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domingo, 19 de julho de 2015

Quem é que financia a miséria?


Exploração. É a partir daí que se formam as relações sociais não só da contemporaneidade, como de toda a história da humanidade. Patrício e plebeu, escravo e senhor de terras, barão e servo: sempre houve oposição entre duas classes que, apesar de diferentes denominações, seguiam uma mesma ideia – uma opressora e outra oprimida, assim como apresentado por Engels e Marx em seu Manifesto do Partido Comunista.
Saíram de suas tocas com o espírito do capitalismo até cada fio de cabelo, colonizadores selvagens, levando a “civilização” – na verdade, procurando matéria-prima, e alguém para explorar e manter a relação de exploração – mataram, escravizaram, impregnaram as novas colônias com a cultura do capital, e acabaram com o modo de vida coletivo, com o sentimentalismo, com o “selvagem” que se fez perceber mais humano que eles próprios.
Navios negreiros não cruzam mais o oceano, mas o trabalho, o dinheiro e o materialismo continuam escravizando, numa realidade muito mais perturbadora. A mente humana foi de certo modo tão condicionada que acreditamos viver numa liberdade plena – realmente há uma liberdade: se pode fazer uma escolha entre comer em uma ou outra grande rede de fast-food, ou entre vestir essa ou aquela marca de roupa. Não há uma real liberdade intelectual, se pensa o que os grandes empresários do capitalismo querem que pensemos. Como escapar das correntes do capital?
O problema é que o bem-estar e a posse de bens materiais só existem a custo de muita miséria. Uma criança na China pode estar trabalhando de maneira análoga a de escravos, produzindo dezenas de sapatos por dia, em condições terríveis, para que um grande empresário fique cada vez mais rico e para que nós compremos um calçado por um preço relativamente barato, afinal, sai muito mais caro para os trabalhadores-escravos.
A mais-valia, a parte que o trabalhador produz que não lhe é destinada, simplesmente passa despercebida. Nossas mentes já foram condicionadas até tal ponto em que acreditamos na justiça do capitalismo, acreditamos que recebemos aquilo que merecemos e ignoramos a miséria, a desigualdade, fechamos as portas para outro ser humano que passa fome na rua. Marx e Engels propuseram uma solução a esses problemas: o Comunismo. Acontece que algumas experiências baseadas no comunismo já se provaram ineficazes, talvez seja impossível realiza-lo em sua forma mais pura. Porque só é possível conhecer um homem quando lhe dão Poder. Como escapar desse padrão? A história mostrará. O capitalismo já teve seu auge, e como tudo, deverá ter seu declínio.

Alexandre Bastos
1º ano Direito - Diurno
Introdução à Sociologia - Aula 8

Mentira

Marcos, peão de fábrica, não acredita na mais-valia          
Eliana, diarista, tem medo da revolução comunista           
Nelson, motorista, está convencido da meritocracia          
  Tiago, pedreiro, acredita na igualdade da justiça                 
Iago, camelô, não entende porque levou geral da polícia 
Realmente, é muito justo esse sistema capitalista             
A todas as pessoas é dada a chance de "vencer" na vida   


"Não tem problema nenhum você ter cinco refeições ao dia, ou seis, pra mim isso não tem problema nenhum. O grande problema é o nosso povo, a maioria, não ter uma refeição ao dia ainda se sentir culpado" Criolo




Vinicius Lotufo - Primeiro Ano de Direito Diurno

sábado, 18 de julho de 2015

Acclamatio bourgeoisie

Nasce uma classe comercial
Com a abertura do comércio
Pelas Cruzadas causada
Financiada por nobres e clérigos
E dos nobres foi o fim!
 
Nobres, os abastados pelo divino
Com o surgimento do acúmulo da  moeda
Nada puderam fazer, assimilaram-se.
Aos poucos, esta nova classe
Chamada burguesia, prosperou.
 
Através da chama do avanço
O mundo antigo foi consumido
A chama, pela industrialização
Aclamada é e sempre será, pois
Em ambos fins o consumir está.
 
Burguesia, classe revolucionária
Engenharia, química e física
Mecanismos necessários e dominados
São em nome da Revolução
Salve a Era do ferro, salve a mecanização!
 
Revolução Industrial esta
Que gera armas e seus portadores
Financiada pela burguesia
E trará a ela o fim
Será mesmo que acabará assim?
 
Direito, Estado e religião
São tidos como meios de dominação
O Direito abriu-se ao social
O Estado virou democrático de direito
Laicidade, fim da fé de opressão.
 
Muita coisa mudou e mudará
Na era burguesa do instantâneo
A cada milissegundo encontra-se valor
Nesse poema não mais irei demorar
O trabalho me chama, tenho que voltar.
 
Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
1º ano Direito - Diurno
Introdução à Sociologia - Aula 8

A poesia do manifesto traduzida em poema:

O feudalismo não se sustenta
Capital é quem orienta
Nobreza mole burguesia dura, tanto (em)bate até que muda
Muda e emudece
Mudez das antigas estruturas
Mudança que perdura

Antagonismo simplificado
Burguesia versus proletariado
Acelere...o...poema..., acelere o poema, acelereopoema
Tempo é dinheiro e capital a nova religião
Burguesia ajoelha e reza
Proletário mais um parafuso aperta.

