Total de visualizações de página (desde out/2009)

sábado, 16 de abril de 2016

Educação, família e ordem na manutenção social




Auguste Comte afirmava que o homem passa por amadurecimento no processo de entender e explicar o mundo. Iniciando no estágio teológico, passando pelo metafísico e chegando finalmente ao positivo com uma sociedade científica e industrial  representada como ela de fato é, e não de forma especulativa.
Ao fazer uma analogia com Newton e as ciências empíricas, o filósofo francês estabelece que, assim como a física, a sociedade possui leis invariáveis que a regem. A forma para buscar as leis efetivas, abrindo mão de buscar as causas das coisas visto que não há noções absolutas, seria através do raciocínio e da observação.
A ordem, importante aspecto na filosofia de Comte, é a condição para o progresso. A ideologia positivista foi muito absorvida, estando presente na bandeira nacional a ordem (Estática) e o progresso (Dinâmica). Toda sociedade possui uma moral. A família, célula mater da sociedade, além de passar a cultura e os valores, sendo elemento do processo civilizatório, é responsável por incutir a moral e contribuir para a harmonia da sociedade.
O trabalho é exaltado como fonte de reconhecimento e inclusão social, de honra e dignidade, reforçando os lugares sociais. O positivismo é muito utilizado para a manutenção da estrutura coletiva, visto que, nessa visão, para que haja progresso é necessária a manutenção da sociedade como ela está, com sua hierarquia e ordem e a vigilância da moral.
A sociedade é vista como um corpo social, em que cada parte deve cumprir sua função para que não haja nenhuma patologia, entendida como uma subversão da ordem. O trabalho seria uma forma de remédio. Uma questão importantíssima para Comte é a coesão da sociedade e a visão de conjunto desta, sendo a moral, social e humana, incompatível com a moral religiosa que tem característica individual.
Exemplos de influencia positivista na sociedade são as estruturas de diferenciação por papel social, como as entradas diferenciadas em prédios (de serviço e social), assim como o próprio tablado que eleva o professor em relação aos alunos, sendo a educação forte transmissora de valores de hierarquia, e ordem na forma de disciplina.
Vívian Gutierrez Tamaki - 1ºano Direito- Diurno

Ordem é Progresso?

Em sua teoria positivista, Auguste Comte analisa a sociedade do jeito que ela é, de fato. Segundo o filósofo, como não há noções absolutas, não há necessidade de saber a origem das coisas. O correto seria se buscar as leis que regem fenômenos, através do raciocínio e observação.
                De acordo com Comte, a sociedade passa pelos estágios teológico, metafísico e, por fim, positivo. Nesse sentido, ordem seria uma condição para o progresso. Isto é, só será possível um amadurecimento da sociedade, se esta estiver, a princípio, estática. Assim, de acordo com a ordem, há uma hierarquia regida pela moral. Cada um teria o seu lugar na sociedade, como em uma engrenagem. O trabalho seria, portanto, um meio de dignificar o homem, de incluí- lo no contexto social de acordo com a ordem vigente.
                Podemos relacionar a visão de Comte com os movimentos sociais existentes. Tomemos, por exemplo, o caso do feminismo. A mulher, há algumas décadas, era tida como papel secundário nas relações sociais e haveria tarefas específicas para homens e mulheres. Essa era considerada a ordem: a mulher fazendo tarefas “de mulher”. Com o aumento da aparição do sexo feminino no mercado de trabalho, ela foi saindo do seu papel “de origem” e foi ocupando espaços considerados masculinos.

                Essa “quebra de ordem” proporciona certo desconforto para muitas pessoas hoje em dia, nota- se a grande quantidade de falas machistas frente ao movimento. Pode- se dizer que há um grande número de pessoas que possuem influência do pensamento positivista. Essa é considerada a harmonia do positivismo: cumprir o papel prescrito pela moral. Resta analisar qual seria essa moral.

