Total de visualizações de página (desde out/2009)

sexta-feira, 21 de março de 2025

Desinformação como ferramenta de manipulação no mundo moderno.

“Alienar”, no âmbito social, normalmente indica que alguém se encontra desconexo da realidade. Num contexto de mundo globalizado onde as informações navegam pelo mundo todo em questão de milésimos de segundos, considerar que alguém pode estar aquém da situação política, econômica e social do mundo parece improvável, no entanto, nota-se que ao contrário do que se espera, atualmente a desinformação e as manipulações de dados são mais fortes do que nunca, o que gera um movimento de desprendimento da realidade por parte de grupos e indivíduos, que ao consumirem essas fontes de informação de veracidade duvidosa, acabam se isolando em uma bolha e não enxergam o que de fato se passa no mundo. Assim, essas pessoas se tornam suscetíveis ao controle de qualquer um com um grau de liderança e eloquência mais elevados, independente se suas propostas e ideias são lógicas, éticas e aplicáveis a nossa realidade. 

Tendo isso em mente, esse empobrecimento intelectual das pessoas através da alienação é perceptível com a mais nova onda de ascensão da ideologia fascista e da perda do sentido original na utilização do termo. Em diversos países atualmente, grupos de tamanho considerável se reúnem virtualmente e em locais públicos para defender ideias originadas nesse pensamento político e social extremista que surgiu na Europa durante os anos 1930 e foi responsável pela morte de milhões de pessoas integrantes de grupos minoritários.  

Fato é que com o fim da Segunda Guerra Mundial, era esperado que uma tragédia semelhante nunca mais ocorresse e o pensamento nazifascista acabasse junto da guerra, no entanto, graças principalmente a falta de conhecimento sobre história e política (alienação), o ressurgimento desses ideais perigosos e extremistas foi possível com auxílio das tecnologias de informação, o que nos permite voltar a um dos pensamentos do autor, filósofo, cientista e político inglês Francis Bacon. 

Em sua obra Novum Organum, Bacon afirma que é de fundamental importância que sejam conservados e respeitados os conhecimentos e acontecimentos do passado, para que assim seja possível lidar com desafios presentes e não repetir erros cometidos. Nesse sentido, nota-se que uma população alienada a respeito de história e política está condenada a repetir fatos horríveis como o massacre feito por nazistas durante a Segunda Guerra. 

Sendo assim, é interessante perceber que a alienação tem uma origem, e essa origem está centrada num interesse: Manipulação. Pessoas alienadas são facilmente manipuladas por alguém que se destaca por uma melhor capacidade de discursar, a alienação foi utilizada por Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália e pelos militares brasileiros durante a ditadura; Portanto, cabe a nós refletir a quem interessa essa alienação mundial e qual o interesse final por trás disso tudo, o estudo de todas as ciências é fundamental nessas situações, para não cairmos em armadilhas como essas. 

A Imaginação Sociológica e a redução da taxa de vacinação

            A pandemia da Covid-19 reavivou discussões sobre a eficácia das vacinas, pois uma parcela da sociedade desconfiou da velocidade de desenvolvimento da vacina contra o coronavírus. De tal modo, nos anos seguintes houve uma queda na taxa do programa de imunização oferecido pelo sistema de saúde pública brasileiro. Assim, percebe-se a interferência da opinião na razão. 

            Em primeiro lugar, é válido discutir sobre essa distorção da percepção pública pela pessoal. Consoante ao sociólogo Wright Mills, a imaginação sociológica é o meio de superar as convicções íntimas e construir um pensamento crítico. Nesse viés,  identifica-se que as pessoas desacreditadas nas vacinas deixam de lado o uso da imaginação sociológica e priorizam suas opiniões pessoais. Assim, isso afeta a sociedade no geral em relação à imunização coletiva para que doenças já erradicadas não acabem ressurgindo.

Em segundo plano, pode-se destacar a causa dessa descrença científica: o excesso de notícias consumidas diariamente, sendo que as falsas acabam passando despercebidas. À luz disso, Mills afirma que não é apenas de informações que precisamos, mas também de uma qualidade de espírito que nos permitirá assimilar as notícias e desenvolver a razão a fim de apreender o que está acontecendo no mundo. Desse modo, seríamos capazes de averiguar a veracidade das informações recebidas de tal modo não deixariamos que convicções pessoais interferissem na percepção científica.

