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domingo, 23 de março de 2014


O ceticismo como forma de conhecimento

René Descartes, nascido no final do século XVI e considerado como o pai da filosofia moderna rompe com a filosofia vigente do período medieval expondo seu racionalismo clássico no qual influencia inúmeros célebres filósofos como Isaac Newton, Blaise Pascal, John Locke dentre outros. 


Em seu “Discurso do método”, escrito em 1637, procura a busca da verdade através das ciências e a condução da própria razão através da dúvida como principal alicerce do conhecimento humano. O questionamento e a análise criteriosa de tudo o que constitui a realidade tem por base fundamental a garantia da plena certeza. Entretanto, a única verdade destituída de dúvidas era a de que o ato de pensar por si só comprovava a existência humana, logo, Descartes conclui esta linha de pensamento inerente ao sujeito pensante: Penso, logo existo.


Descartes através de seu ceticismo clássico é a expressão máxima de que a dúvida é algo intrínseco à condição humana em toda a sua existência sendo este um valor positivo, à medida que, a humanidade utiliza de suas imprecisões para aprimorar conhecimentos necessários à evolução do homem como ser pensante. Não por questões de vaidade em fazer do homem um detentor de conhecimentos eruditos, mas pela necessidade de torná-lo dono de opiniões próprias e formador de seus juízos. 

Adriane de Souza Oliveira - 1ºano Direito noturno

Lumine naturali

Herdeiro da Renascença, René Descartes pensava que a tradição filosófica anterior não era capaz de estabelecer conteúdos seguros de verdade. A tradição filosófica não proporcionava conhecimento claro e evidente. Ele acreditava na razão humana, procurando investigar a totalidade dos problemas com as luzes da razão.
Descartes pretendeu utilizar a sua razão natural de maneira metódica, partindo de um ponto de vista do qual não pudesse construir objetos de disputas e dissenções, para elevar o raciocínio, pouco a pouco, e obter verdades indubitáveis e absolutas. Sua dúvida metódica diferenciava-o dos céticos: sua dúvida servia apenas como ponto de partida para conclusões exatas. Descartes considerava também que o conhecimento adquirido através das experiências sensíveis era enganador, pois essas representavam simulacros da realidade.
O filósofo afirma que a razão e o senso é a única coisa que diferencia os homens dos animais. A partir disso, ele aponta quatro máximas que caracterizam os princípios da moral: obedecer as leis e aos costumes do meu país, conservando constantemente a religião em que Deus me concedeu ser instruído desde a minha infância; guiar-se pelas opiniões mais moderadas e distantes do extremo; ser firme e resoluto e seguir apenas as opiniões mais prováveis; tratar antes de vencer a mim mesmo do que aos acontecimentos e mudar antes os meus desejos do que a ordem do mundo.
Duvidando dos sentidos, das opiniões e das ilusões, mesmo admitindo que tudo era falso, uma coisa levaria Descartes a provar sua existência indubitavelmente: o fato de pensar ( Se duvido, então, penso. Isso traz com que eu tenha certeza da minha existência. Porque se eu duvido, eu penso, e se penso, logo eu existo). Dessa forma ela afirma ser uma substância pensante, cuja a natureza é pensar.

Giovani Rosa - 1º ano direito noturno.

A Dúvida dos Substantivos

                                              
Despertador. Olho o maldito relógio, eram apenas 6:00. Levantei-me e fui pra cozinha comer algo. Minha Barriga estava me matando. Achei uma pera estraga ao fundo da geladeira, peguei ela e fui comendo pela casa enquanto colocava uma musica pra me distrair. Gostava de ouvir de manhã algo lento mas a empregada havia escondido meus malditos CDs. Amanhã quando ela vier ela vai levar uma puta bronca.
Fui me vestir para o horrendo trabalho. Nada me desanimava mais nessa ardilosa vida do que ir a essa maldita obrigação, ver aquelas mesmas pessoas e fingir minha felicidade diante delas.
Coloquei a porcaria da primeira coisa que me apareceu, escovei os dentes e saí. Daria qualquer coisa para não ter essa maldita rotina.
Trabalhei... conversei... fingi minha felicidade...voltei para casa.
Liguei a televisão, mas nada que estava passando me agradava. Jantei qualquer merda e fui dormir.
Estava passeando no parque, Matilda estava ao meu lado. Não me lembrava mais suas feições, apenas seu cheiro de carinho.estava meio nublado. Sua voz entrava na minha cabeça e não fazia o menor sentido. Não, não queria mais ouvi-la. Sentamos no banco em frente ao café que eu sempre frequentava. Sua voz permanecia entrando irrevogavelmente na minha cabeça. Voz irritante. E se ela não existisse? Não precisaria mais ouvi-la. Cansei-me dela, levantei e simplesmente fui embora apara casa, dormir um pouco, relaxar.
Coloquei minha cabeça no travesseiro, relaxei meus pensamentos e deixei o sono me levar.
Despertador. Olho o maldito mostrador de horas, era alguma hora de manhã, Sabia que era de manhã porque estava claro. Fui comer algo, peguei uma fruta verde de um compartimento gelado e fui comendo ela enquanto ia colocar um som cantando para escutar e me distrair. A maldita empregada havia limpado o lugar onde eu vivia e sumido com os objetos que guardam o som.
Vesti-me para o trabalho eu fui. Trabalhei. Voltei para meu lar, dormir.
Estava passeando com uma pessoa em algum lugar público com arvores. A conversa não me causava nenhuma sensação. Sentamo-nos em um lugar, pelo menos eu tenho a certeza que me sentei. o Céu estava escuro, mas claro também.
Acordei?  Eram? Levantei-me e fui comer? Estava matando?  Achei, peguei e fui comendo enquanto colocava?  Gostava mas havia escondido?  Levar?  Fui?  Desanimava do que ir, ver e fingir?
Dormi?  Acordei e passeei? Lembrar, ouvir? Odiei? Dormir?
Existir!  Duvidar!
                                                                                                                                             Felicidade


