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domingo, 26 de junho de 2011

O Método "Ideal"

A ação social é determinada por um sentido e movida por valores, sendo que a função essencial da sociologia é a compreensão do sentido desta ação.

Weber critica a concepção materialista da história e sua característica dogmática. Para o autor, não se deve bastar de uma análise superficial da economia intervindo na sociedade e a determinando, e se satisfazer com essa explicação. Ele alerta ainda que é necessário repelir este conceito enquanto concepção de mundo para não se acomodar com o mesmo, tendendo a não aprofundá-lo, pois em alguns aspectos, o marxismo acaba por criar dogmas para serem universalmente aceitos, mesmo sem ter uma comprovação prática ou válida.

O autor também se utiliza do conceito de objeto sócio-econômico, no qual, a qualidade de “econômico” está ligado à necessidade da subsistência humana. Assim, para Weber, o objeto sócio-econômico é aquele que possui tal característica econômica (condicionamento econômico) e que tenha certa relevância econômica-social.

No que concerne à ação social do indivíduo, Weber classificou em quatro tipos: Ação racional com um objetivo, Ação racional com relação a um valor, Ação afetiva ou emocional e Ação tradicional (apoiada em hábitos e costumes). Desse modo, embora haja uma grande subjetividade neste juízo de valor, alguns valores sociais permanecem como paradigma social, coordenando as ações sociais até certo ponto.

Em uma análise sociológica, Weber critica o uso de “leis”, sobretudo as generalizantes, para conclusão do estudo de uma sociedade, principalmente pelo fato de que agindo dessa maneira, se perderá a análise da causa da ação individual e consequentemente a compreensão dos acontecimentos sócio-culturais. Para Weber as “Leis” são meios e não fins de uma análise sociológica.

Finalmente, tratando do “Tipo Ideal” de Weber, que é uma ferramenta metodológica para análise, seu conceito é basicamente uma acentuação de uma característica do objeto/ação analisada, de caráter utópico e não real (não é o padrão a ser atingido), para servir de análise comparativa e empírica com os fatos reais.

Expansão Constante de Marx

Um verdadeiro manifesto, diga se de passagem. O escrito de Marx, intitulado “manifesto comunista”, é uma fervorosa crítica e analise da sociedade daquele tempo, junto ainda com uma mensagem ao proletariado e aos comunistas para a união em uma futura luta.

Todavia, o texto é uma exposição detalhada da opinião marxista sobre revolução industrial, capitalismo, luta de classes e expansionismo.

Um dos pontos mais aprofundados se dá sobre essa máquina desgovernada chamada “capitalismo industrial”. Na opinião do autor, ela age como se fosse um trem descontrolado, nem a própria burguesia, criadora da criatura, consegue controla-la, quanto mais freá-la. Após nascer, ela irá rumar sozinha, em um árduo movimento expansionista, que por fim irá englobar todo o mundo, em todos os aspectos, contaminará todas as pessoas, penetrará dentro de todas as relações, moldando-as a sua forma.

Mas porque isto ocorre, dentro de um ver mais genérico, seria a própria forma econômica do capitalismo a culpada. Posteriormente a industrialização, a economia entra em um processo extremamente expansionista, já que a produção também se expande. Uma nova época é fundada, onde a superprodução agora é o problema, não mais a falta. As relações de trocas têm que sempre estarem aumentando. A produção aumenta, independentemente de haver ou não mercado para absorver, isto é impulsionado pela ferrenha concorrência. Mais e mais produtos são feitos, em maiores quantidades e mais rápidos.

Nesse contexto, de constante crescimento da produção, a expansão econômica, também constante, é a única solução. Buscar novos mercados, explorar ao extremo antigos, tornasse essencial para a continuidade da economia. Assim, a própria fundadora do capitalismo industrial, a burguesia, vira refém da própria criação. Nem ela mesma consegue controlar esse movimento.

É onde se encontra um dos grandes problemas para Marx. O capitalismo industrial não se contenta em apenas produzir, vender e lucrar; ele vai além, ele tem que expandir, aumentar, sempre. Só quando cresce é que se entende que tudo vai bem. Então, por conseqüência dessa desesperada alçada para maior, ele vai degradando tudo o que se encontra pelo caminho. Os trabalhadores são levados cada vez mais ao extremo, os mercados são inundados mais e mais com produtos, as propagandas tentam convencer a todo custo o consumo, buscam-se novos mercados, mesmo que para isso tenha de haver guerras, a natureza é devastada de modo predatório, em ritmo acelerado, as relações humanas passam a ser simples peças dentro do sistema, etc.

O “monstro” passa a se guiar sozinho, sem freio, sem controle, em uma ação que não há mais volta. Tragando tudo em volta.

