Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 2 de maio de 2016



Sequestro do ônibus 174: uma análise comparada entre o pensamento de Comte e o de Durkheim

O objetivo deste texto é analisar, a partir do pensamento de Comte e o de Durkheim, o midiático caso do sequestro do ônibus 174, o qual ocorreu em 12 de junho de 2000, no bairro Jardim Botânico, da cidade do Rio de Janeiro, e foi transmitido, ao vivo, pela imprensa.
No episódio em comento, Sandro Barbosa do Nascimento, com 21 anos de idade, analfabeto, morador de rua, sobrevivente da chacina da Candelária, que presenciou o assassinato da própria mãe quando ainda era criança, sequestrou o ônibus da linha 174, detendo reféns por cerca de 5 horas. Foi trágico o desfecho do sequestro, visto que, quando tentava sair do ônibus, levando a refém Geísa Firmo Gonçalves consigo, Sandro foi atacado por um policial que não obteve êxito em acertá-lo, mas atingiu um tiro, de raspão, na refém. Como reação ao ataque policial, o morador de rua também disparou contra Geísa, a qual não resistiu. Algumas pessoas que acompanhavam o incidente tentaram linchar Sandro Barbosa e gritavam para a polícia matá-lo. Ele, de fato, morreu asfixiado na viatura policial, contudo, os policiais envolvidos foram absolvidos da condenação de assassinato.
A referida reação das pessoas presentes no local do sequestro retoma o clichê de que “bandido bom é bandido morto” e pode ser considerada de cunho positivista. Para Comte, uma situação como a descrita no parágrafo anterior representa ameaça à ordem, ao equilíbrio social, portanto, deve ser neutralizada. O pensador positivista também considera que cada indivíduo tem um papel social a cumprir, logo, o jovem Sandro deveria estar estudando e trabalhando, sendo inadmissível o comportamento apresentado por ele.
Já Durkheim, apesar de também demonstrar a preocupação positivista com a coesão social, analisaria a conduta de Sandro, considerando a particularidade da história dele, do processo de socialização a que foi submetido. Tal análise durkheimiana pautar-se-ia pela objetividade, sem acréscimo de valores e impressões pessoais e ressaltaria o fato de que o todo exerce influência no modo de agir individual.
Em suma, a partir da discussão do sequestro do ônibus 174, pôde-se estabelecer comparação entre o pensamento positivista e o durkheimiano, salientando que ambos demonstram preocupação com a coesão social, entretanto, este desenvolve análises mais objetivas, desprovidas de perspectivas pessoais e enfatiza a determinação do coletivo no comportamento do indivíduo, isto é, para Durkheim, a sociedade engendra o ser social. 

Marcos Paulo Freire - 1º ano/Direito Noturno

Durkheim e a sociologia moderna

       O filósofo francês Émile Durkheim é considerado um dos fundadores da sociologia moderna. Seus pensamentos contribuíram para a moldagem daquilo que atualmente é chamado de sociologia, tal qual sua metodologia de pesquisa ainda norteia o campo nos dias de hoje.
       Durkheim defendia que o sociólogo deveria basear sua pesquisa no método científico e no empirismo. Desta maneira, delimitava a abordagem da sociologia no que tange à seu método. O filósofo pode, inclusive, ser considerado um dos responsáveis pela sistematização da área. 
       Segundo Durkheim, o principal objeto de estudo da sociologia deveria ser o fato social. A sociologia deveria se prender à estudos mais abrangentes da sociedade, como características dessa que moldam a maneira como agimos dentro da sociedade à qual pertencemos. Desta forma, o sociólogo deveria ater-se ao estudo destes aspectos, em detrimento de particularidades individuais. O fato social foi um dos principais conteúdos tratados por Durkheim, e recebeu muita atenção por parte deste filósofo. Para ele, o fato social teria como principais características ser alheio ao indivíduo, sendo independente da vontade pessoal deste; ser coercitivo, fazendo com que o não acatamento da ação imposta pelo fato ser punido com "isolamento social"; e ser generalista: atingir a todos, sem exceção. Na definição de Émile Durkheim: “É fato social toda maneira de agir, fixa ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou então ainda, que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter.”
       Pode-se dizer que a principal consequência imediata desta teoria é que o homem, enquanto ser social, não interferiria na formação da sociedade, sendo, portanto, seu produto. Durkheim alegava que a constituição do ser social seria devida, em grande parte, à educação, pois esta seria veículo de transmissão de normas, moral, e até mesmo questões de comportamento. Estas ideias são vistas expressamente na seguinte frase de Durkheim: “A construção do ser social, feita em boa parte pela educação, é a assimilação pelo indivíduo de uma série de normas e princípios — sejam morais, religiosos, éticos ou de comportamento — que balizam a conduta do indivíduo num grupo. O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela.”
       Assim, nota-se que a Durkheim contribuiu imensamente para a formação da sociologia moderna. Seus conceitos e suas obras influenciam até os dias de hoje no campo, e suas ideias e métodos servem como referência para o desenvolvimento de pesquisas na área da sociologia até a atualidade.
Gabriel Cândido Vendrasco - 1º ano direito - Matutino