Anna Beatriz Vasconcellos Scachetti
1ª ano- direito diurno

Amor, Ordem e Progresso

Para melhor exemplificar o pensamento de Augusto Comte tomei a liberdade de fazer um paralelo entre as principais ideias do pensador francês e a brilhante coluna escrita por Gregório Duvivier (um dos criadores do Porta dos Fundos e colunista da Folha de S.Paulo) datada de 17 de agosto de 2015, onde ele expõe a tríade positivista como guia da sociedade brasileira.
Pois bem, para Comte a ideia de se ter uma sociedade científica e industrial é atingir o Estágio Positivo, nesse estágio as pessoas seriam guiadas pela razão e pela moral Estática. Portanto, aquele que seguisse as ordens e normas estabelecidas pela cultura daquele grupo estaria inserido no âmbito social. 
Nesse primeiro vislumbre de sua Física Social pode-se evidenciar a importância da moral para manutenção da ordem. O que Gregório, em seu texto, diz ser "a manutenção do nosso ódio pela diferença, pois nossa fraternidade é seletiva: só temos fraternité com quem é cliente personnalité". E isso expõe outro caráter de exclusão social defendido pelo positivismo, que prega que o único modo de se atingir essa moral é o trabalho e a aceitação dos "lugares sociais", portanto a famosa frase: "o trabalho dignifica o homem", que está no cotidiano dos brasileiros é claramente positivista.
Dessa forma fica evidente a repulsa, por parte de Augusto, em relação as revoluções. Essas, quebram a ordem, portanto quebram o caminho que levaria ao progresso positivista. Essa aversão ao diferente e às revoluções foi exposta ao colunista da Folha por um amigo francês, que lhe indagou: "onde está, na história do Brasil, o amor pelos negros, pelos gays, pelos índios, pelas crianças de rua?".
Por fim, destacarei o verso do filósofo em que se encontra o trinômio que dá título a esta postagem: "o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim". Já foi demonstrado que a sociedade brasileira possui uma cultura positivista, por meio de exemplos que denotam a importância da ordem para o progresso. Mas o amor ainda não foi exaltado nessa publicação, vamos ao porquê. Primeiro porque Comte defendia o amor como prova de solidariedade, no que diz respeito ao repúdio ao pensamento individualista em favor da sociedade. Uma outra explicação, mais equiparada ao pensamento positivo é o fato de deixar as aspirações pessoais, e as ideias revolucionárias e contrárias à ordem de lado, logo, não ir contra a sociedade que ele faz parte. 
Outra parte do porquê está na falta de amor na população brasileira, não essa estrutural e conservadora de Comte, mas sim o amor fraternal, o amor igual. Para Gregório a falta da palavra Amor na bandeira nacional representa a falta dessa na cultura do povo brasileiro: "houvesse mais amor, não estariam protestando contra o fato do DOI Codi não ter enforcado Dilma quando teve oportunidade. Não teria gente dizendo que ""tinham que ter matado todos os comunistas em 64"".
Em suma, o positivismo pode representar uma sociedade excludente, conservadora, preconceituosa, patriarcal, cientifica e reacionária, mas principalmente carente de amor. Termino minha análise com mais uma referência à caluna de Duvivier; " Nossa cultura é muito erótica - e muito pouco amorosa. O amor líquido aqui já tá gasoso. Ou como diria o poeta: não era amor, era cilada. Cilada. Cilada."

Estevan Carlos Magno - Direito Diurno, 1 ano

O que seria a organização social?

Em vários das falas apresentadas por congressistas durante o debate acerca do relatório do impeachment nos últimos dias, a sensação que se tem é a de caos total no país. Dependentes químicos lotam as ruas, milícias tomam conta de cidades, números surpreendentes de desempregados... Algo nunca antes visto. Sensação parecida se tem também quando, por exemplo, ligamos a TV e nos deparamos com os chamados programas policialescos, empenhados em tratar a realidade diária como um grande antro de violência sob o manto de um Estado ineficaz e incompetente em todos os aspectos, deixando o país quase em estado anárquico. Cabe a nós então procurar algo que resolva tal situação e ordene a sociedade de modo a colocá-la de volta no eixo do “progresso” e não do “retrocesso”.

Que é fato que os problemas sociais não são poucos, isto é, mas é inevitável acreditar que há sempre um exagero por tal tipo de expressão, a qual normalmente tem um profundo viés conservador, uma vez que procura manter a sociedade de forma coesa e organizada a tal ponto que beira o estamento. E as reivindicações por melhorias em determinadas categorias? As lutas por direitos por minorias? Tudo deve ficar em segundo plano para que a sociedade possa se manter em ordem.

