Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 4 de julho de 2022

O falso Messias

           “Sem pandemia, sem corrupção, com Deus no coração. Ninguém segura essa nação”. O slogan de Jair Messias Bolsonaro para sua campanha eleitoral reflete as bases que ajudaram em sua eleição: o repúdio a corrupção e a forte religiosidade no discurso. Entretanto, ao analisarmos todo o período de seu governo – e até mesmo o anterior à sua chegada ao Palácio da Alvorada – é nítido que tais ideais não procedem. O que leva um político envolvido em escândalos de “rachadinha” envolvendo sua família se portar fortemente contra a corrupção? Ademais, o que o leva a trabalhar tanto com um discurso cristão sendo que apoia a tortura? Uma análise dentro das perspectivas weberianas podem explicar.

            Primeiramente, é necessário explicar a metodologia desenvolvida por Max Weber para a compreensão de fenômenos sociais. Para o pleno entendimento de tais acontecimentos, os quais o sociólogo chamou de ações sociais, é necessário entender suas motivações. Nesse âmbito, toda ação social é movida pelos valores intrínsecos aos agentes, que visam um sentido lógico. Em outras palavras, uma pessoa faz algo que julga como necessário dentro de suas próprias convicções. Assim sendo, a sociologia compreensiva de Max Weber busca analisar as ações sociais dentro do chamado “tipo ideal”, isto é, dentro do que é objetivamente possível dentro da realidade, fugindo da total utopia pregada pelo conceito do “dever ser”, de Émile Durkheim.

            Após apresentar o pensamento de Weber, convém aplicá-lo dentro do cenário citado anteriormente: o que levaria um presidente a adotar um discurso facilmente identificado como hipócrita? Para responder a questão, irei analisar o fenômenos “às avessas”, começando pelo sentido e chegando na ação social. O sentido lógico do slogan é manipulação. Em um país em que grande parcela da sociedade é conservadora e teoricamente apoiada em valores cristãos, um candidato que lhes apresenta isso tem grande potencial para alcançar o cargo visado. Ao adotar tal postura, torna-se claro que os principais valores que motivam a ação são ambição e ganância. A soma desses valores corrompidos inseridos em um sentido torpe, resultam na ação que visei explicar: um discurso que busca nada mais que camuflar a intenção de buscar a manutenção de seu poder para garantir benefícios para si mesmo e para seus familiares, às custas da decadência econômica e social de uma nação.

Mateus G. F. de Souza
Direitos - Turma XXXIX Matutino

Meu Tipo

 ferramenta de análise 

sou vários pontos de vista 


o ideal 

o perfeito 

o racional 

o efeito 


sou fruto do que se espera

atuo para organizar o caos 

existo como ideia

lido com a complexidade do real 


aceito a legitimidade 

estou a disposição 

participo da sociedade 

como sujeito da dominação 


mas o ideal é impossível 

tudo que existe são os fatos 

e se sou construído de variações 

me torno improvável


Julia Lima Souza

1º ano direito - matutino 

Weber e a Sociologia Compreensiva

 Max Weber foi um grande sociólogo moderno, mais conhecido por sua Sociologia Compreensiva. Ele tratou de temas como a burocracia, a racionalização, a política, o papel da Ciência e desenvolveu métodos de pesquisa para as ciências sociais. Weber é considerado por muitos como o antagonista de Marx, essas contradições podem vir tanto de vários aspectos de sua teoria, como da posição da relação entre ciência e política, ou mesmo da definição do surgimento de um sistema capitalista. 

A engenhosa obra de Weber é influenciada por Kant e, sobretudo, por Nietzsche. Weber, portanto, introduziu uma Sociologia Compreensiva, como forma de compreender quais motivos, desejos, aspirações e significados estão relacionados à ação social.A definição de ação social baseia-se nas definições e implicações da ação humana em um ambiente social. Assim, a Sociologia não visa julgar uma ação, nem analisar uma pessoa, em sua personalidade, por exemplo, mas pensar como funcionam suas ações na sociedade. Portanto, não é qualquer comportamento que tem interesse social. Essas ações devem ter um propósito, ou seja, não uma reação fácil, são ações que têm significado social.

