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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Experiências de esquerda na América Latina

As experiências de cunho socialista na América Latina são exemplos de certo fracasso de tentativas de por em prática as doutrinas de Marx e Engels. A Venezuela, desde a subida de Hugo Chávez ao poder e atualmente Nicolás Maduro, tem sua situação social apenas piorada e um governo ditatorial regendo seu território.
Na América Latina, os países que tentaram implantar um regime baseado em doutrinas marxistas foram países com pouco desenvolvimento, repletos de problemas sociais e pobreza. Não que no capitalismo também não haja pobreza, porém, esses países de regime socialista tiveram grande fracasso na implantação do regime de esquerda, pois não tinham uma “preparação” sociológica para assumir tamanha responsabilidade que é implantar um regime igualitário e justo entre seu povo e que produzisse riquezas suficientes para serem dividas igualitariamente e, desta forma, melhorar as condições gerais da população.
O problema do socialismo idealizado por Marx e Engels é justamente a idealização. Marx critica Hegel pela perspectiva idealista deste. Para Hegel, a explicação do mundo não está na ordem dos fatos, mas das ideias. A crítica de Marx é à ideologia, esse olhar para as coisas no mundo das ideias, no abstrato, e não na sua concretude, em como elas se materializam na vida concreta, cotidiana. Entretanto, se analisarmos o socialismo de Marx no contexto atual, ele pode ser considerado idealista, pois é um conceito de socialismo muito abstrato, que não se encaixa na realidade atual do mundo globalizado. O socialismo de Cuba, por exemplo, se manteve artificialmente durante décadas calcado na ajuda da então União Soviética, que fornecia todo tipo de suprimentos a preços absolutamente abaixo da realidade de mercado. Após o fim do socialismo soviético, a interrupção desse fornecimento fez com que Cuba passasse a viver sob regime de penúria, o que ocorre até a presente data, mostrando a falência do socialismo. Cuba falhou no quesito produção de riquezas e competividade, que são dois pontos fracos do socialismo, diferentemente do mundo capitalista.
Um dos fatores que impediu o sucesso da implantação de regimes socialistas em países da América Latina foi a deficiência da maturidade sociológica, ou seja, não tinham “cabeça”, “desenvolvimento intelectual” para tal, uma vez que se tratavam de países cuja situação social era precária e cujo líder eleito adotou medidas de cunho ditatorial. Para se obter esse sucesso seria necessária a presença de um líder de boa índole, com ideais justos e maturidade sociológica, diferentemente do líder venezuelano (Maduro), que praticou atos como a coação de eleitores nas urnas, manipulação do poder judiciário, cerco à imprensa, governo por decreto, perseguição política, enfim, uso indiscriminado de força bruta e truculência para impor um regime socialista baseado na divisão unicamente dos lucros provenientes da venda de petróleo. Atos como esses levam a um governo ditatorial e, portanto, autoritário e que perde a legitimidade, embora, em alguns casos, o atual ditador tenha sido originalmente eleito pelo povo. A realidade venezuelana é diferente da cubana, em que o ditador reina absoluto há mais de 50 anos e sua sucessão se dá entre irmãos que não abrem mão do poder absoluto. 

Anita Bueno Tavares - 1° Direito - diurno

XIX ou XXI?

