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sexta-feira, 15 de abril de 2016

NegrAção


Tição
Neguinho
Pixaim
De cor
De raça
Gorila
Mulata
Negão
Sarara
Crioulo
Preto
Macaco
Um neguinho safado,
Um qualquer,
Só mais um José,
Só mais um Silva,
No morro e na vida.
Pisado, cuspido, maltratado.
Separado, mas iguais.
Um abismo que separa.
Um muro que que separa.
A melanina que estratifica.
Só um choro mudo que fica,
Que não sai,
Mas se limpa e vai.
Vai pra frente, pra sempre.
Não vai, não passa.
Barrado.
“Aqui não tem seu número”
“Isso não é pra você”
“Você infelizmente não está nos padrões da empresa”
E o vingador é lento, mas muito bem intencionado.
Enquanto isso vai deixando todo mundo preto
E do cabelo esticado.
Mas no morro e no centro todos têm a mesma oportunidade.
É só se esforçar que consegue.
É só pegar três horas de condução.
Estudar.
Trabalhar.
Voltar.
Andar.
Mais três horas.
Quão fácil é vencer o morro.
E esquecidos.
E esquecidos.
Mas o negro, o preto, o pixaim
Põe a cabeça no travesseiro e sonha
Com mundos que não doam tanto,
Que não julguem tanto,
E por fim sorri e canta:
- A Carne mais barata do mercado é a carne negra!
A carne negra.
Negra.
Carne igual.
- Senhor Deus dos desgraçados, dizei-me vós, Senhor Deus
Se é loucura... se é verdade
Tanto horror perante os céus...
Ó mar! Por que não te apagas?

Apagou, o negro dormiu. 

José Eduardo Adami - 1º Direito (noturno)

Racionalização social

Augusto Comte estabeleceu diversas concepções a respeito dos fenômenos sociais. Como viveu em um período de efervescência no campo das ciências, foi inevitável a filiação de Conte á essas formas de explicar o mundo em sua complexidade.
Comte defende a ideia de que não é necessária a compreensão das origens dos fatos e nem mesmo os seus fins, mas sim, suas relações com os seres humanos, o que confere toda a dinamicidade das relações dos corpos entre si.
Nesse sentido, esse filósofo incorpora o estudo da sociologia às ciências naturais, ao mesmo tempo em que, reduz os fatos sociais para algo concreto, observável. Outro ponto a destacar é que, Comte parte do pressuposto que a sociedade, com todos os seus ordenamentos, exercem forte influência no desenvolvimento dos indivíduos, o que agrega um forte teor determinista.
Vale ressaltar que ao defender um processo metodológico puramente técnico e mecânico das explicações dos fenômenos sociais, Augusto Comte se aproxima dos pensamentos de René Descartes E Francis Bacon.

Portanto, para compreender todas as leis que regem os comportamentos humanos, Comte se utiliza, principalmente do uso da razão, colocando todas as interconexões de uma sociedade a luz das ciências. No entanto, seria esse o método adequado? Será mesmo que toda a dinamicidade de uma organização social se reduz á algo puramente técnico?

Murilo Ribeiro da Silva   1º ano de Direito, matutino.