Portanto, a redução da taxa de vacinação pós-pandemia é fruto de dois problemas. Sendo um deles, o não uso da imaginação sociológica para abandonar as percepções pessoais. Enquanto o outro problema é a falta da qualidade de espírito que ajuda a averiguar as notícias falsas que influenciam nas convicções individuais afetam as convicções públicas.

                                                                                                                                                                  Maria Júlia Miranda Loureiro - 1º ano Direito (matutino)

O porquê da ascensão do conservadorismo no Brasil de acordo com os conceitos da Imaginação Sociológica.

 

Atualmente, nosso país vive uma explosão de ideais conservadores, levando assim a recorrentes discussões sobre quais costumes e valores devem orientar a sociedade brasileira. Isso nos leva a refletir o porquê dessa súbita expansão dos pensamentos tradicionalistas em nosso território.

          Primeiramente precisamos entender que no Brasil ainda se perpetuam estruturas segregacionistas, como o racismo, o machismo e a homofobia. Todavia, nas últimas 2 décadas houve expressivos avanços que vêm rompendo com essas estruturas coloniais, patriarcais e preconceituosas. A exemplo disso, podemos citar o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011, da união estável entre pessoas do mesmo sexo, equiparando-as à união estável entre homens e mulheres. Esse entendimento representa uma grande conquista para comunidade LGBTQIA+ e quebra com esse padrão heteronormativo que regia no país.

Por conseguinte, os avanços dessas minorias acabaram rompendo com uma bolha tradicional e indo além de uma opção sexual individual, tomando como exemplo as causas LGBTQIA+, e se transformando em uma comunidade com um sentimento mútuo de luta por uma igualdade perante a constituição brasileira. Em decorrência disso, esse grupo conservador, que teve seus costumes e valores ameaçados, organizou-se com um movimento reacionário a essas inovações nos campos sociais e políticos.

Portanto, essa ascensão do conservadorismo no nosso país vem como resposta a movimentos inovadores, que dispõem de uma outra perspectiva a respeito de temas que antes eram tidos como consolidados em nossa sociedade. Devido a isso, esses conservadores se sentiram ameaçados, uma vez que, em seus ambientes particulares, confundiam essas questões sociais com questões psicológicas individuais, promovendo por exemplo uma ideia de cura gay, e se assustando ao perceber a eclosão de uma comunidade LGBTQIA+.

 

Paulo Henrique Possobom Carrenho, 1°Ano Direito Noturno, Unesp Franca.

''Pobres de direita'' analisando tal fenômeno a partir da imaginação sociológica

 

Comecemos com uma pergunta; ‘’O que acontece quando um sujeito não entende o seu contexto social?’’. Para acharmos a resposta dessa, usaremos do livro ‘’ A imaginação sociológica’’ de Wright Miils. Segundo o autor, o ser humano é resultado do contexto histórico em que vive, entretanto, atualmente, há no imaginário da sociedade, uma manipulação que desgruda o ‘’individuo’’ de sua realidade social e histórica. A partir disso, inicia-se a discussão desse texto, o do porquê haver uma crescente no fenômeno chamado ‘’Pobres de direita’’.