Giovanna Cayres Ramos 

Direito noturno 

Weber e seu método compreensivista na contemporaneidade

     Max Weber foi um dos maiores sociólogos alemães, pois inaugurou um novo método da análise da sociedade, o Compreensivo. Este, baseia-se fundamentalmente na análise das causas e consequências do constructo social, ou seja, o autor busca entender , por meio de fenômenos específicos, os impactos na sociedade. Em última instância, e guardada as devidas diferenças históricas, o supra referido autor, remonta à máxima Aristotélica de: “Entender o mundo pelas causas”, no entanto, reduzindo seu objeto de estudo à sociedade.

    Outro pilar essencial para a compreensão de sua análise é a ideia de ação social, cuja fonte se dá nas relações sociais e pelas vontades individuais de cada um, sendo que, Weber defende uma ideia de que ações sociais individuais podem influenciar sobremaneira a coletividade. A título de exemplo, pode-se citar várias frases que o atual presidente da república proferiu em tom de negligência e descaso para com a pandemia. De tal modo que, muito do que se havia nos discursos, tornou-se regra para um montante. Eis, então, que se percebe a influência de ações individuais para a coletividade, apesar desses discursos serem infundados e contrários a todas as recomendações médico- sanitárias dos órgãos competentes, havia pessoas que o credibilizavam gerando consequências irreversíveis: a morte de vários que, certamente, poderiam ser evitadas.

Ação social

 A ação social para Weber, seria uma ação realizada por alguém que foi feita pensada em relação ao outro. Como que se suas ações fossem assim por conta de uma outra pessoa.






Na charge acima temos um exemplo de ação social, quando o menino estava indo comer o bolo e sua mãe diz que ele deve pensar em seus irmãos, após pensar neles, decide comer o bolo todo, este realizou uma ação social racional, pois, quando pensou em seus irmãos e nas suas ações futuras, decidiu que deveria comer o bolo todo.

Por mais que a tirinha seja mais uma irônia para dar o efeito de humor, ainda sim é um exemplo de ação social para Weber.

Entretanto, vale se ressaltar que nem todas as ações exercidas pelas pessoas são ações sociais

Como neste outro exemplo, a própria fala do personagem trás a explicação, ações sociais são orientadas pelas outras pessoas, são ações feitas com base nisso, agora outras ações não movimentadas pelas outras pessoas, como a do guarda-chuva na chuva, é feita pela necessidade que há no momento de se proteger de uma “ação” natural que seria a chuva.


Compreensivismo

  Na sociologia compreensiva, a finalidade do estudo é entender as ações socias. Estas são todo ato, racional ou irracional cometido pelo indivíduo. Dessa forma, para Weber, as ações são movidas por todo um retrospecto individual da pessoa, como crença, valores, ideais políticos e outros. A busca pelo conhecimento é sobre cada indivíduo, ou seja, a parte é mais valorizada do que o todo.

  Porém, não se pode confundir o estudo individual, com individualismo. Assim sendo, o estudo compreensivo se trata de analisar o indivíduo como um todo, até suas características mais pessoais, sem dizer, no entanto, que ele é mais importante que todos os outros e a sociedade. Além disso, a sociologia compreensiva busca apenas entender a sociedade, não existindo nenhuma intenção de mudá-la ou controlá-la. 

  Em suma, o próprio nome dessa linha de pensamento já a explica. Seu objetivo é, inteiramente, a compreensão de porque uma pessoa comete tal ato. Quando essa resposta é atingida não é necessário mudar a pessoa e nem a sociedade.

 


Tipo Ideal

     Eu não quero ser meu tipo ideal, pressupor coisas sobre mim sem ao menos tentar saber como sou de verdade, julgar pela minha aparência, isso é positivismo, concordo muito mais com Marx que com Comte nesse ponto. Tire essas caixinhas sociais que me algemam, só porque sou branco não significa que não gosto de funk ou rap, só porque tenho um corte de cabelo e uso roupas diferentes não significa que não estudo ou não quero nada da vida, só porque sou homem não significa que me atraio por mulheres, e não é só porque sou gay que vou ser violentado na rua, opa pera ai, nesse ponto o tipo ideal tem razão, toda pessoa lgbtqia+ no Brasil tem mais chance de ser morta por simplesmente andar na rua do que em qualquer outro país do mundo. E sim, é sim só porque somos brasileiros que sofremos perigo constante, esse é nosso tipo ideal.