Túlio Boso" Fernades dos Santos
Direito - Matutino - Turma XXXI

Descartes - o propulsor da análise crítica



          A curiosidade sempre foi algo intrínseco ao homem. Desde o princípio, esse se preocupou em descrever e analisar o ambiente ao seu redor. No entanto, nem sempre foi possível o questionamento diante daquilo que já havia sido proposto. Dessa maneira, a falta de indagação fez-se presente nas sociedades durante muito tempo, devido à concepção de “verdades absolutas”. Ou seja, tudo o que já havia sido postulado era considerado como indubitável, e, portanto, ninguém mais deveria pensar a respeito.

        Os estudos cartesianos acerca da metodologia de pesquisa servem como divisor de águas. Rompendo com a filosofia retórica, até então vigente, e dando início ao que mais tarde seria chamado de “ciência moderna”. Nesse ponto, é possível estabelecer a formação de uma sociedade mais questionadora, na qual as verdades tidas como absolutas são colocadas à prova.

      Trazendo para o contexto atual, podemos assinalar a inconstância das ciências como consequência do pensamento cartesiano. Uma vez que essas podem ser acumulativas ou então se sobreporem umas às outras ao longo dos anos. Tal mutabilidade é decorrente de um pensamento crítico inerente ao homem moderno.



Marilana Lopes dos Santos
1º Ano Direito Diurno 

Descartes: A Filosofia Moderna não Descartável

    É bastante provável que o primeiro contato com René Descartes no Ensino Fundamental esteja vinculado à Geometria, sendo o Sistema Cartesiano. Seu maior legado, contudo, sua mais marcante herança aos pensadores posteriores, e até aos puramente interessados em compreender sua obra, está na Metodologia desenvolvida pelo francês no que diz respeito ao Estudo da Razão, objetivando sempre um aumento gradativo de seu próprio Conhecimento em detrimento dos possíveis enganos que a falta desse geraria.
    Tendo estudado em uma Escola de tendências filosóficas tradicionais, na crença de que, assim, elevaria seu aprendizado e alcançaria a erudição, percebe-se circundado por inúmeras dúvidas após findarem os anos acadêmicos. Ao dissertar sobre o conflito, expõe em sua obra "Discurso do Método", um marco do início da Filosofia Moderna,  a forma com que conduz sua razão e pensamento, levantando diversos aspectos e tornando-os públicos para serem, antes de tudo, acessíveis aos que possuíssem bom senso, os Homens.
    Dotado de um enorme desejo em discernir o Verdadeiro do Falso, esperando assim encontrar maior segurança em seu percurso, Descartes sugere inicialmente que se abdique das antigas convicções inculcadas pela sociedade em que se vive, passando a construir em si um ideário a partir da emissão de julgamentos próprios. Estabelece, também, quatro Máximas de uma "Moral Provisória", todas traçadas ao longo da experiência de superar os costumes; os possíveis excessos que levariam à cegueira ante aos fatos; a noção de que se é imperfeito e, a partir daí, não rege o universo completo e nem tem controle sobre tudo; até concluir que, quanto mais cientes de seus próprios limites, mais satisfeitos os Homens seriam.
    Partindo mais da observação do que da atuação, afirma que sua necessidade de duvidar está baseada na ideia de que, apenas com questionamento, chegará a uma resposta mais exata quanto à veracidade do fato, estando a indagação sempre associada à elevação do conhecimento como um todo.
    Também por meio da análise e retórica, constroi a imagem de um Ser do qual todos os outros descendem e dependem, um Ser perfeito que possibilita a existência de e, acima de tudo, a crença na Verdade em alguns fatos, como o Sol, a Lua e os Astros. "Deus", como denomina a mais alta forma de Superioridade, não possui limitação de conhecimento, é a representação máxima da razão, pois dele surgem as outras, e, apenas com as dúvidas e indagações sobre o que os sentidos podem encontrar, chegar-se-ia ao ponto de maior proximidade com o Conhecimento real, puro e superior de Deus.
    Descartes foi filósofo, matemático, físico. Antes do resto, no entanto, foi um fiel questionador do Universo e suas Leis, indubitavelmente icônico ao mundo Ocidental, deixando como uma das mais importantes ideias a de que um ser que duvida está pensando, e, assim, não há maior certeza do que a sua existência. "Dubito, ergo cogito, ergo sum".

DUVIDAR POR DESCARTES


Desiludido com o estudo das letras, com o qual imaginava alcançar erudição e, porém, ao seu ver, só conseguiu a descoberta de sua ignorância; René Descartes questiona as bases das ciências ensinadas e dos conhecimentos já consolidados, desacreditado de que houvesse homens mais racionais ou mais claros entre a humanidade, busca uma forma de aprimorar e conduzir o uso da razão, aumentando seu conhecimento e com isso surge seu método.