Marx não enxerga um fim para isto, será constante, é uma característica da nova fase econômica e produtiva da humanidade. Crescerá até onde a própria barreira física deixar, e quando não puder mais fazer isto, todo o sistema entrará em colapso.

Weber - A ação social e os valores individuais

Max Weber é considerado um dos fundadores do estudo moderno da sociologia. Sua influência também pode ser sentida na economia, na filosofia, no direito, na ciência política e na administração.
Ao contrário de Comte e de Marx, Weber tem sua observação pautada no sentido existente na ação social dos indivíduos. Não interessam as determinações do modo de produção, nem os condicionamentos da ordem social, nem as leis históricas permanentes e intrínsecas aos fenômenos sociais. Interessa sim compreender profundamente cada movimento isolado, individualmente. Uma ação isolada não é menos importante do que o movimento de um grupo maior. As ações individuais são capazes de exibir um comportamento social mais amplo.
Para Weber, a função social da sociologia é compreender os valores sociais, sem um determinante puramente econômico (Weber não elimina a influência econômica, mas deixa aberto o espaço para as demais influências da sociedade). A ação social é determinada por cada indivíduo, baseando-se em seus próprios valores (religiosos, políticos, históricos). Cabe ao sociólogo então compreender sobre quais valores cada ação é tomada individualmente.
Os fenômenos sociais são explicados através das conexões entre as ações sociais, as quais trazem o verdadeiro sentido de tais fenômenos.
A Ciência Social é uma ciência separada da ideologia e da política. A ciência serve para compreender e precisa ser digna de crédito como interpretação pura da realidade. O cientista deve abrir mão dos seus próprios juízos de valor, emoção e paixão para realizar a análise social. Assim, cientista e político não se vinculam, para não distorcer a correta análise social em questão. Esta análise é marcada pela objetividade, e o indivíduo é entendido despido de qualquer pressuposto anterior. Trata-se de um método que almeja uma objetividade universal (Individualismo Metodológico). Weber não coloca essas ações dentro de leis pré-estipuladas (como fazia Durkheim).
A ação social não é determinada de antemão. A sociologia tem o papel de fazer compreender o sentido da ação humana, da ação social e por quais valores ela se move, e não de servir como uma receita que ensine os homens a viver. Segundo a perspectiva marxista, a ação humana é movida pela influência econômica. Já para Weber, esta ação tem pelo menos 04 sentidos: ação racional relacionada a algum objetivo (inclusive, pode ser um objetivo econômico); ação racional movida pelos valores de cada indivíduo (mesmo correndo riscos); ação afetiva ou emocional (pautada nos sentimentos e aspectos de afeto) e ação tradicional (baseada nos costumes e aspectos culturais). Cabe ressaltar que esses tipos podem manifestar-se conjuntamente, misturando-se uns aos outros.
Para Weber, nem todo operário quer a revolução, tampouco todo empresário visa simplesmente à maximização dos lucros. Inclusive, os casos de exceção (“fora da curva”) podem ser, segundo Weber, o elemento mais rico da análise, os mais interessantes exemplos para se compreender as mudanças sociais profundas.
A análise weberiana não é fixa. Cada momento histórico é responsável por gerar novas questões, que se modificam permanentemente. As mudanças atingem toda a estrutura social, todos os valores.
O que importa são as conexões da ação social. Enquanto que um marxista não vê saída dentro deste modo de produção (classe dominante x classe dominada), Weber acredita que o indivíduo pode optar dentro dessas conexões, agindo de maneira bem distinta de seus semelhantes. Este rol de possibilidades de ações seria infinito para cada ser humano, cabendo ao cientista social a interpretação da realidade social, baseando suas análises nas interconexões sociais de cada caso especificamente.
O autor critica o dogma (que é próprio das religiões) entendido como um “denominador comum”, destacando o dogma econômico. Weber reprova o método de Marx, pois este concebe o sentido econômico como um dogma que tenta forjar todas as situações, generalizando-as. Para Weber, a ciência é eminentemente empírica. Ele tenta compreender o real (ideia de objetividade).
Weber aponta também uma distorção devido a um “inchaço” de significado do termo “econômico”. Seriam 03 as percepções do que é econômico: aquilo que é especificamente econômico (uma indústria, as relações de trabalho, etc.), os fatores economicamente condicionados e os fenômenos relevantemente econômicos.
Para Weber, a decisão para a ação dos indivíduos é uma escolha de valores. Weber tenta mostrar o caráter universal que deve possuir a metodologia científica. Para isso, o autor propõe que a análise dos objetos seja feita através de 04 passos, além da forma superficial, aprofundando através do seguinte raciocínio: como primeiro passo, as leis não devem ser os fins, mas os meios. O segundo seria uma análise dos fatores combinados. Já o terceiro seria uma análise da história, dos pontos de vista anteriores, tentando perceber as raízes mais profundas do objeto. Por fim, o quarto passo seria uma tentativa de vislumbrar as possibilidades para o futuro. Neste aspecto, as projeções de Marx apontavam para um único futuro: a revolução. Já Weber tenta enxergar a gama de possibilidades como parte da própria construção da interpretação.
Como ferramenta analítica, Weber cria o conceito de Tipo Ideal, que é uma construção utópica que visa agrupar as características mais comuns do fato analisado. Este Tipo Ideal não acontece na prática, no mundo empírico, pois todos os fenômenos reais variam em relação a tal tipo. Para Weber, a Verdade Científica é então alcançada através da comparação entre cada tipo individual (cada caso específico real) e o Tipo Ideal. Importante notar que o autor não pretende, ao utilizar este recurso, esgotar todas as interpretações da realidade empírica, dado que em qualquer fenômeno estará, em potencial possibilidade, a conceituação de diversos tipos ideais.
POSTADO POR ALYSSON PIMENTA RODRIGUES – 1º ANO – DIREITO NOTURNO

