Émile Durkheim foi um importante sociólogo no séc XIX que inspirou diversos estudos sobre a sociedade e como ela se configura. Um desses estudos foi sobre os fatos sociais e como eles influem na vida do individuo, com o objetivo de manter a ordem social.
Os fatos sociais são independentes do individuo, e tem como essência o agir do homem em sociedade de acordo com as regras sociais, ou seja, consiste em maneiras de agir, de sentir e de pensar, obrigando-os a se adaptar às regras da sociedade onde vivem.
Analogamente as ideias de Durkheim, podemos fazer uma relação desses fatos sociais com a forma que a sociedade no século XXI se organiza, onde diversos mecanismos são elaborados para que os fatos sociais sejam obedecidos. Um exemplo disso é o atual padrão de beleza, criado para manter a ordem e o controle sobre as mulheres, que com a ajuda das empresas de cosméticos e todo o aparato capitalista focado no lucro, inventaram diversas ''regras'' e ''características'' que a mulher ideal deve seguir para ser socialmente aceita.
O padrão de beleza é algo convencionado, que já sofreu diversas mudanças em seus paradigmas durante os anos, mas atualmente o principal esteriótipo que é imposto as mulheres como ideal de beleza, é o da mulher magra.
Essa crença de que a mulher magra é a mulher certa, e a única capaz de ser considerada ''bela'', despertou em diversas mulheres, uma serie de problemas de saúde mental e física, já que em função disso é cada vez mais normal que a mulher se disponha a participar de dietas rigorosas e cirurgias estéticas que podem suscitar complicações em seus corpos, antes saudáveis, somente para se enquadrar nesse padrão inventado.
No livro ''Mito da beleza'' de Naomi Wolf, é discutido como a busca por essa beleza convencionada, que se torna cada dia mais irreal e inalcançável, não é uma necessidade de manter as mulheres magras, mas sim, de manter as mulheres com uma personalidade passiva, ansiosa e emotiva, já que como os pesquisadores J. Polivy e C. P. Herman concluíram em seus estudos '' a restrição calórica prolongada e periódica resulta nessa personalidade característica''. Além disso uma mulher se mantém preocupada com seu corpo ou sua alimentação durante horas, não tem tempo de questionar os paradigmas sociais, portanto o mito da beleza é só mais uma forma de manter a ordem, tanto prezada pela sociedade descrita por Durkheim.
Segundo o filosofo, a resistência a esses fatos sociais é seguida de uma ação punitiva para evitar a ''anomalia'', que seria a deterioração das regras que mantém a coesão social, no caso do mito, a principal punição para essas mulheres é a ideia de que, se não estiverem no padrão, se não forem consideradas bonitas, elas não são merecedoras de amor, ou de sexo, apenas mulheres bonitas são desejadas, o que na realidade é somente mais uma invenção, a beleza nunca esteve ligada a esses fatores. Assim o crime (que seria a não submissão aos padrões) e a punição (a negação de amor) não são proporcionais, mas o que interessa, como alega Durkheim, é como essa punição individual ecoa pelos indivíduos, quando vemos uma mulher fora dos padrões, e que está solteira, nos é contado que este fato está estritamente ligado a sua aparência, fazendo com que todos acreditem nisso, inclusive ela.
A prova de que essa questão está ligada com a natureza política é de que, se esta fixação sobre aparência estivesse relacionada ao sexo, ela seria uma questão íntima entre a mulher e seu, ou sua, parceira, se estivesse relacionado à saúde, seria uma questão da mulher consigo mesma, mas não, a aparência da mulher é discutida de forma pública, nas revistas, na TV, e na mídia em geral, isso tudo faz parte de uma estratégia de controle muito bem pensada.
Uma grande diferença entre o positivismo de Comte e a filosofia de Durkheim é que Durkheim não acreditava que isso nos guiaria involuntariamente para o progresso da sociedade, e nesse caso ele estava certo, essas medidas de controle com o objetivo de erradicar esses perigos trazidos pela liberação das mulheres, só nos atrasa, e aprisiona, tirando nosso direito sobre nossos próprios corpos.
Muito bom, parabéns
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