A Filosofia Positiva de Comte



     Auguste Comte, filósofo francês, é considerado criador do positivismo, uma corrente filosófica, política e científica que teria influência em grandes acontecimentos posteriores em relação à seu criador. Sua principal obra é o "Curso de Filosofia Positiva",  no qual ordena as ciências segundo sua complexidade, e tem como um de seus alicerces a Lei dos Três estados.
     Segundo esta lei, a história humana pode ser dividida em três distintos estados, sendo estes o teológico, o metafísico e o positivo. No primeiro, todos os fenômenos seriam explicados a partir da vontade divina. Tal estado é dividido em outros três, o animismo, o  politeísmo e o monoteísmo, cada qual tendo breve variação em relação ao outro. No estado metafísico, a descrença em um Deus faz com que se considere a existência de relações de origem desconhecida dentre as coisas, e os fenômenos são, portanto, explicados por forças misteriosas. Por fim, no estado positivo, todos os acontecimentos devem ter respostas científicas buscadas pela humanidade, e o conhecimento científico seria, desta forma, a única origem do conhecimento verdadeiro.
     A corrente do positivismo, por sua vez, sugere que a sociedade deveria ser organizada de forma que o poder espiritual não tivesse mais tamanha importância, e seu método é marcado principalmente pela importância da observação dos fenômenos. O pensamento positivista chegou ao Brasil e influenciou, por exemplo, o movimento tenentista da década de 1920, e até mesmo o atual lema da bandeira brasileira.
     O pensamento de Comte pode ser considerado, sob a óptica da atualidade, retrógrado em alguns pontos, porém suas ideias contribuíram de forma significativa para o avanço da sociologia, e até hoje tem influência em determinadas correntes científicas. Contudo, é de suma importância que se analise suas obras com olhar crítico, para que se possa colher aquilo que possa contribuir nos dias de hoje, e desprezar concepções que poderiam significar um retrocesso no presente, encontradas também na obra de Comte.

Gabriel Cândido Vendrasco - 1º Ano Direito (diurno)

Diante da Ordem

 
Diante de uma porta há um guarda. Atrás dessa porta há a Ordem. Reza a lenda que aquele que diante da Ordem estiver conhecerá o Progresso. Vem um homem procurando pela Ordem. Um homem condenado à mediocridade da normalidade. Não é mais que alguém e nem menos que ninguém. Um homem, um – artigo indefinido. E esse homem, apesar do esforço, nada consegue do guarda senão um “por enquanto não posso autorizar sua entrada, mas um dia, quem sabe, se no seu lugar permanecer, chegará sua vez”. Um homem, sem muita escolha visto que o guarda era três vezes maior do que ele, não lutou, apenas no seu lugar permaneceu. Passam-se dias que tornam-se meses que tornam-se anos que tornam-se uma vaga ilusão de tempo. Eventualmente há conversas entre um homem e o guarda. Nada profundo. Nada realmente satisfatório.
No começo berrava de fúria e não aceitava essa situação. Com o passar do tempo a força foi se perdendo, até sobrar somente a esperança de que um dia, talvez, poderia estar diante da Ordem. Um hoemem, agora fraco e velho, quase não escutou o guarda lhe chamar. O velho aproxima-se do homem de farda e escuta deste que será permitido sua entrada com um porém - “diante da Ordem deve-se fechar os olhos, ajoelhar-se e prender a respiração”. O velho incapaz de relutar aceita tudo sem objeções.
Diante da grande porta o velho se posiciona, ajoelha-se, fecha os olhos e puxa todo ar que seus atrofiados pulmões podem suportar. O guarda abre a porta e diz ao velho que siga em frente. O velho praticamente arrasta-se para dentro da sala. Nas suas costas ouve o ranger da porta sendo fechada. Sentia-se perdido. Estava perdido. O ar já precisava ser trocado, os olhos pediam por luz e os joelhos não aguentavam mais suportar o peso de todo o corpo. No desespero abre os olhos e nada ve na sala, puxa o ar e nada vem a seus pulmões, tenta levantar e as velhas pernas já não respondem. Estava diante da Ordem, mas a sua natureza era caótica. Estava morto.

- Pedro Guilherme Tolvo, direito noturno

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Comte e o positivismo

Comte, precursor do positivismo, cita em sua obra três estágios do conhecimento e normas que regem a humanidade. O primeiro estágio é o teológico, o segundo é o metafísico e o terceiro o cientifico. No primeiro, os fenômenos são explicados pela ação dos agentes sobrenaturais, explicando todas as anomalias do universo. O segundo, é personificação dos agentes sobrenaturais, as verdadeiras entidades, e este é a causa de todas as anomalias do universo, e por fim, o terceiro estágio, é o qual o homem renuncia o primeiro e segundo estágio para então, buscar a origem/destino do universo, através da combinação do raciocínio e observação (racionalidade/empirismo), rejeitando o conhecimento absoluto do primeiro e segundo estágio. No terceiro estágio, o que importa é saber são as circunstancias que levam aos fenômenos e não suas causas geradoras, pois sua busca é insolúvel.

