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domingo, 18 de março de 2018

O positivismo enquanto ferramenta da desigualdade


Auguste Comte foi um filosofo francês do século XIX, que influenciou fortemente as ciências humanas e a política, ele iniciou um novo campo de estudo das ciências humanas, a sociologia. Comte será o primeiro pensador a estudar a sociedade de maneira cientifica. Um dos conceitos fundamentais do positivismos, cunhado pelo próprio e presente na bandeira (ordem e progresso), é que para haver progresso deve haver ordem, ou seja, para que haja o desenvolvimento da sociedade deve haver o controle dela.

Podemos dizer que foi graças ao positivismo que a República Brasileira foi proclamada, as ideias positivistas começaram a se difundir principalmente nas forças armadas brasileiras, após a guerra do Paraguai. Foi nesse contexto de instabilidade, de crise social, com movimentos abolicionistas, crise economia por causa da guerra, crise politica entre os apoiadores monarquia e seus opositores, foi neste contexto de desordem, que o positivismo floresceu. Foi assim que os militares estabeleceram a ordem, com a proclamação (ou golpe) da República.
O positivismo, enquanto corrente sociológica, estuda as relações humanas e os fenômenos sócias, ele estuda os aspectos que mantém e que mudam a sociedade, aquilo que se define como estática social é ela que mantém a ordem e a coesão da sociedade. Portanto para o positivismo as mudanças sociais até podem ocorrem, mas as instituições devem continuar as mesmas, para que haja ordem.
Em suma, o positivismo defende que o Estado, enquanto organização deve impor uma estrutura de ordem para planejar a sociedade, para que assim ocorra o progresso. Esse conceito pode ser perigoso, já que delega que o Estado, através da força, decida quais rumos a sociedade deve tomar a participação popular não faz parte do plano social no positivismo.
No Brasil essas ideias são bem perceptíveis, quem proclamou a república foram os militares, onde só quem poderia participar eram homens alfabetizados e proprietários de terras, ou seja, o grosso da população brasileira continuava vivendo a margem da república; os escravos que tinham acabados de ser alforriados, não foram se quer cogitado a serem inseridos na sociedade, pelo contrário tiveram suas expressões culturais, como o samba, a capoeira, a umbanda, o candomblé, etc, proibidos; os camponeses foram obrigados a se sujeitarem aos latifundiários e aos coronéis, graças à política do café com leite, etc.
Todos esses problemas sociais, entre outros, eram mantidos graças à ordem, que era a policia, o exercito, a elite econômica. Ou seja, o positivismo defende a manutenção dos status quo através da violência e a desigualdade. Essas ideias vigoraram por muito tempo na sociedade brasileira, na república do café com leite, na era Vargas, na ditadura militar, etc. Essa situação só foi começara a mudar por causa das manifestações populares, pela luta contra as instituições da ordem. Foram as lutas sócias brasileiras, e não a ordem, que levou o progresso, seja a CLT que anarquistas e sindicalistas lutaram, o direito a terra que camponeses e índios lutaram, leis contra o racismo e a violência doméstica, que negros e mulheres lutam, etc. O positivismo pode ser uma ótima ferramenta para estudar a sociedade, porém pode ser uma ótima ideologia para ditaduras.

Yannick Noah Ferreira Silverio - Turma XXXV(Matutino)

A desordem causada pela ordem


O grande medo de toda civilização é o seu fim. Na teoria positivista de Augusto Comte a sociedade é sustentada por leis imutáveis, chamadas de estáticas, entre elas estão instituições como o Direito e a família, a qual foi a primeira organização social humana ainda no neolítico. Desse modo, ameaçar essas instituições seria ameaçar a própria civilização de acordo com Comte, uma vez que uma sociedade progride através da ordem mantida por elas. Fato que, numa sociedade com sua república construída nas bases da física social, como a brasileira, explica muitos preconceitos e conservadorismos presentes ainda na atualidade.

