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domingo, 29 de abril de 2012

Ponto de Vista



"'Cause I don't care where I belong no more./ 

What we share or not I will ignore./ 
And I won't waste my time fitting in./ 
'Cause I don't think contrast is a sin.
 
Millencolin


O grande desenvolvimento técnico-científico que existiu no século XVIII durante a Revolução Industrial e as consequentes transformações na sociedade decorrentes dele levou à concepção do cientificismo, que defende a utilização do método das ciências da natureza para todas as outras áreas do conhecimento. Comte, com sua filosofia positivista, instala, em detrimento da teoria do conhecimento, a teoria das ciências, classificando-as em: matemática, astronomia, física, química, biologia e sociologia, indo da mais simples e abstrata à mais complexa e concreta. Para ele toda forma de conhecimento agora adviria das realizações das ciências empíricas, alcançando até a religião.
A sociologia, da qual se diz fundador, é definida utilizando modelos da biologia, tratando da sociedade como um organismo vivo, onde cada órgão teria sua função definida e vital para o corpo. Nesse caso a vontade do indivíduo se perderia frente a vontade coletiva, pois esta última deveria prevalecer para que haja o bom funcionamento do todo.
Porém é impossível defender a objetividade e neutralidade das ciências, pois sendo produzida por humanos, está sujeita a impressões e paixões pessoais, marcadas principalmente pela ideologia do pesquisador. Pode-se observar dessa forma a filosofia de Comte como reação conservadora frente à Revolução Francesa, da qual tomou postura anti-revolucionista. Instituindo a ordem em todo o seu trabalho, desde a organização das ciências em hierarquia, até a justificativa da imobilidade e da estratificação social, exaltando um dogmatismo sem limites.
Não há como obter dados brutos da nossa percepção do mundo, da mesma maneira que não podemos traçar objetivos sem os influenciar, pois cada um dará uma significação ao seu objeto de estudo.



Millencolin - No Cigar

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Positivismo: não sendo herói, nunca poderá ser chamado de vilão

Assim como evoluímos da infância para a juventude e desta para a maturidade, passando necessariamente por todas as fases, o pensamento humano se desenvolve do estado teológico para o metafísico e deste para o POSITIVO, passando necessariamente por todas as fases, mostrando uma clara evolução. Esse é um dos preceitos básicos da Filosofia Positiva de Augusto Comte.
A doutrina positivista, duramente criticatada no meio acadêmico, realmente tem seus (muitos) defeitos e erros. Eu, inclusive, discordo do Positivismo na maior parte do tempo. Entretanto, até que ponto há discordância?
Após ler dois dos capítulos da obra positivista de Comte e me inteirar mais do assunto, posso dizer que muito do que li não é exatamente "ruim" (se é que uma teoria do tipo possa ser assim taxada por qualquer um) e desejo compartilhar o filtro pessoal (ou seja, subjetivo e aberto a discussões, não querendo afirmar como verdade absoluta) que fiz da obra em questão, defendendo os pontos que me parecem interessantes.
Comte pensa o positivismo como conclusão da revolução iniciada por Bacon e Descartes. Ora, os pensamentos dos dois filósofos citados são constituídos por métodos espetaculares e utilizados até hoje na ciência moderna! A verdade é que o Positivismo constitui doutrina extremamente realista e racional, estimulante do progresso científico e da ordem social, buscando sempre a verdade científica, sem intromissão dos fatores metafísicos ou teológicos no raciocínio, e uma melhoria social, baseada na fundação da física social e na consequente observação e resolução prática dos problemas sociais em função dela, descartando revoluções e movimentos baseados somente no discurso. Atualmente tais pensamentos têm feito muito sentido se forem analisados por essa visão: é só observar o avanço da ciência no mundo todo e programas sociais práticos como o Bolsa Família no Brasil ou o subsídio às necessidades básicas (saúde, educação, etc.) nos países de maior IDH do mundo.
Também é possível observar a preocupação de Comte em instituir uma reforma da educação no intuito de romper com o isolamento das ciências. É claramente necessário que se saiba um mínimo básico de todas as ciências quando se é educado. Não só para descobrir a que se está mais apto ou o que é de preferência de cada um, mas também porque, dessa forma, há um desenvolvimento sincronizado e mais rápido de todas as ciências. Ainda no que se refere à educação, Comte não exclui a importância da teoria, demonstrando que tanto esta quanto a prática são importantes para a ciência e para a humanidade. E realmente são. Tal pensamento fica muito claro atualmente nas próprias universidades.
Por fim, desejo citar a ênfase no pensar coletivo e na prática da solidariedade. Um dos grandes males da sociedade atual tem sido o individualismo excessivo. Ele alastra a desigualdade, a intolerância e as faltas de humanidade e de consciência no que tange ao respeito às leis e principalmente ao papel social. Talvez pensar um pouco mais positivista não fizesse tão mal assim à sociedade...
Quero deixar claro que não sou defensor do positivismo, muito menos da instituição deste na sociedade, mas somente de alguns dos seus conceitos sobre certa visão bem definida (no caso, a minha) e concluir afirmando que se o leitor entende a importância do Positivismo para as gerações posteriores e não só os pontos ruins, mas também os bons de sua teoria, o leitor certamente já superou os estados teológico e metafísico.