O positivismo de Comte, originado na França, chegou ao Brasil no final do século do XIX através de estudantes brasileiros que foram para este país. Com isso, jovens que participaram do movimento tenentista foram influenciados pelo pensamento de Comte e também, de maneira direta, influenciaram o lema da bandeira brasileira “Ordem e Progresso”.

Stella Cácia Bento Schiavom – 1º ano de Direito (noturno).


Relativismo x Universalismo

Auguste Comte, individuo fundador da sociologia e do positivismo, foi um importante filosofo francês, que além de romper com o conhecimento dogmático, teorizou sobre a projeção evolucionista das ciências. Nesse âmbito, surge a teoria dos três estados, na qual o homem sofreria  um processo evolucionista no pensar, passando de um estado teológico para um estado positivo(o qual remete a teoria positivista de Comte), sem contar o estagio transitório, o metafisico. A diferença entre os três estados, segundo Comte, esta na ordem gradual da filosofia de acordo com cada estado , no qual o teológico seria o menos evoluído em comparação ao positivo.  
A analise evolutiva das sociedades e do seu modo de interação e problemática tendo em vista o embate entre o universalismo e o relativismo cultural. Tratando o desenvolvimento humano por uma ótica evolucionista, Comte remete a ideia atualmente conhecida como universalismo cultural, em que a sociedade na qual o filosofo e nativo seria vista como mais evoluída que as outras por basear o pensar na observação e na explicação útil e pontual dos fenômenos. Enquanto isso, a sociedade teológica, a exemplo da indígena, seria considerada inferior por creditar as explicações dos fenômenos a seres sobrenaturais e divindades. Tal analise e equivocada pois hoje a corrente preponderante, em muitos casos, e a relativista, em que todas as sociedades são observadas sem nenhum parâmetro preconcebido.  
Taxar sociedades distintas quanto ao seu grau de evolução e um erro inexorável, tendo em vista que renega a inferioridade o grande patrimônio cultural que as sociedades distintas da convencional(positiva, no caso de Comte) poderiam oferecer a humanidade. 
Ianca Tonin - 1° ano de direito matutino

Entre ônus e bônus

 Augusto Comte elaborou a construção do conhecimento em três estágios, sendo o último o positivo e a meta de todas as sociedades. Porém, o modelo que o filósofo leva em consideração é a sociedade industrial, na qual elementos da ordem e do progresso realizam sua plenitude, sendo esta, portanto, uma visão etnocêntrica, a qual refuta outro tipo de sociedade que não a industrial. Na visão Comteana, portanto, alguns povos nunca chegariam ao êxito positivista, já que passariam até, no máximo, apenas ao segundo estágio. 
Além disso, Comte mostra ter uma visão preconceituosa ao afirmar que o elemento desagregador da sociedade, seria nocivo para a mesma e dessa forma, desacredita muitos fatos como a reinserção social de um ex-presidiário. Por tal razão, muitos governos utilizaram a teoria positivista na América Latina a partir dos anos 50, a fim de reestabelecer a coesão social.
Apesar de o filósofo ter algumas ideias avessas á atualidade, ele contribuiu positivamente ao estabelecer o trabalho como uma maneira de obtenção de dignidade e reconhecimento dentro da sociedade. Ademais, a filosofia positivista também prevê o bem social acima do individual, fornecendo elementos que viriam a formar a 3ª dimensão dos direitos humanos.

Carolina Pelho Junqueira de Barros - Direito Diurno


Ordem, progresso e Comte

O movimento militar que pôs fim ao Império do Brasil e proclamou a República foi fortemente influenciado pela escola de pensamento positivista. O lema da Bandeira Nacional do Brasil, "Ordem e Progresso", remete ao pensamento do francês Augusto Comte, expoente da filosofia positivista.

Influenciado pelas ideias racionalistas de René Descartes e Francis Bacon, Comte desenvolveu uma interpretação científica da sociedade compatível com a ascendente ordem social burguesa. Teórico da "física social", acreditava que o estudo das relações sociais se dava de maneira semelhante às ciências biológicas e exatas. Os movimentos sociais, portanto, seriam bem estudados a partir da observação de fatores biológicos, sistêmicos e normativos. Seu pensamento falha ao ignorar as variáveis do comportamento humano e a complexidade do processo histórico-social.