O século XIX foi marcado por diversos acontecimentos de grande expressão na história, tanto na moderna, quanto o que veio desencadear na contemporânea, como a revolução industrial. Pode-se afirmar, ainda, a existência de pensamentos que ditaram rumos a sociedades inteiras, bem a exemplo do pensamento idealista de Hegel, quanto a Alemanha. Também, durante esse século, Marx e Engels foram figuras expressivas junto à filosofia que empregaram. O Socialismo. Por consequência, teve-se de forma clara uma espécie de maniqueísmo quanto posições políticas, no âmbito delimitado entre esquerda e direita.
A sociedade alemã na qual tais pensadores estavam inseridos encontrava-se, primordialmente, estratificada, entre classe operária e classe burguesa, que possuía os meios de produção. Nisso, a prevalência do materialismo dialético faz-se real. Tudo gira em torno daquilo que o homem faz. O homem faz o meio; o trabalho é inarredável a ele. A classe detentora dos meios emprega o proletariado, esse por sua vez produz para a burguesia. Conclui-se que quanto mais o proletário produzir, mais será rentável ao burguês, que fará o proletário produzir coisas cada vez mais longe de seu alcance. Logo o proletariado encontra-se alienado em uma suposta situação de conforto em que busca apenas ter como sobreviver e esquece que passa por tal exploração. Contudo, a sociedade, por influência do pensamento idealista, não se atentava ao que Marx viria a criticar, isto é, a ausência de atenção quanto a força de trabalho impregnada pelo operário para produzir ao empregador.
Com isso, para Marx e Engels, o fim da exploração da classe dominante, a classe trabalhadora deveria promover a ruptura dessa condição, de forma racional. Logo, o conceito de luta de classes se promove de forma verídica como sendo o motor da história, onde quem é dominado quer dominar e quem domina quer continuar dominando.
Tal filosofia crítica faz valer ressaltar as condições primitivas em que a sociedade se encontrava. Cargas horárias intermitentes, pouco tempo de almoço, sem férias, rígida disciplina, baixos salários, grande parte dos indivíduos analfabetos e o estado em que a maioria das pessoas se encontravam era de pobreza. Enquanto isso, em contrapartida, uma minoria encontrava-se com maior parte da renda, no caso, os donos de fábricas.
Em um cenário semelhante ao da Alemanha no século XIX, com a desconfiguração de direitos fundamentais, a sociedade brasileira vigente encontra-se em condições análogas à citada. É notável, ainda, que a polarização entre ideais liberais de esquerda e conservadores de direita estão cada vez mais salientados, e, por consequência, deturpados. Junto disso, a reforma das leis trabalhistas, pouco cabíveis, e a proposta do novo ensino médio, que aparenta afastar cada vez mais o estudante, sem condições de pagar uma universidade privada, do ensino superior no compasso que o projeta ao ensino técnico, abre à compreensão que a sociedade brasileira do século XXI se assemelha a primitiva capitalista alemã do século XIX.
Ademais, é possível ver que um ponto que se faz verídico na tese de Marx e Engels é o que se atenta ao fato de como as condições materiais determinam as relações na sociedade capitalista. A direita atual se promove com propostas conservadoras - muitas vezes fundamentada em ideais religiosos, bem como a maior parte da bancada evangélica, que por sua vez acaba por se aliar a propostas essencialmente ligadas ao viés capitalista esquecendo as necessidades do ramo social que o move - acaba por dar legitimidade a já citada proposta de reforma de leis trabalhistas. É claro que nem todo ramo dessa ideologia se baseia em preceitos religiosos. Contudo, Marx essencialmente critica o que a ideologia religiosa pode vir a causar quando atrelado a isso. Alienação, isto que é proposto por ela. Para ele, criada pelo homem, promove uma espécie de conforto que gera estagnação de quem está por ser explorado pelos agentes do sistema capitalista.
Tendo por outro lado os movimentos de esquerda na busca por implantações de políticas sociais em sua essência, influenciados pela doutrina marxista, o já citado cenário de maniqueísmo se completa. Há, ainda, no Brasil, a estratificação entre o operário e o empregador, que em maioria seguem em distinção tais orientações políticas.

Em suma, há uma crise de representatividade no que se relaciona aos padrões esquerda e direita, uma vez que, ao que tudo indica, acabam por ficar cada vez mais extremos. É perceptível que a manutenção do status quo da sociedade brasileira atual possui antigos embasamentos. Assim, se reforça, ainda, que a história tem por repetir sua luta de classes de tempos em tempos, a exemplo do que ocorre na classe dominante e na classe dominada na atualidade brasileira.

