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sábado, 16 de março de 2024

POSITIVISMO, 8 DE JANEIRO DE 2023 E IDEOLOGIA

    Representado como o pai da Sociologia, Auguste Comte fora um pensador e filósofo francês do século XIX. Promovendo grande contribuições para o campo intelectual, Comte formulou a “Lei dos três Estados”, teoria que divide o processo da evolução do Estado nos seguintes estágios: Teológico, Metafísico e Positivo.

Operacionalizando uma rápida análise sobre tais etapas, nota-se que o Estado Teológico se relaciona aos moldes das sociedades da idade média: submetidas a precárias condições de vida e uma suprema desigualdade, as populações deveriam se contentar com sua vida inteiramente subjugada por normativas religiosas, o poder político demonstrava ser intrínseco ao religioso e quaisquer casos de desarmonia entre os cidadãos eram plenamente resolvidos com base na força bruta.

   Adentrando ao metafísico, observa-se que tal molde de Estado já apresenta perceptíveis evoluções. Buscando, com maior racionalidade, as certezas da vida, o conhecimento começou a ser incentivado e a revolução científica se aproxima.

   Por último, porém mais importante, encontra-se o Estado Positivo: sendo visto como um exemplo a ser seguido, tal tipo ideal representa um estágio da sociedade inteiramente baseada no saber científico e na consagração da ordem e do progresso.

   Entretanto, revelando-se como uma ciência burguesa, a máscara positivista caiu por terra. Escondendo suas reais intenções por detrás do lema de nossa bandeira, o Positivismo preza, antes de tudo pela ordem. Todavia, qual seria o significado de tal termo? A ordem seria destinada a quem?

   Com o andar da história, tal ciência não fora capaz de esconder que o verdadeiro progresso pelo o qual lutam não é o social, mas sim o próprio elevar das elites. O positivismo não preza pela justiça, pela igualdade e, muito menos, pelo caráter social. O verdadeiro objetivo positivista é, antes de tudo, o anseio das classes dominantes, mesmo que esse signifique o rompimento do Estado de Direito e a tomada das rédeas democráticas.

   Estabelecendo um paralelo com nossa alienada realidade e nosso ignorante povo, evidencia-se que tal ideologia, assim como uma praga, espalhou-se em nosso corpo social. Como concretude de tal fato, vê-se o atentado democrático de 8 de janeiro de 2023: enganados por um governo que se dizia do povo, os indivíduos, tomados pela falsa consciência positivista, tomaram as dores daqueles que perderam o poder. Cegos por sua obediência bovina, diziam lutar pelo Estado de Direito quando, na realidade, estavam contribuindo para sua destruição.

   Portanto, nota-se que o ideal positivista, para além de ser puramente uma ideologia, quando somado à estupidez alheia, torna-se uma ferramenta de destruição.


Emanuel Francisco da Silveira, 1° ano Direito - Matutino. RA: 241220637

   


" Pensar Dói " O fanatismo frente a Ciência

 Um renomado professor da Unesp Carlos Eduardo de Abreu Boucault certo dia em sua aula inalgural disse: pensar dói. Um frase simples, porém, remonta um fenômeno social que aflinge nossa sociedade contemporânea e nos faz, enquanto povo, lamentar os absurdos cometidos em nome de ideias que não se fazem lógicas. Uma expressão dotada de profundo sentido, tão grande quanto a fatídica frase "penso, logo existo", fazendo-nos pensar sobre a relação do fanatismo e a ciência, e como um mundo tão conhecedor se tornou tão superficial. 

Francis Bacon nos apresentou a mais de quatro séculos atrás uma ideia de metodologia científica, um método empírico, que tivesse como base o raciocínio, a realidade das experiências e a fuga de dogmas preestabelecidos pela sociedade, homem que morreu em decorrência a testes científicos, e que merece ser lembrado. Nesse contexto, anos se passaram e a humanidade evoluiu a ponto de levarmos o homem a lua, desenvolvermos vacinas em tempo recorde durante uma pandemia global, e nem por isso, certas pessoas deixaram de ser menos fanáticas, a ponto de negarem o óbvio.