Comte distinguia a interpretação da sociedade em dois eixos: a estática social e a dinâmica social. A primeira diz respeito à ordem social, às leis e estruturas que impõe a harmonia às relações humanas. A segunda, aos desvios nessa ordem, isto é, as transformações que os movimentos sociais impõe às estruturas, as mudanças da sociedade que conduzem a humanidade ao progresso.

O precursor do pensamento positivista acompanhou os movimentos revolucionários que correram a Europa no ano de 1848. O pensamento comteano se dedicava ao estabelecimento da ordem - o domínio burguês sobre toda a estrutura social. Sua filosofia de legitimação da dominação social influencia correntes ideológicas, movimentos e estruturas políticas até os dias de hoje.

O positivismo de Comte foi e é a filosofia da supressão das insurgências sociais e da manutenção do status quo.

Guilherme da Costa Aguiar Cortez - 1º semestre de Direito (matutino)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Diferentes caminhos para um mesmo fim

  
  Comte, importante filósofo francês deu início a corrente filosófica positivista, na qual baseou sua teoria e toda sua forma de pensar, ver e analisar o mundo a sua volta. Comte buscou, para suas análises uma visão alicerçada pelas exatas, ou seja, propunha que o desenvolvimento social contava com uma racionalidade e que era possível guia-la através apenas do conhecimento científico (para ele, única forma eficaz de se construir um conhecimento verdadeiro) e da observação seguida da aplicação de suas teorias na sociedade em que estava inserido, uma sociedade de extremo descontentamento com o contexto fabril que emergia na França do século XIX.
    Para responder as indagações existentes desde as épocas mais antigas, até atualmente acerca da explicação da natureza e seus mecanismos, Comte defendia a existência de três estágios de compreensão, sendo o primeiro o conhecimento embasado nas explicações e motivações divinas, no qual a natureza era fruto das vontades de uma força maior controladora do meio. Posterior a isso, está o estado metafísico contemplado pela imaginação, estágio intermediário que antecede aquele que segundo Comte viria a ser o estágio ideal de conhecimento: o positivo. Neste último, encontra-se a racionalidade e o empirismo como meio fundamental da obtenção de respostas às indagações propostas e da compreensão social.
    É notável que a existência concomitante desses três estágios analíticos sociais, são conflituosos e isso tem um impacto muito grande no cenário popular atual uma vez que explicações advindas apenas na imaginação humana, com pouca ou nenhuma comprovação científica, causam certa influência negativa na opinião de um grupo, levando-os por um caminho que nem sempre representa de forma correta o alvo das indagações e problemas sociais de um grupo maior.

   (Tawana Alexandre do Prado – 1º ano Direito Noturno).

    

terça-feira, 12 de abril de 2016

Positivismo: controvérsias

O francês Augusto Comte inovou em diversos sentidos a filosofia e sociologia de seu tempo. Dono de ousadia e ambição, chegou a propor até mesmo uma nova religião baseada nas suas ideias.
O Positivismo Comteano buscava reduzir as relações sociais às leis similares as das ciências exatas, ou seja, Comte pretendia sistematizar as sociedades de forma a conferir-lhes certa unidade. No entanto, será mesmo possível exatificar algo tão subjetivo e amplo como a sociedade e suas relações?
           Para Comte, a humanidade percorre três estágios: o teológico, o metafísico e, finalmente, o positivo ou científico. No entanto, apesar de toda a evolução histórica e filosófica, a grande maioria dos grupos sociais continuam se guiando por meio de crenças, religiões e espiritualidade, ou seja, não há separação efetiva dos três estágios, um após o outro, mas a agregação de um novo estágio aos demais já existentes.

            É interessante notar a influência exercida pelo Positivismo Comteano em diversos outros países, inclusive no Brasil. A corrente positivista surgiu em um momento em que muitas nações buscavam algo novo em que se apoiar para buscar soluções para o seu desenvolvimento político, social e econômico e se tornou o lema, por exemplo, do novo Brasil que se formava: o republicano. Foi a solução ideal?
 


