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domingo, 27 de março de 2016

Utopia x Pragmatismo



    “O Ponto de Mutação”, filme de 1982, trata de assuntos muito debatidos na realidade atual: a questão da saúde mundial, o feminismo, a desigualdade socioeconômica e a preservação do meio ambiente. Tais temas começaram a ganhar espaço nas discussões a partir do pós-guerra, contexto no qual o filme foi produzido, e para eles ainda não há solução, por isso ainda são questões atuais.
       No filme, a cientista propõe uma resolução para os problemas: começar a pensar no planeta e na humanidade como um todo, “um só, uma só realidade”, isto é, suprimir o método cartesiano de tentar entender parte por parte do sistema para, depois, buscar uma solução para cada uma dessas partes separadamente (utopia). Em contrapartida, o político a interpela sobre como colocar em prática essa ideia de pensar em uma unidade (pragmatismo).
       Assim, percebemos que a utopia e o pragmatismo mais uma vez se chocam, como sempre ocorreu no decorrer da História humana. No entanto, apesar de aplicarmos apenas aquilo que é possível (pragmatismo), a utopia, o sonho e as idealizações são essenciais à humanidade. Faz com que acreditemos que a realidade possa ter mudada.   A ausência da utopia gera descrença e desesperança, o que pode nos paralisar na busca por melhorias da realidade. 


Nathalia Neves Escher - 1º ano (Noturno)

Mescla de Pensadores



O filme, ``Ponto de Mutação´´, retrata uma discussão filosófica a partir de postulados de pensadores antigos, como Descartes, Bacon, Newton, entre outros. A discussão se passa através de três personagens principais, um poeta, uma cientista e um político, de modo que é basicamente uma figura básica das sociedades atuais, cada um com um ponto de vista.
É citado a poluição de rios e mares, o desmatamento para ampliação de pastos, a criação extensiva de gados, mas ao mesmo tempo, tentativas de soluções para tais desregularidades com a natureza. O Político, então, como representação da figura tradicional, fala e defende seu ponto de vista para conseguir votos e se manter no poder, indiferentemente se o meio é algo virtuoso ou não, o que Maquiavel já analisava, porém, é visto na atualidade. O poeta, tenta manter uma figura neutra e imparcial, o que hoje, os júris tentam ser e julgar com a melhor decisão, se possível sem prejudicar ninguém e acharem a melhor solução. E a cientista, critica os meios políticos e julga corromper o homem, e assim, desequilibrar a relação homem-natureza.
Enfim, com uma sociedade capitalista, geradora de toneladas de lixo, pelo consumo exagerado e necessário para o sistema se concervar, não achará solução plausível sem certas partes sejam desmanteladas, o que o filme propõe: o problema tem que ser resolvido pela base, para que se possa construir uma excelente sociedade. O qual aí então, passaria a respeitar os direitos humanos, ambientais e animais sem que haja uma lei nos obrigando a cumprir, pois os direitos são, ou não, antecedentes ao homem?