Este baseia-se no questionamento e exame de todas as ciências de forma a "conhecer-lhes o exato valor e evitar ser por elas enganado". Vivendo na era medieval, cujo o alicerce era a cristandade muito superou com seu método mostrando-se atemporal, e tornando-se um revolucionário não só por propor uma nova maneira de obter conhecimento e formular teorias, mas por criticar as já existentes confirmadas por ideologias e crenças próprias a quem falava e não condizentes a realidade tal como ela é; entretanto não apresenta seu método como único e o melhor caminho a ser seguido, mas sim como um exemplo de aperfeiçoamento. 

Apesar de suas criticas não desdenha os filósofos passados, considera-os além de seu tempo, com o porém de não possuírem referências suficientes para formular sua idéias. Não abandonou suas convicções religiosas, pelo contrário com seu método buscou reafirmar a existência de Deus e muito discute sobre a alma humana. Conclui que o conhecimento obtido sem dúvida não torna o homem mais do que um conhecedor medíocre.

Barbara Oliveira de Carvalho,1º ano Direito Diurno 

A influência da Antiguidade no mundo hodierno

   Quando falamos em ciência, a citação de Descartes é inevitável: criador da ciência moderna, rompeu com a forma de pensamento até então, questionando a veracidade de seu conhecimento como forma de reformulá-lo, livrando-se de dogmas.  Em seu método defende a fragmentação do objeto de estudo para compreender cada mínima relação, o que, de fato, ocorre hoje, visto que especializações são cada vez mais presentes em nossa sociedade.
   Para ele, a ciência é um instrumento de promoção do progresso humano, visando fazer do Homem o princípio do conhecimento, afastando-se das formas sobrenaturais e convencionais de conhecer, em que o Homem é mera ferramenta pela qual o conhecimento flui vindo de um plano superior.  Não obstante, mantém sua crença na religião, alegando usar a ciência para desvendar os enigmas divinos, utilizando para isso a idéia bíblica de que o Homem é senhor do universo.
   Sua presença na atualidade faz-se marcante em inúmeros campos do conhecimento, entre eles o Direito: sua lógica contribuiu para a superação do Direito Canônico para o Direito Laico, além de contribuir para o desenvolvimento deste com seu método, visto que cada vez mais o judiciário necessita inovar com diferentes formas de julgamento, já que o Direito torna-se obsoleto com grande rapidez.

sábado, 22 de março de 2014

Ceticismo como evolução

    Ciência, do latim scientia que se traduz como conhecimento, tem como objetivo descrever o funcionamento de todo o mundo, enquanto a filosofia tenta explicar o porquê de todos esses fenômenos. Porém para René Descartes todo o conhecimento antigo de nada servia, pois não foram comprovados, apenas foram pensamentos de sábios. Assim um dos pais do iluminismo, Descartes, tenta através de um método responder todos os enigmas do universo.
    O filosofo buscou a criação uma ciência universal, partindo do princípio do questionamento. Tamanha foi sua contribuição à contemporaneidade que a dúvida se tornou o primeiro passo de qualquer estudo, se tornou natural do homem que vive em  um mundo de inconstâncias. Apesar de acreditar que cada um utilizaria de seu próprio método para aprimorar seu conhecimento, errou ao julgar certos estudos mais importantes que outros, visto que ignorou a alquimia, astrologia, entre outras que tiveram grandes contribuições para suas épocas. O que hoje pode ser irracional já pôde ter sido uma verdade universal.
     Descartes propôs assim como Platão que os sentidos só nos enganavam, assim acreditava que deveria questionar-se todas as coisas para não ser enganados pelas sensações. E o francês se distanciou de Schopenhauer porque este acreditava que a base de nosso conhecimento seria as sensações, René via tais como um fraco alicerce para se construir toda a sabedoria.
     O ceticismo cartesiano deu início a uma era de luzes, aqueles que não se questionam e aceitam tudo que lhe é imposto deixa de existir (penso, logo existo) e passa a sobreviver. A partir de sua obra " Discurso do Método" determinou o conhecimento como marcha da evolução em todos os âmbitos da sociedade, sem deixar abalar sua fé usando tais métodos para tentar comprovar a existência de Deus.

Gabriella Akemi Kimura- Direito noturno- Turma XXXI

Verdade inquestionável

Em um mundo composto por diversidades, pode ser possível definir o que é a verdade? O que pode ser considerado certo ou errado, bom ou ruim? Muitos que possuem uma visão limitada à realidade se bloqueiam para qualquer novidade e se tornam inertes para adquirirem novos conhecimentos a atingirem uma sabedoria.Nesse contexto de imensa variedade cultural e de opiniões, não é possível definir a verdade mas somente conceituá-la.
Descartes, em sua busca por essa verdade, utilizou um método que se diferenciava dos demais, passando a realizar sua meditações sem influencia de pensamentos e razões pré determinadas.Desse modo, através do livro o Discurso do método consegue demonstrar tais meditações que são estudadas até atualmente como : "Penso, logo existo". Levando a fundo a ideia de que a única verdade que poderia ser comprovada é de que se há pensamento logo há a existência do ser.
Esse método científico adotado por René foi um passo para melhorar os meios de busca do conhecimento, todavia, ele não se desvinculou da religião,o que mostra a grande influência do cristianismo naquela época, tentando através das ideias inatas provar a existência de Deus.