Pedro Henrique Lourenço Pereira - Direito - 1º Ano Diurno

Teleologia de novo?

A despeito da desconstrução promovida por Nietzsche no século XIX, é ainda visível no mundo contemporâneo uma grande afeição pelas chamadas filosofias teleológicas. Tal pensamento atravessou a história: desde Aristóteles, passando por autores como Comte e, finalmente, Karl Marx. A ideia de uma “causa final” ou “destino inexorável” dos seres humanos ainda é, para muitos, perfeitamente plausível. O caminho único para onde nos direcionamos.
            A abordagem que promovo deve ser cuidadosa: ao traçar uma crítica aos pensamentos teleológicos, não pretendo, de forma alguma, desmerecer a obra dos autores que professam essa ideia. Ora, o fato de um autor possuir concepções teleológicas não exclui, ao meu ver, a relevância de todas as suas abordagens. Pelo contrário, esse aspecto deve ser analisado separada e cuidadosamente em um sistema filosófico, justamente para que não existam esses preconceitos que, em verdade, não se justificam. No caso do próprio Aristóteles, não seria apropriado, por exemplo, desmerecer seu pensamento epistemológico em razão de existir, no pensamento desse grego, um enfoque teleológico. Esse é um cuidado que os críticos da teleologia devem ter.
            Porém, não é sobre a teleologia em Aristóteles que irei tratar (apesar de existirem muitas correntes que professam essas ideias), tampouco sobre essa ideia no pensamento comteano, já amplamente rejeitado. Discorro aqui sobre a ideia de “causa final” ou “destino inexorável” na concepção de outro autor: Karl Marx. Perguntar-se-á por que, dentre tantos outros defensores dessas ideias, Marx é o merecedor de maiores atenções nessa crítica, e a resposta é simples: o impacto de seu pensamento no mundo contemporâneo, que mobiliza grupos e classes, bem como invade os espaços sociais e as mentes dos jovens.
            Não adentrarei muito profundamente nas questões políticas, econômicas e sociais na concepção marxista, limitando meu enfoque à questão da teleologia, traçando reflexões acerca desses demais aspectos somente para satisfazer uma argumentação relacionada a essa última ideia.
            E não é necessário refletir muito para encontrar falhas no pensamento teleológico (marxista, neste caso): a questão da circunstancialidade nos traz uma primeira resposta. Nas acepções contemporâneas, o termo “marxismo” é plurívoco, e estende-se desde as ideologias stalinistas, até àquilo que chamamos hoje de social democracia. Este último exemplo é emblemático: se no fim do XIX a única saída para o proletarizado era a tomada dos meios produtivos e a estatização destes em prol da coletividade, com o advento da social democracia, ou seja, a busca pela conciliação dos direitos civis e políticos com os sociais, culturais e econômicos, um outro caminho, aparentemente muito mais harmônico, passou não só a existir, mas, também, a ser trilhado.
            Eis o primeiro desvio do “final inexorável” na teleologia marxista. Dizer-se-á que, na prática, a social democracia está sempre vinculada aos ideais de esquerda, ou mesmo que chega a ser um caminho ao socialismo, o que estaria de acordo com as concepções do filósofo alemão. É fato que a social democracia professa, ao menos retoricamente, diversos discursos em favor das classes proletárias. Contudo, uma coisa é indiscutível: predominantemente, em prática, as ideias surgidas junto à constituição mexicana de 1917 e a República de Weimar, ao menos em suas acepções contemporâneas, buscam uma conciliação de interesses socioeconômicos, e não a proeminência de uma classe em detrimento de outra.
            Surge a indagação acerca de qual a verdadeira força do marxismo face ao advento da social democracia. Tendo em vista os movimentos políticos e sociais que se manifestam na sociedade contemporânea, esta última parece gozar de mais prestígio e adesão. É simples constatar isso: mesmo entre os grupos de esquerda, dificilmente se encontrarão posições favoráveis a uma ditadura do proletariado em países como França, Inglaterra, EUA, Brasil, Japão, Alemanha e tantos outros. Mesmo a questão da estatização de empresas, ainda que lenta e gradual, parece, nesses países, ser tema estagnado, parecendo inclusive serem mais propícias as privatizações.
            Uso a questão da social democracia, dentre tantos outros exemplos que poderiam ser dados, para provar que a circunstancialidade, nesse caso, vinculada a processos sociais e políticos que remontam à Europa e América do início do XX, desmonta a acepção teleológica de Marx: a ideologia comunista, se o mundo continuar seguindo tal rumo (o que, como demonstrado, parece provável), ao menos em sua forma pura, não será capaz de firmar as ditaduras do proletariado, a estatização de empresas e o fim do capitalismo, ou seja, essa ideologia não irá se firmar. O mundo parece seguir rumos muito mais vinculados à liberdade, seja moral, sexual, política, civil ou econômica.

