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domingo, 18 de julho de 2021

Progresso e ordem no restaurante

Ana estava decidida: não pararia de reclamar até que lhe atendessem. Mas o patrão, Augusto,   parecia ainda mais determinado a não ouvir o clamor da moça, de modo que ela falou, ao   vento, embora estivesse diante dele, sobre a necessidade de se instalar a rampa de acesso  na entrada daquele restaurante e sobre o absurdo que era a quantia de comida jogada fora   na cozinha se comparada à de famintos na porta. Ele, então, largou a caderneta, tirou o lápis da orelha,  e virou-se para perguntar se a educação dos filhos dela estava tão bem  consolidada que sobrara tempo para tentar intrometer-se em assuntos de ordem superior. 

    A funcionária ficou roxa de raiva, e Augusto,  desesperado para apaziguar a situação sem precisar atrapalhar a rotina dos demais funcionários,  perguntou se  conseguia visualizar a   colmeia que estava formada no enfeite de madeira localizado um tanto acima dos olhos dos  dois. Quando veio a resposta afirmativa, ele deu- lhe uma lupa e pediu que ela encontrasse “rampas de acesso” e “filas de distribuição de mel”. Disse ele, ainda, que, assim   que ela achasse, era para fotografar, e, daquele jeitinho, ele instalaria no restaurante. 

Ana sabia costurar, lavar, passar e cozinhar, de modo que sobreviveria sem aquele emprego.

 

Ela, em um misto de receio e coragem, devolveu a lupa e pediu que ele encontrasse  na morada das abelhas restaurantes, hospitais, escolas, prédios, pinturas, latas de lixo reciclável, quadras poliesportivas. Tudo o que estava à volta deles no bairro. Augusto sequer aproximou o instrumento dos olhos. 

Por fim, a garçonete redigiu, à mão, em uma sulfite, que toda a comida restante de cada dia seria posta, em uma geladeirinha velha, próxima da rua, para que pegasse quem quisesse, e o patrão construiu, com as próprias mãos, a tal rampa. Ana mostrou, não só àquele contratante,  mas também aos sucessores dele, que o progresso seria o meio e a ordem seria o fim, jamais o contrário.       

   

Maria Paula Aleixo Golrks – 1° semestrematutino  

A escola de Comte

 

            O Positivismo foi uma Escola de Pensamento cunhado por Augusto Comte sob um contexto neocolonial e imperialista, isto é, banhada por um forte pensamento etnocêntrico e, sobretudo, eurocêntrico. Com isso, moldou uma a superestrutura de todo um século e perdurou no imaginário de muitos no decorrer das eras. Essa forma de entender o mundo a nossa volta esteve e está fortemente presente na sociedade brasileira desde as origens do positivismo, sendo representada em diversas Escolas Literárias, como o Realismo, e na própria Bandeira nacional, com o lema “Ordem e Progresso”.

            Essa influência adentrou na educação brasileira, moldando as escolas cívico-militares e, inclusive, o sistema educacional como um todo. Em consequência disso, há a formulação de gerações com uma forte visão positivista do mundo e, com isso, ignoram a pluralidade do mundo. Além disso, é possível perceber uma forte tendência da educação de não libertação do estudando.

            Por mais que seja obrigatório o ensino de povos nativos e africanos, além dos mais diversos tipos de movimentos sociais, esse ocorre de forma extremamente burocrática, não envolvendo, de fato, o jovem a esses contextos sociais e antropológicos. Ademais, percebe-se, também, que, apesar de se comentar a existência dos indígenas e sua importância para formação da matriz brasileira, os vestibulares costumeiramente ignoram a cultura indígena como fundamental para a formação de uma cultura e língua nacional. Vocábulos e fonemas indígenas foram indispensáveis para que o português no Brasil se manifestasse da forma como o conhecemos atualmente e o diferenciasse das demais formas de se reproduzir a língua portuguesa. Isso fica evidente ao notar que, em provas de vestibulares que exigem a leitura de obras literárias, quase nunca (se não, nunca) propõe leituras de escritores indígenas, mesmo quando esses escrevem em português.

            Outra característica forte da educação brasileira de forte cunho positivista é a castração da imaginação. Mesmo sendo obrigatório o ensino de arte nas escolas, esse se dá de forma, novamente burocrático, ou seja, com um cunho extremamente técnico e histórico. Apesar de extrema importância ambos esses aspectos, banalizam e suprimem a importância social, psicológico, físico e profissional do ensino de arte – das mais diferentes formas – e dos esportes. Por não serem valorizados nos processos de admissão nas instituições de ensino superior, percebe-se uma grande quantidade de jovens com exímias habilidades vocais, musicas, plásticas, dramáticas e esportivas, abandonando-as a fim de focar nos exames de admissão. Com isso, há, de forma cada vez mais recorrente, a formação de uma sociedade emocionalmente instável, sedentária, e doente de forma geral. Além disso, tem início a falência da produção cultural nacional, uma vez que não há incentivo, e nem ao menos apoio, para novos artistas e atletas e, dessa forma, os jovens deixam de ver nessas áreas, um possível futuro.

            Não precisa olhar com muita profundidade no sistema educacional para entender que ele não cumpre com o a função de libertação. O jovem pode deixar o ensino médio com um incrível conhecimento de análise combinatória, mas não está preparado para comprar um imóvel, ou mesmo bagar boletos. Nesse mesmo sentido, o jovem pode adentar à Universidade com conhecimento do sistema democrático, mas não reconhecer seus direitos e deveres. Ou seja, o estudante, apesar de ser obrigado a estudar uma grande quantidade de conteúdos – mesmo que isso não ocorra em todas as áreas do conhecimento com a profundidade exigida pelos vestibulares –, esses são ensinados de forma descontextualizadas, não tendo função prática para a vida particular e social do jovem.

            Em suma, o sistema positivista de ensino tende a manter os jovens estudantes, em sua maioria, presos a amarras que limitam a forma de se entender o mundo e de produzir conhecimento e cultura. E, com isso, a teoria positivista é incompatível com a educação, uma vez que essa deve libertar e proporcionar meios para que haja produção de conhecimento, não apenas seu repasse.


Vítor Salvador Garcia Lopes - 1º Ano Matutino 

(Não) questione


Continue a trabalhar, trabalhar, trabalhar…

Seu papel é importante.

Você nem para pra almoçar.

Isso não é reconfortante?


Continue a trabalhar, 

Pelo bem geral da nação!

Pela sua felicidade?

Não, pela do patrão.  


Continue a trabalhar, trabalhar, trabalhar…

Mantenha a ordem natural,

Esse é seu lugar,

Ficar exausto é tão legal!


Continue a trabalhar, 

Para poder produzir

Coisas que você nunca vai poder comprar,

O rico é quem vai consumir. 


Continue a trabalhar, trabalhar, trabalhar…

O trabalho dignifica a alma,

Nem pense em tentar mudar

E, por favor, mantenha a calma. 


Continue a trabalhar,

Se for preto, gay ou trans você não passa nem da porta!

"Essa gente" adora inventar,

A verdade é que ninguém se importa.


Continue a trabalhar, trabalhar, trabalhar…

Nem pense em questionar.

Não saia da linha, faça o que eu mandar.


Ordem acima de tudo,

Progresso acima de todos. 


Caroline Migliato Cazzoli - Direito Matutino - Turma XXXVIII




 

A Permanência do Positivismo

 Na bandeira do Brasil está escrita a frase "ordem e progresso", que também é o lema político do positivismo. A influência dessa linha de pensamento da sociologia não está limitada apenas à bandeira ou ao período no qual foi fundada a república brasileira, tendo sua influência sentida ao longo da história política do país.

No Brasil, o pensamento positivista teve significativa influência nas escolas militares, algo demonstrado após a proclamação da república, visto o lema supracitado imbuído na bandeira brasileira. Exemplificando essa relação entre essa visão sociológica e as forças armadas é o movimento tenentista, que pregava uma podridão moral vigente na sociedade e se propunha a purificá-la. Os objetivos do tenentismo de restaurar a "ordem social" e a "moral", refletem os ideais de preservação da ordem para que haja progresso, bem como o da manutenção do que é considerado os bons costumes.

Outro exemplo da influência do positivismo na política brasileira é encontrado durante o governo Vargas, que buscou diminuir atritos entre diferentes interesses das camadas sociais através das medidas criadas pela constituição de 1937, com o intuito de preservar a ordem social e, por conseguinte, resultar em progresso. Outro exemplo da presença desse pensamento durante tal regime é a exaltação da laboração que ocorreu nesse período, que buscou fixar a ideia de que o trabalho dignifica o homem e do trabalhador disciplinado, com este defendendo a submissão às ordens dos patrões e dedicação completa ao ofício, enquanto aquele busca enaltecer o labor e incentivar a população a continuar trabalhando o máximo possível, pois acreditavam que ao realizar tal ato, estariam cumprindo seu papel na sociedade.

 A ditadura militar instaurada em 1964 no Brasil é outro caso da influência desse pensamento na política brasileira. O positivismo prega a superioridade da vontade social, associando a felicidade ao bem público, bem como defendendo que, para tal ocorra, os indivíduos deveriam se conformar com seus papéis sociais e não romper com a moral e a ordem social.Portanto, quando levado em conta a posição desse pensamento em relação a interação entre as pessoas e a sociedade, torna-se nítido a influência que tal teve no regime militar, pois nele havia uma forte perseguição contra indivíduos e grupos que o governo julgasse como "subversivos" ou "maus brasileiros", em outras palavras aqueles ameaçassem a ordem social defendida pelo governo. Ademais, o regime também utilizava a justificativa de preservar os bons costumes e a moral para instaurar medidas autoritárias, como o infame AI-5, e defendia que suas políticas resultariam em um avanço tecnológico e económico sem precedentes no Brasil, com slogans como "ninguém segura esse país" surgindo como propaganda.

Atualmente, o discurso de que há uma perversão dos valores tradicionais brasileiros, semelhante à fala tenentista, é amplamente empregado por políticos como Jair Bolsonaro e Cabo Daciolo revelam que o pensamento positivista ainda é vigente no Brasil contemporâneo. Exaltações nostálgicas do passado, como antes supostamente seria melhor, anseios do retorno para como se era antigamente, bem como uma preocupação com a moral da juventude também demonstram essa influência, tornando evidente, juntamente com as considerações feitas anteriormente, que o positivismo está profundamente atrelado à política no Brasil.

Rafael Nascimento Feitosa, Direito Diurno

Holocausto Brasileiro e o Positivismo

Mulheres, negros, pessoas LGBTQIA+, militantes políticos e moradores de rua possuem algo em comum. Eles não se encaixam no padrão do homem branco europeu burguês, e devido a isso, também não fazem parte da teoria do Positivismo, elaborada por Auguste Comte. Por isso, essa classe torna-se marginalizada, como é o caso do Hospital Colônia, em Barbacena, que ficou conhecido como o “ Holocausto Brasileiro”, título do livro de Daniela Arbex. Lá, mais de 60 mil pessoas perderam a vida, por meio das mais diversas formas de tortura e humilhação, em condições sem a mínima dignidade humana, tudo isso apenas porque não se encaixavam no padrão que até hoje é vigente.

Após o fechamento do hospital no final dos anos 80, toda a situação degradante foi jogada para baixo do tapete e ninguém foi responsabilizado. Ademais, a ideia inicial que fez o hospital funcionar tanto na época converge com a teoria de “Ordem e Progresso” de Comte, pois para ele, para que essa frase seja efetivada, é necessária uma sociedade equilibrada, com “bons costumes”, organizada, com uma família tradicional, tudo nos moldes de uma visão eurocêntrica e um tanto antiquado, no mínimo. Então, essa teoria que foi adotada no início da República Brasileira pelos militares não aceita de forma alguma a diversidade, que é o cerne da sociedade moderna, e por isso, faz de tudo para que a considerada “falta de moral e degeneração” seja minimizada e apagada do território brasileiro.

Assim, mesmo que aquele estabelecimento tenha sido fechado, ele é uma forma materializada de todos os tipos de violências usadas na sociedade, e todas as ferramentas para agredir aqueles que prejudicam a “ordem” social continuam vigentes, de maneira implícita, além de ser uma forma de afirmarem o poder hegemônico no Brasil. É triste que um país com tanta diversidade, alegria e cores tenha que ser representado com essa frase no meio da bandeira e com governos que também utilizam dessa política ao invés de buscarem a origem do problema e onde milhares de pessoas continuam morrendo por isso todos os dias.



Lívia Maria M. Bonifácio, turma XXXVIII, diurno

Negacionismo: um empecilho para o progresso.

    O positivismo é uma corrente filosófica que, segundo Augusto Comte, propõe o conhecimento cientifico como única verdade, sendo este instrumentado na racionalidade e observação, logo, é desconsiderado todo conhecimento que não possa ser comprovado cientificamente. A frase “o amor por princípio, a ordem por baixo e o progresso por cima” utilizada por Comte influenciou no lema “ordem e progresso” que desde 1889 é empregada por diversos países, inclusive o Brasil. No entanto, nem sempre tal conceito é aplicado de forma correta, é muito comum ocorrer distorções, como é feito pelo presidente da república do Brasil.

    A frase “ordem e progresso” foi admitida como lema na bandeira nacional, afim de manifestar o seu ideal positivista, visando sempre ascender cientificamente. Contudo, atualmente, o presidente da república utiliza-se do lema para manter a tradição antiga, negando o avanço da sociedade e ciência. Uma exemplificação disso está no fato de que Jair Bolsonaro facilitou o acesso aos brasileiros às armas de fogo, visto que ele assinou 30 normas que abrandam as exigências para posse e porte. É notório, por apenas observação ou pesquisas aprofundadas, que o uso de armas de fogo acarretará em aumento nas estatísticas de violência letal e que um dos caminhos para a diminuir seria através da educação e segurança pública governamental.

    Além disso, de acordo com o positivismo, que pauta o progresso por meio da ciência, é de extrema importância o investimento na educação desde os níveis mais básicos. Todavia, mais uma vez, no governo atual isso é banalizado, vide a falta e diminuição de orçamentos nas instituições educacionais públicas. Tal descaso precariza a permanência das faculdades, como ocorre na UFRJ que se encontra ameaçada e enfrenta riscos de fechamento em virtude do corte de verbas que sofreu nos anos de 2020 e 2021.  

    Portanto, a utilização desse lema pelo atual governo é uma distorção do que realmente o positivismo propõe. O negacionismo das atuais necessidades nacionais e a realização de atitudes que minimizam gastos federais, mas que maximizam problemas públicos, acarretam em consequências maiores, gerando um grande retrocesso temerário para a sociedade brasileira. Ademais, a banalização da ciência é o maior mal do século, uma vez que é através dela que se alcança o progresso e consequentemente, a ordem.

    Luana Silva Araújo Souza - 1ºAno Noturno

Na prática o positivismo realmente funciona?

 

            NA PRÁTICA O POSITIVISMO REALMENTE FUNCIONA?

   O Positivismo surge como um movimento que busca compreender a realidade a partir de uma visão de que somente são reais os conhecimentos que repousam sobre fatos observados, visto que no contexto em que surgiu buscava-se compreender melhor a sociedade. Sob a logica positivista, percebemos que ocorre uma renuncia em procurar a origem dos problemas em troca de observar apenas os fatos escancarados, portanto surge duas questões que serão debatidas nesse texto: Até que ponto observar apenas os fatos momentâneos ajuda a interpretar e resolver problemas da sociedade? E observando apenas os fatos não estaríamos somente retardando o problema?

   Primordialmente, observamos que para Comte era preciso explicar os fatos unicamente, deixando de lado as raízes e todo o contexto por trás dele, o que acaba levando a uma visão muito fragmentada de todos os problemas analisados. Dessa forma, ao analisar certos problemas, utilizando do método positivista, estaríamos esquecendo de todo seu contexto e passado, para apenas observá-lo no presente, o que não ajuda muito, visto que estaria limitando o entendimento e consequentemente uma futura resolução para esse mesmo problema. Além disso, o positivismo acaba por não resolver os problemas e contribuir para a manutenção das desigualdades, por não questionar o histórico relacionado a tudo aquilo que vai analisar, servindo apenas para “empurrar com a barriga” o problema.

   De forma síncrona, ao trazer a segunda pergunta feita na introdução para um contexto real, temos variados exemplos de que ao observar apenas os fatos imediatos estamos não solucionando o problema, mas sim apenas retardando o mesmo. Dessa maneira, o exemplo que apresento é em relação a questão do trafico de drogas no Brasil, no qual na maior parte do tempo a polícia prende apenas os chamados “aviõezinhos” e os responsáveis por passar a droga no ponto de entrega, que são na maioria das vezes funcionários que podem ser facilmente substituídos no grande esquema que é o tráfico. Portanto, analisando os fatos de imediato, as prisões desses criminosos podem parecer um enorme avanço ao controle do tráfico, porém em um contexto mais amplo não é assim, já que existe todo um esquema hierarquizado por trás disso, no qual os responsáveis de alto escalão, que realmente coordenam esse problema ficam de certa forma “protegidos” e são mais difíceis da polícia prender, devido ao grande esquema que privilegia eles e acaba por descartar os que são de fácil acesso para a efetuação da prisão.

   Portanto, podemos perceber que utilizar o modelo positivista na atualidade passa a ser algo muito fragmentado e não contribui para o avanço da sociedade em geral, e até mesmo dificulta esse processo. Assim, respondendo à questão tratada no titulo desse texto, podemos dizer que não, ou seja, as ideias positivistas na prática não operam da mesma forma que na teoria, deixando muitas lacunas para entender os problemas devido ao analisar apenas o imediato, o que não ajuda a mudarmos nossa sociedade tão desigual e preconceituosa.

Guilherme Rufino Chaves/ 1° noturno turma XXXVIII

ORDEM E REGRESSO

 
  Com o fim da Idade Média, o pensamento teológico começou a perder sua força para o conhecimento científico experimental e racional. O ápice dessa mudança deu-se no século XVIII, o famoso Século das Luzes, ou então, o Iluminismo, cuja principal característica era o culto da razão em detrimento da fé. Nesse contexto, o francês Auguste Comte destaca-se como grande expoente dessa racionalidade, principalmente ao desenvolver sua filosofia positivista.
  Em primeira análise, é necessária a compreensão de que essa nova filosofia se baseia em um método chamado de Física Social, no qual a aplicação de padrões racionais à moda das ciências exatas –Matemática e Física- visa soluções pragmáticas para as questões humanas em sociedade. Dessa maneira, seria possível prever as ações humanas e até mesmo evitar possíveis desastres e mudanças drásticas nos costumes, mantendo tão almejada ordem para Comte. O qual afirma que a Estática, isto é, a ausência de mudanças, é imprescindível para a manutenção do progresso. Sendo assim, caso essa filosofia conservadora de Auguste Comte fosse aplicada, as liberdades adquiridas ao longo dos séculos XIX até XXI, tais quais movimentos de igualdade de gênero, fim de modelos patriarcais e criminalização do racismo, nunca existiriam.
  Ademais, outro fator de grande relevância em meio ao pensamento Positivista é o fato de que é prevista a primazia da sociedade, do coletivo em relação ao indivíduo, de modo que o grande lema moral se torna o bem público. Assim, para que esse progresso seja atingido, é preciso que cada indivíduo respeite seu lugar social, isto é, sua profissão dignifica sua vida e de seus semelhantes, pois cada um estará contribuindo para a coletividade. Em meio a isso, as escolas cívico-militares brasileiras possuem como principal objetivo a formação de alunos segundos os moldes positivistas, compreendendo assim como na bandeira nacional que a ordem leva ao progresso, de modo que os estudantes devem manter-se disciplinados o bastante para conseguirem se inserir na sociedade visando e adquirirem seus lugares sociais.

  Torna-se essencial, portanto, o entendimento de que a filosofia positivista desenvolvida por Comte possui como propósito manter a Estática, a ordem, para que exista uma harmonia social fundamental conduzindo as comunidades em direção do progresso. Sendo que este está relacionado com o cumprimento dos lugares sociais fundados no trabalho. Dessa maneira, o francês demonstra que pretendia construir uma sociedade pragmática o bastante para que cada cidadão abdicasse de suas pretensões individuais em prol de um ideal coletivo imaginário, cuja maior característica se encontra na ausência de modificações, ou seja, seria o regresso de todas as conquistas minoritárias, uma vez que a Estática sempre privilegiaria a elite burguesa em vigor.


 Matheus Granucci Burgarelli- 1°Ano Direito Matutino

Normas de Conduta da Escola Positivista

 1. CLASSIFICAÇÃO

1.1) O estado dos alunos é classificado por grau numérico, de acordo com o seguinte critério:

a) Grau 10........................................................ POSITIVO

b) Grau 5 a 9,99...............................................METAFÍSICO

c) Grau 0 a 4,99.............................................TEOLÓGICO


2. MELHORIA DE ESTADO. EM BUSCA DO ESTADO POSITIVO

2.1) Em busca de se estabelecer um método para ajudar os alunos a alcançar o estado positivo, percebemos que o reconhecimento a uma ação meritória praticada pelo aluno poderá resultar na melhoria de seu estado e, portanto, no seu progresso. 

2.2) Constituem fatores de melhoria de estado e recebem valores que irão influir no cômputo do grau do estado do aluno, consoante tabela abaixo:

a) Elogio à ciência .................................................0,20

b) Reconhecimento de que a razão é superior a qualquer outro método……....0,40 

c) Aluno obedece a ordem estabelecida......................................0,70

d) Aluno demonstra que confia totalmente na ciência ................0,20


3. SOBRE OS ALUNOS QUE FALTAREM COM ORDEM E PROGRESSO

3.1) Falta comportamental e atitudinal é qualquer violação dos preceitos de ordem e progresso.

3.2) O julgamento da falta deve ser precedido quando ocorrer qualquer uma das seguintes violações:

a) O aluno acredita que o método positivista apresenta falhas.

b) O aluno acredita em outros métodos de obter conhecimento que não seja pelo método racional.

c) O aluno discorda de que a sociedade deve ser estudada a partir de casos concretos, encarando-os como natural à evolução social.


4. ATENUAÇÃO

4.1) A falta cometida pode ser atenuada pela autoridade que aplicou ou por outra

superior competente, quando tiver conhecimento de fatos que recomendem tal

procedimento.

4.2) Os fatos que abrem espaço para atenuação são:

 a) O aluno NÃO estava no estado positivo, o que justifica a imperfeição de suas ações.

 b) O aluno se retrata pela falta de ordem e retorna à linha reta em direção ao progresso.


Andrew dos Santos Carneiro              Primeiro ano de Direito, Noturno


Um espectro ronda o Brasil

O positivismo de Augusto Comte é prevalente em algumas altas esferas da sociedade brasileira, em especial nas altas castas militares das diversas armas. Esta filosofia, tendo uma raiz empiricista, busca as formas usuais de construção de conhecimento científico aplicados aos fenômenos sociais, como experimentos, medições, a busca por leis gerais etc.

Esta prevalência militar do positivismo pode ser explicada em parte pela quase perfeita consonância que ela tem com o funcionamento interno das instituições militares modernas: Desde a compra de comida do quartel e limpeza dos banheiros até o lustramento das botas e manutenção periódica dos equipamentos e armamentos, por uma questão prática e para manutenção da disciplina militar necessária para o regular funcionamento de um corpo de homens armados treinados para enfrentar situações caóticas sem debandar ou cometer crimes de guerra, é inerentemente científica e principiada na busca pela ordem e funcionamento “social”, interno ao quartel, regular e baseado em regras. Não é necessário muito esforço para que os oficiais formados com estes objetivos e elementos em suas mentes sejam tentados a ver a sociedade civil da mesma forma cientificista e que tentem aplicar uma forma deste modelo tecnocrático de gestão em um cargo público que venham a ocupar.

Ainda que eles próprios não estudem Comte, se aprofundando nas minúcias sua doutrina, o positivismo que foi estudado pelos seus antecessores ainda no exército imperial, ditou as normas gerais e regras de funcionamento da instituição e seus posicionamentos na política nacional. Grande parte das políticas públicas do governo militar não podem ser atribuídas a pensamentos conservadores ou direitistas no sentido estrito do termo. Mas sim a uma busca de um governo tecnocrático que estabilizasse o país com o governo nas mãos de técnicos sábios e longe das mãos fétidas das massas ignorantes.

Como exemplo desta busca de ordem podem ser citadas as “minirreformas agrárias” do regime militar por meio do estatuto da terra em busca da “pacificação do campo” até as mais cômicas e aparentemente sem sentido, como a proibição da música de Odair José “Pare de tomar a pílula”, que narra um homem apaixonado pedindo a sua esposa que pare de tomar anticoncepcional para que eles tenham um filho. Esta música foi proibida, pois à época o regime seguia uma política de redução populacional com distribuição de remédios e preservativos numa política de castração de pobres para que não houvessem mais miseráveis abalando esta ordem constituída. E neste contexto, a música teve que ser censurada para a manutenção da “paz social”, ainda que a força conservadora mais prevalente na época fosse a Igreja Católica, que foi e é contra métodos contraceptivos que impossibilitem completamente a geração de vida.



Hoje estas influências positivistas podem ser também reconhecidas no isentismo ideológico de pessoas atuantes na política, a busca por “técnicos” em oposição aos “ideológicos”, gestores ao invés de políticos, a busca por uma nominal pureza científica em problemas sociais complexos e tantas outras facetas deste pragmatismo radical são claramente influência deste cientificismo social que foi impregnado de tal forma no pensamento nacional que pessoas que nunca ouviram falar de Comte tem suas ideias como verdade revelada.

O governo de São Paulo, à exemplo destas medidas puramente científicas sem análise apropriada do contexto que circunda estas ações, ao analisar o número de alimentos descartados por exacerbação do prazo de validade em mercados do estado juntamente com o número de famílias e moradores de rua com insegurança alimentar, tiveram a brilhante ideia de produzir e distribuir comida liofilizada, comida tratada sob um processo especial similar ao de fabricação de ração para animais, esta é usada em zonas de guerra pelo seu prazo de validade ser infinitamente superior ao da comida comum. Tal medida foi batizada por opositores de “Ração pra pobre”.



De fato, caso implementada ela não permitiria que ninguém morresse de fome com biscoitinhos liofilizados praticamente gratuitos, visto que seriam doados. Porém esta análise rasa e míope não considerou a degradação psicológica do pai ou mãe que dariam ração de comer aos seus filhos por não terem dinheiro para algo melhor, não considerou as implicações sociais de criar um apartheid gastronômico entre comida de rico e de pobre mais acentuada do que já existe e tantas outras considerações sociais da medida que não podem ser medidas pela frieza dos números em confortáveis escritórios governamentais.

Portanto a filosofia do cientificismo social de Comte se mostra claramente presente nas relações sociais do Brasil, seja com seu próprio nome ou somente em seu conteúdo mesclado a outras filosofias e políticas públicas, e se mostra incapaz de pautar de forma apropriada as políticas públicas e ciências sociais, que diferentemente das ciências naturais e matemáticas, tem fatores interseccionais tantos que se assemelham a um modelo caótico descrito em alguns fatores físicos em que a posição de certos entes só podem ser descritas em taxas de probabilidade e não em certezas absolutas como 2+2=4.

Rafael Carlos Monteiro Martinelli, 1sem Direito Noturno.

O corpo funcional do Positivismo

         O Positivismo surgiu, no contexto da Revolução Industrial e do Iluminismo, como um corpo funcional da sociedade em conjunto, porque tinha a intenção de identificar os diversos problemas sociais presentes para uma melhor compreensão desse organismo vivo através do conhecimento produzido pela ciência, sem qualquer subordinação às escolas políticas que já eram impotentes em conciliar a ordem e o progresso.

        Para alcançar tal avanço, Comte defendia uma ciência universalmente válida, baseada sempre na experimentação do convívio humano no referente ao esclarecimento dos fenômenos, dando condições fundamentais para a civilização moderna. É necessária também uma reparação contínua para manter essa ideologia, caso contrário, seu decaimento pode levar à crise e ao regresso.

Entretanto, todo esse conhecimento científico teoricamente universal nunca foi acessível a todos. Esse corpo funcional tem diversos problemas como uma dor nas costas onde se encontra o proletariado, um inchaço nos pés onde se encontra a mulher, cortes nas mãos onde se encontram pretos, pardos e indígenas e claro, a cabeça livremente intacta onde se encontra a elite. