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segunda-feira, 16 de março de 2026

Ainda somos os mesmos e vivemos como nossos Pais.



             Ao olhar para a história, é inegável que a estrada que caminhamos como sociedade é composta por sangue, suor e carne humana, sendo que essa composição foi feita a partir da execução dos valores sociais vigentes em suas respectivas eras.
No entanto, o Brasil é uma das nações que pode constatar a tragédia oriunda dos 'valores', como no caso da Capela dos Aflitos, igreja situada no bairro da Liberdade, em São Paulo capital. Este é um local onde ocorreram diversos assassinatos contra pessoas escravizadas, além de serem enterradas com indigentes e condenados à forca. Entretanto, por conta dos mesmos valores que a branquitude adora usar, o apagamento histórico-social surge como uma forma de dominância, fazendo com que um bairro como o da Liberdade — criado predominantemente por pessoas negras — tivesse sua história e cultura apagadas, sendo hoje associado à cultura japonesa e não mais à resistência da população negra. A mesma coisa ocorreu em um período no Rio de Janeiro (em que o eugenismo foi institucionalizado) conhecido como 'Bota Abaixo', momento em que vários descendentes e ex-escravizados residiam na região onde é atualmente a Avenida Brasil, sendo forçados a irem às margens da cidade carioca, criando assim as primeiras favelas, além de estruturar ainda mais o racismo.
Logo, a Imaginação Sociológica se encaixa perfeitamente, já que a situação não é somente do indivíduo nesse caso, mas sim de uma sequência histórica de opressão, sendo, em alguns casos, de maneira institucional. Consequentemente, a violência sofrida pela população negra e outras minorias não vem somente por uma questão individual, mas sim porque socialmente foram marginalizadas e esquecidas por instituições que deveriam, minimamente, dar acesso aos direitos básicos, o que muitas vezes não ocorre. Então, problemas individuais como a violência policial, a falta de emprego e a dificuldade de acesso a serviços essenciais, como saúde, educação e cultura, não são exclusivos, mas sim comuns a uma classe inteira. Isso demonstra ser uma questão social que, como mostrado antes, não é construída do dia para a noite, mas sim fruto de toda uma sequência histórica de manutenção da dominação de um grupo socialmente favorecido.




Lucy Dumont Garcia Couto dos Santos

1º ano – Direito (Diurno)

 

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