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domingo, 29 de maio de 2011

Por que ainda capitalistas?

Engels foi o grande responsável por tornar a obra marxsta mais próxima da realidade, Marx nunca foi um grande pesquisador de campo, já o primeira o fazia com muita facilidade pois mantinha um relacionamento com uma operaria irlandesa tendo, assim, contato direto com a classe operaria.

O filósofo elogia o Iluminismo por romper com o passado, no entanto ressalva que a razão iluminista se converte em racionalidade burguesa, através da quebra de privilégios da nobreza a burguesia cria seus próprios privilégios ( privilégios de mercado e etc.), traindo os valores da revolução francesa, sendo assim, a racionalidade é útil apenas no momento em que surge. A classe burguesa caminha para o seu próprio fim, pois seu sistema impõe uma luta de classes, e esta mais tarde trará o fim do capitalismo.

Para Engels todas as experiências socialistas que foram realizadas até então eram consideradas utópicas, todas fracassaram e foram obras de homens "iluminados”, sem tecnologia suficiente seria impossível o sucesso de alguma dessas experiências.

O socialismo deveria surgir em algum lugar desenvolvido, devido à impossibilidade de "socializar a miséria", isso era especialmente verdade quando levado em conta a precariedade dos meios de produção da época, somente somando o capital e a ciência o socialismo cientifico teria chance de funcionar.

Se o capitalismo cria seu próprio fim e a ciência é o que se necessita para tornar o socialismo possível, num primeiro momento é estranho que depois de todos os avanços tecnológicos da época ainda vivamos no sistema capitalista. Mas, se analisarmos com mais cautela veremos que a própria tecnologia necessária para o socialismo é o que faz com que o capitalismo perdure. A melhora nos meios de produção faz com que o proletariado tenha a impressão de diminuição da exploração, a jornada de trabalho diminui, seu trabalho se torna mais fácil e ainda podem comprar mais aparelhos eletrônicos, lhes dando um falso sentimento de ascensão social.

Desse modo, fugimos da previsão de Engels, que não contava com a inteligência burguesa de "mascarar" a exploração e continuamos a viver na sociedade capitalista.


Burguesia eficiente

Engels nega o Socialismo Utópico de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, pois o considera embasado em situações imaginárias, dificilmente concretizáveis.

Ele, então, propõe o Socialismo Científico que se fundamenta no Materialismo Histórico, ou seja, na investigação das leis do desenvolvimento da história. Sendo assim, Engels acredita que somente as pesquisas históricas permitem a compreensão da realidade e, posteriormente, a formulação de soluções para os problemas sociais, (“É na própria história que estão as respostas para os males de uma época.”).

Ao analisar os fatos históricos, ele chega à conclusão de que, com exceção do estado primitivo, “toda a história era a história da luta de classes”. Dessa forma, Engels afirma que o conflito entre dominantes e dominados (a dialética das classes) movimenta o processo histórico.

Para o teórico, a burguesia, classe dominante, caminharia para a própria destruição, uma vez que, explorando demasiadamente outra classe, promoveria condições para que esta se rebelasse e rompesse a ordem vigente.

Por isso, o Socialismo se estabeleceria naturalmente diante de uma situação de exploração da força de trabalho (mais-valia) associada à precária socialização das riquezas geradas pelo Capitalismo.

Mas se o Socialismo seria um processo inevitável e incontornável, por que ele não se tornou uma realidade mundial?

O desenvolvimento tecnológico e científico pode ser citado com responsável pela não concretização do Socialismo, já que as inovações científicas amenizam a impressão de exploração, na medida em que “suavizam” o processo de produção, isto é, tornam o fardo do trabalho menos pesado.

Além disso, o encantamento que tais inovações provocam nas pessoas também afasta a idéia de revoltas. A acessibilidade desses produtos transmite a sensação de participação no sistema capitalista e, portanto, é outro fator que evita subversões.

De posse desses artifícios, a burguesia conseguiu globalizar seus princípios e vontades, incutindo nas pessoas uma ilusão de pertencer à classe dominante. Dessa forma, o mais humilde dos trabalhadores passou a se identificar mais com o empresário que vê pela televisão (adquirida em vinte e quatro prestações nas Casas Bahia) do que com seu vizinho que passa pelas mesmas necessidades.

Nesse processo de “burguerização artificial” do mundo, a burguesia foi muito eficiente e deu, definitivamente, um pontapé nas previsões de Engels.

Uma nova aurora corrompida

“O iluminismo foi um movimento global, ou seja, filosófico, político, social, econômico e cultural, que defendia o uso da razão como o melhor caminho para se alcançar a liberdade, a autonomia e a emancipação.”

Essa frase mostra de maneira sintética o que foi o movimento iluminista, o qual, para Marx e Engels, seria essencial para a implementação de uma novo sistema, o socialismo. Para eles, o iluminismo constituiu uma ruptura com o passado, uma quebra com os paradigmas convencionais, sobretudo, da religião e de uma tradição européia marcada pelo absolutismo. É o momento no qual a sociedade desperta para observar a si mesma com os olhos da razão, sem os olhos da tradição ou da religião. Porém, se em um primeiro momento essa nova aurora representa uma transformação profunda, da busca da liberdade, logo, ela se converte em uma racionalidade burguesa (de mercado) – ordem que cria seus próprios privilégios de classe.

Essa era a angústia de Engels, pois logo posteriormente à revolução francesa, essa liberdade tão almejada passa a ser restrita a uma só classe (não era uma emancipação real). Por isso, Engels repudia as primeiras evocações de um socialismo preconizado no começo do século XIX (socialismo primitivo). Esse socialismo fazia uma interpretação equivocada da realidade, uma vez que, para eles, seria possível emancipar toda a humanidade das diferenças de classe, como se aquela nova ordem fosse somente um desvio da trajetória humana. Eles pregavam que era preciso despertar a solidariedade ampla natural humana, os seus desejos mais profundos de eliminar todas as diferenças, e assim, reverter esse desvio da ordem burguesa. Isso geraria um modo de produção onde todos cooperariam sem egoísmo, trabalhariam em prol de todos, um complementaria o outro. Entretanto, para Engels, isso era utópico, não poderia realmente acontecer, pois a burguesa nunca abriria mão de tudo que havia conquistado, justamente no momento que começava a transformar de forma tão profunda a realidade.

A crítica a esse socialismo utópico (baseado somente na retórica – uma vez que o proletariado não poderia fazer tudo por si mesmo) ocorre em nome da necessidade da construção de um socialismo científico. Marx e Engels acreditavam que as pessoas não deveriam imaginar uma nova sociedade (metafísica), mas entender a realidade e construir uma proposta científica para o futuro.

Para compreender melhor esse tão criticado socialismo utópico, utiliza-se de dois conhecidos nomes: Saint Simon e Owen. O primeiro fala sobre o conflito entre trabalhadores e ociosos. Ociosos seriam os burgueses, os que viviam de renda, altos funcionários que viviam a sombra do estado. Os trabalhadores eram aqueles que geravam riqueza cumprindo uma função específica na sociedade. Para ele, o governo deveria ser da ciência e da indústria (expressar o mundo econômico), uma vez que os ociosos e os “descamisados” já tinham tido a oportunidade de governar, principalmente na revolução francesa, e mostraram que não conseguiam transformar o mundo, pois não tinham habilidades mínimas de empreendimento. Já Owen se mostra preocupado com o fato de que o capitalismo era produzido pelo esforço de trabalhadores, mas que somente uma minoria possuía acesso a essa produção (burguesia). Para ele, a solução estaria na educação das crianças, o que levaria a emancipação da classe e de cada individuo por si só, fazendo com que todos entendessem as necessidades dessa civilização moderna (esse pensamento foi fundamental para o progresso das leis trabalhistas). Porém, levando em consideração a realidade capitalista isso dificilmente ocorreria, pois as crianças eram assimiladas ao processo de produção ao invés de serem educadas para o futuro.

