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domingo, 25 de março de 2012

O fazer científico prático


   Inserido em um contexto político-econômico de consolidação monárquica na Inglaterra e atividade comercial elevada, o filósofo Francis Bacon publica sua obra de maior notoriedade, o “Novum Organum”. Opondo-se ao organum aristotélico o autor tece críticas aos gregos e à sua filosofia, bem como à ciência dedutiva. Para o inglês de nada adiantava a pratica especulativa desta , se não fossem realizadas obras em prol da condição humana.
   Bacon divide o fazer científico em dois métodos: um para cultivar a ciência e outro pra descobri-la. Em sua concepção era necessário associar a reflexão à filosofia, pois a chamada antecipação da mente apenas serviria para fomentar o senso comum. Além disso o processo de experimentação era imprescindível no exercício do conhecimento, uma vez que era forma de comprovar o que fosse concebido pela razão.
   Para o filósofo o homem seria apenas um contemplador e curador da natureza e, apesar de ser percursor da tecnologia, induzia o uso de maquinas e instrumentos de maneira responsável, não usurpando o ambiente nem seu curso natural.
   A teorização de Francis Bacon foi, e ainda é, extremamente influente sobre os campos relacionados ao conhecimento, pois propôs um novo método científico com fins práticos, e sua célebre frase “Saber é poder” traduz, inclusive, de forma sucinta, a essência da arte do Direito.    

Radicalização do Pensamento Baconiano x Desenvolvimento Sustentável


Clássicas são as ideias que, quanto mais avançam no tempo, mais atuais se tornam. A obra “Novum Organum” de Francis Bacon encaixa-se perfeitamente dentre esses pensamentos atemporais, mas a radicalização de suas ideias pode estar prejudicando o mundo moderno.
Bacon é considerado pai da ciência moderna por abandonar a metafísica - reservando-a somente para se tratar de Deus - e aprofundar-se no método empírico para se comprovar o conhecimento científico. Em sua obra, critica duramente a filosofia e opõe-se ao exercício livre da mente, uma vez que rompe com qualquer tipo de conhecimento que não se traduza com clareza e que não tenha um fundamento concreto.
Afirma, ainda, que os sentidos humanos enganam a mente e para fugir de tal situação, propõe dois métodos para o saber: o cultivo das ciências através do conhecimento contemplativo, a que chamou de antecipação da mente; e a descoberta científica que consiste na busca do conhecimento novo por meio da exploração e experimentação sem limites.
A humanidade, aos poucos, foi abandonando o conhecimento filosófico contemplativo que, segundo Bacon e Descartes, pouco contribuiu para o bem comum, e absorveu o conhecimento empírico que se concretiza com base em provas científicas. É evidente que o mundo moderno não abre mais espaço para o senso comum, fazendo com que a ciência seja aprofundada e não só usada para o bem de todos, como pensou o autor.
Uma prova disso é a má interpretação de sua ideia de que o homem vive numa luta constante para dominar a natureza, escravizá-la e fazer uso dela em seu favor, utilizando-se de máquinas e técnicas. É importante ressaltar que esse processo deve ser realizado como um utilitarismo de efeito benéfico não só para o homem, mas também para o meio natural onde este se insere. Gradativamente, a humanidade absorveu tal pensamento, porém não fez uso responsável dos recursos naturais e está dizimando todas as fontes ainda restantes.
Isso ocorre porque, ainda segundo a lógica de Bacon, existem ídolos que dificultam o alcance do conhecimento verdadeiro. A destruição da natureza é resultado da interferência desses ídolos - que podem ser da tribo, da caverna, do foro e do teatro – que cegam os homens e levam-nos a tomar atitudes distorcidas, fazendo do homem um ser usurpador e predador dos recursos naturais.
O mundo moderno está sofrendo as consequências dessa radicalização das ideias de Bacon. Cada dia mais se presencia o meio ambiente ser destruído por homens que, cegos pela ganância, não se importam em usar a ciência apenas para o benefício próprio, e não mais para o bem comum.
De fato, as ideias baconianas foram fundamentais para a perpetuação da ciência moderna, mas o autor foi um tanto quanto idealista em pensar que o homem seria capaz de dominar por completo o meio natural e que para sempre utilizaria suas técnicas em favor do bem comum. Não é preciso pensar muito para se lembrar de várias catástrofes naturais, como terremotos, tsunamis e ciclones, e ainda de grandes desmatamentos ou rios poluídos (em benefício de grandes corporações) e concluir-se que o ser humano ainda é incapaz de controlar e escravizar a natureza completamente.
Todos devem ter em mente que o conceito de desenvolvimento sustentável está arraigado à ideia de dominação de Bacon, fazendo de seu pensamento um tema bem recorrente na atualidade, necessário à preservação do nosso maior bem: a natureza.

A função do conhecimento



Nesta sociedade tecnológica e imediatista, em que o homem explora a natureza, dominando-a e explorando-a para seus fins, o método baconiano se faz presente pelo fato de utilizarmos a ciência, ou conhecimento, para o nosso próprio usufruto e bem-estar.
Em sua obra, Novum Organum, Francis Bacon propõe uma nova filosofia, baseada na razão; na observação e na experimentação, que tenha aplicabilidade e utilidade para o homem. Portanto, a filosofia verdadeira não é apenas a ciência das coisas divinas e humanas, mas também algo prático. Daí surge a crítica de Bacon à filosofia da Antiguidade, já que produziram apenas conhecimento contemplativo, ou seja, a sabedoria de tais filósofos é “farta em palavras, mas estéril em obras”.
Além disso, Bacon considerava não existir um conhecimento acabado, tal como consideravam os gregos, e sim um conhecimento permanentemente questionável. Então, pelo fato de que a ciência só evolui mediante a evolução do conhecimento, a idéia baconiana de inovação está no cerne da ciência moderna.
Nota-se hoje que os detentores de conhecimento detêm também o poder, como é o caso das grandes potências mundiais. Ao investirem em ciência e pesquisa, tais países conseguem o controlar todos aqueles que destinam menores investimentos para tal área, já que a aplicação prática de tais conhecimentos traz desenvolvimento científico e tecnológico. Tal noção de poder dependente do conhecimento está presente na obra do filósofo na seguinte passagem: “ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito”.
O conceito de aplicabilidade da ciência, preconizado por Bacon, para benefício da humanidade é totalmente pertinente com a nossa realidade, pois a sociedade moderna prioriza a praticidade e só valoriza aquilo que traz algum benefício para si.

O conhecimento aplicado na ação

Com uma proposta muito mais completa, Bacon vai além e alia razão à experiência em seu novo método na procura do conhecimento, o qual questiona o labor da mente, já que, para ele, a mente guiada por si só pode ir por caminhos tortuosos, e que através apenas da razão construímos ideias, e a ciência deve produzir obras para a melhora da condição humana, por isso aliar concepções a partir da razão nas ações, sendo essa a base do desenvolvimento tecnológico, que está sempre evoluindo. 
As mãos sozinhas não edificarão grandes obras, nem a mente sozinha produzirá uma obra satisfatória, por isso a combinação seria o ideal. Nas universidades esta ideia está muito presente, não só no curso de direito, o qual não existe sem a prova e a constatação, mas nos outros também; um médico não pode ser guiado apenas pela mente, já que a medicina precisa da experiência, da comprovação na hora de lidar com uma vida. 
As ideias de Bacon estão na raiz do nosso tempo, para ele a boa ciência deve afastar falsas concepções, e a mente constrói o senso comum, os ídolos. Uma pessoa que consulta a astrologia, que acredita que o seu signo influencia na sua vida está sob o ídolo do teatro, o das falsas ciências, que a afasta do verdadeiro conhecimento, por isso a mente deve ser guiada pela experiência. 
Graciliano Ramos, em Vidas Secas, mostra o homem sem estudo, sem conhecimento, que não sabe como argumentar e se defender, ideia esta de que "saber é poder", desenvolvida por Bacon. Para ele a ciência teria que dominar a natureza a favor do homem, e foi isso que o homem fez, até um vulcão que é um assombro pode ser usado a nosso favor na produção de energia.  