E na roda do capitalismo, entra a criança, a mãe, o pai
Quanto mais mão de obra, mais ela gira
A indústria produz
Se pela tangente, o proletário sai
Burguês o substitui por “mais um”

Mal sabe, o senhor burguês, constrói seu próprio inferno
Alimenta a revolução:
Dentro da própria fábrica,
Existe “o verme da destruição”

Aguarde, os sólidos parafusos desmancharão no ar
A união não faz apenas capital
A união faz sindicato
A união faz a força
E a força universaliza a luta
A luta reflete um ismo, um ismo comum
Comunismo

O burguês diz: a propriedade garante a liberdade, a independência pessoal
O comunismo: liberdade de quem? Independência de quem?
E o proletário marcha pela universalização
Já não será mais a roda capitalista,
Ironicamente, será uma linha de produção
Dessa vez, da revolução:
Dominação proletária, fim das relações hierárquicas, fim da luta de classe, fim de qualquer dominação
NÃO MAIS PASSARÁ, A OPRESSÃO



Ana Flávia Toller - 1º ano direito diurno 



A burguesia industrial, o proletariado e a luta de classes

E surgiu a burguesia industrial. Com ela apareceu uma nova classe: o proletariado. Esses últimos eram aqueles que não possuíam capital para investir na indústria, ou ainda, aqueles donos de manufaturas ou fabricantes artesanais que não puderam mais competir com a produção em massa das fábricas, com suas máquinas monstruosas que cuspiam produtos sem parar.
A única coisa que essa massa de pessoas podia oferecer era sua força de trabalho para a indústria, que necessitava de mão de obra. É claro que ela não conseguia absorver aquela grande quantidade de desempregados, o que fazia com que os salários fossem muito baixos. Afinal, “se não quer, tem quem queira”.
E o ciclo recomeçava. Ora, Marx afirmava que a história era firmada em lutas de classes. Mais uma luta, assim, surgia em um novo contexto social, político e econômico: burguesia x proletários.
Enquanto a burguesia procurava explorar cada vez mais o operário, com o objetivo de aumentar seus lucros, o operário, na visão de Marx, não fomentava expectativas de dominar sua atual opressora, mas criar condições sociais iguais para todos, acabando com essa relação dominante/dominado.
Para que isso acontecesse, era preciso que o proletariado se unisse e fizesse a revolução, conquistando assim o poder. No entanto, o poder que não ficaria apenas para si, pois isso seria repetir os passos burgueses. Mas um poder que fosse equitativo entre todos os cidadãos.
“Proletários de todos os países, uni-vos!”, foi assim que Marx os convocou para a batalha. Entretanto, seu pedido não foi atendido. Revoluções, de clara importância, mas esparsas, ocorreram (exemplo como Cuba, China, e principalmente, a Rússia). Não houve uma verdadeira união de forças do proletariado do mundo. Será que esse foi o problema? E mais importante, um dia, essa unidade será alcançada?

Luiza Macedo Pedroso
1º ano - Direito diurno

Marx e os MC's

Gostaria de fazer aqui uma breve reflexão sobre o manifesto comunista e realidade em que vivemos atualmente. Primeiramente busquemos compreender qual seria a ideia fundamental e diretriz do Manifesto, como Engels explica:

É que a produção econômica e a organização social que dela resulta necessariamente para cada época da história constituem a base da história política e intelectual dessa época; que, por conseguinte (desde a dissolução da antiga propriedade comum do solo), toda a história tem sido uma história de lutas de classes, de lutas entre classes exploradas e classes exploradoras, entre classes dirigidas e classes dirigentes, nos diversos estádios da evolução social; mas que essa luta chegou presentemente a uma fase em que a classe explorada e oprimida (o proletariado) não pode mais se libertar da classe que a explora e oprime (a burguesia), sem libertar, ao mesmo tempo e para todo o sempre, da exploração, opressão e lutas de classes, a sociedade inteira.

A ideia que se destaca é a de que existe desde o início da civilização humana a luta de classes. Assim sendo:

os comunistas apóiam por toda parte qualquer movimento revolucionário contra o estado social e político existente. Em todos esses movimentos, situam no primeiro plano, como questão fundamental, a questão da propriedade... Enfim, os comunistas trabalham, por toda parte, para a união e entendimento dos partidos democráticos de todos os países.

Tendo em vista conceitos básicos do manifesto comunista, quero agora usar o funk ostentação para falar da sociedade atual. É óbvio que essas músicas fazem sucesso apenas com um determinado grupo da sociedade, mas nesse grupo encontram-se muitos daqueles que formam a camada mais explorada da sociedade.
Comecemos com MC Guimê:


Contando os plaque de 100, dentro de um Citroën,
Ai nois convida, porque sabe que elas vêm.
De transporte nois tá bem, de Hornet ou 1100,
Kawasaky,tem Bandit, RR tem também. (2x)

A noite chegou, e nois partiu pro Baile funk,
E como de costume, toca a nave no rasante
De Sonata, de Azera, as mais gata sempre pira
Com os brilho das jóias no corpo de longe elas mira,
Da até piripaque do Chaves onde nois por perto passa,
Onde tem fervo tem nois, onde tem fogo há fumaça.