Higor Caike - 1º ano, noturno

            

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Prosperar ou Monopolizar

Jogos de tabuleiro tem mais a ensinar do que parece. Elizabeth Magie criou a primeira versão do jogo “Monopoly” para incitar a crítica e discussão acerca do sistema capitalista e suas consequências. A principal diferença quando comparado com o jogo distribuído atualmente pelas grandes empresas do entretenimento infantil está no fato de que o primeiro vinha acompanhado de dois conjuntos de regras distintos: o primeiro denominado “Prosperidade” onde a conquista de um jogador acarreta benefícios para todo o grupo, e o segundo chamado “Monopolista”, em que aquele que monopolizar toda a área do jogo ou levar seus adversários à falência vence. Como se tem o conhecimento, o jogo alcançou resultados opostos do planejado por sua criadora, além de que os créditos de criação foram atribuídos a um homem, reflexo das regras que regem a vida. A questão é que a criação de Magie diz muito mais da realidade do que pretendia em seu início, donde depreende-se algumas regras explícitas que regem a vivencia no atual sistema:
1.     Quem elabora as regras é a classe dominante. As regras, leis, emanam da vontade da classe desta, tendo que suas subalternas segui-las, uma vez que “foram elaboradas para o bem comum”. Essas, colocam cada componente da sociedade no devido lugar, de acordo com o julgamento da classe dominante, de maneira que não atrapalhem o andamento da ordem. Os “dados” não são jogados da mesma forma para todos os jogadores, obviamente, há liberdade mas falta igualdade.
2.     O agente movente do jogo é a luta entre classes. Aqueles que detêm os meios de produção do capital tem poder sobre os demais, o operariado depende das ações burguesas, porém essas só funcionam com o trabalho daqueles. Opressores e oprimidos vivem em constante guerra, a qual só tem fim com uma revolução de toda a sociedade ou com a destruição de ambas classes.
3.     A maior parte dos resultados obtidos pelo trabalhador é direcionado ao dono dos meio de produção. Além da produção alienante, onde o trabalhador não enxerga sua obra no produto final e, muitas vezes, é incapaz de adquiri-la, a maior parte dos lucros vão para seu empregador. O montante do lucro do capitalista pode ser ajustado de acordo com a ação de leis trabalhistas, porém para essas serem conquistadas depende do operariado se unir e clamar por elas.
4.     Vence o jogo quem conquistar mais riquezas individuais. Porém a ganancia e exploração inata do capitalismo é claramente infinita, gerando uma sociedade cada vez mais fundada na desigualdade e exploração da força de trabalho do operariado. Não tendo um final certo, este será dado pela sobreposição de uma nova realidade à atual, resultante de uma síntese marxista.