Muitos políticos com esses ideais ganharam uma grande visibilidade nos últimos anos, como por exemplo Jair Bolsonaro. O qual defende que o Brasil sofre uma crise de valores, tanto no âmbito econômico com a corrupção, quanto no âmbito social, com o crescimento dos movimentos LGBT e feminista, por exemplo. A ideia dessa crise de valores vem ganhando cada vez mais adeptos na sociedade brasileira, com alguns grupos indo além e se manifestando a favor da volta da Ditadura Militar, a qual foi implantada através do golpe de 1964 para conter uma revolução, a qual é considerada um processo patológico na sociedade, ou seja, foi uma previdência para que as leis estáticas não sofressem com a desordem provocada por revolucionários, um exemplo da teoria positiva mais uma vez na história brasileira, que causou o exílio, desaparecimento e assassinato de milhares de cidadãos brasileiros.

Por isso, em momentos de mudanças profundas numa sociedade governos militares e autoritários pautados no conservadorismo positivista como os já citados, ganham força dentro de uma população. Pois numa sociedade em desordem como a da atualidade, de acordo com Comte, não há o progresso, espalhando, assim, o medo do caos. Uma vez que os movimentos citados (feminista e LGBT), causam, de acordo com os adeptos da crise de valores, uma ameaça a principal instituição imutável das sociedades: a família patriarcal. Explicando assim, as grandes taxas de violência e assassinatos dos grupos feminista e LGBT, além do retrocesso legislativo causado por governos desse âmbito.

Assim, ao invés dessa ordem conservadora levar ao progresso, está fazendo o contrário, gerando uma divisão social na população, além da perca de vidas diárias devido ao ódio espalhado por políticos aos integrantes desses movimentos, causando assim uma desordem maior que Comte poderia imaginar.

                                                                                                               Carolina Soares Ribeiro- Diurno

René Descartes e sua Revolução Científica


René Descartes, em sua obra “Discurso do Método”, revolucionou a forma de pensar na Idade Moderna, ganhando assim o título de “Fundador da Filosofia Moderna”. Num mundo repleto de incertezas Descartes trouxe um método para se alcançar a verdade e superar o senso comum: a dúvida.

Esse método científico revolucionou a forma de pensar do homem moderno, uma vez que a verdade seria alcançada através da racionalidade apenas. Rompendo, assim, com o método teológico e mítico vigente até então. Além disso, o filósofo defendia a ideia de que a ciência deveria ser um elemento voltado para o bem da humanidade, ou seja, o conhecimento cientifico para transformar e dominar a natureza.

Esse conceito de uma ciência utilitária influenciou a história do homem desde então, pois a ciência da natureza foi dominada e transformada num bem para a humanidade. Como o domínio do vento, voltado para gerar a energia eólica, domínio das forças das águas gerando, novamente, uma forma de energia, entre tantas outras dominações.

Assim, a ideia de racionalidade e ciência que conhecemos hoje, e seus grandes avanços rementem a esse importante filósofo, o qual revolucionou no auge do movimento renascentista a filosofia e a matemática.

