser analisada a partir da dialética marxista. O mesmo pode ocupar duas posições na dialética, a de tese e a de síntese, tal relação se dá justamente por conta de suas constantes transformações. O Direito em sua forma positivada e atual é a tese, mas a partir do momento que se encontra em choque com alguma antítese (essa podendo ser algum contexto econômico, movimentos sociais, demandas populacionais ou internacionais) passa por modificações e a nova forma que o mesmo vai adquirir é uma síntese, e quando essa se consolida, torna-se novamente uma tese.
Podemos analisar a situação do Direito Brasileiro, desde o governo petista até o atual governo Temer, a partir dessa dialética. Na época dos governos Lula e Dilma tínhamos um direito positivado (tese) com muitas restrições as demandas dos movimentos sociais, que foram vistos, pelo governo como principal antítese que deveria reorientar o Direito, e assim surgiram diversas sínteses, como a união homoafetiva, formalização do mercado de trabalho brasileiro, a criação de programas sociais inclusivos entre outras. Contudo, o atual governo de Michel Temer deixou de enxergar as demandas sociais como antítese principal do Direito, e passou e ver as demandas das oligarquias nacionais e o capital financeiro internacional como as essenciais para redefinir o rumo do Direito e tal situação tem gerado sínteses como a reforma da previdência, a reforma trabalhista, isto é, diversas medidas  de austeridade sobre o povo brasileiro.

Sendo assim podemos concluir, a partir da dialética Marxista, que o Direito, dependendo do momento e do contexto pode variar para abismos totalmente opostos e que, encontra-se, de certa forma, muito submisso aos interesses daqueles que detém o poder e logo torna-se inegável a grande instabilidade, relatividade e principalmente a maleabilidade do Direito, tal fato faz do mesmo uma ciência imprevisível, seja no contexto instável brasileiro, ou até no contexto mundial, flutuando entre teses e antíteses. 


Catherine Recacho Loricchio. 1° Ano, Diurno  

Bolsonaro: a construção de um messias

"Como haver democracia em uma terra onde seu próprio povo não respeita e venera seus heróis". Esta frase, dita por um oficial da Polícia Militar, representa uma maneira de ver o desenvolvimento histórico como consequência de ações de pessoas iluminadas, líderes que guiariam a sociedade para o progresso. Segundo esta perspectiva, a abordagem histórica nos apresenta um imaginário repleto de Darios e Alexandres, Getúlio e Castelo Branco. Omite-se, assim, os sistemas de poder dos quais estas figuras históricas são representantes. A figura de "herói" é idealização, os sistemas de poder formam a base material.
Com o materialismo dialético, Marx & Engels propõem um novo olhar sobre a história humana: ela é a síntese de relações de forças antagônicas (tese e antitese). Getúlio Vargas seria o representante de um grupo descontente com a política do café com leite, assim como Castelo Branco seria o representante de um grupo que estava insatisfeito com as propostas do governo de João Goulart. Esta percepção histórica pode nos ser muito útil atualmente ao nos depararmos com o fenômeno Bolsonaro, uma vez que podemos analisar as condições materiais que levaram ao crescimento da figura do Bolsonaro enquanto "herói". Ou seja, antes de nos atermos em criticar a figura do Bolsonaro, convém compreendermos o seu público, as pessoas com quem ele dialoga, pois é por causa deste público que o fenômeno Bolsonaro existe. Antes de criticar a idealização Bolsonaro, compreender e criticar a base material: seu público.
Assim, ainda que o uso do materialismo dialético enquanto metodologia de previsão histórica seja arriscado, o seu uso como ferramenta de compreensão da realidade é necessário e urgente.

Aluno: Luiz Henrique de Moraes Mineli (Noturno)

Será que eu to fazendo Direito?

Curso de Direito...
Eu tô fazendo direito?
Descartes, Bacon, já li,
mas cadê Angela Davis e Saffioti que eu não vi?
Tudo bem, não vou dar surto,
sei que o cronograma é curto...
E mais ainda pra dar voz a quem nunca teve.

Materialismo histórico:
Capitalismo, capitalismo...
E machismo, racismo?
Os outros “ismos” que ninguém deteve?
Estão aí fora até há mais tempo
Também são contratempo da evolução.

Em nome dessa aí, fizeram um gesto:
O Estado burguês de Direito moderno...
...que tá mais pra inferno.
A tal social-democracia...
Preferia que fosse Anarquia!

Caro Sr. Dr. Jurista,
grande especialista,
fica pisando em ovo,
até a linguagem te afasta do povo.
Precisa folhear dicionário pra escrever texto?
Ou é pretexto pra mascarar sua insensatez?
Mas óh, quero voz dessa vez...
Eae Direito? Cê serve a quem mesmo?
Haha... Cê serve aquém mesmo.