Maria Eduarda Tavares da Silveira Léo - 1º ano Direito Diurno

segunda-feira, 11 de abril de 2016

A perda do positivismo

Em meio a um fervilhamento social na Europa, com as Revoluções Liberais e a Revolução Industrial, surge a necessidade de algo que compreendesse tais acontecimentos de forma científica e prática. Augusto Comte propõe a ciência da sociedade, a filosofia positiva, que visa aprender os movimentos e fenômenos sociais, com a interpretação e o conhecimento de uma sociedade real, rompendo com a filosofia que foca na ideia de como a sociedade deveria ser.
            Movidas pelo mercado, as relações sociais estavam alienadas ao trabalho, como algo ontológico, os homens não compreendiam mais o mundo, criando a insatisfação, por exemplo o ludismo. Assim, a física social surge para analisar e agir sobre tais desajustes da sociedade, pois a irracionalidade das pessoas se dava em razão da incapacidade de observar a realidade. O positivismo seria um amadurecimento do espírito humano, no qual somente são reais os fatos que repousam sobre a observação.
           De acordo com o método de que o espírito humano, reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas, renuncia a procurar a origem e o destino do universo, a conhecer a causa mais íntima dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem combinado entre o raciocínio e a observação, suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e similitude; analogamente às Leis de Newton na física. Desta forma, a ciência passaria a conduzir as relações humanas, capaz de dizer o que as coisas são.
            O lema positivista “Ordem e Progresso” presente na bandeira brasileira é explicado pelas leis estática e dinâmica da física social comtiana. A estática diz respeito a condições orgânicas de que dependem determinadas funções: leis, normas e morais que são transmitidas e não mudam. Já a dinâmica é a marcha efetiva do desenvolvimento humano: a manutenção das relações sociais. Ou seja, a ordem pregada pela lei estática é elemento fundamental para o progresso pregado pela lei dinâmica, um retroalimentando o outro.
Sendo assim, a dinamicidade da sociedade que está baseada nesta binaridade tem o trabalho como elemento fundamental, extremamente valorizado na atualidade, tornando-se um trinômio de sinônimos. No entanto, questiona-se até que ponto o labor, na atualidade, é saudável para a mente humana, uma vez que este é empregado de forma corrompida pela mentalidade capitalista da busca incessante do lucro, utilizando da disposição alheia para alcançar seus interesses, sob a égide da mais-valia. O positivismo de ideias progressistas que visava o desenvolvimento perdeu-se em meio à ganância e à ambição humana de dominação.

Henrique Mazzon - Direito Noturno

Crítica ao progresso de Comte

     Para Comte existe uma marcha progressiva que impulsiona o espírito humano ao decorrer da história. Ao dividir tal marca em três fases ( teológica, metafísica e, por fim, positiva ) o filósofo declara ser a última fixa e definitiva. O que, a meu ver, é um completo equívoco. Explico: a 'marcha' da humanidade mostra-se cíclica, e não progressiva como afirma.
       Ébrio pelas luzes do progresso e racionalidade das vésperas da Belle Époque, parece-me que o pensador analisou unicamente a sociedade pós feudal, parece-me que esqueceu que o termo Renascimento remete ao próprio caráter cíclico da humanidade. Talvez tenha sido correto ao estabelecer a sequencialidade específica entre os três estados do espírito humano, entretanto, foi infeliz ao não reconhecer que, ao invés de definitivo, o terceiro estado precede a retomada do primeiro.
        Ao que se parece, é, para os seres de nosso atual tempo, mais fácil a visualização desse fato já que todo o progresso, exaltado por Comte, desde então tem saturado o espírito humano que então volta a buscar por mistificações em seu meio.
         Em comparação à evolução de toda a espécie, o francês observa as etapas da construção de um único indivíduo. Ao notarmos que, é de fácil conhecimento a vida e a história de um homem singular pela efemeridade de sua existência, se torna falha a relação já que até então não se pode afirmar sobre toda a vida da espécie por motivos óbvios, ela ainda está em curso. 
         E mesmo que queira, assim, determinar simbolicamente nascimentos e declínios ao se tratar das sociedades, fica claro que todas elas, ao longo do curso da história, realmente nascem com todo o viés teológico mencionado, mas não se estabelece em infinita racionalidade, Ao contrário, o 'progresso' se torna intragável, em certo ponto, ao espírito do homem, que tende a retornar ao seu estado mítico.