A educação coercitiva

Durkheim define o fato social como maneiras de agir, de pensar e de sentir exteriores ao indivíduo, dotadas de um poder imperativo e coercitivo, que se apresentam de forma diferente dos fenômenos orgânicos e psíquicos.

A coercitividade gerada por tal fenômeno age sobre o indivíduo a partir da consciência pública, ao exercer uma vigilância sobre sua conduta perante a sociedade, e pela repressão de todo ato que a ofenda.  Ainda que a maioria dos atos e tendências de um ser não se originem na sua essência, mas de um ensinamento realizado para que ele se adeque aos padrões esperados.

A educação é uma das principais formas de coercitividade, possui a capacidade de impor ao indivíduo, desde a sua infância um dever ser que não lhe é natural, moldando e ajustando-o à forma idealizada e aceita pelos demais. Ela é um esforço contínuo para manter os seres dentro dos moldes esperados e do “permitido”. Tal característica sai do século XIX, período no qual Durkheim escreve a obra, e se faz presente nos dias atuais, em que a educação, que deveria se mostrar libertadora, é uma das principais amarras do indivíduo.

O instrumento que deveria direcionar o ser a um pensamento crítico, faz com que este siga o pensamento das massas e evite fugir das normas, deixando de questionar e de se impor pela possibilidade de não mais pertencer ao coletivo, e fazendo-o acreditar que a resistência às regras não o libertará.  

Camilla Bento Lopes - Direito Noturno 


Comentário a Durkheim

Émile Durkheim, sociólogo francês, viveu em século. O sociólogo traz uma nova perspectiva das ciências humanas as aproximando ao máximo da cientificidade, isso é estabelecer parâmetros de métodos os mais racionais possíveis, sem influência das paixões. Além desta contribuição para o aceitamento da sociologia, ciência humana, como uma ciência de fato, o francês aperfeiçoou o positivismo de Comte, e determina um termo: “fato social”, que é estabelecido como os acontecimentos do cotidiano que constituem a sociedade, influenciado pelas ações externas.
 O “fato social” é o grande objeto de estudo de Durkheim, ele trata-o como coisa, objeto científico que deve ser entendido racionalmente. Ademais o sociólogo francês apresenta a sociedade como uma estrutura orgânica, que a todo custo tenta se preservar através de suas instituições, como: família, escola, e mesmo o Direito, e também traz o indivíduo como ser imerso na sociedade, nunca independente dela, por tanto tenta compreender de que forma o sociedade se organiza e exerce influência sobre cada pessoa, não o contrário, pelo que chama de “consciência coletiva”.

Ainda na idade contemporânea os conceitos  cunhados por Émile Durkheim podem ser aplicados e observados. A “consciência coletiva”, por exemplo, pode ser percebida claramente em regimes totalitários fascistas do século XX, em que a manipulação das massas garantiu suas manutenções, ou mesmo a reação primitiva de linchamento vista com uma frequência alarmante na sociedade brasileira.
Júlia Barbosa - 1° ano Direito Diurno 

