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domingo, 20 de março de 2016

Cotas nas universidades públicas: uma reflexão com perspectiva baconiana



Embora a vigência da Lei de Cotas (Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12711.htm) complete cerca de 4 anos e o STF - Supremo Tribunal Federal, em abril de 2012, tenha fixado um novo precedente, considerando constitucionais as cotas nas universidades (http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=278000), ainda subsiste polêmica acerca da reserva de vagas nas universidades públicas para egressos da educação básica pública, pretos, pardos, indígenas, entre outros grupos.

Muitos dos argumentos contrários a esta importante política pública de inclusão social alicerçam-se em mitos construídos no senso comum ou, segundo conceito de Francis Bacon, nos ídolos, que foram definidos como falsas percepções sobre o mundo. Em redes sociais, botequins e até mesmo no meio acadêmico, vocifera-se contra o sistema de reserva de vagas, partindo-se de exemplos isolados de pessoas desfavorecidas que obtiveram sucesso sem a necessidade de proteção estatal específica, alegando-se afronta ao princípio da isonomia e possível comprometimento da qualidade da educação superior brasileira com o ingresso de alunos supostamente menos preparados.

Para refutar a argumentação que considera situações específicas de ascensão social de indivíduos desfavorecidos e não beneficiados por políticas públicas, pode-se evocar o seguinte excerto da obra Novum Organum, do pensador inglês supracitado: “o intelecto humano tem o erro peculiar e perpétuo de mais se mover e excitar pelos eventos afirmativos que pelos negativos, quando deveria rigorosa e sistematicamente atentar para ambos”. Ademais, o referido filósofo afirmava que generalizações calcadas nas sensações e na observação de fatos particulares poderiam ser consideradas abstratas e inúteis. Ora, realmente não é razoável menosprezar a necessidade das ações afirmativas, com base em casos de sucesso, como o do ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa, que é negro e de origem humilde, pois, no Brasil, prepondera a exclusão social, especialmente contra os pretos e pardos, o que pode ser exemplificado com o fato de a população carcerária brasileira constituir-se por 60,8% de negros (dado de 2012, disponível em http://www.seppir.gov.br/central-de-conteudos/noticias/junho/mapa-do-encarceramento-aponta-maioria-da-populacao-carceraria-e-negra-1).

A alegação de afronta ao princípio da isonomia quando da instituição da política de ações afirmativas para ingresso na educação superior pode ser rechaçada pela lição da Professora Carmen Lúcia Antunes Rocha, citada por Barbosa (2003, disponível em www.buscalegis.ufsc.br/revistas/files/anexos/21672-21673-1-PB.pdf): “O conteúdo, de origem bíblica, de tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais na medida em que se desigualam – sempre lembrado como sendo a essência do princípio da igualdade jurídica – encontrou uma nova interpretação no acolhimento jurisprudencial concernente à ação afirmativa. Segundo essa nova interpretação, a desigualdade que se pretende e se necessita impedir para se realizar a igualdade no Direito não pode ser extraída, ou cogitada, apenas no momento em que se tomam as pessoas postas em dada situação submetida ao Direito, senão que se deve atentar para a igualdade jurídica a partir da consideração de toda a dinâmica histórica da sociedade, para que se focalize e se retrate não apenas um instante da vida social, aprisionada estaticamente e desvinculada da realidade histórica de determinado grupo social”.

No tocante à exploração histórica dos negros no Brasil, os quais foram alijados da educação formal, em especial a superior, situação esta que justifica, sim, a implementação de políticas de reserva de vagas nas universidades públicas, recomenda-se a leitura do artigo Movimento Negro e Educação, redigido pelos professores Luiz Alberto Oliveira Gonçalves e Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva (disponível em www.acaoeducativa.org.br/fdh/?p=1719). Esta professora, referência na temática de ações afirmativas, organizou, juntamente com o professor Valter Roberto Silvério, também professor da Universidade Federal de São Carlos, uma coletânea de textos sobre o tema “Educação e ações afirmativas: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica”, que pode ser acessada no seguinte endereço eletrônico: http://www.publicacoes.inep.gov.br/portal/download/260.

Já a infundada preocupação acerca da redução da qualidade da educação superior brasileira com o ingresso dos alunos beneficiados pelas cotas foi refutada por diversos estudos que comprovaram não haver correlação entre baixo desempenho acadêmico e as diversas modalidades de acesso à universidade. Para corroborar tal afirmação, apresenta-se o link para visualização de depoimento do professor Pedro Ferreira Filho, que já foi Coordenador do Vestibular da Universidade Federal de São Carlos e ratifica que improcede a atribuição de diferença de desempenho entre estudantes cotistas e aqueles ingressantes pela modalidade de ampla concorrência: https://www.youtube.com/watch?v=PdZUBk83xTU. Cumpre compartilhar também o artigo do pesquisador da Universidade de Brasília, Jacques Velloso, o qual concluiu que não há “diferenças sistemáticas de rendimento a favor dos não-cotistas, contrariando previsões de críticos do sistema de cotas, no sentido de que este provocaria uma queda no padrão acadêmico da universidade” (http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/240/253).