Após feito um apanhado geral de algumas regras que regem o atual contexto sócio-político, fica claro que é uma pequena parcela da população que realmente está apta a vencer esse jogo. Mas sempre há um outro conjunto de regras possível, uma realidade alternativa à vigente, uma ordem guiada pela “Prosperidade”, deixando a “Monopolista” de lado, derrubando-a. Há quem diga que essa realidade é utópica, não é natural ao homem, uma vez que já foi testada e não vingou, porém a dialética é constante, teses e antíteses são confrontadas a cada contrato trabalhista assinado, o que não se pode deixar acontecer é a síntese ser moldada pelos anseios capitalistas individualizantes.
Felipe Cardoso Scandiuzzi - 1ª ano - Direito Matutino






Teia de Aranha

O Mundo vive hoje o seu grau máximo de globalização, as sociedades ao redor do globo estão totalmente conectadas e basicamente se interdependem, onde um fio estourado nessa teia põe tudo e todos em caos e colapso; vide a Crise Mundial de 2008, que começou com a quebra de investimentos imobiliários nos EUA e dias depois devastou a economia Europeia. Nessa Era Capitalista, vale aquela velha ideologia do Ter para Ser, onde o indivíduo acredita na necessidade de ser conectado a este esquema do capital, deixando todo a sua vida ser conduzida, reprimida e manipulada pelos donos desse sistema corrupto.
A Liberdade está influenciada pelo poder de compra, pelo acúmulo de capital, onde as pessoas, dotadas teoricamente de liberdade não partem de condições iguais. O Brasil, que carrega o lema de ser “um país de todos”, dá óbvia preferencia aos indivíduos com “gordas contas” bancárias; onde, por mais que todos possam ingressar em universidades publicas (com liberdade para isso), os pobres acabam permanecendo marginalizados e condenados ao limbo de funções hierarquicamente menores, pois não tiveram educação básica de qualidade para passarem pelos processos de Universidades Renomados, como a UNESP . Surgindo daí os financiamentos estudantis, que trabalham pela sociedade de capital, enlaçando cada vez mais os miseráveis em suas entranhas, com dívidas que podem se estender por mais de uma década, que sustentam o giro de capital.
Deveríamos ser julgados isonomicamente, porém as pessoas abastadas, com seus históricos privilégios, subvertem a ordem jurídica a seu favor. Ganhando uma suavização das penas para crimes que, do outro lado da moeda, representam o corredor de escoamento para penitenciárias decrépitas quando se é pobre, sem direito à justiça real, se você não é dono do Capital.
Os poucos países comunistas que resistiram à vitória do Capitalismo acabaram tendo que se adaptar a ele, vivendo hoje apenas uma sombra de seus ideais. A China, abriu seu mercado para o mundo, exportando produtos em massa para “o outro lado”, fazendo com que a sua economia também passe a depender do Sistema que governa o povos. A Apple, por exemplo, a vitrine do Capitalismo, fabrica seus produtos nos polos industriais chineses; visando menores custos de produção e vendendo-os ao Ocidente a preços estratosféricos.
Nossa Constituição Federal prevê a obrigação da União de promover a Saúde para todos, porém, seria essa de qualidade? No Brasil, o Sistema de Saúde Público está “caindo aos pedaços”, sempre aumentando a necessidade de Judicialização deste. Dando o Governo a preferência aos hospitais boutiques particulares, sucateando aqueles outros destinados ao não abastado proletário.
Ao analisar esses pontos, percebe-se o quanto a Sociedade está viciada ao Mercado, o indivíduo se apegou a ele como se este fosse heroína; o que está destruindo a sua humanidade e tornando-o cada vez mais fútil, individualista e segregacionista. Fica a pergunta, nessa corrida de obliteração que entramos “sem querer”  para acumular dinheiro haverá um vencedor ou a linha de chegada será apenas mais um ponto de partida rumo a solidão?