Durkheim e o fato social

No período de formação da sociologia como ciência ao final do século XIX, Émile Durkheim foi extremamente inovador ao propor um método para o estudo dos fenômenos sociais, pois, até então, não havia um método claro para o estudo das questões sociais e sabe-se que, toda e qualquer ciência autônoma necessita de um objeto e uma ferramenta específica de investigação. O objeto de estudo dessa nova ciência, foi denominado por Durkheim fato social. É de fundamental importância, em um primeiro momento, distinguir a sociedade dos indivíduos (grande diferença da sociologia em relação à psicologia). Nesse sentido, Durkheim afirma que a sociedade é mais que a mera soma de indivíduos e defende a valorização do coletivo em detrimento do individual, tendo, as ações humanas que serem analisadas sistematicamente em conjunto.
Segundo Durkheim, fato social define-se como maneiras de agir, de pensar e de sentir, exteriores ao indivíduo, e que são dotadas de um poder de coerção, ou seja, são construtos humanos que se impõem, muitas vezes, de forma inconsciente e imperceptível aos seres humanos. Os fatos sociais são gerais, uma vez que analisam a sociedade em seu conjunto, e não apenas partes dela; são externos, pois eles existem e atuam sobre os indivíduos independentemente de suas vontades e coercitivos, pela sua capacidade de imposição. A coercitividade torna-se mais perceptível quando há transgressão ou resistência a um determinado fato social, pois de imediato, o indivíduo que relutou a seguir determinada convenção será de alguma forma repreendido.

Há uma distância entre o pensador e os considerados, por ele, precursores da sociologia, como por exemplo, Comte, uma vez que esses autores pautavam sua ciência e estudos em ideias e não em fatos, e para Durkheim a sociologia lida com a realidade, com o concreto.
Portanto, sociólogo acredita que os fenômenos sociais devam ser estudados partindo "das coisas às ideias", ou seja, que a observação dos fatos seja anterior à construção de paradigmas. Desta forma, faz-se um paralelo com o pensamento Francis Bacon, em relação à teoria dos “ídolos da mente”, pois ambos os pensadores refutam os “pré-conceitos”, e admitem o estudo da realidade tal qual ela é.
Letícia Santos 1º ano Diurno

Pressão social e a felicidade

Émile Durkheim foi um sociólogo do século XIX e fundador da sociologia francesa, e por mais que estejamos no século XXI, suas ideias ainda podem explicar a sociedade atual, uma delas é o fato social que é algo exterior, geral e coercitivo (legal ou espontâneo).
Um exemplo disso é a coerção que a sociedade faz sobre o indivíduo, que muitas vezes está ligada ao conservadorismo presente nela.
Atualmente, grupos sociais que antes sofriam perseguição, preconceito ou discriminação estão ganhando direitos que antes não tinham devido à coerção que a sociedade fazia, por exemplo, durante muitos anos a comunidade LGBT sofria coerção da sociedade por não serem heterossexuais, mas devido à luta deles e a conscientização de parcela da sociedade, essa comunidade foi adquirindo direitos, mas mesmo assim ainda sofrem coerção de outra parcela.
Mas devido à existência ainda dessa coerção, algumas pessoas são infelizes e agem de um jeito que não gostam para terem a aceitação da sociedade, mesmo que para isso, ela abra mão de sua própria felicidade.
Hélio José dos Santos Júnior - 1º Ano - Direito Noturno

Amarras


Eu estou preso.
Prenderam-me sem perguntar se queria.
Sem me ouvir.
Eu estou preso e não consigo sair.
Sou eu um subproduto
Do produto que é a família.

Sou adestrado.
Corro mais do que poderia.
Vou seguindo pegando a bolinha todos os dias,
Pegando a fila todos os dias,
E fazendo coisas que me fazem fazer.

Tenho mãos.
Tenho talheres.
Me têm olhares.
E vou comendo como a etiqueta manda,
E nas etiquetas tem um carimbo de outro país,
E me fazem ouvir a música que não compreendo o que diz,
E me obrigam a entender.

Eu e todos presos em nós e presos neles.
Mas quem?
Uma coerção que não tem rosto definido,
Mas que me amarra.
Me tortura
Me abusa
Me surra
Surrado e ainda preso
Eu grito:
- Me desprendam!
Desprezo.