                                                                     
                                                                                  Carolina Soares Ribeiro- Diurno

Dois irmãos e o Positivismo


   Eu estava, numa quinta-feira chuvosa, na recepção da empresa de energia da cidade, esperando meu número ser chamado. Dois meninos estavam sentados ao meu lado, o mais velho lia uma apostila chamada “O Positivismo”, já o mais novo brincava em seu celular (descobri depois que o pai estava falando no celular perto deles). Após cinco minutos, o menino mais jovem disse que não tinha mais nada para fazer e queria que o irmão conversasse com ele. O mais velho respondeu que tinha que estudar para a prova de amanhã e que se fosse falar teria que ser sobre o assunto.
    Então, o mais velho (que descobri ser Edu) começou a falar sobre o Positivismo para seu irmão Artur:
   - Essa é uma ideia do Auguste Comte, ele disse que o Positivismo tem o objetivo de compreender, pensar e organizar a sociedade. Não sei como ele pretendia fazer isso, mas... ele também disse que pra manter a ordem era preciso que as instituições se mantivessem estáticas...
   - Mas o que seriam essas instituições estáticas?
  - Eu sei lá, Artur. Acho que podem ser, tipo, regras ou leis, talvez família... sabe, as famílias são importantes... Enfim, outra coisa que ele disse foi que as pessoas devem aceitar o seu “lugar social” para manter o equilíbrio natural da sociedade.
   - Não entendi, Edu.
   - Bem, olha o papai, ele é dono de uma fábrica de fazer papel, se o papai não fosse o dono, não teria fábrica. Mas pra ela funcionar, o papai contrata aquele bando de gente, e sem eles a fábrica também não funcionaria. Agora é só pensar isso pra toda a sociedade.
   - Então o país precisa de todo mundo pra funcionar, até do lixeiro?
  - É o que Comte diz... Ele define o trabalho como algo honroso, independente do que você faça. Mas eu não sei não, não gostaria de ser lixeiro...
  Algo que passava na televisão do estabelecimento captou a atenção de Artur: era uma reportagem sobre algumas manifestações LGBT e feministas que ocorreram alguns dias atrás.
   - Edu, mas aquelas pessoas lá na rua... esse cara também falou alguma coisa sobre elas?
  - Algo do tipo, Artur. Parece que quando alguém faz greve ou alguma manifestação está causando desordem na sociedade, querendo mudar essa estática que faz com que a sociedade progrida.
   - Pro o quê?
   - Progrida, quando alguma coisa evolui, tipo no jogo.
   - Entendi. Mas se está afetando a evolução, não deveriam acabar com elas, que nem no joguinho?
   Eu sei que não deveria invadir a conversa alheia, mas também não poderia deixar que mais uma pessoa vire conservadora nesse mundo.
   - Desculpe invadir assim a conversa de vocês, mas não é bem assim. Você não pode simplesmente acabar com as pessoas só porque elas estão lutando por algo. Ainda mais se for por algo que um filósofo do século XIX pensou.
    - Por que não? – Perguntou-me Artur.
   - Comte disse aquelas coisas há dois séculos, muitas coisas mudaram nesse tempo. Novos filósofos surgiram e formaram outros pensamentos. Não se pode achar que só um pensa o correto, é preciso analisa-lo antes.
   - Como assim?
   - Hum... vamos lá... Artur, certo? Você tem um sonho?
   - Tenho sim, moça.
   - E você lutaria por esse sonho, certo?
   - Sim!
   - Aquelas pessoas que estão manifestando também tem um sonho, e elas estão lutando por ele. Você acha isso errado? Você acha que deveriam acabar com elas por causa disso? E por qual motivo você faria isso? Porque um filósofo de mil oitocentos e bolinha disse que elas estão causando desordem, por isso? Uma ordem que ele achou que fosse correta e se mantém desde o século XIX? Uma ordem muito velha que precisa de mudanças para que todos da sociedade consigam ser felizes? Você não acha que é o que deveria importar para todos, ser felizes? Não é por isso que você luta por seus sonhos? Pra ser feliz? Não acha que todas essas pessoas também não merecem isso?
   Antes que Artur ou Edu pudessem responder, vi meu número ser chamado no painel. Pedi licença aos dois e fui ao encontro da funcionária da empresa de energia.