Nome: Fabrício Eduardo Martins Soares - 1 ano Direito Noturno

Os Sandros de todos os dias e as condições materiais de existência

12 de junho de 2000, Rio de Janeiro, Brasil. Sandro Barbosa Nascimento, 22 anos de idade. Linha 174, 14h20 de segunda-feira. Sandro adentra o ônibus e anuncia o assalto. Motorista, cobrador e alguns passageiros conseguem fugir, restando apenas onze reféns. Foram horas de negociação do mesmo com a polícia. O resultado: duas mortes da mesma noite. Geísa Firmo Gonçalves, usada como escudo humano por Sandro, e a do próprio Sandro.

Seria mais uma historia comum do dia-a-dia carioca se não fossem duas coisas: o histórico do assaltante e a sua morte.

Sandro assistiu `a morte de sua mãe aos oito anos de idade, por decapitação, na favela em que morava. Após isso, passou a morar nas ruas. Frequentava a igreja da Candelária, onde recebia comida e abrigo. Ali, fez amizade com vários outros menores de rua. No dia 23 de julho de 1993, Sandro presenciou o massacre da Candelária, que resultou em 8 mortes. Ele mesmo não ficou ferido no incidente. Sete anos depois, “Mancha”, nome adotado por Sandro, foi o protagonista de um dos assaltos mais impactantes, tanto pelo despreparo da policia, quanto pelo seu resultado.

Foram quase 5 horas dentre o anúncio do assalto até o seu fim. Findada a morte da professora Geisa, gravida de dois meses, Mancha foi levado para dentro da viatura. Enquanto a população, revoltada, queria linchá-lo, a policia, dentro do veículo, o mata asfixiado. Ao alegar a morte acidental, os policiais foram julgados e inocentados.

O trágico ocorrido remete a um dos pensamentos de Marx: as condições materiais de existência. Sandro nasceu em um sistema capitalista em que o dinheiro compra tudo, até mesmo a felicidade. Na infância, viu sua mãe morrer por uma falha de segurança do Estado e não obteve a oportunidade de regeração pelo ensino necessário. Quando adolecente, viciado e drogas, não possuiu o tratamento preciso para se livrar das mesma, entrando de vez no crime. Quando adulto, apenas continuou a viver a vida como o habitual desde a juventude.

De fato, ao analisar a vida de todos os Sandros com a de outras pessoas de classses sociais mais altas, percebe-se a não isonomia. A falta de condições materiais levam a não concretização do processo. Uma consequência triste do capitalismo selvagem em que vivemos.

Mais Sandros surgirão, mais Geisas serão mortas. Mas uma coisa será constante: o sangue dos inocentes estará nas mão do capitalismo sujo em que vivemos.




Luísa Lisbôa Guedes 1º ano Direito Diurno

Do chão à razão



            Com nova perspectiva acerca do modo de visualizar o mundo, o socialismo marxista trouxe consigo a ideia de pensar a realidade a partir do que há de material, isto é, partir das condições reais às teorias. Assim, as condições materiais envolveriam a liberdade, seja para expandi-la ou limitá-la. Dado este novo método, cabe aos agentes do direito a reflexão quanto à sua utilidade e aplicação.
            Embates sociais em que é possível notar a dialética marxiana acontecendo envolvem o direito, dado que este, no contexto da sociedade capitalista, é uma simbologia da dialética – ele emerge e se modifica através das lutas econômico-sociais.
            Uma manifestação social que vem levantando questões quanto ao reflexo da realidade no exercício dos direitos são as mobilizações por passe livre.
 
             Nessas manifestações, há exemplo de tese (aumento do passe para manter o lucro das empresas), antítese (corrosão do salário do trabalhador, dificuldade de locomoção dentro das cidades por razões puramente econômicas, questionamentos acerca da aplicação de recursos públicos) e, finalmente, síntese (aquilo que será feito pelo Estado frente às pressões).  
Neste contexto, é interessante ao direito refletir qual o poder real de exercício de alguns direitos advém da possibilidade econômica dos sujeitos. Do legislativo ao judiciário, é razoável ao menos que se pense acerca do sujeito ou dos interesses que envolvem os direitos, utilizando métodos apontados pelo socialismo científico.

Tatiane E. Lima - 1º ano Direito - Matutino

Carta aberta a Marx

         Caro Marx, 
por aqui tudo vai meio esquisito. Esse novo século trouxe consigo gradativas mudanças. Estamos no auge do Capitalismo e pensei o quanto você não iria querer ver isso. Me perdoe jogar essa notícia tão friamente e sem preparos prévios, mas creio que por aqui não há lugar para embromações. Aqui nesse século a vida anda muito dissimulada, corrida, disputada e egoísta. As pessoas cada vez mais se enfiam numa zona isolada em si mesmas, não conseguem sentir a dor do outro - na verdade acho que não querem. Isso é assunto pra outro dia. As últimas notícias que você tem acredito que seja da Inglaterra na Revolução Industrial, se eu te contasse como Capitalismo dominou o mundo é provável que você ficasse um pouco perplexo - não tanto, porque você já havia previsto. Estamos vivendo uma ditadura e antes que você se alegre...Não, não é a do proletariado. É a do Capitalismo. Temos uma nova ética para ser seguida - a burguesa. Vou te dar um exemplo acompanhado de um breve resumo. 
          Nós tivemos uma Guerra aqui, devastadora, chamada de Segunda Guerra (a primeira também foi, mas ela serviu mesmo pra desencadear a segunda). Após seu fim, duas potências se emergiram: os Estados Unidos e a URSS. O primeiro representava a ordem Capitalista e o segundo, a Socialista. Sim, o mundo ficou dividido entre dois blocos econômicos e o socialista era um deles. Mas não se alegre de novo...Não seguiram fielmente suas idéias...Não queria te contar, mas deturparam-nas. Na URSS eles diziam seguir seus ensinamentos, mas, como posso dizer? Lá todos eram iguais, mas uns eram mais iguais que outros. Em meio a ameaças, mísseis, iminência de guerras, corridas armamentistas e espaciais...O Capitalismo venceu. E desde então o despotismo do Capital tomou conta, os países que eram socialistas se converteram à nova ordem,já outros se esfacelaram...um caos. Mas ele sobreviveu. Entretanto, tivemos algumas resistências antes do fim dessa bipolaridade. Um belo exemplo disso chama-se Cuba. Uma ilhazinha ali na América Central que queria continuar tranquila com o sistema socialista, até que o Big Stick resolveu atacar por todos os lados e influenciar o máximo que desse - coisas que o capitalismo faz mesmo. Houve uma revolução e um mínimo de relações que foram construídas por Fulgêncio Batista se quebraram completamente, e Cuba se aliou definitivamente com a URSS. A crise dos mísseis acabou de vez com a relação Cuba-EUA. Ninguém imaginaria como o boicote da máxima expressão do capitalismo poderia devastar um país. Cuba foi engolida pela nova ordem, sem comércio, sem relações exteriores, sem pactos internacionais...Era como se Cuba não existisse. Estamos em 2017 mas posso dizer que eles ainda vivem em 1960. Há pena de extinção se não for adotado o modo de produção burguês atualmente. Toda essa história pra te contar que não tem como fugir, quer dizer, até tem, mas só se a gente não se importar em parar no tempo. O poder saiu do campo econômico e se fundiu ao campo político, tudo está entrelaçado e se voltar contra isso seria loucura. Então, por favor, entenda. Não estamos seguindo a ética capitalista porque ela é melhor ou isso ou aquilo - estamos o fazendo porque somos compilados a isso. A nossa liberdade se dá DENTRO DESSE SISTEMA, ou seja, somos livres desde que aderidos a ele. Se formos criar nossa propria liberdade e tentarmos ganhar a vida seguindo nossos ideais...Já podemos pegar nossas malas e passearmos de Chevy Bel Air pelas ruas cubanas.
           Triste, né? Mas você também havia previsto, se eu não me engano, que todo sistema tem um fim. Não foi dessa vez que o socialismo tomou conta ou que suas ideias tiverem perfeita aderência. Mas não fica assim não, tá? Eles mesmos deram o poder e as armas para que um dia isso tudo se craquelasse. Ainda vou te escrever outra carta, bem feliz, prometo, dizendo que estamos a um passo do comunismo, que o operariado finalmente acordou pra vida e cansou de ser explorado, que o mais-valia deixou de ser um carma, que todo mundo é dono dos meios de produção...vou até de falar que a gente tá tão civilizado que nem precisa mais de Estado enchendo nosso saco. Só espero que você tenha um tiquinho de paciência. 
            Espero respostas suas. 