José Eduardo Adami - 1º Direito (Noturno)


Durkheim e a liberdade de expressão



Émile Durkheim foi um importante intelectual do século XIX e XX, tendo suas ideais contribuído consideravelmente para a área do conhecimento denominada “ciências sociais”. É considerado o “pai” da sociologia por propor uma metodologia e um maior rigor científico para estudos relacionados à humanidade e institui-la como matéria acadêmica.
Outra de sua importante contribuição foi em seus estudos com diferentes sociedades. Sua principal conclusão foi que os indivíduos tendem a adaptar-se para garantir a estabilidade social, então existe a tendência da maioria ter repulsão ao que consideram desestabilizador da ordem. Mas essas concepções não são imutáveis, conforme as supostas ameaçam são superadas ou modificadas o pensamento da maioria da população altera-se.
Como solução para controlar aqueles que não se adaptaram a nova realidade, de forma inconsciente são elaborados mecanismos psicológicos que excluem eles. E os seres humanos por serem criaturas sociais são fortemente abaladas quando são excluídos, sendo menos sofrível reprimir os próprios pensamentos a perder a sociabilidade.
Porém existe a tentativa de conciliar a manutenção da sociabilidade e conseguir expressar as opiniões. Como solução está o anonimato e com o desenvolvimento de novas tecnologias, principalmente a internet, facilitou-se a publicação de ideias e com garantias que dificilmente a identidade será descoberta.
Possuir liberdade de divulgar sua visão de mundo é fundamental e é garantida por tratados internacionais e constituição de diversos países. O problema é que em diversos casos os que se sentem impedidos de falar livremente têm conceitos preconceituosos que são tipificados como crime.
Então se entra em uma encruzilhada todos tem o direito de ter opinião, mas algumas são crimes e além de desestabilizarem a ordem social, criando um dilema difícil de ser resolvido. Qual o limite da liberdade de expressão?
Talvez a melhor solução encontrada até o momento, no Brasil, sejam as jurisprudências do Supremo Tribunal Federal que garantem que em situações particulares ou em grupos de pensamento semelhante é possível expressar seus ideais. Mas em casos que possam ter alcance maior como quando ditos em meios de comunicação, redes sociais ou em outras plataformas é crime e devem ser responsabilizados de acordo com a lei.

João Pedro Costa Moreira – 1º Ano Direito Noturno

domingo, 1 de maio de 2016

Os desafios da felicidade

A felicidade, apesar de ser uma palavra abstrata e de diferentes significados para os mais variados tipos de pessoas, é algo buscado por grande parte dos seres humanos. Mas a pergunta que fica é como atingir essa tal felicidade, que para alguns é um sentimento de bem estar, enfrentando desafios exteriores ao indivíduo ?
Muitas pessoas deixam de ser o que gostariam de ser ou seguir, por conta das pressões exteriores impostas por um grupo ou até mesmo pela sociedade. As pessoas são analisadas desde o modo como se vestem até como se relacionam. Se um individuo se relaciona com outro do mesmo sexo, é alvo de criticas por parte de alguns por supostamente ir contra a família. Por outro lado se a pessoa não se relaciona com alguém, ela também é alvo de críticas.
Muitos, desse modo, por medo de não ser aceito em um determinado grupo deixam de lado as suas convicções e passam a viver uma vida que muitas vezes diferem do ideal daquela pessoa. Percebe-se, dessa forma, como o fato social, mencionado na obra de Durkhein ainda é muito presente na atualidade. Assim, vemos que a felicidade é algo que não é tão simples de se alcançar e que por conta de algumas pressões sociais, deve ser conquistada e lutada.

Renan Batista de Carvalho  
Direito - 1º ano noturno.



A influência social

      Para Durkheim, a sociedade exerce coerção sobre nossos comportamentos individuais. Isso seria o fato social: a influência do meio sobre nossas atitudes. Partindo desse pressuposto, as ideias que nós temos a respeito de todas as coisas são regidas pelo coletivo no qual estamos inseridos. Assim, as sociedades possuem contextos e culturas diferentes e possuem mecanismos particulares para funcionar. Durkheim rompe com a ideia de Comte que os povos caminham para o progresso e diz que eles são organismos vivos, que se adaptam de suas maneiras próprias a transformações.
      Porém, podemos notar que esses mesmos povos vêm se misturando em um contexto atual. Devido à globalização, os países que exercem uma maior carga influenciadora usam esse poder e passam a ditar a moda, a música, a literatura.
      Tomemos como exemplo o Brasil. Não é difícil notar a forte influência americana sobre o que é ouvido no rádio, as marcas de roupas usadas e até mesmo os livros famosos. Esses exemplos ilustram como o pensamento de Durkheim é contemporâneo, porque seria impossível ser livre de influências. Por isso, quando há a quebra de um padrão da sociedade, a mesma combate essa quebra, buscando restabelecer a norma.
      Por fim, o filósofo diz que a única coisa que pode ser observada de fato são sociedades que estão independentes umas das outras. Cabe a questionar se no futuro haverá alguma sociedade independente das demais.