Daniela Alves Ribeiro - Turma XXXV - Matutino

Ordem e Progresso


Ordem e progresso: esse é o lema grafado na bandeira do país e que sintetiza as principais ideias do positivismo, ciência elaborada e defendida por Comte em seu livro “Curso de Filosofia Positiva” escrita em 1830. Baseando-se em filósofos já conhecidos, como Descartes e Bacon, a sociologia positiva tem por seu principal objetivo compreender e conhecer a sociedade afim de controla-la, manter as estruturas vigentes e guia-la ao progresso.
Apesar de ter sido desenvolvido há séculos, o positivismo ainda influencia a sociedade atual, principalmente nas esferas sociais, como a educação e a equidade entre os seres. Um exemplo que pode ser citado é a busca pela emancipação feminina e a abolição da escravatura, movimentos que buscaram dar voz as camadas sociais antes excluídas, provocando uma transformação intensa na sociedade e quebrando a ordem vigente tão prezada pelos positivistas. Por outro lado, essa desordem acarretada pelas mudanças sociais não afetou todas as esferas do corpo social, apenas a jurídica, uma vez que o machismo e o preconceito ainda são muito comuns. A mulher como objeto e a cor negra se mantiveram como uma instituição, não havendo uma quebra real de valores. 
Na educação, a metodologia de pesquisa cientifica criada por Comte é constantemente usada e serve de base para trabalhos teóricos de suma importância. Outro aspecto também herdado da física social é visão estática e conservadora da sociedade que defende a participação da população apenas nos estratos sociais a qual já pertenciam, sendo o esforço e o mérito as únicas possibilidades de ascensão social.
A filosofia positiva baseia-se, portanto, em ideais conservadores que buscam manter as instituições da sociedade realizando apenas mudanças controladas pelo estado. Ela, no entanto, foi de suma importância para a formulação de uma ciência capaz de estudar a sociedade além de influenciar em algumas ideias perpetuadas até os dias atuais.  


Jéssica Castor Modolo - Direito Matutino - Turma XXXV

Positivismo: a solução?

   O Positivismo de Auguste Comte, apesar de ser uma filosofia desenvolvida em meados do século 19, é vista mais presente na contemporaneidade que em sua época de criação. Tal fato é observado uma vez que se vive grande crise política, social e econômica no Brasil, dando espaço à emersão de preceitos positivistas, observados em discursos políticos e manifestações sociais. Essa ocorrência é motivada pela busca incessante da "ordem" prescrita por Comte, a qual encaixa-se na questão "estática" da sociedade, sendo então algo imutável e necessário ao desenvolvimento humano. Nesse contexto, faz-se necessária a pergunta: há a necessidade de nos apoiarmos na teoria positivista para a superação dos problemas atuais?
   Na visão de Comte, devemos nos atentar às questões concretas da sociedade em geral, sendo essas observadas objetivamente, a fim de colocar em ordem aquilo que se encontra desorganizado. Assim, forma-se uma opinião real acerca dos problemas existentes e faz-se aquilo que é necessário para a resolução dos mesmos. Todavia, essa resolução tratada pelo pensador, na maioria das vezes, ocorre de maneira "maquiavélica", sendo desconsiderado muitos fatos de cunho social e humano, visto que esses não encontram-se totalmente englobados pela visão racional, por caracterizarem-se como elementos "líquidos", possuindo assim grande volatilidade. Não obstante, o filósofo encara essas medidas necessárias ao desenvolvimento humano, visto que é utópica a idéia de evolução social sem "danos colaterais", sendo portanto o único caminho à plenitude humana.
   Embora muitos acreditem, Comte não defende a desigualdade nem a aceitação de um estado penoso de vida, somente considera a ascensão social e econômica como algo à ser alcançado mediante às normas pré-estabelecidas, não sendo possível  então tal mudança ser feita por terceiros, mas sim pelo próprio indivíduo e por sua própria capacidade. Não obstante, observamos que na realidade vivida pelos brasileiros tal metodologia torna-se utópica, visto que a "base estática" prevista pelo pensador encontra-se destruída. Por conseguinte, os ideais positivistas não encaixam-se nas exigências necessárias à resolução dos problemas atuais, por necessitar de um "alicerce" ainda não construído no Brasil.
   À guisa de conclusão, faz-se necessário a consolidação real da estrutura "estática" da sociedade, com a melhora do ensino, da saúde, das relações humanas e do direito, para que finalmente seja possível a consolidação e o aproveitamento da metodologia positivista. Dessa forma, a busca pela ascensão do indivíduo será exequível e dar-se-á legitimamente(dentro das normas), ou seja, de acordo com o método comtiano.
 
