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domingo, 12 de junho de 2011

O Manifesto da Revolução

Partindo de outras obras de Marx, como O Capital, para analisar o contexto mais corretamente podemos entender a importância e necessidade do Manifesto Comunista na época em que foi confeccionado. Marx afirmou em O Capital que o regime capitalista é revolucionário por duas razões. A primeira delas é o fato de a burguesia, com suas virtudes, ter aumentado os meios de produção em um século mais do que a humanidade fizera em milênios, fato esse que Marx exaltava de certa maneira. A segunda é a própria base revolucionária do sistema, que passa por uma transformação incessante, conquistando, expandindo e trocando de rumos e setores de acordo com as variações do mercado.

Essa transformação incessante dos meios de produções seria, para Marx, fecunda e necessária, mas isso se dá à custa dos operários. Ele diz isso porque os operários se especializam em apenas uma parte limitada da produção, correndo risco de perder seu meio de subsistência ao serem substituídos por máquinas, por exemplo. Os economistas respondem a isso afirmando haver ‘compensação’, ou seja, sempre que se criam novos empregos para absorver essa classe, mas Marx diz que isso só ocorre em longo prazo e acaba gerando grande numero de desempregados, o exército de reserva industrial.

Tendo esses aspectos da situação econômica e social em mente, surge o manifesto comunista, partindo de uma análise histórica que distingue a opressão exercida pela burguesia moderna. É possível assimilar que o texto contribuiu de forma muito significativa na busca pela solução de problemas como a miséria, a exclusão de uma massa marginalizada pela sociedade e a exploração do trabalho.

O manifesto critica veementemente o modo de produção do sistema capitalista e as conseqüências à sociedade, que acabou por se moldar por meio desse modo. A intenção era instigar o proletariado a uma organização como classe social capaz de reverter a ordem vigente em favor de sua situação e, para isso, o texto define os princípios do socialismo científico.

A revolução partiria da luta embasada no conhecimento histórico da organização social, com vistas à abolição da propriedade privada, o que acabou por gerar diversas interpretações errôneas acerca dos objetivos finais da implementação do comunismo. Afinal, este não privaria o poder de apropriação dos produtos sociais, e sim anula o poder de submissão do trabalho de outros proveniente dessa apropriação. Enfim, a separação social em classes ruiria assim como a opressão do poder público, culminando com a criação da sociedade comunista.

Em suma, o Manifesto Comunista visava desconstruir a sociedade burguesa, substituindo-a por uma associação de pessoas na qual o livre desenvolvimento de cada um de seus membros seria a condição para o simultâneo desenvolvimento de todos os outros.

Luta do proletariado, êxito do burguês

  "A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes"- K. Marx e F.Engels.
  Em sua obra "O Manifesto do Partido Comunista" Marx e Engels descorrem sobre a luta de classes e a opressão da classe trabalhadora. Os autores mostram a opressão como reflexo do modo de produção capitalista, que era o que havia de mais evidente na ordem social daquele momento.
  A sociedade burguesa moderna veio substituir a sociedade feudal, afinal com o surgimento da burguesia e suas crescentes ambições econômicas, o sistema feudal se tornou um entrave ao desenvolvimento do mercado visado pela mesma. Essa nova sociedade não aboliu os antagonismos, não fez senão substituir as classes feudais por outras novas classes.
  Surgem as manufaturas, a divisão do trabalho dentro das oficinas e logo o mundo se vê suplantado pelas grandes indústrias. A burguesia moderna advém desse longo processo de desenvolvimento econômico e progresso político.
  A obra em questão surpreende pela atualidade de suas ideias, Marx e Engels tratam sobre a "destruição criativa" que seria o fato de novas tecnologias substituírem as antigas com uma rapidez indescritível. A agilidade de criação, de divulgação, de consumo e de ultrapassagem de produtos é um dos pontos abordados pelos autores facilmente perceptível na sociedade atual. Novas tecnologias substituem as consideradas já antiquadas, tudo visando atender a ânsia consumista e não apenas a simples satisfação de suas necessidades.
  As consequências desse consumismo excessivo é uma mudança nas ideias e principalmente nas relações humanas.Como exemplo percebe-se o fato de muitas famílias terem suas relações sentimentais sobrepujadas pelas monetárias.
  É tratada também a Interconexão dos mercados. Viu-se como a crise de 2008 ocorrida nos EUA, devido a um desequilíbrio no setor imobiliário afetou em pouquíssimo tempo grande parte das economias mundiais. Tal fato é reflexo das conexões que substituem a auto-suficiência local e nacional. Depende-se das tecnologias resguardadas pelas potências e essas dependem das grandes explorações deferidas aos países menos desenvolvidos, de modo que o desequilíbrio político ou econômico de um país afetam todos os outros do globo.
  Percebe-se por parte do capitalismo a privação do homem de sua individualidade, em áreas que vão do trabalho à cultura. Tudo passa a ser controlado pelos parâmetros mundiais, há um roubo da liberdade individual para que haja a liberdade econômica liberal.
  O retrato feito em sua obra é de uma sociedade onde comida é queimada para elevar seu valor de mercado enquanto muitos passam fome, uma sociedade onde o trabalhador não se vê no produto de seu trabalho, uma sociedade onde operários são mercadorias. Escravos da classe burguesa, escravos da máquina, e escravos do consumo, é desse modo que o indíviduo perde sua subjetividade e a vê usurpada por um sistema cujo objetivo é a lucratização desmedida.
 Abordando diretamente a questão social, a obra "O Manifesto do Partido Comunista" desperta em seus leitores a busca da solução de problemas como a miséria e a exploração do trabalho; rumo à concretização do princípio, que defende a igualdade entre os homens.
Danielle Tavares 1º noturno.

A elevação do proletariado ao poder máximo

Em 1848, Karl Marx e Friedrich Engels, através da obra “Manifesto do Partido Comunista”, denunciam o antagonismo entre duas classes vigentes naquela sociedade: a burguesia e o proletariado.

A burguesia, representada pelos antigos servos da Idade Média, surgiu com a expansão da produção (até então desempenhada pelas manufaturas) e do comércio (proporcionado pelas inúmeras descobertas de outros territórios). Já o proletariado é composto por camponeses e antigos membros de corporações de ofício, cuja principal atribuição é servir de “motor humano” para a indústria moderna.

Os burgueses são tidos como revolucionários por destruírem toda a ordem feudo-medieval, alterando o sistema econômico, cultural, social, enfim, todos os aspectos da vida cotidiana daquele período. Além disso, o poder de mudança dessa dinâmica é tão forte que novos paradigmas são construídos sem antes mesmo de antigos conceitos serem validados. Assim, há enorme apego ao empreender e ao inovar.

Ademais, as amarras sociais da Idade Média se davam por alienações religiosas e políticas, de maneira implícita, enquanto os ideais posteriores explorariam de forma mais evidente através da submissão dos indivíduos ao capital, instrumento sem o qual seria impossível sobreviver uma vez que o êxodo rural fora provocado em nome do desenvolvimento e, estando as pessoas no cotidiano urbano, surgia a necessidade de estarem empregadas em indústrias ou comércios.

Não obstante, todas as nações viam-se obrigadas a seguir tais preceitos, pois a renúncia certamente traria obsolescência econômica, algo pouco quisto num período onde a luta pelas descobertas dependia diretamente do poder financeiro de cada país.
Dessa forma, a vontade burguesa molda o Estado à sua maneira, isto é, cria leis e o estrutura de forma a contemplar todas as suas reivindicações, sem espaço para qualquer outra manifestação alheia.

Entretanto, toda a capacidade de produção, de inovação, todas as ferramentas desenvolvidas, toda a tecnologia e a ciência criadas pela dinâmica burguesa serviriam, igualmente, como arma para sua própria destruição. Isto porque havia uma maioria subjugada, que era a classe trabalhadora, o proletariado. Essas pessoas constituíam a maioria da população, ou seja, sua força, caso houvesse união, seria superior a qualquer imposição do governo ou de qualquer mandante minoritário. É nesse sentido que há o chamamento para a revolução, pois o momento era propício por exibir o poder desenvolvimentista e a vontade da massa expressiva.

Assim, o Manifesto termina com um convite aos trabalhadores para a modificação das estruturas sociais com vistas ao verdadeiro estabelecimento de uma organização que visasse o bem comum, sem a apropriação e a exploração das pessoas.

Opressores e oprimidos

Em uma de suas notas no Manifesto Comunista, publicado pela primeira vez em 1848, Engels diz o seguinte: "Burguesia significa a classe dos capitalistas modernos, que possuem meios da produção social e empregados asssalariados. Proletariado, a classe dos trabalhadores assalariados modernos que, por não ter meios de produção próprios, são reduzidos a vender a própria força de trabalho para poder viver." Essa distinção entre burgueses e proletários é a base primordial de todas as ideias defendidas por Marx e Engels a fim de chamar a atenção desses últimos para as condições sociais da época, para as injustiças cometidas pela burguesia e a exploração a que estavam sendo submetidos.

Os autores fazem uma análise histórica, demonstrando que, em todas as épocas houve luta de classes, desde o sistema feudal. Entretanto, essas classes se simplificam nas duas definidas acima, com o triunfo da burguesia. Mas como se deu exatamente essa ascensão da burguesia? De que maneira ela conseguiu obter autoridade política? Tudo se deu devido ao crescimento do mercado mundial e à revolução dos instrumentos de produção, provocada por esse grupo. Os burgueses foram os primeiros a dar provas de que a atividade humana poderia empreender e criar o improvável. Eles se tornam, assim, "líderes de todo o exército industrial", diante de tamanhas modificações e inovações. Marx e Engels chegam a fazer uma descrição exaltada dessa capacidade burguesa, afirmando que em nenhum outro século pôde-se observar criações de tal magnitude, estando elas adormecidas no seio do trabalho social. Entretanto, esse ritmo de produção se torna caótico, a ponto de não poder mais ser controlado nem mesmo pelos que o introduziram, e é aí que surgem as crises, que os autores identificam como uma "epidemia da superprodução". Isso demonstra também a ideia de que tudo o que é sólido derrete-se no ar; não existem mais relações firmes e sólidas, e, dessa maneira, a burguesia acaba criando seu próprio inimigo, aquele que é capaz de utilizar suas próprias armar para lutar contra ela: o proletariado.

Os proletários, nesse novo meio de produção, passam a ser vistos como mercadoria, simples apêndices da máquina cujo trabalho não exige nenhuma habilidade construtiva, transformando-se em algo simplório e monótono. Além disso, diferenças de idade e sexo não são levadas em consideração, e as consequências desse fato para o meio social são intensas, aspecto que Marx descreve com bastante clareza também em "O Capital". Portanto, segundo o Manifesto, a luta do proletariado contra a burguesia começa do nascimento, pois estão inseridos nesse sistema e não têm escapatória dessas relações de exploração, a menos que mudem isso a partir da união cada vez mais abrangente de trabalhadores. Chegam, assim, à conclusão de que a burguesia é inapta para exercer o governo, já que não pode nem mesmo assegurar a existência de seus "escravos" sem que estes afundem em total degradação.

Diante disso, surgem os comunistas, com a meta de instituir o proletariado como classe verdadeira, derrubando a supremacia burguesa e conquistando o poder político. Um dos principais aspectos dessa revolução seria a abolição da propriedade burguesa, individual, com o argumento de que na realidade, a propriedade é um benefício de poucos, sendo esta inexistente para a maioria. E, ademais, o movimento proletário representa o interesse da maioria. Defendem, então, a centralização dos meios de produção nas mãos do Estado, o que acabaria com a oposição entre classes e com a sua própria existência, dando lugar a uma associação na qual fosse possível o desenvolvimento livre de todos. Fica claro que os comunistas apoiam os movimentos revolucionários contra a ordem da sociedade da época, de maneira universal.

É impossível, depois de ler o Manifesto Comunista, não refletir sobre suas ideias e tentar situá-las na atualidade. O que se diz contra as relações entre opressores e oprimidos é muito coerente com nosso sentimento de justiça e igualdade, e é difícil não ser invadido por uma sensação de otimismo. Entretanto, sabemos que o mercado e seu poder atrativo impedem que essa consciência de liberdade para todos seja incorporada na sociedade capitalista, pois, querendo ou não, tudo gira em volta do mercado e só ele é regulador das relações econômicas (aspectos como religião e cultura ficam excluídos dessa perspectiva). Dessa maneira, os laços entre as pessoas também ficam de certa forma presos ao mercado, e geralmente nos deixamos levar por ele. As transformações que a humanidade viu nos últimos séculos transformou permanentemente todos os tipos de relações, e diante de uma força tão auto-suficiente e grandiosa, só nos resta questionar se algum dia realmente nos veremos livres da existência de uma hierarquia de classes, de opressores e oprimidos, independente do sistema político no qual estejamos inseridos.

Exploração, luta de classes e utopia

A história de toda a humanidade se resume para Marx e Engels na história da luta de classes, em que existe um enfrentamento constante entre uma classe que é dominante e outra que é dominada.Para Marx a sociedade moderna não substituiu a luta de classes, apenas trocou de classes antigas por novas, novas condições de opressão da mesma forma novas formas de condições de luta.Nessa época da burguesia, a sociedade cada vez mais caminha para dois grandes blocos antagônicos:o proletariado e a burguesia, tendo passado para Marx e Engels por um longo processo de desenvolvimento, pelos diferentes modos de produção.

Segundo Marx a burguesia destruiu todas as relações, sejam feudais, patriarcais, idílicas, transformando em um puro interesse pelo dinheiro.A burguesia para Marx é uma das causas das guerras entre os homens, dessa forma a burguesia não pode viver sem ''revolucionar os instrumentos de produção, portanto, as relações de produção, e assim o conjunto das relações sociais''.Assim, o que era antigo deixa de existir sendo constantemente transformado, e isso nos remete à famosa frase:''tudo o que era estável e sólido desmancha no ar''. A burguesia conquista os quatro lados do mundo, vai além das fronteiras, pela exploração do mercado mundial, ela levou todos os países à produção e o consumo, as indústrias para Marx que agora são novas indústrias, não adquirem para fazer suas matérias-primas de localidades, mas matérias-primas de outros países (colônias) e seus produtos acabam sendo levados para todos os lugares do mundo, antigas necessidades dão lugar às novas necessidades que acabam fazendo parte do consumo e da necessidade de cada indivíduo, nação ou país e talvez esse seja o início do termo globalização.

Nos remetendo à classe dos proletários, Marx diz que com a extensão do maquinismo e da divisão do trabalho, o trabalho perdeu todo o caráter de autonomia e, assim, todo atrativo para o operário. Este se torna um simples acessório da máquina.Só lhe exigem o gesto mais simples, mais monótono, mais fácil de aprender. Portanto, os custos que o operário gera limitam-se aproximadamente apenas aos meios de subsistência de que necessita para manter-se e reproduzir-se. Ora, o preço de uma mercadoria – e, portanto, também do trabalho – é igual a seus custos de produção. Por conseguinte, à medida que o trabalho se torna mais repugnante, o salário decresce.Assim o capitalista visa cada vez a aumentar seu lucro às custas do trabalhador, fato que inevitavelmente acarreta a luta de classes.

Enfim, para Marx a luta de classes é característica inerente ao capitalismo, além daquela ser para ele o ‘’motor da história’’, responsável pelas profundas alterações e contradições existentes no sistema capitalista, algo bem visível atualmente.Cabia ao proletariado manifestar-se para mudar a exploração e dominação a que estavam sujeitos e para Marx essa manifestação ocorreria pela revolução, instaurando uma sociedade igualitária e mais justa, fato que parece ser uma utopia até os dias de hoje.

Estreitamento produtivo




A genialidade do Manifesto Comunista está no fato, de que, em poucas páginas expor uma reflexão a respeito da história. O Manifesto do Partido Comunista foi redigido, em 1848, por Karl Heinrich Marx e Friederich Engels. Como base, no texto, os autores afirmam que durante toda a história, a oposição entre classes distintas causava a luta de classes que resultava em transformações sociais.

O Manifesto Comunista fez a humanidade caminhar. Não em direção ao paraíso, mas na busca (raramente bem sucedida, até agora) da solução de problemas como a miséria e a exploração do trabalho. Rumo à concretização do princípio, teoricamente aceito há 200 anos, diz que "todos os homens são iguais". E sublinhando a novidade que afirmava que os pobres, os pequenos, os explorados também podem ser sujeitos de suas vidas.

A burguesia, classe contra qual o operariado luta, durante o período feudal, era a classe que buscava ampliar seu campo de direitos, e foi nesse contexto que lutou por sua introdução na esfera de direitos políticos. A partir dai que começou a ocorrer um desenvolvimento tecno-cientifico que permitiu uma maior produção de produtos industriais e a exploração do trabalho acompanhou esse processo.

A introdução do Manifesto fala com um certo orgulho, do medo que o comunismo causa nos conservadores. O "fantasma" do comunismo assusta os poderosos e une, em uma "santa aliança", todas as potências da época. É a velha "satanização" do adversário, que está "fora da ordem", do "desobediente". Mas o texto mostra o lado positivo disso: o reconhecimento da força do comunismo. Se assusta tanto, é porque tem alguma presença. Daí a necessidade de expor o modo comunista de ver o mundo e explicar suas finalidades, tão deturpadas por aqueles que o "demonizam".

Dessa maneira, percebe-se que a luta de classe é algo intrínseco à sociedade capitalista, e é necessário para a evolução da ordem social, como .eio de conquistas de direitos trabalhistas. Só foi a partir dessas lutas que a prole conquistou as 40 horas de trabalho semanais, pagamento de horas extras. Mas engana-se quem pensa que somente isso basta, pois tais concessões são apenas para mascarar o fato de que o indivíduo,apesar de vender sua força de trabalho, tem um trabalho digno e humano. O trabalho exercido é mal remunerado, na maioria das vezes, e também alienante, pois o trabalhador cumpre apenas um pequena função do processo total de produção.

Efeito Colateral

Karl Heinrich Marx foi um filósofo alemão, economista, cientista social e socialista revolucionário. Entre suas principais obras destaca-se o Manifesto do Partido Comunista (1848), o qual teve a colaboração de Friedrich Engels. Esse último nasceu em família rica alemã, filho do dono de uma fábrica de tecidos na Inglaterra, observou as péssimas condições dos trabalhadores e passou a ter uma visão crítica sobre o capitalismo.

Ambos os autores se baseiam na tese que a história da humanidade é baseada nos antagonismos de classe, lutas de oprimidos contra opressores, lutas estas que levaram à transformações revolucionárias da sociedade. A luta de classe em voga no texto é a da burguesia e do proletariado.

A burguesia desemprenhou um papel revolucionário na história em pleno feudalismo, quando obteve seu espaço político. E, à partir disso as relações sociais foram cada vez mais baseadas no capital fundamentalmente. Isso gera o fim do certo isolamento em que as nações conviviam, a lógica de mercado as aproximou, principalmente pelo surgimento da chamada livre concorrência. Isso gerou problemas como o aumento da população urbana. E, no texto também ressaltado: "No lugar da antiga reclusão e auto-suficiência local e nacional, temos conexões em todas as direções, uma interdependência universal".

Para superar qualquer problema do capitalismo, a burguesia procura sempre novos mercados e explora com mais intensidade os antigos, "forjando as armas que trazem a morte para si própria", pois age de forma a limitar os meios de solução para os problemas, mesmo sendo isso um efeito colateral.

Os trabalhadores assalariados são usados como meros instrumentos para facilitar o uso da máquinas, mas essas não dependem da venda da força de trabalho para sobreviver, já que os trabalhadores sacrificaram seus meios próprios de produção. Porém, o número de proletariados só expande, por isso, o texto mostra que os trabalhadores devem se unir e formar associações contra os excessos cometidos pela burguesia, como o trabalho de mais 12 horas por dia. Outro fator importante ressaltado é que são os proletariados, que realmente são a classe revolucionária. Já que a burguesia não tem capacidade pra se manter no poder, pois é incapaz de garantir a existência do proletariado. A condição principal para a manutenção da dominação da classe burguesa é a concentração de riqueza nas mãos de particulares, a formação e a multiplicação do capital; tudo isso acabaria, pois a condição de existência do capital é o trabalho assalariado.

Na segunda parte do livro, os autores buscam esclarecer o que é o comunismo. Os comunistas defendem os interesses do proletariado. Seu objetivo imediato é a derrubada do domínio da burguesia e a conquista do poder político. Sua proposição teórica é a supressão da propriedade privada.

Na sociedade burguesa, o trabalho vivo constitui apenas um meio para multiplicar o trabalho acumulado. Na sociedade comunista, o trabalho acumulado é apenas um meio para ampliar, enriquecer e incentivar a existência do trabalhador. O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de produtos sociais; apenas suprime o poder de, através dessa apropriação, subjugar o trabalho alheio. Sustenta-se que à medida em que a exploração de um indivíduo por outro for abolida, também o será a a exploração de uma nação por outra.

Na terceira parte, são explicados os vários tipos de socialismo e comunismo: o reacionário, o conservador e o utópico. Este último preconiza que o socialismo é a única alternativa para se chegar a uma sociedade melhor, ou seja, os utópicos são pacifistas. Para eles não é necessária a ação política, as pessoas só precisam compreender que o socialismo é a melhor opção que elas têm e a transformação do Estado será uma mera questão de tempo. O que é contrário ao comunismo marxista, segundo o qual os fins de interesse do proletariado só serão alcançados através da derrubada violenta da ordem existente.

O sentido da história.

“A história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história da luta de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos, em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta (...); uma guerra que terminou sempre ou por uma transformação revolucionaria da sociedade inteira ou pela destruição das duas classes em luta”. Para Marx, esse é o sentido da historia, e compreendê-lo é também compreender que a sociedade capitalista deve ser transformada.

A meta do comunismo é abolir a divisão social, que na sociedade capitalista se manifesta na propriedade privada, realizando a igualdade e a universalidade efetiva. O próprio Marx, no entanto, diz: “Para superar o pensamento da propriedade privada, basta o comunismo pensado. Para suprimir a propriedade efetiva, é necessária uma ação comunista efetiva”. O comunismo, então, não pode ser apenas uma formula teórica, mas deve ser uma pratica.

Para Marx, o crescimento da classe operaria faz parte do dinamismo do capitalismo, que requer a ampliação incessante da produção de riqueza e, portanto, do capital. “A condição essencial da existência e da supremacia da classe burguesa é a acumulação da riqueza nas mãos dos particulares, a formação e o crescimento do capital; a condição de existência do capital é o trabalho assalariado. (...) O progresso da indústria (...) substitui o isolamento dos operários (...) por sua união revolucionaria mediante a associação. Assim, o desenvolvimento da grande indústria socava o terreno em que a burguesia assentou o seu regime de produção e de apropriação dos produtos. A burguesia produz, sobretudo, seus próprios coveiros. Sua queda e a vitoria do proletariado são igualmente inevitáveis”.

A vitória do proletariado é, inicialmente, a conquista do poder político, que até então se encontrava nas mãos da classe dominante. Essa é, segundo Marx, a única maneira de assegurar a transformação radical da sociedade pela abolição da propriedade privada. Isso não significa, no entanto, que não possa mais haver propriedades pessoais. “O comunismo não retira a ninguém o poder de apropriar-se de sua parte dos produtos sociais, apenas suprime o poder de escravizar o trabalho de outrem por meio dessa apropriação”.

Essa revolução, pelas próprias condições em que se dá, não pode se restringir aos limites de um país. O capitalismo universalizou-se, estendendo suas formas de dominação a todo o mundo; do mesmo modo, a revolução operaria só pode se realizar por inteiro na medida em que abolir universalmente a dominação burguesa. A revolução deve ter um caráter internacional. Por isso, “os proletários nada têm a perder (...) a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar.”

O polvo




A partir da consolidação do capitalismo, elementos intrínsecos da vida humana passaram a ser mercantilizáveis. Foi acrescentado um enorme sentido mercadológico à religião, à política e às relações sociais.

O jogo de conveniências mercadológicas superou a necessidade e a vontade humanas. A religião, por exemplo, em muitos casos, teve seu sentido de apoio espiritual subvertido e transformou-se em um estabelecimento comercial (claro que há exceções, mas como negar que grupos religiosos enriqueceram exercendo atividade comercial? A rede Record de televisão é um exemplo vivo).

Quanto às relações sociais, o virtual vem massacrando o real. Quem ainda resiste ao Facebook? Quantos amigos você encontra durante o dia? E nesse mesmo dia, com quantos seguidores você conversa? Os avatares suprimem as pessoas de carne e osso. E isso atende uma necessidade do mercado (com isso, o Google fatura números exorbitantes).

Em relação à política, houve uma descaracterização ideológica e, atualmente, qualquer pseudocomunista compra uma camiseta com a figura de Guevara. A questão não é mais política e sim mercadológica; o objetivo não é mais discutir um ponto de vista, mas sim parecer integrado ao contexto. A aparência suprime a essência.

Tal situação artificial é aceita e desejada, uma vez que nela estão elementos encantadores (inovações tecnológicas). Quem está ás margens do sistema, quer ser englobado por ele. Parece-me que a antítese não mais pretende destruir a tese, mas sim ser absorvida por ela. Não há uma realidade anticapitalista, mas sim uma vontade de fazer parte desse sistema.

Aproveitando o clima junino, um trecho da música de Dominguinhos e Nando Corde que representa essa interpretação é: “Olha isso aqui tá muito bom, isso aqui tá bom demais. Olha quem tá fora quer entrar, mas quem tá dentro não sai”. O sistema é apaixonante (capaz de oferecer oportunidades e tecnologias encantadoras, em tese). Aquele agarrado pelo polvo capitalista valoriza ferrenhamente suas qualidades; já aquele excluído de seus benefícios, ao invés de tentar assassinar o molusco, reza para ser o próximo preso pelos seus tentáculos.

sábado, 11 de junho de 2011

O MANIFESTO

O manifesto comunista expressaria um relato critico e ,em partes, utopico de uma realidade ja capitalista monopolista, a qual , buscava " imperio " do capital. Marx e Engels atraves desta publicação chamavam a massa para uma abertura de caminhos , isto é procuravam desalienar o grande contigente populacional ingênuo.
Mas qual era o conteúdo do Manifesto Comunista? Em suma , o capitalismo sob uma nova perspectiva em que era vislumbrado a produção e o cunsumo desenfreados ,cujo principal valor era a obtenção de lucro. Além disso , foram analisadas as contradições inerentes ao capitalismo, como, por exemplo, a divisão de classe em dominantes e dominados. Essa divisão , chamada de luta de classes , para os dois, era o motor da história. Outros aspectos foram analisados, como , com base no principio da contradição de Hegel, a história como contradição permanente e a incorporação da antítese à tese.
A superação do modo de produção feudal: os chefes de corporaçao foram afastadtos pela classe média manufatureira; a divisão do trabalho entre os vários grupos corporativos desapareceu frente à divisão do trabalho em eminência. Surgia uma nova ordem. Surgia a ordem global do capital.
A produção e a demanda , principalmente, aumentavam, a manufatura já não era sufucuente. O vapor e as máquinas revolucionavam a produção industrial. A manufatura foi tomada pela produção industrial gigantesca. Havia a mercantilização de todas as coisas , inclusive da fé. A livre concorrencia , perante ao discurso , acompanhada por uma constituiçao social e politica adaptada a ela sob controle economico e politico da classe burguesa. Esta mostrava sua causa eficiente por meio da revolução constante dos meios de produção. Isto implicava numa transformação civilizatória. Em uma palavra , a burguesia substituiu a exploração velada por ilusões religiosas e políticas, pela exploração aberta, imprudente , direta e brutal. Para a burguesia era necessário empreender, ou seja , a partir do estável criar o improvável.
Enfim, este Manifesto , serviu de base para diversos outros "manifestos " , serviu de base , mesmo que distorcido para " debates , revoltas , reformas e revoluções".

A ascensão proletária

Entre 1847 e 1848, Marx e Engels publicaram o Manifesto Comunista. Nesta obra, a luta de classes foi identificada como elemento determinante nas transformações sócio-econômicas produzidas ao longo da história. Desta forma, passaram a conclamar o proletariado a lutar pela construção do socialismo pela via revolucionária.

A análise das sociedades ao longo da história da humanidade, através do método marxista, ou seja, pela ótica do materialismo histórico, permitiu constatar que parte dessas sociedades organizaram sua produção de maneira diferente do capitalismo. Em sociedades tribais, por exemplo, como a capacidade produtiva era escassa, a produção limitava-se a obter da natureza o indispensável para sobrevivência, existindo uma divisão natural do trabalho, estabelecida a partir do sexo ou idade.

O progresso técnico científico e a maior complexidade dos processos produtivos alteraram esta divisão natural do trabalho. A produção de um excedente (nota-se que as crises que eram antes causadas pela escassez, se tornam crises de superprodução, caracterizando a perspectiva capitalista) e sua apropriação por um grupo limitado de integrantes da sociedade, no caso, os proprietários dos meios de produção, implicaram em nova divisão social do trabalho, assim como, na apropriação privada dos resultados do processo de produção. Nestas circunstâncias, a condição de classe dos integrantes de uma sociedade é determinada pela posição destes mesmos indivíduos na divisão social do trabalho.

A relação entre classes sociais é de antagonismo e oposição, já que interessa para a burguesia manter e reproduzir a propriedade privada, a extração do lucro, em oposição dos ideais sociais dos trabalhadores que reivindicam maiores salários, jornadas de trabalho menores e melhores condições de trabalho. Não obstante, a produção social depende de relações de cooperação entre as classes, o que não significa serem essas releções amistosas. Ao contrário, a existência da burguesia pressupõe a expropriação do trabalhador, tanto dos meios de produção, quanto do produto de seu trabalho, obrigando-os a venderem sua capacidade de trabalho em troca de um valor (salário) que possa garantir-lhes a sobrevivência.

Diante de uma estrutura fundamentada na propriedade privada dos meios de produção, em que a riqueza se concentra nas mãos de poucos, o conflito social é inevitável, uma vez que a opressão não é apenas econômica, mas social, política, cultural e ideológica em que a classe proletária está submetida.

Consequentemente, há um conflito de interesses que alimenta a luta de classes, que por sua vez, se constitui em mecanismo de tranformação revolucionária da estrutura social vigente. Na concepção marxista, a história de todas as sociedades é a história das lutas de classes. Por isso, Marx identificou a luta de classes como o “motor da história”, responsável pelas principais mudanças estruturais nas diferentes sociedades. Desta maneira, a classe oprimida seria o agente transformador, que ao negar a estrutura social que a oprime, propõe derrubá-la e, assim, edificar uma nova relação social de produção.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A máquina e suas profundas transformações

É evidente e indiscutível que as mudanças causadas pela Revolução Industrial foram significativas, e tiveram como origem a substituição das ferramentas manuais usadas pelos artesãos e seus aprendizes na produção e confecção de peças e mercadorias, pelo complexo maquinário das grandes fábricas e indústrias pertencentes à burguesia, dona das matérias-primas, dos meios de produção e, consequentemente, do capital propriamente dito.

A substituição do homem pela máquina foi realmente uma revolução (no sentido literal da palavra) resultando em profundas mudanças econômicas, culturais e sociais. O artesão ou trabalhador manual passou a ter como fonte de sustento apenas a sua força de trabalho, os salários não faziam jus à quantidade de mercadorias produzidas, porque a máquina era capaz de aumentar a quantidade produzida em um mesmo período de tempo, entretanto o trabalhador continuava a receber o mesmo salário, a produção já não visava mais apenas um pequeno comércio, pois os industriais estavam interessados em uma produção em grande escala, o que gerava a necessidade de empregar a grande massa trabalhadora, para que essa se tornasse um mercado consumidor ativo e fizessem o sistema capitalista funcionar.

A industrialização também foi responsável pela desestruturalização familiar, porque com a inserção das mulheres e de crianças no mercado de trabalho, aquelas começaram a perder o importante contato com seus filhos durante a infância e se tornaram estranhas a eles por conta da longa jornada de trabalho, já as crianças, algumas vezes, tinham suas idades alteradas para que pudessem ter uma jornada de trabalho maior e também eram vendidas por seus pais para os donos das indústrias. Os homens passaram, durante esse período, por uma fase de alcoolismo e depressão, porque além de terem sido substituídos pelas máquinas, agora precisavam ser sustentados por sua mulher e filhos, tornando-os totalmente dependentes.

As condições de trabalho, saúde, moradia e alimentação da época eram precárias e a jornada de trabalho era extremamente longa e sacrificante, entretanto nada abalava o industrial burguês, que estava interessado apenas em explorar cada vez mais os seus trabalhadores e, consequentemente, aumentar seus lucros.

Obs: postagem referente ao Capital de Marx, porque eu faltei na aula.

Consenso

Antagonismos de classes sempre foram comuns às organizações sociais por nós formadas. Da Idade Antiga à Contemporânea, há, invariavelmente, aqueles munidos de maior força em oposição àqueles que se situam às margens da conjuntura socioeconômica vigente.O que é exposto por Marx e Engels no início de sua obra "O manifesto comunista" é o processo de simplificação desses antagonismos com o fim do sistema de produção feudal e o advento da burguesia (passando ela por estágios de desenvolvimento até atingirem a formação contemporânea aos autores): Além desta, havia apenas uma outra classe, para a qual poderia aplicar sua exploração e sua opressão - o proletariado.
A burguesia provocou a impossibilidade de concorrência de pequenos produtores, levando-os à submissão e adesão à classe proletária.Isso mostra o processo de adaptação ao novo sistema econômico pelo qual as classes menos aptas a ele tiveram que passar.Deveriam elas, então, moldar-se à vontade burguesa já que não fazê-lo resultaria em seu fim.
No que concerne à produção e ao consumo, de fato essa nova classe dominante tinha como oobjetivo a inovação e o rápido desenvolvimento de tecnologias que permitissem a rapidez de produção, para atender às exigências de um mercado que já não mais se satisfazia com o necessário para o atendimento das necessidades básicas naturais. O ato de comprar pelo prazer estabeleceu-se como um grande aliado da burguesia: esta, munindo-se da obsolescência programada encontrou um meio de continuar lucrando.
O comunismo, considerado pelos autores como forma através da qual o proletariado se sobreporia à burguesia basear-se-ia na abolição da propriedade privada já que esta "é a última e mais perfeita expressão do modo de produção e de apropriação baseado nos antagonismos de classe, na exploração de uns pelos outros".Um grande entrave ao seu sucesso, porém, seria homogeneizar a concepção de comunismo, como eles mesmos concluem. Uma das principais dificuldades de se estabelecer uma revolução é exatamente essa: O estabelecimento de um consenso entre ideias e ideais de uma espécie tão instável e tendenciosa - a nossa.

Marx e Engels iniciam o manifesto comunista dizendo que esse texto foi feito a partir das opiniões dos comunistas de várias nacionalidades. Se inicia então o manifesto dizendo que a história de todas as sociedades que já existiram é a história da luta de classes, que o opressor e o oprimido sempre existiram e sempre foram dessa forma, ou seja, um grupo tentando submeter o outro aos seus interesses.
Com a chegada da burguesia Marx e Engels dizem que os antagonismos de classe foram simplificados, porque foi ficando cada vez mais claro a existência de apenas duas classes significativas, a burguesia e o proletariado. A cada avanço que a indústria, o comércio, as tecnologias faziam as classes provenientes da Idade Média iam desaaparecendo ou se enfraquecendo.
Ao dizer que a burguesia encontrou na preguiça seu complemento perfeito e que essa foi a primeira prova de que a atividade humana pode empreender, o que poderia ser entendido como a valorizaçao de um terreno que um empresário compra para esperar um tempo e vendê-lo depois e obter lucro. A crítica é que mesmo não criando empregos e sem trabalhar ele obtem lucros.
Um outro ponto abordado pelos dois autores e que pode ser entendido como a globalização que possamos fortemente no século XX é quando eles dizem que há a necessidade, para a burguesia, de um mercado em constante expansão, que ele precisaria instalar-se em todos os lugares do globo, e dessa forma criariam um "mundo à sua imagem", e de fato é o que ocorre hoje e chamamos de homogeneização da cultura, tendo o exemplo mais comum a música norte americana como um dos maiores meios de disseminação de cultura, costume e que alcanço o mundo interior.
Outra relação que pode ser feita com o que está escrito no Manifesto e os dias de hoje é a passagem que diz que o país se tornou "dependente das cidades". Se considerarmos que hoje o setor terciário é o que de fato faz a economia girar e responde, nos países desenvolvidos e mais ricos do mundo, como a principal fonte de dinheiro, é a maior parcela do PIB desses países, e o principal local de atuação dos trabalhadores do setor terciário são as cidades.

Tudo que é sólido derrete-se no ar

Proletários do mundo todo, uní-vos. O manisfesto de Marx e Engels termina incitando a população proletária a unir-se contra um mal comum a eles: o capitalismo.
É esse capitalismo que os autores buscam explicitar no Manisfesto, ao mesmo tempo que sugerem uma solução a isso tudo: a adoção do sistema socialista.
Marx e Engels enxergam a história da humanidade como a história da luta de classes. Segundo eles, a história se construía a partir de inúmeras sínteses, que só ocorriam após a oposição da tese e da anti-tese, ou seja, a oposição entre duas classes sociais.
No capitalismo, a luta se travava entre a burguesia e o proletariado, e era necessário que o proletariado tomasse consciência disso para poder buscar sua síntese, já que, quando o capitalismo tornou-se a síntese que brotou das ruínas da sociedade feudal, ele apenas aprofundou a luta de classes, estabelecendo novas condições de opressão e exploração.
No sistema feudal, a produção acontecia por meio das corporações, que limitavam a possibilidade que o burguês entrevia de um comércio sem limites. A burguesia queria explorar as potencialidades humanas em seu favor, visando a obtenção de um lucro cada vez maior. É assim que surge a produção manufatureira, alcançando a demanda burguesa da época, mas logo, torna-se ela mesma insuficiente também. Com o vapor e as máquinas há uma revolução nos meios de produção e a manufatura é substituída pela ainda vigente indústria moderna.
Assim funciona o capitalismo, tudo se transforma rapidamente. A própria riqueza é circulante, o capital deve sempre gerar capital, não há mais rigidez, tudo está em mutação constante, ou segundo Joseph Schumpeter, em processo de “destruição criativa”.
A inconstância é tão grande que a troca vira algo permanente e fundamental nas relacões econômicas capitalistas, tornando possível o movimento contínuo do capital. Um invento, em nossa sociedade, por mais engenhoso que seja, será substituído por outro antes que nos seja dada a chance de nos acostumar com o primeiro.
Já não consumimos pelo valor de uso e sim pelo valor de troca dos objetos, que passam a materializar sentimentos sobre o indivíduo, que passa a desejá-lo, criando uma relação indivíduo-objeto que se dá não pelo valor do objeto em si, mas pelo valor imbutido nele.
Apenas um caráter do burguês permanence inalterado desde os primórdios do capitalismo: sua ânsia por mercados. O capitalismo é global desde sempre, mas mesmo esse caráter ganhou uma nova ênfase com o processo de interdependência universal que vamos enfrentando. O mundo se tornou menor com o desenvolvimento dos tranportes, o que falicilitou em muito as relações produtivas e comerciais.
Com todas essas mudanças e implicações que o capitalismo traz consigo é natural que o poder escorregue para as mãos da burguesia. Apenas a classe responsável por toda a relação de mercado é capaz de controlar um Estado que se baseia nisso, assim cada vez mais escapa ao proletário a chance de participação efetiva no poder.


Marx e Engels acreditavam, no entanto, que o capitalismo tecia sua própria teia à medida que se enchia de contradições: o ritmo de trabalho aumentava quanto mais se desenvolviam as forças produtivas, a miséria proletária era maior nos momentos de maior prosperidade burguesa, havia crises de superprodução.

Mas Marx e Engels subestimaram justamente o poder capitalista de transformação, que permitiu a incorporação do proletariado e de suas demandas ao seu sistema, desengajando o proletariado e amortecendo a luta de classes, motor da história humana, resta entender até que ponto, para sabermos se ainda haverá ou não um outro capítulo nessa história da humanidade























quinta-feira, 9 de junho de 2011

Origem e efeitos do Sistema Capitalista

Cumpre, inicialmente, salientar que Marx, na obra “O Capital”, em seu capítulo XIII, diferencia manufatura da grande indústria, com o objetivo de demonstrar que esta última se apresenta como base mais adequada ao processo de valorização do capital. Faz-se mister reproduzir alguns trechos da obra a fim de compreender essa diferença apresentada por Marx.

"Na manufatura os trabalhos se distribuem em conformidade com a escala hierárquica das capacidades e das forças, segundo o que exija o emprego dos instrumentos de trabalho e o maior e menor grau de virtuosismo necessário."