Anna Beatriz Vasconcellos Scachetti
1º ano- Direito diurno

A aceitação (ou não) das imposições sociais

          Durkheim considera que a sociologia é a ciência que retrata a realidade e, por isso, cada sociedade se explica por si mesma, pois os fenômenos sociais exercem funções diferentes em sociedades diferentes. Isso é denominado de “causalidade eficiente”. Essas funções distintas ocorrem devido a mistura de diferentes culturas e costumes.

          O pensador também estudava os “fatos sociais”, que, segundo ele, deveriam ser analisados como coisa, já que são independentes do indivíduo, mas analisam as ações humanas em sociedade, associando-as às regras vigentes no local. Nota-se, então, que o filósofo considera o coletivo como mais importante que o individual. Durkheim também observava as normas de determinado grupo. Ele afirma que a resistência às regras não torna o indivíduo livre, pelo contrário, o sociólogo acredita que não há forma de se fugir das normas, já que elas são coercitivas e impostas pela sociedade. Prova disso é o próprio “estar na moda”. O que são as tendências senão meras imposições da sociedade (ou “reproduções de um modelo coletivo”) para que um indivíduo seja aceito em um determinado grupo?  Para o pensador, até mesmo as pessoas que querem romper com esse padrão estabelecido pela sociedade procuram grupos que as aceitem e as apoiem. O indivíduo, portanto, não sobrevive sem o coletivo.

          Os “fatos sociais”, então, estão presentes no nosso cotidiano, sendo que é praticamente impossível o rompimento total com eles. Isso leva a formação de uma sociedade que age conforme a opinião do coletivo, e não da do indivíduo. Portanto, todos precisam dos outros e todos são influenciados pelos outros, seja seguindo os padrões ou indo de encontro a eles.

Mariana Smargiassi - Primeiro ano de Direito (diurno)


A teoria durkheimiana e o fato social

"Cada sociedade se explica por si mesma". "Ninguém nunca está sozinho". "O homem encontra-se, desde seu nascimento, em situação de dependência com o mundo à sua volta". Essas frases elucidam, de maneira sintética, o pensamento deflagrado por Émile Durkheim na segunda metade do século XIX. O fato social, quando analisado por ele, ganha um papel generalizado, passivo de imposição e, acima de tudo, exterior ao próprio homem.

Inicialmente, Durkheim propõe uma observação dos fatos sociais como "coisas" propriamente ditas. Em seguida, deve-se reconhecê-los em razão da coerção que exercem sobre o indivíduo, pressupondo que, segundo esse raciocínio, há uma prevalência da sociedade em relação ao ser, bem como afirma Augusto Comte. Dessa forma, pode-se depreender que o homem é reflexo de um conjunto de fatores externos, históricos e, em sua maioria, fortemente consolidados.

Nesse sentido, o sociólogo critica, veementemente, a análise ideológica que vai das ideias às coisas: para ele, a observação empírica do mundo deve preceder a consolidação do pensamento. Por isso, entitula a Sociologia como "ciência da realidade", fazendo certa alusão à supremacia desta em relação aos ideais filosóficos, por exemplo.

Além disso, Durkheim versa a respeito dos substratos passionais e das pré-noções estabelecidas. Similarmente, ambos influênciam em nossas ações. Em oposição, enquanto o primeiro pode ser, com bastante frequência, bom, o segundo, por sua vez, é encarado como um obstáculo à busca da verdade científica. Francis Bacon, por exemplo, já enfatizava a necessidade de combater este fator quando falava dos "ídolos da mente".

Trazendo a reflexão sociológica para os dias atuais, podemos concluir o texto com o caso do homem que fez uma juíza de refém, exigindo, sobre forte ameaça física e verbal, que ela dissesse que ele era inocente. A análise, todavia, tange o discurso dele, que representava "todos", de modo a responsabilizar o sistema pela "injustiça da justiça". Há, nessa situação, uma reação anormal, primitiva- de raiva- que rompe com um fato social, criando, instantaneamente, outro. Todavia, como de praxe, esbarra-se no costume, na tradição e no statos quo da sociedade em questão.