Henrique de Carvalho - 1° ano de Direito (Noturno)

O Poder Dominante na Sociedade Mundial

Para Max Weber, o poder abarca uma relação de extrema complexidade uma vez que este está intrínseco em todas as relações do corpo social, colocando também a denominação de que ser dominado representa nada mais do que uma aceitação do modo/condução da vida proveniente da sociedade. Sendo assim o Direito vai surgir como uma expressão da racionalização deste poder e da dominação dado que o capitalismo não teria condições materiais suficientes para se desenvolver sem que estivessem presentes estas expressões.

Dito isto, é possível associar que o direito, para o sociólogo, nada mais é do que uma representação do tipo ideal de conduta em que o poder dominador da comunidade deseja para o controle de pessoas (jurídicas e físicas) dentro do ambiente em que as mesmas estão alocadas. Contudo, essa vontade exercida por este poder dominante mencionado seria justa e coerente em todos os momentos?

Dado que 10% dos mais ricos no mundo ganham 52% da renda mundial, de acordo com a BBC, e  mais de 41 milhões de pessoas estão inclusas em situação de extrema pobreza, segundo o Programa Alimentar Mundial em 2021, é notável que este recurso metodológico de tipo ideal para se encontrar uma verdade científica, dado como algo que teria a probabilidade de ser, não é amplo o bastante para colocar na efetivamente as condutas e normas que realmente consigam manter um controle social dentro da sociedade em que estas pessoas estão inseridas. O que nos gera a reflexão acerca da atuação de todo o corpo social dentro desta disputa de vontades que o poder exerce, tendo em vista as demasiadas desigualdades e injustiças que abrangem todo o globo terrestre. 

Melissa Banin -- 1º Ano (Noturno)

Weber e sua comtemplação na realidade

      A partir do pensamento de Weber, pode-se criar uma rígida crítica ao desenvolvimento da sociedade brasileira nos moldes atuais. Isso porque, sabendo das diversas tecnologias que existem atualmente, é possível analisar que o país não se utiliza delas para tentar superar a desigualdade social. Nesse contexto, as formas de manutenção da sociedade viabilizam aquilo que seria a meritocracia, a qual é baseada numa irreal ideia de que o esforço de qualquer um na sociedade pode ser recompensado da mesma forma, sem nenhuma ligação com as disparidades que existem na realidade atual. Novamente, nota-se que o trabalho é visto como algo em supremacia, sendo base da realização do ser no meio social, haja vista que as instituições fundantes da realidade são entendidas por fontes morais de cunho burguês.     

Assim, os valores morais são necessários para que se possa criar um ideal de procura do bem social, baseando- se na premissa de trabalho digno para que se consiga alcançar a plena individualidade. As sociedades modernas, que focam nessas premissas, são não só baseadas nesses ideais, mas também asseguradas por eles, a fim de manter um ciclo que consolida a base da dominação dos trabalhadores. Pode-se destacar, ainda, diversos pontos da teoria, como o foco na racionalização, o que não pode ser atingido por essa estrutura capitalista que rege a atualidade. Por fim, nota-se uma real legitimação desse processo, algo que é garantido a partir da aceitação da dominação, feita pelo enquadramento da ação, sendo isso a institucionalização.

  Sabendo que a realidade pode ser aplicada a tal desenvolvimento, destaca-se que formas de entendimento de Weber estão relacionadas com o fato de que, hoje, não se pode escapar do sistema. Isso porque, além de ser algo institucionalizado, ele também é, atualmente, algo que se apresenta como insuperável, algo que pode ser mudado apenas com grandes revoluções. Analisa-se, então que Weber usa-se de sua teoria para propor um real entendimento da sociedade, focado especialmente na influência no indivíduo e nos coletivos que podem vir a ser criados nessa perspectiva.

Maria Julia Pascoal da Silva - 1º ano direito -matutino

A sociologia compreensiva

      O que é a sociologia? Qual a sua finalidade? Para muitos sociólogos, a mesma é um objeto de estudo da sociedade em que estão inseridos, refletindo em seus ideais. No contexto do materialismo histórico e dialético por exemplo, a sociologia se traduz através das análises feitas dentro da economia para decidir as ações que movem a sociedade e as revoluções que podem e devem ser feitas com estas ações. Entretanto, Max Weber utiliza da ciência como uma forma de análise dos indivíduos que são pertencentes da mesma, não propondo forma de mudança ou intervenções, o sociólogo utiliza a ciência como um método de padronizar e estudar o como e porquê, cada ser age de determinado modo. 