A priori, é necessário contextualizar nosso cenário atual. Modernamente, houve uma intensificação nos discursos conservadores, ou seja, em regimes políticos de direita, no Brasil tivemos o governo Bolsonaro. Outros grandes exemplos são os deputados Nikolas Ferreira e Cleytinho.  O discurso dessa ideologia politica é muito simples, e se consiste no fato de separar o sujeito do seu coletivo, ou seja, fazer com que o indivíduo não se enxergue como pertencente a sua classe social. ‘’Mas com qual objetivo ?’’; A partir de que o sujeito se separa do coletivo, esse perde forças, sendo impossível se opor contra o Estado em determinadas situações, a direita faz com oque o pobre lute contra seus direitos. ‘’Mas como isso acontece ?’’; Pense bem, uma das pregações desses políticos, por exemplo, é de que a partir de um trabalho autônomo (Ifood, Uber, etc...), esse indivíduo tem mais chances de ter uma ascensão social, a partir disso tal pessoa que pertencia a classe ‘’CLT’’  por exemplo, separa-se desse coletivo, e começa a lutar contra os direitos que possuía, para que assim, tente conquistar sua autonomia e consequentemente a falsa ideia da ascensão social, não que seja impossível, mas são exceções os que conseguem, como já dizia Capitão Nascimento ‘’ O sistema é foda’’. ‘’Mas o porquê isso acontece?’’ Isso ocorre devido a diversos fatores, mas o principal muitas vezes é a falta de educação, essa que é responsável por fazer que com o indivíduo entenda a sua realidade Histórico-social, por isso as pessoas de classes socias mais baixas são as que mais sofrem manipulações a partir desse discurso da direita, visto que muitos carecem desse direito básico.

Portanto, chegamos à resposta da primeira pergunta feita. Quando isso acontece, infelizmente o indivíduo fica anestesiado, e acaba se prejudicando ou podendo prejudicar os demais, não conseguindo entender as reais necessidades de sua realidade e deixando de lutar pelos seus principais direitos.


Felipe Ferreira Gomes - 1º ano - Direito (noturno)

“Pejotização” e a crise da ambição no século XXI

    Na obra “Imaginação Sociológica”, Charles Wright Mills defende a tese de que o ser humano é, fundamentalmente, fruto do contexto histórico em que se insere. Nesse sentido, o pensador alega haver, no imaginário da sociedade moderna, um pensamento falacioso e alienado o qual, na contramão das ciências sociais, desconhece o vínculo entre a vida privada do sujeito e o momento histórico deste.

Embora analise o século XX, Mills discorre sobre tendências que perduraram na sociedade contemporânea, como a recorrente alternância entre ansiedade e indiferença quanto a fugazes mudanças. Ao exemplificar, o autor define a sociedade estadunidense dos anos 60, permeada por instabilidades econômicas e políticas, como marcada por essa dicotomia, a qual culminou em uma “crise da ambição”. Analogamente, o hodierno também tem sido marcado pelos sentimentos de “inquietação e  indiferença”, pois o sujeito,  mesmo que note a influência direta da crise econômica sobre a própria qualidade de vida, sendo destituído de imaginação sociológica, é incapaz de relacionar a angústia “pessoal” com a conjuntura histórica na qual se insere. Nesse ínterim, vê-se no Brasil atual, no tangente ao labor, não apenas a “demonização” da CLT pelos jovens, mas uma verdadeira “crise da ambição”, em que o trabalho perde, além da valorização, o próprio sentido. Isso pois, o cidadão é permeado, concomitantemente, pelo sentimento de aversão à CLT, ou seja, ao exercício do trabalho registrado, sob as “amarras” da lei, e por discursos neoliberais meritocráticos, dos chamados “coaches”, os quais defendem que o êxito profissional depende exclusivamente de habilidades individuais, cujo desenvolvimento está a cargo do trabalhador. Dessa forma, o proletariado contemporâneo, pressionado ideológica e estruturalmente a ser autônomo, além de ter seus próprios direitos desmantelados, é condicionado, compulsoriamente, à autogestão. Assim, lançado à própria sorte no mercado de trabalho, sob o pretexto de ser livre da subordinação à CLT, o cidadão sente-se inapto ao exercício do tão exaltado empreendedorismo, posto que este exige atributos idealizados pelo sistema neoliberal.


Diante desse cenário, em que a ansiedade perante o mercado de trabalho leva os jovens a repudiarem os ofícios com carteira assinada, é fulcral o fomento à prática da imaginação sociológica e, em contrapartida ao pensamento de Francis Bacon, da filosofia, pela população brasileira. É necessário, portanto, buscar atingir a “qualidade de espírito” defendida por Mills. Essa última, por meio da articulação crítica das informações e do desenvolvimento da razão, promove ao ser a lucidez quanto às realidades tanto externa quanto interna a ele, ou por outra, representa o resultado advindo da imaginação sociológica. Doravante, apenas por intermédio da criticidade sociológica será possível não só evitar a extinção das leis trabalhistas brasileiras como conhecemos no presente, mas também recuperar a visão positiva acerca dessa conquista, a CLT, tão arduamente alcançada pelos trabalhadores e trabalhadoras do nosso país, entre os jovens. 