O fanatismo tem sido o grande mal que assola nosso tempo, fanatismo esse que permeia toda uma sociedade, e que não está somente em um grupo político ou em algumas pessoas de classes sociais diferentes, está no circulo familiar. Quando acreditamos mais em pessoas que em ideias, quando debochamos de métodos científicos ao invés de questiona-los a altura. Foram quase 700.000 brasileiros que morreram em detrimento do fanatismo. Com isso vem a pergunta ainda sem resposta: Quantos mais na história teram que pagar o preço pelo negacionismo da ciência? 

O fato é, que vivemos em tempos de facilidade, tudo está a um toque de distância, livros, saberes, conhecimentos e tudo que se pode imaginar. Quando o professor Boucault diz que pensar dói, ele oferece a resposta de um questionamento recorrente: Por que uma sociedade tão "tecnológica" e "conhecedora", mesmo no tempo em que a informação nunca esteve tão fácil e abundante, consegue ser infantil, ao ponto de ainda acreditar em mitos e ideias cujo a mínima razão facilmente desmentiria? Pensar requer tempo, esforço, podendo chegar a ser uma dor física, como já comprovado empiricamente por qualquer estudante de direito. 

Sem dúvida, é doloroso a concepção de uma sociedade que em tempos de ciência, nega aquilo que a construiu, que a pavimentou enquanto sistema. Francis Bacon foi um pilar de um mundo que hoje nem mais o conhece, pai do  empirismo moderno, que criou e cria aquilo que temos hoje. Qual seria a solução do fanatismo e dos empecilhos da verdade, senão a dor de pensar, o tempo de refletir e o trabalho de pesquisar. 

Vinicius de Oliveira David, 1° ano de Direito,matutino, Unesp Franca.

sexta-feira, 15 de março de 2024

Racismo, um problema de caráter privado ou público?

     Ao ligarmos a TV, acessar o Youtube, ou abrir o Google, nos deparamos cada vez mais com notícias sobre episódios de racismo não só no Brasil, mas também em outros países. Estes episódios reacendem debates acalorados de como é possível resolver esse problema que, devido ao passado não tão distante da escravidão na maioria das sociedades ocidentais, parece estar sempre presente em nosso cotidiano, seja de forma velada ou aberta.

    Dentro das possíveis formas de pensar como resolver o problema do racismo na sociedade, as pessoas se dividem em dois grupos ideológicos que são antagônicos entre si: os que refletem o preconceito racial como um problema privado e aqueles que encaram como um desafio público. O principal argumento que o primeiro grupo tende a utilizar para defender a sua tese é a de que os episódios de racismo acontecem devido a existência de pessoas racistas específicas, que atacam por não saberem conviver com o diferente e, nesse tipo de visão, a punição penal seria a única forma de resolver esse tipo de problema. Já o segundo grupo, apesar de também ser favorável à punição de racistas, entende que os crimes raciais acontecem devido a um processo histórico que enraizou a discriminação na sociedade e, para superá-lo, é necessário o investimento e criação de políticas públicas (como cotas, letramento racial e demais discussões sobre o tema), sendo, portanto, um desafio da esfera pública.

    Como forma de asseverar a tese do grupo que entende o racismo como um problema de caráter público, há o relato da professora e pesquisadora da Universidade Livre de Berlim, Grada Kilomba. No segundo capítulo de seu livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano” (2019), ela narra a sua vivência como vítima de comentários e ações racistas no mundo acadêmico da Alemanha que, segundo ela, deve-se ao fato desse ambiente ser, historicamente, um espaço branco que nega a fala de pessoas negras (p.50), que necessitaria passar por um processo de descolonização do conhecimento que encara o caráter discriminatório através de uma abordagem social e não apenas como um problema privado.

    O entendimento de Kilomba encontra respaldo científico no arcabouço teórico da “imaginação sociológica”, perpetrado pelo sociólogo C. Wright Mills. No livro que dá nome à teoria, o autor defende que, com o seu uso, o cientista social passa a compreender que as ações da vida privada do ser humano são moldadas pelas modificações estruturais da esfera pública (p.17), demonstrando que a visão social é importante para enfrentar situações que afligem o ser humano na suas mais diversas conjunturas, como a econômica, sexual ou, em referência ao tema central do presente texto, a racial.

Dito isso, podemos concluir que, com base nos textos de Kilomba e de Wright, a discriminação racial é um problema de caráter público que pode refletir nas interações privadas dos indivíduos, sendo necessário esforço conjunto da sociedade e do setor público para a superação do imaginário racista que assola diversos países, responsável não só por agressões físicas ou verbais, mas também pelo racismo velado e sutil que passa despercebido por aqueles que enxergam esse problema como de caráter individual.