Paulo César de Oliveira Borges - 1º ano - Direito Noturno

Vendados pelo egoísmo e pela alienação

  A questão central de O Ponto de Mutação é a urgência de alterar a nossa perspectiva em relação ao planeta e a nós mesmos. Hoje, ainda vigora a visão mecanicista, próxima, no filme, dos ideais do político. A permanência dessa visão, que trata o ambiente e o indivíduo como máquinas, pode ser observada através das características do mundo atual: intensa degradação ambiental, consumismo, individualismo e falsa ideia de liberdade. Todos esses valores contemporâneos tem sufocado o homem e a natureza e estão na contramão de um mundo mais sustentável e humano, defendido pela cientista. 
  Descartes utilizou a metáfora do "relógio mecânico" para defender o mecanicismo. De acordo com o filósofo francês, o mundo e o homem são como uma máquina, disponíveis às eventuais manutenções, "troca das peças". Apesar de ter sido fundamental para a Idade Moderna, essa visão se tornou ultrapassada e nociva para a atualidade. No entanto, a maior parte da sociedade permanece como uma engrenagem de sustentação do sistema e o meio ambiente, colocado a disposição da ganância de poucos e de um consumo irresponsável. 
Isso ocorre porque, no cenário atual, é fundamental consumir para estar integrado socialmente- em especial, aquilo que é desnecessário (mas a mídia faz parecer indispensável). Enquanto que para sustentar esse consumismo, recursos naturais são sacrificados e milhares de pessoas perdem, sem perceberem, grande parte de sua existência.
  Para exemplificar esse paradigma, cerca de 80% do dia da maior parcela populacional é dedicado ao trabalho e um alto percentual dos salários é voltado para o consumo do supérfluo. Por outro lado, o planeta não suportará esse ritmo consumista. Estamos diante, portanto, de uma sociedade que não pensa nas gerações futuras, ou seja, muito próxima da perspectiva inicial do político: imediatista e individualista. 
Outra ideia defendida pelo político e que permeia o consumismo contemporâneo é a noção de liberdade- aqui falamos especificamente da sensação de liberdade atrelada ao consumo. Ao adquirimos um produto, temos- entre outras sensações- a de liberdade de escolha e de posse. Quando, na verdade, não nos damos conta do sacrifício ambiental e do tempo escravizado para comprar aquele bem que logo se tornará obsoleto. Isto é, trabalhamos excessivamente, como máquinas, para consumir aquilo que não precisamos, enquanto o essencial, aquilo que nos faz humanos- o afeto, a empatia e o lazer- é corroído.  
  Em contraste com esse pensamento egoísta, o filme traz a perspectiva humanitária e sustentável da cientista. Para ela, é necessário mudar essa visão mecanicista que não respeita os limites da natureza e nos torna seres menos altruístas. E essa mudança deve passar, de acordo com a física e, principalmente, com a nossa realidade, pela conscientização das gerações futuras acerca da necessidade de preservação dos recursos naturais, do consumo ecológico (o qual incluí desde a erradicação do supérfluo até a reciclagem) e da desconstrução dessa visão do outro como um eterno adversário.
Caso contrário, se continuarmos vendo o planeta e os homens como um grande relógio mecânico, caminharemos- cada vez mais- para a nossa auto destruição.

Juliana Inácio- 1 ano direito (noturno)

Visão mecanicista X visão sistêmica



O filme "O ponto de mutação", do diretor Bernt Capra, nos apresenta uma nova perspectiva, um novo modo de pensar referente a humanidade, a natureza, enfim tudo oque nos cerca e nos compõe.
No filme há três personagens que são: uma física (Liv Ulmann), um político (Sam Waterston) e um poeta (Jhon Heard), estes três personagens se encontram ocasionalmente em uma cidade medieval na França e a partir deste desfecho iniciam uma conversa sobre suas experiências, no decorrer deste diálogo podemos notar uma abordagem mecanicista e uma abordagem sistêmica, falando do nosso mundo, dos nossos tempos.


Este filme faz com que pensemos na diferença que existe entre a visão mecanicista que imperou no mundo durante muito tempo com a visão sistêmica, a partir desse ponto surge uma discrepância, o método cartesiano de analisar o mundo, o dividindo em partes não funciona mais nos tempos atuais, o mundo é um todo e deve ser visto por completo, como a cientista disse "[...] claro que pode consertar uma peça, mas ela vai quebrar de novo em um segundo, porque ignorou oque se conecta a ela. Precisamos mudar tudo de uma vez, ao mesmo tempo " esta fala resume a visão sistêmica de ver as coisas.

Nos tempos atuais nossos governantes ainda tem uma visão mecanicista diante dos problemas da sociedade, tais eles como a fome, desemprego, criminalidade, talvez seja por este detalhe que nada se resolve por completo, eles tentam resolver o problema usando o famoso "jeitinho brasileiro", substituindo a peça danificada e não eliminando a causa do problema e evidentemente o problema retornara assim se tornando um ciclo vicioso. Para concluir vou citar, uma frase que esta presente na abertura do livro "o ponto de mutação" de Fritjof Capra. " Ao término de um período de decadência sobre vêm o ponto de mutação. A luz poderosa que fora banida ressurge. Há movimento, mas este não é gerado pela força... O 
movimento é natural, surge espontaneamente. Por essa razão, a transformação do antigo 
torna-se fácil. O velho é descartado, e o novo ê introduzido. Ambas as medidas se 
harmonizam com o tempo, não resultando daí, portanto, nenhum dano" (I Ching).