domingo, 1 de maio de 2011

Augusto Comte e o Positivismo

        Augusto Comte, em sua obra " Curso de Filosofia Positiva"(1830) nos demonstra que a base principal de sua teoria é o cenceito positivista, que discutia acerca da realidade completa, promovendo uma explicação racional à partir da observação do real.
        Comte determina que existem três estágios da construção do conhecimento e evolução do pensamento humano: o primeiro é o Teológico, o segundo é o Metafísico e o terceiro o positivo.
         O primeiro estágio, conhecido como Teológico, é baseado na crença em Deus para a explicação dos acontecimentos mundanos. O espírito humano dirige suas investigações para a natureza dos seres, sua origem e mistérios. Acredita-se que os fenômenos são produzidos pela acão direta de seres sobrenaturais, que regulam o universo:os mitos são comuns.
      No segundo estágio, o Metafísico, há uma pequena modificação em relação ao teológico:"...os agentes sobrenaturais são substituidos por forças abstratas, verdadeiras entidades inerentes aos diversos seres do mundo..."(pp. 4). A natureza é considerada única entidade geral e é fonte exclusiva de todos os fenômenos. O homem busca explicações para aquilo que está a sua volta porém, os Deuses não são mais responsáveis pelos acontecimentos do mundo.
        O terceiro estágio, o Positivo, é marcado pelo amadurecimento da humanidade. Os estágios anteriores são fundamentais para que o homem passe a entender e explicar o mundo de uma maneira complexa. Não apenas a descoberta das causas é considerada mas, também as leis que regem os fenômenos.
         Para Comte é necessário a existência de uma ciência social que pudesse entender o sentido das transformações no mundo e na sociedade e a positividade pressupõe a certeza dos fatos, sua boa fundamentação. Para o autor, as explicações devem ser baseadas na realidade, deixando de lado o incerto e quimérico. Como propostas fundamentais do positivismo, Augusto Comte, divide a "lei lógica" dos fenômenos em: estática, que dependem de condições inerentes a sociedade e predomina uma atividade social; e a dinâmica, um aprimoramento do conhecimento, educação, espirito evolutivo em desenvolvimento. Esse principio positivista comteniano pode ser observado no lema da bandeira brasileira "Ordem e Progresso". A filosofia positivista exige a combinação de várias ciências para romper com o isolamento, o conhecimento pleno advem do estudo do todo.
        No texto " Discurso sobre o Espírito Positivo" (1844), Augusto Comte, aponta algumas utilizações práticas do positivismo. Na visão de Comte, o conjunto deve despertar por uma educação universal que é base da sabedoria humana.
        O método de educação positivista deve ser ensinado ao proletariado visto estes, por não terem conhecimento nenhum são melhores receptores deste método pois ainda não foram influenciados pela especulação metafísica. O saber positivo não permite que os homens aproximem-se da anarquia pois o caminho é o regime de Estado forte.Para Augusto, a política social só é possível com o positivismo, o metafísico não conquista as massas porque não consegue assegurar suas necessidades básicas. O governo mais eficiente deveria agir de acordo com o positivismo, agindo com eficiência para beneficiar a população: é mais válida dar assistência direta para a população ao invés de burocratizar.
        A solidariedade é outro assunto abordado pois tem papel fundamental na sociedade organizada pelo positivismo, ao contrário da moral religiosa na qual o objetivo é a salvação pessoal; o positivismo preconiza a sociedade em geral: o bem público é que gera felicidade.O positivismo visionado por Comte, está inserido na sociedade atual de diversas maneiras.
        