Por fim, salienta-se a relevância das políticas de ações afirmativas para democratizar o acesso à educação superior, mitigando o contexto de exclusão social evidente no Brasil, bem como para fomentar o desenvolvimento brasileiro no cenário internacional, considerando que, segundo Bacon, conhecimento é poder.


Marcos Paulo Freire - Direito/Noturno

A trajetória e atualidade de Bacon

   O filósofo inglês Francis Bacon foi responsável por desenvolver um novo modo para atingir o conhecimento, modo o qual ficou conhecido como método empírico-indutivo, este utilizava como critério da busca pela verdade a experiência mesclada com um raciocínio que leva à generalização. De acordo com o filósofo, a observação sistêmica da natureza levaria á identificação de uma regularidade no meio, sendo esta submetida a várias análises as quais culminariam em um pensamento generalizado, ou seja, capaz de ser adotado como uma regra comum.
   A necessidade da criação de uma nova forma para alcançar o saber seguro veio da então escassez de um método que não se baseasse unicamente em um empirismo absoluto ou em uma racionalidade exacerbada. Desse modo, Bacon criou um meio-termo entre os dois extremos, dando início a um pensamento científico mais prático.
   De fato, a praticidade foi uma aptidão deveras buscada pelo filósofo em seu novo método, uma vez que ele acreditava que a conhecida filosofia criada na Grécia Antiga não conseguia ser objetiva e prática o suficiente, uma vez que se dedicava, muitas vezes, a especulações gerais, responsáveis por desvirtuar do caminho rumo à sabedoria. Além disso, Bacon destinou uma crítica específica a Aristóteles, visto que acreditava que o pensador grego “submetia a experiência como a uma escrava para conformá-la às suas opiniões”.
   Ademais, Bacon frisou a importância do conhecimento em uma sociedade e reconheceu que seu detentor possuía também o poder, pensamento revelado em uma das suas principais máximas: “Saber é poder”. Tal fato é muito observado na contemporaneidade, dado que é evidente que as nações que apresentam o maior poder e influência são aquelas que possuem um saber mais profundo das diversas áreas do conhecimento. Os Estados Unidos se destaca nessa categoria como a maior potência do planeta e, conseqüentemente, aquela que detém os maiores centros de pesquisa científica do mundo.

   Em suma, a atualidade do pensamento de Bacon é visível nas relações do mundo contemporâneo e seu modo de pensar foi pioneiro no desenvolvimento da metodologia científica, além de influenciar gerações posteriores que visavam a objetividade e a experiência assim como o filósofo inglês.

A razão deriva da experiência

          Para Francis Bacon, não há forma de se obter o conhecimento sem a experimentação. Dessa forma, para se conhecer o mundo, deve-se detalhá-lo e fragmentá-lo ao máximo. Quando a experiência se torna refém razão, surge o que, hoje, é conhecido como senso comum. Nisso consiste a ''antecipação da mente'', tão citada pelo autor. Por isso Bacon criticava a filosofia grega, pois essa não era comprovada pela experiência e, assim, ''sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril em obras.''
          Bacon, assim como Descartes, criticava o conhecimento para contemplação. Para ambos, o pensamento deveria visar a utilidade, ou seja, a mudança do mundo. Com isso, a filosofia tradicional não acarretava no bem estar do homem. Entretanto, Bacon discutia também a ideia divina do conhecimento, isto é, para ele, a verdadeira ciência representava as intenções divinas no mundo. Mas, mesmo assim, era impossível chegar a compreensão de Deus.
          Conclui-se, então, que Bacon possuía um pensamento inovador, ao defender o empírico e criticar qualquer tipo de conhecimento que não derivava da experiência. Nisso, o pensador considerou os pensamentos aristotélicos e julgou-os, já que Aristóteles estabelecia conclusões antes da experimentação.

Mariana Smargiassi, primeiro ano de Direito (diurno)