Ari D'antraccoli Neto - 1°ano Direito (matutino)

Reflexões de uma qualquer: Mundos

Ao nascer o humano cria seu primeiro mundo, aquele em que há dependência e a descoberta de sensações. Cria vínculos com seus progenitores que parecem intermináveis, não se desloca, nem se emancipa. Se nutri. Cresce.

O segundo mundo é tomado por inúmeras transformações, cresce a independência, aumenta o número de opiniões. As sílabas antes impronunciáveis se tornam longos monólogos egocêntricos, dramáticos e superficiais. Tudo gira em torno do Eu, tudo se concentra no espírito narciso, é como se o mundo fosse o ser e o ser fosse o mundo. Amadurece.

Já o terceiro mundo renasce podando exageros, conservando o bom senso, contendo ações descontroladas, porém amando a si o bastante para ter medo do outro. Este se classifica mais consciente, mais autônomo de emoções, põem a volatilidade dos dias abaixo dos seus pés, age como domador do tempo, se ilude no controle de sua vida ao supor que com ela controla o mundo. Fragmenta, analisa, despedaça relações que são unidas em si. Contudo se estabiliza. Para.

Por fim, se arrasta o quarto mundo lento e pálido. Este se enrosca em conflitos do humano, se encontra em crises crescentes e finalmente conclui que o mundo, a vida e sua existência não se constrói só em pequenas partes desconexas. Aos poucos sente-se envolto por tênues linhas do universo conectando tudo que existe nos mundos, inclui o Humano a uma teia de relações mutáveis e passageiras.Liberta-se.

Assim é possível notar que nem o homem, nem o mundo se constroem em totalidade e individualidade, tudo se modela a cada instante, se origina e dá origem, se torna independente ao mesmo tempo que depende do todo que o cerca. Nada é mecanizado ou será que é? Não pode o ser! Pois a essência desta vida é sua auto-organização de tal forma que as ligações entre vida, natureza, homem e o mundo moldam todo o Universo.

Mas hoje, em especial, não posso deixar de considerar o rompimento dessas singelas relações ou mesmo quando algo interrompe a essência da Vida, de tal forma que só resta aos que ainda se prendem a essas linhas o sentimento de dor, a saudade e o vazio que as conexões existentes já não suprem mais. Poderia o poeta ser completo sem a Cientista ou o Político? Pode o Direito ser completo sem a História?Jamais.


P.S.: Descanse em paz Larissa Lages - Unespiana de História
        Em tão pouco tempo de convivência já vai fazer imensa falta.
        Luto 26/03/2016 



Nathália Galvão

A visão sistemática da vida

      O filme "O ponto de mutação", dirigido por Bernt Capra, apresenta como tema central uma nova forma de enxergar e compreender o mundo, como um sistema, e não como partes isoladas. Os personagens principais do filme - um político, um poeta e uma física - debatem esta visão durante o filme, fazendo com que cada um destes acrescente novos pontos e novos questionamentos à pauta principal.
     A visão da vida e do mundo como sistemas que interagem entre si se baseia no principio de que tudo tem como fundamento conexões e relações. Desta forma, tal visão é oposta ao método Cartesiano, visto que este propõe que "disseque-se" cada objeto de estudo e analise-se suas partes separadamente, para depois compreender o todo. O pensamento de sistemas sugere que cada objeto, ser vivo ou mesmo problemas ao redor do globo devem ser analisados como parte de um sistema maior, que interage com outros sistemas, e portanto, não pode ser compreendido separadamente destes. No filme, tem-se como exemplo uma árvore: um cartesiano observaria a árvore dividindo-a em folhas, tronco, caule, e estudando cada uma destas partes. Já o pensador de sistemas enxergaria a árvore como parte de toda a floresta, para compreender sua natureza de maneira efetiva.
     As ideias trabalhadas em "O ponto de mutação" são, certamente, discutíveis, mas podem, se observadas cuidadosamente, trazer novas noções para o pensamento, e fazer com que, ao buscar compreender algo, não nos foquemos apenas no objeto de estudo em si, mas naquilo que o rodeia, para que tenhamos uma visão mais ampla e abrangente daquilo que nos cerca.