Gustavo Soares Pieroni
Direito Matutino - 1º Ano

"Física" Social?

  Comte é um filósofo positivista, isto é, que acredita no conhecimento científico como único verdadeiro e único capaz de levar a humanidade ao progresso. Em seu "Curso de Filosofia Positiva", ele nos introduz conceitos sobre o verdadeiro modo de se produzir conhecimento, modo este que deve ser usado, inclusive, para entender a sociedade.
  A sociedade, para Comte, deve ser entendida utilizando-se da "física social". A natureza tem suas regras e máximas como a lei da gravidade e a sociedade agiria da mesma forma, sendo assim, seria necessário estudar a sociedade como se estuda as leis da física. Comte busca com isso, se afastar dos pensadores mais antigos, que se utilizavam da metafísica (método primitivo) e trazer a modernidade e o estágio máximo do pensamento.
  Será possível, de fato, entender a sociedade como se entende a gravidade? Comte, que se dizia num estágio mais avançado do pensamento dizia que sim, mas pensadores posteriores à ele discordam. A sociedade não pode ser entendidas a partir de máximas e equações, os seres humanos não são tão simples.
  No filme "O ponto de Mutação", por exemplo, somos introduzidos a uma forma diferente de enxergar a natureza. Diferente da forma como Comte a enxergava. Se é possível entender a própria natureza, que regia o modo de entender a sociedade no positivismo, de novas maneiras, o que dizer da sociedade? A natureza se mostrou mais complexa do que pensávamos e continua a nos surpreender, e o mesmo acontece com a sociedade humana.

Péricles de Freitas Nogueira, 1ºano Direito Diurno

domingo, 10 de abril de 2016

Positividade sintética

August Comte aborda em suas teorias, que deram inicio a consolidação do positivismo, uma indagação que sempre fez parte da existência do ser humano: a necessidade de explicar a natureza. Inicialmente a resposta para essa dúvida se deu por bases teológicas, de acordo com as providencias divinas, que Comte chama de primeiro estágio. Em seguida, ocupando o lugar do segundo estágio, vem a metafisica, guiada principalmente pela imaginação. Por último encontramos o estado ideal, o positivo, no qual é exaltado o caráter racional e empírico elaborado pelo autor. O contexto em que estava inserido simbolizou o laboratório de aplicação e observação da chamada "física social" instituída pelo filósofo. Em meio a expansão da produção fabril, o surgimento de um proletariado insatisfeito e diversos novos problemas sociais, suas teorias são utilizadas na pratica a fim de interpretar a nova sociedade que surgia, para poder entender e então controlar alguns aspectos,tratando-os através da ótica das ciências exatas. Para isso, submete todo tipo de conhecimento aos três estágios elencados acima . Considera também a ordem como base para o progresso, ponto principal de sua teoria.

A física social tenta aplicar os princípios e métodos das ciências exatas à filosofia, como esperança para resolver os problemas do mundo, esperando  resultados científicos fecundos . A partir disso, Comte cria a sociologia. Para ele, dentro dessa nova ciência - a social - o auge do conhecimento se dá apenas por experimentos no estagio positivo. No entanto é possível notar certos problemas ao generalizar as leis invariáveis que, teoricamente, regem a sociedade. O empasse se da no fato de que relações sociais não são exatas como experimentos da natureza.

Ao transpor para o contemporâneo, deve-se ter em mente que a ordem proposta pelo positivismo não se confunde com o status quo nem com uma sociedade estática avessa ao progresso. A ordem são as condições fundamentais da vida social - como bem estar e liberdades de pensamento e expressão - elementos que hoje em dia constituem a ideia de progresso. 