     Em sua teoria, todo ser humano possui atos que são feitos cotidianamente, nomeados de ações sociais, porém, diferente da noção comum de "ação", as ações sociais para Max Weber, são padronizadas em racional e irracional e dentro destas duas categorias, possuímos as situações de afeto, tradição, valores e com finalidade, sendo as duas últimas racionais e o restante inserido em irracionais. Dessa forma, utilizando desse modo de análise, o sociólogo define que todo o ato realizado pelo indivíduo, possui alguma motivação que muitas vezes é desconhecida pelo mesmo, mas refletida naquilo que ele produz, fato este que refletirá tanto em quem agiu, quanto naqueles que estavam envolvidos. 

      Sendo assim, nota-se que a ciência compreensiva, como é declarado tal modo de análise, tem seu embasamento não apenas na sociologia, mas também em uma construção histórica de cada indivíduo e até mesmo psicológica pois, examina o homem por meio de suas características como a forma de agir e define, para casos específicos, um novo meio de diagnóstico, denominado o tipo ideal. Logo, através dos fatos expostos, é visível que o compreensivismo pode ser denominado uma ciência humana que explora a variedade da sociologia, apresentando uma nova forma de enxergar a comunidade e de interpretação das ações que movem e modificam a mesma mediante seus representantes, os seres humanos.



Maria Cecília da Silva Mateus, 1°ano de Direito - Noturno

Até onde vão os valores?

    No mês de Julho de 2022, lamentavelmente, uma notícia hedionda  tomou conta dos jornais. Uma menina de 11 anos foi estuprada pelo tio e engravidou.  Essa foi a primeira violência que a criança sofreu. É de fácil entendimento, que  toda criança possui os seus direitos resguardos pela Constituição de 1988, e principalmente, pelo Instituto da Criança e do Adolescente (ECA). 

   Esse caso ganhou uma maior  repercussão  justamente por conta da segunda violência sofrida pela criança: a negação do aborto dada por uma juíza. Segundo a nossa constituição o abordo é legal em três casos: estupro, quando a gravidez oferece risco de vida para a mãe ou quando o feto possui anencefalia.    Assim, o aborto da criança  de 11 anos era mais do que óbvio de ser realizado. Afinal, a criança foi vítima de um abuso, e ter o bebê poderia gerar danos físicos e psicológicos gravíssimos na menina. Mesmo sabendo tudo isso, a juíza negou o aborto por conta de seus valores religiosos e morais, desconsiderando toda a sua bagagem jurídica. 

   Dessa maneira, pode-se analisar o ato da juíza  como uma ação social. Segundo, Weber toda ação social é guiado por valores. Mas até que ponto alguém pode se deixar levar por seus próprios valores quando se confronta com o outro? É claro que todos temos o direito de seguir o que acreditamos, mas os utilizadores do direito não podem valorizar mais sua opinião do que o direito positivado.

Heloísa Salviano 1º ano de direito, noturno.

 A eterna contradição humana

  O ser humano é definido por suas contradições. Na literatura, por se buscar a captura simbólica de valores, ideais e ações universais à Humanidade, observa-se a presença recorrente dessa temática. Como exemplo, figura o conto “A Igreja do Diabo", de Machado de Assis, que tem como narrativa principal a tentativa do diabo de fundar uma igreja própria, com regras de sua autoria, baseada em uma negação sistemática das leis divinas. Com o passar do tempo, narra-se como o diabo logo conquista uma vasta legião de seguidores, atraídos pelas facilidades de prática dos vícios em relação às virtudes e fidelizados pela validação de seus impulsos mais animalescos. O resultado final da liberdade de culto de tais valores deturpados, contudo, surpreende o próprio diabo: uma vez que há uma inversão coletiva de princípios, muitos fiéis da nova igreja passam a praticar boas ações, moralmente alinhadas com os valores de outrora, escondidos. Irritado e confuso com as transgressões, o diabo questiona o próprio Deus sobre a motivação incompreensível do homem aos seus olhos, ao que recebe como resposta conclusiva da divindade: “É a eterna contradição humana”.