Bruno Medinilla de Castilho - 1º ano - Direito matutino


Juízo de valor da história
           
        Durkheim utiliza em sua teoria do método sociológico o conceito de fato social, o qual ele define como “as maneiras de agir, de pensar e de sentir que apresentam essa notável propriedade de existirem fora das consciências individuais”. Os fatos sociais são exteriores ao indivíduo, dotados de umas força coercitiva e de uma certa generalidade e possuem interesse social.
           Para observar e analisar os fatos sociais, Durkheim propõe que se use do recurso metodológico de enxergá-los como coisa. Distanciar-se dos fatos para fazer-se cumprir a proposta de cientificar a sociologia. Esse uso do fato social como coisa remete a Comte. No entanto, eles diferem quanto ao juízo de valor da história.
       Para Durkheim, Comte utiliza-se de uma noção metafísica ao usar o sentido de progresso aplicado à história da humanidade. Contrario a essa ideia de evolução histórica, Durkheim afirmava que cada sociedade têm sua rede de fatos sociais, e, portanto, deveriam ser analisadas tais como elas são.
         Uma aplicação para os dias atuais corresponde ao preconceito para com os refugiados islâmicos na Europa (não apenas sírios e iraquianos, mas a comunidade islâmica em geral; e amplamente na sociedade ocidental). As vestimentas, como o véu, e os costumes, como não beijar antes do casamento, têm originado pensamentos comteanos. No sentido de que essa sociedade é primitiva e vive em uma barbárie, com a utilização da sharia e punições como apedrejamento.
        O fato desses imigrantes não incorporarem os valores e a “ordem” ocidental torna-os suscetíveis ao preconceito. Durkheim rebateria esse pensamento preconceituoso dizendo que a ideia de evolução histórica é eurocêntrica – de pessoas que acreditam que esse é o único e melhor modelo a ser seguido. Ignoram a diversidade e as diferenças humanas.

Flávia Oliveira Ribeiro

1o ano - Direito matutino

Durkheim: para além do indivíduo

Durkheim, no início da obra “As regras do método sociológico”, busca definir o que é um fato social. Segundo ele, é fato social “toda maneira de agir fixa ou não suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção física exterior”. Além disso, propõe um método para a sociologia: estudar os fatos sociais como “coisas”, ou seja, como objetos orgânicos, naturais e físico-químicos.
Em sua análise, assim como na de Augusto Comte, prevalece o estudo da coletividade em relação a individualidade. Isso se da pelo fato de não admitir que exista indivíduo alheio ao fato social, ou seja, quando o ser humano nasce ele se adapta às normas da sociedade – o que chama de “socialização” - e, se não as cumpre, sofre uma coerção externa. Para isso, é necessária uma organização social definida capaz de exercer uma coerção, mas ela não é necessariamente uma organização jurídica. Apresenta, por exemplo, as “correntes sociais” como uma coletividade com capacidade de coerção.
Pode-se comparar a negação da individualidade de Durkheim com a análise feita posteriormente por Marx sobre materialismo histórico. Ambos afirmam que muitas as ações do homem, consideradas a primeira vista como individuais, sofrem influência de algo superior: para Durkheim, o fato social e, para Marx, o modo de produção da sociedade, que é responsável pela ideologia dos homens inseridos na mesma.

Ana Luísa Ruggeri - Direito matutino - 1º ano

O palco social

Em um dos episódios mais trágicos da História, 918 pessoas participaram de um suicídio coletivo na comuna de Jonestown em 1979, incitados por um líder religioso que pregava uma utopia em plena Floresta Amazônica. Mas será que, racionalmente falando, 918 indivíduos se suicidariam apenas fazendo uso de sua consciência individual? Claramente existe, neste fato e em muitos outros, um forte caráter social, em que a atitude de cada indivíduo teria sido impulsionada por um sentimento geral, que as impediu, por ora, de fazer uso de sua individualidade.

É justamente esse caráter social que o sociólogo Émile Durkheim, em sua obra “As Regras do Método Sociológico”, busca explicar. Partindo do pressuposto que fato social é todo aquele que é coercitivo, exterior a nós e dotado de generalidade, Durkheim explana sobre a forma como somos diretamente – e cotidianamente – influenciados pelos modos e costumes, impostos a nós ao longo de nossa educação, e também por movimentos de cunho coletivista, como o exemplo que dei anteriormente do massacre em Jonestown.