Max Weber e as ações sociais

Max Weber inova na análise sociológica ao estudar a dinâmica da sociedade por meio das ações dos indivíduos e, principalmente, pelos motivos dessas ações sociais, refutando a existência de leis definidas capazes de enquadrar a sociedade completamente. Além disso, Max Weber usa a economia de forma divergente àquela empregada por seus antecessores no campo da sociologia.

No início da análise da sociedade, o sociólogo atribui a cada indivíduo e às suas ações a constante mudança nas conjunturas da época. A função da sociologia será estudar o que influenciou ou motivou os indivíduos a agirem do modo que o fazem, levando em consideração tanto a economia como os valores políticos, religiosos e culturais que permeiam a vida cotidiana, muitas vezes silenciosamente. Ele divide as ações em quatro categorias e a partir delas percebe as diretrizes das ações sociais.

Max Weber ainda faz, em suas bases sociológicas, uma crítica ao materialismo histórico defendido por Marx, considerando a análise econômica pregada como um dogma típico da religião, na qual as crenças não possuem embasamento racional e científico e, por isso, retardam o processo de compreensão sociológico ao aceitar formulações genéricas acerca da realidade e ampliar a economia a todos os aspectos da vida; tudo teria sua resposta na economia. Ele não rejeita, porém, a influência da economia na sociedade, apenas defende que seja limitado seu uso como explicação geral. Propõe, pois, a união dos aspectos culturais e sociais às conjunturas econômicas quando da investigação do fenômeno da ação social.

Ademais, Max Weber utilizava o método comparativo também em suas análises. Criava o objeto ideal, como deveria ser, e compara com o real, existente. Pretendia, assim, fugir de generalizações como, por exemplo, as atribuições valorativas aos operários da época. O operário, na visão característica e idealista, seria um sindicalista assíduo, que têm seus ideais evidenciados mesmo por sua aparência. No âmbito da comparação com a realidade, percebe-se que o operário não comparecia com as reuniões do sindicato e ainda se esforçava para se adequar aos padrões de vestimentas evidenciados na época. Tendo por base esse esquema comparativo, o sociólogo seria capaz de ver com mais precisão os agentes sociais como realmente se configuravam.

Em suma, Max Weber introduziu a relativização de todos os aspectos sociais às conjunturas gerais. Esse fato ainda hoje possui influencia, a título de exemplificação, nos julgamentos realizados. Dependendo da ideologia do juiz, weberiana ou positivista, o ocorrido poderá ser relativizado à situação na qual se encontrava o infrator e aos fatores que o influenciaram a cometer tal infração; ou o ato pode ser simplesmente tomado por si só, provindo exclusivamente do arbítrio de quem o praticou. Assim, a sociologia progrediu na compreensão da sociedade por seus valores predominantes, tendo com Max Weber seu expoente.

Individualismo Metodológico

Max Weber é um dos precursores da sociologia que não toma a dinâmica social cotidiana por meio de leis permanentes que expliquem os fenômenos sociais. Ao contrário de Comte e de Marx, Weber pontua sua observação pelo sentido existente na ação social dos indivíduos. Não interessam as determinações do modo de produção, nem os condicionamentos da ordem social, nem as leis históricas permanentes e intrínsecas aos fenômenos sociais. Interessa sim compreender profundamente cada movimento isolado, individualmente. Para ele, uma ação isolada não é menos importante do que o movimento de um grupo mais amplo. As ações individuais, por mais que constituam exceção, lançam luz a um comportamento social mais amplo.