Nesse sentido, é perceptível como o conflito e a complexidade na formação do indivíduo e na influência de suas ações é amplamente abordada na filosofia e literatura- da filosofia do confronto entre as tendências apolíneas e dionisíacas de Nietzsche à multifacetada construção psicológica do protagonista de “Angústia”, de Graciliano Ramos; abundam exemplos nessas áreas que exploram a complexa teia de relações e influências que constroem o caráter humano e suas atitudes. Em oposição a essa análise de especificidades, na sociologia observou-se por muito tempo uma lacuna quanto a tentativa de compreensão do indivíduo, focando-se demasiadamente no conceito abstrato de coletividade e buscando estabelecer ideais e justificativas generalizadas a grupos muito extensos e plurais. Max Weber, intelectual alemão, foi um dos primeiros teóricos do estudo da sociedade a romper com essa perspectiva: Weber defendia o que apelidara de “sociologia compreensiva”, uma análise pautada no entendimento aprofundado dos valores, contextos e influências culturais que motivariam o sentido das atitudes socialmente significadas, as “ações sociais”. Assim, tecia duras críticas à concepção materialista de tentativa de estabelecimento de uma conduta dos grupos sociais, definindo valores e atitudes generalizadas a todo um grupo pautado na ideia de “consciência de classe”- Weber acreditava que a ciência não deveria tentar “ensinar” os sujeitos, mas sim compreendê-los.

Como constatação do pensamento de Weber, pode-se facilmente perceber no Brasil contemporâneo como muitas vezes um entendimento restrito a um único âmbito da vida dos indivíduos, como a partir de suas classes sociais ou identitárias, pode não ser suficiente: muitos indivíduos agem a partir de interesses que prejudicam diretamente a si próprios e a sua coletividade, motivados por justificativas contextuais e culturais particularizadas. Exemplo nítido dessa situação é o considerável apoio prestado por grupos pertencentes a minorias sociais ao atual presidente Bolsonaro, apesar de suas reiteradas falas e comportamentos que ameaçam a própria existência destes. Frases como “Seria incapaz de amar um filho homossexual. Não vou dar uma de hipócrita aqui: prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí. Para mim ele vai ter morrido mesmo”1 não impedem que 29% dos LGBTs constituam seu eleitorado2. Sua constatação que “Eu tenho cinco filhos. Foram quatro homens, aí no quinto eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”3 não impediu movimentos como “Mulheres com Bolsonaro”4. A explicação para tais fenômenos só pode ser construída a partir dos âmbitos psicológicos e culturais dos indivíduos analisados, possivelmente influenciados por uma criação moral conservadora e alinhada com muitos dos valores defendidos pelo presidente, ainda que de maneira contraditória com a sua própria identidade.

Portanto, como observado por Weber, as ações dos sujeitos possuem um sentido que se justifica por valores construídos de forma complexa, por vezes até contraditória. Somente em uma perspectiva compreensiva, atenta ao contexto e às construções simbólicas, é possível traçar uma lógica das ações sociais e, como consequência, das relações que constituem a sociedade- “É a eterna contradição humana”.


¹. “O que Bolsonaro já disse de fato sobre mulheres, negros e gays”, El País, 2018.

<https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/06/politica/1538859277_033603.html>

². “Por que 29% dos LGBTs votam em Bolsonaro?” El País, 2018.

<https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/27/opinion/1540592921_823943.html> 

³. “Relembre declarações com ofensas às mulheres feitas pelo presidente e a família Bolsonaro”, O Globo, 2022,

<https://oglobo.globo.com/politica/relembre-declaracoes-com-ofensas-as-mulheres-feitas-pelo-presidente-a-familia-bolsonaro-25423642> 

⁴. “Grupo "Mulheres com Bolsonaro" reúne mais de 440 mil integrantes em dois dias”, Época Negócios, 2018,https://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2018/09/grupo-mulheres-com-bolsonaro-reune-mais-de-440-mil-integrantes-em-dois-dias.html >


Isabella Neves- 1º ano matutino

AÇÃO SOCIAL

 Segundo Weber, diferentemente de Durkheim, as pessoas possuem a capacidade de modificar a sociedade a partir de ideais individuais, movidas por ações que elas mesmas estabelecem. Para Weber, os indivíduos influenciam a sociedade, ou seja, as ações e comportamentos não são puramente moldados pela sociedade, eles têm opiniões próprias.