Isabela Rocha, Primeiro semestre de Direito ( noturno ).



sábado, 9 de abril de 2016

Leis influentes, porém generalizantes

Comte, filósofo positivista, acreditava que havia a possibilidade de conseguir propor um planejamento para um desenvolvimento da sociedade através das ciências exatas e biológicas (é importante ressaltar que essa filosofia positiva teve como precursores Descartes e Bacon, no entanto, foi consolidada somente com Comte). O filósofo baseava seus projetos apenas por meio da observação dos fatos e pela experimentação, com o intuito de encontrar uma verdade absoluta, ou seja, a ciência é considerada o único caminho para um conhecimento incontestável. Alem disso, para ele, manter a ordem no mundo era o caminho para o progresso. Todavia, o positivismo é contra qualquer forma de ação violenta que busque tal transformação, pois essa filosofia defende a ideia de que precisamos agir através da demonstração e do convencimento.
Além disso, Comte formulou uma lei a qual se baseava em três estágios, o qual afirmava que o ser humano só atingiria o auge de sua intelectualidade quando chegasse ao último: o primeiro seguia a ideia de que o pensamento do ser humano surge num estado teológico, no qual este usava seres sobrenaturais como responsáveis pelos fenômenos da natureza; o segundo, que é o metafísico, formula as ideias por meio da abstração, sendo um estágio de transição; e, por fim, o estágio mais avançado intelectualmente do ser humano, que é o positivo, o qual busca o conhecimento absoluto por meio da experiência.
Vale ressaltar também que em suas teorias positivistas, em alguns instantes, Comte generaliza determinadas situações, como, por exemplo, o fato de tratar como leis invariáveis as relações sociais.

Analisando a abrangência e a expansão de suas ideias, é possível de se observar o quão Comte foi um filósofo influente na sociedade, tanto brasileira quanto num âmbito global. É explicito isso, por exemplo, a influência das suas ideias na bandeira nacional do Brasil, na qual está “Ordem e Progresso”, como também nas Forças Armadas. 

Gabriel Ferreira dos Santos - 1°ano direito (noturno)

terça-feira, 5 de abril de 2016

Sob a égide do positivismo

Durante a primeira metade do século XIX, na Europa, emergia, pela primeira vez na história, uma ciência da sociedade, conhecida, pluralmente, como física social, filosofia positiva ou, simplesmente, como positivismo. Seu percursor inicial seria um filósofo francês, que, apesar do rótulo de conservador que recebe nos dias de hoje, era considerado, em sua época, como um pensador revolucionário. Trata-se de Auguste Comte.

A linha de raciocínio pregada pelo filósofo dava-se num contexto revolucionário, dentro do qual os ideais científicos ganhavam força. O cenário de exploração fabril e de insatisfação proletária potencializava, de certa forma, a propagação dessa nova ciência, uma vez que seu papel, como um todo, era o de analisar, interpretar e controlar, na medida do possível, a sociedade em questão. Para isso, Comte elenca três estágios através dos quais todo tipo de conhecimento deve passar: primeiro, o estágio teológico, baseado na providência divina; depois, o estágio metafísico, pautado na imaginação; e, finalmente, o estágio positivista.

Nessa direção, o pensamento idealizado por Comte estabelece uma analogia com o paradigma newtoniano da gravidade como fator modelar para a ciência moderna. Segundo ele, o positivismo deveria seguir um padrão, um ordenamento, uma hierarquia, análogos às leis da física; tal medida, por sua vez, deveria conferir maior credibilidade à ideia proposta. Sob esse aspecto, fortifica-se a concepção de ‘‘ordem e progresso’’, ‘‘estática e dinâmica’’: a família, a moral e o Estado, por exemplo, caracterizariam a ordem, imutável, constante, enquanto as condutas, os valores e as normas constituiriam a ação efetiva. Observa-se, diante do exposto, o caráter racional, empírico, cientificista, metodológico e concreto elaborado por Auguste Comte, que, embora tenha surgido há mais de 200 anos, ainda permanece ativo na sociedade atual.



  
Bruno Medinilla de Castilho - 1 ano Direito matutino