"Saber é Poder"



 Contemporâneo de Descartes, Francis Bacon, assim como o francês, também estava à procura de um método que pudesse contribuir para o avanço científico. Contudo, Bacon assumiu uma postura contraria à de seu precursor, propondo o método experimental contra a especulação metafísica.
O inglês defendia a idéia de uma “reforma” na maneira de pensar e expor as visões, como uma forma de “curar” a mente dos homens.  Alegando que o pensamento deve ser regulado, Bacon direciona cada homem para a área que mais lhe cabe, dividindo-os entre aqueles que cultivam a ciência, ou seja, continuam aquilo que já foi descoberto, e aqueles que anseiam pela descoberta científica, buscando o novo.
Os que cultivam a ciência seguem pela área nomeada, pelo próprio filósofo, de “Antecipação da Mente”. Segundo F.B., é nessa área que segue a maioria dos homens, seja por impaciência, injunções da vida civil ou insegurança de suas mentes. Tal área corresponde ao senso comum.
Já os que anseiam ir além das descobertas anteriormente feitas, seguem pela área chamada “Interpretação da Natureza”. Para Bacon, esses são os verdadeiros filhos da ciência, pois estão dispostos a apartar e unir seus corpos ao da natureza e, fazendo uso de procedimentos e instrumentos auxiliares ainda não tentados, buscam o novo.
Dessa forma, Bacon pode ser interpretado como um precursor da tecnologia, visto que defende a ideia de que o homem necessita de instrumentos auxiliares para o bom proveito do intelecto, das tarefas mecânicas e para a dominação da natureza. Por conta disso, Bacon é criticado pelo pensamento ecológico atual, que baseado na busca de um desenvolvimento sustentável, que afirma que a postura do filósofo é uma das grandes responsáveis pela degradação da natureza.

Lei nova

  Em 1620 Francis Bacon escreveu oque foi considerada sua maior obra "Novum organum". O objetivo de Bacon era desenvolver um novo método de se estudar os fenômenos naturais, onde a descoberta da verdade não dependeria do raciocínio silogistico tão pouco da pura retorica, mas sim  da experimentação e do raciocínio indutivo.
Desta forma o que Bacon propões é a utilização pratica da natureza, ou seja,para Bacon o mero exercício da mente não abre caminhos para a descoberta de novas ciências. A ideia de razão precisa de um amparo solido e dados concretos que só se adquire com experiencia.
Como consequência, o novo método confronta diretamente o método aristotélico, onde segundo Bacon o erro estava em estabelecer as conclusões antes de confronta-las com dados experimentais para o estabelecimento de suas conclusões e axiomas. Além disso o método antigo não dava fins práticos à ciência, tão pouco acrescentava conhecimento ao ser humano.
Portanto é inegável a revolução provocada pelo método Baconiano, no que diz a praticidade da ciência. Basta comparar o conhecimento humano dos últimos 300 anos e sua dinâmica de evolução, com o conhecimento até 1700. Notavelmente há um significativo avanço no que se diz respeito a utilização pratica e modificação da natureza pelo homem, como seu maior exemplo as revoluções industriais.
Embora tais contribuições sejam inegáveis, Bacon comete certos equívocos, primeiramente segundo seu método a observação e a formulação de experiências seguido do confronto com as "três tabuas" levaria a verdade, porem isto  não é sempre correto. Pode-se chegar a 2 diferentes hipóteses utilizando-se dos mesmos experimentos, como exemplo a "lei da gravitação universal" de Newton e a "relatividade geral" de Einstein. Da mesma forma Bacon acredita em uma verdade absoluta desprovida de parcialidade, porem na pratica até hoje isto não foi possível, basta ver a quantidade interpretações existentes para uma mesma lei.
Em suma, o método baconiano revolucionou o modo de ver a ciência, bem como lhe deu um fim pratico com contribuições inquestionáveis. Porem comete equívocos ao afirmar uma verdade absoluta, não deixando espaço para relativizações, afinal se todas as verdades do mundo fossem direcionadas unicamente por experiências qual seria a utilidade de um advogado para um réu?











CIÊNCIA ALÉM DO PAPEL
Quem nunca ouviu dos avós ou de alguma pessoa mais velha que "a experiência traz a verdadeira sabedoria"? É exatamente isso, salvo as diferenças, que Bacon, em "Novo Organum", propõe com seu método científico empírico. Para ele, para se alcançar a verdade, é preciso por em pática as idéias, para só assim poder comprová-las. Bacon criticava os filósofos gregos tradicionais por pouco contribuirem para o bem estar social, já que estes usavam a ciência como mero exercício da mente, e não como ferramenta para melhorar a condição humana.
A proposta de Bacon, ainda hoje, não foi totalmente posta em prática. Como os tais filósofos gregos, ainda há pessoas que são muito revolucionárias, muito engajadas, muito revoltadas, muito politizadas, muito empenhadas em mudar o mundo, muito estudiosas, muito...muito...NADA! Pessoas que só falam, ou só escrevem, mas que na prática simplesmente cruzam os braços e continuam confortavelmente com suas vidas. Dizer-se indignado com a falta de educação, com a pobreza, com a fome, com a corrupção, com a má distribuição de renda, é muito fácil quando se estuda em escola particular, tem comida na geladeira, carro na garagem e um bom salário no fim do mês. Essses "rebeldes sem causa" que muito falam, muito estudam, muito agitam, mas que nada fazem de concreto para melhorar a situação do país, não têm serventia social nenhuma. Ou a pessoa fala e faz, ou fica quieta e finge que tá tudo bem.
Por isso, a proposta baconiana é muito bem vinda nos dias de hoje. É preciso materializar todas essas idéias, que não têm serventia nenhuma se não forem aplicadas para o bem estar da humanidade, e de fato causarem esse bem estar.

sábado, 24 de março de 2012

Os cegos do castelo


              O que é o acaso senão uma pequena dose de ironia que o destino emprega para quebrar a mecanização da vida? O acaso, peça pequena que torce e distorce até as concepções mais concretas do ser humano é uma primazia que a teoria baconiana descarta.
                 A ciência totalmente útil de Bacon especializa e intensifica tanto as descobertas que promete aniquilar o acaso, pois não haveria mais mistério algum a ser desvendado pela ciência. Mas, o que é o homem sem o mistério? O que fomenta a existência humana é a vontade de descobrir as verdades do mundo, da vida, da morte... Se não houver mais verdades a serem descobertas ou o homem terá se tornado deus, ou estará morto.
                   Se encontra à beia do precipício da existência o homem cego que acredita ser capaz de tornar-se divino. Bacon já afirmava, existe uma lacuna entre o humano e o divino, e esta lacuna, não importa a maneira, não será preenchida por nenhuma ciência.
                Até o vencer a natureza não será capaz de aproximar o homem das verdade que procura. Vencer o meio do qual depende inteiramente não garante sucesso, pelo contrário, condena ao fracasso. Tal atitude seria impensável ao ser humano. Já se pode observar as consequências da exploração desmedida, se vencermos a natureza então estaremos arruinados.
                Essa ambição pela aproximação ao divino envolveu o homem num castelo de dúvidas e tentativas frustradas, e o seu poder de tentar novamente e o fracasso contínuo cegou-o aos seus limites e está levando-o à ruína. Todos os excessos são prejudiciais ao homem, principalmente aqueles que corrompem a sua natureza. A ciência é benéfica até o ponto que começa a criar anjos sem asas, que acreditam ter poderes divinos, mas não têm meios de alcançar o patamar a que pertencem.