Essa visão positivista tão utilizada atualmente não é, de forma alguma, recente. Inicia-se no longínquo século XIX, com o filósofo Auguste Comte, o qual, advindo de uma época que ainda se espelhava no cientificismo proposto por Descartes e Bacon, acreditava que a melhor forma de organização social advinha do surgimento da filosofia positiva, a qual, sob a égide da ciência, seria capaz de sintetizar todos os nossos princípios (inclusive sociais, pois Comte propõe a física social) particulares em princípios gerais, superando assim todo o prévio conhecimento teológico e metafísico.

Hoje, pouco mais de dois séculos depois, percebe-se que nem mesmo os maiores avanços científicos (e a própria consolidação da ciência como forma de obtenção de conhecimento acadêmico) foram capazes de “organizar” a sociedade a tal ponto que impedisse qualquer desestruturação social. Até porque o que seria “organizar” a sociedade? Sendo o ser humano um organismo complexo e os mecanismos sociais ferramentas ainda mais complexas, é impossível exigir estaticidade da sociedade, uma vez que ela vive de questionamentos e lutas, devendo estar em constante renovação e não em constante progresso, uma vez que a própria teologia e metafísica se encontram como formas de e entender o mundo e não de conhecimento a ser superado.

A violência das ruas, a questão das drogas e o desemprego certamente são problemas a serem discutidos e combatidos, mas é inegável que paralelamente a eles estão ocorrendo também reinvindicações por direitos, movimentos de trabalhadores e lutas secundaristas, por exemplo; ações que manterão a sociedade sempre em movimento. Movimento esse que nunca cessará, pois é o motor de uma estrutura intricada a ponto de ser impossível de ser reduzida a uma simples ótica cientificista, incapaz de compreender os pequenos detalhes de toda a nossa dialética social.

Luiz Antonio Martins Cambuhy Júnior
1° Ano Direito Matutino

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Sandice Positivista

O francês Augusto Comte, sábio pensador, nos presenteou com a teoria dos três estágios do pensamento. Segundo ele, a forma de entendimento passa por três estados: o Teológico (explicações advindas de Deus), o metafísico (foco no pensamento abstrato) e o positivo que, para Comte, é o mais avançado e satisfatório dos três. Tal estado marca o amadurecimento do pensamento humano.

Tendo como precursores Descartes e Bacon, o Positivismo de Comte - também chamado de Física Social ou Filosofia Positivista - preza as relações imediatas entre as coisas. Sendo assim, tal ideologia não visa a profundidade ou a essência das coisas (tarefa incumbida aos Estados Teológico e Metafísico).

Além disso, Comte propunha uma reforma da educação. Esta reforma se daria pelo fim do isolamento das ciências, gerando uma unificação dos mais diversos conhecimentos. Ademais, a Reforma seria parte do caminho pelo qual as sociedades se encaminham para o mesmo fim: o progresso, visto por Augusto Comte como a sociedade industrial.

O estudo positivo, base para a reorganização social, é fundamentado na noção de coesão social. Isso ocorre quando tudo encontra-se em "seu devido lugar". É por meio dessa ordem que a sociedade alcançaria o progresso. Essa ideia consagrou-se no lema comteano "o Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim", abreviado simplesmente como "Ordem e Progresso" - lema da bandeira de nosso país.

Com todo esse amor e confiança na sua Filosofia Positiva, Comte, de certa forma, passou dos limites. Tentou criar uma religião fundada no aspecto positivo, na qual se buscaria a plena espiritualidade humana - há, inclusive, diversos templos destinados aos religiosos positivistas hodiernos.


Auguste Comte e a conjuntura atual brasileira

Auguste Comte é considerado pai do positivismo, onde criticava o modo de pensamento religioso e a religião em si, afirmando ser o estado teológico. Porém, com o desenvolvimento de seu pensamento, acaba tornando a filosofia positiva uma religião para ele.  A base do pensamento físico social é em torno do estado teológico, metafísico  positivo. E a partir disso, desenvolve duas leis fundamentais: a primeira é a estática, que são condições orgânicas de que dependem determinadas funções, basicamente é a aptidão para agir; e a segunda é a dinâmica, que  é a marcha efetiva do desenvolvimento humano (ação efetiva).
Analisando com a conjuntura atual com o pensamento positivista percebemos uma sociedade preconceituosa e conservadora para certos assuntos, como homofobia e aversão à união homoafetiva. Uma sociedade a qual as pessoas apenas se importam com sua “função” social, e quem comete um crime, desanda do “princípio” da sociedade é julgado vagabundo, marginal, entre outros.

