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domingo, 15 de março de 2026

Isolamento virtual — o individualismo frente a uma demanda plural

 Na contemporaneidade, é notório o uso desenfreado de tecnologias virtuais, o que acarreta uma mudança significativa na perspectiva sociológica da população. O cenário revela que, cada vez mais, os indivíduos mantêm-se conectados à internet durante quase todo o seu tempo livre, retirando de suas rotinas momentos valiosos, como os de autoconexão. Além do uso excessivo, observa-se também uma extrema seleção promovida por algoritmos — ferramentas que filtram os conteúdos a serem exibidos —, o que tende a fazer com que as pessoas vejam apenas aquilo de que GOSTA. Dessa maneira, consumindo durante a maior parte do tempo apenas conteúdos que lhe agradam, os indivíduos acabam perdendo parte de sua capacidade de imaginar sociologicamente, por estarem constantemente sob a influência de outras pessoas — muitas vezes, os denominados “coachs”. Assim, ao ingerirem apenas recortes da sociedade previamente processados, não resta nada para esses indivíduos analisarem por conta própria; cabe-lhes, então, bastar-se com um produto já consumado da sociedade da qual fazem parte.
  Dentro de uma sociedade totalmente plural, a escolha de ignorar a necessidade de compreender e visualizar como as estruturas sociais realmente se impõem sobre os indivíduos — especialmente em um contexto marcado por lacunas de igualdade social — é assustadora. Quando um cidadão escolhe manter sua visão limitada apenas ao seu próprio núcleo, ele falha como mesmo, tornando-se apenas um indivíduo “cego sociologicamente”. Sob a óptica de C. Wright Mills, é necessário ir além das experiências pessoais e perceber como fatores econômicos, históricos, etários, hereditários e biológicos-sexuais influenciam a vida das pessoas. O sociólogo estadunidense aponta que existe uma estrutura que fomenta as relações sociais e as faz acontecer mutuamente, demonstrando que não é possível viver individualmente em um ambiente coletivo. Assim, faz-se necessário um olhar inclusivo e múltiplo sobre a sociedade, capaz de analisar e interpretar toda a complexidade das demandas sociais existentes na população.

Gabrielle Stefani de Araujo,
1° Ano de Direito - Matutino 

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