Laura Xavier de Oliveira - 1º ano - Direito (matutino)


Os 4 Receptores

Um computador

Um burguês

Um ufanista

E um burocrata

Recebem, através de suas visões

A imagem de uma pessoa desempregada


O computador cataloga ela como 05

Monta um gráfico com a quantidade de pessoas nessa situação

Atribui isso como uma característica da sociedade

E afirma que ela tem desemprego estrutural


O burguês vê a oportunidade de um substituto em caso de greve

Precariza as condições de trabalho

Culpa a ausência de mérito de parte da sociedade

E enxerga tudo isso como simples parte da natureza humana


O ufanista tenta ignorar a imagem

Afirma que sua pátria jamais passaria por tal situação

Defende que sua nação é o baluarte do desenvolvimento econômico

E vai erguer um muro nas fronteiras para impedir que alguém diferente dele entre


O burocrata pergunta se o 05 tem documentos

Analisa se há processos no qual ele está envolvido

Verifica se a pessoa está dentro de propriedade registrada em cartório

E culpa a falta de documentos registrados


Menti o título

Há um quinto receptor

Já parou para pensar

Na imaginação sociológica

Não dos outros em relação ao 05

Mas sim

Do 05 em relação aos outros?


Meu nome não é 05

Meu nome é Vic

Meu nome é Giovana

Meu nome é Carlos

Estou aqui

Tenho minha subjetividade e compreensão da sociedade

E enxergo ela de uma perspectiva que você precisa ver também


- Felipe Lopes Gouveia Clauz Morlina, Direito Noturno, 1ºsemestre, UNESP Franca

quinta-feira, 20 de março de 2025

A incessante busca pelo Pertencimento

 




A incessante busca pelo Pertencimento


    O documentário “Paris is Burning” retrata a realidade de diversos indivíduos da comunidade LGBT nos anos 1980 e os desafios que enfrentavam ao buscar um senso de pertencimento em uma sociedade excludente. Atualmente, essa realidade pouco se difere, visto que diversos grupos marginalizados ou "outsiders" continuam a enfrentar desafios sociais para conquistarem sua aceitação. Isso ocorre por diversos motivos, sendo um dos principais o fato de que o pertencimento é uma necessidade humana fundamental.

    A priori, todo indivíduo tende a se sentir desconfortável quando não pertence a um grupo. Isso porque, de acordo com Erik Erikson e sua teoria do desenvolvimento psicossocial, a busca por aceitação social começa na infância e influencia de maneira direta a construção da autoestima e da identidade. A integração em grupos sociais, portanto, é um fator determinante para o bem-estar psicológico dos indivíduos.

    Além disso, como observado em “Paris is Burning”, a marginalização dos “outsiders”, com frequência, os leva a criar espaços alternativos nos quais expressar sua identidade e encontrar apoio mútuo. Foi nesse contexto que surgiu a cultura do “ballroom”, um movimento que oferecia não apenas um espaço de celebração, mas também uma rede de suporte para aqueles que eram rejeitados pela sociedade. Esse fenômeno reforça a ideia de que o pertencimento não é um mero desejo, mas uma necessidade essencial para a construção da identidade e do bem-estar humano.

    Dessa maneira, a exclusão social desses grupos deixa em evidência o impacto que a falta do pertencimento gera nos indivíduos. Tanto antigamente quanto hoje, os marginalizados buscam meios de se inserir. Logo, para a construção de uma sociedade mais justa e acolhedora, é necessário reconhecer e promover a importância da inclusão e acolhimento de todos em sociedade.


O Epistemicídio como Desafio a Ser Enfrentado pela Sociedade da Razão

         Augusto Comte (1798 – 1857), considerado o “pai da Sociologia”, defende em suas principais obras a racionalização das ciências sociais. Para o autor, a “Física Social” deveria ser estudada com método e observação, tal qual as matérias biológicas e matemáticas.  