Também, analisando a partir de um pensamento positivista e progressista, afirma que precisam de uma ordem social, e consequentemente, criam uma ilusão quimérica para uma moral universal e terem uma harmonia social atrelado ao seu papel na sociedade. Mas seria certo continuar esse pensamento para ter um certo desenvolvimento social e na economia, mesmo com o atual senário político brasileiro?

Reconstrução intelectual baseada na ordem

Augusto Comte viveu no final do século XVIII até meados do século XIX na França, criou uma corrente filosófica chamada positivismo, isto é, a extrema valorização do método científico das ciências positivas (baseadas nos fatos empíricos) e a repulsa as discussões metafísicas. O positivismo está intrinsecamente ligado aos benefícios trazidos pela industrialização e o otimismo do progresso tecnocientífico. Em sua obra “Curso de filosofia positiva”, discute sobre a lei dos três estados, baseado em três estágios: teológico, metafísico e positivo. O primeiro, seria o ponto de partida do conhecimento humano, em que os fenômenos do mundo são vistos pela ótica sobrenatural; o segundo, substitui a influência do sobrenatural pela ação de forças abstratas ou também chamada de “força vital” e reunião de todas essas forças em um só ponto, constituindo a “natureza” que seriam os representantes dos seres no mundo; o terceiro, é o uso combinado de razão e observação, passando a entender os fenômenos do mundo.
O positivismo, muitas vezes, é relacionado ao empirismo puro, no entanto, há divergências entre eles, uma vez que o conhecimento científico não é reduzido apenas aos fatos observados, mas sim, como Comte aponta, pelo aspecto legislativo de leis gerais encontra-se o grande ideal das ciências. Baseado nas ciências o ser humano é capaz de prever os fenômenos naturais, dessa forma, confirma-se o lema positivista “ver para prever”. 
Com base no conhecimento científico, Comte vê o progresso sendo impulsionado, no entanto, este é subordinado à ordem, visto que a ordem é uma condição fundamental para o progresso. Esses preceitos também são correlacionados aos princípios de estática (estuda as forças que unem uma sociedade) e dinâmica (estuda as transformações sociais e suas causas), a ordem é relacionado ao primeiro e o progresso relacionado ao segundo.
Comte também retrata sobre a reorganização completa da sociedade, isso consistia na regeneração das opiniões e dos costumes humanos. Portanto, tratava-se de uma reestruturação intelectual e não de uma revolução das instituições sociais. Esse ideal ele correlaciona com a Revolução Francesa, pois houve uma reorganização intelectual ao desconstruir valores do antigo regime, no entanto não impôs novos valores a nova sociedade surgida a partir de então. Dessa forma, prega o restabelecimento da ordem na sociedade capitalista industrial. Nesse cenário, houve conflitos entre proletários e capitalistas; Comte legitima a exploração industrial e concorda com a divisão de classes, pois considera indispensável a existência dos empreendedores e dos proletariados.


Douglas Torres Betete – 1º ano Direito (noturno)