Percebemos em seu discurso o quanto seus valores estão ligados ao capital e ao hedonismo, sua motivação é o consumo. Como artista ele acaba por transmitir essa mensagem para seus fãs, que por sua vez propagam esse disicurso alienado.
Chamo atenção agora para o sucesso de MC Gui - Sonhar:


Sonhar, nunca desistir
Ter fé, pois fácil não é e nem vai ser
Tentar até se esgotar suas forças
Se hoje eu tenho quero dividir
Ostentar pra esperança levar

Aqui temos sutilmente inserido o discurso da meritocracia, encarado como a única possibilidade de viver que não esteja ligado ao crime. Assim como a religião (fé), o trabalho é valorizado. E é claro, temos a peróla: "Ostentar pra esperança levar" Não estou certo de que o autor dessa letra possua total consciência do que essa afirmação significa, mas analisando-a temo que estejamos diante do ápice do que as elites gostariam que fosse propagado ao proletariado. Se a teoria de Marx está certa, fazer o proletariado defender o capital dessa maneira é certamente a melhor maneira de manter o sistema como está.
Naturalmente, alguma reação deveria aparecer. Temos então Edu Krieger com Resposta ao Funk Ostentação:


Você ostenta o que não tem
Pra tentar parecer mais feliz
Mas não sabe que pra ser alguém
Tem que agir ao contrário do que você diz
Você pensa que tem liberdade
Exibindo riqueza e poder
Mas não vê que na realidade
O sistema é que lucra usando você

E o sistema tem a cor
Do racismo e da escravidão
Cada vez que você dá valor
À roupinha de marca e à ostentação
A elite burguesa e branca
Que ê dona das lojas de grife
Se dá bem, pois você bota banca
Mas ê o sistema que aumenta o cacife

Se percebe na letra de Krieger uma forte influência marxista, demonstrando a noção de classes e da exploração. Como bom comunista, convoca a classe explorada a se rebelar contra o sistema.

Jansen R. Fernandes
1 Direito Diurno

Quem sabe amanhã?

Karl Marx, um dos mais importantes teóricos do século XIX, causou grande impacto e influências que duram até hoje com sua teoria. Nela, Marx conta com a ajuda de Friedrich Engels. Dentre suas obras, chamam atenção principalmente O Manifesto do Partido Comunista e O Capital. Marx estudou muito a obra de Hegel, a qual serviu de base para sua crítica à dialética, a política e a filosofia do Estado. Marx ressalta a história com a relação opositora entre opressor e oprimidos, a história da luta de classes. Com o advento da burguesia com as revoluções burguesas, o desenvolvimento do capitalismo criou condições para que a diferença socioeconômica se ampliasse entre a burguesia e o proletariado, classe operária colocada a margem da sociedade e afastado da propriedade devido ao sistema capitalista.
Portanto, a sociedade burguesa, criou péssimas condições de vida e de trabalho para aqueles que conduziam a produção, tornando-os alienados, explorados, excluídos. Para vencer essa situação era necessário a revolução. Esta partiria do próprio proletariado, o qual se apoderaria do poder estatal, estabeleceria a ditadura do proletariado, a qual conduziria para o fim das classes sociais. Com a emancipação política do sociedade através da burguesia, Marx defendia que este estágio, apesar de inovador e importante para o desenvolvimento da sociedade, deveria ser complementado com a emancipação social, a qual deveria ser realizado pelo proletariado, excluído da sociedade, desse modo a sociedade se emanciparia em sua totalidade, garantindo também a realização da democracia. Desse modo, o advento da burguesia criou seu próprio carrasco, o proletariado, segundo a teoria marxista.
A burguesia, além de possuir os meios de produção material, também possui os meios de produção intelectual, assim, as luta de classes se expande também para o campo ideológico, a burguesia usa suas ideias para legitimar a dominação capitalista. Assim, a ideologia socialista/comunista, em tempos de crise, fortalece a luta por emancipação, buscando a destruição das instituições burguesas, para garantir, não somente a igualdade formal prevista no direito burguês, mas a igualdade material, uma igualdade de fato, símbolo da emancipação universal humana.
Em O Manifesto Comunista, Marx utiliza de uma linguagem mais simples do que suas demais obras, devido ao fato de que a obra seria distribuída entre os operários, como tentativa e chamamento do proletariado, para que se revoltassem, abrissem seus olhos para os motivos de sua exploração, se unissem e, juntos, fossem capaz de instalar o socialismo, juntos, pudessem transformar a realidade de repressão em que viviam, acabar com a alienação e a dominação burguesa. Mas, será que essa lógica revolucionária seria eficaz atualmente? Será possível o comunismo de maneira pura como proposto por Marx?
Como o próprio Engels ressaltou em um dos prefácios do Manifesto, “alguns pontos deveriam ser retocados”, e, se naquela época Engels já era capaz de enxergar isso, fica claro que hoje em dia outros pontos a mais são passíveis de adaptações para implantação desse regime. Mas mesmo assim, Engels estabelece que os princípios gerais, as ideias centrais do Manifesto, são certas em sua totalidade.
Segundo o método utilizado por Marx para distribuição do Manifesto, hoje em dia seria necessário um modo mais eficaz de alcançar o proletariado, como a divulgação pela internet, a qual grande maioria das pessoas tem acesso. Mas, além disso, seria necessário a quebra de tabus, como a demonização do comunismo, ainda presente nas cabeças de uma parcela da população, devido à grande perseguição aos comunistas durante a guerra fria. Além do mais, seria necessário o esclarecimento ideológico para a parcela da população oprimida, pois estes são radicalmente levados pelo senso comum, o qual está marcado pela lógica do mercado, da opressão, do lucro e da meritocracia.
Como é possível notar, a grande parte dos oprimidos de hoje não querem apenas deixar de serem oprimidos, mas também querem oprimir, ao contrário do que disse Maquiavel. Esta característica é herança do capitalismo, que, colocando o lucro acima de tudo, colocou ideologicamente na mentalidade das pessoas que é isso que elas devem buscar, é esse o tipo de emancipação que elas precisam, é enriquecer e sair da condição de pobreza, possuindo, comprando e gastando cada vez mais. Isso se deu com a vitória do capitalismo sobre o comunismo, as pessoas tendem a seguir aquilo que vence, assim como a história, a qual é contada pelos vencedores. Logo, a vitória do capitalismo implantou essa mentalidade do consumo desenfreado e opressora em grande parte dos alienados, impedindo que a igualdade material seja algo almejado pelo povo.