Daniel Nobre Fernandes da Silva, 1º Ano - Noturno. RA: 241221072


Incessante luta

 Incessante luta 

Há uma linha tênue entre o Positivismo e o Darwinismo Social, já que a corrente determinista ao afirmar que as disparidades sociais eram determinadas em parte, pela natureza, os positivistas legitimaram a discriminação e a opressão contra grupos considerados racialmente inferiores. O racismo foi assim naturalizado e reproduzido através das instituições sociais, das políticas públicas e das relações interpessoais. 

Nesse viés, Grada Kilomba, em seu livro Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano, denota um racismo estrutural enraizado na sociedade, na qual em uma das frases a autora diz se sentir imobilizada porque, como mulher negra, ela é vista como “fora do lugar” e tendo seu lugar de fala impedido devido a consideração, segundo o imaginário social, de subalternização racial. Isso é demonstrado através de passagens, onde Kilomba pensou diversas vezes em deixar a Alemanha ou desistir do seu projeto de tese na universidade devido ao preconceito circundado pelo ambiente social. 

Infelizmente, o caso supracitado não é apenas uma situação isolada, já que casos racistas acontecem de forma corriqueira na sociedade, a exemplo do caso do filho de Mussum, impedido de sair do shopping acusado de roubar a própria moto ou as frequentes injúrias sofridas por jogadores de futebol, a exemplo de Vini Jr. Não obstante, é necessário destacar o passado colonial de exploração e uso da mão de obra escravizada negra como fator preponderante para a perpetuação dos episódios. 

Portanto, é fundamental o reconhecimento dos indivíduos contemporâneos a respeito da desigualdade racial em múltiplos aspectos, sendo um primeiro passo para que a errônea concepção de superioridade branca seja cada vez menos frequente, apagando aos poucos os ideários deterministas do Positivismo no tocante à hierarquização das raças. 

Nome: César Lorenzo Palumbo Damario - 1ºano Direito matutino 

RA:241220441

A rejeição das mudanças e avanços sociais

O crescimento da extrema-direita é um fenômeno que está causando diversos problemas e retrocessos na sociedade contemporânea. Uma vez que esse movimento, de caráter conservador e reacionário, é embasado, entre outros aspectos, no ataque e questionamento à ciência e à produção cientifica. Assim como propõem a anulação das minorias perante a sociedade. Dessa forma, faz com que os indivíduos percam a consciência crítica e com que direitos básicos sejam reduzidos. 

Em primeira análise, o sociólogo Wright Mills, no livro “A imaginação sociológica”, afirma que a velocidade das mudanças no mundo atual gera um colapso dos valores tradicionais. Como essas transformações são resultado da produção científica, surgem esses movimentos de extrema-direita, que reagem de forma conservadora. Por meio da negação de uma mudança de perspectiva que promova um entendimento racional da realidade pessoal dentro da nova estrutura social, metodologia que Mills chama imaginação sociológica, e que é sedimentada pela ciência. A partir disso, a metodologia cientifica é questionada, e o senso comum é trado como verdade, ocasionando diversos distúrbios sociais, como na pandemia do covid-19 no Brasil, em que muitas mortes poderiam ser evitadas se os governos conservadores, tivessem seguido as recomendações científicas. 

Por meio dessa invalidação da imaginação sociológica, os direitos conquistados pelas minorias, pautadas em reivindicação racionais, são anulados nos discursos e ações desses movimentos de extrema-direita. Nessa perspectiva, a escritora Grada Kilomba, no livro “Memória de uma plantação: episódio de racismo cotidiano”, retrata, através de relatos de sua vida acadêmica, como os conhecimentos produzidos pelas minorias são negados dentro da sociedade, pois, mesmo com os avanços sociais, persiste a visão colonial, que as tratam como o “outro” incapaz de pensar. Dessa maneira, os movimentos reacionários utilizam da inferiorização intelectual e cultural para rejeitar esses grupos minoritários dentro da sociedade, perspectiva que está por trás do genocídio praticado pelo Estado de Israel, que é governado por partidos de extrema-direita, contra o povo palestino. 