Comte e a Valorização do Positivismo

     Auguste Comte é um filósofo positivista, progressista e reformista. Um dos seus princípios básicos é aplicar os métodos usados nas ciências físicas aos estudos dos fenômenos sociais.
     Para Comte a sociedade deve ser organizada dentro de um conhecimento científico, que evoluiu em três estágios, o primeiro: teológico- que corresponde ao periodo de obediência aos dogmas da igreja, o segundo: metafísica- que tem como função romper com o primeiro estágio, através do desenvolvimento matemático e do estudo da natureza e o terceiro: o estado positivista- no qual o homem abandonava toda a crença anterior para buscar o relacionamento entre as causas dos fenômenos mediante a razão e experiência.
      Essa teoria de Comte possibilitou uma maior valorização do estudo das ciências humanas e foram as bases para diversas conquistas da modernidade. No entanto várias questões abordadas pelo filósofo talvez não em sua época, mas atualmente, não condizem com a realidade, por exemplo, em relação a propriedade privada, Comte acredita que ela é fundamental para o progresso e uma tendência positiva,sendo consequência do acréscimo de riqueza material que provoca o aplicar a ciência a produção.
      Em relação a sociedade industrial o autor acredita que não existe uma separação entre trabalhador empresário, sendo um sistema pacífico que harmoniza todos os interesses da sociedade.
      Soma-se a isso, o conceito de liberdade- Para Comte o homem não é livre por natureza e esse não é um fim último do homem. Pois para ele é indispensável que o homem não seja livre para chegar ao nível mais alto do conhecimento.  
    Diversas teorias de Comte vão de encontro as de filósofos como Marx e Rousseau, que acreditavam que a propriedade, a indústria e a falta de liberdade, levam o homem a desigualdade social e ao caos.
      Portanto a estratégia  de Comte de buscar o conhecimento positivo pode ser boa se o que se busca é ter o melhor conhecimento a respeito do mundo, mas isso não siginifica que todas as suas teses tenham que ser contempladas. 


Jéssica Xavier 
Direito Noturno 
          
         

NegrAção


Tição
Neguinho
Pixaim
De cor
De raça
Gorila
Mulata
Negão
Sarara
Crioulo
Preto
Macaco
Um neguinho safado,
Um qualquer,
Só mais um José,
Só mais um Silva,
No morro e na vida.
Pisado, cuspido, maltratado.
Separado, mas iguais.
Um abismo que separa.
Um muro que que separa.
A melanina que estratifica.
Só um choro mudo que fica,
Que não sai,
Mas se limpa e vai.
Vai pra frente, pra sempre.
Não vai, não passa.
Barrado.
“Aqui não tem seu número”
“Isso não é pra você”
“Você infelizmente não está nos padrões da empresa”
E o vingador é lento, mas muito bem intencionado.
Enquanto isso vai deixando todo mundo preto
E do cabelo esticado.
Mas no morro e no centro todos têm a mesma oportunidade.
É só se esforçar que consegue.
É só pegar três horas de condução.
Estudar.
Trabalhar.
Voltar.
Andar.
Mais três horas.
Quão fácil é vencer o morro.
E esquecidos.
E esquecidos.
Mas o negro, o preto, o pixaim
Põe a cabeça no travesseiro e sonha
Com mundos que não doam tanto,
Que não julguem tanto,
E por fim sorri e canta:
- A Carne mais barata do mercado é a carne negra!
A carne negra.
Negra.
Carne igual.
- Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me vós, Senhor Deus
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! Por que não te apagas?

Apagou, o negro dormiu. 

José Eduardo Adami - 1º Direito (noturno)

Racionalização social

Augusto Comte estabeleceu diversas concepções a respeito dos fenômenos sociais. Como viveu em um período de efervescência no campo das ciências, foi inevitável a filiação de Conte á essas formas de explicar o mundo em sua complexidade.
Comte defende a ideia de que não é necessária a compreensão das origens dos fatos e nem mesmo os seus fins, mas sim, suas relações com os seres humanos, o que confere toda a dinamicidade das relações dos corpos entre si.
Nesse sentido, esse filósofo incorpora o estudo da sociologia às ciências naturais, ao mesmo tempo em que, reduz os fatos sociais para algo concreto, observável. Outro ponto a destacar é que, Comte parte do pressuposto que a sociedade, com todos os seus ordenamentos, exercem forte influência no desenvolvimento dos indivíduos, o que agrega um forte teor determinista.
Vale ressaltar que ao defender um processo metodológico puramente técnico e mecânico das explicações dos fenômenos sociais, Augusto Comte se aproxima dos pensamentos de René Descartes E Francis Bacon.

Portanto, para compreender todas as leis que regem os comportamentos humanos, Comte se utiliza, principalmente do uso da razão, colocando todas as interconexões de uma sociedade a luz das ciências. No entanto, seria esse o método adequado? Será mesmo que toda a dinamicidade de uma organização social se reduz á algo puramente técnico?

Murilo Ribeiro da Silva   1º ano de Direito, matutino.