Att., Carol.

Ana Carolina Santos Ribeiro - 1 ano direito diurno




Atuais até quando?

     Como bem destacaram Karl Marx e Friedrich Engels, a história da humanidade é caracterizada por um ciclo de acontecimentos. Embora os dois pensadores tenham chegado a tal conclusão analisando os eventos ocorridos até a segunda metade do século XIX, ela é, ainda, muito atual. Isto é, ao afirmarem que o modo de produção capitalista desencadeia picos de produção e venda seguidos por crises econômicas constantemente, até aquele momento, não tinham presenciado o grande crash da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, desencadeando a crise que durou até 1933 e atingiu todos os Estados capitalistas da época, nem a crise econômica que perdurou de 1997 a 2001, tampouco a iniciada em 2008; eles apenas estavam vivenciando a longa crise das economias industriais europeias que se iniciou em 1876 e durou até 1893. Todas estas crises decorreram de um aumento desenfreado das margens de lucros em detrimento da capacidade de comprar e consumir das sociedades.
     Dessa forma, para a dupla, com o intuito de se evitar que aconteçam mais crises capitalistas, as quais derrubam mais ainda a classe trabalhadora desfavorecida, ou seja, o proletariado, os pertencentes a este deveriam juntar-se e destronar o modo de produção vigente desde o final da Idade Média, instalando o socialismo e, sem seguida, o comunismo, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum dos meios de produção.
     De acordo com Marx e Engels, o capitalismo é injusto, pois uma pequena parte da população, a burguesia, detém a maior parte dos meios de produção, além de não dar espaço aos pequenos burgueses e os seus comércios. Para terem tanto poder, utilizam-se da mais-valia, a qual consiste na diferença entre o valor gerado pelo trabalho e o pago ao trabalhador pela sua realização. Atualmente, de acordo com pesquisas realizadas recentemente, foi comprovado que as marcas Nestlé, Carrefour, Zara, Hershey’s, Nike, Apple, Coca-Cola, Victoria’s Secret e Forever 21 submetem os seus trabalhadores a condições próximas à de escravidão com o fim de produzirem e venderem mais, tendo pouquíssimos gastos com a manutenção do operariado. Ao fazerem isso, conquistam o mercado de todo o globo terrestre, como afirmado por Engels em “O manifesto do partido comunista”: “Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pela produção do país, encontramos novas necessidades, exigindo, para satisfazê-las, produtos de terras e climas distantes. No lugar da antiga reclusão e autossuficiência local e nacional, temos conexões em todas as direções, uma interdependência universal.”.
     Eles propõem, assim, que acabem com o capitalismo para todos terem boas e iguais condições de vida. Além disso, Marx afirma que esse modo de produção aliena os indivíduos e que todas as instituições nele presentes o reforçam: o direito, diferentemente do que afirmava Hegel, media as relações apenas entre os iguais, e não entre todos; seria necessário que todos fossem iguais para que o direito garantisse a total igualdade entre os cidadãos. O ideal, portanto, seria que se extinguisse a exploração do homem pelo homem.

Bruna Benzi Bertolletti - 1º ano direito diurno