São muitos anos na caverna.
Acende a luz aí.
Vamo acabar com essa baderna.. 
Moderação? 
Vish, esquece...
Eu quero mesmo é revolução!

Lauriene Ellen Borges de Bem- 1º Direito ( Noturno)

A custo de quê?


No atual modelo de sociedade ocidentalizada e capitalista temos o mundo funcionando tal como uma máquina, de maneira que cada individuo acaba por se tornar uma simples peça, podendo ser facilmente substituído a qualquer instante. O trabalho tende a se transformar o centro de toda sua vida, fazendo com que a vida pessoal e suas opiniões apenas orbitem em torno de seu emprego. Mas será que todo esse sacrifício atrelado ao trabalho realmente vale a pena? Vemos o crescimento do subemprego, vemos pessoas abrindo mão de seus direitos e trabalhando horas seguidas em condições desumanas a custo de quê? Essa massa trabalhadora recebe em troca de todo seu esforço um salário que não corresponde ao que produz. Nesse ponto, podemos citar conceito de mais-valia de Marx, que afirma que quem produz a riqueza é o proletário, porém quem a detém é a classe dominante: a burguesia, uma minoria poderosa.

É evidente que o capitalismo não é um sistema justo. Essa contradição decorrente da mais-valia gera sempre uma desigualdade muito grande, onde uma minoria concentra sob si todo o lucro enquanto a maioria padece do essencial. Obvio que em vários momentos esse sistema se torna insustentável, justamente por causa dessa diferença entre lucro e poder de compra da maioria. É nesse momento que surgem as crises, a margem de lucro cresce constantemente enquanto o poder de consumo da massa está em detrimento. Como exemplos não podemos deixar de citar a crise nas economias industriais europeias que se iniciou em 1876 e a crise de 1929 nos Estados Unidos.

Podemos concluir que sãs crises são inevitáveis no sistema em que vivemos, por esse motivo as guerras acabam surgindo, sendo vistas por muitos como um mal necessário, uma vez que absorvem toda mão de obra desempregada e assim elimina essa grande massa excluída. Aí fica claro o quanto a vida humana se torna descartável no capitalismo, as pessoas se tornam coisas, produtos que quando não são mais uteis podem ser jogados fora.


Érika Luiza Xavier Maia- 1° ano Direito Noturno


Socialismo Utópico e a ameaça à hegemonia Capitalista



O mundo contemporâneo tem sido marcado pelo predomínio do  modo de produção capitalista. O que gera como consequência que as mazelas do mundo sejam quase todas análogas às desse sistema ou até mesmo que sejam causadas pelo mesmo. Realidade que cria, crescentemente e com o decorrer das eras, uma aversão à essa ordenação produtiva vigente.
Um dos maiores problemas desse sistema é o seu apego  ao individualismo. De maneira que ele suprime os ideais coletivos, gerando mais exclusões, sejam elas sociais, físicas, psicológicas, e menos inclusões. Gerando, numericamente, uma parcela de indivíduos excluídos majoritária em relação às demais dentro da população.
            Em meio a esse panorama que surge a maior ameaça à hegemonia do sistema capitalista : o socialismo científico. Por sua vez, ele ataca os maiores erros e injustiças do outro sistema, defendendo a grande maioria da população : o proletariado. Justificando-se pelo fato de esse setor ser a base de uma sociedade, responsável pela produção de todo e qualquer produto a ser usado interna e externamente.
            O socialismo utópico ainda acrescenta, através de um de seus idealizadores, o filósofo revolucionário alemão Friedrich Engels, como a obsessão pelo lucro e individualidade cegam o capitalismo. Cometendo injustiças, uma vez que “obcecados pelas árvores, não conseguem ver os bosques” (ENGELS, Friedrich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico).
            Devido à esse toque na ferida, na injustiça capitalista que o socialismo tem ganho cada vez mais adeptos por todo o mundo. Sua promessa de revolução, de alteração nas desigualdades faz com o movimento ganhe cada vez mais força, ao ponto de ser considerado ameaça à própria hegemonia capitalista. Causando medo e repúdio, levando a alterações políticas repentinas como a que houve no Brasil em 1964.