Camilla Pires          Direito Noturno - Turma XXXI



A arte da cogitação

     Em seu "Discurso do Método", escrito em 1637, René Descartes buscou deixar clara a inquietação, insatisfação e o descontentamento com a maneira convencional de se fazer filosofia no século XVII. Deixando de lado a ciência chamada revelada (são exemplos a magia, a astrologia e a alquimia), ele rompe com a tradição de interpretar somente os clássicos e inaugura o princípio de produção de conhecimento conhecido como método científico. Inspirado pela importância da dúvida ao se tratar da construção do conhecimento, Descartes indica o método como solução e caminho para a verdade absoluta. Esse método aumentaria a perspectiva de promoção do progresso humano, além de criar um leque de novas maneiras para a compreensão e interpretação do universo. 
     Descartes afirmava que o questionamento seria a base sólida na qual o conhecimento seria contruído, já que é o único caminho para investigar os enigmas que cercam o mundo dos Homens. Também sugere em sua obra que após dominar a dúvida, o Homem teria a segurança necessária para enfrentar o mundo, postando-se diante dele como um senhor, e não mais um escravo.
     Ao trazer esse pensamento para a atualidade, nota-se que a luta contra a acomodação e a vontade de transformar o mundo por meio de novos pensamentos defendida por Descartes se mostram válidas, já que cada vez mais assistimos banais reproduções terem espaço na sociedade ao invés de um conhecimento ou uma racionalização que seja original. Não se pode confiar e insistir para sempre em uma única interpretação de determinado patamar, pois o conhecimento formado por várias opiniões é o que faz a humanidade progredir. 

Vitória Schincariol Andrade
1º Ano Direito - Noturno

Entre sonho e realidade

A partir do uso do senso crítico, e da descrença na Filosofia e nos ensinos tradicionais, René Descartes realiza sua maior obra, o “Discurso do Método”, onde discorre a propósito deste, sua maior contribuição para as Ciências Humanas.
Tal descrédito surge para Descartes devido ao fato de a Filosofia não ter sido capaz de, ao longo dos anos, eliminar os outros tipos de conhecimento, pelo fato de seus alicerces não serem suficientemente fortes para tal finalidade. Para ele, tal incapacidade demonstra que a Filosofia não pode ser tida como absoluta, pois, a partir do momento em que suas bases não são inabaláveis, ela torna-se discutível, passível de questionamentos. Quanto aos ensinos tradicionais, tais como a Escolástica, Descartes abdica dele, pois, em sua visão, não possuíam aplicação na vida real, portanto inexiste um sentido em utilizá-los.
Os questionamentos constituem a base do método, pois este tem a intenção de discutir o modo como inicia-se a construção da ciência moderna. Além disso, eles devem ser aplicados a todas as ciências, buscando o conhecimento unificado, inequívoco.
Para atingir tal conhecimento, é necessário que se diferenciem sonhos e realidade. Descartes diz que tal separação é essencial, pois os mesmos pensamentos podem ocorrer durante ambos, mas não basta que eles existam na mente para que eles sejam verdadeiros. Eles devem estar fundamentados em fatos da realidade exterior à mente.

Assim, o Método consiste no questionamento que leva à fragmentação do pensamento, evoluindo do mais simples ao mais complexo, e por fim, na revisão de todas as informações coletadas, visando a coerência, pertinência e relevância do objeto estudado.

Maria Luiza Rocha Silva - 1º ano Direito Diurno - Turma XXXI

Descartes: o conhecimento decorrente do método.


   Método, segundo o dicionário Priberam, pode ser definido como “processo racional para chegar ao conhecimento ou demonstração da verdade”. A partir dessa definição, é possível resgatar a origem histórica do desenvolvimento do método e, dessa forma, retornar à obra cartesiana.
   Segundo Descartes, o conhecimento estava fundado sobre fracas, dúbeis bases, muitas vezes atrelado a crenças e ideologias. Fazia-se necessária, portanto, a desconstrução do conhecimento vigente para que fosse possível o surgimento do conhecimento verdadeiro. Assim, por meio da dúvida metódica, dá-se a busca a um marco inicial, uma base sobre a qual o conhecimento possa ser fundado, norteado pela razão. A partir daí, o conhecimento advindo a partir de uma verdade absoluta, o conhecimento de fato seria explicitado, se livrando das antigas dúvidas decorrentes de um método falho para a absorção e exteriorização daquele.
   Essa proposta foi, sobretudo, ousada. Ir de encontro às tradições culturais e sociais, afirmando que o processo de reconhecimento do mundo, realizado por anos, era falho demonstra a convicção que possuia em sua ideologia,ainda mais tendo em vista as punições dadas aos outros pensadores que seguiram esse caminho (vide o ocorrido com Galileu Galilei). Quem sabe, isso tenha sido o diferencial para que pudesse ser iniciada a revolução racional em todas as áreas do conhecimento.
   Cabe ressaltar que as ideias cartesianas não foram por todos aceitas, mas seu método passou a ser usualmente empregado. Assim, o grande valor atrelado a Descartes  não se encontra na teoria por ele proposta, mas na organização e padronização presentes em seu método. Cai, portanto, em mais uma das grandes ironias da humanidade: o grande defensor da razão e da lógica não se glorificou pelo uso de tais aspectos, mas pelo processo descrito para que sejam tais alcançados. Como pensador, Descartes foi o maior dos padronizadores.