A proposta de Comte foi, de fato, concretizada. Atualmente, a sociedade em geral detém maior consciência a respeito de suas prioridades e defeitos graças à ascensão da Sociologia ao posto de ciência empírica. Entretanto, a modernidade enfrenta um estranho paradoxo: mesmo com a aparente evolução no campo da compreensão social, predominam ainda as antiquadas práticas de exclusão pautadas na cor da pele, em especial dentro do ambiente acadêmico 

A escritora portuguesa Grada Kilomba, no ensaio “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, se debruça sobre o poder de fala do colonizado dentro de uma estrutura dominada pelo colonizador: o negro, inserido em um contexto marcada e institucionalmente racista, se torna silencioso. Não porque não deseja falar, mas porque é forçadamente silenciado diante da violência sistemática imposta por um cenário acadêmico predominantemente branco.  

Nesse espaço, o conhecimento e a participação negros não encontram respaldo: através de uma educação implicitamente racista, na qual os estudantes têm pouco ou nenhum acesso à história da população preta, a versão europeia (ocidentalizada) dos fatos persiste na dominância. Além disso, o direito à educação perde seu caráter universal ao percebermos a predominância de brancos nos espaços de conhecimento. Essa conjuntura, conhecida como “epistemicídio”, nos indica que não há um sistema educacional contemporâneo inteiramente neutro: os negros sofrem um preconceito estrutural dentro das instituições de ensino, o que determina uma desigualdade tanto no acesso ao conhecimento quanto na produção deste.  

Tomando como base o exposto, entende-se que a racionalização positivista de Comte não é sinônimo de progresso. Embora tenha avançado séculos com o estudo aprofundado das ciências sociais, o espaço acadêmico persiste repetindo padrões de preconceito institucionalizados nas épocas coloniais. Quanto mais a sociedade progrediu cientificamente, menos inclusiva pareceu se tornar.  

Tal perspectiva só poderia ser revertida por meio de mudanças profundas no sistema de ensino, fomentando o estudo crítico do racismo contemporâneo e ampliando o acesso de pessoas pretas aos ambientes de conhecimento, transformando-as em sujeito epistemológico. Todavia, esse longo caminho exige uma desconstrução de noções e atitudes historicamente reproduzidas, o que indica que a nossa jornada rumo à verdadeira evolução moral está apenas começando.  

Vitória Alvarenga Pistore - 1º ano - Direito (Matutino)

O paradoxo entre a falta de esperança e a confiança no individualismo.

Na contemporaneidade, a produtividade tóxica tem se tornado uma das principais pautas de discussão. Isso ocorre porque muitos jovens, influenciados por rotinas desgastantes divulgadas por influenciadores digitais, acreditam que a melhor e mais fácil forma de prosperar está na ideia de produção máxima – ou seja, realizar diversas funções em um único dia como um símbolo de honra. Dessa maneira, reproduzem uma perspectiva profundamente capitalista que coloca os indivíduos como meros trabalhadores de suas próprias vidas, privando-os de períodos de descanso necessários para reflexões críticas sobre o contexto social em que vivem, adotando uma postura puramente individualista voltada para a ascensão pessoal.

Apesar dessa alienação voltada à conquista individual, observa-se um intenso pessimismo coletivo. Essa visão negativa gera uma descrença na transformação social. Segundo pesquisa do Financial Times de 2024, o conservadorismo tem crescido entre a população jovem masculina em diversos países, refletindo uma mentalidade mais desiludida em relação a movimentos que envolvem questões públicas. Esse cenário contribui para a manutenção de uma estrutura ultrapassada e reacionária, que deixa as pessoas alienadas e apolíticas. 

Nesse contexto, é relevante considerar o pensamento do sociólogo americano Wright Mills, que discute a limitação do ser humano ao seu cenário imediato, sem conseguir acessar a “imaginação sociológica” necessária à compreensão do corpo social. Em outras palavras, ele não pratica a interpretação do espaço e do tempo em que está inserido, e tampouco reconhece sua própria capacidade transformadora. Como resultado, os cidadãos atuais se caracterizam por uma constante indiferença ao progresso coletivo, ao mesmo tempo em que se inquietam com as perturbações pessoais.

Ademais, as inúmeras desvantagens da falta de interesse pela história tornam-se evidentes em situações como a pandemia de coronavírus. O negacionismo científico e a negligência estatal resultaram na morte de milhares de pessoas ao redor do mundo, muitas das quais recusaram a imunização e priorizaram a economia em detrimento da saúde pública. Um exemplo histórico, como a Revolta da Vacina de 1904, mostrou que a desinformação foi determinante para a desconfiança na ciência e a propagação de doenças. Se lições do passado tivessem sido devidamente analisadas e o contexto de urgência sanitária interpretado corretamente, muitas mortes poderiam ter sido evitadas.

Portanto, a sociologia se apresenta como uma ciência essencial para o desenvolvimento e a sobrevivência humana. Quando o ser humano se foca exclusivamente em si mesmo ou preenche seu cotidiano com interesses pessoais, ele exclui a possibilidade de cultivar uma boa imaginação sociológica, o que o mantém preso a uma perspectiva sem esperança e conformista frente às injustiças e descasos sociais.


Nome: Camilly Isabele Mendes Agostinho

Turma: 1º ano Direito (Noturno)

A importância da imaginação sociológica como ferramenta anti-discriminatória na sociedade contemporânea, com enfoque na LGBTfobia

O conceito de “imaginação sociológica” abordado pelo sociólogo Wright C. Mills em sua obra “A Imaginação sociológica”, apesar de relativamente antigo, tendo em vista sua publicação em 1959, é instrumento indispensável para o entendimento das problemáticas do mundo atual, entre elas a discriminação por questões de identidade de gênero e orientação sexual, a chamada LGBTfobia.
O documentário “Paris is Burning”, lançado em 1991 e dirigido e escrito por Jennie Livingston, expõe as dificuldades enfrentadas pela população LGBTQIA+ nos anos 80, em Nova York, Estados Unidos, e a importância dos chamados ballrooms para a produção cultural da época e para a proteção dessa comunidade perante a uma sociedade extremamente violenta e preconceituosa.
Os chamados ballrooms eram espécies de salões de dança, onde eram realizados bailes. Nesses eventos, a comunidade queer e LGBTQIA+ se reunía para realizar desfiles com categorias específicas de figurino, batalhas de dança, e entretenimento, no geral. Jovens que haviam sido expulsos de casa muito cedo devido à não-aceitação dos pais eram acolhidos por artistas que participavam das casas de baile há mais tempo, formando uma grande família (cada casa tinha seu próprio sobrenome e sua “mother” (mãe) — a figura mais respeitada dentro do ballroom e a que cuidava de todos os integrantes).
Nesse período, a comunidade LGBTQIA+ sofria pela falta de acesso a direitos básicos, como alimentação, moradia, saúde, emprego, visto que homofobia e transfobia eram discriminações justificadas e legitimadas por organismos sociais e estatais. Porém, além de todo o estigma já carregado por pessoas trans e homens gays nessa época, o fato de a maior parte dessa comunidade ser negra e latina aprofundava a sua exclusão e marginalização perante ao restante da sociedade estadunidense, a qual era idealizada através de conceitos como o “Tio Sam” e o “Sonho Americano”. 
Por isso, como ressaltam os artistas participantes do documentário, o sonho da maioria dos jovens que participavam desses eventos era alcançar um patamar de fama, luxo e dinheiro para sair da situação em que viviam, o que enxergavam ser impossível, devido à sua origem e ao preconceito que sofriam. Os ballrooms eram locais onde podiam fantasiar uma realidade diferente, na qual seus sonhos eram possíveis e sua existência, permitida. 
Diante de todas as discriminações sofridas por essa comunidade, percebe-se que o conceito de imaginação sociológica proposta por Mills não era aplicado em nenhum âmbito de convivência social nesse período. A população geral sentia que seus valores individuais estavam ameaçados e “em crise”, pois observavam tudo o que era considerado “diferente” no contexto sócio-histórico em questão sob a ótica biográfica — ou seja, a partir de uma visão individualista e limitada pela consciência e vivência pessoal, sem a capacidade de enxergar também o lugar do outro e a sua presença na estrutura social, como explica Mills.