Gabriel Cândido Vendrasco - 1º Direito (diurno)

Aquário


Não se sabe ao certo o que fazer com a tristeza,
Sentimento rejeitado e jamais visto com os olhos da beleza.
O ser humano o refuta e batalha para contê-lo,
Negando a simples ideia de que se pode brincar com um novelo.

Nada pequeno é visto com suficiente.
Esquece-se que são nas simples coisas que a felicidade encontra a gente.
Buscamos sempre mais e mais para podermos dar conselho
Àqueles que não se encontram nem mesmo no próprio espelho

Mas a vida, a vida tem dessas, não se resume a nossa janela.
É infinitamente maior do que as minhas e as suas teorias sobre ela,
Nos faz sentir como peixes presos no vento
Que mesmo sabendo das suas limitações não param de nadar um só momento

E mesmo fora d'água eu não deixo de buscar um mundo maior,
Abrindo mão de morar no interior do meu interior
Para quem sabe encontrar bem lá no fundo do meu coração
O motivo de estar sempre em constante mudança e evolução.

Vítor Hugo Cordeiro- aluno do 1º ano de Direito diurno

A vida sente a si mesma

  O filme “Ponto de Mutação”, baseado no livro de mesmo nome escrito pelo ecologista austríaco Fritjof Capra, desenvolve-se a partir do diálogo de três pessoas acerca dos problemas e questões que envolvem o mundo contemporâneo. As personagens iniciam uma discussão caracterizada por fazer uma crítica direta à persistência da forma cartesiana e mecanicista de pensamento utilizada pela ciência moderna a fim de compreender o mundo, ou seja, o pensamento científico ainda vê cada ser vivo como uma máquina que metodicamente realiza apenas uma função.
  De fato, essa visão cartesiana acabou influenciando todo o posterior pensamento científico que foi elaborado, uma vez que, como os seres vivos são metaforicamente comparados a objetos que apresentam um único ofício, desenvolveu-se a partir de então um modo de raciocínio marcado pela linearidade. Contudo, tal modo objetivo não é verdadeiro de acordo com o filme, visto que este acredita que os seres vivos estão interligados por complexas teias de relacionamentos, as quais não apresentam uma única direção possível, mas várias.
  O problema da superpopulação no planeta foi abordado como resultante de uma série de fatores que interligados culminaram na sua existência, e esta problemática só poderia ser solucionada se os métodos a fim de evitá-la não forem analisados isoladamente, isto é, com um modo de raciocínio linear que visa apenas uma possibilidade de fim. Além disso, um tópico muito discutido no filme é o ritmo de crescimento alucinante de algumas nações que vai de encontro com políticas de sustentabilidade; a personagem Sônia afirma que não há necessidade de tal crescimento exacerbado, mas que é necessário frear esse processo para as próximas gerações e isto acontecerá quando houver uma mudança na percepção do mundo, não mais como um instrumento, mas como um ser vivo.
  Em suma, as personagens concluem que resumir a vida a um objeto, como a máquina do pensamento cartesiano, é uma incoerência, pois a vida não é condensável dessa forma, mas ela sente a sim mesma.



Uma nova percepção

A trama “O Ponto de Mutação” se baseia em um diálogo profundo entre filosofia, ciência, arte e religião entre três personagens: um poeta, uma cientista e um político, em que cada personagem possui uma maneira diferente de ver o mundo.
No decorrer do filme a cientista deixa clara sua opinião sobre o fato de ser contra a ideia mecanicista de enxergar as coisas, maneira vista por Descartes. Este acreditava que seu objeto de estudo deveria ter cada partícula analisada separadamente, para somente depois conseguir compreender o todo, para a cientista essa maneira de ver o mundo é ultrapassada, segundo ela, devemos analisar o todo conjuntamente compreendendo sua interatividade e conexão.
Podemos trazer essa maneira de ver as coisas para os dias atuais. O ser humano se torna cada vez mais individualista, pensando somente em seu mundo particular, se passássemos a pensar no mundo como um todo, talvez a sociedade não estaria tão doente e corrompida e as pessoas fossem mais solidárias umas com as outras, trazendo talvez uma resposta para os problemas e conflitos atuais.