A Filosofia Positiva de Comte



     Auguste Comte, filósofo francês, é considerado criador do positivismo, uma corrente filosófica, política e científica que teria influência em grandes acontecimentos posteriores em relação à seu criador. Sua principal obra é o "Curso de Filosofia Positiva",  no qual ordena as ciências segundo sua complexidade, e tem como um de seus alicerces a Lei dos Três estados.
     Segundo esta lei, a história humana pode ser dividida em três distintos estados, sendo estes o teológico, o metafísico e o positivo. No primeiro, todos os fenômenos seriam explicados a partir da vontade divina. Tal estado é dividido em outros três, o animismo, o  politeísmo e o monoteísmo, cada qual tendo breve variação em relação ao outro. No estado metafísico, a descrença em um Deus faz com que se considere a existência de relações de origem desconhecida dentre as coisas, e os fenômenos são, portanto, explicados por forças misteriosas. Por fim, no estado positivo, todos os acontecimentos devem ter respostas científicas buscadas pela humanidade, e o conhecimento científico seria, desta forma, a única origem do conhecimento verdadeiro.
     A corrente do positivismo, por sua vez, sugere que a sociedade deveria ser organizada de forma que o poder espiritual não tivesse mais tamanha importância, e seu método é marcado principalmente pela importância da observação dos fenômenos. O pensamento positivista chegou ao Brasil e influenciou, por exemplo, o movimento tenentista da década de 1920, e até mesmo o atual lema da bandeira brasileira.
     O pensamento de Comte pode ser considerado, sob a óptica da atualidade, retrógrado em alguns pontos, porém suas ideias contribuíram de forma significativa para o avanço da sociologia, e até hoje tem influência em determinadas correntes científicas. Contudo, é de suma importância que se analise suas obras com olhar crítico, para que se possa colher aquilo que possa contribuir nos dias de hoje, e desprezar concepções que poderiam significar um retrocesso no presente, encontradas também na obra de Comte.

Gabriel Cândido Vendrasco - 1º Ano Direito (diurno)

Diante da Ordem

 
Diante de uma porta há um guarda. Atrás dessa porta há a Ordem. Reza a lenda que aquele que diante da Ordem estiver conhecerá o Progresso. Vem um homem procurando pela Ordem. Um homem condenado à mediocridade da normalidade. Não é mais que alguém e nem menos que ninguém. Um homem, um – artigo indefinido. E esse homem, apesar do esforço, nada consegue do guarda senão um “por enquanto não posso autorizar sua entrada, mas um dia, quem sabe, se no seu lugar permanecer, chegará sua vez”. Um homem, sem muita escolha visto que o guarda era três vezes maior do que ele, não lutou, apenas no seu lugar permaneceu. Passam-se dias que tornam-se meses que tornam-se anos que tornam-se uma vaga ilusão de tempo. Eventualmente há conversas entre um homem e o guarda. Nada profundo. Nada realmente satisfatório.
No começo berrava de fúria e não aceitava essa situação. Com o passar do tempo a força foi se perdendo, até sobrar somente a esperança de que um dia, talvez, poderia estar diante da Ordem. Um hoemem, agora fraco e velho, quase não escutou o guarda lhe chamar. O velho aproxima-se do homem de farda e escuta deste que será permitido sua entrada com um porém - “diante da Ordem deve-se fechar os olhos, ajoelhar-se e prender a respiração”. O velho incapaz de relutar aceita tudo sem objeções.
Diante da grande porta o velho se posiciona, ajoelha-se, fecha os olhos e puxa todo ar que seus atrofiados pulmões podem suportar. O guarda abre a porta e diz ao velho que siga em frente. O velho praticamente arrasta-se para dentro da sala. Nas suas costas ouve o ranger da porta sendo fechada. Sentia-se perdido. Estava perdido. O ar já precisava ser trocado, os olhos pediam por luz e os joelhos não aguentavam mais suportar o peso de todo o corpo. No desespero abre os olhos e nada ve na sala, puxa o ar e nada vem a seus pulmões, tenta levantar e as velhas pernas já não respondem. Estava diante da Ordem, mas a sua natureza era caótica. Estava morto.

- Pedro Guilherme Tolvo, direito noturno