 Espera-se que o indivíduo através da Ação social ‘’influencie’’ uma outra pessoa ou então, a partir dessa ação, interagir com outras. Ainda segundo ele, essas ações são movidas por coisas pessoais, seja motivada pelo lucro, ou até mesmo pelo afeto. Um exemplo seria o de Caetano Veloso, quando compôs a música Tropicália, tinha como ideia movente, a motivação em mobilizar a massa e criticar o regime militar da época.

Essas ações se dividem em:

Costumes, quando motivadas por hábitos pessoais, ou tradições;

Afetiva, quando envolve sentimento, seja ele de amor ou de ódio

Racional, escolhe a melhor maneira de chegar a um objetivo, ou quando movida por um ideal, por política, por religião etc.

Em suma, ele defendia que apesar da sociedade influenciar os indivíduos, eles não são de tudo influenciáveis, são passiveis de gostos pessoais, e vontades individuais de modificar a sociedade, dessa maneira ele contradiz Durkheim, que defendia a ideia de que o meio controlava e moldava os indivíduos.

 


 

Educação e dominação segundo Weber

        O sociólogo Max Weber é responsável pela criação de um método de estudo sociológico chamado de ação social, subdividido em: ação social afetiva, ação social tradicional, ação social racional com relação a valores e ação social com relação a fins (Viana, 2004). Nesse contexto, destaco a concepção de educação formulada pelo pensador alemão, fundamentada na tipologia da ação social e dominação legítima. Para Weber


A dominação, ou seja, a probabilidade de encontrar obediência a um determinado mandato, pode fundar-se em diversos motivos de submissão. Pode depender diretamente de uma constelação de interesses, ou seja, de considerações utilitárias de vantagens e inconvenientes por parte daquele que obedece. Pode também depender de mero ‘costume’, do hábito cego de um comportamento inveterado. Ou pode fundar-se, finalmente, no puro afeto, na mera inclinação pessoal do súdito. (Weber, 1971, p. 128).

 

Partindo do conceito de tipo ideal, Weber constitui três tipos básicos de dominação legítima. A primeira seria a dominação racional-legal, exemplificada pela burocracia, e que tem por fundamento o cumprimento da lei, prescritos por regras estatuídas, além da impessoalidade nas relações, por uma crescente especialização, pela disciplina, pela tendência ao nivelamento, pela plutocratização e por uma crescente racionalização dos quadros e meios administrativos (Viana, 2004). 

Na distopia “1984”, de George Orwell, a burocracia é fundamental para a manutenção do sistema autoritário vigente, em outras palavras, ela é a única materialização do poder. O Grande Irmão nunca é visto, nunca é encontrado. Ele paira como uma legitimação simbólica do sistema, não como uma figura atuante. 

 

“Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado.”

 

O segundo tipo de dominação é a tradicional, que valida o poder exercido por um chefe, tendo como principal exemplo a dominação patriarcal. Por fim, a dominação carismática baseia-se inteiramente na emoção e na crença “cega” a um líder, que acredita-se possuir poderes “sobrenaturais”. Este tipo de dominação não está sujeita às regras tradicionais e é capaz de superar a vida cotidiana, “sua base está no fato deste líder acreditar estar a serviço de uma missão” (Viana, 2004). 

O pensador utiliza-se dessas definições prévias na formulação da educação weberiana, composta por três tipos fundamentais: a) o tipo carismático, b) o tipo tradicional, e c) o tipo burocrático. A relação entre os tipos de educação com os tipos de dominação legítima, evidencia o fato da educação carismática e tradicional serem comuns nas sociedades pré-capitalistas e a educação burocrática é comum na sociedade capitalista (Viana, 2004). 

 

Referências

 

VIANA, Nildo. Weber: tipos de educação e educação burocrática. Guanicuns–Revista da FECHA,(1), p. 117-132, 2004.

WEBER, Max. Ensaios de Sociologia. 2a edição, Rio de Janeiro, Zahar, 1971. 