Por esses motivos, Engels acreditava que tudo isso não passava de mera idealização de homens bem intencionados, mas que não buscavam respaldo na realidade concreta.
Assim, sua proposta seria investigar e interpretar o real, a fim de encontrar a verdade cientifica das coisas. A crítica à metafísica é o ponto essencial de toda a ciência que ele preconiza como materialismo dialético (enxergar a realidade em uma perspectiva muito ampla). A ideia da dialética marxista é buscar as conexões anteriores aos acontecimentos, que fazem chegar ao fragmento atual, à perspectiva final. A luta de classes se extinguiria(assim, o Estado não seria mais necessário já que não há antagonismos), mas não a dialética – essa só se transformaria, passando a ser a luta do homem com suas próprias insuficiências, a luta do homem para gerar um mundo cada vez mais pleno (seria a dialética da prosperidade coletiva).

Toda a riqueza que o capitalismo gera continuamente, não atinge a todos, e assim há a marginalização da mão-de-obra, aumento da miséria e da pobreza.Além disso, a máquina, ao invés de diminuir o trabalho humano, o intensifica sem haver aumento salarial. São essas contradições que resultarão na sua superação. Chega um momento que não é mais possível extorquir o trabalho das pessoas para que esse modo de produção sobreviva (há limites, inclusive ligados à moral). A contradição do capitalismo deve ser analisada cientificamente, devem-se entender as artimanhas desse sistema que consegue explorar até mesmo quando nossos sentidos não percebem (classe social dominante conseguiu, pela primeira vez, realizar uma exploração sutil, sem coerção física).

Nesse ponto, torna-se essencial uma distinção. A dialética de Hegel é diferente da dialética marxista. Para Hegel, na história, há uma seqüência de contradições onde culturas emergem e outras perecem (a história mostra isso), assim a humanidade está em permanente processo de desenvolvimento. Já Marx questionava se esse desenvolvimento estava diretamente ligado à cultura. Para ele, os modos de produção (com seus antagonismos) que perecem e levam às transformações (a cultura seria uma emanação da economia, assim como a política, as mentalidades e as instituições).

Assim, o materialismo dialético teria justamente a função de desvendar as leis do desenvolvimento histórico. As respostas para os males de toda uma época não estariam na concepção das idéias, mas na própria realidade.

A partir do dia em que se conheceram, a obra de Karl Marx e Friedrich Engels converteu-se numa obra comum. Eles foram os primeiros a explicar, nas suas obras científicas, que o socialismo não é uma invenção de sonhadores, mas o objetivo final e o resultado necessário do desenvolvimento das forças produtivas da sociedade capitalista atual.

Determinado ou indeterminado?

Friedrich Engels, em sua obra “Do socialismo utópico ao socialismo científico”, realiza uma análise crítica às transformações econômicas e sociais ao longo da história. Partindo de um elogio ao Iluminismo, enaltece o fato de tudo, agora, perpassar pela razão, eliminando os “preconceitos” existentes. Todavia, com o tempo, o império dessa razão foi apropriado pela burguesia, adaptando as idéias de liberdade e propriedade ao seu restrito universo (liberdade de mercado e propriedade privada).

Diante dessa situação, do incipiente antagonismo surgido (entre burgueses e operários), surgiram também incipientes propostas para solucioná-lo: tratam-se das teorias do socialismo utópico (Saint-Simon, Fourrier e Owen). Essas propostas, por sua vez, eram inviáveis para Engels, já que correspondiam a ideais, e se existiram, não permaneceram.

Assim, com a intensificação das divergências, propõe um socialismo científico embasado na realidade dinâmica. Condena a análise fragmentada, estática, metafísica: esse tipo nega a síntese, a dialética, perdendo a visão do todo – “obcecado pelas árvores, não consegue ver o bosque” (ENGELS,p.7). Nessa linha de raciocínio, então, destaca-se Hegel na defesa do movimento dialético como propulsor da humanidade: tese-antítese-síntese. Exemplificando tal afirmativa, pode-se referir a movimentos contrários ao preconceito a negros, atuando como antítese e, então, obtendo direitos e igualdade na síntese. A ciência jurídica, inclusive, consiste num possível instrumento de antítese ao regulamentar comportamentos ou atos desvinculados da tese, normatizando-os em síntese.

Porém, Friedrich Engels aponta aspecto negativo na teoria hegeliana: o real é a projeção da idéia, da mente. Isso, por conseguinte, levaria a falsas conexões. Dessa forma, o correto seria interpretar as situações de modo materialista, ou seja: as explicações do momento atual encontram-se na própria história, primeiramente altera-se a realidade e depois a consciência, englobando um grande conjunto de fatores. Portanto, investigando-se as lutas sociais no contexto industrial, observa-se a existência de luta de classes ao longo de toda a história.

Sob essa perspectiva, Engels propõe a análise do capitalismo (em que há a luta da burguesia e proletariado). Tal modo de produção (que, como qualquer outro, define os caracteres sociais, políticos, e culturais de um povo) identifica-se pela mais-valia, espécie de exploração do trabalhador (este recebe salário menor em relação ao dinheiro que produz); pela produção social (linha de montagem) e apropriação do produto por parte dos burgueses, caracterizando a base do conflito capitalista. Além disso, ocorre uma “luta darwinista” na competitividade de mercado, bem como uma superabundância de alguns contrapondo-se à miséria de outros. Dessa maneira, conhecendo-se o funcionamento das forças produtivas, pode o socialismo utilizá-la a seu favor. Munidos do referido conhecimento, podem os proletários apropriar-se do Estado. A essa atitude se seguiria o fim das diferenças sociais e, consequentemente, do próprio Estado, assim obsoleto, iniciando-se o comunismo, de livre gestão.

Diante dessas ideias, questiona-se o desinteresse dos proletários, uma vez tomado o poder, de permanecer no exercício do mesmo e permitir a consolidação do comunismo. Vejamos Cuba, os anos dos Castro no poder. A Venezuela, também, em sua proposta de socialismo do século XXI: Chavez há anos no poder, liberdades de expressão retidas, fechamentos de canais de tv, retaliações a opositores: não estaria o Estado (com ideais socialistas) limitando a efetividade dos direitos do homem, tão desejados pela classe em questão? Ademais, seríamos, todos, munidos de bom senso, solidariedade capazes de auto-regular nossas relações sejam elas sociais, econômicas, na ausência de uma liderança ou de alguém que as regulamente? Ainda, a igualdade de salários, de bens não desestimularia o esforço pessoal nas variadas profissões? (Aristóteles, dizia que quando um bem é público, não ocorre um cuidado exemplar do mesmo já que pensam que outrem pode fazê-lo).

Quanto ao capitalismo, por conseguinte, trata-se de um sistema que possui seus desvios sim, entretanto, encontra-se na realidade e em funcionamento, podendo ser aperfeiçoado.
Com isso, portanto, ante o sujeito indeterminado e o determinado, é preferível este último, porém acrescentando certos adjuntos para reformá-lo e humanizá-lo.

Um teste à Lei de Murphy?

Lei de Murphy é um adágio popular da cultura ocidental que afirma: "Se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará" ou "Se há mais de uma maneira de se executar uma tarefa ou trabalho, e se uma dessas maneiras resultar em catástrofe ou em consequências indesejáveis, certamente essa será a maneira escolhida por alguém para executá-la". Ela é comumente citada (ou abreviada) por "Se algo pode dar errado, dará" ou ainda "Se algo pode dar errado, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo a causar o maior estrago possível".


