A misoginia está presente no meio jurista? Até que ponto as absolvições são racionais?
Os discursos de ódio contra as mulheres são amplamente divulgados nas redes sociais, através dos algoritmos baseados em uma sociedade masculinista e sem legislações rigorosas sobre quais conteúdos podem ser promovidos, fica cada dia mais fácil para os “red pills” alcançarem um público masculino suscetível à manipulação. Tendo em vista esse cenário e o aumento alarmante de crimes de ódio contra as mulheres, nos questionamos se as violências relacionadas com esses estímulos midiáticos também vem aumentando pela falta de penalidades no âmbito jurídico.
Esse questionamento se estende quando analisamos os dados do Portal CNJ que no levantamento de 2018 revelou o perfil sociodemográfico da magistratura brasileira: majoritariamente formada por homens, brancos, católicos, casados e com filhos. Esses profissionais vivem em uma bolha social diferente da maioria das vítimas: mulheres que sofrem com a misoginia e o patriarcalismo desde suas infâncias. A diferença nas vivências e nos elementos observados durante a vida por pessoas de ciclos distintos pode resultar em uma imaginação sociológica mais limitada ou mais ampla.
Segundo Descartes, para construirmos um conhecimento verdadeiro, precisamos questionar a veracidade dos costumes e das opiniões que nos foram ensinadas. Algumas pessoas possuem limitações imaginativas e levam as percepções construídas para o ambiente profissional, quando um jurista realiza o mesmo no exercício do seu ofício, ele limita os julgamentos apenas a sua visão de mundo, o que pode prejudicar na concordância com uma realidade social muito mais extensa. Além disso, o filósofo aborda sobre a racionalidade das ideias, no trecho “Pois, enfim, quer estejamos despertos, quer dormindo, jamais devemos nos deixar convencer exceto pela evidência de nossa razão.” fica evidente que para uma decisão ser racional é necessário analisar e não somente usar como base a opinião e a emoção.
No cargo de magistratura, mais da metade (59,53%) são homens e, em sua maioria, brancos. Para que as decisões sejam mais acuradas é necessário alterar o panorama do meio jurídico, com mais figuras femininas ocupando cargos altos e trazendo suas vivências para a construção do pensamento racional.
Heloísa Vacarela Vigorito
1º ano - Direito matutino
Fontes: https://www.cnj.jus.br/juiz-brasileiro-e-homem-branco-casado-catolico-e-pai/
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