A revolução socialista me parece distante e inalcançável, embora possua belos princípios, a ideologia neoliberal venceu e predomina na maioria do povo. Entretanto, como dito pelo próprio Marx, não se sabe quando virá o comunismo, mas a revolução surgirá em seu devido contexto histórico próprio, caracterizado por momentos de crise econômica e social. O mundo passa por constantes mudanças no cenário político, econômico, social, como também ambiental. Quem sabe quando alguma nova crise poderá surgir? Quem sabe quando virá e quais as suas consequências para o mundo? Quem sabe as necessidades que surgirão com isso? Hoje pode parecer que a sociedade comunista é impossível, mas quem saberá o dia de amanhã?

Gabriel Magalhães Lopes
1º ano de Direito Noturno 

O papel do proletariado e a conduta da burguesia na teoria de Marx e Engels


            Quando Marx e Engels escrevem acerca do socialismo científico vivencia-se um momento de ascensão de uma nova classe social – a classe operária. Ironicamente nascida da própria organização capitalista, o destino do operariado era, segundo Karl Marx, de inevitavelmente conduzir a sociedade capitalista ao seu redor a uma reversão das relações de poder, de forma a por fim ao conflito de classes e à histórica luta entre opressores e oprimidos, de maneira a substituir uma situação de conflito por uma situação de compartilhamento, representada pela consolidação do socialismo.
            O sistema feudal - que cedeu lugar ao sistema das manufaturas – valorizava a iluminação divina e os privilégios de nascimento. Quando esse sistema cai, a sociedade burguesa dá lugar ao mérito – a sagacidade e perspicácia humanas passam a ser valorizadas, associadas à capacidade de empreender de cada indivíduo, independentemente da hereditariedade. O que se observa, nesse sentido, é que a superação política do feudalismo levou, indiscutivelmente, à superação econômica desse mesmo modelo.
            Nesse sentido, Marx e Engels escrevem acerca de um momento em que a burguesia emergiu com força brutal – em sua perspectiva, no entanto, o surgimento da burguesia era fator fundamental para a ocorrência da revolução. A sociedade burguesa despertou o operariado, que será o responsável por transformar as relações de dominação existentes até então em relações de solidariedade. O burguês, ao pregar a exploração e dominação dos operários visando seus próprios privilégios, desencadeia as ações responsáveis por abrir caminho para todos.
            É nesse sentido que as esperanças de superação do capitalismo, de Marx e Engels, se depositam na classe operária – pois ela é aquela que operacionaliza a nova estrutura produtiva, operando os meios de produção, aqueles que garantem a produção em escalas globais cada vez mais abrangentes. Para Marx, o proletariado estaria destinado a promover essa revolução diante do cenário em que o capitalismo começava a eliminar quaisquer elementos que não fossem a exploração pura e simples de uma classe por outra dentro das relações sociais.

            Assim, percebe-se que, para Marx e Engels, o socialismo seria responsável por transformar as relações de dominador e dominado em relações de reciprocidade e cooperação. Dessa forma, se estabeleceria não só uma relação pura de homens entre homens, no sentido de opressores e oprimidos, mas sim uma relação dos homens com a natureza ao seu redor, objetivando a ampliação de benefícios para toda a humanidade. 

Heloísa Ferreira Cintrão
1º ano - Direito Diurno

Anacrônico

De um lado,
Outrora detinha um o meio da produção;
agora acionistas múltiplos possuem o seu quinhão.
Outrora estava a burguesia a produzir em demasiado;
pois saiba que agora seu proceder é ainda mais desenfreado.
Outrora crises determinariam o sucesso da coletividade;
pois agora são meros pretextos para a austeridade.
Outrora organizados, a vestimenta liberal,
agora entediados, sua riqueza ilegal.

Do outro,
Outrora proclamavam extasiados: "viva a revolução!";
agora os proletários querem, ouriçados, obter a mais nova televisão.
Outrora a queixa da mais-valia e da ausência de descanso remunerado;
agora o advogado trabalhista é, quem sabe, o mais endinheirado.
Outrora orientados por um alemão e um inglês;
agora desolados: definitivamente não é sua vez.
Outrora conscientes, ativos em seu intento;
agora ouvem, desatentos, a um discurso sobre um tal engajamento.

A decadência do capitalismo

            O manifesto comunista foi o livro em que Marx evocou os proletários do mundo todo para se unirem em pró de uma revolução. Para convencê-los disso traça um panorama de toda a história, evidenciando o fato de sempre ter existido um conflito de classes e que o surgimento do capitalismo intensificou essa luta. A burguesia fez sua revolução, transformou todas as estruturas para que refletissem seus interesses, unicamente mercadológicos. Porém, ela tem construído os próprios meios de se desfazer, pois o capitalismo é contraditório e gera as crises cíclicas, as quais   são sempre combatidas por meio de mais exploração e, com isso, os motivos de sua extinção aumentam cada vez mais.
            A  união  dos proletariados a que se refere não é mais do que fruto da união  burguesa. Esta reprime o trabalhador através da desvalorização de sua tarefa, tendo em vista que o desenvolvimento da indústria coage o operário a acompanhar o ritmo da produção e que os salários diminuem, pois a máquina é responsável por grande parte dos procedimentos. Como realizam simples e repetitivas ações, os empresários  aumentam o número de empregados, a ampliação do mercado no âmbito mundial permite o contato de explorados de diferentes locais e a formação de organizações de trabalhadores passa a ser algo fácil e freqüente. Ou seja, "a burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros".
            Os comunistas defendem a classe operária e acreditam que, por a propriedade burguesa traduzir a exploração das classes, ela deve ser abolida, da mesma forma que a propriedade feudal  fora. No capitalismo, o capital, adquirido por contribuição de toda a sociedade, transforma-se em uma propriedade não social, mas sim particular. O que Marx propõe é apenas a mudança para seu caráter  social, já que seu caráter pessoal não permite que todos a possuem- "a propriedade já está extinta para nove décimos de seus membros".
            Abolir a propriedade significaria retirar toda a cultura burguesa que vigora e mantém a exploração. A escola, a família, a mídia, a arte, o estado e todas as outra instituições refletem o ideal burguês. Subordinam o ser humano ao capital. A revolução do proletariado refletirá na mudança de ideias tradicionais, pois estas foram moldadas no antagonismo de classes. Para isso, seria necessário um momento de transição em que todo o capital fosse unificado nas mãos do estado, sem que houvesse maneira de a classe dominante resistir à mudança, período chamado de ditadura do proletariado. 

Diogo Heilbuth
Direito Noturno

O papel da ideologia capitalista na sociedade burguesa


Aldeia global pode ser definido como um sentimento de pertencimento, de aconchego, de união de todos. Esse conceito é um conjunto de mecanismos de regimento “invisíveis”, que inibe a consciência da divisão de classes, referindo-se a apenas um homem brasileiro, uma família brasileira. Dessa forma, a ideologia capitalista usa-se de um discurso falso para justificar o enorme abismo social existente em toda extensão do globo: questões de talento individual, de natureza, de destino, de ambição... E, ainda dissemina ideia de que as oportunidades são iguais para todos. Não obstante, a contradição acentua-se quando a o chavão acima, é repetido por pessoas economicamente desfavorecidas.

Além disso, conforme discutido por Marx e Engels, a sociedade é movida pela luta de classes, relação entre dominantes e dominados. No entanto, a ideologia capitalista apazigua essa realidade difundindo a ideia de que os conflitos surgem isoladamente nos indivíduos: “Seu problema não é igual ao dele, vocês nem trabalham na mesma fábrica...”

Vale ainda ressaltar que que o sistema econômico do capital, por meio de mecanismos de dominação, como a cultura, a religião e o aparelho midiático, tornou o homem individualista, desprovido de solidariedade e totalmente superficial em suas relações. Assim, ele vive uma eterna busca pelo lucro, impulsionado pela ambição.


Todavia, é necessário a inversão de valores com a valorização de sentimentos e criticidade e a subvalorização dos bens materias, através de uma educação critica disponível para todos, e não apenas para uma pequena parcela privilegiada economicamente. 





Heloísa C. Leonel
1º ano Direito Diurno 

Sorria, você está sendo enganado!

Sabe-se que, hodiernamente, seria quase impossível a implantação do Socialismo como o compreendido por Marx e Engels em virtude de diversos fatores como a alienação do proletariado, a força da burguesia como um meio repressivo aos ideais comunistas bem como a desatualização de algumas das ideias propostas pelos estudiosos – formuladas sob outras circunstâncias em uma sociedade e época diferentes. A partir desse pressuposto, entende-se como extremamente necessário não só uma atualização de obras como o “Manifesto Comunista” que destrinchem as facetas da sociedade atual, suas complexas relações e soluções que prezem a igualdade mas também e principalmente, mudar o modo de pensar do indivíduo, seja ele o opressor ou oprimido.
Na busca por esse objetivo, uma alternativa óbvia para a mudança do pensar capitalista seria, de fato, a leitura de Marx e Engels como obrigatória, devendo estar presente nas ruas, nos colégios e nas universidades, uma vez que esse aparato intelectual daria aos indivíduos uma percepção da realidade opressora, agressiva e desigual em que vivem, mas que muitas vezes não se reconhecem como inseridos. No entanto, sabe-se que uma parcela ínfima da população lê e estuda os ideais de igualdade marxistas, seja por falta de acesso à informação ou por mero desinteresse. Assim, pergunta-se: como  atingir o proletário alienado e o burguês acomodado?
A resposta é simples e está no próprio texto: a parcela ínfima. Se considerarmos esta como o grupo pensante da sociedade, a par da realidade exploratória, percebemos a capacidade potencial desses intelectuais em compartilhar o conhecimento e despertar a curiosidade, influenciando o maior número de alienados a sua volta. Desse modo, cada vez mais teríamos indivíduos conscientes sobre suas ações e capacitados de retribuir os ensinamentos, sendo a melhora – ainda que sem o socialismo –  visível e contagiante. Mas então, por quais motivos essa mobilização não é feita?
De certa forma, alguns estudiosos até tentam mobilizar-se, no entanto, sem sucesso. A mídia, como principal fonte de informação, mostra-se parcial sobre os assuntos, uma vez que suporta e tem como suporte os grandes empresários, dificultando que as ideias sejam perpetuadas. Graças à tecnologia, algumas portas foram abertas para o impenetrável mundo do dinheiro, status e ostentação, sendo o Facebook, por exemplo, como uma ferramenta de comunicação eficaz para o debate ainda incipiente sobre a sociedade. Acredita-se que daqui um tempo esses debates sejam mais frequentes nesses meios sociais, ampliando a visão do trabalhador que, ao adquirir mais direitos, pode ter mais tempo para o ócio, assim como o pregado pelos gregos no tempo áureo de mudanças na forma do pensar o indivíduo como agente decisivo para as mazelas sociais. Engana-se quem pensa em aceitar sua posição na sociedade pela falsa sensação de meritocracia e deixa de participar ativamente da sociedade, vivendo sempre a margem como um zero à esquerda. Por fim, questiona-se: se o mundo é de todos, por que uns têm mais e outros têm pouco?


Leonardo Borges Ferreira 1° ano direito noturno

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Choque de realidade

    Estavam pai e filho conversando em uma praça, o garoto tinha oito anos aproximadamente. O pai, embora fosse relativamente jovem, aparentava ser muito mais velho do que realmente era, estava com um ar de cansaço e não muito contente com sua vida.
    Sentei próximo ao banco em que os dois estavam e continuei a ler o livro “contos” de Machado de Assis que me acompanha em todos os lugares que eu vou. No entanto, apesar de estar lendo o livro não pude deixar de escutar a conversa dos dois. O filho se queixava que o pai estava muito ausente, que não o levava no treino de futebol, e nunca ia assistir aos campeonatos. O pai tentava se defender, dizia que trabalhava muito para poder dar boas condições de vida para ele e para os seus irmãos e que ele era obrigado a se sujeitar a vontade de seu chefe, porque afinal dependia dele para assegurar a renda da família.
    Aquelas palavras me inquietaram, comecei a ler o “Um Apólogo”, um dos meus contos favoritos, em voz alta.


Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!


    Ambos calaram-se, acharam estranha minha atitude, mas ficaram escutando com muita atenção cada palavra que eu pronunciava, com o intuito de ao menos compreender o que eu estava fazendo.           Quando terminei a leitura, virei para o pai e disse:
- Machado de Assis fez uso da agulha e da linha para metaforizar certas relações interpessoais. Sem querer, acabei escutando a conversa de vocês dois e vou te dar um conselho, pare de ser a agulha para o seu patrão, pois enquanto você perde momentos importantes da vida de seu filho, o burguês, aquele que detém os meios de produção, “vai gozar da vida” que você possibilitou a ele.

    Saí de perto e ele ficou com um olhar reflexivo enquanto seu filho o olhava sem compreender muito bem tudo aquilo. 
1º Ano- Direito Noturno
Introdução à Sociologia
Ariane do Nascimento Sousa


A modernidade a favor do operariado?

     “Mas a burguesia não só forjou as armas que trazem a morte para si própria, como também criou os homens que irão empunhar estas armas: a classe trabalhadora moderna, o proletariado”
     “Mas com o desenvolvimento da indústria, o proletariado não só aumenta em número, como torna-se concentrado em massas maiores; sua força cresce e ele sente mais essa força”
     “De tempos em tempos, os trabalhadores vencem, mas só provisoriamente. O verdadeiro fruto de suas batalhas repousa, não no resultado imediato, mas na união cada vez mais abrangente dos trabalhadores. Esta união é favorecida pelos meios de comunicação mais desenvolvidos, criados pela indústria moderna e que colocam os trabalhadores de localidades diferentes em contato uns com os outros”
     “Era somente este contato o necessário para centralizar as numerosas lutas locais, todas do mesmo caráter, em uma luta nacional entre classes. Mas cada luta de classe é uma luta política. E com essa união, para alcançar o que os burgueses da idade média, com suas estradas vicinais, precisaram de séculos, os proletários modernos, graças às estradas de ferro, alcançaram em poucos anos”
     Esses trechos de Marx e Engels, presentes na obra O Manifesto Comunista, expressam bem e ajudam a entender o motivo de tamanha convulsão social e confiança na revolução proletária, ainda no século XIX. Quando falam em união favorecida pelos meios de comunicação, a discussão se torna ainda mais contemporânea, uma vez que as tecnologias de troca de informações à distância estão desenvolvidas de uma forma nunca antes vista.
     Porém, pode-se afirmar que, à medida que essas tecnologias se desenvolvem, a própria classe burguesa ganha cada vez mais capital e, consequentemente, mais poder. Assim, sendo os burgueses os legítimos detentores dos meios de produção, questiona-se a validade e a efetividade da união dos proletários através desses meios comunicativos, considerando-se que esses mesmos meios são controlados, inevitavelmente, pelos burgueses.
     Dessa forma, percebe-se o imenso poder de controle da classe dominante sobre a classe dominada, talvez o maior desde o início da luta de classes, ainda mais quando se considera que a acessibilidade aos meios de comunicação se dá pelo salário, talvez o maior instrumento de controle da burguesia. Enfim, é preciso maior organização das forças de resistência aliada a fortes instituições democráticas, com a finalidade de amenizar essas disparidades diametrais entre os dominantes e os dominados.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno

A “Revolução” no século XXII

Analisando a famosa  e  incansavelmente citada obra de Marx e Engels,  “O Manifesto Comunista”, destaca-se que os autores expõem que a luta de classes representa a história da sociedade: homem livre X escravo; o patrício X plebeu, senhor X servo. Por sua vez, a sociedade burguesa traz intrínseca a si a luta entre burguesia e proletariado. A partir da hegemonia da sociedade burguesa; a qual nasceu das ruínas feudais, percebe-se  uma alteração profunda no seio da sociedade: a burguesia destruiu as relações fraternais, findou o fervor religioso; escancarando o individualismo, o consumismo, o egoísmo. Isso é muito nítido nos dias atuais: as pessoas, apesar de viverem em grupo, agem como se estivessem presas à um universo paralelo. Assustadoramente, essa situação está presente no próprio convívio familiar, por exemplo, quando os membros de uma família preferem isolar-se cada um em seu quarto, ouvir sua música em seus fones de ouvidos particulares, mexerem cada qual no seu próprio celular. Nesse ínterim, concluímos que, na sociedade burguesa, o individualismo, a competitividade se elevam, em detrimento do altruísmo, da solidariedade.

Conforme Engels e Marx destacam, na sociedade burguesa dá-se uma importância muito elevada ao dinheiro, às relações monetárias. Elas parecem substituir as demais relações sociais. Isso é, no mínimo, triste, já que gera o constante descontentamento e ,posterior, frustação do homem, pois ele nunca se satisfaz ao suprir determinadas necessidades materiais,  uma vez que sempre surgirão outras e outras, num ciclo eterno e angustiante. Muitos estudiosos afirmam que essa é uma das origens da depressão (“o mal do século”). O que sabemos indubitavelmente é que essa liquidez das relações afetivas, cujo princípio remete-se à nascente sociedade burguesa amplamente criticada por Marx e Engels, ou seja, essa superficialidade no contato com o outro apenas colabora para reiterar a hegemonia do capital; o que nos leva à seguinte reflexão: será que o estabelecimento pela burguesia da liberdade de comércio em prejuízo das demais liberdades é favorável aos cidadãos?

“Com o rápido aprimoramento de todos os meios de produção, com as imensas facilidades dos meios de comunicação, a burguesia arrasta todas as nações, mesmo as mais bárbaras para a civilização”(p. 30) Com essa citação de O Manifesto Comunista, conseguimos fazer uma analogia com o objetivo das nações europeias na época das Grandes Navegações. Não podemos considerar um tanto pretensiosa e rodeada de preconceitos acerca de uma “superioridade” essa “missão” da burguesia em levar seu ethos, considerado superior ao demais, para todos os povos,? Não seria equivocado e até ilegítimo a tentativa burguesa de criar “um mundo à sua imagem”?


Marx e Engels destacam o intuito burguês em expandir seu modo de produção ao mundo todo, como já foi exposto. Trazendo esse raciocínio para o século XXII, podemos relaciona-lo à globalização; a qual colabora para alienar  e homogeneizar a tudo e a todos, transformando os indivíduos naqueles operários pré-programados pela indústria na época da Revolução Industrial. No contexto atual quem os domina e os padroniza é também uma indústria, mas não aquela de automóveis, de tecidos à época de Marx e Engels, é ,talvez, uma mais cruel; a “indústria cultural” .Resta-nos saber se esses “robôs” que os homens tornaram-se, serão capazes de se libertar das amarras do consumismo, da massificação cultural, do individualismo e  se conseguirão fazer a revolução; a qual nada tem a ver com modos de produção como outrora Marx e Engels defendiam, e sim, em tornar o mundo um lugar, ao menos, mais harmônico e fraternal.

 Victória Afonso Pastori
1 º Ano Direito- Noturno

Inevitável Fim

Em um momento de ascensão de uma classe operária na Europa, Karl Marx e Friedrich Engels abordam, em sua obra “O Manifesto Comunista”, os aspectos desta classe em oposição à burguesia dado que sobre aquela é depositada a confiança dos referidos intelectuais para a superação do capitalismo dado que o operariado eliminaria a luta de classes.
Defende-se que a classe operária estabelece uma nova relação social substituindo a dominação por uma forma de interdependência, ou seja, a perspectiva de transformar as relações de poder em relações de solidariedade de modo a interromper a burguesia na criação de um mundo à sua imagem, Isto pode ser verificado pela forma como o modelo de produção burguês influencia as nações a introduzirem o que define por civilização. Basicamente, induz aquelas a se tornarem burguesas.
Assim, a burguesia pode ser classificada como classe revolucionária uma vez que modifica, incessantemente, os instrumentos de produção e, com isso, as relações de produção ocasionando na revolução de todas as relações da sociedade. Entretanto, a burguesia necessita para existir e ter poder da formação e crescimento de capital e estes são sustentados pelo trabalho assalariado. 
Logo, a burguesia impulsiona-se ao seu fim visto que o trabalho assalariado fundamenta-se na competição entre os trabalhadores o que deveria causar isolamento entre eles, porém os associa pela combinação revolucionária. Desta forma, afirma-se que o cerne da união do operariado está na própria burguesia.
Em suma, Marx e Engels defendem que a classe operária decretará o fim das lutas de classe motivadas pela própria burguesia ao afirmarem que "a burguesia não só forjou as armas que trazem a morte para si própria , como também criou os homens que irão empunhar estas armas" (1998, p. 19)