Talita Santos Lira    - 1º ano Direito diurno

A rosa que o Tio me deste

A vida se foi num estrondo.
Esvaiu-se no abismo escuro.
Aquietaram-se os moleques
e as gueixas,
aumentaram todas as queixas.
Risos esquecidos,
o choro do bebe destruído.
Uma mancha densa. Uma mancha
sangrenta e espessa.
Foi fumaça, foi força exagerada.
Nas escolas um susto.
Pra quê? Por quê?
Não existem respostas.
Estão todas tortas.
Que Tio é esse? 
A rosa despetalada, sem perfume
sem explicar nada,
devastou uma nação.
Foi-se o coração nipônico.
Foi-se a fertilidade,
só rosas de fumaça nasceriam,
só sementes de fumaça se semearia,
e o câncer de verdade se instalaria.
Só.
Uma chuva negra regou a plantação do arroz
submerso no obscuro o arroz
e a moral.
Que parte que somos? 
Um todo, um sistema?
Mil problemas
Uma percepção
A ciência da explosão.
Um vácuo e um pensar
Comtemplar ou praticar?
Vamos transcender.
Unir os fragmentos interpretativos
Sistemas vivos.
Nação.
Ferro, laser, árvore, animal. 
Onde chegamos afinal?
Vamos matar irmãos? Vamos matar inocentes?!
Vamos pedir perdão?
Vamos distribuir rosas que não sangrem assim.

José Eduardo Adami de Jesus - 1 Direito (noturno)

O pragmatismo impregnado

    A essência do mundo esta perdida. Seja pelo avanço das ciências exatas, seja por um processo natural de "encurtamento" das distâncias, o pragmatismo impregnou a sociedade. O filme "Ponto de mutação" nos tira do " praticismo" e nos coloca em diálogos que estimulam as indagações sobre o mundo que nos cerca. Entre os assuntos abordados estão: Filosofia, ciência, ecologia, desenvolvimento sustentável e relações humanas.
 
 Nós, estudantes de ciências humanas, costumamos nos gabar de não sermos pragmáticos, de dar atenção aos sentidos, quase como um empirista, na construção do conhecimento. Isso, claro, em comparação com outras ciências, que necessitam de meios menos voláteis e mais sólidos para a produção de informação. É uma conclusão simples, já que as plataformas de fazer ciência são deferentes, e exigem pensamentos e métodos igualmente diversos.

Aceito isso, confesso que, após assistir o filme mencionado, cogitei que que minha visão de mundo é muito mais pragmática e limitada do que já mais havia pensado. Os diversos universos explorados na obra de Bernt Capra, baseado no livro de mesmo nome de Fritjof Capra, dialogam de forma coesa, mostrando uma visão de mútua relação entre os diversos aspectos da vida. Tudo isso, embebedado de uma crítica ferrenha ao sistema político que trava os avanços mais necessários para o mundo.

 De fato, as reflexões sugeridas pelo filme de Capra  vão além da percepção. Uma única analise, mesmo que atenta, ao longa, não desmembraria as sutilezas desenvolvidas por meio do conflito de ideias do político pragmático, do poeta sensível, e da cientista filosofa. Por fim, levo como aprendizagem para a vida uma missão: Mudar minha maneira de ver o mundo


Guilherme Araujo - 1* ano Noturno

A Vida não é um Sistema

             Tendo como principal tema, a busca por uma melhor percepção de mundo, o filme Ponto de Mutação vem para encarar os paradigmas sociais e científicos impostos a sociedade humana. E por meio do diálogo entre três personagens, o filme se desenrola, trazendo indagações às mais diversas situações cotidianas.
              O longa apresenta um engajamento profundo em torno das atuais concepções de mundo, criticando inclusive, as que foram impostas por grande pensadores, como por exemplo Descartes e seu método. Método este que analisa de forma mecanicista seu objeto de estudo, sem levar em consideração sua essência e suas relações, o que segundo a personagem Sonia, leva a males e perversidades contra a própria humanidade.
              Diante a este paradoxo, o trio tenta formular as mais diversas soluções, chegando na visão sistêmica do universo, em que se analisa as conexões entre os seres, e as consequências caso essas relações sejam rompidas. No mais, chega-se a conclusão do quão complexa a vida é, não podendo ser definida como um sistema, todavia as visões de mundo devem ser repensadas, para que se tornem mais humanas.                    
             Dessa forma, os problemas do mundo podem ser encarados a fundo, levando-se em consideração todos os afetados e como esses estão ligados entre si, deixando de lado os egoísmos, a dominação da natureza, o patriarcalismo e o detrimento das futuras gerações. Para que só assim seja possível estabelecer uma visão mais sustentável, respeitável e real da vida.