Francis Bacon e os equívocos contemporâneos

 Vivemos em uma época de falsas certezas. Muitos acreditam que o ser humano, com todas as tecnologias desenvolvidas até então, finalmente conseguira controlar a natureza e que agora a humanidade cria as melhores condições para a sua sobrevivência sem precisar se submeter as condições naturais. No entanto, o dominação humana sobre o mundo se mostra como algo impossível. Um grande exemplo disso são as mudanças climáticas em decorrência da interferência antrópica na natureza, conseguimos modificar o relevo e o clima tornando a ambiente natural habitável,mas não conseguimos impedir que as consequências dessas interferências nos afetasse. Frente a tudo isso a grande questão é : o homem é capaz de controlar a natureza e  assim dominar o mundo?
  Analisando tal questão baseando-se no pensamento de Francis Bacon, a sociedade contemporânea deve mudar em muitos aspectos para que ocorra a superação das condições impostas pela natureza. Primeiramente, Bacon afirma que não se vence a natureza enquanto não obedecemos suas "regras", logo a conduta humana dominante ao longo de todos os séculos não obedece a tal premissa, uma vez que a maioria dos homens é constantemente dominada por uma mentalidade de embate com a natureza e não de obediência. E esse princípio baconiano de obediência as condições naturais tem sua aplicação prática, por exemplo na tecnologia empregada no Japão para atenuar o impacto dos terremotos, tais recursos tecnológicos não tentam impedir a ocorrência dos tremores, apenas primam pela segurança da população, o que fica garantido com o uso dos mesmos.
  No entanto, a grande disparidade entre a filosofia de Bacon e a conduta humana contemporânea é o cultivo das falsas percepções do mundo feito pelos homens. Chamados por Bacon de ídolos, essas distorções da realidade se vinculam com a interferência de nossos sentimentos, das nossas relações estabelecidas com o mundo e com as várias representações do mundo que associamos. Atualmente, somos induzidos a todo momento para formar falsas percepções, a mídia e o marketing, por exemplo, nada mais são do que precursores para interpretações equivocadas do mundo e das nossas reais necessidades.
 Se formos analisar a situação contemporânea e os pensamentos de Francis Bacon, a humanidade ainda está longe de dominar a natureza. Ainda somos muito influenciados por equívocos ou por visões pré-concebidas, logo não nos livramos das essências que , segundo Bacon, impedem que o conhecimento seja claro. Mas nessa situação o mais importante não é definir a parte que está certa e a que está errada, o que importa é questionarmos se se impor sobre o espaço natural é realmente necessário. Se mesmo com todas as especulações de Bacon e os avanços tecnológicos atuais ainda não foi possível se impor aos obstáculos da natureza de forma plena, não seria o papel do homem se harmonizar com todo o ecossistema ao invés de tentar dominá-lo a todo instante?
Francis Bacon, em seu livro "Verdadeiras Indicações Acerca da Interpretação da Natureza", faz críticas aos gregos e à sua filosofia por acreditar que revoluções verbais não mudam a sociedade. Segundo ele, os gregos estão "prontos para tagarelar, mas são capazes de gerar, pois a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril de obras." Esse pensamento de Bacon fez-me perceber que há muitos gregos da atualidade. Dentre eles, certos políticos, que, durante o período de eleições fazem muitas promessas e realizam grandes discursos como se fossem mudar o mundo caso eleitos. Obviamente suas palavras não levam progresso à sociedade, pois somente o agir transforma a nossa realidade. Os gregos da atualidade estão espalhados por toda parte, sempre prontos para discutir sem nunca contribuir com algo útil e concreto. Ter conhecimento é essencial, porém, ainda mais importante é saber colocá-lo em prática.  

Poder é sobreviver


Francis Bacon, em “Novum Organum”, apresenta a tese de que o homem deve exercer o seu poder sobre a natureza por meio do estudo das ciências, segundo ele: “Saber é poder”. Também expõe sua visão de que a o método correto de fazer ciência é diferente daquele utilizado na Antiguidade pelos filósofos gregos, o qual possuía o propósito de mero exercício da mente; é o método em que a ciência tem utilidade prática, atende às necessidades da sociedade. Em decorrência dessa mudança no conceito de fazer ciência, inúmeras descobertas foram feitas, colocadas em práticas e são essenciais no dia-a-dia atual. Porém, muitas dessas grandes invenções trazem consequências alarmantes à sociedade contemporânea, como por exemplo, o tão citado aquecimento global.
                O Tear industrial, a máquina a vapor, a penicilina, a energia elétrica, são invenções contemporâneas consequentes do novo método ditado por Bacon e que revolucionaram o modo de vida do ser humano. Anteriormente a esses inventos, roupas eram confeccionadas à mão por artesãos tendo por consequência uma grande demora para sua produção, o transporte era realizado com base em equinos e escravos , doenças que hoje são consideradas simples, como uma gripe, matavam milhares de pessoas, o lampião era o meio de se obter a claridade.
                Os novos inventos, ao contrário do que acontecia nos séculos anteriores, passam a ser de largo alcance e não apenas para uma restrita elite. A produção de roupa passa a ser feita em larga escala, é criado o sistema de transporte público, que mesmo sendo muitas vezes falho, procura atender a maior parte da população, remédios passam a ser amplamente produzidos e passa a haver cura para doenças antes incuráveis, criam-se diversas formas de produção de energia elétrica, entre outras melhorias na qualidade de vida das pessoas em geral.
                Entretanto, o que não se sabia era que se por um lado as novas descobertas facilitavam e melhoravam muito a vida da população, elas também traziam consigo consequência negativas as quais poderiam chegar a comprometer a  vida no Planeta .  O Aquecimento Global é uma dessas consequências, ele vem ocorrendo em decorrência da liberação de gases poluentes na atmosfera, esses são provenientes principalmente dos combustíveis escolhidos como preferenciais na sustentação das descobertas contemporâneas, como as indústrias, os automóveis, a produção de energia; esses combustíveis são denominados combustíveis fósseis e sua queima acaba acarretando uma dificuldade na dispersão do calor.
                Os efeitos desse fenômeno são sentidos diariamente, nota-se a diminuição das calotas polares com o aumento do nível dos oceanos, o calor cada vez mais intenso, o aumento de fenômenos como furacões e terremotos, entre outros. A humanidade está cada vez mais preocupada com essa situação e procura soluções para resolução do problema.
De acordo com Bacon, o homem só terá o domínio pleno da natureza se obedecê-la. Só terá o poder sobre ela se estudá-la. Assim, estudar, conhecer a natureza obedecendo-a, fazendo descobertas científicas que atendam às novas demandas da atualidade, como as energias renováveis, pode ser a solução tão procurada, ansiada, sendo assim a chance do homem mudar sua realidade para que as próximas gerações ainda possam habitar o chamado Planeta Terra.

As ideias de Bacon

Não é sem motivo que Francis Bacon é tido como símbolo da Renascença. Com sua visão acerca da natureza e da experimentação, além de suas críticas a várias maneiras de fazer ciência, o pensador do século XVII ensina ao homem do século XXI como usar a mente de forma correta.
Em sua obra, "Novum Organum", Bacon apresenta um método que busca uma ciência eficiente na luta contra a  natureza, sendo que para controlar a natureza é preciso antes ter o controle da própria mente, adquirido apenas através da experiência. Apesar de antiga, a ideia de amadurecimento não está presente intensamente na vida do homem contemporâneo, que está inserido em uma cultura imediatista.
Também é de grande valia para o homem da atualidade o pensamento de Bacon sobre as antecipações da mente, visto que estas são a base para o senso comum e para as falsas percepções do mundo (ídolos), representando uma oposição à clareza científica. Fazem parte deste pensamento as críticas aos pensadores gregos, em especial Aristóteles, que fazem das ciências artes contemplativas baseadas não em experimentos, mas em especulações e fantasias.
Assim, com seu método indutivo e sua proposta científica, o homem do passado ensina ao do presente a guiar sua mente pelos caminhos da experiência e a negar a mera contemplação como resposta da busca pela verdade.

”Aplicar é poder"



É sabido que os avanços científicos e tecnológicos nunca foram tão freqüentes e impressionantes, afinal de contas, nanocirurgias, ligas metálicas resistentes à combustão e fissão nuclear já são técnicas dominadas pela sociedade contemporânea. Todavia, apesar do desenvolvimento da engenharia e da medicina – feito muitas vezes de modo agressivo e insustentável, a crítica Baconiana sobre a ausência da aplicação do conhecimento ainda se faz atual no sentido de que o universo das humanidades peca pela falta de concretização.
Em seu livro “Novo Organum”, Francis Bacon disserta sobre a importância de uma ciência a qual produza bens úteis, a qual aplique um conhecimento baseado não apenas na razão, mas na experiência. Vale ressaltar, no entanto que a referida produção teria por finalidade a exploração da natureza em prol do bem-estar social.
Partindo, então, do pressuposto de que o objetivo maior de todo e qualquer aprofundamento teórico é a prática, é possível perceber que há um problema sério relacionado às pesquisas e aos estudos jurídicos ou mesmo filosóficos. Ora, quantas são as pesquisas na área do direito que problematizam uma situação, refletem a respeito de alguma medida auxiliadora e a concretizam efetivamente? E ainda, quantos são os intelectuais que realmente aplicam o conteúdo de suas extensas leituras e acirradas discussões acadêmicas?
Parece que existe uma valorização exagerada da dialética, da fala formal e rica em citações, enquanto que há uma indiferença, ou talvez negligência, para com os desdobramentos da mesma. A impressão também é de que como “saber é poder”, agir de modo individualista, aglomerando e reproduzindo conhecimentos é o bastante, é admirável. Tal fato, por sinal, é surpreendente, uma vez que a intenção do estudo e do desenvolvimento mental é, ou deveria ser a melhora da qualidade de vida da população sob algum aspecto, ou seja, a aplicação concreta da ciência segundo o mencionado autor. 


OS ÍDOLOS BACONIANOS E AS INSTITUIÇÕES ATUAIS


  Bacon em sua obra “Novum Organum” apresenta-nos uma ciência muito semelhante a realizada na atualidade, uma ciência pautada na experiência, na capacidade humana de provar uma teoria e não apenas baseada na argumentação e no raciocínio lógico.
  A sociedade empírica de Bacon, capaz de expulsar os ídolos, falsas visões de mundo, não foi ainda posta em prática. Diversos fatores contribuem para bloquear a verdade que emana das realizações científicas e impedi-las de provocar as devidas mudanças nos indivíduos pertencentes à sociedade. Em cada ídolo citado por Francis Bacon encontram-se instituições responsáveis pela sua perpetuação na atualidade.
Ídolos da tribo - Como a mídia lida coma informação, ela tem a capacidade de formar opiniões e com isso utilizar-se das informações da maneira que lhe convir.   É capaz de causar, portanto, distorções da realidade, causadas por uma mente controlada por essa mídia.
Ídolos da caverna – Religião e educação são responsáveis pela formação do indivíduo, influenciam suas escolhas e sua visão de mundo. Contribuem, pois, para formação de modelos a serem seguidos.
Ídolos do foro – Os sistemas econômicos vigentes em uma sociedade são capazes de influenciar a conduta de seus membros. Maior ou menor competitividade, maior ou menor submissão ao Estado; tornando-se características necessárias para a sobrevivência da estrutura.
Ídolos do teatro – Superstições em geral contribuem para que fatos científicos sejam explicados por concepções sobrenaturais que estimulam a imaginação. Embelezam a realidade a fim de afastar as pessoas dos objetivos das grandes instituições.
Consideramo-nos tão evoluídos e mesmo assim continuamos sob a influência de ídolos identificados por Bacon em 1620. Somos racionais ou manipuláveis?

sexta-feira, 23 de março de 2012

Crédito aos ídolos

O autor Francis Bacon, em sua obra “Novo Organum”, discute o equilíbrio entre razão e experiência voltadas para o desenvolvimento das ciências e da mente humana. Bacon coloca em destaque a necessidade da criação através das ciências de instrumentos para modificar a realidade de forma prática, elaborar algo efetivo, funcional, relacionado ao bem-estar humano.
            Ao propor o uso da experiência como amparo sólido para a razão e para a construção do conhecimento, Bacon critica o mero exercício da mente, responsável pelo condicionamento do homem. Segundo o autor, o desenvolvimento da retórica, das meditações e especulações é superado pela natureza e isso resulta na inutilidade dessa sabedoria inexperiente para o incremento da ciência.
            Entretanto, o arcabouço de reflexões produzido pela humanidade até a época de Bacon foi em grande parte fruto da idealização de pensamentos direcionados para o campo metafísico e para o desvendamento da sociedade e do mundo. Assim, a ciência anterior a Bacon não tem produtividade semelhante aquela posterior a ele e mesmo assim é responsável pelo progresso através dos séculos, constituindo o alicerce da metodologia atual, que criou a modernidade na qual vivemos.
            As associações entre os homens graças ao discurso, que, segundo Bacon, são noções falsas assim como os ídolos, percepções incorretas do mundo, definiram normas e explicações ao organizar as sociedades antigas e deram origem aos sistemas atuais de governo. A proposta do autor de equilíbrio e ciência moderna seria incompleta com a inexistência de anterior contemplação filosófica.
            Enfim, a filosofia tradicional contribuiu decisivamente para o surgimento dos “primeiros métodos” e Francis Bacon rompeu com a admiração da mente humana para buscar auxílio às ciências.