Victor Bernardo C. Dantas
 Direito Diurno - turma XXXI


O ANTROPOCENTRISMO E O MÉTODO CIENTÍFICO

É recente na mídia, uma propaganda cuja máxima é “Não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas!”. A partida de uma dúvida, o questionar-se sobre a veracidade das coisas e a rejeição de tudo aquilo passível de incerteza, nos remete a um grande pensador: René Descartes.
Considerado por muitos como pai da ciência moderna, Descartes continha em si certo descontentamento a cerca de seu aprendizado – a filosofia- que era o fundamento de todo o conhecimento e, também, se mantinha inquieto com as novas formas de conhecimento: a magia, a astrologia, a alquimia, dentre outras. Somado a isso, a Igreja ainda exercia grande influência no conhecimento da época.
O filósofo, a respeito de tudo o que conhecia, seus estudos e vivência, mais duvidava que acreditava. E, então, para quaisquer que fossem os objetos de análise estabeleceu um método com quatro premissas básicas para se chegar à verdade: jamais admitir uma coisa como verdadeira se ela admitir duvidas e não for evidente, dividir o problema em partes menores para uma análise clara e detalhada, ir das temáticas mais simples para as mais complexas e, por fim, relacionar tudo de forma metódica, com uma revisão completa sem nada omitir.
 Ao fazer isso, rejeitando todos os pressupostos, descobre a si mesmo, ou seja, a identidade capaz de pensar que não precisa de lugar algum, nem de qualquer coisa material; dessa ideia parte o primeiro principio de sua filosofia: “cogito, ergo sum” (penso, logo existo).  E, esses mesmos seres pensantes, dependem do poder de algo mais perfeito para que possam  existir, que é Deus.
É observado que na filosofia cartesiana não há um total rompimento com a religiosidade, já que há um ser superior, há Deus. Entretanto, a razão é posta como único elemento capaz de nos diferenciar dos animais e nos tornar homens. Assim, esse mesmo homem, como imagem e semelhança de Deus, passa a escravizar as coisas e não mais ser escravos delas. Ele se encontra como centro da interpretação e compreensão do mundo e utilizando-se do Método Científico, do qual Descartes lança as bases iniciais, parte em busca das verdades, afastando todo o conhecimento revelado e construindo a si mesmo como homem moderno.


Louise F. de Oliveira Dias - 1º ano Direito Noturno

Descartes: o discurso do método e a ruptura com o pensamento tradicional

Ao longo da historiografia humana, a necessidade de desvendar e conhecer o mundo foi o motor responsável pela condução do homem ao desenvolvimento científico. Não obstante, até meados do século XVII, as formas de conhecimento eram sumariamente pautadas na tese transcendental, a qual proferia que a verdade das coisas era revelada por seres sobrenaturais, como na Alquimia e na Astrologia. Foi nesse contexto que surgiu o Pai da Filosofia Moderna, René Descartes, o qual foi responsável por uma ruptura com as formas tradicionais de pensamento.
             Insatisfeito com a forma de conhecimento e aprendizado convencionais por não apreciar em tais um fim útil, Descartes propôs um método que fosse capaz de unificar as formas de pensar e que permitisse ao homem desvendar os enigmas do mundo. O Pai da Filosofia Moderna defendia que o conhecimento científico deveria ser acompanhado de sua aplicação concreta. O homem não deveria deixar-se guiar por formas prontas de saber, mas deveria abdicar de todo conhecimento pré-estabelecido e utilizar-se somente de seu próprio juízo para conhecer o mundo. Assim, o ser humano deveria rejeitar tudo o que pudesse ser colocado sob dúvida para estabelecer bases sólidas ao seu conhecimento. O duvidar e o pensar seriam as únicas provas da existência do homem: “Penso, logo existo”.
            Segundo Descartes, a capacidade humana de pensar não surgiu do nada, mas foi dada ao homem por uma natureza superior e divina. Assim, Deus seria fator determinante para a existência do homem, já que nos deu a competência de pensar e, então, de existir.  Descartes elege a razão às últimas consequências como forma de aproximação humana à perfeição de Deus. Então, o homem passaria de escravo do mundo, a senhor do mundo. Tal perspectiva acarretou consequências graves à natureza, uma vez que, como senhor do mundo, o homem poderia submeter o que quisesse e como quisesse a seus interesses.

            Descartes foi, então, o responsável pela ruptura com o pensamento científico tradicional e por lançar as bases de um conhecimento unificado e sólido que permitisse ao homem desvendar o mundo ao seu redor. A importância de seu método é tamanha que angariou nome próprio: o método cartesiano, capaz de permitir à ciência um fim útil, retirar o homem de um papel secundário e colocá-lo como ser pensante com capacidade de intervir no mundo. 

Nicole Bueno Almeida, Direito Noturno, 1º ano. 

