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quarta-feira, 13 de março de 2024

Não existência contemporânea

 

Não pesquisamos mais. Não questionamos mais. Não refletimos mais. A era das fake news é imparável, virulenta e arrebatadora- ou não?

A fugacidade das informações, a capacidade de destruição que as redes possuem e a quantidade de informações falsas são elementos que compões a sociedade contemporânea. O caráter manipulador da web torna-nos fatalistas acerca do futuro, dizendo a nós mesmos que a tendência é apenas a piora. No entanto, esse questionamento não é novo- René Descartes consternou-se profundamente sobre a verdadeira realidade e sobre o que é o factual.

A aceitação na sociedade não depende apenas de seu caráter, e isso Descartes disserta: ´´Havia bastante tempo observara que,  no que concerne aos costumes, é às vezes preciso seguir opiniões, que sabemos  serem muito duvidosas, como se não admitissem dúvidas´´; DESCARTES, René. O discurso do método (1637). São Paulo: Nova Cultural,  2000 (Coleção Os Pensadores)  então, obcecado pela verdade toma uma atitude radical até para os dias de hoje, questionando tudo aquilo que deixasse o mínimo de dúvida ou inveracidade- tão questionador que o fez questionar a sua própria existência, visto que, após tantas dúvidas sobre tudo, René elaborou a seguinte proposta: como ele estava duvidando de sua própria existência, e para haver algum questionamento/pensamento era necessário algo que gerasse tal, uma força-motriz para tal questionamento, culminando na emblemática frase:´´ penso logo existo´´, no mesmo livro supracitado.

Apesar do interim de quase 400 anos, muitos não adotaram a postura questionadora do pensador, conferindo aos parlamentares do congresso brasileiro a decisão de minimizar a corrente não questionadora dos grupos de WhatsApp com o Projeto de Lei n° 2630, de 2020, conhecido como PL das Fake News, que está em tramitação no congresso.

Mesmo que não pareça, a desinformação se escala de forma exponencial, de forma que o Brasil padeça com casos indiretamente ou diretamente ligados a tais informações, como por exemplo o surto de Sarampo que desde 2018 o vírus voltou a circular por grupos antivacinas que integraram mais pessoas a comunidade que não imuniza suas crianças, de modo que nos anos de 2018 a 2022 foram confirmados 9.325, 20.901, 8.100, 676 e 44 casos de sarampo, respectivamente.

Não só isso, mas casos políticos que criticam de forma exacerbada o Supremo Tribunal Federal fortalecendo atos antidemocráticos, não só os casos do ataque do 8 de janeiro de 2023 na praça dos três poderes, mas também casos como o ex-deputado Daniel Silveira, que foi preso em 2022 por ameaçar o Estado Democrático de Direito.

Portanto questiono: pensamos e existimos ou dormimos e esmaecemos?

Thiago Dacyszyn Macedo, 1° ano do curso de Direito, Matutino - RA: 241222184

segunda-feira, 11 de março de 2024

Em busca da certeza (em busca da ciência)

A verdade para os gregos e para os escolásticos poderia ser resumida como: a adequação do intelecto à coisa. Assim, compreende-se que tal coisa está presente no imaginário e a sua representação se encontra no mundo, ou seja, se de fato existe uma representação concreta daquilo que está no intelecto, sendo ela perceptível pelos nossos sentidos, essa seria a consideração da verdade.

Com a busca da prioridade da mente, René faz um distanciamento dessa correlação do imaginário com a natureza e se aproxima das questões científicas, aplicando o método científico para não se prender apenas à verdade explícita, mas buscando sempre uma certeza. Porquanto, só se pode ter certeza daquilo que seria provado através do método, dando a entender que o alcance pleno da razão pode ser naturalmente igual a todos os homens, desde que se utilize essa fórmula.

O seu método era composto por sempre manter a dúvida. Nunca considerar algo como verdadeiro ou imutável, evitando a pressa e as informações confusas e obscuras, juntamente com uma análise minuciosa de qualquer situação, a qual pode possuir diversas nuances, sendo cada uma delas relevante para seu entendimento. Por exemplo, qual seria a verdade por trás de uma ideologia? Ou até mesmo, o quão forte seriam as reações químicas em nosso sistema nervoso por trás dessa ideologia?