"Ao contrário disso, na fábrica o esqueleto do mecanismo coletivo consta de diferentes máquinas. Cada uma das quais cumpre particulares e diferentes processos produtivos que se sucedem um ao outro e são necessários em todo o processo de produção. Neste caso, não há uma força de trabalho particularmente escalonada, que utiliza, como o virtuoso, um particular instrumento de trabalho; senão que, pelo contrário, um instrumento de trabalho necessita de serventes especiais e constantemente atentos a seu trabalho. No primeiro caso, o trabalhador se serve de um particular instrumento de trabalho; no segundo, ao contrário, particulares grupos de trabalhadores estão a serviço de máquinas diferentes que desenvolvem processos particulares;".

Por isso, acrescenta Marx, "a escala hierarquia de capacidades, que em menor ou maior medida caracteriza a manufatura, não tem mais razão de ser;"

Sendo assim, prossegue Marx, o que caracteriza a produção na grande indústria "é a nivelação geral das operações, de modo que o deslocamento dos trabalhos de uma máquina a outra pode verificar-se em tempo muito breve e sem um adestramento especial;".

"Na manufatura, a divisão do trabalho exige o fato de que certos trabalhos necessários só podem ser realizados e, em conseqüência, nesse caso deve verificar-se, não somente uma distribuição, senão também uma efetiva divisão do trabalho entre grupos especialista;".

Nota-se, assim, que a manufatura e a grande indústria se apresentam como formas antagônicas de produção capitalista, haja vista que a primeira funda-se numa forma de divisão subjetiva do trabalho, enquanto que a segunda é a negação do princípio subjetivista do processo de trabalho. Este, por conseguinte, racionaliza o processo de trabalho, a fim de adequar, este processo, ao sistema de reprodução e valorização do capital.

Nessa esteira, verifica-se que, contrariamente ao que ocorria anteriormente, os meios de produção empregam o trabalhador.

Por isso, assiste-se a uma verdadeira revolução no processo de trabalho: os instrumentos simples de trabalho operados pelo trabalhador da manufatura transformam-se em máquinas.

Impende conceituar o que são máquinas para Marx, em que esta é "igual a qualquer outro desenvolvimento da força produtiva do trabalho, ela se destina a baratear mercadorias e a encurtar a parte da jornada de trabalho que o trabalhador precisa para si mesmo, a fim de encompridar a outra parte da sua jornada de trabalho que ele dá de graça para o capitalista. Ela é meio de produção de mais-valia."

Ademais, a socialização do trabalho na manufatura constituía-se por meio da combinação de distintos órgãos do trabalhador coletivo; na grande indústria, pelo contrário, especializam-se nas máquinas e seu trabalho coletivo. Na grande indústria, as atividades particulares de um dado processo de trabalho estão submetidas a uma unidade técnica baseada em princípios técnico-cientificos.

Como resultado, o capital criou uma base material adequada à sua produção-reprodução. A criação dessa base material é analisada por Marx nos seguintes termos: "com a maquinaria, o meio de trabalho adquire um modo de existência material que pressupõe a substituição da força humana por forças naturais e da falta empírica pela aplicação consciente das ciências da natureza. Na manufatura, a articulação do processo social de trabalho é puramente subjetiva, combinação de trabalhadores parciais; no sistema de máquinas, a grande indústria tem um organismo de produção inteiramente objetivo, que o operário já encontra pronto, como condição de produção material. Na cooperação simples e mesmo na especificada pela divisão do trabalho, a supressão do trabalhador individual pelo socializado aparece ainda como sendo mais ou menos casual. A maquinaria, com algumas exceções a serem aventadas posteriormente, só funciona com base no trabalho imediatamente socializado. O caráter cooperativo do processo de trabalho torna-se agora, portanto, uma necessidade técnica ditada pela própria natureza do próprio meio de trabalho".

Outro fator abordado por Marx refere-se à produção em massa, própria da grande indústria, que exige o emprego em grande escala das forças da natureza, que serão, posteriormente, transformadas em agentes do trabalho social. Assim sendo, a ciência torna-se um poderoso fator de produção de mais-valia, na medida em que o processo de trabalho é comandado pela aplicação consciente de princípios técnico-científicos. Por conseguinte, a grande indústria representa uma ruptura radical com essa forma de conhecimento.

Ressaltam-se, ainda, quais são as conseqüências da mecanização do processo de trabalho sobre a classe trabalhadora, quais sejam: o encarecimento da vida do trabalhador e sua família e o aumento intensivo e extensivo da jornada de trabalho.

A mecanização do processo de trabalho tem como contrapartida imediata a apropriação de forças de trabalho suplementares pelo capital. É o que esclarece Marx na passagem onde ele diz que "esse poderoso meio de substituir trabalho e trabalhadores transformou-se rapidamente num meio de aumentar o número de assalariados, colocando todos os membros da família dos trabalhadores, sem distinção de sexo nem idade, sob o comando imediato do capital". Como resultado desse processo de proletarização da família do trabalhador tem-se o encarecimento de sua reprodução.

A exploração direta do trabalho familiar se constitui num poderoso meio de aumento da mais-valia, pois o trabalho da família, em vez de apenas o do seu chefe, permite ao capital contar com vários dias simultâneos de trabalho em vez de apenas um, e, assim, romper com os limites naturais do dia de trabalho de um único individuo. Com relação a este fato Marx é bastante claro quando diz que, "dada a duração da jornada de trabalho, a massa de mais-valia só pode ser aumentada por meio de um aumento no número de trabalhadores".

Como consequencia da participação da família no processo produtivo, tem-se a deteriorização da qualidade de vida, haja vista as condições a que estas estavam submetidas (excessiva jornada de trabalho, má alimentação, falta de higiene, acidentes de trabalhos, etc.).

Necessário se faz, por fim, discorrer sobre as relações sociais no que concerne ao recrudescimento dos conflitos entre a burguesia, que detinha os meios de produção, e o proletariado, que detinha a força de trabalho. Inicia-se, assim, a luta entre capitalista e assalariado, que se agita por todo o período manufatureiro. Todavia, somente a partir da introdução da maquinaria é que o trabalhador combate o próprio meio de trabalho.