Iago Gasparino Fernandes - Direito    Diurno - Turma XXXV

A ordem, o progresso e suas deficiências práticas no Brasil


    Auguste Comte propôs uma transformação na história do desenvolvimento humano através de uma reorganização social baseada na reforma intelectual do homem, adotando o positivismo como estado ideal para o avanço da humanidade. Entre suas ideias, Comte propagou os conceitos de ordem e progresso, havendo dependência mútua entre ambos, já que a ordem tem o progresso como objetivo, e o progresso só se torna possível com a existência da ordem.
    O Brasil sofreu forte influência de tais conceitos e estampa “Ordem e Progresso” ao centro da sua bandeira nacional. Entretanto, ao tirar tais ideias dos livros filosóficos e das exposições de Comte, observa-se que o projeto de evolução não se firmou de maneira ampla na sociedade brasileira. Diante de tal quadro, resta-nos questionar: é possível instaurar a ordem e reprimir grandes lutas e mudanças entre as classes sociais brasileiras? E mais: o progresso em nosso país atinge a todos de maneira proporcional?
    Comte acreditava que a felicidade pode alcançar indivíduos de todas as condições, sendo elas desempenhadas com honra e aceitas de maneira conveniente, mas o panorama social brasileiro atual indica desigualdade colossal entre a elite financeira do país e a camada mais baixa da pirâmide socioeconômica, que não tem acesso a condições dignas de sobrevivência, se vê marginalizada, não recebe assistência suficiente do Estado e, consequentemente, vive infeliz. Enquanto isso, a máquina de riquezas da nação abastece os bolsos mais abastados e o progresso, a finalidade pela qual se aplica a ordem, atinge os diferentes grupos sociais em medidas extremamente desproporcionais.
    Por fim, é necessário compreender que a manutenção da atual conjuntura social brasileira é inviável e afeta os direitos básicos do mais pobres, que não foram protegidos de maneira eficiente nos últimos séculos. Sendo assim, a bandeira nacional e a situação real do Brasil protagonizam um antagonismo, já que a “Ordem” presente no símbolo do país não pode ser levada a cabo em um contexto onde tal controle rígido do cenário social evitaria a ascendência dos grupos desprivilegiados. O “Progresso”, por sua vez, tem sido observado de maneira distorcida na realidade, visto que atinge apenas os mais ricos e não tem grande utilidade no apoio à população que vive à margem da sociedade.