O Método como ferramenta de transformação da Vida

A busca de Descartes por um método que permitisse ao homem por si só desvendar e dominar os mistérios da natureza tem uma justificativa simples e ao mesmo tempo incalculavelmente importante; utilizar a natureza e seus fenômenos para melhorar a vida humana.
O desafio às teorias vigentes e às formas de ensino e conhecimento proporcionadas pelos grupos dominantes da época foram impulsionadas pelo fato de tais formas apenas interpretarem a natureza, de forma a contemplá-lá e transmitir suas ações ao homem. Encaixando-se nessa descrição estavam práticas como a Astrologia, a Alquimia e a Magia, prestigiosas no momento histórico vivido por Descartes, mas que com o passar do tempo foram delegadas a um plano inferior.
O Método, então, seria uma forma de desvendar os enigmas, conhecer e conduzir as coisas pelo homem, não apenas interpretando, mas duvidando para alcançar o domínio das forças.A dúvida colocaria em xeque e daria inicio à construção de um conhecimento de bases sólidas, racionais e empíricas.
Aplicando o método poderia se dar um fim maior, útil e que despertasse o progresso humano e não apenas algo interpretativo, a ciência e o conhecimento como ferramenta do progresso.
Atualmente um olhar desatento pode deixar passar a importância do pensamento cartesiano. Uma comparação sem muito trabalho nos colocaria diante de uma crítica a toda ciência empírica e às formas de conhecimento atuais, como um desafio à física, à química e as suas leis gerais tendo em vista uma nova forma de conhecimento baseada na dúvida em relação a essas leis. Um fato que demandaria coragem e argumentos. Descartes fez isso em uma época que potencializava os riscos, sem, no entanto, se deixar abalar.
A crítica à presunção e à impermeabilidade dos mestres da época, bem como a submissão do ser humano a mero interprete da natureza foram um marco na busca da racionalidade nas ciências e no conhecimento e um justo motivo para a importância do pensamento Cartesiano no mundo moderno. 

O Questionador Racional

        Movido por uma profunda descrença em relação ao ensino tradicional baseado na filosofia escolástica e na tradição clássica, Descartes propôs uma nova forma de fazer ciência, que unificaria todos os conhecimentos para que estes pudessem prosperar: o método. Ele acreditava que o que era ensinado até então não possuía prática e não ajudava a promover mudanças no mundo, além de serem conhecimentos meramente especulativos e, em alguns casos, sem fundamento, como a astrologia, alquimia e magia.
O método de Descartes para encontrar a verdade de forma efetiva baseia-se na dúvida, ou seja, no questionamento sobre todos os conhecimentos já existentes, sendo que a única certeza era de o ser humano existir porque pensa ("Cogito, ergo sum"). Mas isso não significava inutilizar tais conhecimentos, e sim a partir deles realizar uma reformulação de ideias em bases racionais. A religião foi a única área não questionada por Descartes, que até então não possuía bases científicas, políticas e sociais para questionar a Deus.
A valorização da razão no discurso de Descartes se deve ao fato de ele acreditar que ela, juntamente com o senso, são responsáveis por diferenciar os homens dos animais. A razão e o questionamento mostram a mudança na forma de ver o mundo proposta por Descartes e tiram o ser humano da posição de simples objeto controlado pela natureza, para torná-lo um grande indagador.
Descartes foi assim o responsável por construir a filosofia moderna, que rege as bases do pensamento ocidental até os dias atuais e por considerar o homem como elemento central no mundo, pois ele é um ser perfeito construído à imagem e semelhança de Deus. Além disso, suas descobertas ajudaram na superação do Direito Canônico pelo Direito Laico (direito dos homens). Com Descartes, o homem deixou de ter papel secundário nas transformações do mundo, tornando-se o grande agente destas.

Razão Cartesiana

O homem, desde que se tornou um ser pensante, passou a sistematizar os fenômenos observados, organizando-os como ciências, que passaram a auxiliar o homem na busca da verdade e do conhecimento. Essas ciências, na visão de Littré, unidas tornavam-se a Filosofia, conceituada como a generalização das Ciências. Muitos pensadores focaram seus estudos nessa forma de conhecimento, como Platão, Aristóteles, Francis Bacon, e entre eles, um filósofo considerado o pai da filosofia moderna, René Descartes.
René Descartes foi um filósofo racionalista, que buscava na Razão a fonte do conhecimento verdadeiro, utilizando um Método cientifico para conseguir atingir essa razão, que, para ele é o limiar entre o homem e os outros animais, já que a razão é algo intrínseco ao ser humano. O método científico pregado por René visa prevalecer-se sobre as ciências consideradas sobrenaturais, supersticiosas, como a alquimia, a magia e a astrologia, tendo em vista que o conhecimento produzido por meio dessas ciências fosse considerado inválido. Além disso, o método científico tinha como principal preceito a dúvida metódica, que seria uma forma de retificar os desvios produzidos pelos nossos sentidos, já que o questionamento daquilo que não possua solidez científica leva a formação do conhecimento. A fragmentação dos fatos, e a análise dos fatos de maneira crescente também são princípios do método científico.
Embora Descartes se baseasse na razão como fundamento para obter-se o conhecimento verdadeiro dos fatos, ele não abandona a visão teocêntrica da época. Deus, para René, é visto como um ser supremo, perfeito, que nos concede a capacidade de pensar, que por sua vez, nos da a capacidade de existir (“Penso, logo existo.”). Descartes afirma que possuir a razão, e por vez, o conhecimento verdadeiro, é necessário abandonar as valorações pessoais, ou seja, as convicções pessoais, além de privar-se do individualismo, já que René afirma que a “vontade do mundo” prevalece sobre a “vontade pessoal”, demostrando que nada está completamente sobre nosso poder.


Esses fatos fazem de Descartes um inovador, que busca novas formas de se observar a filosofia, e interpretá-la, dando um novo sentido ao estudo filosófico, como a utilização da filosofia em prol do ser humano. Os preceitos citados acima fazem de Descartes o pai da filosofia moderna, e o pai do racionalismo, marcando profundamente as influências do seu trabalho sobre a civilização ocidental.