Aluisio Ribeiro Ferreira Filho - 1°Ano Diurno

Dicotomia capitalista


 
 
 





V. nasceu condenada

Pobre, negra e com pais drogados

Fadada ao determinismo

Oprimida e marginalizada

Não estudou, trabalhou

Seus sonhos foram contidos

Em uma fábrica encontrou abrigo

Refém de um sistema excludente

Produz sistematicamente

 

Já Joana Sarti não nasceu, estreou

Rica, branca e com pais letrados

Fadada ao sucesso

Enaltecida e vangloriada

Estudou no exterior

Seus sonhos foram incentivados

Em uma loja encontrou abrigo

Algoz de um sistema excludente

Consome sistematicamente

 

 

Isadora Mussi Raviolo - 1º ano Direito Noturno
 
Minha filosofia, minha vida

Por muito tempo a filosofia permaneceu como instrumento dos poderosos, sendo utilizada para convencer as massas de seu papel social e econômico, sendo extremamente passiva. Entretanto com Marx e Engels esta deixa de ser uma mera explicação do mundo para tornar-se a justificativa de mudanças estruturais.
Apesar da grande comoção que tais ideias possam causar, inspirando discursos inflamados e discussões acaloradas, as mesmas se destacaram primeiramente por seu teor racional. A dialética marxista, ao desenvolver o materialismo histórico, permitiu a análise tanto da história como da sociedade atual sob um viés diferente daquele antes usado. Sua lógica (simplificada) é a seguinte: o modo de produção funciona como base da ordem social. Por exemplo, quando a atividade econômica é baseada prioritariamente na agricultura a tendência é de que os culto religiosos girem em torno dos plantios e das colheitas, educação precária daqueles que moram no campo, maior valorização dos laços familiares, etc.
Deste modo a dependência dos trabalhadores em relação aos meios de produção torna-se óbvia, visto que deste depende seu sustento e sobrevivência, e sua dependência em relação aos donos destes meios demonstra-se perigosa. Em sistemas liberais algumas famílias tem em suas mãos o destino de centenas de milhares de outras menos afortunadas, abrindo-se brecha para a exploração sem comedimentos.
Logo, nas mãos de Marx e Engels, a filosofia complacente dá lugar a uma outra enérgica e transformadora, capaz de convencer tanto as massas proletárias quanto uma elite intelectualizada, estabelecendo uma máxima universal que incentiva revoluções por todo o mundo.


Aline Ferreira do Carmo    1 ano Direito- Diurno

domingo, 10 de setembro de 2017

Seu preço

Maria nasceu
Pobre
Marginalizada
Oprimida
Sem oportunidades na vida
Trabalhou e se de esforço o máximo que pode
Mas o Brasil está em crise!
Patrão a demite, mante-la pode fazer com que não consiga pagar seu cruzeiro final de ano, seria um absurdo!
Ela procura outro emprego, não tem sucesso
Filha chora de fome
Maria chora de desespero
Filho adoece, precisa de remédios
Desespero aumenta
Maria se vê sem opção
Vai para o caminho da prostituição
Foi obrigada a se vender
A vender sua decisão de escolha
Pessoas colocam sobre ela um preço
Que sistema é esse onde pessoas viram objetos?
Onde o rico explora o pobre se justificando : “ você teve sua chance, somos todos iguais perante a lei, somos todos igualmente livres para tomar nossas decisões"
Que sistema é esse onde o explorado pensa que tem culpa de sua condição?
Maldita seja a falácia da  meritocracia

Brenda Schiezaro Guimaro - Diurno

Minorias são o novo “preto”’