Caio Henrique Turco
Direito - Matutino
1° ano

A dinamicidade do conhecimento

Fritjof Capra, em sua obra “ponto de mutação”, revoluciona todo o pensamento existente para explicar os fenômenos mundanos de até então, como os modelos puramente simplistas e mecanicistas, que acabam por influenciar, negativamente, a compreensão da realidade.

Outro ponto que Capra destaca, é a maneira como a técnica( defendida e utilizada por Descartes e Newton, por exemplo) observa os acontecimentos, reduzindo-os á meros objetos de estudo, sem levar em consideração suas interconexões, além de separar o “objeto de estudo” do observador, criando um abismo entre ambos e, dessa forma, apresentando um conhecimento simplista, reduzido e incompleto.

Nesse filme, é possível observar que a visão de mundo atual é marcada principalmente por uma visão mais ampla, abrangente e sistêmica, que recusa separar os elementos da realidade a fim de obter alguma compreensão exata, pois, para isso, é necessário levar em conta, todo o processo de interdependência que acaba por dinamizar cada vez mais a realidade.


Portanto, nessa obra, percebe-se a notável crítica aos modelos cartesiano-newtonianos, uma vez que os conhecimentos fornecidos por esses métodos, são basicamente, simples e limitados, pois acaba por abordar uma compreensão superficial da realidade, desprezando toda a dinâmica que caracteriza a mesma.

Murilo Ribeiro da Silva  1°ano de Direito, matutino.

Busca pela coletividade

O filme "O Ponto de Mutação" gira em torno de discussões entre um politico, uma cientista e um escritor, os quais contestam sobre assuntos relacionados, principalmente, à década de 90 (período sobre o qual o filme ocorre).
A trama nos faz abrir nossa visão sobre o mundo, especialmente pela forma de pensar da cientista Sonia, a qual possui um pensamento que se contrapõe muito, principalmente, ao do politico. Ela, buscando apoiar-se em ideias que defendem a tese de que os problemas devem ser analisados em conjunto, em grandes partes, tanto que, num trecho do filme, ela diz, após apresentar vários argumentos: “Como vê, não pode olhar em separado os problemas globais”; enquanto isso, ele defende a ideia de que se deve analisar cada caso em pequenas partes, para depois entender o conjunto completo.
Sonia, além de contrastar com as ideias do politico, contrasta também, por exemplo, com Descartes, o qual defendia um pensamento mecanicista, sendo seu “método cartesiano”, de acordo com a visão dela, uma teoria ultrapassada que não deveria mais ser utilizada na atualidade, a qual acobertava a ideia do politico de que os elementos estudados devem ser repartidos em partes para que seja possível uma melhor compreensão sobre tais elementos em conjunto. Além disso, vale lembrar de que, para Sonia, essas ideias cartesianas trazem malefícios para a sociedade.
Um dos argumentos utilizados pela cientista que contrapõe a tal teoria de Descartes e as ideias defendidas pelo politico é quando ela diz “[...] O Brasil, por exemplo, sabia que lá eles destroem a floresta Amazônica a razão de um campo de futebol por segundo? [...] Por quê? Tentam pagar a divida nacional com o gado e as terras. Nem tem tempo para vender a madeira! Põem fogo na floresta! E o desmatamento é uma das causas principais do efeito estufa na atmosfera [...] Como vê, não pode olhar em separado os problemas globais [...] Claro que pode consertar uma peça, mas ela vai quebrar de novo em um segundo, porque ignorou o que se conecta a ela. Precisamos mudar tudo de uma vez, ao mesmo tempo”.
Assim, tal pensamento mecanicista fez com que os seres humanos se tornassem cada vez mais individualistas, tratando cada assunto separadamente, fazendo com que cada país ou continente acreditasse poder tratar seus assuntos/problemas isolados do restante do mundo, dificultando e/ou impossibilitando o encontro de uma real solução. Desta maneira, com o pensamento de Sonia, trazendo suas reflexões para os dias atuais, poderíamos excluir essa individualidade pela coletividade e, com certeza, os nossos problemas seriam reduzidos em grande escala.