Por tanto, o crescimento de movimentos de extrema direita surge do questionamento dos avanços e quebras de paradigmas que a ciência proporcionou. Assim, a interpretação racional da sociedade, proposta por Mills, é deixada de lado por esses grupos, e acentua-se o olhar colonial, evidenciado por Kilomba, que anula as minorias. 

Luccas Pinheiro Nascimento- 1° ano Direito Noturno

O Método Científico em um mundo manipulado.

Durante a Idade Média, o conhecimento científico e o senso crítico era um luxo entre os europeus, uma vez que a população não tinha acesso às fontes de conhecimento, nem podiam questioná-las, porque - naquela época - a Igreja Católica detinha o poder e por isso influenciava as massas à seguir os valores cristãos, mantendo os conhecimentos científicos fora das mãos da grande maioria da população. Dessa maneira, a sociedade vivia alienada pelas doutrinas da fé e seguiam em completa ignorância dos fatos. 
           Contudo, essa realidade mudou alguns séculos depois com o advento do movimento Iluminista, o qual criticava o pensamento baseado pela fé e estimulava a pulverização do pensar racional a todos, a fim de estimular o pensamento crítico e garantir mudanças econômicas, políticas e sociais. Foi graças a esse movimento que as ideias defendidas por Renè Descartes - filósofo, físico e matemático francês do século XVII - se espalharam pela Europa. Tal pensamento defendia que o conhecimento verdadeiro só poderia ser alcançado através do Método Científico, ou seja, a partir do questionamento das hipóteses com base na ciência e não com base nas crenças, na fé ou nas experiências pessoais. Nesse sentido, os séculos seguintes ao movimento iluminista foram marcados pelo afastamento do pensamento baseado na fé e a maior aceitação do pensamento racionalista, o qual propiciou milhares de descobertas científicas que trouxeram muitos benefícios para a civilização, tais como: surgimento da eletricidade, do automóvel, a descoberta da gravidade e a compreensão da genética. 
            Entretanto, no século XX e XXI, o pensamento científico foi encoberto novamente pela ignorância, porém, agora é por causa do contato constante que o indivíduo tem com as milhares de informações sobre o mundo, graças a globalização. Nesse novo contexto em que a sociedade se encontra, a população leiga está diariamente sendo expostas a milhares de informações sobre tudo o que acontece no mundo, tendo assim muita dificuldade em discernir o que é verdade do que é falso (fake news). 
            Nesse cenário, a figura de um político surge como uma “salvação” da ignorância, uma vez que uma pessoa detentora de alto cargo é vista como um ser de grande conhecimento e capaz de definir o que certo ou errado; bom ou ruim. Contudo, essa figura não passa de uma nova versão e mais sutil da Igreja Católica na Idade Média, pois, de acordo com Wright Mills: “tudo aquilo de que os homens comuns têm consciência direta e tudo o que tentam fazer está limitado pelas órbitas privadas em que vivem.”. Assim, mesmo a pessoa de maior cargo no país é persuadido pelos seus ideais e acaba por passar essas ideias influenciadas para a população, a afastando ainda mais do conhecimento científico, mesmo que ele esteja ao seu alcance. A exemplo disso, há o caso do movimento anti-vacina que retornou ao Brasil no ano de 2020 devido a pandemia do Covid-19. 
            Durante esse período em questão, o movimento baseado no negacionismo científico ganhou mais força graças ao posicionamento anti-vacina do presidente da época, Jair Bolsonaro. Nesse cenário, de acordo com Glícia Salviano Gripp (professora de metodologia científica e pesquisadora do movimento antivacina), a adesão das vacinas pela população está bastante atrelada a confiança que as pessoas tem no país e nas figuras de autoridade, tal qual o ex-presidente. Assim, ao exprimir o seu posicionamento em seus discursos, o político está influenciando as pessoas leigas a seguir seu pensamento e as manipulando para ir contra a ciência, a qual está pautada na razão e neutralidade e não nos paradigmas pessoais. 
            Em suma, apesar de a civilização humana ter evoluído nos cenários científicos e técnicos, infelizmente, a ignorância continua ser uma realidade. Dessa forma, as massas são facilmente manipuladas pelas figuras de poder e pela falsa ideia de neutralidade e conhecimento [científico] que eles devem ter. Nesse sentido, apesar da ciência se provar eficaz, nada do que se é dito é levado em consideração pelas pessoas que já estão com seu senso crítico nublado ou atrofiado. Dessa maneira, mesmo com todas as descobertas, as grandes massas,lamentavelmente, continuam a ser influenciadas pelos dominantes, nunca saindo desse ciclo vicioso. 