Desse modo, a função social da sociologia, para Weber, é a de compreender os valores, sem um determinante econômico ou da força primordial da sociedade. A ação social é determinada por cada indivíduo, baseando-se em seus próprios valores (religiosos, políticos, históricos).

Ademais, critica a ideia determinista de ciência afirmando, in verbis, que: “jamais pode ser tarefa de uma ciência empírica proporcionar normas e ideais obrigatórios, dos quais se possa derivar ‘receitas’ para a prática” (pag. 109). Nota-se que, na concepção do autor, a ciência é eminentemente empírica, muito distante da ideia de filosofia.

Além disso, verifica-se, em sua obra, a separação entre ciência e política, opondo-se à concepção de Durkheim, Comte e Marx, em que sociologia e política podiam caminhar junto.

Outro fator importante na obra de Weber foi a utilização de uma ferramenta metodológica de análise baseada no conceito de “tipo ideal”. Este corresponde a um processo de conceituação que abstrai de fenômenos concretos o que existe de particular, constituindo assim um conceito individualizante ou, nas palavras do próprio Weber, um “conceito histórico concreto”. Desse modo, a verdade científica seria resultado da comparação dos fatos da realidade com o tipo ideal.

Uma vez de posse desses instrumentos analíticos, formulados para a explicação da realidade social concreta ou, mais exatamente, de uma porção dessa realidade, Weber elabora um sistema compreensivo de conceitos, estabelecendo uma terminologia precisa como tarefa preliminar para a análise das inter-relações entre os fenômenos sociais. De acordo com o vocabulário weberiano, são quatro os tipos de ação que cumpre distinguir claramente: ação racional em relação a fins, ação racional em relação a valores, ação afetiva e ação tradicional.

A primeira seria a ação racional com relação a um objetivo quando o ator concebe seu objetivo e combina os meios para atingi-lo, isto é, O indivíduo se vale de alguns meios que detém para atingir alguns objetivos. A segunda seria a ação racional com relação a um valor o ator, aquela por meio da qual o indivíduo, movido pelos valores que tem, persegue um determinado objetivo, mesmo correndo riscos. A terceira seria uma ação afetiva ou emocional, vinculada ao universo dos afetos e das emoções. A quarta seria uma ação tradicional, relaciona-se com a cultura em sua forma mais profunda, distanciando-se de uma abstração meramente econômica.

Impende ressaltar para o problema de fluidez dos limites, isto é, para a virtual impossibilidade de se encontrarem “ações puras”. Em outros termos, segundo Weber, muito raramente a ação social orienta-se exclusivamente conforme um ou outro dos quatro tipos. Do mesmo modo, essas formas de orientação não podem ser consideradas como exaustivas. Seriam tipos puramente conceituais, construídos para fins de análise sociológica, e na maior parte dos casos, os quatro tipos de ação encontram-se misturados.

Nota-se, ademais, que a análise weberiana não é fixa ou plasmada. Cada momento histórico é responsável por gerar novas questões, que se modificam permanentemente, assim como mudam os valores e, por consequência, também muda toda a dinâmica social.

Weber vê, pois, como objetivo primordial da sociologia a captação da relação de sentido da ação humana, ou seja, chegamos a conhecer um fenômeno social quando o compreendemos como fato carregado de sentido que aponta para outros fatos significativos. O sentido, quando se manifesta, dá à ação concreta o seu caráter, quer seja ele político, econômico ou religioso. O objetivo do sociólogo é compreender este processo, desvendando os nexos causais que dão sentido à ação social em determinado contexto.