Interpretação e investigação da natureza humana

O filósofo Francis Bacon, em sua obra "Novo Organum", propõe um método para a compreensão da natureza humana através do exercício da mente e das ideias de modo empírico. A sua crítica central se firma em deixar a razão guiar-se por si mesma. Isso explica a forte crítica de Bacon aos gregos e ao filósofo Aristóteles, pois este acreditava na experiência como forma de comprovar uma ideia já proposta, e Bacon afirma que não há lógica nisso, uma vez que as experiências que devem criar as ideias, e não serem usadas para comprovar ideias já propostas, e a experiência a qual ele se trata é justamente a experiência empírica, aquilo que faz parte da nossa realidade, obras, com alguma utilidade e não apenas algo científico que permaneça no ambito das palavras, pois essas são alicerces pouco confiáveis e precisos. Por razões tais, Bacon afirma que a dialética Aristotélica corrompe as ciências naturais.
Atualmente, vivemos em uma sociedade onde a força já não é mais foco de dominação, mas sim, a razão. Isso é claro quando analisamos a economia e poder de países desenvolvidos e sua relação com as melhores universidades do mundo. Vivemos em uma geração onde "saber é poder", e através do conhecimento, obtém-se poder e dominação, e essa proposta também é possível de analisar na obra.
Bacon, propõe dois métodos da ciência: o cultivo das ciências, que mostra a ideia da filosofia tradicional; e a descoberta científica, que mostra a busca da razão por exploração da experimentação. A primeira é criticada pelo autor, pelo fato dele acreditar que a filosofia tradicional não serve ao bem-estar do homem, pois apresenta alicerces muito frágeis em sua concepção.
O senso comum é formado a partir da antecipação da mente. É relevante como o autor se refere a ele, através das falsas percepções de mundo. Elas podem ser provocadas pela distorção da mente, quando deixamos que os sentidos interfiram na razão; ou quando nos deixamos influenciar pelas relações estabelecidas com a realidade a nossa volta; ou as relações que estabelecemos com associações ao noso redor, ou quando nos deixamos levar por equívocos ou superstições.
O texto mesmo sendo publicado no século XVII se mostra muito atual para a compreensão do comportamento humano, e nas verdades criadas pelo homem para entender a realidade e transformar sentimentos e fatos em razão, o método proposto por Bacon, mostra através de várias percepções diversas diretrizes dessa razão ser obtida e reforça a crítica ao método não experimental, que seria essencial para o conhecimento.

Fernanda da Silva Miguel - 1o ano Direito Noturno

Decifrando o mundo

      O senso comum, que se baseia na antecipação de determinado assunto sem a correta interpretação da verdade, contamina, por se espalhar como a única e certeira explicação e serve de mecanismo de persuasão para determinados grupos que não têm compromisso com a veracidade dos fatos, isso cria inquisições em pleno século XXI, onde para se manter o controle sobre tudo e sobre todos, vale de tudo, inclusive o uso da “fogueira”, representada pela aniquilação e varredura dos direitos assegurados a outra parte, principalmente o de imagem.

       Antes de divulgar determinado assunto, deve-se explorar a realidade, analisá-la profundamente, para então demonstrar o que se constatou, pois não existem verdades de esquerda e nem de direita, nem de gênero, nem de nacionalidade, portanto, a verdade é única e tem como instrumento para decifrá-la: A prática científica.

      A prática científica, seja em qualquer campo do conhecimento humano, deve demonstrar neutralidade, a investigação e não a opinião é a base, pois como dito no parágrafo anterior, não existem múltiplas verdades, porém existem múltiplas opiniões. Nessa esteira, o pragmatismo deve prevalecer, decifrando o mundo pela ciência, que é a orientadora da realidade e não do uso das paixões.

       Enfim, antes de criticar  qualquer informação, positiva ou negativamente, devemos utilizar um “filtro em nossa mente”, buscando a realidade do que aquilo de fato é e não apenas concordar por simplesmente concordar ou discordar por discordar.

Lucas Tadeu de Oliveira Aguiar Pereira- Direito Noturno

Utilidade da Ciência

  Francis Bacon em seu livro "Novo Organum" descreve um método inovador de se obter conhecimento: os sentidos guiando a razão. Nesse sentido, Bacon se mostra um empirista, isto é, alguém que acredita que o conhecimento só pode ser obtido através da experiência sensorial.
  Dito isto, o pensamento de Bacon se difere muito do de Descartes, que descarta os sentidos para a obtenção do verdadeiro conhecimento uma vez que estes nos enganam em diversas situações. Além disso, a máxima de Descartes: "penso, logo existo", indica que apenas o pensamento pode ser realmente comprovado como verdadeiro, e não os sentidos.
  O conflito "razão x experiência", no entanto, é uma das poucas diferenças entre as teorias dos dois pensadores. Como semelhança existe, por exemplo, o fato de ambos pensarem que a ciência deve servir a humanidade, deve ter fins práticos. Tais ideais podem ser considerados predecessores da revolução industrial e perduram, de certa forma, até hoje.
  Pode-se perceber, hoje, que a ciência está subjugada ao capitalismo. É muito difícil produzir ciência quando esta não se adequa aos interesses do capital, quando a ciência produzida não pode ser vendida. Afinal, deveria a ciência realmente ter estes fins práticos e que servem ao homem?
  À ciência que começa sem se preocupar em fins práticos, é dada o nome de "blue sky science", a ciência que tem como incentivo apenas a curiosidade, apenas descobrir "por que o céu é azul". Esse tipo de pesquisa é muito mais difícil de se fazer, pois, como não necessariamente servirá a humanidade ou o capital, não atrai muitos investimentos e nem se torna muito popular. Isso evidencia, claramente, a influência de pensadores de séculos atrás que diziam que o conhecimento, quando não favorece o homem, é inútil.