Sabe, essa lei poderia ser classificada, sem perda de sentido, ou desvio de finalidade, ou qualquer outras coisa, por Lei da Humanidade. Parece que para todo lado que caminhamos alguma coisa, alguma coisa muito grande, muito vasta, vai desandar. Ora, olhemos para o desenrolar da história. Estão todos lá, correndo pelos campos, livres ao sabor do vento, quando alguns passam a comungar da brilhante ideia, não estou sendo irônico, de selar um contrato, dito social, para que as chances de alguém sair rolando colina abaixo numa briga feia com outro diminuísse. Tudo bem, tudo muito bem. Bem demais. Porque é então que eles decidem coroar um para liderar, porque assim, óbvio (e agora estou sendo irônico), tudo vai ficar melhor ainda. Não, não vai, e nem é preciso explicar porque. Basta lembrar-se dos pequenos, mínimos, impercebíveis abusos praticados pela nobreza nos anos em que deteve o poder. Nem dá para perceber, não é? O grupo lá do começo parace ter entrado numa fria... que dura até hoje. Penso, Murphy daria para um bom profeta.


Houve uma época, no século XVIII, em que surgiu o Iluminismo. Daí pra frente todo mundo ficou aceso (com o perdão do trocadilho). Uns porque vislumbraram o começo de uma bela mudança, para uma situação mais bela. Outros tremeram porque viriam que a coisa, para eles, iria andar pra trás. Ora, observemos a Revolução Francesa. Quem tinha a ganhar? Terceiro Estado. Quem tinha a perder? Clero e Nobreza. Quem ganhou? Terceiro Estado. Só que... como tem que dar errado alguma coisa, deu. O Terceiro Estado, como se sabe, é composto pelas camadas mais baixas da população, trabalhadores urbanos, camponeses, e por aí vai. Mas também integra a burguesia. Quem ganhou mesmo, foi essa. A Revolução foi feita pelo Terceiro Estado, para o Terceiro Estado, e apesar disso a burguesia tomou o controla da coisa toda. Com a mão direita, usou o resto desse Estado como escudo contra os outros dois, e com a esquerda tentou derrubá-lo. A Revolução teve seus efeitos, ruins ou bons. O grosso da população mesmo, não teve seu intento muito bem realizado.

O senhor Engels deixa muito clara sua opinião sobre essa "criação de privilégios" por parte dos ricos burgueses. Ela lançou-se ao poder e, como detinha a riqueza, passou a controlar os meios de produção. Daí pra frente, quem ditava as regras era ela. Não se deixe de fora que a outra parte do Terceiro Estado incorporou vários direitos, que de fato melhoraram algumas coisas em sua vida. É notável como vem a defender essas pessoas a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Mas, e daí? Quem detém o dinheiro, detém o comando. A burguesia tinha dinheiro, portanto tinha comando. O cenário que se formou todos sabem: os burgueses passaram a controlar a produção, com suas modernas fábricas, o proletariado passou a sustentar a produção, com as suas mãos. Explorados, muito explorados. Capitalismo. E do tipo mais ferrenho. Lei de Murphy.

Eis que então surgem os cavaleiros brancos a galopar em seus corséis. Traduzo, surgem intelectuais com ideias pinceladas em papeis em baixo do braço. Na opinião de Engels, esse intelectuais, os socialistas utópicos" (dentre os quais Saint-Simon, Fourier e Owen), viam o socialismo como verdade a ser revelada por homens "especiais". Se nem Jesus, o Filho de DEUS, conseguiu resolver plenamente algumas das agruras humanas, é mesmo sensato esperar por esses homens especiais? (isso é opinião minha, não de Engels, que fique claro). Sinceramente...
Daí que Engels enxerga sem necessário passar do socialismo utópico para o científico. O "imperativo de situá-lo na realidade". A humanidade está em constante movimento e o faz de acordo com "leis históricas". Assim, de acordo com o materialismo histórico, deve-se buscar a resposta para os problemas de qualquer época não nas ideias, mas na própria história. E a história nos revela a principal das "leis históricas": a luta de classes. Os homens são briguentos.

Depois de fazer uma análise sobre o modo de produção capitalista e a constante luta de classes na história da humanidade, Engels chega à conclusão de que o socialismo será um percurso incontornável na história. É importante observas que a própria burguesia carrega em si mesmo uma gigantesca contradição, que é essencial para se chegar ao socialismo: ela é responsável pelo aprimoramento das forças produtivas. Na verdade, tudo o que se passa no modo de produção capitalista é voltado para o incremento da produção. Daí se chega a um ponto em que existe abundância de produtos para todos, e esses meios de produção podem ser operados coletivamente. Ou seja, todos são atendidos de maneira suficiente e igualitária. Mas como isso ainda não aconteceu, a Lei de Murphy ainda ronda nossas cabeças. Cuidado.



Metafísica vira Materialismo

O ideal capitalista ganhou um impulso com o nascimento do pensamento iluminista, os valores burgueses se difundiram sob o título de aurora da humanidade, no entanto, apesar de contribuir com a sociedade em aspectos como a valorização do racionalismo, o iluminismo fez com que a burguesia carregasse em si os elementos de sua própria destruição ao dominar a classe trabalhadora.
A dominação desenfreada de uma classe por outra causou a indignação de certos pensadores, o que fez com que surgisse um pensamento de igualdade social. O socialismo existente antes de Marx, e criticado por ele, é o socialismo utópico. Esse socialismo consiste numa espécie de ímpeto da alma, na vontade de transformar o mundo e tem suas bases fundadas na metafísica.
Os primeiros pensadores socialistas não fundamentavam suas propostas em bases reais, concretas. É a incapacidade desses pensadores de perceber as contradições do munso real que Engels critica considerando como utopia. Ele prova a verdade de sua afirmação no fracasso das tentativas dos socialistas utópicos de estabelecer esse sistema na época.
Engels acreditava que o socialismo era algo latente na sociedade, que deveria ser aflorado pelo materialismo dialético, gerando uma energia social renovadora, que estimularia uma nova forma de pensar e agir, de caráter revolucionário, que gerasse abundância para todos. O socialismo utópico difere do científico principalmente no sentido de que, apesar de eficaz em suas denúncias, é ineficaz ao moldar um caminho de emancipação.
No entanto, o socialismo de Marx e Engels, o socialismo científico só poderia se dar em uma sociedade na qual o capitalismo já tivesse existido, pois é o capitalismo o responsável por gerar forças produtivas que possibilitem a geração de riqueza a ser distribuída, então, de maneira justa.
Engels caracteriza seu método como um materialismo dialético, no entanto a dialética utilizada por Engels não é a mesma utilizada por Hegel. Hegel analisa a história sob uma interpretação, para Engels, idealista, que projeta a ideia acima de tudo, o que levaria a conexões falsas segundo o socialismo científico. Já ao materialismo caberia desvendar as leis do desenvolvimento histórico, pois a evolução do conhecimento fornece o material para desvendar as análises.

Nesse sentido Engels analisa o que os socialistas científicos consideram como a principal lei histórica: a história da luta de classes, no momento, a luta proletariado-burguesia.

Acreditando que havia exploração do proletariado por parte da burguesia, os socialistas chegaram a estabelecer qual seria o mecanismo de exploração, e chegaram então à mais-valia, um conceito que relacionava a utilização de mão-de-obra operária, gerando certo valor para o burguês, com o pagamento ao proletário de um valor menor que o gerado por ele.
Para os que acreditavam no socialismo científico, o capitalismo deveria ser superado fazendo com que acabasse a contradição referente aos meios de produção, que contavam com uma produção social, dependente de vários operarios, mas com apropriação capitalista, gerando altos lucros apenas para o detentor dos meios de produção. Isso se daria quando o proletário se apoderasse do Estado burguês extinguindo os antagonismos e tornando desnecessária, posteriormente, até mesmo a presença de um Estado. É isso que dá ao marxismo um caráter tão revolucionário e ao mesmo tempo o torna difícil de ser alcançado, ainda mais num mundo onde o capitalismo ainda impera, dominando e regendo a vida das pessoas cada vez mais.

sábado, 28 de maio de 2011

Ó máquina, orai por nós

A obra "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico", de Friedrich Engels, representa um marco para a teoria socialista, pois é nela que o autor estabelece de maneira clara as bases desse sistema político e demonstra a necessidade de se atingir o nível científico situando o socialismo na realidade concreta. O socialismo primitivo é representado por Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, chamados por Engels de "utopistas", pois tomam a razão pensante como ponto de partida , e não as condições históricas, utilizando-se de descrições minuciosas demais para que fossem aplicadas à realidade. Entretanto, os três deram grandes contribuições à ciência do socialismo, não se propondo a emancipar primeiramente uma determinada classe, e sim toda a humanidade.