Em Defesa de Comte

Alguns podem dizer que farei o papel de “advogado do Diabo”, os demais dirão que nem mesmo o Diabo o aceita como filho. Independentemente do julgamento a ser feito do meu posicionamento, ressalto que o faço por livre e espontânea vontade. Podem até me chamar de positivista, mas o que eu realmente acredito é no “bom-senso”.

Augusto Comte, em seu livro “Curso de Filosofia Positiva”, defende uma reorganização da sociedade, com vistas para o estabelecimento de uma ordem que, finalmente, traria pleno progresso. Sua máxima é: O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim (em francês: "L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but"). O que vemos em nossa bandeira é a abreviação dessa máxima. Eu tenho a convicção de que Comte não está errado. Basta analisar que todos os governos onde a palavra do Estado é obedecida sem contestação (sem desvio da ordem), o progresso é notável. O Brasil cresceu astronomicamente em dois momentos (Era Vargas e Governo Militar de 64). O Japão se tornou a grande potência que é hoje, graças à total dedicação de seus habitantes ao mando do Imperador. A incrível China de Deng XiaoPing. A Argentina de Perón. A França de Luis XV. O México de Porfirio Díaz. Tantos exemplos que podemos citar. Não digo que esses governos todos respeitaram os Direitos Humanos, liberdades individuais ou simples manifestações do pensamento; digo apenas que eles foram eficientes e alcançaram seus objetivos propostos.

A grande confusão que há está acerca do autoritarismo. Não defendo a violação dos direitos individuais. Os governos totalitários árabes estão desmoronando por terem gasto grande quantidade de riqueza do país, sem produzir nada em prol de sua população. Essa derrubada é necessária, e defendida por Comte. A realidade nesses países era de anarquia política, e é essencial que esse governo seja deposto para o estabelecimento de uma nova ordem, capaz de trazer o progresso tão esperado. Portanto, o autoritarismo não é uma característica natural do Positivismo, mas um instrumento utilizado em muitas das vezes. Uma coisa não está necessariamente ligada à outra, ainda que alguns o digam.

Por fim, concluo que o Positivismo não é a solução para todos os problemas da sociedade, mas seu empirismo faz com que seja uma teoria muito mais palpável, próxima do que vivemos; diferente da Teologia e Metafísica, que são, de acordo com Comte, estágios iniciais da construção do conhecimento. O Positivismo, por pregar a aplicabilidade das teorias, mantém-se sempre firmada no real, fugindo de utopias e sonhos.

O Positivismo é um pensamento lógico, simples, prático. Não é bonito, nem mesmo popular entre os “intelectuais” e “pseudo-intelectuais”. O mais importante: Não é cínico, como certas ideologias.

Comte: o homem que quis dar ordem ao mundo

O contexto histórico em que surgiu o Positivismo, em meio às Revoluções Liberais e à agitação social da segunda metade do século XIX, auxilia na compreensão de sua essência, associada à necessidade de compreender as transformações da época. Auguste Comte consolida o positivismo como investigação científica no âmbito dos sentidos, do perceptível, buscando as "leis lógicas" que regem os fenômenos e passando sucessivamente dos estados teológico e metafísico ao positivo, sendo este o máximo e certo desenvolvimento humano, opondo-se à religião, aos mitos e superstições.

Segundo Comte, o primeiro objetivo da Filosofia Positiva é fundar a "física social", através do amadurecimento positivo das demais ciências, constituindo a única base sólida da reorganização social e levando à correção da anarquia intelectual, que seria um retrocesso da sociedade. Na concepção do pensador francês, a ordem é condição necessária para se atingir o progresso, podendo-se observar que o lema da nossa bandeira, ("Ordem e Progresso") por exemplo, é evidentemente de inspiração positivista. Não podendo haver progresso em meio à confusão, a sociologia é criada para solucionar os problemas ou patologias do "corpo social", restituindo a sincronia universal e apresentando-se como um elemento de profilaxia.