Precaução contra abordagens sociológicas inadequadas e garantia da objetividade

Em sua obra "A objetividade do conhecimento na ciência social e na ciência política", Max Weber defende que o ponto do partida para a análise sociológica deve ser o ponto de vista do objeto analisado, e não do observador. Esse princípio é válido, na medida em que permite evitar leituras equivocadas a respeito da atitudes dos indívíduos, princípalmente nas situações em que o observador e o objeto observado praticam culturas diferentes. Além disso, esse mesmo príncipio pode conferir à análise sociológica um caráter objetivo e universal,permitindo que qualquer pessoa compreenda a abordagem segundo a óptica do agente observado, e não segundo os valores do observador, que podem ser diferentes daqueles que são cultuados por que examina análise sociológica realizada.
Na obra em questão há uma crítica à criação-por uma ciência social empírica- de normas e rituais obrigatórios a voltados à prática. Nesse sentido, defende-se que as normas são os meios e não os fins de uma análise sociológica, na medida em que as referidas normas podem não condizer com a realidade concreta. Isso pode ocorrer pelo fato de que, nas ciencias sociais, as normas teriam um caráter geral, podendo não contemplar aspectos importantes de determinados fatos concretos. Com isso, a criação de tais normas poderia resultar em leituras equivocadas acerca dos fenomenos da sociedade, sobretudo da cultura. Um segundo resultado da criação das normas mencionadas seria a tomada de atitudes inadequadas, quando, por exemplo medidas políticas fossem adotadas com base em tais normas.
São também objeto da critíca de Weber os chamados tipos ideais, comumente utilizados pelos historiadores para a representação de uma realidade histórica. Tais tipos são fruto da mente humana, criados a partir da intensificação de alguns caracteres do objeto analisado. O fato de terem sido criados pela mente humana dá margem para que os tipos ideais não coincidam com exemplos concretos,o que requer que cuidado quando tais tipos são utilizados em uma análise sociológica. O referido cuidado, na concepção de Weber consiste em utiliza-los não como fim da observação sociológica, mas como meio da mesma. Isto é, em uma análise sociológica, devem ser apenas comparados com a realidade concreta. Tal procedimento é bem válido, na medida em que- podendo não coincidir com a realidade concreta- tais tipos podem conduzir a uma compreensão equivocada de aspectos sociológicos e à tomada de atitudes inadequadas em relação à sociedade.

Algumas Ideias Weberianas

Ao analisarmos a obra “A 'Objetividade' do Conhecimento na Ciência Social e na Ciência Política”, de Max Weber, podemos compreender algumas de suas ideias centrais. Weber menciona a existência de um “tipo ideal”. O “tipo ideal” seria uma ferramenta metodológica de análise que permitiria organizar a sociedade, funcionando como um verdadeiro parâmetro para a comparação dos fatos reais. A verdade científica seria obtida da comparação dos fatos da realidade com o “tipo ideal”.

Weber também menciona, nesta obra, o que, para ele, seria um objeto sócio-econômico. Weber define-o como sendo algo que tenha um condicionamento econômico, que tenha uma relevância econômica e que seja algo ligado às condições materiais de existência. No entanto, Max não concorda com as análises que buscam “a qualquer custo” associar a economia às causas centrais dos problemas. Decorre disso grande parte da sua crítica ao dogmatismo do materialismo histórico.

Weber também defende o uso de uma metodologia universal para a exposição do conhecimento. Sua intenção é a de que, em todo o mundo, as pessoas possam compreender pesquisas elaboradas em um único país. Weber também critica a ideia de que as leis são fins, objetivos a serem alcançados nas análises. Para ele, as leis seriam meios utilizados nas pesquisas e não os fins obtidos nelas. Para o autor em questão, primeiramente, em uma análise, deveríamos utilizar as leis para a compreensão de um objeto. Em um segundo momento, deveríamos analisar as combinações de fatores que cercam aquele objeto. Em um terceiro estágio, deveríamos buscar entender as conexões anteriores relacionadas a ele. Por fim, deveríamos vislumbrar as possibilidades desse objeto no futuro.

Max defende ainda as formas de ação social existentes na sociedade. A primeira delas seria a ação racional com relação a um objetivo: um ator tem um objetivo e busca os meios de atingi-lo (por exemplo, um homem quer montar uma empresa e verifica tudo o que é necessário para conseguir montar o seu negócio); a segunda seria uma ação racional com relação a um valor: o ator é fiel às suas idéias, aos seus valores e ideais e luta por eles quaisquer que sejam as conseqüências da sua luta (por exemplo,uma mulher contrária à ditadura que sai às ruas lutando pelas “Diretas- Já”); o terceiro seria o afetivo ou emocional, estimulado pelos sentimentos do indivíduo (por exemplo, quando você mata alguém por raiva); o quarto seria o tradicional, estimulado por hábitos e costumes (por exemplo, alguém que adere à superstição de colocar uma vassoura atrás da porta para expulsar uma visita indesejada).

Diante desta análise, podemos compreender o quanto as ideias de Weber podem nos guiar na compreensão da sociedade atual, como no que concerne às ações sociais. Também podemos perceber, através da análise desta obra, o quanto Weber influiu na ciência atual, por exemplo, quando percebemos a existência de uma metodologia universal empregada na divulgação de conhecimentos científicos, o que é concernente ao que Weber pregava.


Imagem disponível em:<http://biologojeovani.blogspot.com/2010/07/max-weber.html>. Acesso em: 26 jun. 2011.

Ação social de Weber

Max Weber pode ser considerado o pensador mais importante do século XX, no campo das Humanidades. Exerceu papel destacado na história da Alemanha, enquanto um defensor dos ideais e preceitos democráticos. Max Weber vivenciou períodos em que a ciência mostrou-se limitada, parcial e, muitas vezes, atrelada aos interesses de classe ou de Estado. Assim, não mais acreditava que o homem pudesse conhecer a realidade de forma objetiva. O conhecimento não seria expressão fiel e objetiva do existente, mas apenas uma espécie de comentário, crítico e sistemático, a seu respeito. Em sua opinião, poderíamos explicar a realidade apenas parcialmente.
Weber realiza uma crítica à ideia determinista de ciência. Ao invés de se guiar pelas determinações econômicas, a sociologia deveria se guiar pelos valores, e seria utilizada para compreender e não para moldar. Dessa forma, Weber se distancia do materialismo histórico de Marx, e sugere uma separação entre ciência e política.
Para Weber existem múltiplas e infindáveis formas de interpretação do real, e não é possível estabelecer, cientificamente, qual teoria é mais decisiva para se compreender um determinado fenômeno social. Assim, a sociedade e a vida humana não são produzidas a partir de fatores isolados, tais como o fator econômico, ou o fator político, cultural, etc. Na visão weberiana, o homem jamais deixará de ter de procurar explicar o real sob as mais diversas formas e métodos, mesmo sabendo não ser alcançável a sua verdade.
Max Weber procurou demonstrar que nenhum processo social poderia ser explicado apenas por um determinado fator. Acreditava que o marxismo, pelo menos em sua versão vulgar, reduzia tudo ao fator econômico; e queria demonstrar que havia outras possibilidades de explicação do capitalismo. Acreditava, ao mesmo tempo, na importância das ideias, crenças e valores individuais e sociais, enquanto elementos constitutivos e necessários para que se pudesse compreender, de maneira, menos unilateral, todo e qualquer fenômeno social.
De acordo com Weber, o objeto de estudo da sociologia seria a ação social. Os homens agem na história motivados por valores, crenças e interesses, que criam os múltiplos sentidos do existente. Os próprios intérpretes de tais ações sociais possuiriam as suas particularidades, motivações e crenças, que participariam, ainda que inconscientemente, do processo de construção do conhecimento.
Conhecer a ação social é perfazer ou reproduzir razoavelmente o seu itinerário; aprendendo os seus vários sentidos e significados; reproduzindo, na medida do possível, uma certa trajetória existencial e social. Por esse motivo, não existirá espaço na teoria weberiana para a ideia de imparcialidade, ou ainda, para a noção de objetividade plena.
Weber não acreditava ser possível captar em pensamento certos “pedaços” ou fragmentos do real, para que depois, a depender da perspicácia do investigador, pudessem ser “colocados”, no plano ideal ou abstrato, produzindo dessa maneira, uma certa visão, mais ou menos completa, complexa e verdadeira da realidade. Propunha então, a criação de “tipos ideais”, enquanto estratégia de capitação do sentido ou significado da ação social. O tipo ideal é também um produto de criação ou elaboração mental, informada na medida do possível pelos dados do real, mas não pretende ou busca existir enquanto reprodução ou cópia fiel da realidade mesma.

sábado, 25 de junho de 2011

Weber e o Materialismo Histórico

Max Weber, cientista sociólogo, em seu texto “Metodologia das Ciências Sociais” expõe vários pontos de vista seus de como deve ser e como construir uma ciência social válida. Ele crítica antigos métodos e aplaude alguns que considera ótimos.

Um dos pontos principais da sua análise trata-se no momento em que ele refere-se à interpretação tradicionalmente marxista – pelo menos dos seguidores fiéis de Marx. Esta imputa, dentro do pensamento materialista, causas primordialmente econômicas a tudo que acontece no meio social. Por essa linha, o motivo econômico seria a força motriz de toda e qualquer ação social que acontece na sociedade.

Então, Weber, não concordante muito com essa visão, faz uma ferrenha crítica a esta atitude. Não exatamente que esteja errada, a de se observar que realmente existem muitas ações sócias movidas pelo econômico, entretanto, o problema se encontra quando tudo é tentado a ser reduzido a isto.

Forçosamente, os cientistas que vêem o mundo desta maneira, empurram para a economia todos os motivos. As discrepâncias às vezes são tão grandes, que chegam a distorcer os próprios “motivos econômicos”. Assume-se como principal a economia, e como secundário qualquer outra coisa que possa influenciar também.

Por conta da vontade monstruosa de colocar tudo naquele ver, passa-se a contestar todo o qualquer motivo secundário, já que o principal motivo já foi identificado.