Mas como, pode-se perguntar, seria possível de fato situar o socialismo na realidade? Para Engels, isso só poderia ser feito através da dialética, em contraposição à metafísica. Assim, seriam levadas em conta todas as conexões, transformações e modificações que conduziram ao estado final das coisas, em suma: tese, antítese e síntese, sequência que constantemente se repete e provoca a negação de uma ordem estabelecida. Disso, o autor conclui que é necessário primeiramente desvendar as leis da história, pois não se pode analisar um fenômeno sem levar em conta seu processo de nascimento. Com o socialismo não pode ser diferente, e a história está cheia de aspectos que devemos analisar antes de formar qualquer conclusão sobre ele. As revoluções de maneira geral, principalmente a Revolução Francesa, apresentam caráter social e são desenvolvidas pela burguesia, que defendia o iluminismo e o triunfo da razão. Entretanto, Engels aponta que esse "triunfo" colocou em evidência os vícios burgueses, e em vez de progresso, o que se viu foram cada vez mais conflitos e as instituições se relevaram tristes decepções, constituindo uma sociedade caótica. Na verdade, essa burguesia que triunfou não representava o todo, e sim uma pequena elite do terceiro estado, que reafirmou seus privilégios com a tomada do poder. O proletariado continuava oprimido e incapaz de realizar mudanças sem ajuda, a qual teria que vir do alto. Engels fala então da necessidade de um novo sistema de ordem social que destruísse as diferenças de classe, baseada essencialmente na disputa entre proletariado e burguesia e no conflito das relações de produção e troca. Para o autor, todas as superestruturas da sociedade são consequências da estrutura econômica, e as mudanças nesta acarretam a luta de classes, oriunda do processo histórico. Assim, o socialismo já estaria latente, esperando apenas que se encontrasse um caminho para alcançá-lo.

Segundo Engels, a mais-valia é a essência da produção capitalista, responsável por produzir o lucro e explorar a classe trabalhadora, pois trata-se da apropriação de trabalho não pago, algo que se acentua com a introdução de máquinas e tecnologias. A produção é, portanto, a base da ordem social, e o capitalismo se traduz no conflito entre as forças produtivas e o modo de produção, pois com a indústria, os produtos passaram a ser uma cadeia de atos sociais, teoricamente devendo ser acessíveis a todos, mas se tornando, em vez disso, propriedade do capitalista. Daí nasce a contradição básica do capitalismo: a superabundância é fonte de miséria, e enquanto se produz uma quantidade de riquezas inimaginável, a desigualdade aumenta e as crises sociais se multiplicam. Assim, não é possível dizer que a introdução de novas tecnologias resulta na melhoria de vida do operário. Tomemos como exemplo a Inglaterra pós-Revoluções Industriais: toda aquela acumulação de capital, que significava progresso e desenvolvimento, só era possível porque o proletariado trabalhava incessantemente em péssimas condições, crianças e mulheres também tendo sua força de trabalho explorada sem que uma parte considerável desse esforço lhes fosse recompensada.

É tudo culpa do capitalismo? Seria muito fácil apenas dizer que sim e condenar todas as suas consequências, mas essa seria uma análise simplória da situação. Não se trata de substituir o capitalismo pelo socialismo, até mesmo porque nenhum desses sistemas é perfeito, o segundo como seus idealizadores o descreveram nunca chegou de fato a existir. Portanto, não, o problema não está no capitalismo e sim na maneira como ele é praticado, colocando as necessidades humanas em segundo plano para focar-se quase que obsessivamente na obtenção de lucro. O capitalismo deixou de ser um instrumento de organização política, social e econômica e passou a exercer um cego comando sobre as pessoas, assim como as máquinas fizeram e talvez ainda façam atualmente. O poema "Ladainha", de Cassiano Ricardo, é uma perfeita ilustração disso. Diz:
"Por que o raciocínio,/os músculos, os ossos?/A automação, ócio dourado./O cérebro eletrônico, o músculo/mecânico/mais fáceis que um sorriso.
Por que o coração?/O de metal não tornará o homem/mais cordial,/dando-lhe um ritmo extra-corporal?
Por que levantar o braço/para colher o fruto?/A máquina o fará por nós./Por que labutar no campo, na cidade?/A máquina o fará por nós./Por que pensar, imaginar?/A máquina o fará por nós./Por que fazer um poema?/A máquina o fará por nós./Por que subir a escada de Jacó?/A máquina o fará por nós.
Ó máquina, orai por nós."
Materialismo histórico-dialético
(quadro hipotético)



Sobre as ruínas do feudalismo a burguesia instituíra um novo modo de produção que perduraria até nossos tempos. Contemporâneo de transformações sociais radicais em decorrência desse novo âmbito, Friedrich Engels em seu livro ' Do socialismo utópico ao socialismo cientifíco' teorizara o socialismo como o passo último da sociedade a ser alcançado de forma inevitável.

Por meio da análise do que chamou materialismo histórico-dialético - e é isso que difere Engels dos teóricos utópicos - ele percebeu que a humanidade invarialvelmente esteve às voltas com diferentes embates de ideias, comportamentos e ideologias os quais seriam o motor essencial das mudanças na História. O que Engels percebeu foi que a Historia por não ser linear carrega consigo elementos que permanecem e que desaparecem naturalmente a medida que vão surgindo novas sínteses.
Assim, de posse dessa análise e vendo as condições a que eram submetidos o proletariado, as crianças e as mulheres, Engels conclui que o socialismo seria o meio natural de romper com as amarras do capitalismo sem medidas da época e com isso a dialética até então conhecida, seria substituída pela dialética da sobrevivência. Resumindo, somente quando o explorado se tornasse tese, é que se alcançaria o socialismo.

Se, entretanto, Engels previu o fim natural da luta de classes, ele não contava com a globalização. O quadro que vivemos hoje, de grandes corporações, do capital especulativo bem como de uma organização maior do Estado - em comparação com a época de Engels - na minha opinião, só me faz pensar numa única fórmula:
Estado + Iniciativa privada + classe operária.
Não há volta. Pensar numa sociedade sem luta de classes, é como querer imaginar algo tão perfeito que sai fora da razão. Ademais, como colocar na cabeça do burguês, empresário que ele deve dispor de parte de seu lucro para pagar melhor seus funcionários? A melhor saída - não a perfeita, porque nenhuma solução conseguirá extinguir as desigualdades, apenas amenizá-las -, é, já que estamos numa sociedade extremamente mercadológica, conciliar políticas públicas, uma menor tributação sobre a produção e o incentivo à pequena e média empresa. Com isso o proletariado também verá melhorias diretamente e indiretamente ligadas ao seu salário.
O desafio é complicado e árduo e por isso requer uma ação conjunta;


Objetivos Escusos

Cumpre, inicialmente, salientar que a ideia primordial da obra — Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico, é a de distinguir o Socialismo Científico — codificado por Karl Marx e o próprio Engels — e o Socialismo Utópico.

Para isso, faz uma reflexão dos antecedentes históricos ao surgimento do socialismo utópico, principalmente, no que tange à subversão do Antigo Regime pela implantação de um governo liberal pela burguesia, através dos ideais iluministas.

Todavia, nota-se que o verdadeiro objetivo dessa classe era o de conquistar o poder político, criando-se inúmeros privilégios. Para isso, faz-se necessária a exploração das classes sociais desfavorecidas. Vale atentar para o fato de que estas foram imprescindíveis para a ascensão política burguesa.

Faz-se mister destacar os pontos fundamentais presentes nos capítulos I, II e III da supracitada obra. No Capítulo I, Engels assinala os méritos das teorias socialistas do passado, principalmente as dos socialistas utópicos, discutindo sobre seus limites e equívocos. Basicamente, os ideais dos socialistas utópicos, entre eles Saint-Simon, Fourier e Owen, baseavam-se na crítica das injustiças e das condições de exploração da sociedade capitalista, propugnando para o fim da exploração do homem pelo homem. Denominados de utópicos por vislumbrarem uma ordem social ideal, não realizável nas condições concretas da época.

No Capítulo II, sintetiza características do método dialético em oposição ao metafísico e da concepção materialista em oposição à idealista. Além disso, a concepção materialista de história permite a análise científica do modo capitalista de produção, o entendimento de como se dá a exploração do trabalho sob esse regime e a demonstração da necessidade e possibilidade de sua superação.

No Capítulo III, analisa as contradições básicas do capitalismo (capital x trabalho, burguesia x proletariado). Ademais, enfatiza-se a revolução proletária como ato que socializa os meios de produção.

Verifica-se que ao contrario dos utópicos, Marx e Engels preocuparam-se em compreender a dinâmica do capitalismo, sendo necessário, para isso, a análise de suas origens, conceitos e contradições. Tal concepção diverge dos ideais utópicos, haja vista que estes objetivavam determinar uma sociedade ideal.

E mais, o socialismo científico acolhe a tese de que o capitalismo, inevitavelmente, será superado, seja pela sua própria dinâmica evolutiva, seja pela conscientização da classe trabalhadora ao entender-se como classe revolucionária.

Vale ressaltar, por fim, que o socialismo seria apenas uma etapa intermediária, porém, necessária, para se alcançar a sociedade comunista, representando, assim, o momento máximo da evolução histórica do homem, marcada pela ausência de divisão de classes sociais, de propriedade privada e do Estado. Isso seria possível a partir, entre outros fatores, da organização da classe trabalhadora.

“Trabalhadores do mundo, uni-vos” ainda é possível?

Engels, o grande responsável por concretizar as ideias de Marx, analisa o socialismo utópico como um conjunto de meras ideias, iluminações de mentes privilegiadas. Já o socialismo científico como uma ciência, que vai além de uma teoria, e foi desenvolvida com o objetivo de esclarecer e conscientizar a sociedade sobre a anarquia que reina na produção e também sobre o antagonismo de classes existente, causado pelo novo sistema de produção, e sobre a grande exploração que a burguesia, dona do capital e dos meios de produção, exerce sobre o proletariado possuidor apenas a sua força de trabalho como meio de sobrevivência.

Acredita-se que, como a luta de classes é o motor para o desenvolvimento da humanidade, é através dela e com a união do proletariado, que essa classe conseguiria acabar com todo antagonismo e anarquia existentes.

A partir de então, essa massa proletariada poderá tomar o controle do maquinário de produção que antes a escravizava, permitindo que a sociedade tome posse das forças produtivas e o Estado possa ser extinto, porque com o fim do antagonismo de classe, o proletariado consegue tomar posse do Poder Executivo e o Estado torna-se um órgão supérfluo.

Portanto, segundo o materialismo dialético, o capitalismo, com a expropriação de tudo que o trabalhador possuía, até mesmo de seu conhecimento, já havia tomado as medidas necessárias para o seu esgotamento e, por isso, já estavam presentes as condições necessárias para a implantação do socialismo através da luta de classes e da ditadura do proletariado. Entretanto, ao fazer tal análise, Marx e Engels, não levaram em conta o poder de desenvolvimento e adaptação do capitalismo aos avanços econômicos, culturais e sociais da humanidade. O que fez o socialismo perder espaço no âmbito mundial e nunca atingir o seu completo desenvolvimento, já que o sistema socialista implantando, em países como Rússia, Cuba e China, não conseguiu chegar ao patamar de isonomia e ausência de Estado como pregava o socialismo científico em sua teoria.

Revolução!

Não há como negar que a burguesia é a fonte de todas as revoluções. Foi ela quem motivou a formação dos Estados modernos, após o feudalismo. As ideias iluministas vieram dela. Foi essa mesma burguesia que gerou o Renascimento (cultural, urbano, comercial). Foi ela que investiu na expansão ultramarina, a fim de explorar novos territórios. Ela fez a Revolução Gloriosa, a Independência americana (os “American Forefathers” eram intelectuais ligados ao Iluminismo, maçons). Revolução Francesa, a mais burguesa de todas. Revoluções Industriais (todas as três). Não há proletário. A revolução sempre vem de uma elite.

Friedrich Engels, em sua obra “Do Socialismo Ultópico ao Socialismo Científico”, comenta esse poder revolucionário. O teórico acusa a burguesia de destruir o privilégio estamental, para criar seus próprios privilégios. Acrescenta que a burguesia, por ser revolucionária, traz em si sua própria antítese. Em meio a abundância do capitalista, há a miséria do proletário. E, para finalizar, Engels comenta que, durante o feudalismo, a produção era de subsistência, satisfazendo à família do servo e do seu senhor feudal. Vê-se, então, que durante o feudalismo (para Engels), por haver a possibilidade de se auto-satisfazer, a família do trabalhador possuia uma maior qualidade de vida. Será?

As revoluções Gloriosa e Francesa entregaram o poder à burguesia. No caso inglês, limitou-se o poder da monarquia, colocando o parlamento (representantes do povo) como orgão máximo. No caso francês, a burguesia derrubou o rei e implantou a república. O estado falido de Luis XVI foi substituído pela França moderna, industrial e democrática. O proletariado inglês jamais se voltou contra o parlamento. A França, quando os sansculottes tomaram o poder, afundou-se em sangue. Privilégios de uma só classe? Não é o que parece. A revolução industrial aumentou a produção, inundando o mercado com produtos diversos. Os salários crescem e os preços caem, medidas para forçar o consumo, apenas para aumentar os lucros do capitalista egoísta? Pouco importa, agora todos podem comprar um colchão que não seja de palha, ter energia elétrica em casa, andar de trem, carro, metrô, avião! Não há como negar, a vida de todos melhorou. É lógico que os donos dos meios de produção enriqueceram muito mais em menos tempo, mas não cresceram sozinhos. A desigualdade aumentou, isso é péssimo. Contudo, pense como vivia um servo durante o feudalismo: alimentação, vestuário, higiene pessoal, lazer. Comia o que a terra concedia; vestia trapos; mal tomava banho ou escovava os dentes (atendia às necessidades utilizando folhas); seu trabalho não tinha horário. Hoje, não importa a época do ano, encontra-se no mercado todo tipo de produto; as roupas de algodão não pinicam; toma-se banho, escovam-se os dentes (e há papel higienico, bidê, ducha...); trabalha-se um período do dia, não tendo que se preocupar a noite com lobos atacando o gado ou a chuva que precisa cair amanhã (basta consultar a meteorologia ou ligar o sistema de irrigação).

A burguesia traz realmente em si a sua antítese? Levará o proletário a se revoltar contra as injustiças e tomar o poder, para criar enfim a sociedade igualitária? Continuarei a lista que estava fazendo no começo deste texto. Revolução Russa, Lênin estudou Direito (em um país de quase total analfabetismo). Revolução Chinesa, Mao Tsé-Tung realizou seus estudos universitários em filosofia e pedagogia (privilégio de poucos na época). Revolução Cubana, Fidel Castro, também formado em Direito, em um país de gigantesca desigualdade. A revolução continua burguesa, de pessoas com dinheiro e formação universitária. O proletário deseja ganhar seu salário ao fim do mês e comprar o seu “sonho de consumo”. A burguesia não traz sua antítese, são apenas alguns burgueses autoritários que o dizem. Friedrich Engels era filho de industriais em Manchester. Karl Marx nunca trabalhou na vida. Engels, em sua obra já aqui citada, diz que o proletário é o único grupo capaz de destruir os privilégios de classe e trazer à sociedade a justiça social. Isso nunca aconteceu. Sempre o povo foi reduzido à massa de manobra. A revolução não proletária. O proletário é conservador, apático, acomodado.

Porém, se a burguesia é revolucionária, o proletário, conservador; o que é a burguesia socialista (que se diz revolucionária)? Fácil, é REACIONÁRIA! Esquisito? Provo. Engels, novamente, diz: “com exceção do Estado primitivo, toda a história era a história da luta de classes, e que as classes sociais em luta entre si eram em todas as épocas” (“Do socialismo utópico ao socialismo científico”, Friedrich Engels). Não bastando, Engels diz que o segundo passo do socialismo é o comunismo, onde o Estado é abolido, por se tornar obsoleto. Isso é lindo, ainda que em toda a história da Rússia ou de qualquer um dos países da antiga URSS, nunca o Estado foi tão presente quanto nos 74 anos (1917-1991) de socialismo. Fato que se repete na China, Cuba, Coréia do Norte. Além de falso, este conceito é um retrocesso ideológico. O Estado foi formado ainda na antiguidade. Todo agrupamento humano possui um líder, não necessariamente que mande, mas responsável por administrar e regular as relações interpessoais. A formação do Estado foi um avanço elementar, na história da humanidade. Destruí-lo é retroceder seis mil anos de evolução das sociedades. Além desta passagem, notam-se os elogios feitos ao feudalismo, que já citamos anteriormente. A produção manual, artesanal, é colocada como superior, mais justa que a produção industrial.

Se me perguntarem, eu sou a favor da revolução. Da Revolução Gloriosa, que criou o parlamento, regulando os poderes da monarquia. Da Revolução Francesa, que destituiu um rei pródigo. Das Revoluções Industriais, desde a máquina a vapor até a robotização atual, melhorando as condições de trabalho, barateando custos e aumentando a produção. Revolucionário é investir na produção de ciência, modernização. Utilizar cada vez mais máquinas, evitando que trabalhadores sejam diminuídos a meros animais, com músculos e sem cérebro. Isso é revolução!

Renovação e Revolução

Friedrich Engels em sua obra "Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico" (1880) expõe racionalmente a diferença entre esses dois tipos de socialismo presentes no titulo. Ao analisar os antecedentes históricos do surgimento do socialismo utópico, Engels parece afirmar que a intenção inicial dos movimentos iluminista e revolucionário burguês de subverter a ordem vigente do Antigo Regime e implantar um governo liberal (onde os valores de liberdade e igualdade seriam normatizados), foi de caráter essencialmente "justo" para os participantes daqueles movimentos. Porém, uma vez no poder, a burguesia logo tendeu ao conservadorismo político (ao praticamente estabelecer uma oligarquia burguesa) e à exploração das classes sociais desfavorecidas, sendo que estas foram essenciais para que as revoluções liberais triunfassem.

Frente a essa "traição" burguesa para com o proletariado, uma vez que a burguesia cria seus próprios privilégios, traz libertação somente a si mesma e estabelece a liberdade de mercado como a mais importante dentre todas; houve o surgimento de ideias sociais de intelectuais notáveis (como Henri de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen), que mais tarde derivariam no socialismo primitivo ou utópico. Engels consegue sintetizar aquelas ideias, explanando seus principais pontos de destaque, as características que aqueles pensadores propunham estarem necessariamente presentes em uma sociedade igualitária e libertária. Todavia, fica claro para Engels que essa vertente socialista é inviável no mundo concreto, não tendo dos próprios autores métodos para a criação dessas sociedades ideais, por isso essas ideias são denominadas como socialismo utópico, pois são fantasias, ilusões.

Engels, então, presume que o socialismo não deve se situar no campo metafísico das ideias, mas sim no âmbito cientifico, portanto, na realidade. Um ponto de extrema importância na construção da ideologia marxista, na qual Engels foi co-fundador com Marx, é o uso da dialética (construção de uma tese com o surgimento de uma antítese, sendo que ambas convergem para uma síntese) para analisar os diversos momentos históricos, tirando dessa investigação as leis da História. O conhecimento dessas leis permitiria encontrar as contradições inerentes ao capitalismo, sistema econômico duramente criticado pelos fundadores do marxismo (já que dentre outras coisas explorava a mais-valia do trabalho proletariado), buscando assim, sua apropriação e substituição pelo sistema socialista. Esse novo sistema finalmente levaria com que os meios de produção fossem de proveito para todos os homens e não apenas de uma classe, trazendo supostamente prosperidade e paz para o mundo (sendo que o Estado se extinguiria, uma vez que não há mais conflitos).

Cabe ressaltar também a existência de uma concepção marxista inovadora em sua época, a da lutas entre classes. Engels e Marx concluem que ao longo da história da humanidade, sempre houve lutas entre classes, sendo que essa luta seria o próprio "motor da História". E que na Idade Contemporânea, a atual, a burguesia e o proletariado estão presentes nessa luta em pólos completamente distintos, respectivamente de acumulação de riqueza e de miséria. Conclui-se que ao utilizar-se do pensamento marxista dialético, Engels (e consequentemente Marx) deu aos homens uma nova opção sistemática econômica a ser seguida. Foram inovadores e brilhantes nesse sentido, apesar de que seus seguidores parecem ter perdido ao longo de suas exaustivas tentativas (e algumas implantações fracassadas) o verdadeiro caminho proposto por esses importantes intelectuais do século XIX.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Coisa, coisamente.


EU, ETIQUETA.
Em minha calça está grudado um nome
Que não é meu de batismo ou de cartório
Um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
Que jamais pus na boca, nessa vida,
Em minha camiseta, a marca de cigarro
Que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produtos
Que nunca experimentei
Mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
De alguma coisa não provada
Por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
Minha gravata e cinto e escova e pente,
Meu copo, minha xícara,
Minha toalha de banho e sabonete,
Meu isso, meu aquilo.
Desde a cabeça ao bico dos sapatos,
São mensagens,
Letras falantes,
Gritos visuais,
Ordens de uso, abuso, reincidências.
Costume, hábito, permência,
Indispensabilidade,
E fazem de mim homem-anúncio itinerante,
Escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É duro andar na moda, ainda que a moda
Seja negar minha identidade,
Trocá-la por mil, açambarcando
Todas as marcas registradas,
Todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
Eu que antes era e me sabia
Tão diverso de outros, tão mim mesmo,
Ser pensante sentinte e solitário
Com outros seres diversos e conscientes
De sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio
Ora vulgar ora bizarro.
Em língua nacional ou em qualquer língua
(Qualquer principalmente.)
E nisto me comparo, tiro glória
De minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
Para anunciar, para vender
Em bares festas praias pérgulas piscinas,
E bem à vista exibo esta etiqueta
Global no corpo que desiste
De ser veste e sandália de uma essência
Tão viva, independente,
Que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
Meu gosto e capacidade de escolher,
Minhas idiossincrasias tão pessoais,
Tão minhas que no rosto se espelhavam
E cada gesto, cada olhar
Cada vinco da roupa
Sou gravado de forma universal,
Saio da estamparia, não de casa,
Da vitrine me tiram, recolocam,
Objeto pulsante mas objeto
Que se oferece como signo dos outros
Objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
De ser não eu, mas artigo industrial,
Peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é Coisa.
Eu sou a Coisa, coisamente.
(Carlos Drummond de Andrade).