Diante do cenário contemporâneo, marcado por avanços tecnológicos e mudanças sociais, é intrigante observar como certas ideologias extremistas se manifestam de maneiras inesperadas. Após mais de 400 anos desde a existência do filósofo francês, nos deparamos com notícias de idealizadores partidários da extrema-direita, onde acreditam fielmente que seres vizinhos do planeta terra, - ou de outro sistema solar - poderiam cooperar com o golpe de Estado enquanto acampavam em frente ao QG do exército de suas respectivas cidades.

É crucial, portanto, compreender o que seria uma ideologia diante dessa perspectiva. As ideologias são crenças, sistema de valores e princípios que moldam a maneira de interpretar o mundo de um indivíduo, essa verdade surge da capacidade interpretativa e normativa de interação com a realidade, nunca fundamentada, nunca capaz de se chegar a uma certeza. Sendo ela legítima para justificativas de certos sistemas políticos, econômicos e sociais, podendo mobilizar indivíduos em torno de certas causas.

O coronel (e bolsonarista), Jorge Eduardo Naime, ex-comandante de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, afirmou que bolsonaristas acampados em frente ao quartel-general do Exército em Brasília “viviam em um mundo paralelo”. Indivíduos que estão sempre em busca dos seus ideais que trazem sensações relacionadas ao bem-estar e redução de conflitos internos, promovendo uma coerência e tranquilidade mental sempre relacionadas ao seu eu, deixando de lado a busca por uma certeza e nunca questionando as informações que lhes são apresentadas a todo momento por conta da tecnologia.

Segundo Wright Mills, “Não é apenas de informação que precisam - nesta Idade do Fato, a informação lhes domina com a frequência a atenção e esmaga a capacidade de assimilá-la. [...]”. “[...] O que precisam, e o que sentem precisar, é uma qualidade de espírito que lhes ajude a usar a informação e a desenvolver a razão, a fim de perceber, com lucidez, o que está ocorrendo no mundo e o que pode estar acontecendo dentro deles mesmos.” (p.11).

Sem ao menos a capacidade de discernimento que nos foi apresentada há 400 anos atrás e sem a disposição de encarar as dúvidas que causam o conflito interno de ideias e corroem o caráter desse indivíduo que se vê, idealizador de extraterrestres que cooperam especificamente para um partido político, demonstra um perigo eminente nessa sociedade apocalíptica que nem sequer se desprende do imaginário, mesmo sem tendo encontrar a existência dessas presunções na realidade concreta. 

À luz do exposto, é necessário superar a superstição e preocupar-se com a ciência, que pode ser morosa, mas que traga bons resultados e não se fundamente apenas em verdades rasas. Deve-se buscar pela razão que pode vir da nossa realidade e não da ideologia humana. Para compreender o estado atual da sociedade, é necessária uma compreensão sociológica, ou seja, olhar para a Idade do Fato a fim de buscar pela ciência relacionada ao presente, ao passado e à própria natureza, mas que garante resultados que vão além do bem-estar de um único indivíduo preso às suas convicções. 


‘’... mediante a qual, conhecendo a força e as ações do fogo, da água, do ar, dos astros, dos céus e de todos os outros corpos que nos cercam, tão claramente como conhecemos os vários ofícios de nossos artífices, poderíamos utilizá-los da mesma forma em todos os usos para os quais são próprios, e assim nos tornar como senhores e possuidores da natureza” (DM, p. 34-35) Érica Olivio


domingo, 10 de março de 2024

A imaginação sociológica como forma de entender o racismo na sociedade brasileira contemporânea

    Em "A Imaginação Sociológica", de C. Wright Mills, a utilização do método homônimo oferece a capacidade de ver a partir de outras perspectivas, a fim de compreender o cenário histórico e político vivido e como chegou-se a tal. Dessa forma, pode-se utilizar seus argumentos, feitos em 1959, para embasar a visão de Grada Kilomba ao comentar o racismo em seu livro "Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano".