Camila Migotto Dourado
1º ano Direito - Diurno

"Rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre"


“(...) pois os que no regime burguês trabalham não lucram e os que lucram não trabalham”


A nossa história sempre foi marcada pela luta de classes, contudo, o capitalismo contribuiu para um aprofundamento desta, separando a sociedade entre burguesia e proletariado. A burguesia sempre visando o lucro, principalmente através da mais valia e da expansão dos mercados, e o proletariado sempre sendo explorado. 
Dessa forma, a existência da burguesia só é possível graças ao trabalho do operário, que permite o que a ela é essencial: o acúmulo de capital. A exploração dos donos dos meios de produção daqueles que dependem dos salários para viver no mundo capitalista é impiedosa. A solução proposta por Karl Marx no Manifesto Comunista (1848) para esse problema é simples: os trabalhadores devem se unir para acabar com a propriedade burguesa, ou seja, a propriedade privada. 
Nos dias de hoje, essa dominação burguesa sobre os trabalhadores, e sobre toda a população mundial é possibilitada pela globalização. De forma que ficamos subordinados ao sistema econômico capitalista, que está presente na vida de todos, alguns para o bem, outros para o mal. Os frutos do capitalismo são refletidos na desigualdade social e econômica mundial, enquando 99% da população possui apenas 52% dos recursos mundiais, o outro 1% concentra os outros 48%. Como diria uma música popular "o rico cada vez fica mais rico e o pobre cada vez fica mais pobre". 
Apesar do capitalismo atual ser diferente daquele da época de Marx  ao fazer concessões como a existência de Estados sociais e de se existir certa preocupação com o o meio ambiente, ele é ainda extremamente prejudicial para aquela população que trabalha muito todos os dias e continua recebendo um salário desproporcional em relação aos chefes. Dessas forma, hoje em dia existem algumas concessões sim, mas não a ponto de abalar ou mudar o sistema capitalista.

Mariana Miler Carneiro
1º ano- Direito- Noturno

O comunismo para Marx e Engels

A obra “Manifesto do Partido Comunista” reflete a visão crítica de Marx e Engels sobre o capitalismo, a luta e a necessidade da união dos proletários contra a burguesia. Publicada em 1847. Constituindo-se num importante documento que delineava em seus pontos essenciais as bases econômicas e a luta de classe como o motor da história. Segundo seus autores, para surgir uma sociedade sem classe e sem exploração, esta só seria possível através da união dos proletários.
Desde os primeiros tempos da História a sociedade existiu através da luta de classes sociais, ou seja, entre burgueses e proletários, verificamos assim, quase por toda parte, uma completa divisão da sociedade em classes distintas, uma escala graduada de condições sociais que reina até os dias de hoje. Com o desenvolvimento da burguesia (capital), desenvolve-se também o proletariado, a classe dos operários modernos, que só podem viver se encontrarem trabalho e que só o encontram na medida em que este aumenta o capital. Esses operários, constrangidos a vender-se diariamente, são mercadoria, artigo de comércio como qualquer outro. De todas as classes que ora enfrentam a burguesia, só o proletariado é uma classe verdadeiramente revolucionária. As outras classes degeneram e perecem com o desenvolvimento da grande indústria; o proletariado, pelo contrário, é seu produto mais autêntico. O movimento proletário é o movimento espontâneo da imensa maioria em proveito da imensa maioria. O proletário, a camada inferior da sociedade atual, não pode erguer-se, pôr-se de pé, sem fazer saltar todos os estratos superpostos que constituem a sociedade oficial.
A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho assalariado. Este baseia-se exclusivamente na concorrência dos operários entre si. Os comunistas apoiam os proletários como um todo, pois objetivo imediato dos comunistas é o mesmo que o de todos os demais partidos proletários: constituição dos proletários em classe, derrubada da supremacia burguesa, conquista do poder político pelo proletariado. A característica distinta do comunismo não é a abolição da propriedade em geral, mas a abolição da propriedade burguesa. O capital é um produto coletivo: só pode ser posto em movimento pelos esforços combinados de muitos membros da sociedade, O capital não é uma força pessoal; é uma força social. Assim, quando o capital é transformado em propriedade comum, pertencente a todos os membros da sociedade, não é uma propriedade pessoal que se transforma em propriedade social. A teoria dos comunistas pode ser resumida na sentença: abolição da propriedade privada, o fim da exploração dos muitos pelos poucos.
Na sociedade burguesa existente, a propriedade privada já acabou para nove-décimos da população. A sua existência para os poucos deve-se simplesmente à sua não existência nas mãos desses nove-décimos. O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, apenas suprime o poder de escravizar o trabalho de outros por meio dessa apropriação. Na proporção em que a exploração de um indivíduo por outro termina, a exploração de uma nação por outra também terminará. Na proporção em que o antagonismo entre classes dentro de nações desaparece, a hospitalidade de uma nação para outra terminará. Em suma, o comunismo é a ruptura mais radical com as relações de propriedade tradicionais existentes no capitalismo, em que o desenvolvimento livre de cada um é a condição para o desenvolvimento livre de todos.
Pode-se finalizar dizendo que essa obra em questão constitui um magnífico instrumento para a humanidade, pois nos pensamentos transcritos nesse documento representa um agudo grito contra o processo mecânico e a alienação do homem, contra sua perda da cidadania, de humanidade e sua transformação em objeto explorado.


Thais Amaral Fernandes - 1 ano Direito Diurno