“A desvalorização do mundo humano ocorre na razão direta da valorização do mundo das coisas”. Estes são dizeres de Karl Marx, que traçam um paralelo com as questões poeticamente traduzidas por Carlos Drummond de Andrade no famoso poema acima. Ambos retratam a sociedade capitalista. Falam de seu sobrenome: o consumo. Para Marx e Friedrich Engels, que partilha das mesmas ideias do primeiro e as redige, é justamente a composição material, ou seja, a estrutura econômica, a grande determinante da maneira de ser, pensar e agir de uma coletividade. Assim, a lógica capitalista da intensa produção de riquezas aliada e garantida pela exaltação da mercadoria traça a realidade social e compõe a base sobre a qual a coletividade se sustenta. Coletividade esta que pensa, vive e reproduz o consumo intenso, crescente e incessante. Trata-se da disseminação da ideologia burguesa, que promove a falsa consciência: a alienação.
Ao consumir algo o indivíduo se vê parte do todo, tem a falsa idéia de inserção no mundo do capitalismo. E a imposição social passa a depender do que se possui. Em meio a isso, o anseio por mercadorias diversas cresce a tal ponto que os indivíduos se tornam escravos delas. A questão aqui já não é mais a necessidade básica, fundamental, o valor de troca sobrepõe-se ao de uso. O culto à mercadoria se dá não pelo que verdadeiramente ela é ou possui, mas pelo significado que ela carrega, pela fantasia a que atende. Trate-se do fetiche da mercadoria. E é aí que se dá a reificação do homem, que humaniza a mercadoria e se coisifica. As mercadorias ganham vida própria e os indivíduos passam a viver entorno delas. Assim, coisificados, desumanizados.
E já que, como afirmaram Engels e Marx, a dinâmica econômica se manifesta na dimensão político-jurídica cultural, o resultado disso não é apenas previsível, mas palpável e evidente na sociedade em que vivemos. A precariedade das relações sociais é notável, preocupante e vergonhosa. Valores e princípios que fogem à questão mercadológica são, quando não esquecidos ou postos de lado, colocados em segundo plano. O convívio se pauta nas aparências e cada um volta toda ou maior parte de sua atenção para a busca frenética pelo status, pela imposição social a partir do consumo. O grande vício da atualidade. A solidariedade, a compaixão, a sede de justiça, as noções de certo e errado, a moral, enfim, a humanidade está se deteriorando e se perdendo. Ajudemos a resgatá-la! Para que não sejamos mais coisas e reassumamos nosso título de seres humanos.

De animal a senhor


Iluminismo: século das luzes! A priori, o termo tem conotação virtuosa, mas isso realmente foi confirmado? A “Aurora da Humanidade”, na verdade, foi transformada em fantoche da classe que ascendia rapidamente na época, a burguesia. Friederich Engels, embora elogiasse essa linha de pensamento, criticou-a também de modo negativo. A classe burguesa tinha como princípio criar a sua própria riqueza, mesmo que preciso fosse destruir todos os outros princípios daqueles que a ajudaram a se ascender. Nesse contexto, surgiram pensadores que, em defesa do social, defendiam um pensamento socialista. Esses autores foram considerados, mais tarde, socialistas utópicos, pois acreditavam que a solidariedade era uma característica de natureza humana e assim a implantação do sistema socialista ocorreria de maneira lenta e gradual. Isso eliminaria todas as diferenças e reverteria o desvio da ordem burguesa, a fim de que todos viveriam em cooperação, sem egoísmos. Ou seja, os utópicos estavam longe de captar a verdadeira essência do socialismo. Para Engels, um dos socialistas científicos, era necessário descobrir uma maneira de impor esse novo sistema de ordem social à sociedade, abordá-la e interpretá-la faria com que a “energia revolucionária” fosse liberta.

Engels também critica a metafísica. Para ele, Bacon e Locke criaram um método especulativo, no qual há uma perda de visão do todo. De maneira isolada, criavam algo perene e davam à sociedade. Somente há lugar para antíteses; o correto é o correto, o errado é o errado; não há como debater sobre o que é o real, uma vez que ele é feito da meneira como o vemos. Engels contraria essa teoria metafísica dizendo que somente com a dialética chegamos a uma concepção do que é o universo em sua exatidão. Esse caminho permite a percepção das constantes ações e reações gerais, do positivo e do negativo – que, apesar de todo o seu antagonismo, penetram-se reciprocamente.

Toda via, há diferenças entre a dialética defendida por Engels e a dialética defendida pro Hegel. Hegel foi o primeiro a defender a dialética. Para ele, o mundo é compreendido através da natureza, da história e do seu espírito de transformação e desenvolvimento. Contudo, essa percepção hegeliana era totalmente idealista; ou seja, para ele, a realidade era tudo o que derivava da mente. O racional era o real. Engels afirmava que essa dialética levava a concepções falsas. Afinal, é racional pensar que todo trabalhador explorado pelo capital é contra o capitalismo, mas isso acontece de fato? O materialismo dialético defendido por Engels quer evitar esse erro. As respostas encontram-se na própria história, por isso, Engels sustenta que o socialismo é um “percurso incontornável” da história. O socialismo deriva do capitalismo, pois há a produção de riquezas para todos na sociedade socialista e essa produção deriva do modo de produção capitalista. E, apenas com a revolução, os explorados conseguirão chegar ao sistema socialista.

Descoberta por Marx, a mais-valia é “o segredo da produção capitalista e o principal mecanismo de exploração da classe da trabalhadora”, ou seja, é o que gera o lucro para os empreendedores. Estes não largarão tão cedo o seu tão amado lucro para que formemos uma sociedade igualitária, portanto, somente a revolução conseguirá destituir aquilo que é pregado pelo capitalismo – a produção é social, mas a apropriação não.

Ao contrário, no socialismo o produtor importa mais do que aquilo que produz. O Estado é extinto, a própria sociedade se organiza. O homem, ao entender o socialismo, passa a dominar a natureza e as leis históricas – “sai do reino animal ‘e torna-se’ senhor consciente e efetivo”.
A realização deste ato redimirá o mundo e esta é a missão do proletariado!

A História com Novos Olhos

Engels, em “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, pretende combater o socialismo utópico para desenvolver o científico por meio da efetiva compreensão da sociedade. Primeiro, seria necessário o abandono da limitada concepção de história metafísica, na qual os conceitos são fixos e isolados, sem meio-termo, por derivarem do senso comum. Para exemplificar a deficiência da metafísica, Engels cita o problema da identificação do limite entre a vida e a morte enquanto que, seguindo nosso senso comum, diríamos ser possível, com certeza, dizer se um animal vive ou não. A contribuição de Hegel foi justamente descartar a metafísica e apresentar a história como um processo de transformações, como dialética, mas com uma visão idealista, de acordo com a qual apenas a mente seria real e tudo que fosse racional seria real. Deste modo, no plano das idéias, seria lógico que todo operário fosse contra o sistema capitalista. Porém, nem sempre a ideia corresponde à realidade, pois, muitas vezes, o próprio operário carrega ideais da classe dominante ou por ela incutida - como o mito do trabalho, de acordo com o qual os esforços e a dedicação do trabalhador seriam sempre compensados com o sucesso ou ascensão social, o que não é verdade – sendo dissolvida qualquer intenção de rebelião.

O materialismo que propõem Engels e Marx afirma que a causa das lutas de classe que movem a história é de ordem econômica, exterior a nós, e não filosófica. O modo de produção determinaria, direta ou indiretamente, todas as relações sociais e, assim, também, a superestrutura constituída pelas instituições jurídicas. Do mesmo modo que o feudalismo havia caído por terra com a ascensão da burguesia, para a qual deixavam de ser convenientes as instituições feudais, instaurando-se o capitalismo, este mais tarde, seria sucedido por um novo modo de produção: o socialismo. Este seria resultado de contradições próprias do sistema capitalista: a alienação do produtor de seu produto (que deixara de ser individ Engels, em “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, pretende combater o socialismo utópico para desenvolver o científico por meio da efetiva compreensão da sociedade. Primeiro, seria necessário o abandono da limitada concepção de história metafísica, na qual os conceitos são fixos e isolados, sem meio-termo, por derivarem do senso comum. Para exemplificar a deficiência da metafísica, Engels cita o problema da identificação do limite entre a vida e a morte enquanto que, seguindo nosso senso comum, diríamos ser possível, com certeza, dizer se um animal vive ou não. A contribuição de Hegel foi justamente descartar a metafísica e apresentar a história como um processo de transformações, como dialética, mas com uma visão idealista, de acordo com a qual apenas a mente seria real e tudo que fosse racional seria real. Deste modo, no plano das idéias, seria lógico que todo operário fosse contra o sistema capitalista. Porém, nem sempre a ideia corresponde à realidade, pois, muitas vezes, o próprio operário carrega ideais da classe dominante ou por ela incutida - como o mito do trabalho, de acordo com o qual os esforços e a dedicação do trabalhador seriam sempre compensados com o sucesso ou ascensão social, o que não é verdade – sendo dissolvida qualquer intenção de rebelião.


Olhos capitalistas

Dogmas e superstições já não eram mais capazes de saciar a ânsia humana na busca de explicações e respostas. O Homem, por meio da Razão, se coloca como agente do conhecimento, podendo, assim, chegar à conclusões sem o intermédio do divino. Porém, as luzes irradiadas pelo Iluminismo não conseguiram romper com a injustiça, a opressão, as desigualdades presentes até então. Dessa forma, é possível observar que a razão iluminista se converteu em racionalidade burguesa, que fez do mundo sua "imagem e semelhança", e a liberdade, da qual muitos tinham sede , restrigiu-se à simples liberdade de mercado.

Tem -se, pois, o nascimento do conflito entre burguesia (detentora dos meios de produção) e proletariado ( dono apenas da força de trabalho). A angústia, o medo,a exploração e as desigualdades ainda mais profundas passam a acompanhar os passos do homem moderno. A divisão acentuada do trabalho ( a fim de aumentar a produtividade juntamente com as técnicas empregadas) acaba por fragmentar também a visão acerca da realidade a partir de cada indivíduo, agora simples apêndices das máquinas. " O fio, as telas, os artigos de metal que agora saíam da fábrica eram produto do trabalho coletivo de um grande número de operários, por cujas mãos tinha que passar sucessivamente para sua elaboração. Já ninguém podia dizer: isto foi feito por mim, esse produto é meu", como nos apresenta Engels. A produção é, portanto,social e todos são levados a crer que participam dos benefícios do meio de produção, enquanto são apenas peças movidas pela alienação que sustenta o Capitalismo. E, assim, alicerçado também na mais-valia, o modelo capitalista, e as transformações que este provocou, é analisado minuciosamente por Engels em sua obra com as devidas contribuições de Marx.

Mas qual seria, então, uma alternativa ao modelo capitalista? Como seria esse novo sistema? O Socialismo, com aponta Engels. Entretanto, um Socialismo liberto da utopia, que encontre a resposta para os males presentes não nas ideias, mas na própria História. De que valem os estudos de Saint-Simon e Fourier se não conseguem oferecer resultados práticos? A realidade ao ser analisada e desvendada é capaz de fornecer traços que compõem o esboço para um Socialismo feito Ciência. E ao se apropriar do Estado burguês, o proletariado finda a luta de classes, implantando não só a produção social, mas também a propriedade social. Sem antagonismos, extingue-se, então, o Estado e tem-se a conquista da prosperidade coletiva, como elucida Engels: " é o salto da humanidade do reino da necessidade para o reino da liberdade".

No entanto, ao conhecer o ideal defendido por Engels, uma pergunta é inevitável: seria isso realmente possível? É certo que nossos olhos capitalistas não conseguem, por mais que se esforcem, dar os contornos da realidade ao projeto de Engels, ainda visto sob a sombra da utopia.

"Ele roubava o que eu mais valia e eu não gosto de ladrão..."

Dos socialistas utópicos, Engels já pareceu perceber, não se pode tirar muito no que concerne a meios efetivos de se implantar o socialismo.Contudo, o que temos é a convenção de dividir as ideias socialistas em dois momentos: socialismo utópico e socialismo científico.Embora este, exposto por Engels, baseie suas ideias em uma abrangente análise social, creio não ter força suficiente para sair do plano ideal e ser aplicado de fato.

Não resta dúvidas de que, historicamente, as grandes conquistas e alterações no âmbito social sejam provenientes de lutas de classes em situação de opressão.A mais notável dela, a Revolução Francesa proporcionou à burguesia, anteriormente às margens do poder, visto estar inclusa no Terceiro Estado (na sociedade francesa anterior à Revolução), sua chegada à participação política. A partir daí surgiram as condições para a situação do proletariado descrita por Engels.

É imprudente negar que, de fato, o capitalismo é um sistema suscetível a crises, alicerçadas na grande contradição da superprodução gerar miséria. Em contrapartida, a busca por tecnologias que potencializem o poder produtivo é constante, fator contribuinte para o caráter cíclico dessas crises.

Nesse contexto, é inevitável que a classe trabalhadora encontre-se em posição de reivindicar melhorias em sua condição, mas não exatamente por todas as outras razões citadas por Engels. Por exemplo, a dissociação entre produtores e produção final acabou se tornando um fator, devido à alienação da mão de obra, não tão passível de discussão.Porém, devemos considerar, como Engels o fez, a mais-valia como um aspecto negativo dentro desse sistema: desvaloriza-se o trabalho apenas com o objetivo de maiores lucros.

Para justificar a introdução deste texto, é válido ressaltar que (e podemos observar isso na história) há sempre uma classe que almeja (e consegue) se sobrepor às demais.Os valores de uma revolução socialista até poderiam ser puros no início. Entretanto, quais seriam as garantias que, após a sobreposição do proletariado à burguesia, não surgissem núcleos divergentes de ideias que subverteriam a ordem esperada por Engels?

Creio estar longe o momento em que a sociedade se organize sem contradições de classe. Até lá, científico ou não, o socialismo continuará uma utopia.

Germinar de uma sociedade

Nas últimas semanas a preocupação da aula de sociologia foi explanar conceitos do autor Engels como o socialismo científico, o capitalismo, a mais-valia, a concepção de Estado, o materialismo- dialético etc. Diante desta vastidão de temas, o autor realiza sua abordagem partindo de um elogio ao iluminismo, o qual foi capaz de findar o liame existente entre a sociedade e a religiosidade, o momento contemporâneo de Engels foi exatamante o do despertar da razão. No entanto, esta foi a base da revolução industrial que criou duas classes sociais antípodas, a burguesia e o proletariado que caracterizam o modo de produção capitalista o qual nas palavras do autor possui em si o germe de sua destruição, afinal, uma situação de degradação, de desigualdade incidiria plenamente sobre o proletariado que se rebelaria, tomaria a produção, a distribuiria e reconstruiria uma sociedade justa em que não houvesse exploradores e explorados e também uma sociedade na qual o Estado inexistiria pois a sua matéria, a resolução de conflitos entre as descritas classes antípodas não mais ocorreria. Além dessa idéia várias outras foram formuladas, como as de Saint-Simon, Fourrier e Owen, que eram por demasia utópicas , ideais nas palavras de Engel. Saint –Simon, um filho da grande revolução francesa, preocupou-se em delinear quem pragmatizaria o melhor governo, ele conviveu com o período jacobino e neste pode perceber a inépcia do proletariado, na tese deste autor a política era subjugada pela economia e deveria sobrepujar acordos que permitissem o trabalho de todos os homens; Engels caracterizou Fourier como um grande crítico que empregou,inclusive, sátira nas suas análises, este comentou o discurso retórico da burguesia ao derrubar o absolutismo na revolução, assim como a posição da mulher e também descreveu que o desenvolvimento da humanidade deu-se em estágios, o selvagimso, a barbárie, o patriarcado e a civilização esta coincidindo sobre a chamada sociedade burguesa; Owen foi um inglês que promoveu conquistas reais aos trabalhadores de seu país, em sua empresa a jornada de trabalho era de tempo menor, ele estimulava a educação através por exemplo de jardins de infância e acreditava que isso permitiria maior usufruto dos seus empregados, ele conseguiu que a primeira lei que limitava os trabalhos de mulheres e crianças fosse votada. Retomando a idéia de Engels sobre o socialismo, este deveria derivar de uma análise efetiva da história das sociedades, de uma interpretação ampla, objetiva, o materialismo –dialético visava considerar as minúcias da realidade, desvendar as leis do movimento histórico, somente assim a sociedade explanada anteriormente na qual a produção seria distribuída,sobrepujaria a igualdade e haveria o fim do estado poderia germinar.