    A princípio, vale ressaltar que o racismo não é uma perturbação pessoal, e sim uma questão estrutural na sociedade. Grada Kilomba trata do preconceito que sofreu no ambiente acadêmico alemão, sendo vista como intrusa em locais e precisando fazer processos não exigidos de estudantes brancos, porém sua crítica se estende até a sociedade brasileira, dentro e fora da academia, pois, além da necessidade da Lei de Cotas em universidades para garantir a formação de mais pessoas negras, profissionais negros são questionados em suas habilidades e formações, como ocorreu com uma neurologista negra em Sergipe, a qual teve um paciente que exigiu que mostrasse seu número de registro no Conselho Regional de Medicina, mesmo que o dado já estivesse disponível antes da consulta.

    Além disso, é importante destacar como discussões sobre o racismo são tratadas com desdém em vez da devida preocupação. Ao falar sobre situações cotidianas de racismo, pessoas negras se deparam com a ideia de que estão apenas "exagerando" ou que é uma situação exclusivamente pessoal, e que deveria ser tratada como tal. No entanto, a ideia presente no livro de Mills sobre grandes questões estruturais serem reduzidas a problemas a serem tratados individualmente, com o propósito de evitar o questionamento em massa do problema, é comprovada no Brasil com a Lei 14.532/2023, na qual a decisão muito criticada de não comparar injúria racial ao crime de racismo foi finalmente retificada, pois não é possível ofender alguém com base em sua raça sem fazer isso de modo racista, ofendendo a todos com as mesmas características. 

    Logo, é perceptível como o racismo é presente na sociedade brasileira contemporânea. Apesar de avanços realizados em sua punição, é necessário também uma mudança na estrutura da sociedade, ainda construída com base na sociedade escravagista do século XIX.


Beatriz Perussi Marcuzzo, 1º ano - noturno, RA: 241220459

O negacionismo científico e a crise do Método

   "Uma mentira dita mil vezes, torna-se verdade", tal é a célebre frase proferida por Joseph Goebbles, ministro da propaganda na Alemanha nazista. Orientada por uma visão distópica da realidade, um ensaio acerca do dizer permite inferir uma exaltação da inverdade, uma vez que valoriza a opinião desvinculada de ciência como incontestável. Nesse sentido, a sociedade brasileira calcada nos dias atuais tem se apresentado como uma extensão do ilógico e perpetuado a disseminação da opinião anticientífica. 

   Desde a Idade Moderna, a concepção de ciência e a negação das opiniões infundadas já havia se tornado pauta para os filósofos do período. Conforme os preceitos de René Descartes, físico, filósofo e matemático moderno, a verdade incontestável seria proveniente de deduções metafísicas e científicas, alheia do empirismo e das crenças individuais. Foi nesse contexto, que instaurou o Método Científico, em que a partir da observação e da solução das dúvidas seria capaz de atingir um conhecimento verdadeiro, racional e confiável, "Penso, logo existo". Dessa forma, a verdade para Descartes, diferentemente de Goebbles, é alcançada a partir do estudo e da análise racional. 

   No que tange a contemporaneidade, no entanto, a pandemia da Covid-19 que assolou o mundo em 2020, expôs abertamente a crise do intelecto humano e o retrocesso do saber científico. No Brasil, por exemplo, durante o ápice da disseminação do vírus, o país atingiu a menor cobertura vacinal já registrada em duas décadas, fato corroborado pelo aumento do discurso negacionista, uma vez que negava a eficácia da vacina e caminhava na via oposta à científica. Como consequência de tal ato, a condenação da ciência custou a vida de aproximadamente 700.000 brasileiros na pandemia. Assim, denota-se que a negação do método cartesiano e o enaltecimento das "verdades" provenientes de meras opiniões são amplamente prejudiciais tanto na esfera científica quanto na vida em sociedade. 

   Conclui-se, portanto, que a verdade incontestável e racional não está pautada na sua banal repetição como pensava Goebbles, mas na busca por um saber científico. Com efeito, a exaltação do Método Cartesiano é a base para uma sociedade livre de crenças empíricas e doutrinas vãs, à medida que a ciência e a racionalidade já se mostraram os pilares para o progresso social e tecnológico. 

  

                                  Marcela Druzian Melo, 1º ano - noturno, RA: 241223806

O NEGACIONISMO E O ESQUECIMENTO DE DESCARTES

Mergulhada em diversas crises durante seus 500 anos de vida, a nação brasileira possui um grande histórico de caos político, social e econômico. Todavia, sendo motivo de orgulho ao brasileiros que ainda possuem pelo menos um grão de razão em sua consciência, requisito raro na atual conjectura social, o Brasil sempre demonstrou, desde a Revolta da Vacina em 1910, uma exímia aptidão na aplicação de tal imunização ativa, sendo coroado, durante muito tempo, como um dos países com maior cobertura vacinal. 

Como a alegria dos subdesenvolvidas dura pouco, a nação, conforme o passar dos anos, esquecera os ensinamentos de Descartes e fora destronada. Localizado no século XVII, René Descartes, filósofo e matemático francês, tornou-se reconhecido pela frase "Penso, logo existo". Valorizando a dimensão do pensar cientificamente, o filósofo desempenhou grande papel na divulgação do método científico racional, destacando a exímia utilidade da ciência como um elemento voltado para o bem do homem. 

Entretanto, nota-se que significativa parcela do vigente corpo social manifesta crescente deliberada ignorância no que tange aos benefícios da ciência, especialmente a questão vacinal. Preferindo manter-se submersos no mar de suas falsas certezas, os cidadãos tornam-se céticos irracionais, negando a eficácia daquilo que já fora comprovado eficaz, alegando não ver aquilo que é evidente e obedecendo a um messias que, ao invés de trazer-lhes vida e salvação, leva-os ao caminho da morte.

   Nesse sentido, ao negar os ensinamentos de Descartes e projetar seu próprio fim, os indivíduos se valem do pensamento de Thomas Hobbes: "O homem é o lobo do homem".


Emanuel Francisco da Silveira, 1º ano - Matutino, RA: 241220637

sexta-feira, 8 de março de 2024

O RACISMO E A REJEIÇÃO NO MEIO ACADÊMICO

 

Sônia Guimarães é uma física brasileira, mas não uma qualquer. Ela detém o mérito de primeira mulher negra doutora em física no Brasil. Graduada pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e doutora pela Universidade de Manchester, Sônia apresenta uma trajetória de muita luta, mas também de muito mérito e competência. Atualmente, ela atua como docente no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e dá palestras sobre educação por todo o território nacional.

Recentemente, a física revelou, em uma entrevista com Pedro Bial, que seus alunos do ITA não a respeitam e não a reconhecem como professora, o que se dá, principalmente, por sua etnia. A escritora portuguesa Grada Kilomba, na obra Memórias da Plantação: Episódios de Racismo Cotidiano, trata, dentre diversos recortes, da rejeição que as pessoas negras sofrem no meio acadêmico, inclusive trazendo como exemplo o racismo que ela mesma sofreu durante seu doutorado na Alemanha.

Esses episódios de racismo ocorrem por conta da herança escravista do Brasil, em que os negros escravizados não eram sequer reconhecidos como sujeitos de direito. Após a abolição da escravidão, diversas políticas higienistas foram adotadas para expulsar os negros dos centros urbanos, forçando-os para as periferias ­– ou margens, de acordo com o texto de Kilomba. Assim, desde a formação do país, a sociedade branca é acostumada a não conviver com os negros, principalmente em meios de alto prestígio, como o acadêmico.

Por conseguinte, o encontro com um indivíduo negro nas universidades pode causar estranheza a muitos brancos, ainda mais se este ocupar o cargo de docente. Nos piores casos, tal estranheza evolui para rejeição, descredibilização e hostilização, as quais podem se dar de diversas formas. Segundo Kilomba, as principais estratégias adotadas para descredibilizar sujeitos negros no meio acadêmico são ignorar pautas relacionadas à negritude e considerar suas interpretações subjetivas, parciais e demasiadamente emotivas. Ademais, a autora ressalta que essas atitudes, em conjunto com outras ações discriminatórias, têm sempre a finalidade de silenciar as vozes negras e forçá-las de volta às margens. Uma vez que, por conta da herança colonial, tais sujeitos não pertencem aos ambientes de alto prestígio.

Por fim, assim como afirma Grada Kilomba, a postura que deve ser adotada por Sônia Guimarães (e por todas as pessoas negras que desafiam o status quo) é de consciência, resistência e pensamento crítico; procurando sempre lutar para ocupar espaços no centro, alterar a realidade e influenciar outros indivíduos a seguir esse caminho.


Tiago Zanola Ferranti, 1º ano - Matutino, RA: 241221366

terça-feira, 9 de maio de 2023

MATERIALISMO HISTÓRICO E AS RELAÇÕES HUMANAS

Importantes nomes e teóricos da filosofia, Karl Marx e Friedrich Engels, foram responsáveis por desenvolver a tese sobre o materialismo histórico-dialético, a qual diz que as relações sociais – como a religião, arte, moral e ciência – não têm autonomia, mas são estabelecidas a partir do modo e relações de produção. Contrapondo, então, a filosofia idealista de Hegel com abordagem do “socialismo utópico”, dado que não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência.

Essas relações são encontradas no cotidiano e implicam na dinâmica da vida pessoal do indivíduo, como bem exemplificado no livro “a corrosão do caráter” de Richard Sennett. Pois, as demandas do trabalho de Enrico exigem excessivamente do tempo dele e que se adeque a constante mudança do mercado, trazendo instabilidade para a família porque não sabia como passar os valores que considerava ideais, por conta do seu estilo de vida no sistema capitalista:

“Na verdade, para esse casal moderno, o problema é exatamente o contrário: como podem eles evitar que as relações familiares sucumbam ao comportamento a curto prazo, ao espírito de reunião, e acima de tudo à fraqueza da lealdade e do compromisso mútuo que assinalam o moderno local de trabalho? Em lugar dos valores de camaleão da nova economia, a família — como Rico a vê — deve enfatizar, ao contrário, a obrigação formal, a confiança, o compromisso mútuo e o senso de objetivo. Todas essas são virtudes de longo prazo.”

Outra realidade que as relações de produção impactam diretamente é o contrato e forma de trabalho, visto que a CLT está em decadência por muitas empresas que não a utilizam mais. Desse modo, há o crescente número de trabalhos terceirizados sem a segurança de um bom contrato e o aumento de pessoas trabalhando em Uber e aplicativos de delivery, com a máscara do empreendedorismo e autonomia, mas a realidade é a precariedade do serviço e que essa muitas vezes é a única maneira de ter uma fonte de renda.

Portanto, conclui-se que a tese do materialismo histórico está é contemporânea e exerce influência não só no trabalho, mas também nas relações pessoais e fragilizadas dos indivíduos. Traz também a evidência de que o modelo econômico capitalista e a meritocracia são falhos, pois coloca em detrimento os direitos e estende a efemeridade das relações e do tempo.

 

Aline Nunes dos Santos                                                        RA: 231220693

1 ano - Direito noturno

segunda-feira, 8 de maio de 2023

Materialismo histórico-dialético.

 Karl Mark foi um filosofo alemão que nasceu  Tréveris, Prússia em 5 de maio de 1883. Ele refletiu em diversas áreas do conhecimento, história, filosofia, economia, sociologia, teoria politica e jornalismo, na cidade de Bona na Alemanha estudou Direito e filosofia. Karl, por sua vez, influenciou a história da humanidade com suas ideias que deixou registado em obras como o panfleto Manifesto Comunista de 1848 e o triplo volume O Capital (1867–1883).  

       Do mesmo modo, o Materialismo histórico-dialético foi o principal pensamento marxista, sua forma de pensar as relações sociais incrementou uma nova dinâmica na sociedade alemã. Uma vez que o materialismo-dialético rompia drasticamente com toda tradição e contexto do pensamento idealista daquela época que tinha como principal pensador Hegel. 

         Para Marx, o materialismo-dialético é a única forma de explicar as condições  econômicas e a luta de classes que foram agentes transformadores da sociedade. Olhando pela ótica do materialismo-histórico, a classe dominante nunca deseja que a situação mude, dado que ela se encontra em uma situação muito confortável. Enquanto os desfavorecidos têm que brigar pelos seus direitos e esta luta é que moveria a História, na visão do Marx. 

        O materialismo-dialético pode ser desenvolvido por causa das transformações sociais sofrida pela Europa no início do século XIX. Todas essas mudanças foram acompanhadas por teorias e doutrinas que buscavam condenar ou reformar a ordem capitalista burguesa. Então apareceu as teorias socialistas, vinculadas ao aparecimento da economia política. Nesse contexto a sociedade Inglesa foi impactada e onde se verificava esta mudança. Logo, o materialismo-dialético explicou as novas configurações sociais com a industrialização e o êxodo rural que forneceu a mão de obra das fábricas nas cidades da Inglaterra através do acumulo de capital pela burguesia. 


A concepção materialista da história por Marx e Engels explica que a sociedade e as relações sociais podem ser estudadas a partir da análise da realidade nas quais estão inseridas. Assim, as relações de produção, as condições materiais e as forças produtivas são os componentes que ditam a transformação da história humana que permanece em constante movimento.

A divisão do trabalho na sociedade ao longo de sua história determinou as relações sociais e de produção, que geram um sistema de dominação entre as classes sociais. Ademais, no Capitalismo, o proletariado ,desde o seu surgimento como classe, vende sua força de trabalho para sua sobrevivência, e é explorado pela burguesia, classe dominante no sistema vigente, que utiliza essa força em prol da manutenção de seu poder social. Sendo assim, essa manutenção também se traduz no Estado burguês, que por meio de direitos ínfimos à classe trabalhadora mantém essa relação de dominação e exploração.

O sociólogo e historiador Richard Sennett no capítulo à Deriva de seu texto a respeito do materialismo histórico, exemplifica como a teoria de Marx e Engels é atemporal, ao descrever a história de vida de Enrico e Rico, pai e filho respectivamente. Enrico é faxineiro e tem uma vida linear com poucas mudanças significativas em seu trabalho ou sua rotina e possui certeza acerca de sua aposentadoria e de seu trabalho. Já Rico é consultor econômico e devido a política “Não há longo prazo” das empresas, ele teve de se mudar diversas vezes devido ao seu ofício, não tinha linearidade, vivia uma vida refém do tempo que era imposta a partir das relações de produção. Essa situação degradante de Rico, na sua visão, começou a impactar a criação dos seus filhos, pois os ensinamentos que seu pai lhe ensinara se tornaram obsoletos com a realidade vivida e o sentimento de incapacidade em relação aos seus filhos o amargurava. Logo, Sennett explicita que a história humana está em constante movimento e que até o próprio Capitalismo tem fases que se diferenciam e criam novas relações de poder e dominação.

O Materialismo Histórico, a Religião e o Mito

A religião pode, de certa forma, ser considerada um dos fenômenos sociais mais recorrentes e duradouros da história humana. Segundo o dicionário “Oxford Languages”, esse conceito poderia ser definido como a “crença na existência de um poder ou princípio superior, sobrenatural, do qual depende o destino do ser humano e ao qual se deve respeito e obediência.”. Essa crença é pautada por uma série de dogmas (conceitos inquestionáveis), que por sua vez são estabelecidos pelos mitos, histórias (majoritariamente de caráter moralizante) que estabelecem uma narrativa de ordem e o equilíbrio no aparente pandemônio da realidade.

O sociólogo Karl Marx, em sua obra “Crítica da Filosofia de Direito de Hegel”, estabelece sua opinião contrária ao conceito e presença das religiões. Para ele, estas seriam crenças alienadoras, o “ópio do povo”, que cegariam a razão individual e conservariam valores da classe dominante. Além disso, ele afirmava que algumas religiões justificariam a opressão e a desigualdade social pela submissão e a resignação às condições de vida existentes. Marx chegou a estas conclusões através da metodologia do materialismo histórico, onde a realidade social e sua história são compreendidos mediante o trabalho e a produção material dos homens. No entanto, uma análise puramente material seria suficiente para refutar
inteiramente as doutrinas religiosas?

Acredito que, em partes, sim. A existência ou não do divino é inconclusiva, pois cientificamente não é falseável, no entanto os desdobramentos de sua crença reverberam diretamente na sociedade. Além dos mecanismos mais aparentes como as instituições (igrejas, templos, etc. Estruturas coletivas, muitas vezes com um velado aspecto econômico e massificador), os mitos e dogmas são instrumentos de intervenção ainda mais prepotentes.

Metafisicamente, como explicado anteriormente, eles concedem ao indivíduo uma certeza, um embasamento e consolo existencial. No entanto, quando analisados socialmente, percebemos que também atuam como uma ferramenta de coesão social, determinando costumes, valores e obrigações que, surpreendentemente, se perpetuam discretamente em vários aspectos das nossas vidas.

