Total de visualizações de página (desde out/2009)

domingo, 15 de março de 2026

“Algumas pessoas se aproveitam de auxílio ...”

           última grande revolução mundial foi o surgimento da Internet. Com alguns cliques você pode ter acesso a qualquer informação, em qualquer lugar, sem precisar de muito tempo ou grande esforço. Seria de imaginar que com essa ferramenta as pessoas teriam mais facilidade em compreender e saber o que ocorre no mundo, fora de seu cotidiano, mas essa presunção estava incorreta.  O Direito, como outras áreas, precisa acompanhar a sociedade com suas evoluções e discussões, sempre atualizando seu ordenamento para englobar todo o povo, e nesse momento a internet torna-se um espaço para discussões e manifestações. 

Em primeiro momento, sem o uso do mundo digital, o ser humano tem a tendência de se interessar e entender apenas o que está presente no seu dia a dia. Suas experiências e histórias constroem sua moral e costumes, mas anteriormente podia haver a desculpa de não ter acesso ao conhecimento necessário para compreender outras facetas de pessoas, e nos tempos atuais, a única resposta seria a escolha da ignorância (retirando dessa equação parte da sociedade que realmente não tem acesso, mas que em alguns casos têm mais consciência devido a sua vivência).  O sociólogo Charles Wright Mills desenvolve sobre esse tema ao elucidar que o ser humano, normalmente, está encurralado por sua rotina e não consegue visualizar além do que conhece. Sua imaginação sociológica, sua complexidade e entendimento, são básicas, e após o advento da internet, a população é soterrada com tantas informações e pontos de vista diferentes que não conseguem compreender, e consequentemente, não aprofunda o conhecimento disponibilizado. Esse fato atinge também o legislativo, o qual precisa filtrar quais discussões e entendimentos realmente ajudam a manter os direitos fundamentais das pessoas. 

Trazendo a um contexto atual, a relutância encontrada na sociedade acerca de auxílios é muito recorrente, principalmente, na internet. A ignorância e a falta de pesquisa, ou até mesmo o mau-caratismo, acarretam a disseminação de informações completamente sem nexo, por exemplo, que algumas mulheres iniciam várias gravidezes para receber mais dinheiro do governo (argumento que poderia ser facilmente derrubado se pesquisassem o valor recebido e os gastos comuns com uma criança).  

Portanto, é preciso haver esse entendimento que as pessoas não têm o mesmo ponto de partida, acesso a todas as oportunidades, e principalmente em salário que proporcione uma vida com dignidade, e os auxílios - independente da motivação- permitem a possibilidade de uma vida “confortável” na medida do possível. O Direito, que também é atingido por essa avalanche de discussões rasas, e que em alguns casos, chegam até mesmo para votação no Congresso, precisa combater o retrocesso que essas pautas sem fundamentos carregam. Devemos utilizar a internet e os meios de comunicação para acolher mais a população e não isolar. 

Fonte: MILLS, C. Wright. A imaginação sociológica. Rio de Janeiro: Zahar, Capítulo 1: A Promessa.

Thamiris Custódio Fernandes -  1º ano/ Direito - Noturno


Nenhum comentário:

Postar um comentário