De maneira geral, o autor propõe uma ciência da sociedade, na qual o bem comum deve sobrepor-se ao individualismo e às ambições pessoais, e para desenvolver essa ideia, ele estabelece que cada indivíduo tem seu lugar e sua função na sociedade, devendo restringir-se a desempenhá-la. Está inclusa aí a ideia de solidariedade, segundo a qual, no pensamento comtiano, cada um deve resignar-se ao seu lugar em benefício do todo. Vale fazer uma associação biológica, atribuindo a cada órgão do corpo humano sua devida função, cada um com a sua importância e particularidade. Por mais lógica que essa ideia possa parecer, se a aceitarmos sem empreender uma análise mais profunda, não fica o conceito de progresso um tanto quanto limitado? Ao que parece, na filosofia positiva, o operário permanece na sua condição e não existe qualquer mobilidade social, o que não exatamente corresponde à ideia que a maioria das pessoas tem de progresso nos dias de hoje. Ainda seguindo a linha de raciocínio de Comte, a filosofia positiva substituiria a discussão e garantia dos direitos pela exaltação dos deveres, reforçando essa aceitação dos lugares e papéis sociais de maneira a impedir reivindicações ou lutas sociais de qualquer espécie. Podemos dizer que essa ideia está de acordo com o pensamento atual? Basta verificarmos, por exemplo, este simples fato: hoje (1° de maio) comemoramos o Dia do Trabalho, história que remonta ao ano de 1886 na cidade de Chicago, onde milhares de trabalhadores foram às ruas reivindicar melhores condições de trabalho, entre elas, a redução da jornada diária de treze para oito horas. Neste mesmo dia ocorreu nos Estados Unidos uma grande greve geral dos trabalhadores. Foram episódios marcantes, tanto que permanecem sendo lembrados até hoje. Não podemos, portanto, ignorar essa estagnação que a filosofia positiva parece propor, mesmo que, de maneira inovadora para a época, tenha pressuposto a criação de um planejamento social que trouxesse o bem-estar. Apesar de haver coerência na ideia de Comte, de felicidade associada ao bem público, não há como deixar de considerar o direito de cada um de alcançar objetivos maiores e buscar ascensão social. Afinal, é assim que se dá o verdadeiro progresso.

Portanto, constata-se que a filosofia positiva de Auguste Comte apresenta diversos aspectos suscetíveis a discussões e análises, comportando vários pontos de vista. Entretanto, sua relevância para o pensamento sociológico é inegável, e por mais que algumas de suas ideias estejam hoje ultrapassadas, outras ainda são muito claras, como a necessidade de reorganizar a educação combinando as várias ciências, numa visão que privilegie o todo. Certamente, seu pensamento merece ser refletido por ele ter procurado dar ordem ao mundo e demonstrar a importância da ciência social.

Engrenagens sociais.

O contexto em que vive Comte dá a ele o embasamento para elencar o que seriam as fases de nosso conhecimento: teleológico, metafísico e o positivo.Os dois primeiros como parte de uma conjectura abstrata que explica a sociedade a partir de abstrações, da divindade e dos sentidos. O estágio mais avançado, o positivo, aborda uma forma de explicação para trazer a tona um novo método: análise do concreto, do palpável.Entretando Comte não atribui pesos diferentes aos 3 estados, segundo ele todos são necessários à construção do entendimento.
Para Comte, analogamente às leis naturais, seria preciso encontrar as leis imutáveis da sociedade; só assim munidos de observações concretas derivadas da análise social é que seria possível pontuar o saudável e o patológico(passível de reestruturação).
Com base no paradigma newtoniano,Comte comparativamente, observa que nas sociedades as classes ou estamentos devem estar em perfeita sintonia a fim de que o sistema nao se comprometa.Assim é fundamental que os individuos de cada classe entendam e se aceitem como essenciais à dado papel, tendo em vista o motivo coletivo, já que o egocentrismo aqui não é aceito.Buscar a ascenção social seria como se o Sol quissesse ser um outro astro,ou seja, impossível.
Em adição, Comte brilhantemente em 'Condições de estabelecimento do espírito positivo' [terceira parte] deixa claro que para haver a solidariedade entre as classes o proletariado deve entender seu papel no organismo e por isso se aceitar por meio de uma educação universal com ênfase na técnica, assim como as classes superiores com educaçao reflexiva; aliada à uma política popular.
Enfim, ordenada a sociedade o progresso seria um passo posterior automático, que beneficiaria todas as castas sociais.