Péricles de Freitas Nogueira, 1ºano de direito.

Desvalorização precipitada



O filósofo Francis Bacon dedicou sua vida a tentar descobrir as “verdades” do mundo, ou ao menos aproximar-se delas. Para alcançar seu objetivo desenvolveu o método denominado “empírico dedutivo”, estabelecendo que ciência só seria aquilo que pudesse ser comprovado empiricamente.
E com o aumento da valorização da racionalidade nos últimos séculos tendeu-se a só considerar como ciência o que é aprovado por esse método. O que valoriza determinadas áreas do conhecimento em detrimento de outras. As mais valorizadas são as ciências exatas e biológicas, pois diversos de seus estudos poderem ser comprovados pelo método “empírico dedutivo”.
Entretanto existem outras fontes de conhecimento que não podem ser comprovadas por esse método e isso não significa que elas estão incorretas e sim que tentam explicar a realidade sobre outra ótica.
Os conhecimentos populares, aqueles que são transmitidos de geração em geração, estão entre os mais desprestigiados. Já que mesmo existindo relatos de sua eficácia seus efeitos não foram testados em um ambiente controlado e utilizando métodos de pesquisas aceitos pelas comunidades cientificas.
Outra área do conhecimento que recebe menos atenção do que deveria é a das ciências humanas, que envolvem pesquisas voltadas a entender as sociedades e o comportamento humano. Sendo assim inviável testar as hipóteses em laboratório.
Essa hierarquia de prestigio está enraizada no pensamento de diversos grupos, principalmente nas sociedades ocidentais, inclusive no Brasil. Essa discrepância pode ser observada com maior ênfase nas universidades onde determinados cursos conseguem arrecadar maiores investimentos públicos e privados para suas pesquisas, enquanto outros conseguem quantias consideravelmente menores.
O método “empírico dedutivo” de Francis Bacon possui grande importância por impor um rigor cientifico e auxiliar na realização de estudos e de novas descobertas. Porém o método apresenta a deficiência de não conseguir comprovar e por consequência não valorizar todos os diferentes estilos de conhecimento. O que provoca desprestigio e atrapalha o desenvolvimento de certas áreas.
João Pedro Costa Moreira
Aluno primeiro ano Direito noturno UNESP

sábado, 19 de março de 2016

Bacon e a justiça aplicada dentro da realidade social



Francis Bacon, em sua obra “Novo Organum”, defende a experiência como forma de interpretar o mundo. Ao contrário de Aristóteles, para quem a experiência deve ser escrava da razão, Bacon afirma que a experiência é quem guia a razão, buscando deixar de lado o senso comum, o preconceito e ideias falsas e, através da observação permanente, não apenas de um exercício da mente, interpretar o mundo.
                O filósofo inglês critica os gregos ao afirmar que sua filosofia é estéril em obras, não tendo efeito na vida real. A sua crítica à filosofia tradicional é exatamente a de que não serve ao bem – estar do homem. A ciência, em sua visão, deve apresentar utilidade, deve ser um instrumento para a percepção do mundo sem distorções.
O novo método proposto por Bacon seria a cura da mente, na medida em que a construção do conhecimento seria feita com a experiência e a observação como agentes reguladores. Logo, não haveria a antecipação da mente, considerada um “descaminho”.
                Atualmente, em redes sociais, fica claro que muitas pessoas se guiam por ideias e certezas advindas do exercício exclusivo da mente, caindo em senso comum, preconceitos infundados e discurso de ódio. Ao interpretar o mundo a partir de uma lógica racional, mas sem a comprovação empírica corre-se o risco de simplificar a realidade complexa caindo em maniqueísmos.
                No âmbito jurídico é muito importante fazer uma correlação entre a realidade social e a pura teoria jurídica, a fim de se aplicar a equidade. As inovações nas sentenças, levando em conta além do racional e lógico, as experiências do mundo, buscam atingir maior equilíbrio e ser mais coerentes com a realidade.