Vitor Silva Muniz - Direito (matutino) / Turma XXXV





Um Mundo Assombrado por Comte

Para o Positivismo, a utilidade de algo se resume apenas no uso imediato; ou seja, não há a ideia de que uma criação poderá ter um valor imensamente superior em um futuro relativamente distante. Uma consequência disso, se vê ainda hoje, nas verbas para pesquisa da comunidade acadêmica brasileira.
Comte, não mediu esforços em sua prepotente crença de que a sociedade estava próxima ao pináculo da evolução cientifica, portanto, caberia a ciência purgar todas as crenças metafísicas que incrustavam o pensamento cientifico, purifica-lo e unifica-lo para alcançar um novo estágio social, o estado positivo.
Entretanto, a crença fundamental na utilidade, limita o pensamento cientifico mais do que o expande. Se, no início do século XIX, uma equipe com os melhores cientistas do mundo fosse reunida, com recursos e tempo ilimitados, para criar um aparelho capaz de transmitir imagem e som por transmissores sem fio, é altamente improvável que desenvolvessem um televisor. O televisor, aparelho de altíssima utilidade, não poderia ser desenvolvido sem as equações de Maxwell, criadas na década de 1860; porém, Maxwell, não desenvolveu estas equações por buscar utilidade alguma, mas sim por ‘’puro prazer matemático’’ como dito em suas memórias.
Como visto, a utilidade não precede a criação (não se cria algo para preencher uma lacuna, sem ter formas de se criar tal coisa), portanto, a repetição do mantra que levou a maior parte do povo brasileiro a considerar a comunidade cientifica como um gasto inútil, exceto quando apresentam criações que mesmo sem utilidade prática alguma, possuam forte apelo à utilidade; como no caso ilustre da fosfoetanolamina, que prometia ser um elixir contra o câncer, mas seu desenvolvedor sequer sabia que não existe ‘’o câncer’’, mas sim os canceres, pois se trata de um conjunto de mais de oitenta enfermidades diferentes.
O fantasma de Comte, continua a assombrar o mundo, que rechaça os pesquisadores que geram as bases para grandes avanços, mas celebra as grandes empresas que usam estas bases para avançar o tão adorado progresso. O efeito disso é devastador: congelamento de gastos na educação, corte de verbas para a pesquisa e o sucateamento das universidades brasileiras, o que leva ao êxodo dos pesquisadores tentados por melhores oportunidades no exterior. A fé positivista, que supostamente deveria ser focada na ciência, na verdade é um fanatismo pela utilidade que sufoca, sobretudo, a própria ciência.
O abandono desta crença é fundamental para o desenvolvimento do país, pois ela está fazendo com que os governantes e o povo, vejam somente o último degrau de uma longa escadaria, ignorando completamente as pesquisas de base em todas as áreas. Somente com a apostasia desta ‘’fé na ciência’’, a comunidade cientifica poderá entregar os frutos de seu árduo trabalho para a sociedade.   

Caíque Barreto da Silva – 1 Ano — Matutino

O Estado Teocrático e suas consequências para Braga e Borges


O pensamento da história como algo linear em todas as civilizações advém da filosofia positiva de Augusto Comte. Esta concepção define que cada sociedade passaria pelos momentos: teológico, com suas percepções sobrenaturais da realidade; metafísico, com acepções abstratas do mundo; e por fim, o positivo, tendo a ciência como alicerce das observações. Sendo assim, o Positivismo de Comte postula que a evolução do imaginário social faz-se inevitável.
Analisando no contexto do direito, a lei do positivismo também pode ser vislumbrada. No passado, os oráculos eram os responsáveis por interpretarem as vontades das divindades e descobrirem qual era a punição para cada ato executado, abrindo espaço para decisões completamente distintas. Porém, com o passar dos séculos, o direito estabeleceu-se como ciência formando normas e preceitos que estabeleciam um padrão em seus julgamentos. Assim, a lei tornou-se ímpar para todos.
No entanto, a dicotomia entre a sentença de Rafael Braga e a de Breno Borges revelam-se no mínimo nebulosas acerca do cânone de igualdade. O primeiro, negro e morador de rua acusado de estar ligado ao trafico de drogas por possuir 0,6 gramas de maconha, e o segundo, um empresário filho do presidente do Tribunal Regional do Mato Grosso do Sul preso por possuir 129 quilos da mesma droga. Porém, Braga foi sentenciado a 11 anos e Borges conseguiu o direito de responder em liberdade seu julgamento. Esta situação, na escala de Comte, aproxima-se muito mais da postura teocrática em detrimento da positiva, visto que o desdobramento de cada um dos casos, quando analisada no aspecto racional, faz-se extremamente incoerente tendo a ciência como referencial. Braga foi privado do seu direito de liberdade por ser pertencente à margem da sociedade enquanto o empresário, fruto da classe média, continua sua vida­­ com consequências bem mais brandas.
No fim, a situação hodierna mostra-se complexa. Enquanto o sociólogo francês a definiria como “Positiva”, suas micro-relações revelam-se quase místicas, tendo como divindade que permeia as decisões o preconceito racial e o poder econômico.


Matheus Faria de Souza Paiva - Turma XXXV (matutino)

NÓS CONTRIBUIMOS PARA ISSO


Augusto Comte, em “Curso de Filosofia Positiva”, apresenta o Positivismo, uma corrente filosófica ou um estágio da construção do conhecimento, no qual “[...] o espírito humano, reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas, renuncia a procurar a origem e o destino do universo, a conhecer a causa mais íntima dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação, suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e similitude”¹. 

Em outras palavras, o amadurecimento do espírito humano, que gradativamente supera outros estágios de entendimento e explicação do mundo, sendo eles em primeiro o teológico, depois o metafísico.
Para Comte, o positivismo carece do estabelecimento da ordem para o efetivo desenvolvimento humano. Entende-se que, da ordem, há o restabelecimento (o pleno cumprimento do papel social de cada indivíduo) da sociedade, por meio de suas instituições; do desenvolvimento, a harmonia. Dessa forma, a educação positivista reforça o gosto pelo trabalho e aceitação de cada indivíduo do seu papel e lugar social.  Levando em consideração esses aspectos, o positivismo deprava a participação popular ao poder político à participação do poder moral.

Observa-se a influência positivista na sociedade brasileira analisando alguns fatos ocorridos recentemente. Em 2014, por exemplo, em pleno carnaval do Rio de Janeiro, centenas de garis entram em greve, com isso, nas ruas da cidade maravilhosa há o acumulo de lixo, o que fez alguns moradores reclamarem da paralisação, pois com ela deixavam os garis de cumprir seu papel no estabelecimento da ordem da cidade².

Não obstante, percebe-se a imposição dos papéis sociais definidos no estabelecimento da harmonia na sociedade, quando nem mesmo o sindicato dos lixeiros quis se associar a greve e quando um gari em meio a manifestação abre uma faixa com os dizeres: CIDADE MARAVILHOSA NÓS CONTRIBUIMOS PARA ISSO³.
Murilo Salvatti Marangoni, aluno da XXXV Turma Direito-Matutino
Pirassununga, 18 de março de 2018.

¹ COMTE, Augusto. Curso de Filosofia Positiva (1830). São Paulo: Abril Cultural, 1978 (Os Pensadores), p. 04 .

A Física Social no século XXI


Muitas acusações podem ser feitas às ideias de Comte e seu positivismo. Esse termo, por si só, já é pejorativo nos dias atuais. Apesar da sua derrocada como ideologia, não se pode negar seu sucesso e acurácia como ciência, pois a Física Social do século XIX de Comte continua ainda muito atual em nossos tempos contemporâneos e explica fenômenos que vêm acontecendo nesse exato momento.
Comte estabelece a ordem como fator principal para a obtenção do progresso, já que esse se torna algo natural caso a primeira seja mantida. Além disso, também expõe que a desordem provoca na população uma sensação de patologia que, por conseguinte, gera a impressão da necessidade de “tratamento” para a “doença”. É essa impressão que alavanca as alas conservadoras no Brasil e no mundo, neste momento de crises.
A apoteose da ascensão conservadora no mundo está na eleição de Donald Trump para o cargo da presidência dos Estados Unidos da América, utilizando-se do lema make America great again, que basicamente, revela as intenções de restabelecer a ordem e assim, recuperar o progresso. A saída do Reino Unido da União Europeia, a quase eleição de Marine Le Pen na França, o projeto de construção de um muro na Hungria, a eleição de representantes da extrema-direita pela primeira vez na Alemanha desde 1945 também tem um ponto em comum: são produtos do anseio da população em “curar a patologia”, a desordem causada pela crise imigratória na Europa.
Por fim, vale ressaltar a crescente popularidade de figuras conservadoras no Brasil, que nesse cenário de crise econômica e de segurança pública, vêm conquistando apoio da população que, aterrorizada pela crescente desordem no cenário nacional, recorre ao conservadorismo – utilizando-o como um escudo contra os problemas do futuro próximo – em uma atitude mais instintiva do que racional, que pode gerar efeitos gravíssimos em uma possível eleição na qual se buscou mais um messias do que um político competente.

Diego Sentanin Lino dos Santos, Turma XXXV - Matutino