Beatriz Pasin de Castro - 1º ano - Matutino.

DE BACON E DESCARTES A MORO: DEZ ANOS DE LAVA JATO

Iniciada em 2014, a Operação Lava Jato, tratada como a maior investigação de corrupção do Brasil, completa, neste mês de março, dez anos. Dez anos de acumuladas apreensões, condenações e prisões. Dez anos do início de um movimento ritualístico, que consagrou reuniões de família nas salas de estar para assistir ao Jornal Nacional e ver o preso do dia, momento em que se contava até com figuras já carimbadas na televisão brasileira, como a do ex-agente da Polícia Federal Newton Ishii - o “Japonês da Federal”. Dez anos da incorporação de um novo vocabulário para o povo brasileiro, que passou a incluir palavras como delação, receptação e peculato. Mais que tudo isso: dez anos que demonstram a necessidade de um Direito racional e socialmente estruturado.  

Nessa perspectiva, cita-se René Descartes, que, em “Discurso do Método”, revela uma nova forma de produção racional da ciência baseada na dúvida. Depois de duvidar de tudo o que se passa em seu espírito, Descartes percebe que, para duvidar, antes de mais nada, é preciso existir. Logo, a existência vira sua primeira evidência dessa linha de raciocínio racionalista, desbocando em sua máxima: “Penso, logo existo”. Assim, se para o filósofo torna-se imprescindível a manutenção da dúvida para produção da ciência, façamo-nos duvidar da legitimidade com que se conduziu os trabalhos na finada 13ª Vara Federal de Curitiba de Sergio Moro e sua alcateia.

Não se quer, porém, fazer críticas ao combate à corrupção, um mal pungente no Brasil que pensou-se caminhar à extirpação, com a Lava Jato. Quer-se apenas duvidar dos moldes com que se deram os trabalhos durante esses anos. Afinal, pode-se sustentar como justo um sistema em que o investigador, o acusador e o julgador trabalham juntos? Pode-se admitir, sem a menor ressalva ou dúvida, uma Vara Federal movimentando, de forma misteriosa, bilhões de reais? Não se valida o questionamento sobre a legalidade de um julgamento em que o acusado não tem seus direitos resguardados? Talvez o que se deu em Curitiba possa ser visto sob a ótica de Francis Bacon, que, notando pela sua obra "Novum Organum", bem provavelmente teceria críticas à ciência jurídica de Moro, que mais ensejava na vitória sobre adversário político que no resultado da justiça.

Desse modo, o filósofo inglês bem representa uma boa face da produção da ciência que, se tivesse sido utilizada, talvez se estabelecesse uma verdadeira luta contra a corrupção, pautada no estabelecimento de graus de certeza no âmbito da ciência do Direito e utilizando a razão despida de noções pré-concebidas para produzir justiça. Faz-se, portanto, estabelecer, ao modo de Descartes, uma sequência de dúvidas sobre as temáticas suscitadas para que, no futuro, uma verdadeira ciência jurídica, pautada nos termos de Bacon, possa, finalmente, consagrar uma luta anticorrupção voltada para o bem do homem - noção cartesiana - e à consagração de resultados - percepção baconiana.

LUCAS MATSUMOTO
Direito - Noturno

quinta-feira, 14 de março de 2024

O Impacto da Globalização na Ciência Moderna

                     Após a Terceira Revolução Industrial, o mundo começou a passar pelo processo de globalização, uma vez que evoluiu tecnicamente os meios de transportes e comunicação. Contudo, o filósofo e cientista Francis Bacon, durante o século XVII, já produzia o conhecimento de uma ciência baseada na interpretação da natureza, ou seja, assumindo um caráter mais racional e menos ligado com o senso comum. Dessa forma, nasce, nesse contexto, a Ciência Moderna no meio burguês, com isso, criticava a filosofia da época,  a qual era pautada na retórica e abstração.

                     Dessa forma, a globalização pode ser vista como uma síntese desse pensamento, pois para haver essa conexão global foi necessário que as pessoas de diferentes nações fossem abertas às outras culturas, tendo em vista que ada um possuía uma bagagem social formada a partir do senso comum  de diferentes lugares. A partir disso, as ciências, as quais possuem valores mais exatos e empíricos, facilitou a troca de informações e uma maior produção de conhecimento nessa área, consequentemente, diminui o foco na filosofia tradicional e questionadora nos tempos modernos. Isso pode ser observado nas artes cinematográficas, o filme ''Oppenheimer'' apresenta um momento de intensa produção científica e tecnológica: a bomba atômica durante a Segunda Guerra Mundial.

                      Portanto, nessa atual configuração o desenvolvimento da ciência foi de suma importância para a interconexão entre as regiões globais, seja ela física, seja ela virtual, logo, preferencia-se um conhecimento  neutro e guiado pela razão, e não em pré-noções. Nesse viés, atualmente, as áreas da tecnologia da informação possuem um maior crescimento, pois o a conjectura mundial visa um desenvolvimento, o qual tem por base a evolução e aumento de recursos no sistema capitalista atual. Por fim, mesmo séculos passados,  Francis Bacon já conseguiu prever a ciência moderna superando o senso comum, o que permitiu o planeta Terra interligar diversas nações sob a óptica da Globalização, a fim de produzir conhecimento científico               

Anna Luiza Marino Dourado- Direito Matutino

Positivismo... positivo?

 O positivismo, ou então, física social, doutrina criada por August Comte tinha, como uma de suas premissas, a análise do fato, a sociedade como ela é, gerido por leis imutáveis e aplicáveis a todos, tal qual a física, astronomia e outras ciências necessariamente objetivas.

No entanto, ao imbuirmos uma concretude, rigidez às normas, o resultado certamente não será o resultado da “ordem e progresso“ esperado por Comte. É temerário reduzirmos uma população a meramente algo estático e sem forma, no qual apenas o amor à pátria é suficiente e necessário.

Ao fundamentarmos a interpretação de alguma ocorrência da sociedade, como a lei, por exemplo, ficamos manietados a meias verdades; caput:

´´Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade[...]´´Constituição Federal Brasileira de 1988; para alguns, não há questionamentos e é isto, porém, como Miguel Reale, diretor do projeto do código civil de 2002, disse em seu artigo ´´visão geral do projeto de código civil´´: legislar para o homem enquanto marido; para a mulher enquanto esposa; para o filho enquanto um ser subordinado ao poder familiar´´, isto é, analisar amplamente a situação de cada caso.

Além disso, muitos ´´positivistas´´ das gerações atuais contemplam-se de apenas uma interpretação, alegando que outras normas também positivadas são mero fruto de abstração, que não devem ser levadas em conta, como por exemplo o próprio artigo 5 º supracitado, o qual, para alguns, é uma norma deificada, excluindo outras como por exemplo o:  ´´Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;

IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;´´ como, quando, por exemplo, são defendidas as cotas raciais, os quais os positivistas atuais usam de sua carta magna da igualdade jurídica, sem considerar todo o contexto que permeia a vida humana e sua historicidade.

É, de certa forma, perigoso e anacrônico usar da filosofia positivista nos dias atuais.

Thiago Dacyszyn Macedo. 1º ano de direito, Matutino - RA: 241222184

O Questionamento do Branco sobre a Ascensão Social do Negro

 

           A digital influencer Raquel Nazareth posta, em suas redes sociais, seu cotidiano. Compras, maquiagens, rotina de cuidados com a pele e passeios no Villlage Mall, seu lugar preferido. Entretanto, Raquel recebeu notória atenção dos expectores devido a outro motivo; como ela se tornou rica? Convenhamos que esse questionamento foge do conteúdo que a digital influencer publica, além de tal pergunta não ser feita as demais influencers da mesma rede social que Raquel. A única diferença entre Raquel, que vive sendo questionada sobre suas condições financeiras, das demais blogueiras é: Raquel Nazareth é uma mulher negra. Nessa perspectiva, e de acordo com a escritora Grada Kilomba, persiste, na sociedade contemporânea, o questionamento do branco sobre a ascensão social dos negros, evidenciado pelo pensamento de incapacidade que eles têm em relação as pessoas negras e pela negação da alteridade.

Diante desse cenário, se torna válido ressaltar o equivocado pensamento de que pessoas negras são incapazes intelectualmente. Por exemplo, em sua vida acadêmica, a escritora revela que foi barrada de frequentar a biblioteca de sua universidade pois, diferentemente dos outros estudantes brancos, Grada não parecia pertencer àquele lugar. Além disso, os trabalhos acadêmicos dela sobre o racismo cotidiano eram vistos como algo subjetivo, pessoal, imparcial, mas nunca científico. Grada Kilomba até mesmo cita que “elas/eles têm fatos/nós, opiniões”. Logo, a capacidade intelectual da escritora esteve sempre em observação e em julgamento, apenas por ela ser uma mulher negra.

Ademais, desde a colonização, perpetua a ideia de superioridade dos que estão no poder. Os demais grupos sociais, sem ser o do homem branco europeu, eram considerados “menos humanos”, somente por causa de serem diferentes. Nesse sentido, ao terem sua alteridade negada, esses grupos foram colocados em uma posição vulnerável e expostos a todo tipo de violência. Infelizmente, é percebível que, atualmente, essa falsa superioridade de determinado grupo social continua existindo, demonstrando que o poder está concentrado nas mãos deles. Para salientar esse argumento e comprová-lo, retomamos o que foi dito anteriormente, uma vez que, por não fazer parte do grupo social que acumula a maior parte do poder da sociedade, uma mulher negra rica é um acontecimento atípico para essa sociedade, recebendo questionamentos sobre a origem de seu dinheiro.

Conclui-se, portanto, que, assim como a mesma classe social persiste sendo a representação do poder na sociedade, a ideia de superioridade perpetua até os dias atuais, fazendo com que as capacidades e a ascensão social de grupos minoritários sejam encaradas como incomuns. Dessa forma, esse preconceito infundado, passado de geração para geração, é exposto no comportamento diário dos indivíduos na sociedade, permitindo que essa violência ainda aconteça.


Maria Clara da Silva Cruz, 1º ano Direito Matutino

BRASIL E POSITIVISMO: ENTRE A CRENÇA E A CIÊNCIA

 

Auguste Comte foi um dos pensadores mais importantes da humanidade, tendo como sua principal contribuição a fundação da sociologia. Mais especificamente, Comte elaborou a corrente de pensamento denominada Positivismo, que defende, sobretudo, a atuação da sociologia inspirada nas ciências naturais, isto é, o estudo dos fenômenos sociais de maneira totalmente empírica e neutra, deixando de lado qualquer subjetividade do sociólogo.

Além disso, Comte elaborou a Lei dos três estados, na qual afirmava que o pensamento humano e a maneira dos indivíduos compreenderem o mundo evolui através de três estágios – sendo o primeiro teológico, o segundo metafísico e o terceiro positivo. Dessa forma, o sociólogo acreditava que uma sociedade, quanto mais próxima estivesse do seu auge, mais utilizaria da ciência para entender a realidade e resolver seus problemas.

Recentemente, durante a pandemia de COVID-19, instaurou-se uma enorme polêmica a respeito das vacinas contra o vírus, com diversas autoridades (inclusive o então presidente da república Jair Bolsonaro) questionando a eficácia e a segurança dos imunizantes que estavam sendo produzidos. Tais questionamentos evoluíram para uma onda de acusações alarmistas dos mais variados tipos, como a possibilidade de desenvolver problemas vasculares e ter um chip chinês introduzido no próprio corpo.

O ponto crucial dessa discussão é que, enquanto as vacinas foram estudadas, produzidas e testadas seguindo rigorosamente os critérios estabelecidos por anos de estudos científicos, as acusações levantadas contra elas não continham o mínimo embasamento. Ainda assim, uma parcela relevante da população optou por acreditar nas falsas afirmações, incluindo o então presidente Jair Bolsonaro, o que levou a uma postura negacionista por parte do Governo Federal. Com isso, crenças totalmente infundadas levaram ao atraso na compra de vacinas e à não cooperação entre a União e o governo do estado de São Paulo para a produção da CORONAVAC, causando danos irreversíveis a milhares de famílias brasileiras.

Portanto, através dessa postura trágica do Governo Federal, respaldada por grande parte dos cidadãos, é possível inferir que o Brasil ainda está muito longe do estado positivo de Comte; pois, se fosse o caso, tal aberração nunca teria ocorrido. Para que o Brasil caminhe em direção ao progresso, é necessário – segundo o sociólogo – que os indivíduos e as autoridades se desprendam de crenças pessoais e passem a utilizar a ciência para investigar e resolver os problemas da nação.

 

Tiago Zanola Ferranti, 1º ano - Matutino, RA: 241221366