Weber percebe essa tentativa forçada de adequar os estudos à maneira materialista, e não o contrário, uma teoria se adequar aos estudos. É nisto que recaí sua crítica, ele discorda que se tenha que imputar a fatores econômicos todos os fatos sociais, acreditando que há outros e, em casos, mais importantes, além. Quando o cientista comete o erro de se guiar exclusivamente pelo Materialismo, ele esquece de uma das suas principais características, a de ser imparcial. Acaba por colocar motivos pessoais na suas pesquisas, já que realmente acredita que tudo se provenha da economia, e por fim distorce sua pesquisa e seu trabalho. Este é um erro, que em qualquer trabalho cientifico que se considere legítimo, na se pode cometer.

Revolução inevitável?

O “Manifesto Comunista” de Karl Marx e Friedrich Engels, de fato, foi uma obra que dividiu e cativou mentes pensantes na Europa e no mundo. Nela os autores tentam passar uma nova visão do mundo como era no século XIX, de que forma eram encaradas as instituições - família, propriedade, moral, religião, direito, política, etc.- e objetivava mostrar que todas essas instituições, bem como a própria sociedade são regidas a partir de uma ótica capitalista e burguesa. Defendiam, também, a ideologia comunista (muito temida à época), a qual disseminavam e que era utilizada como ferramenta política de difamação.

Para subsidiar sua idéia revolucionária, os autores afirmaram que o desenvolvimento histórico do homem sempre se deu por meio de luta de classes, seja no Império Romano, na Idade Média ou na sociedade burguesa, sempre houve uma classe oprimida e uma opressora. Os autores enfatizam a revolução burguesa como uma importante vitória da classe uma vez oprimida, que quebrou todos os paradigmas sociais da Idade Média e que estabeleceu uma nova forma de pensar, agir e viver. Porém, a partir do momento em que esta classe, uma vez revolucionária, passa a oprimir uma enorme parte da população, torna-se a classe contra quem se deve lutar.

Marx e Engels citam as transformações sócias que a burguesia causou na sociedade, dentre elas: o intercambio universal, a interdependência das nações, no que tange a ordem material ou intelectual; a aglomeração das populações, centralização dos meios de produção e concentração da propriedade em poucas mãos e decorrente de tudo isto, a centralização política.

Os autores, também, falam do papel do proletariado, dos operários, constrangidos a se vender diariamente, sendo por isso uma mercadoria, estando sujeitos às flutuações do mercado. Estes, para Marx e Engels, foram forjados pela burguesia, bem como as armas (educação política, principalmente) que serão utilizadas para retirar a classe burguesa do poder. Tal acontecimento aparece no “Manifesto Comunista” como algo desejável e inevitável. Os autores estavam certos de que em algum momento do futuro a classe operária, oprimida, compreenderia seu papel e seu poder, e se rebelaria tomando o poder político e instaurando um Estado coletivo.

Vale ressaltar, que os ideais destes dois filósofos e sociólogos, apesar de formulados no século XIX e das lutas sindicais que se seguiram ao longo dos anos desde então, ainda têm validade no contexto social atual. O homem no sistema capitalista vigente ainda não conseguiu, e talvez nem conseguirá, tornar as condições sociais mais justas para todo. Por isso mesmo depois de tanto tempo, Marx e Engels possuem inúmeros seguidores em todo o mundo e figuram entre os maiores pensadores de todas as épocas.


O compreensivismo de Max Weber

Apesar da forte influência que exerciam as ideias de Marx e Comte na sociologia, Max Weber escolheu seguir um caminho diferente. Ele foi um dos precursores de uma análise da realidade social cotidiana que não se dava por meio de leis permanentes explicando fenômenos sociais. Para Weber essa análise deveria se dar através da compreensão do sentido existente na ação social dos indivíduos movida por valores, e não por determinantes econômicos ou pela força da sociedade sobre o indivíduo.
Assim podemos entender qual a essência da função sociológica para Weber: entender a ação social. As determinações e condicionamentos do modo de produção da ordem social, das leis históricas permanentes, não serviriam para ele ao estudo da sociologia, apenas o que serviria é a ação, cada movimento isolado do indivíduo. Tanto era assim que a ação individual não tinha menos importância que o movimento de um grupo mais amplo, pois era justamente a ação social que lançava luz a um comportamento social mais amplo
Weber acreditava que a sociologia não deveria ensinar o homem a viver, mas compreender o sentido da ação humana, por quais valores ela se move, e por quais conexões é influenciada. Ao contrario da ciência determinista, que dizia que o cientista social deveria abrir mão de juízos de valor para a análise social, ele acreditava que o ponto de partida para a ação seria a escolha de valores.
A objetividade era importante no método weberiano, o cientista social não deveria se deixar mover pelas próprias paixões, mas pelas paixões do objeto a ser analisado, mas apesar de objetivo, seu método não era rígido, Weber acreditava que os valores se transformavam de acordo com o momento histórico e que podiam adquirir quarto formas diferentes: racional, valorativa, afetiva e tradicional
Para,enfim, organizar a complexidade do mundo real, Weber cria os chamados “tipos ideais”, essa idealização perfeita e utópica deveria ser comparada aos fatos para que se pudesse obter, por fim, a verdade científica
Assim, Weber cria uma sociologia sustentada em valores e contrária a muito do que havia sido dito antes dele, uma sociologia fundada na compreensão da verdade e em sua universalidade.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Por uma nova revolução

O manifesto comunista, de Marx e Engels, tem como ideia central a luta de classes. Para Marx, a história humana consiste na oposição entre opressores e oprimidos. Quando ocorre uma “luta” entre eles, há dois caminhos que podem ocorrer: ou há uma grande transformação na sociedade ou os dois regimes entram em declínio.

O sistema feudal, até então vigente foi derrubado pela burguesia e substituído pela manufatura e depois pela grande indústria (vapor e maquinaria) devido à necessidade de produção de forma padronizada e rápida. A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes, somente substituiu velhas classes, velhas condições de opressão por outras novas (burgês X proletariado).

Percebe-se assim, que esse processo de luta de classes é intensificado pela Burguesia e principalmente pelo capitalismo, que possui uma forte contradição. A sociedade capitalista consegue produzir cada vez mais, com o uso de máquinas e de tecnologia, mas essa produção não atinge a todos, ou seja, há um aumento na produção, mas isso não causa aumento do nível de vida dos proletariados, pelo contrário, aumenta o processo de pauperização. Essa contradição fará com que os operários se unam e façam uma crise revolucionária, que será diferente de todas as outras existentes até então, porque será feita pela maioria em benefício de todos. Assim, ocorrerá o fim das classes sociais e será formada uma sociedade não antagônica.

A objetividade universal e os tipos ideais de Max Weber

Weber pode ser considerado como um marco para a Sociologia, pois, diferentemente de seus antecessores Comte, Durkheim e Marx, ele impõe novos conceitos e formas de pensar. Um exemplo disso seria a separação entre ciência e política, porque para ele, a ciência tem a função de apenas compreender as ações humanas.

Outra diferença é que Weber não considera como objeto de estudo do sociólogo apenas as atividades de grandes grupos sociais, mas também as ações individuais, que são ponderadas por meio da objetividade universal, em que o sociólogo tem de abandonar o seu juízo de valor e analisar através dos valores daquele que está sendo analisado. O sociólogo deve isolar e despir o objeto estudado de qualquer fato anterior, e avaliar todas as conexões sociais de seu mundo, e a sua criação de valores, não podendo levar em conta apenas a realidade fixa, mas sim todo o passado, o presente e até o futuro do indivíduo.

Como forma de organizar o caos e a complexidade do mundo real, Weber classifica a ação social em quatro tipos ideais: ação emocional, estimulada pelos sentimentos; ação tradicional, estimulada por hábitos, costumes e crenças; ação racional relacionada a valores, definida por ações conscientes regradas por valores; e ação relacionada a fins, que visa meios para alcançar finalidades próprias. E que é através da comparação entre esses tipos ideais utópicos com os fatos reais que a verdade científica será obtida.

Revolução contra Revolução

Karl Marx e Friedrich Engels explicitam a sua visao do capitalismo e se aprofundam nessa análise em sua obra “O Manifesto do Partido Comunista”. Com uma estrutura simples, é um conjunto de ideias, as quais os revolucionários da época acreditavam, que continha elementos para a compreensão das transformações sociais.

O texto critica a produção capitalista e suas consequências na organização social. Apesar de ser combatido, os autores ressaltam no texto o capitalismo ser também um pensamento revolucionário, uma vez que, acabou com a prevalência do modo de produção feudal. Afogou o fervor religioso e o cavalheirismo puramente calculista e egoísta. Porém, todas as ocupações anteriormente respeitadas viraram meras posições do mercado de assalariados. A relação familiar também foi transformada. O dinheiro e a preguiça mudaram a concepção daqueles que detinham a “força brutal” da revolução na Idade Média.

“Tudo que era sólido e estável se esfuma, tudo o que era sagrado é profanado, e os homens são obrigados finalmente a encarar com serenidade suas condições de existência e suas relações recíprocas.”

Constantemente, o mercado em expansão persegue a burguesia pela superfície global, acomodando-se em todos os lugares e estabelecendo conexões por meio da exploração do mercado mundial. “A burguesia substituiu a exploração antiga, por uma aberta, imprudente, direta e brutal.”

O panfleto escrito por Marx e Engels objetivava organizar o proletariado como classe social capaz de reverter sua precária situação. Mudar a superestrutura, a fim de modificar a estrutura opressora moldada pela classe burguesa. “Proletários de todo o mundo, uni-vos!”