Por que avançar se podemos regredir?
O Brasil contemporâneo está marcado pela polarização política, a qual dificulta o exercício da chamada “imaginação sociológica” apresentada por Wright Mills, esta expressão refere-se à capacidade vital de compreender e conectar-se com o mundo considerando noções reais, fora de sua própria “bolha”. Nesse sentido, é notável que, a priori, agentes políticos de cargos renomados como deputados tivessem essa “habilidade” durante o mandato, no entanto, percebe-se que, cada vez mais, há casos de projetos no mínimo tendenciosas e deslocadas da realidade. Nesse contexto, o deputado Pastor Eurico relatou em 2023 um projeto que buscava proibir o casamento homoafetivo.
Desse modo, o projeto configura-se como uma grande marca do retrocesso atual, visando eliminar uma conquista aprovada pelo STF, que obrigava o reconhecimento em cartório de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo, o qual expandia os direitos da minoria LGBTQIAPN+. Assim, é visível que no cenário de embate político travado entre conservadorismo e progressismo pautas ideológicas extremas chegam à tona, fruto de uma perspectiva puramente individualista e até mesmo prejudicial ao outro, gerando escassez da “imaginação sociológica”.
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