Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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domingo, 29 de maio de 2011
Uma nova aurora corrompida
Essa frase mostra de maneira sintética o que foi o movimento iluminista, o qual, para Marx e Engels, seria essencial para a implementação de uma novo sistema, o socialismo. Para eles, o iluminismo constituiu uma ruptura com o passado, uma quebra com os paradigmas convencionais, sobretudo, da religião e de uma tradição européia marcada pelo absolutismo. É o momento no qual a sociedade desperta para observar a si mesma com os olhos da razão, sem os olhos da tradição ou da religião. Porém, se em um primeiro momento essa nova aurora representa uma transformação profunda, da busca da liberdade, logo, ela se converte em uma racionalidade burguesa (de mercado) – ordem que cria seus próprios privilégios de classe.
Essa era a angústia de Engels, pois logo posteriormente à revolução francesa, essa liberdade tão almejada passa a ser restrita a uma só classe (não era uma emancipação real). Por isso, Engels repudia as primeiras evocações de um socialismo preconizado no começo do século XIX (socialismo primitivo). Esse socialismo fazia uma interpretação equivocada da realidade, uma vez que, para eles, seria possível emancipar toda a humanidade das diferenças de classe, como se aquela nova ordem fosse somente um desvio da trajetória humana. Eles pregavam que era preciso despertar a solidariedade ampla natural humana, os seus desejos mais profundos de eliminar todas as diferenças, e assim, reverter esse desvio da ordem burguesa. Isso geraria um modo de produção onde todos cooperariam sem egoísmo, trabalhariam em prol de todos, um complementaria o outro. Entretanto, para Engels, isso era utópico, não poderia realmente acontecer, pois a burguesa nunca abriria mão de tudo que havia conquistado, justamente no momento que começava a transformar de forma tão profunda a realidade.
A crítica a esse socialismo utópico (baseado somente na retórica – uma vez que o proletariado não poderia fazer tudo por si mesmo) ocorre em nome da necessidade da construção de um socialismo científico. Marx e Engels acreditavam que as pessoas não deveriam imaginar uma nova sociedade (metafísica), mas entender a realidade e construir uma proposta científica para o futuro.
Para compreender melhor esse tão criticado socialismo utópico, utiliza-se de dois conhecidos nomes: Saint Simon e Owen. O primeiro fala sobre o conflito entre trabalhadores e ociosos. Ociosos seriam os burgueses, os que viviam de renda, altos funcionários que viviam a sombra do estado. Os trabalhadores eram aqueles que geravam riqueza cumprindo uma função específica na sociedade. Para ele, o governo deveria ser da ciência e da indústria (expressar o mundo econômico), uma vez que os ociosos e os “descamisados” já tinham tido a oportunidade de governar, principalmente na revolução francesa, e mostraram que não conseguiam transformar o mundo, pois não tinham habilidades mínimas de empreendimento. Já Owen se mostra preocupado com o fato de que o capitalismo era produzido pelo esforço de trabalhadores, mas que somente uma minoria possuía acesso a essa produção (burguesia). Para ele, a solução estaria na educação das crianças, o que levaria a emancipação da classe e de cada individuo por si só, fazendo com que todos entendessem as necessidades dessa civilização moderna (esse pensamento foi fundamental para o progresso das leis trabalhistas). Porém, levando em consideração a realidade capitalista isso dificilmente ocorreria, pois as crianças eram assimiladas ao processo de produção ao invés de serem educadas para o futuro.
Por esses motivos, Engels acreditava que tudo isso não passava de mera idealização de homens bem intencionados, mas que não buscavam respaldo na realidade concreta.
Assim, sua proposta seria investigar e interpretar o real, a fim de encontrar a verdade cientifica das coisas. A crítica à metafísica é o ponto essencial de toda a ciência que ele preconiza como materialismo dialético (enxergar a realidade em uma perspectiva muito ampla). A ideia da dialética marxista é buscar as conexões anteriores aos acontecimentos, que fazem chegar ao fragmento atual, à perspectiva final. A luta de classes se extinguiria(assim, o Estado não seria mais necessário já que não há antagonismos), mas não a dialética – essa só se transformaria, passando a ser a luta do homem com suas próprias insuficiências, a luta do homem para gerar um mundo cada vez mais pleno (seria a dialética da prosperidade coletiva).
Toda a riqueza que o capitalismo gera continuamente, não atinge a todos, e assim há a marginalização da mão-de-obra, aumento da miséria e da pobreza.Além disso, a máquina, ao invés de diminuir o trabalho humano, o intensifica sem haver aumento salarial. São essas contradições que resultarão na sua superação. Chega um momento que não é mais possível extorquir o trabalho das pessoas para que esse modo de produção sobreviva (há limites, inclusive ligados à moral). A contradição do capitalismo deve ser analisada cientificamente, devem-se entender as artimanhas desse sistema que consegue explorar até mesmo quando nossos sentidos não percebem (classe social dominante conseguiu, pela primeira vez, realizar uma exploração sutil, sem coerção física).
Nesse ponto, torna-se essencial uma distinção. A dialética de Hegel é diferente da dialética marxista. Para Hegel, na história, há uma seqüência de contradições onde culturas emergem e outras perecem (a história mostra isso), assim a humanidade está em permanente processo de desenvolvimento. Já Marx questionava se esse desenvolvimento estava diretamente ligado à cultura. Para ele, os modos de produção (com seus antagonismos) que perecem e levam às transformações (a cultura seria uma emanação da economia, assim como a política, as mentalidades e as instituições).