 

Sarah de Jesus Silva dos Santos

1° ano Direito - Matutino.

domingo, 3 de julho de 2022

O sangue dos que não se calaram

    Max Weber, sociólogo alemão, foi imprescindível ao materializar a compreensão da sociologia, a qual se difere de uma ciência nomológica. Nesse viés, a concepção sociológica está vinculada a uma percepção da realidade factual, tornando-se objeto de aspiração. Logo, a compreensão sociológica corresponde a uma atribuição de uma explicação de cunho interpretativo que circunda a realidade, divergindo da nomologia.
    Ademais, Max Weber consolida a perspectiva de ação social, tendo em vista que a condução da vida, protagonizada pelos indivíduos que compõem uma conjuntura coletiva, corresponde a uma integração de valores que dependem de uma construção histórica e cultural. Outrossim, o somatório de duas ações sociais revela uma complexa relação social consolidada por meio de uma competição anômica por vontades.
    Do mesmo modo, o sociólogo analisa as matrizes do tipo ideal, conceito que está atrelado à racionalização do real e à noção do objetivamente possível. Logo, o tipo ideal de Weber representa uma referência que pleiteia a compreensão da realidade factual, seja ela um estereótipo idealizado ou um retrato real. Além disso, é notório ressaltar que os valores inerentes à ação social permeiam a gênese e a criação de um tipo ideal, visto que a construção cultural corresponde a um artifício basilar para a formulação dos valores supracitados.
    Weber também analisa as matrizes teóricas de uma relação de dominação, tendo o exercício do poder como recurso intrínseco. Sendo assim, o sociólogo caracteriza o poder como a imposição da própria vontade em uma relação social, anulando e omitindo a manifestação da vontade de terceiros reprimidos socialmente. Sob essa ótica, a definição de dominação equivale a um relacionamento de obediência e de coerção, tendo, como consequência, a consolidação da legitimidade, aspecto que corrobora a aceitação da dominação, seja por motivos racionais ou por motivos atrelado ao carisma, compondo a concretização de um cabresto social. Portanto, a racionalização do poder e da dominação é materializada por meio do direito, o qual atribui uma expectativa de um tipo ideal vinculado a uma conduta desejada. 
    Ambientada no cenário brasileiro, a Ditadura de 1964 corresponde a um golpe executado pelos militares que não só infringiu a luta democrática, mas também transgrediu os direitos humanos devido às brutais torturas e aos impiedosos homicídios. O período ditatorial brasileiro é demarcado pela ininterrupta censura, violando a liberdade de expressão dos civis e silenciando todos os indivíduos que se opunham ao comportamento coercitivo dos ditadores e do exército. Nesse viés, como alternativa resolutiva vinculada à censura dos revolucionários, os militares impunham sua própria vontade por meio da exprobração inerente aos atos da vida civil, concretizando, no imaginário individual, uma admissão desse estado autoritário, e por meio da censura física, tendo em vista que a tortura, bem como o desaparecimento dos manifestantes, eram medidas que firmavam o poder dos militares e silenciavam os revolucionários.
    Desse modo, a concepção weberiana de poder é elucidada pelo comportamento coercitivo do exército ditatorial, alicerçando a dominação representada pelos opressivos militares e consolidando uma relação de obediência protagonizada pelos oprimidos civis. Cabe salientar que a questão da legitimidade, conceito proposto por Weber, estava explícita em situações vinculadas à aceitação social da postura dominatória dos militares, visto que a ausência de contestação ou oposição à Ditadura legitimava o poder e a dominação dos ditadores. Entretanto, os guerrilheiros que desprezavam o opressivo comportamento militar são antagônicos à perspectiva de legitimidade weberiana, preterindo a dominação e renunciando a censura. É imprescindível ressaltar que os revolucionários que contestavam o cunho coercitivo ditatorial eram as principais vítimas desse sistema cruel e nefasto, sendo silenciados por meio da tortura e dos homicídios.
    Portanto, a título de exemplificação, cabe reiterar a obra musical de Chico Buarque intitulada como “Cálice”. Sob essa perspectiva, o autor elucida, fazendo uso de metáforas ambíguas, como o regime autoritário é prepotente sobre os civis, tornando-os vítimas silenciadas pela dominação coercitiva executada pelos militares. Logo, no trecho “beber dessa bebida amarga” corresponde às dificuldades de viver nesse cenário autoritário e permanecer inerte nessa situação, sendo constantemente calado pelo exército. Em suma, beber do cálice de Chico Buarque correspondia ao ato de beber e usufruir do sangue dos indivíduos que lutavam contra a ditadura.

Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
Pai, afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Pai, afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta

Nome: Maria Yumi Buzinelli Inaba 
1° ano Direito - Matutino

TIPO IDEAL

 

TIPO IDEAL

Max Weber, a respeito de seu conceito sobre fato social discorre que o fato social de um individuo compreende-se pela sua interação com a realidade, assim o individuo é o foco do estudo de Weber.