Gabriel Ferreira dos Santos - 1° ano direito (noturno)

Ótica mecanicista



Ponto de mutação (“Mindwalk”) é um filme de 1990, baseado no livro homônimo, que ao longo de seu enredo discute diversos paradigmas presentes na sociedade, suas visões de mundo e seus efeitos na atualidade.

Uma das principais discussões presentes é sobre a corrente, iniciada por René Descartes, que desenvolve uma visão mecanicista sobre o planeta, ou seja, enxerga-se o planeta e seus componentes como parte uma máquina. E mesmo com quase quatro séculos de sua apresentação continua com forte presença e causando consequências em vários setores como: social, ecológico, cientifico, entre outros. Sendo seus efeitos mais latentes nas sociedades ocidentais

Quando compara o mundo com uma máquina (algo mecânico) e o analisa através desse paradigma tende-se a enxergar os seres vivos como máquinas também. Na ecologia essa consequência é devastadora, pois se passa atribuir características mecânicas a natureza, fazendo pensar que ela poderá se regenerar de forma infinita e rapidamente (como se fosse concertada) e que único objetivo é servir aos humanos.

Outra consequência é acreditar que os indivíduos são simples peças de uma grande máquina (a sociedade). Assim as pessoas são consideradas descartáveis e sem direitos individuais. Essa crença permite a base teórica para a formação de regimes com tendências autoritárias e que desejam a formação de comunidades desiguais e estratificadas.

Apesar de parecer que essa visão leva a ruína da sociedade essa visão quando foi proposta, no século XVII, revolucionou por propor um rigor cientifico o por alguns séculos permitiu consideráveis avanços. Atualmente ela não pode servir sozinha de base para ciência, mas não significa que está totalmente ultrapassada.

Quando se considera o funcionamento do mundo como uma máquina, criam-se precedentes perigosos que são capazes de justificar a extração sem regulação de recursos naturais, ações arbitrárias de Estado entre outras ações. Porém também quando foi proposto auxiliou em diversos avanços tecnológicos. Então essa visão não é sempre desastrosa, mas com as mudanças sofridas pelas sociedades a visão mecanicista tornou-se obsoleta quando utilizada como única fonte de conhecimento, o que não significa que ela possa ter utilidade quando usada de forma comparativa com outras metodologias para desenvolver novas pesquisas.   

João Pedro Costa Moreira

Aluno primeiro ano Direito noturno UNESP

"Nenhum santo sustenta-se sozinho"

“Ponto de Mutação” é um filme de 1992 que discute uma temática muito atual, o longa-metragem traz uma discussão sobre diversos problemas da sociedade envolvendo o pensamento de Descartes e o “mundo mecanizado” no qual tudo é tratado como um relógio, a divisão de partes e sua junção explica o todo.
É criticando este pensamento que a cientista, Sonia Hoffman, irá apresentar um novo pensamento que se baseia na interdependência de todas as coisas no universo. Assim, somos convidados a deixar a visão conservadora de lado e abrir nossa mente para novos conceitos envolvendo a natureza e relações humanas.
Na conversa entre as três personagens do filme há uma abundância de metáforas e analogias, percebe-se a contradição dos personagens entre tantas metáforas, por exemplo, a cientista que tanto critica a visão do mundo que separa todas as coisas, isolou-se do mundo na ilha após uma frustação profissional, e ela que defende relações melhores com o mundo possui uma relação conturbada com sua filha. O político que anseia a mudança pessoal continua a afirmar sua posição conservadora durante toda a conversa ao longo do filme.

“Nenhum santo sustenta-se sozinho”

Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti. (John Donne)

Nada nem ninguém está completamente sozinho no mundo, cada aspecto da vida não deve ser por fim julgado isoladamente, devemos analisar a “perspectiva geral”.


Thalita Marques Monteiro – 1º Ano – Direito Noturno.

Analise Ponto de Mutação.

  No filme Ponto de Mutação temos a discussão da perspectiva e como podemos enxergar um problema através de um prisma ,outro ponto e a critica ao pensamento cientifico vigente que tem como fundador Descartes e Bacon .
  A principal critica do filme ao metodologia "descartiana" e a divisão do conhecimento em partes isoladas, mas vivendo em um mundo globalizado onde cada evento se interliga e influencia a outro, isso dificultou na resolução dos problemas já que eles são interdisciplinares ,como por exemplo no filme que faz uma relação entre a economia e o desmatamento na floresta Amazônica.
  Para Descarte todo conhecimento para ser útil deveria ser colocado em pratica no dia-a-dia com a finalidade do homem vencer o meio que vive, criando uma falsa ideia que o homem é superior a natureza ,causando um distanciamento dos dois, como consequência hoje existe uma grande crise ambiental.
  O pensamento cientifico criado por Descarte foi muito importante para o desenvolvimento da nossa civilização, mas vivemos em um tempo diferente, onde estamos mais interligados a outras pessoas e também ao meio ambiente ,onde a concepção de tempo e espaço foram reduzidos por isso uma nova forma de pensar cientificamente precisa ser desenvolvida.

Teorias, perspectivas e a vida: onde se encontram?

Uma reflexão acerca dos temas apresentados no filme “Ponto de Mutação” pode parecer um pleonasmo a princípio, posto que os personagens a fizeram no decorrer da narrativa. Entretanto, refletir nunca é demais.
A crítica direciona-se às perspectivas, aos pontos de vista dos habitantes deste mundo hodierno. O método cartesiano já não é suficiente para resolver os entraves do cotidiano, o “relógio” precisa ser repensado para encerrarmos este ciclo vicioso. Aceitar que vivemos numa interdependência com tudo e todos é um bom jeito de experimentar outra teoria: a dos sistemas vivos. Nela, a organização é responsável pelo bom funcionamento das coisas, deixando tudo em equilíbrio para que as novas gerações também possam usufruir deste ambiente de maneira sustentável.
Quando a relação entre o homem e a mulher entrou em desequilíbrio, aquele começou a explorar a natureza de tal forma que ela respondeu com a escassez de seus recursos, novas doenças e tudo mais. Isso prova que, por mais que tente, ele não está apto para isolar-se; sua existência é integrante de algo maior.
O contato com Sonia, a cientista, engrandece o repertório cultural de Thomas e Jack (o poeta e o político, respectivamente), mas suas ideias parecem um tanto contraditórias em face de suas decisões. Ao mesmo tempo em que ela defende a interdependência, seu relacionamento com a filha deixa a desejar; a atitude de migrar para uma ilha também, na medida em que seus pensamentos não chegam além das fronteiras.

Em síntese, a obra nos incita a buscar mais fundo a raiz dos problemas, sem esquecer-se de conectá-la às outras peças do quebra-cabeça. Afinal, a essência da vida é a auto-organização.  





Letícia Felix Rafael, 1º ano - Direito (noturno)

                         "O homem é o lobo do homem"


  A frase titular de Hobbes, filósofo francês do século XVII, afirma que o estado natural do homem é a guerra e consequentemente sua própria destruição. O filme "O ponto de mutação", do diretor Bernt Capra de 1990, aborda uma questão complexa sobre a humanidade, o resultado de suas ações, a ciência criada por ela e a possível causa da sua própria destruição.
  Seguindo o filósofo Bacon, a humanidade priorizou o uso de ferramentas e desenvolvimentos científicos e assim conseguiu, não completamente, controlar e prever a natureza. A consequência desse fato começou a ser sentida a partir do século XX: o aquecimento global e os danos ambientais sentidos por todo o mundo. Atualmente, alguns lutam para tentar diminuir os efeitos danosos causados por essa ação humana.
  É necessário, portanto, uma revolução particular a partir da percepção de cada um da necessidade de mudança. Para preservar a existência humana conjuntamente com a dignidade e prover meios para o bem estar de cada é necessário pressa, e apenas uma revolução seria capaz de alcançar tal objetivo. Renovar a si mesmo é uma das soluções encontradas no filme.




  Lorena Maria de Lima Melo aluna do primeiro ano de direito noturno.