Assim, o materialismo dialético teria justamente a função de desvendar as leis do desenvolvimento histórico. As respostas para os males de toda uma época não estariam na concepção das idéias, mas na própria realidade.
A partir do dia em que se conheceram, a obra de Karl Marx e Friedrich Engels converteu-se numa obra comum. Eles foram os primeiros a explicar, nas suas obras científicas, que o socialismo não é uma invenção de sonhadores, mas o objetivo final e o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas da sociedade capitalista atual.
Determinado ou indeterminado?
Um teste à Lei de Murphy?

Metafísica vira Materialismo
O ideal capitalista ganhou um impulso com o nascimento do pensamento iluminista, os valores burgueses se difundiram sob o título de aurora da humanidade, no entanto, apesar de contribuir com a sociedade em aspectos como a valorização do racionalismo, o iluminismo fez com que a burguesia carregasse em si os elementos de sua própria destruição ao dominar a classe trabalhadora.
A dominação desenfreada de uma classe por outra causou a indignação de certos pensadores, o que fez com que surgisse um pensamento de igualdade social. O socialismo existente antes de Marx, e criticado por ele, é o socialismo utópico. Esse socialismo consiste numa espécie de ímpeto da alma, na vontade de transformar o mundo e tem suas bases fundadas na metafísica.
Os primeiros pensadores socialistas não fundamentavam suas propostas em bases reais, concretas. É a incapacidade desses pensadores de perceber as contradições do munso real que Engels critica considerando como utopia. Ele prova a verdade de sua afirmação no fracasso das tentativas dos socialistas utópicos de estabelecer esse sistema na época.
Engels acreditava que o socialismo era algo latente na sociedade, que deveria ser aflorado pelo materialismo dialético, gerando uma energia social renovadora, que estimularia uma nova forma de pensar e agir, de caráter revolucionário, que gerasse abundância para todos. O socialismo utópico difere do científico principalmente no sentido de que, apesar de eficaz em suas denúncias, é ineficaz ao moldar um caminho de emancipação.
No entanto, o socialismo de Marx e Engels, o socialismo científico só poderia se dar em uma sociedade na qual o capitalismo já tivesse existido, pois é o capitalismo o responsável por gerar forças produtivas que possibilitem a geração de riqueza a ser distribuída, então, de maneira justa.
Engels caracteriza seu método como um materialismo dialético, no entanto a dialética utilizada por Engels não é a mesma utilizada por Hegel. Hegel analisa a história sob uma interpretação, para Engels, idealista, que projeta a ideia acima de tudo, o que levaria a conexões falsas segundo o socialismo científico. Já ao materialismo caberia desvendar as leis do desenvolvimento histórico, pois a evolução do conhecimento fornece o material para desvendar as análises.
Nesse sentido Engels analisa o que os socialistas científicos consideram como a principal lei histórica: a história da luta de classes, no momento, a luta proletariado-burguesia.Acreditando que havia exploração do proletariado por parte da burguesia, os socialistas chegaram a estabelecer qual seria o mecanismo de exploração, e chegaram então à mais-valia, um conceito que relacionava a utilização de mão-de-obra operária, gerando certo valor para o burguês, com o pagamento ao proletário de um valor menor que o gerado por ele.
Para os que acreditavam no socialismo científico, o capitalismo deveria ser superado fazendo com que acabasse a contradição referente aos meios de produção, que contavam com uma produção social, dependente de vários operarios, mas com apropriação capitalista, gerando altos lucros apenas para o detentor dos meios de produção. Isso se daria quando o proletário se apoderasse do Estado burguês extinguindo os antagonismos e tornando desnecessária, posteriormente, até mesmo a presença de um Estado. É isso que dá ao marxismo um caráter tão revolucionário e ao mesmo tempo o torna difícil de ser alcançado, ainda mais num mundo onde o capitalismo ainda impera, dominando e regendo a vida das pessoas cada vez mais.
sábado, 28 de maio de 2011
Ó máquina, orai por nós
Objetivos Escusos
Cumpre, inicialmente, salientar que a ideia primordial da obra — Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, é a de distinguir o Socialismo Científico — codificado por Karl Marx e o próprio Engels — e o Socialismo Utópico.
Para isso, faz uma reflexão dos antecedentes históricos ao surgimento do socialismo utópico, principalmente, no que tange à subversão do Antigo Regime pela implantação de um governo liberal pela burguesia, através dos ideais iluministas.
Todavia, nota-se que o verdadeiro objetivo dessa classe era o de conquistar o poder político, criando-se inúmeros privilégios. Para isso, faz-se necessária a exploração das classes sociais desfavorecidas. Vale atentar para o fato de que estas foram imprescindíveis para a ascensão política burguesa.
Faz-se mister destacar os pontos fundamentais presentes nos capítulos I, II e III da supracitada obra. No Capítulo I, Engels assinala os méritos das teorias socialistas do passado, principalmente as dos socialistas utópicos, discutindo sobre seus limites e equívocos. Basicamente, os ideais dos socialistas utópicos, entre eles Saint-Simon, Fourier e Owen, baseavam-se na crítica das injustiças e das condições de exploração da sociedade capitalista, propugnando para o fim da exploração do homem pelo homem. Denominados de utópicos por vislumbrarem uma ordem social ideal, não realizável nas condições concretas da época.
No Capítulo II, sintetiza características do método dialético em oposição ao metafísico e da concepção materialista em oposição à idealista. Além disso, a concepção materialista de história permite a análise científica do modo capitalista de produção, o entendimento de como se dá a exploração do trabalho sob esse regime e a demonstração da necessidade e possibilidade de sua superação.
No Capítulo III, analisa as contradições básicas do capitalismo (capital x trabalho, burguesia x proletariado). Ademais, enfatiza-se a revolução proletária como ato que socializa os meios de produção.
Verifica-se que ao contrario dos utópicos, Marx e Engels preocuparam-se em compreender a dinâmica do capitalismo, sendo necessário, para isso, a análise de suas origens, conceitos e contradições. Tal concepção diverge dos ideais utópicos, haja vista que estes objetivavam determinar uma sociedade ideal.
E mais, o socialismo científico acolhe a tese de que o capitalismo, inevitavelmente, será superado, seja pela sua própria dinâmica evolutiva, seja pela conscientização da classe trabalhadora ao entender-se como classe revolucionária.
Vale ressaltar, por fim, que o socialismo seria apenas uma etapa intermediária, porém, necessária, para se alcançar a sociedade comunista, representando, assim, o momento máximo da evolução histórica do homem, marcada pela ausência de divisão de classes sociais, de propriedade privada e do Estado. Isso seria possível a partir, entre outros fatores, da organização da classe trabalhadora.
“Trabalhadores do mundo, uni-vos” ainda é possível?
Engels, o grande responsável por concretizar as ideias de Marx, analisa o socialismo utópico como um conjunto de meras ideias, iluminações de mentes privilegiadas. Já o socialismo científico como uma ciência, que vai além de uma teoria, e foi desenvolvida com o objetivo de esclarecer e conscientizar a sociedade sobre a anarquia que reina na produção e também sobre o antagonismo de classes existente, causado pelo novo sistema de produção, e sobre a grande exploração que a burguesia, dona do capital e dos meios de produção, exerce sobre o proletariado possuidor apenas a sua força de trabalho como meio de sobrevivência.
Acredita-se que, como a luta de classes é o motor para o desenvolvimento da humanidade, é através dela e com a união do proletariado, que essa classe conseguiria acabar com todo antagonismo e anarquia existentes.
A partir de então, essa massa proletariada poderá tomar o controle do maquinário de produção que antes a escravizava, permitindo que a sociedade tome posse das forças produtivas e o Estado possa ser extinto, porque com o fim do antagonismo de classe, o proletariado consegue tomar posse do Poder Executivo e o Estado torna-se um órgão supérfluo.

Portanto, segundo o materialismo dialético, o capitalismo, com a expropriação de tudo que o trabalhador possuía, até mesmo de seu conhecimento, já havia tomado as medidas necessárias para o seu esgotamento e, por isso, já estavam presentes as condições necessárias para a implantação do socialismo através da luta de classes e da ditadura do proletariado. Entretanto, ao fazer tal análise, Marx e Engels, não levaram em conta o poder de desenvolvimento e adaptação do capitalismo aos avanços econômicos, culturais e sociais da humanidade. O que fez o socialismo perder espaço no âmbito mundial e nunca atingir o seu completo desenvolvimento, já que o sistema socialista implantando, em países como Rússia, Cuba e China, não conseguiu chegar ao patamar de isonomia e ausência de Estado como pregava o socialismo científico em sua teoria.
Revolução!
Friedrich Engels, em sua obra “Do Socialismo Ultópico ao Socialismo Científico”, comenta esse poder revolucionário. O teórico acusa a burguesia de destruir o privilégio estamental, para criar seus próprios privilégios. Acrescenta que a burguesia, por ser revolucionária, traz em si sua própria antítese. Em meio a abundância do capitalista, há a miséria do proletário. E, para finalizar, Engels comenta que, durante o feudalismo, a produção era de subsistência, satisfazendo à família do servo e do seu senhor feudal. Vê-se, então, que durante o feudalismo (para Engels), por haver a possibilidade de se auto-satisfazer, a família do trabalhador possuia uma maior qualidade de vida. Será?
As revoluções Gloriosa e Francesa entregaram o poder à burguesia. No caso inglês, limitou-se o poder da monarquia, colocando o parlamento (representantes do povo) como orgão máximo. No caso francês, a burguesia derrubou o rei e implantou a república. O estado falido de Luis XVI foi substituído pela França moderna, industrial e democrática. O proletariado inglês jamais se voltou contra o parlamento. A França, quando os sansculottes tomaram o poder, afundou-se em sangue. Privilégios de uma só classe? Não é o que parece. A revolução industrial aumentou a produção, inundando o mercado com produtos diversos. Os salários crescem e os preços caem, medidas para forçar o consumo, apenas para aumentar os lucros do capitalista egoísta? Pouco importa, agora todos podem comprar um colchão que não seja de palha, ter energia elétrica em casa, andar de trem, carro, metrô, avião! Não há como negar, a vida de todos melhorou. É lógico que os donos dos meios de produção enriqueceram muito mais em menos tempo, mas não cresceram sozinhos. A desigualdade aumentou, isso é péssimo. Contudo, pense como vivia um servo durante o feudalismo: alimentação, vestuário, higiene pessoal, lazer. Comia o que a terra concedia; vestia trapos; mal tomava banho ou escovava os dentes (atendia às necessidades utilizando folhas); seu trabalho não tinha horário. Hoje, não importa a época do ano, encontra-se no mercado todo tipo de produto; as roupas de algodão não pinicam; toma-se banho, escovam-se os dentes (e há papel higienico, bidê, ducha...); trabalha-se um período do dia, não tendo que se preocupar a noite com lobos atacando o gado ou a chuva que precisa cair amanhã (basta consultar a meteorologia ou ligar o sistema de irrigação).
A burguesia traz realmente em si a sua antítese? Levará o proletário a se revoltar contra as injustiças e tomar o poder, para criar enfim a sociedade igualitária? Continuarei a lista que estava fazendo no começo deste texto. Revolução Russa, Lênin estudou Direito (em um país de quase total analfabetismo). Revolução Chinesa, Mao Tsé-Tung realizou seus estudos universitários em filosofia e pedagogia (privilégio de poucos na época). Revolução Cubana, Fidel Castro, também formado em Direito, em um país de gigantesca desigualdade. A revolução continua burguesa, de pessoas com dinheiro e formação universitária. O proletário deseja ganhar seu salário ao fim do mês e comprar o seu “sonho de consumo”. A burguesia não traz sua antítese, são apenas alguns burgueses autoritários que o dizem. Friedrich Engels era filho de industriais em Manchester. Karl Marx nunca trabalhou na vida. Engels, em sua obra já aqui citada, diz que o proletário é o único grupo capaz de destruir os privilégios de classe e trazer à sociedade a justiça social. Isso nunca aconteceu. Sempre o povo foi reduzido à massa de manobra. A revolução não proletária. O proletário é conservador, apático, acomodado.
Porém, se a burguesia é revolucionária, o proletário, conservador; o que é a burguesia socialista (que se diz revolucionária)? Fácil, é REACIONÁRIA! Esquisito? Provo. Engels, novamente, diz: “com exceção do Estado primitivo, toda a história era a história da luta de classes, e que as classes sociais em luta entre si eram em todas as épocas” (“Do socialismo utópico ao socialismo científico”, Friedrich Engels). Não bastando, Engels diz que o segundo passo do socialismo é o comunismo, onde o Estado é abolido, por se tornar obsoleto. Isso é lindo, ainda que em toda a história da Rússia ou de qualquer um dos países da antiga URSS, nunca o Estado foi tão presente quanto nos 74 anos (1917-1991) de socialismo. Fato que se repete na China, Cuba, Coréia do Norte. Além de falso, este conceito é um retrocesso ideológico. O Estado foi formado ainda na antiguidade. Todo agrupamento humano possui um líder, não necessariamente que mande, mas responsável por administrar e regular as relações interpessoais. A formação do Estado foi um avanço elementar, na história da humanidade. Destruí-lo é retroceder seis mil anos de evolução das sociedades. Além desta passagem, notam-se os elogios feitos ao feudalismo, que já citamos anteriormente. A produção manual, artesanal, é colocada como superior, mais justa que a produção industrial.
Se me perguntarem, eu sou a favor da revolução. Da Revolução Gloriosa, que criou o parlamento, regulando os poderes da monarquia. Da Revolução Francesa, que destituiu um rei pródigo. Das Revoluções Industriais, desde a máquina a vapor até a robotização atual, melhorando as condições de trabalho, barateando custos e aumentando a produção. Revolucionário é investir na produção de ciência, modernização. Utilizar cada vez mais máquinas, evitando que trabalhadores sejam diminuídos a meros animais, com músculos e sem cérebro. Isso é revolução!
Renovação e Revolução
Friedrich Engels em sua obra "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" (1880) expõe racionalmente a diferença entre esses dois tipos de socialismo presentes no titulo. Ao analisar os antecedentes históricos do surgimento do socialismo utópico, Engels parece afirmar que a intenção inicial dos movimentos iluminista e revolucionário burguês de subverter a ordem vigente do Antigo Regime e implantar um governo liberal (onde os valores de liberdade e igualdade seriam normatizados), foi de caráter essencialmente "justo" para os participantes daqueles movimentos. Porém, uma vez no poder, a burguesia logo tendeu ao conservadorismo político (ao praticamente estabelecer uma oligarquia burguesa) e à exploração das classes sociais desfavorecidas, sendo que estas foram essenciais para que as revoluções liberais triunfassem.
Frente a essa "traição" burguesa para com o proletariado, uma vez que a burguesia cria seus próprios privilégios, traz libertação somente a si mesma e estabelece a liberdade de mercado como a mais importante dentre todas; houve o surgimento de ideias sociais de intelectuais notáveis (como Henri de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen), que mais tarde derivariam no socialismo primitivo ou utópico. Engels consegue sintetizar aquelas ideias, explanando seus principais pontos de destaque, as características que aqueles pensadores propunham estarem necessariamente presentes em uma sociedade igualitária e libertária. Todavia, fica claro para Engels que essa vertente socialista é inviável no mundo concreto, não tendo dos próprios autores métodos para a criação dessas sociedades ideais, por isso essas ideias são denominadas como socialismo utópico, pois são fantasias, ilusões.
Engels, então, presume que o socialismo não deve se situar no campo metafísico das ideias, mas sim no âmbito cientifico, portanto, na realidade. Um ponto de extrema importância na construção da ideologia marxista, na qual Engels foi co-fundador com Marx, é o uso da dialética (construção de uma tese com o surgimento de uma antítese, sendo que ambas convergem para uma síntese) para analisar os diversos momentos históricos, tirando dessa investigação as leis da História. O conhecimento dessas leis permitiria encontrar as contradições inerentes ao capitalismo, sistema econômico duramente criticado pelos fundadores do marxismo (já que dentre outras coisas explorava a mais-valia do trabalho proletariado), buscando assim, sua apropriação e substituição pelo sistema socialista. Esse novo sistema finalmente levaria com que os meios de produção fossem de proveito para todos os homens e não apenas de uma classe, trazendo supostamente prosperidade e paz para o mundo (sendo que o Estado se extinguiria, uma vez que não há mais conflitos).
Cabe ressaltar também a existência de uma concepção marxista inovadora em sua época, a da lutas entre classes. Engels e Marx concluem que ao longo da história da humanidade, sempre houve lutas entre classes, sendo que essa luta seria o próprio "motor da História". E que na Idade Contemporânea, a atual, a burguesia e o proletariado estão presentes nessa luta em pólos completamente distintos, respectivamente de acumulação de riqueza e de miséria. Conclui-se que ao utilizar-se do pensamento marxista dialético, Engels (e consequentemente Marx) deu aos homens uma nova opção sistemática econômica a ser seguida. Foram inovadores e brilhantes nesse sentido, apesar de que seus seguidores parecem ter perdido ao longo de suas exaustivas tentativas (e algumas implantações fracassadas) o verdadeiro caminho proposto por esses importantes intelectuais do século XIX.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Coisa, coisamente.

EU, ETIQUETA.
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
(Carlos Drummond de Andrade).
“A desvalorização do mundo humano ocorre na razão direta da valorização do mundo das coisas”. Estes são dizeres de Karl Marx, que traçam um paralelo com as questões poeticamente traduzidas por Carlos Drummond de Andrade no famoso poema acima. Ambos retratam a sociedade capitalista. Falam de seu sobrenome: o consumo. Para Marx e Friedrich Engels, que partilha das mesmas ideias do primeiro e as redige, é justamente a composição material, ou seja, a estrutura econômica, a grande determinante da maneira de ser, pensar e agir de uma coletividade. Assim, a lógica capitalista da intensa produção de riquezas aliada e garantida pela exaltação da mercadoria traça a realidade social e compõe a base sobre a qual a coletividade se sustenta. Coletividade esta que pensa, vive e reproduz o consumo intenso, crescente e incessante. Trata-se da disseminação da ideologia burguesa, que promove a falsa consciência: a alienação.
Ao consumir algo o indivíduo se vê parte do todo, tem a falsa idéia de inserção no mundo do capitalismo. E a imposição social passa a depender do que se possui. Em meio a isso, o anseio por mercadorias diversas cresce a tal ponto que os indivíduos se tornam escravos delas. A questão aqui já não é mais a necessidade básica, fundamental, o valor de troca sobrepõe-se ao de uso. O culto à mercadoria se dá não pelo que verdadeiramente ela é ou possui, mas pelo significado que ela carrega, pela fantasia a que atende. Trate-se do fetiche da mercadoria. E é aí que se dá a reificação do homem, que humaniza a mercadoria e se coisifica. As mercadorias ganham vida própria e os indivíduos passam a viver entorno delas. Assim, coisificados, desumanizados.
E já que, como afirmaram Engels e Marx, a dinâmica econômica se manifesta na dimensão político-jurídica cultural, o resultado disso não é apenas previsível, mas palpável e evidente na sociedade em que vivemos. A precariedade das relações sociais é notável, preocupante e vergonhosa. Valores e princípios que fogem à questão mercadológica são, quando não esquecidos ou postos de lado, colocados em segundo plano. O convívio se pauta nas aparências e cada um volta toda ou maior parte de sua atenção para a busca frenética pelo status, pela imposição social a partir do consumo. O grande vício da atualidade. A solidariedade, a compaixão, a sede de justiça, as noções de certo e errado, a moral, enfim, a humanidade está se deteriorando e se perdendo. Ajudemos a resgatá-la! Para que não sejamos mais coisas e reassumamos nosso título de seres humanos.
De animal a senhor

Iluminismo: século das luzes! A priori, o termo tem conotação virtuosa, mas isso realmente foi confirmado? A “Aurora da Humanidade”, na verdade, foi transformada em fantoche da classe que ascendia rapidamente na época, a burguesia. Friederich Engels, embora elogiasse essa linha de pensamento, criticou-a também de modo negativo. A classe burguesa tinha como princípio criar a sua própria riqueza, mesmo que preciso fosse destruir todos os outros princípios daqueles que a ajudaram a se ascender. Nesse contexto, surgiram pensadores que, em defesa do social, defendiam um pensamento socialista. Esses autores foram considerados, mais tarde, socialistas utópicos, pois acreditavam que a solidariedade era uma característica de natureza humana e assim a implantação do sistema socialista ocorreria de maneira lenta e gradual. Isso eliminaria todas as diferenças e reverteria o desvio da ordem burguesa, a fim de que todos viveriam em cooperação, sem egoísmos. Ou seja, os utópicos estavam longe de captar a verdadeira essência do socialismo. Para Engels, um dos socialistas científicos, era necessário descobrir uma maneira de impor esse novo sistema de ordem social à sociedade, abordá-la e interpretá-la faria com que a “energia revolucionária” fosse liberta.
Engels também critica a metafísica. Para ele, Bacon e Locke criaram um método especulativo, no qual há uma perda de visão do todo. De maneira isolada, criavam algo perene e davam à sociedade. Somente há lugar para antíteses; o correto é o correto, o errado é o errado; não há como debater sobre o que é o real, uma vez que ele é feito da meneira como o vemos. Engels contraria essa teoria metafísica dizendo que somente com a dialética chegamos a uma concepção do que é o universo em sua exatidão. Esse caminho permite a percepção das constantes ações e reações gerais, do positivo e do negativo – que, apesar de todo o seu antagonismo, penetram-se reciprocamente.
Toda via, há diferenças entre a dialética defendida por Engels e a dialética defendida pro Hegel. Hegel foi o primeiro a defender a dialética. Para ele, o mundo é compreendido através da natureza, da história e do seu espírito de transformação e desenvolvimento. Contudo, essa percepção hegeliana era totalmente idealista; ou seja, para ele, a realidade era tudo o que derivava da mente. O racional era o real. Engels afirmava que essa dialética levava a concepções falsas. Afinal, é racional pensar que todo trabalhador explorado pelo capital é contra o capitalismo, mas isso acontece de fato? O materialismo dialético defendido por Engels quer evitar esse erro. As respostas encontram-se na própria história, por isso, Engels sustenta que o socialismo é um “percurso incontornável” da história. O socialismo deriva do capitalismo, pois há a produção de riquezas para todos na sociedade socialista e essa produção deriva do modo de produção capitalista. E, apenas com a revolução, os explorados conseguirão chegar ao sistema socialista.
Descoberta por Marx, a mais-valia é “o segredo da produção capitalista e o principal mecanismo de exploração da classe da trabalhadora”, ou seja, é o que gera o lucro para os empreendedores. Estes não largarão tão cedo o seu tão amado lucro para que formemos uma sociedade igualitária, portanto, somente a revolução conseguirá destituir aquilo que é pregado pelo capitalismo – a produção é social, mas a apropriação não.
Ao contrário, no socialismo o produtor importa mais do que aquilo que produz. O Estado é extinto, a própria sociedade se organiza. O homem, ao entender o socialismo, passa a dominar a natureza e as leis históricas – “sai do reino animal ‘e torna-se’ senhor consciente e efetivo”.
A realização deste ato redimirá o mundo e esta é a missão do proletariado!
A História com Novos Olhos
Engels, em “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, pretende combater o socialismo utópico para desenvolver o científico por meio da efetiva compreensão da sociedade. Primeiro, seria necessário o abandono da limitada concepção de história metafísica, na qual os conceitos são fixos e isolados, sem meio-termo, por derivarem do senso comum. Para exemplificar a deficiência da metafísica, Engels cita o problema da identificação do limite entre a vida e a morte enquanto que, seguindo nosso senso comum, diríamos ser possível, com certeza, dizer se um animal vive ou não. A contribuição de Hegel foi justamente descartar a metafísica e apresentar a história como um processo de transformações, como dialética, mas com uma visão idealista, de acordo com a qual apenas a mente seria real e tudo que fosse racional seria real. Deste modo, no plano das idéias, seria lógico que todo operário fosse contra o sistema capitalista. Porém, nem sempre a ideia corresponde à realidade, pois, muitas vezes, o próprio operário carrega ideais da classe dominante ou por ela incutida - como o mito do trabalho, de acordo com o qual os esforços e a dedicação do trabalhador seriam sempre compensados com o sucesso ou ascensão social, o que não é verdade – sendo dissolvida qualquer intenção de rebelião.
O materialismo que propõem Engels e Marx afirma que a causa das lutas de classe que movem a história é de ordem econômica, exterior a nós, e não filosófica. O modo de produção determinaria, direta ou indiretamente, todas as relações sociais e, assim, também, a superestrutura constituída pelas instituições jurídicas. Do mesmo modo que o feudalismo havia caído por terra com a ascensão da burguesia, para a qual deixavam de ser convenientes as instituições feudais, instaurando-se o capitalismo, este mais tarde, seria sucedido por um novo modo de produção: o socialismo. Este seria resultado de contradições próprias do sistema capitalista: a alienação do produtor de seu produto (que deixara de ser individ Engels, em “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, pretende combater o socialismo utópico para desenvolver o científico por meio da efetiva compreensão da sociedade. Primeiro, seria necessário o abandono da limitada concepção de história metafísica, na qual os conceitos são fixos e isolados, sem meio-termo, por derivarem do senso comum. Para exemplificar a deficiência da metafísica, Engels cita o problema da identificação do limite entre a vida e a morte enquanto que, seguindo nosso senso comum, diríamos ser possível, com certeza, dizer se um animal vive ou não. A contribuição de Hegel foi justamente descartar a metafísica e apresentar a história como um processo de transformações, como dialética, mas com uma visão idealista, de acordo com a qual apenas a mente seria real e tudo que fosse racional seria real. Deste modo, no plano das idéias, seria lógico que todo operário fosse contra o sistema capitalista. Porém, nem sempre a ideia corresponde à realidade, pois, muitas vezes, o próprio operário carrega ideais da classe dominante ou por ela incutida - como o mito do trabalho, de acordo com o qual os esforços e a dedicação do trabalhador seriam sempre compensados com o sucesso ou ascensão social, o que não é verdade – sendo dissolvida qualquer intenção de rebelião.
Olhos capitalistas
Tem -se, pois, o nascimento do conflito entre burguesia (detentora dos meios de produção) e proletariado ( dono apenas da força de trabalho). A angústia, o medo,a exploração e as desigualdades ainda mais profundas passam a acompanhar os passos do homem moderno. A divisão acentuada do trabalho ( a fim de aumentar a produtividade juntamente com as técnicas empregadas) acaba por fragmentar também a visão acerca da realidade a partir de cada indivíduo, agora simples apêndices das máquinas. " O fio, as telas, os artigos de metal que agora saíam da fábrica eram produto do trabalho coletivo de um grande número de operários, por cujas mãos tinha que passar sucessivamente para sua elaboração. Já ninguém podia dizer: isto foi feito por mim, esse produto é meu", como nos apresenta Engels. A produção é, portanto,social e todos são levados a crer que participam dos benefícios do meio de produção, enquanto são apenas peças movidas pela alienação que sustenta o Capitalismo. E, assim, alicerçado também na mais-valia, o modelo capitalista, e as transformações que este provocou, é analisado minuciosamente por Engels em sua obra com as devidas contribuições de Marx.
Mas qual seria, então, uma alternativa ao modelo capitalista? Como seria esse novo sistema? O Socialismo, com aponta Engels. Entretanto, um Socialismo liberto da utopia, que encontre a resposta para os males presentes não nas ideias, mas na própria História. De que valem os estudos de Saint-Simon e Fourier se não conseguem oferecer resultados práticos? A realidade ao ser analisada e desvendada é capaz de fornecer traços que compõem o esboço para um Socialismo feito Ciência. E ao se apropriar do Estado burguês, o proletariado finda a luta de classes, implantando não só a produção social, mas também a propriedade social. Sem antagonismos, extingue-se, então, o Estado e tem-se a conquista da prosperidade coletiva, como elucida Engels: " é o salto da humanidade do reino da necessidade para o reino da liberdade".
No entanto, ao conhecer o ideal defendido por Engels, uma pergunta é inevitável: seria isso realmente possível? É certo que nossos olhos capitalistas não conseguem, por mais que se esforcem, dar os contornos da realidade ao projeto de Engels, ainda visto sob a sombra da utopia.
"Ele roubava o que eu mais valia e eu não gosto de ladrão..."
Não resta dúvidas de que, historicamente, as grandes conquistas e alterações no âmbito social sejam provenientes de lutas de classes em situação de opressão.A mais notável dela, a Revolução Francesa proporcionou à burguesia, anteriormente às margens do poder, visto estar inclusa no Terceiro Estado (na sociedade francesa anterior à Revolução), sua chegada à participação política. A partir daí surgiram as condições para a situação do proletariado descrita por Engels.
É imprudente negar que, de fato, o capitalismo é um sistema suscetível a crises, alicerçadas na grande contradição da superprodução gerar miséria. Em contrapartida, a busca por tecnologias que potencializem o poder produtivo é constante, fator contribuinte para o caráter cíclico dessas crises.
Nesse contexto, é inevitável que a classe trabalhadora encontre-se em posição de reivindicar melhorias em sua condição, mas não exatamente por todas as outras razões citadas por Engels. Por exemplo, a dissociação entre produtores e produção final acabou se tornando um fator, devido à alienação da mão de obra, não tão passível de discussão.Porém, devemos considerar, como Engels o fez, a mais-valia como um aspecto negativo dentro desse sistema: desvaloriza-se o trabalho apenas com o objetivo de maiores lucros.
Para justificar a introdução deste texto, é válido ressaltar que (e podemos observar isso na história) há sempre uma classe que almeja (e consegue) se sobrepor às demais.Os valores de uma revolução socialista até poderiam ser puros no início. Entretanto, quais seriam as garantias que, após a sobreposição do proletariado à burguesia, não surgissem núcleos divergentes de ideias que subverteriam a ordem esperada por Engels?
Creio estar longe o momento em que a sociedade se organize sem contradições de classe. Até lá, científico ou não, o socialismo continuará uma utopia.
Germinar de uma sociedade
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Engels começa seu texto fazendo uma alusão muito positiva ao Iluminismo, e a época do séc. XVIII seria a época da razão pensante, e esse império da razão era idealizado pela burguesia. Nesse momento a igualdade se reduziu à igualdade burguesa. No século XVIII a reivindicação da igualdade não se limitava aos direitos públicos políticos, mas se estendia às condições sociais, já não era suficiente para a população abolir os privilégios de classe, mas sim destruir as diferenças de classe.
O antagonismo entre os explorados e exploradores permitia aos representantes da burguesia se fixarem no poder diante da falta de expressão social do proletariado. Engels diz ainda que se até “agora” a verdadeira razão e a verdadeira justiça não chegaram ao poder ainda é porque o destino assim o quis, e o homem certo para conduzir essa chegada ao poder só apareceu “agora” e não antes também por causa da vontade do destino.
O efeito da indústria, da revolução industrial na pobreza foi que ela foi convertida em condição de vida da sociedade como um todo. Assim, o começo do séc. XIX já se iniciava conturbado e com um proletariado totalmente oprimido. Como já dizia Saint-Simon, antecipando uma das ideias marxistas, que o governo expressa o mundo econômico, o universo da administração domina a política, então quem comandava o governo era a burguesia, e ela continuava a oprimir os trabalhadores. Engels via a indústria como utópica para o bem comum, porque o avanço que os donos das empresas teriam só seria possível sobrepondo os assalariados.
Fourier faz críticas fortes à civilização burguesa, e faz propostas como: cooperativismo, dizendo que é possível despertar o sentimento de colaboração entre as pessoas, ele diz também que a pobreza brota da abundância, e o grau de emancipação geral se mede pelo grau da emancipação da mulher. Ele propõe ainda a formação de grupos que fossem viver juntos sob um sistema cooperativista e de autossuficiência chamado de Falanstérios.
Para Owen se chegaria à coesão social por meio de condições dignas de trabalho e educação ás crianças, e a riqueza criada pelas máquinas seria exclusivamente apropriada pela burguesia. Para ele as novas forças produtivas, no caso as máquinas, deveriam servir à edificação de uma nova sociedade onde o trabalho existisse em função do bem coletivo. Robert Owen exerceu papel bastante importante no progresso das leis trabalhistas e no aprimoramento das cooperativas. A educação deveria ser usada para clarear os trabalhadores e empresários para que entendessem as necessidades da sociedade moderna e industrial sem oprimir os trabalhadores. Com a cooperação e a educação seria possível ampliar os horizontes e aumentar a capacidade de gerar riquezas para todos.
Engels crítica a metafísica com o materialismo dialético, pois para ele deve se enxergar primeiro de forma aberta, ampla, e depois ir minuciosamente buscando outros pontos a serem considerados. Assim como na dialética marxista, que seria buscar as conexões anteriores ao fato para que se possa chegar até o ponto final. Para o autor a história natural é uma constante dialética, porque a todo instante o ser orgânico se renova assimilando matérias, ou produzindo novas células, está numa permanente transformação.
Para Engels o real como uma projeção de ideias, pode levar a conexões falsas, artificiais, pois nem tudo que é lógico é verdadeiro, principalmente porque para se chegar a alguma conclusão apenas se leva em conta as ideias próprias, que não possuem garantias de total certeza. Dessa forma ele conclui que a forma de se encontrar um melhor entendimento para uma época não está nas ideias, no abstrato, mas sim na própria história, e a evolução do conhecimento, da ciência possibilita o material necessário para fundamentar as análises.
Por causa da luta de classes a história teve que ser revisada, porque pode-se perceber que em nenhum momento, com exceção do estado primitivo, toda a história foi baseada em lutas de classes. Por isso que o socialismo seria um percurso incontornável, já que a própria história converge para os mesmos problemas, e ele enxerga como única solução o fim das classes, ou seja, da mudança de sistema para o socialismo.
O novo socialismo proposto tinha sua cientificidade em decifrar as leis históricas e as contradições inerentes ao capitalismo. Dentro das definições há a de mais-valia que era a diferença entre o valor do produto produzido pelo trabalhador e o seu salário. Considerado pelo autor como o principal mecanismo de exploração da classe trabalhadora, porque o trabalho que seria o objetivo de vida passa a ser apenas um meio para se alcançar um objetivo de vida que foi implantado pelo capitalismo que seria o de consumir. No socialismo não é o fato de consumir, não é o produto o mais importante, é o produtor, o trabalhador que é valorizado.
As pedras ao longo do caminho
Ao analisarmos a vida pessoal de Friedrich Engels, nos deparamos com uma dialética, ou seja, o sociólogo era filho de uma pai industrial e rico, na qual demonstrou interesse perante as classes menos favoráveis, ficando, assim, indignado com tanta miséria e pobreza.
Analisando o contexto atual, podemos exemplificar dialética com um acontecimento recente e marcando no nosso país: união estável gay está juridicamente reconhecida. Sendo assim, o Direito passa a ser instrumento dessa dialética, porque fez uma negação de uma ordem estabelecida anteriormente, negando a tradição anterior, trazendo, contudo, os homossexuais para a ordem vigente.
Além desse conceito, há uma longa discussão abrangendo o sistema econômico atuante naquela época. É válido ressaltar que até mesmo esse sistema não escapou de uma análise dialética, onde podemos sistematizar a seguir :

Sendo assim, ao percebermos as falhas do capitalismo, uma onde de revolta nos invade e o desejo de mudança começa a persistir em nossa mente. E nesse embasamento, Engels “anseia a libertação das forças produtivas” da apropriação privada da produção, na qual acabaria com as desigualdades e todos os privilégios e benefícios fornecidos pela modernidade ficaria ao alcance de todos.
Tais idéia tiverem influência ao longo do mundo, inclusive no Brasil, sobretudo na política. Inúmeros partidos seguem a ideologia socialista, entre eles o PCB ( partido comunista brasileiro), fundado em 1922, defende o comunismo, baseado nas idéias de Marx e Engels, e tem como símbolo o foice e o martelo cruzado, um partido nitidamente contrario ao capitalismo. Outro de relevância que cabe no contexto é o PSTU( partido socialista dos trabalhadores unificado), o mais radical no meu ponto de vista, onde os integrantes do PSTU defende o fim do capitalismo e a implantação do socialismo no Brasil, tendo inspiração nos regime socialista do Leste Europeu. Mas, creio eu, que alguém esqueceu de avisá-los que de todos os países participantes, atualmente apenas 2 (Bielorrússia e a Moldávia) continuam socialistas hoje em dia e ao longo da história foram palcos de inúmeras guerras e conflitos.
Em fim, podemos concluir que não existe um sistema político e econômico perfeito.
E com o passar do tempo aprendemos a melhorar os percalços encontrados ao longo do caminho, para tentarmos estabelecer uma sociedade pacífica e com uma ordem legitimada.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Conhecimento, solidariedade, consciência, direito. Há?
A base de tudo, o alicerce, o método de elevação do ser: o conhecimento. Seria ele tão fundamental? Ou necessidade básica maior seria o sentimento moral da coletividade?
A consciência coletiva se faz necessária, sim! Claro que, diante de tal sociedade que nos inserimos, a idéia da abdicação do que é supérfluo e da fome pelo saber, talvez por status ou por cargos elevados, é fraca, praticamente impraticável; mas o pensamento deve ser presente, deve-se ter a idéia de que a consciência coletiva é parte integrante no direito, como a garantia do bem geral.
Durkheim influenciou marxistas, e o efeito moral dessa proposta de divisão do trabalho foi a geração da solidariedade social.
Essa divisão poderia, então, ser proposta em penas? Como exemplo, alguém que cometa um homicídio, ao invés de ser excluído da sociedade ou morto, poderia, então, assumir o papel do outro ser que perdeu a vida para pagar a sua dívida com a população, trabalhando, assim, em dobro, pois, afinal, a morte de um só homem não promoveria impacto na sociedade? São questões pertinentes e coerentes, mas que, sem sombra de dúvida, não serão postas em prática para adquirir suas respectivas respostas.