Vívian Gutierrez Tamaki - 1º ano de Direito - Diurno

Tagarela contemporâneo

     Ultimamente, todos parecem ter um lado e asseguram-se de estarem munidos de argumentos concretos para defende-lo. Baseado em um trecho do livro " Novo Organum" de Francis Bacon, o qual ele critica os pensadores gregos, escrevo sobre o atual panorama de estagiários a cientistas políticos ou mestres em Direito. Para dar início ao meu desenvolvimento, lanço o trecho que me motiva. Bacon escreve: “Os gregos, com efeito, possuem o que é próprio das crianças: estão sempre prontos para tagarelar, mas são incapazes de gerar, pois, a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril de obras".
     É praticamente impossível se alienar sobre os recentes fatos da política brasileira. Independente de qual lado você está, certamente tu tens uma boa noção do que se passa em Brasilia e em Curitiba nos últimos tempos. Longe de mim discorrer sobre esses fatos. Não estamos nos veículos de comunicação tradicionais de mídia. Minha intenção aqui é tratar da "tagarelação" política que se inutiliza por si só.
    O choque de ideias é extremamente necessário. Só há avanços quando existe mais de uma proposta na mesa. Entretanto, ressalto aqui o perigo de discursos carregados de senso comum e falas repetidas. De nada é proveitoso esse tipo de ato, apenas nos faz perder tempo pela leitura e os autores pela escrita. Parafraseando Bacon: Essas mensagens advindas de alguns debates não são capazes de gerar benfeitorias pois são fartas de palavras e estéreis em ideias concretas.
   Sendo assim, concluo minha analise da contemporaneidade com uma ressalva. Minha intenção aqui não é desmoralizar ou deslegitimar debates políticos, muito pelo contrário, creio na importância e na necessidade de tais atos. Apoio, participo e acompanho diversos deles. Apenas escolho e redijo aqui algum pensamento que me abateu durante a leitura do livro de Francis Bacon. Dessa forma, aconselho a continuação dessas argumentações políticas, tomando o cuidado com discursos repetidos, vazios e do senso comum. Aprofundar em temas como esses são essências e compensatórios, afinal, quanto mais profundo se vai em algum tema, mais se sabe, e, como o pensador aqui citado diz, " saber é poder".

Guilherme Araujo - 1* ano - Noturno

Finalidade do Conhecimento

Francis Bacon foi muito importante para nortear os caminhos tomados pela ciência moderna, apesar de não ter sido um cientista de fato. Seu método é que ganhou destaque, como pode-se perceber em seu texto “Novo Organum” Bacon pretendia refutar o método aristotélico vigente, ou seja, todo o modelo filosófico/científico até então. A filosofia de Bacon, a meu ver, fundamenta-se em alguns conceitos mais importantes: empirismo, ídolos, teoria da indução e utilitarismo. Primeiramente, Bacon defendia a experimentação e a prática, opondo-se ao Racionalismo de Descartes, por exemplo. Outro ponto é a questão dos fatores responsáveis pelos erros cometidos no domínio da ciência: os ídolos, que Bacon dividiu em alguns grupos, como as deficiências do próprio espírito humano (raça), educação e pressão dos costumes (caverna), mau uso da linguagem (vida pública) e submissão excessiva às autoridades, como Aristóteles (autoridade). O tópico dos ídolos é um diferencial, pois é evidente que torna-se muito mais fácil a resolução de um problema quando se começa pela raiz do mesmo. O método de Bacon é fundado na teoria da indução: aplicação de hipóteses previamente arquitetadas em situações e não mais criar hipóteses a partir de tais situações, opondo-se a dedução anteriormente praticada. É possível notar que Bacon, na construção de seu método, partiu da crítica ao pensamento aristotélico, que, segundo ele, produzia conhecimentos desprovidos de finalidade, ou seja, não possuíam resultados práticos para a vida do homem. Ao contrário de tal pensamento, ele defendia o utilitarismo. Para ele, “saber é poder” e o conhecimento humano deveria ser utilizado para a melhoria da qualidade de vida do próprio homem. 
Apesar do empirismo verificado, “Novo Organum” se afasta da vertente radical dessa corrente, assim como critica o Racionalismo exagerado.

Maria Eduarda Tavares da Silveira Léo. 1º ano, diurno. 

Bacon na contemporaneidade


Apesar de Francis Bacon ter sido um filósofo do século XVI, suas teorias podem facilmente ser aplicadas na pós-modernidade. 
O preconceito, por exemplo, extremamente presente na sociedade atual, vincula-se ás ideias de ídolos da tribo e ídolos da caverna do autor, Segundo ele, a mente humana pode sofrer distorções, as quais levam a erros podendo interferir no julgamento do individuo. O estranhamento percebido pelas paixões pode alienar a população.Além disso, a maneira como as pessoas são criadas e sua formação também interferem nas suas opiniões. Afinal, se um ser humano é criado em meio a preconceituosos, provavelmente ele também o será.
A aceitação social também deriva das ideias de Bacon. Ela é relacionada aos ídolos do foro. A coerção que existe em uma sociedade deriva da influência que o meio social exerce sobre os indivíduos.

Carolina Pelho Junqueira de Barros - Direito diurno

Não se Deixe Manipular




          Francis Bacon, em sua obra ´´Novo Organum`` tenta dar uma nova visão do mundo, sua natureza e a busca por sua verdade absoluta. Fazendo explicações do seu método de pensamento. E ao descobrir a ciência, para ele, aproximaria-se de Deus.
            A ciência em si não seria para abastecer o ego nem se auto afirmar, o que na sociedade atual é o que mais tem, como um dos precursores capitalismo. O qual, hoje, as indústrias farmacêutica, química, automobilística, entre outras, contratam e expulsam cientistas a todo momento atrás daqueles que sempre estão inovando e trazendo novos resultados e pesquisas e elevarem-se no prestígio.
            Bacon tentou, também, criar um novo método de pensar no mundo como ele é, deixando que as experiências guiem a mente,a qual guiando-se livremente, nos levaria aos erros e falsos ídolos. Assim como as pessoas se prendem à ídolos de suas sociedades com a afirmação deles pela mídia, o que na verdade, não passam de produtos e escravos do sistema. Então, com esse enfoque, e a falta do uso da experiência guiando a mente, leva o povo a alienação, os tornando manipuláveis.
          

              




  Paulo César de Oliveira Borges – 1º ano Direito - Noturno
 É necessário sair do senso comum 

Para que haja uma melhor compreensão da natureza é necessária a realização de um estudo aprofundado sobre ela,segundo o filósofo inglês Francis Bacon, para ele hábitos contemplativos realizados por filósofos como Aristóteles, por exemplo, não são eficazes para uma boa interpretação da natureza que é algo necessário ao homem  para que mesmo possa ter o total domínio sobre ela. 
Ter total poder sobre o mundo exige uma estreita relação com a ciência, mas não a ciência no geral, e sim aquela que utiliza de muitos experimentos para que se possa descobrir tudo o que se desejar, e devido a isso que em sua maioria o homem não tem total poder e conhecimento sobre o mundo, porque a maioria se baseia em um senso comum e nem ao menos se dá ao trabalho de procurar mais afundo sobre as coisas que acredita, que por sua vez foram de certa forma inserida em seu intelecto pela sociedade em que vive e pelas  pessoas ao seu redor, que são os ditos ídolos da caverna. 
Essa é uma situação muito perceptível nos dias atuais em relação aos protestos que estão acontecendo em todo o país contra o governo Dilma, uma grande parte das pessoas que estao presentes nesse protesto não sabem o real motivo do mesmo e nem quais são os princípios dos organizadores dessas manifestações, só estão la por verem que muitas pessoas ao redor do país e muitas pessoas com quem convivem estão presentes nesses protestos, e então indagam dizeres , em repetição as outras pessoas, e nem ao menos param para pensar no que estão falando. 

A obra de Francis Bacon nos mostra que é necessário sempre descobrir coisas novas e não apenas cultivar os saberes antigos, para assim fazer com que o homem esteja no controle, á que para controlar algo é necessário saber tudo, ou quase tudo sobre ele. 
Camila Vita Nardino- primeiro ano direito noturno 

sexta-feira, 18 de março de 2016

Escravos da razão

A obra "Novum Organum" de Francis Bacon difunde uma nova ideia de ciência, fazendo seu uso como instrumento para modificar o mundo. Ao criticá-la como mero exercício mental, ele revela um novo método que propõe a regulação da mente por mecanismos empíricos, sendo então a experiência a principal guia da razão.
Nessa obra, Bacon traz a assertiva de dois métodos científicos que podem ser usados como reflexão para as situações atuais. Essas concepções correspondem ao "cultivo da ciência", denominada como antecipação da mente e a "descoberta científica", pautada como interpretação da natureza. Tais ideias estão ligadas com as informações divulgadas pela mídia e sua intensa difusão, junto a certas opiniões, nas redes sociais.
Através dos veículos de comunicação, são transmitidas notícias, cujas veracidades nem sempre são confirmadas. Tendo sua fonte e conteúdo postos em dúvida, trazem também recortes incompletos que demostram uma certa parcialidade,uma vez que cada rede possui seus próprios interesses. Além disso, as redes sociais estão cercadas por pensamentos que apenas transmitem um senso comum, sem nenhum embasamento e muitas vezes repletos de preconceitos, posições políticas, discursos de ódio e falácias.
A partir disso se instaura a "antecipação da mente", proposta por Francis Bacon. Pela facilidade e rapidez, estabelecemos conclusões precipitadas, sem consultar devidamente a experiência, principal ponto que Bacon criticava na filosofia tradicional. Assim, muitos seguem pensamentos arraigados na internet e na mídia e continuam difundindo preconceitos e opiniões sem embasamento,deixando de lado a descoberta científica e a interpretação da natureza, propostas por Francis Bacon.Com isso, é preciso o cuidado em não transformar as experiências escravas da nossa própria razão.

Gabriela Guesso Pereira
1ºano Direito diurno

Precursor Empirista

Como representado no título, podemos dizer que Francis Bacon foi um dos primeiros - e mais importantes - idealizadores do método empírico. A revolução causada por ele no campo científico é vinculada à nomenclatura de sua grande obra: Novum Organum (Novo Instrumento). Com tal ideologia, Bacon pressupunha um novo instrumento de percepção do mundo - as experiências. Porém, a grande diferença residia na ideia de utilizar a ciência como algo prático, algo criador. Sendo assim, Francis criticava a filosofia contemplativa, sobretudo a grega, dizendo ser esta uma "sabedoria farta em palavras, mas estéril de obras". Bacon pregava que a razão deveria ser escrava da experiência, ou seja: devia-se moldar a mente a partir de experiências, e, nunca, em hipótese alguma, o contrário.
Além deste Utilitarismo declarado, Bacon visava abolir todas as maneiras de "descaminhos" do conhecimento. Para ele, um coxo no caminho certo chega a seu destino antes de um corredor extraviado. São essas extravias que Francis Bacon tenta eliminar. Desse modo, rompeu com ideias baseadas no senso-comum, acabou com misticismos e nomeou as falsas percepções do mundo como "ídolos", referindo-se à idolatria que, muitas vezes, nos afasta do conhecimento real da verdade e do mundo. Havia ídolos da tribo, da caverna, do foro e o teatro. Todos eles, de algum modo, nos ocorriam por meio de determinadas relações, e mostravam-se sempre como ideias falsas, já que para sua criação não fora empreendido nenhum tipo de método experimental científico.
Portanto, é correto afirmar que Francis Bacon, à luz do ano de 1620, propôs uma ciência utilitária, baseada na luta para alcançar a dominação da natureza, influenciando grandes pensadores como Descartes. Bacon promoveu uma profunda mudança que pode ser notada até hoje em nossa ciência contemporânea, totalmente funcional e aplicada, que visa, assim como Francis ensinava, antecipar o acaso e o futuro.

Thales Flausino Alves Ferreira, Direito, 1º ano, matutino

Francis Bacon e a ciência moderna

Francis Bacon, filósofo inglês do século XVI, juntamente a René Descartes foi responsável por estabelecer os preceitos norteadores da ciência moderna. Em sua obra “Novum organum” Bacon determina que a razão, em conjunto com a observação e experiência formam o método científico empírico responsável pela busca e indicação da verdade, sendo esta prática, aplicável diante da realidade e também mutável, mostrando que não há verdade absoluta mas faces decifradas da realidade. O filósofo inglês defende que a ciência deve ser principalmente prática, para que auxilie no desenvolvimento humano, por tanto avanços tecnológicos significariam também avanços ao bem-estar humano, lógica diferente dos filósofos gregos que tinham a filosofia como ciência meramente especulativa, que problematizava a realidade sem, contudo auxilia a chegar em uma forma de melhoramento concreto.
O método empírico deve tentar ser o mais neutro possível tentando se livrar dos ídolos, crenças simplificadas da realidade e não a realidade em si, para que a racionalidade seja imparcial e guiada apenas pela razão. Os ídolos impostos por Bacon se diferenciam em: da tribo, sendo a realidade expressa distorções da própria mente humana devido a paixões e os sentidos; da caverna, interferência da relação estabelecida entre o homem e o mundo que o cerca; do foro, distorção estabelecida diante da relação do individuo com suas associações, sendo que a convivência responsável por criação de convicções; e por último o ídolo do teatro, carga teatral carregada por preceitos místicos como a filosofia grega, alquimia e mesmo astrologia.

Por fim Francis Bacon a partir de seu método cientifico empírico tenta estabelecer a ciência como algo além de prático a vida humana, o mais neutra possível, sem deixar de considerar que como seres integrantes de uma sociedade estamos sujeitos a interferências do senso comum que nos cerca embasados nos ídolos por ele estabelecido. Com a tomada de consciência quanto a existência dessas corrupções da visão humana quanto a realidade, representação real da intenções divinas, se torna possível tentar combate-las para que se atinja a ciência em sua forma precisa.

                                                                                           Júlia Barbosa- 1° ano direito matutino

Análise e interpretação : caminhos para a verdade

Francis Bacon foi um dos notáveis filósofos da ciência moderna. Ao lado de René Descartes, criou métodos para atingir o conhecimento verdadeiro, isto é, a verdade absoluta. A característica mais marcante desse filósofo é sua filiação ao empirismo, ou seja, defendia que a experiência e a observação seriam os fatores primordiais para alcançar a verdade.
Bacon se diferenciou dos filósofos anteriores a ele (Aristóteles e São Tomás de Aquino, por exemplo), ao criticar o caráter especulativo e contemplativo que muitos deles utilizam como métodos para compreender o mundo. Para ele, somente a observação e a experiência teriam espaço nesse processo investigativo, uma vez que as próprias convicções humanas estão recheadas de diversas ‘’falsas verdades’’. Outro ponto a destacar é que, Aristóteles e outros filósofos anteriores a Bacon, utilizavam do método dedutivo para chegar à verdade. Fato esse extremamente criticado por Bacon, pois para ele, a dedução não separa aquilo que é, realmente, verdade, daquilo que são as noções da mente (formuladas, segundo Bacon, pelos ídolos da tribo e da caverna).
Vale lembrar também que, Bacon, além de defender a experiência e a observação como precursores do conhecimento científico, ressalta também, a necessidade do ‘’adestramento mental’’, isto é, o trabalho de se guiar pelos sentidos, sem, porém, considerar suas próprias convicções, chamadas por esse filósofo, como antecipação da mente.

Portanto, nota-se que esse filósofo parte do pressuposto de uma filosofia mais prática, objetiva, afastando-se da subjetividade e quaisquer outros métodos que utilizam apenas da razão em si para o caminho da verdade. Desse modo, a partir da internalização das experiências e observações, juntamente, com a fragmentação das mesmas, para melhor refletir, será possível ter acesso ao conhecimento verdadeiro.

        Murilo Ribeiro da Silva   1°ano Direito, matutino

Viva alguns enganos

Tem aquela história: a burguesia surge como um pequeno novo grupo social, começa a acumular bens e capital além de pouco a pouco influenciar cada vez mais nos valores da humanidade. Consumista, provavelmente, seria a melhor definição para essa sociedade. E, em prol do consumo, tudo é permitido. Se antes, numa religiosidade dominante, eram extremamente reprimidas as diferentes formas de pensar, hoje, o mercado coloca todo mundo como igual enquanto consumidor. Claro que tem grandes diferenças socio-econômicas entre os indivíduos, mas a função dentro do sistema é a mesma para a maioria. Mas não foi sempre assim. Antes a filosofia era exatamente isso - filo sofia (amigo da sabedoria) - ou seja, a busca pelo conhecimento satisfazia-se em si mesma. Após mil e quinhentos e pouquinho surge uma nova ideia devido a uma nova necessidade: de se produzir cada vez mais e de uma forma cada vez mais prática.
Bacon propôs nada mais do que aquilo que a época estava pedindo. Defendeu uma ciência que tenha um fim, que o fazer científico deve ser prático e buscar as verdades. E, para isso, o homem deve-se livrar de seus ídolos. No entanto, ainda é válido pensar uma questão fundamental: o que faz do ser humano o ser humano ?
Muitos dirão a razão, outros a emoção e nunca chegaremos nem perto de uma resposta satisfatoriamente definitiva. E, quando olhamos no fazer científico durante a história humana, em nenhum momento houve uma ciência pura, uma ciência livre de pré-conceitos, uma ciência desumanizada - porque, em suma, uma ciência pura só seria possível sem o homem, afinal, inerente ao homem são os erros, os equívocos e as tendências místicas. Livrar o homem desses ídolos é matá-lo. O que faz o homem pulsar? Não é nem a ciência nem o dinheiro. O homem pulsa por causa de sua necessidade de acreditar em algo e quando acha algo para acreditar faz disso uma verdae, por isso é tão difícil após certa idade abandonar determinadas ideias - aquilo que sabemos é simplesmente tudo que somos e aquilo que sabemos é o que captamos pelos sentidos. Se os sentidos são falhos, captamos informações falsas e ainda acreditamos em ilusões. Mas isso não impediu a produção tecnológica, a evolução dos meios de comunicação e a robotização do mundo. Talvez isso só impeça uma evolução na própria essência de humanidade.

Pedro Guilherme Tolvo

quinta-feira, 17 de março de 2016

                                  Eternas ilusões



 A busca incessante pelo saber é uma constante na humanidade, feita por alguns objetivando poder, evolução,  conhecimento, preenchimento do ego ou do orgulho ou, quiçá, para o progresso da humanidade.Porém, essa procura pela verdade é carregada de subjetividade com a possibilidade de, no final, ser apenas outra ilusão.
  Segundo Bacon, filósofo inglês do século XVII, em sua obra Novum Organum, o órgão humano, o instrumento pensante, é uma ferramenta falha ao se compreender a realidade quando se está carregada de ídolos, ilusões. E um acessório desperdiçado quando preenchido de dogmas o qual não utilizará, racionalmente, o uso da lógica para investigar a realidade circundante.
  Dois, desses quatro ídolos, que comprometem a ciência, segundo Bacon, são: ídolos da tribo, compreende a sociedade, a cultura, na qual os indivíduos nascem e se desenvolvem, pois ela vem carregada de axiologia e dogmas que, muitas vezes, são aceitos sem uma análise e os acomodam nesse micro mundo. Consequentemente, há um atraso no progresso científico. Os ídolos da caverna são os véus particulares que impedem a visão da realidade de cada ser, podendo ser a educação recebida ou a admiração por uma doutrina ou filósofo.
  Nota-se, portanto, um atraso na forma de utilizar a lógica, ainda nos dias de hoje, como forma de investigação e percepção da realidade juntamente com sua compreensão. Os ídolos cerceiam a vida de cada um e se alimentar deles, através das mídias e da internet, é algo muito fácil; as ideias prontas, as informações jogadas, o raciocínio entregue já lapidado transformam o órgão humano em ferrugem e lhe dá uma falsa posição de sabedoria. 
  Apesar desse contexto influenciar a busca do conhecimento e sua aplicação, a fuga para tentar encontrar a verdade sem influências de ídolos torna-se impossível se o homem não conter em seu consciente que, nas palavras de Bacon, "o homem se inclina a ter  como verdade aquilo o que prefere."


Lorena Maria de Lima Melo, aluna do primeiro ano de direito noturno.