Gustavo Alarcon Rodrigues-XXXI Turma de Direito-Matutino

sexta-feira, 21 de março de 2014

Descartes e o novo Método Cientifico

O ser humano sempre foi movido por sua essência de conhecer e desvendar o mundo em que habita. Durante toda sua existência, ele procurou olhar para a natureza tentando encontrar as respostas para suas diversas questões naturais (como, "De onde viemos? Para onde Vamos?"). Acontece que com o passar dos anos, foram muitas as conclusões formadas. Muitos conhecimentos filosóficos surgiram no decorrer da humanidade, e durante muito tempo estes conhecimentos não eram organizados de maneira a facilitar a compreensão do mundo. Para podermos entender melhor o descrito acima, imaginemos um quarto pequeno, com muitos objetos diversos, todos espalhados pelas diversas regiões do quarto, de maneira a fazer uma enorme "bagunça". Assim era o conhecimento até meados do século XVI, ou seja, muito conhecimento, muita filosofia e até mesmo ciências consolidadas (como a Matemática) ocupavam um mesmo lugar. A grande consequência disso, é que haviam se formado áreas do conhecimento que possuíam bases flácidas e por vezes irracionais, e que agiam fortemente na vida de todos, como a Astrologia, a Astronomia.
Lembremos também que a sociedade era regida por argumentos de juízo analítico, ou seja, por verdades absolutas não necessitando do questionamento e da pesquisa, como a Religião e suas propostas. Surge nesse caótico meio Descartes. Ele na época frustrado com a incapacidade de poder mudar o mundo com as ciências “escolásticas”  propõe algo revolucionário para o seu tempo e que quebrou paradigmas. Em sua obra “Discurso do Método” René propõe o uso da razão , da reflexão  e de uma nova metodologia como principal forma de analise do conhecimento. Descartes parte do pressuposto de que o conhecimento que até então é muito influente não possui um método de explicação eficaz, sendo que muitas coisas partiam de ideias meramente especulativas, ou seja, sem comprovação racional. Para ele o mundo não deveria ser mais ser regido pela irracionalidade, e sim pela razão. A razão deve ser o princípio de tudo., ou melhor, deve ser o "norte" do conhecimento.
Grandes foram as contribuições de Descartes para nossa sociedade atual. Hoje seu pensamento é encarado como atrasado por muitos, entretanto foi através deste que se deu o "pontapé inicial" para a Ciência como estudamos hoje, sistematizada e com um método eficaz. Essa foi a principal ideia de Descartes, facilitar e melhorar o pensamento cientifico, partindo de um questionamento, da fragmentação de um conhecimento, da pesquisa e da ponderação.Se hoje podemos fazer uma pesquisa científica devemos muito ao grande René Descartes

Otávio Augusto Mantovani Silva
Turma XXXI - Direito Diurno


quinta-feira, 20 de março de 2014

Descartes: o pilar esquecido da hegemonia Ocidental

Nos tempos em que nos encontramos, a influência da sociedade Ocidental é tamanha, que mesmo aqueles de culturas diferentes se adéquam às necessidades do capitalismo criado por aquela. O que fez com que a cultura Ocidental se espalhasse de forma tão brutal, dilacerando as outras encontradas em seu caminho foi seu avanço científico. Seria tolice crer que os orientais, os nativo-americanos, os africanos e indianos não tivessem grande conhecimento, seja filosófico, científico ou o chamado Folklore(Sabedoria do Povo).
 O que deve ser compreendido é que o avanço do povo europeu deve-se a um homem chamado René Descartes. Homem de gênio impressionante, e que concebeu um método para validação do conhecimento útil para a humanidade, que segundo esse método, deveria ser fragmentado e estudado a fundo para que se juntassem as partes e o todo ficasse por assim conhecido. Descartes torna-se assim o pai da metodologia científica, pois crê que o conhecimento também deve se embasar na razão e possuir prova irrefutável de sua validade, razão pela qual ele se distanciou dos eruditos filósofos, que segundo ele apenas pregavam suas opiniões, sem buscar testá-las e conhecer-lhes a utilidade mais a fundo.
 Graças ao referido método, a Europa viu nos séculos seguintes uma gigantesca melhora no conhecimento científico, que possibilitou também o desenvolvimento da indústria bélica como consequência. Esse desenvolvimento bélico girou em torno da pólvora, de origem chinesa, daí lembrar que os povos fora da Europa não eram ignorantes, só não possuíam interesse em desenvolver seus conhecimentos, por estarem intimamente ligados com a moral e tradição formal e religiosa de suas culturas.
 Mas o europeu não era tradicional, antes destruía tudo por mais dinheiro e, em vez de utilizar os conhecimentos para extirpar as diferenças sociais, as intensificou, além é claro de levá-la aos lugares que colonizou. Descartes e Bacon foram ases na manga europeia porque possibilitaram uma análise mais a fundo do conhecimento e da razão, que se estivesse disponível aos outros povos dificilmente o mundo seria tão deturpado ao eurocentrismo. Uma das reflexões que Descartes fez sobre a própria razão foi a respeito da natureza humana e de Deus: se ele como homem sabia não ser perfeito, porque não podia fazer tudo aquilo que desejava, sabia que tinha uma ideia inata de perfeição e que esta é atribuída ao princípio inteligente do universo, que é Deus. Essa reflexão pode ser analisada com todo o rigor que ainda assim cairá na dúvida entre a fé de Descartes e o medo da rejeição social da época, cuja sociedade se encontrava vinculada com a Igreja Católica.
 Justamente esse homem genial que propôs um sistema de verificação que poderia enfim trazer ao mundo uma face melhor e transformá-lo(mesmo que não fosse essa sua vontade) em algo novo, que propôs uma neutralidade de análise racional que sabemos ser difícil de atingir, devido às nossas paixões e vicissitudes humanas e ideologias que carregamos, foi ser pilar fundamental de uma sociedade destrutiva e que ignora a existência de outras culturas e formas de governo e economia que não a sua. A sociedade Ocidental só se lembra dele desse modo, e não como base fundamental para o patamar que atingiu hoje e sequer honra tal gênio com um simples feriado, mas faz presente inúmeros de cunho religioso. Se minha opinião como ser existente tem algum valor, então eu agradeço do fundo do meu espírito a você René Descartes, que forneceu um meio de os cegos abrirem os olhos, mesmo que continuem com eles fechados por lhes ser mais conveniente.

Ecos do tempo e da ciência.

Descartes, pai da dúvida metódica,
físico, filósofo e matemático.
Senhor de um conhecimento melódico.
E também de um modelo sistemático.

Caro, se conhecesses nossos dias, 
Saberia da sua grande herança.
Descobertas feitas com euforia
que cada vez mais geram esperança.

Porém, calma. Analise o discurso. 
Informação real ou traiçoeira?
Escute-o com atenção no decurso
e decida se é falsa ou verdadeira.

Pense em si mesmo, antes do universo, 
E assim com os problemas deve ser.
Se o problema demonstrar-se perverso,
Quebre-o em menores para vencer.

 De enumerar tudo, só não se esqueça.
Informação que olvida permaneça
ilude o pensador no raciocínio
e de novo começará do início.

Eco do tempo que atinge o presente,
Em eterno contraste, luz e treva.
Um novo mundo,construindo sempre
À sombra da mente que René leva.





Leonardo Eiji Kawamoto - 1ºAno Direito Matutino











Descartes, argumentum ad verecundiam e a política do conhecimento.



Ao longo da história humana podem-se perceber diversas relações que passam a desenvolver a cultura contemporânea, sendo muitos destes movimentos culturais imprescindíveis para que entendêssemos o mundo como o entendemos. Assim, sob o aspecto político-social e, principalmente, cultural, os avanços que os chamados “clássicos” empreenderam em suas vidas e obras é extremamente importante e norteador da consciência de toda a sociedade ocidental.
Durante muito tempo, o conhecimento produzido nas Academias, que são em dos primeiros locais de ensino acerca de temas fundamentais e mais complexos que o senso comum, que se especializavam em determinada perspectiva e metodologia, se estruturava por aquilo que se propunha verdadeiro. A simples evocação de uma autoridade no assunto poderia propiciar o fim da discussão, os novos conhecimentos sem poder ser contrapostos aos tradicionais. A prática desta estrutura de argumentação chamada argumentum ad verecundiam e outras normas discursivas empregadas em tempos passados acabam por retardar o desenvolvimento da ciência em vários âmbitos.

Assim, então, Descartes levanta-se contra as conveniências e políticas acadêmicas de seu momento histórico e propõe a argumentação da dúvida. Em sua obra Discurso do Método, o autor é muito claro ao afirmar que a simples aceitação de obras clássicas, se não analisadas, pressupõe conhecimento errôneo e defasado, propondo a estruturação do trabalho crítico. Desta forma, até o momento em que o autor propôs uma nova sistematização do pensar era possível criar argumentações absurdas e, no entanto, válidas, através da não averiguação de conhecimentos antes produzidos, por exemplo:

Proposta 1) A maçã é um fruto;
Proposta 2) O fruto advém da terra;
Proposta 3) A terra é algo vazio de vida;
Proposta 4) O fruto não tem vida.

Apesar de utilizar um exemplo pouco problemático e pouco questionável, a questão de raciocínios sem ligação ou com ligações errôneas eram cessadas com um simples considerar do mestre. A elite intelectual é disposta, portanto, não aos questionamentos e dúvidas; não ao estudo ou problematização, mas sim a uma estrutura de conservação. As propostas cartesianas, desta forma, para além de suas conclusões filosóficas como “eu penso, logo existo”, permeiam por nossas comunidades como um meio de legitimar o questionamento, uma vez que a elite intelectual e política, principalmente política, se não é, muitas vezes comportam-se como, os clássicos que não argumentam, apenas expõem seus conceitos.
O conhecimento pressupõe e aceita, portanto, conceitos já propostos. Mas estes apenas estruturam a real necessidade de entendimento humano, que não pode ser fragmentado ou falso, se houver o empreendimento do “esforço problematizante” e da colocação de dúvidas acerca daquilo que nos parece minimamente questionável. Assim, vencemo-nos a nós mesmos na busca por nosso conhecimento e tornamo-nos aquilo que somos.

“Quer estejamos despertos, quer estejamos dormindo, jamais devemos nos deixar convencer exceto pela evidência de nossa razão.” Descartes


Artur Marchioni- Aluno do XXXI turma de Direito Unesp, 1º ano, período diurno.