Essas chamadas ações sociais são influenciadas majoritariamente pela cultura, diferente de Marx que acreditava que a maior influencia partia do fator econômico da pessoa. Consoante Max, o local no qual a pessoa esta inserido cria possíveis característica que se esperam daqueles desse tal local, isso ele denomina como tipo ideal (simplificação e generalização da realidade.), é válido pontuar que não é o que a pessoa é, mas que ela poderia ser. Por exemplo, se colocássemos em uma situação hipotética que há duas pessoas, uma mora em um condomínio de alto padrão e a outra mora em uma periferia e pontuássemos que uma escuta MPB e a outra escuta Funk, a conclusão precipitada que se obteria é que o morador do condomínio escuta MPB e o morador da preferiria escuta Funk. Isso não significa que todos que moram na periferia realmente escutam funk e vice e versa, contudo devido ao local e a cultura que essas pessoas estão inseridas, pressupõe-se determinados gostos e ações.

Analisando-se fatos particulares é notado fatores em comum de certas pessoas em certos lugares, todavia, apesar de muitas vezes essas afirmativas serem compatíveis com a realidade é necessário atenção pois pode-se criar falsas noções e julgamentos baseados em generalizações muitas vezes preconceituosas.

A constante anomia na sociedade contemporânea - Durkheim

 O sociólogo francês Émile Durkheim, considerado o pai da sociologia, possui, por meio de sua teoria funcionalista, o objetivo de explicar a sociedade, com suas ações coletivas e individuais. Para ele, a sociedade molda o indivíduo e exerce sobre ele uma coerção social no modo de agir e se comportar, visando a continuidade do funcionamento da sociedade como um organismo vivo e complexo, no qual todas as partes, ou seja, todos os indivíduos, devem cumprir seus papéis e funções para o pleno funcionamento do todo.

Caso haja interrupção dessas ´´regras``, que regem os indivíduos,  um estado de anomia será criado na sociedade e ela perderá sua plenitude de funcionamento. Nas sociedades atuais, há uma mudança nos modos de produção (estabelecendo uma nova divisão social e uma intensa urbanização), o que complexifica seu funcionamento, transformando sua moral e suas tradições. Desse modo, a sociedade enfraquece suas estruturas que orientam as ações dos indivíduos e, tal ausência de ´´regras`` e controle social cria um estado anômico, no qual os indivíduos passam a ser individualistas e seguir seus próprios interesses, deixando, em segundo plano, os interesses coletivos.

Tal anomia se encontra presente na contemporaneidade com o excesso de informações e complexidade da vida moderna. Nesse contexto capitalista, acelerado e urbanizado, os interesses individuais superam, e muito, os coletivos, assim, ações como corrupção, crimes políticos e destruição do meio ambiente tornam-se, cada vez mais, constantes e absurdos.

 Segundo a análise sociológica weberiana, o sociólogo deveria interpretar e compreender as ações sociais dos indivíduos. Estas, movem a conduta de vida, e possuem sempre um sentido que contribui para uma finalidade. Além disso, Weber destacava que as ações sociais são formadas a partir de valores, os quais divergem conforme os contextos nos quais os indivíduos estão inseridos. 

Ademais, diferentemente de Marx, Weber acreditava que a cultura- síntese de todos os valores do indivíduo- possui tanto ou mais influência no modo de agir do que a economia e o sistema de produção. Desse modo, ao analisarmos os casos de letalidade policial no Brasil, percebe-se a interferência dos valores nas ações dos agentes de segurança pública, os quais, majoritariamente, utilizam-se dos tipos ideais que consideram verdadeiros para basearem suas atividades.  

Nessa perspectiva, ao determinar para si, que homens, negros, jovens de classe baixa e moradores da periferia têm maior probabilidade de cometer crimes, os policiais, influenciados pelos próprios valores, agem de modo agressivo e violento contra esse tipo ideal estabelecido- razão pela qual, a maioria das vítimas decorrentes de intervenções policiais são pessoas cujas características se enquadram nessas.  

Diante disso, constata-se, atualmente, que por meio da análise de Weber, podemos compreender a manutenção de diversas ações na sociedade, as quais são fundadas e moldadas por valores e pelo contexto em que os indivíduos estão inseridos.