Vive-se uma sociedade em que ativismo social na mídia se tornou rentável, uma maneira que a burguesia encontrou de manipular as massas para manter o seu status quo e como previsto no manifesto comunista, os grandes industriais modelam um novo meio de família tradicional para lucrar em cima disso, a partir dos desejos de movimentos sociais e assim abafar o quê realmente ocorre na exploração do mercado sobre o proletariado.
            Trazendo visibilidade a temas como os de gênero, pautas LGBT+ e raciais, mas essa visibilidade só ampliou o mercado consumidor que versa Marx em sua obra, houve a saturação de certos padrões de beleza eurocêntricos que inflaram o mercado mundial, fazendo com que houvesse a necessidade de expandir para novos mercados, no caso o das minorias, apesar da visibilidade nestes ambientes serem de extrema importância no combate a ignorância contra tais assuntos,  estas propagandas e produtos ainda assim não são acessíveis a uma grande parte da mão de obra que constrói esse mercado.
            E temas de cunho social deveriam ser pautas do Estado para regular e educar a população como detentor do poder Supremo junto a lei, mas por conta do sistema atual em que os Estados vivem, o Mercado e o Estado tornaram-se intrínsecos, fazendo com que uma tonelada de pessoas batam palmas para indústrias que possuem maior renda que o continente africano e mesmo assim não consigam adquirir tais produtos por conta da desigualdade salarial daqueles que os empregam, junto a uma conivência silenciosa do Estado sobre os abusos os quais este participa.
            Uma constante busca pelo sonho americano de liberdade e consumo, bombardeados de forma sonora e visual, incluindo a pressão social que acabou-se criando nas sociedades modernas por conta dessa cultura comercial que é implantada nas mentes mais jovens, novamente a obra O Manifesto Comunista trata de como a cultura de determinada localidade é utilizada como meio de alienação e consumo, como se fazem hodiernamente discussões sobre a cultura negra, comercializando cremes para cabelos crespos e cacheados, venda de lenços para turbantes e roupas com estampas tribais. Esta exploração cultural não é para exaltar os negros e seu legado, mas apropriar-se deste movimento, expandi-lo, vende-lo e satura-lo, esvaziando toda a sua carga cultural e tornando-o mais um produto fútil e adestrando o povo como verdadeiro gado.
            Como foi feito com o movimento hippie nos anos 70, este grupo que pregava a liberdade sexual, amor a natureza e aos seres, um verdadeiro contraponto a política opressora americana que guerreava contra o vietnã, utilizavam de bandanas e festivais para propagar seus ensinamentos de forma sútil e compromissada com os ideais. Entretanto, após alguns anos, o movimento político foi reduzido a festivais de músicas caríssimos, bandanas que são propagandeadas em videoclipes para adolescentes, e todo aquele amor a natureza foi transofrmado em roupas que utilizam de couro animal e petróleo, não passando de um câncer, uma hipocrisia ambulante que se paga muito, para ter um look vintage e na moda.
            Exatamente por estes fatores que na obra o autor verifica a inevitabilidade das crises no sistema capitalista-burguês e gera constantemente a irritabilidade do operário, pois sua cultura é amassada, usada, cuspida e reduzida, enquanto que suas vidas não saem da lama social em que são cada vez mais puxados para baixo por meio de dívidas e hipotecas para manter a busca pelo sonho americano e padrões de primeiro mundo, isso se acumula e implode numa luta entre classes que se torna futuramente no comunismo após a ditadura do proletariado.



 Alexandra de Souza Garcia 1° Direito/noturno

É "dois pesos e duas medidas" que fala, né?

"Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (...)"Constituição da República Federativa do Brasil (1988).

A Vera trabalha na minha casa há mais de 10 anos. Me viu crescer, me ama como filha, fazia tranças no meu cabelo antes de me colocar na van para a escola e quando eu volto para a minha cidade, já na faculdade, ela faz a macarronada que eu adoro e diz que a casa fica vazia sem mim. Ela mora em um bairro relativamente perto do meu e que, nem de longe está entre os mais perigosos e marginalizados da cidade, tem sua casa própria, reformou a cozinha e o quintal esses tempos atrás, possui carro e moto.
A Vera tem uma irmã e essa irmã tem uma filha, a Luana. Luana foi morar junto com um cara, e ele estava envolvido com tráfico de drogas. Falando assim parece um negócio barra pesada, de gente ruim. Meio Pablo Escobar. Na real ele vendia maconha, nada demais, e definitivamente nada novo sob o sol. A Luana e o namorado foram presos. Agora ela já saiu, pegou 6 meses porque era ré primária. Ele, por ser reincidente, pegou 5 anos de prisão. 
Eles estavam com 1,8kg de maconha.
Eu poderia dar o exemplo de qualquer playboy filho de emprésario/político/ator/médico/advogado que foi pego com mais droga que isso, com drogas muito mais pesadas do que essa e tão ai: livres, leves e principalmente soltos. Mas acho que vale a pena falar do famigerado caso do helicóptero do Aécio Neves - aquele que custava 2 milhões de reais e transportava 450kg de cocaína. 
O cara se candidatou à Presidência da República - e quase ganhou.
Ainda teve gente colando adesivo de "a culpa não foi minha, eu votei no Aécio" no carro.
É muito fácil e muito cômodo ser branco, nascido em família rica e neto de ex-Presidente (mesmo que por poucas horas). O mundo foi feito pra te ajudar, moldado para te atender. Até as instituições que se dizem imparciais, como a Justiça.
Se fosse eu numa situação dessas, era capaz que eu me desse bem. Branca, classe média alta, portadora de um sobrenome de origem europeia e de família de fazendeiro, filha de servidores públicos federais e sobrinha do médico legista chefe da região. Acho que eles aliviariam um pouco para o meu lado. 
É lindo estar na Constituição o princípio da isonomia. Agora, experimenta nascer pobre, negro e filho da irmã da Vera, uma empregada doméstica semi-analfabeta, ou filho da mãe do namorado da Luana, uma ex-prostituta soropositiva, pra você ver se ele é aplicado na prática. 

Lara Estrela Balbo Silva
1º ano - Direito Noturno