Para além do exemplo trágico do massacre de 1979, estes fatos sociais são mais próximos de nós do que podemos imaginar a princípio. Simone de Beauvoir, pioneira do feminismo, já pregava na metade do século XX que o gênero nada mais é do que uma construção social. Pode-se dizer ainda mais: que não só o gênero, mas grande parte das atitudes que temos são fruto de construções sociais, enraizadas em nossa sociedade ainda muito conservadora e que possui dificuldade de agir de forma libertária em relação a essas construções justamente pelo caráter coercitivo das mesmas.

Pode-se questionar esse caráter coercitivo, já que, não estando os modos e costumes previstos por lei (mas sendo a lei influenciada por eles, é importante constar), seríamos tecnicamente livres em relação a nossas escolhas, pois não poderíamos ser objetivamente punidos por elas. Porém não se é ingênuo o suficiente para ignorar o quão forte é o preconceito e a capacidade deste sentimento de poder influenciar de forma definitiva a vida das pessoas, somente pela opção de resistir a todo o movimento social ao qual somos submetidos desde que nascemos e sobre o qual não temos controle algum.

Sendo assim, de certa forma, seríamos todos os atores de um grande espetáculo social, tendo que seguir rigorosamente o roteiro, estando sujeitos – caso não o fizéssemos – a sermos expulsos deste espetáculo e termos que criar, a muito custo, o nosso próprio, submetidos a todas as dificuldades que são naturais àqueles que optam por não serem meros representantes das amarras sociais. O Show de Truman do cinema talvez seja mais real do que imaginamos.


Luiz Antonio Martins Cambuhy Júnior
1º Ano - Direito Matutino 

Somos donos de nossos pensamentos?

Hoje acordei,
quis agir diferente.
Mas logo pensei,
devo ser coerente.

Mesmo assim,
olhares voltaram-se para mim.

Então descobri,
fui coercida socialmente.
Portanto, tudo que conheci,
foi influência do meio social em minha mente.

Carolina Pelho Junqueira de Barros - 1º ano Direito Diurno

Profissional Imparcial

 A imparcialidade é um aspecto de extrema importância para que se possa optar por decisões mais justas. Ser imparcial, ou seja, se manter neutro torna os profissionais mais íntegros e capazes de lidar com as mais diversas situações. O exercício de alguns ofícios exige esse distanciamento do perito de seu objeto de trabalho, para que sua avaliação não seja prejudicada.
Em sua obra “As regras do método sociológico”, de 1895, o sociólogopsicólogo social e filósofo francês David Émile Durkheim ao tratar do estudo do fato social discursa que seria necessário à aplicação de uma técnica para tornar sua assimilação mais sensata. “A primeira regra e a mais fundamental é considerar os fatos sociais como coisas”. Para ele, o fato social deveria ser visto como “coisa”, pois assim, com o distanciamento deste, a sua análise seria a menos afetada possível. Durkheim justifica a necessidade dessa “coisificação” do fato social falando sobre a dificuldade de analisar um objeto de mesma natureza que o cientista.Acontece que, como essas noções estão mais próximas de nós e mais ao nosso alcance do que as realidades a que correspondem, tendemos naturalmente a substituir estas últimas por elas e a fazer delas a matéria mesma de nossas especulações”.
Essa indispensabilidade do afastamento entre profissional e objeto de estudo se aplica a várias áreas de trabalho. Um jornalista deve escrever da forma mais imparcial possível de modo que suas notícias sejam verdadeiras e pertinentes ao passar informações ao leitor. Um médico deve se manter imparcial quanto aos seus pacientes de tal modo que seja capaz de tomar as decisões mais coerentes possíveis. Um juiz de futebol deve se manter imparcial a fim de não beneficiar nenhum time durante uma partida. Um psicólogo não deve atender amigos ou parentes, pois, algumas perguntas poderiam deixar o paciente desconfortável e seu diagnóstico ficaria prejudicado devido à relação entre psicólogo-paciente.
Há uma ampla lista de trabalhos em que ser o mais imparcial possível é essencial, já que ser totalmente imparcial é algo praticamente improvável. Entre esta lista, um dos profissionais que devem tentar se manter os mais equânime praticável são os profissionais da área do Direito. Em um julgamento justo é primordial que o juiz se mantenha neutro a fim de analisar ambas as partes com equidade. Portanto a imparcialidade é como pontuou Durkheim, algo imperativo para um parecer equitativo e coeso.

(Isabela Rafael Soares - 1º Ano - Direito Noturno)