Com essa análise, conclui-se que a aplicação da imaginação sociológica é fundamental para a mudança da sociedade atual, visto que através dela é possível alcançar o entendimento de que discriminações como a LGBTfobia não são casos individuais, e sim, fenômenos sociais nos quais o preconceito se enraiza e fortifica.


Maria Vitória Silva

1º ano - Direito (Noturno)


A Maratona do Café e o Desafio de Ser Feliz

 Ontem, decidi fazer algo muito ousado: tomar um café sem meu celular. Isso mesmo, sem rolar o feed do Instagram, sem responder ao WhatsApp, sem olhar e-mails, sem a pressão do “não posso perder nada” enquanto espero a espuma do meu cappuccino. Só eu, minha xícara de café e o silêncio. Parecia simples, né? Mas, logo que me sentei, algo estranho aconteceu. Fui assolado por uma sensação desconfortável, quase de pânico. Eu estava sozinho. E, o pior, sem nada para fazer.


De repente, comecei a me perguntar: "Quem é que consegue viver sem estar constantemente conectado ao mundo?" Não é mais sobre o café. Nem sobre o silêncio. Agora, estava começando a entender a magnitude do problema social em que me meti. 

Essa maratona do café me provocou reflexões sobre algo que tem sido tema de muitas conversas: o aumento de diagnósticos de depressão e suicídios, fenômenos que, embora não sejam novos, se amplificaram nos últimos anos. A vida que parece “perfeita” na tela do Instagram, com filtros e risos de selfies, parece estar cada vez mais distante da realidade de quem está, de fato, vivendo um dia a dia cheio de pressões e frustrações.


Enquanto me afundava no meu cappuccino sem celular (quem diria que um simples café poderia me fazer tão existencial?), comecei a perceber que essa necessidade constante de estar ocupado e conectado não é uma coincidência. Em um mundo onde a produtividade é a medida do valor humano, não há tempo para estar triste. Não há tempo para questionar a vida. Estamos todos tão focados em realizar, produzir, mostrar que tudo está bem, que esquecemos de, de fato, viver.


Quanto disso é reflexo de uma estrutura social que preza mais pelo que mostramos do que pelo que sentimos? Não é só sobre estar ocupado, mas sobre ser aceito. E ser aceito, hoje, parece ser sinônimo de estar feliz o tempo todo, mesmo que a felicidade seja um estado artificial, construído para ser consumido.


Eu não podia deixar de pensar que, talvez, essa obsessão por estar bem, seja uma das razões pelas quais os diagnósticos de depressão e suicídio estão em alta. Porque, ora, se estamos todos em uma corrida para ser felizes, o que acontece quando, inevitavelmente, a gente cansa de correr? Quando, finalmente, o café sem celular nos mostra a nossa própria solidão?


“Sente-se triste? Não se preocupe, temos aplicativos para isso! Exiba seu melhor sorriso em um story e você já estará no caminho da felicidade! Não tem tempo para isso? Não tem problema, tome um antidepressivo e continue correndo.” A solução não é resolver o que realmente nos incomoda, mas fazer com que pareçamos estar bem enquanto seguimos nos atropelando na maratona do café.


No fim, acho que a grande lição do meu café sem celular foi que, talvez, todos nós precisemos de um pouco mais de "desconexão" para entender o que realmente está acontecendo com nossas vidas. E, quem sabe, assim, encontrar um pouco mais de paz nesse mar de ocupação e pressa.


Laura Gomes Valente - 1 ano Direito Matutino

quarta-feira, 19 de março de 2025

Escala 6x1 e a Saúde do Trabalhador através da Imaginação Sociológica

    No cenário atual do trabalho, a discussão acerca da escala 6x1 e a jornada do trabalhador brasileiro, tem se tornado uma pauta de grande presença na mídia e na mesa daqueles que fazem parte desse sistema. Sob este prisma, vemos uma parcela significativa da sociedade presa à rotina de laborar seis dias consecutivos para ter direito a apenas um dia de descanso, dessa forma ficando claro os impactos à saúde mental e à qualidade de vida desses trabalhadores. 

