Em seu atual mandato, Donald Trump tem implementado o caos como meio de ordenação. Recentemente começou uma guerra como meio de pacificação. Mas segundo a imaginação sociológica, a qual se define como "capacidade de ir das mais impessoais e remotas transformações para as características mais íntimas do seu humano" (MILLS, C. Wright, 1965), o que isso representa? Isso é um problema? Criado por quem/pelo que? Destinado a afetar quem/o que?
Baseado em senso comum, até seria possível afirmar que essa situação - a título de exemplificação: a guerra iniciada contra o Irã - é culpa da loucura, sadismo, narcisismo, ganância e ignorância da pessoa Donald Trump. E pessoalmente, ele deve achar que é o grande responsável e feitor de tudo isso, que o poder está centrado em si. Entretanto, isso se deve em menor medida a ele como governante dos Estados Unidos, e em grande escala, a um mundo polarizado, conservador, preconceituoso.
Pode-se dizer que a afirmação "nossa época é uma época de inquietação e indiferença" (MILLS, C. Wright, 1965) é muito mais atual que o autor seria capaz de imaginar. Se a personificação de Trump existe, é porque nós permitimos, seja repudiando-o ou aplaudindo-o. O preconceito contra o Islamismo e o Oriente Médio, de maneira geral, permitiram o crescimento da extrema direita, principalmente em um país em que sistematicamente predomina-se o capitalismo em sua essência (EUA).
É devido a essa xenofobia, que Trump conseguiu vencer as últimas eleições presidenciais - mesmo já demonstrando seu caráter pessoal (instância íntima da imaginação sociológica) agressivo politicamente, de quem busca o caos e guerra - com o voto de 312 dos 538 delegados (CNN Brasil, 2024). Dessa forma, o problema é estrutural (instância maior da imaginação sociológica) de uma sociedade pautada por discursos personalistas, pelo desejo de atacar o oponente ao invés de preservar o debate e a discussão.
Portanto, levando em conta o conceito cunhado por Charles Wright Mills e a concepção acerca do Direito, pode-se afirmar que o cenário político mundial no que envolve Trump é um problema, mas esse não é sua pessoa, e sim das instituições sociais, políticas e econômicas que o permitiram chegar à posição de poder que o torna um problema, inclusive para o mundo como um todo. A polarização e a popularização da extrema direita xenofóbica evocam o mau-caráter e as características pessoais desse presidente... bem como a guerra provoca o caráter e as características pessoais dos homens, fazendo-os "escolher" a frente de atuação dentro dela, na visão de C. Wright Mills. Assim, racionalmente segundo o Direito, como meio de resolução, sanções internacionais que buscassem o frear seriam mais efetivas que tentar desmoralizá-lo, já que nos encontramos diante de uma sociedade que o apoia e segue a mesma diretriz de pensamento [não] sociológico.
Ana Clara Cestari Diniz
Direito matutino - turma de 2026.
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