Bruno Viera Salles
1° ano Matutino
RA: 231224885

A INSACIABILIDADE TÓXICA

Um dos fenômenos que podem ser vistos tanto em nossa sociedade, como no mundo todo, é por mim caracterizado como insaciabilidade. Somos criados e incentivados a crer que devemos trabalhar, produzir e conquistar cada dia mais, ou nos tornamos inúteis, sem valor e menosprezados. Uma conquista nunca é permanentemente satisfatória, pois sempre há uma melhor, uma maior. Um trabalho nunca é bom, pois sempre há um mais valorizado, um que paga melhor. O descanso nunca é produzido, pois sempre poderíamos estar produzindo mais, tanto para nós mesmos como para os outros. Vivemos em um mundo cada vez mais acelerado em que a produção tóxica e insaciável é sempre priorizada em detrimento do descanso, tempo de qualidade e saúde mental.

  Vivemos em um mundo em que até mesmo crianças são diagnosticadas, a níveis alarmantes, com síndrome de ansiedade, síndrome do pânico e depressão e infelizmente, como se não fosse o suficiente, tais números crescem exponencialmente com o passar dos anos. Os índices de suicídios, auto mutilação, uso de remédios controlados e adoecimento são crescente e normalizados. Mas de onde será que vem isso? Pois digo que isso é fruto da sociedade cada vez mais acelerada e pressionada, que tende a piorar cada vez mais, adoecendo, proporcionalmente todo o coletivo em que vivemos.

  O pior? Como tudo que fazemos nunca é o suficiente, como mesmo após inúmeros esforços e abdicações nós continuamos insaciáveis em nossas projeções e expectativas, NUNCA será suficiente, nunca chegaremos ao patamar em que poderemos finalmente nos regozijar com nossos feitos e conquistas, nunca poderemos parar para finalmente contemplarmos nossas próprias vidas. E quando finalmente pararmos e nossa ficha cair que nossa vida é única e nosso tempo é curto, talvez nos deparemos com o espelho e a imagem refletida esteja cheia de rugas e as marcas do tempo em nossa pele. Então assim, talvez entenderemos que nosso tempo é curto demais para sermos insaciáveis e insatisfeitos o tempo todo, e infelizmente veremos que passamos a maior parte da nossa vida transformando o tempo que poderia ser de paz em agonia e insatisfação.

Vitória Fernandes Mazarão – 1 ano, direito noturno

 

O método materialista de Karl Marx é uma das contribuições mais importantes para a teoria social e econômica. Ele se concentra na análise das forças materiais e sociais que influenciam a vida das pessoas e organizam a sociedade como um todo. Em sua teoria, Marx argumenta que a base material da sociedade, ou seja, as forças produtivas, são a chave para entender a dinâmica social e econômica da sociedade em geral.

De acordo com Marx, as relações sociais são determinadas pelas forças produtivas e pelas relações de produção. As forças produtivas incluem o trabalho humano, os meios de produção e a tecnologia disponível, enquanto as relações de produção se referem à maneira como as pessoas se organizam para produzir bens e serviços. O modo de produção, por sua vez, é determinado pela relação entre as forças produtivas e as relações de produção.

O método materialista de Marx também enfatiza a importância da luta de classes na dinâmica social e econômica. Marx argumenta que a luta entre as classes dominantes e as classes oprimidas é a principal força motriz da história. Ele argumenta que a classe dominante usa seu poder para manter o status e explorar a classe trabalhadora, enquanto a classe trabalhadora luta por sua libertação e pelo estabelecimento de uma sociedade mais justa.

No entanto, críticos do método materialista de Marx argumentam que ele não leva em consideração outros fatores importantes que afetam a dinâmica social e econômica, como a cultura, a religião e a política. Além disso, alguns críticos afirmam que a teoria de Marx é determinista demais, ou seja, ela sugere que as pessoas não têm escolha em suas vidas, mas são simplesmente guiadas pelas relações econômicas e sociais.

Apesar dessas críticas, o método materialista de Marx continua sendo uma influência importante na teoria social e econômica. Ele fornece uma análise profunda e abrangente da dinâmica social e econômica, bem como uma estrutura para entender a luta de classes e a exploração que nela há. Além disso, sua ênfase nas forças materiais e sociais é uma contribuição valiosa para a compreensão da história e do desenvolvimento humano e assim continuará sendo.

Victor Gabriel Candido Jeronimo 
1° ano, direito - matutino
RA: 231222106