     De acordo com o pensamento de Charles W. Mills em “A Imaginação Sociológica” faz-se necessário a compreensão tanto das problemáticas as quais estamos inseridos, quanto das conexões sociais e experiências pessoais que participamos. Ou seja, é necessário analisar os problemas que a sociedade nos apresenta de uma forma ampla, utilizando da imaginação sociológica para entender a realidade. A partir deste conceito, enquadra-se a compreensão da problemática do adoecimento dos trabalhadores, ocasionada em grande parte pelo sistema a qual estão submetidos.

      Através do desenvolvimento dessa imaginação sociológica a jornada 6x1 não pode ser vista apenas como um problema individual, pois ilustra uma estrutura econômica que favorece a produtividade e a eficiência econômica em detrimento do bem estar humano. E a recente Proposta de emenda à Constituição (PEC) do 6×1, assim denominada, traz uma regulamentação necessária para essa jornada danosa que afeta coletivamente a sociedade, afinal não é possível para o trabalhador atingir o lucro almejado pela estrutura econômica, com a exaustão que essa jornada proporciona. 

      Desse modo, a escala 6×1 não passa de um microcosmo das tensões entre o âmbito individual e o coletivo, tratada na temática principal da obra de Mills. A rotina exaustiva, que prende o trabalhador num ciclo de produção e consumo, é uma forma das estruturas econômicas da sociedade moldarem uma experiência individual, limitando o acesso ao lazer, à cultura e ao bem-estar. Nesse prisma, a imaginação sociológica desafia a todos a abandonar a perspectiva individualista e visualizar a jornada de trabalho mais humanizada e elevando a problemática para um contexto coletivo, ou seja como uma batalha por justiça social.

Laysa Pereira de Araújo - 1° Ano Direito - Matutino 



Bolhas socais no cenário contemporâneo sob a perspectiva da imaginação sociológica.

 

  A concepção do termo “Imaginação Sociológica” foi apresentada por Charles Wrigth Mills em 1959, através do livro “The Sociological Imagination”. Esse conceito nos ajuda a entender a interconexão entre o individualismo e as amplas estruturas sociais. No contexto atual, a tese de Mills torna-se ainda mais relevante, principalmente quando consideramos o fenômeno das “Bolhas Sociais”.

  A concepção do termo “Bolhas Sociais”, desenvolvida  pelo filósofo Karl Popper, consiste em grupos de pessoas com crenças e valores semelhantes, tem sido potencializado no ambiente virtual. A grande problemática atrelada á esses grupos no eixo on-line é a grande onda de informações falsas denominadas “Fake News”, que se espalham com velocidade pelos meios de comunicação virtuais.  Dentre muitos outros temas, a vacinação tem estado em foco nos palanques das comunidades on-line, gerando diversas notícias sem nenhum embasamento científico. Como consequência, conforme o projeto União Pró-Vacina (UPVacina) articulado pelo Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, o conteúdo falso referente a vacina aumentou em 131% na rede social Facebook desde o início da campanha de vacinação contra o Covid-19. Colocando em prática a tese de Mills, os impactos das “Bolhas Sociais “contra a vacinação se enquadram como uma questão pública visto que transcendem as telas e atingem diretamente a saúde e o bem estar social.

  Portanto, tratando-se de uma questão pública, os poderes legislativo e judiciário intervém, impondo medidas cabíveis. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, assinou em 2024, um acordo com as “Bigs Techs” – empresas de grande porte que controlam algumas as redes sociais- a fim de fiscalizar Fake News, colocando-se assim como agente prático para solucionar a problemática. 

  Por fim, destaca-se a utilização da imaginação sociológica para compreender o contexto e possuir senso crítico, construindo assim, um embasamento científico com o intuito de assimilar as informações que circulam nas redes sociais.  Outrossim, o poder judiciário aplicar medidas jurisprudenciais severas aos sites e redes que permitem a disseminação de notícias falsas.

 Demetrius Silva Barbosa - 1 ano Direito Matutino 19/03/2025.