Um dos maiores problemas da sociedade brasileira é a desigualdade social; porém, sua estrutura tende a ser “louvada” em diversas manifestações culturais. Sobretudo, apologias ao crime organizado, à prostituição e ao tráfico de drogas são comumente identificadas em letras musicais, pronunciamentos de famosos e outras expressões subjetivas de grande popularidade.
As pautas sociais cobram grande demanda da política brasileira; no entanto, a romantização de fatores consequentes da pobreza pode resultar na normalização do sofrimento e na negligência de soluções reais para essas questões. Sob a perspectiva de Friedrich Nietzsche, a tendência de romantizar ou trazer estética ao sofrimento e os problemas sociais pode obscurecer suas causas reais e impedir transformações efetivas.
No Brasil, não faltam momentos em que dificuldades reais foram tratadas quase como símbolos culturais positivos: a ideia do “brasileiro que se vira com pouco”, por exemplo, muitas vezes transforma a precariedade cotidiana em prova de criatividade e resistência; em algumas narrativas sobre comunidades pobres, a falta de infraestrutura aparece diluída pela exaltação da “alegria do povo”, como se isso compensasse carências básicas; e até o famoso “jeitinho brasileiro” às vezes é celebrado como traço de genialidade nacional, mesmo quando nasce da necessidade de contornar sistemas ineficientes. Nessas situações, o problema continua existindo, mas passa a ser envolto em um discurso que suaviza sua gravidade.
Fonte: Nietzsche, F. (1886). Além do bem e do mal. Leipzig: C. G. Naumann.
Felipe André Pereira Miranda
1º ano – Direito (Noturno)
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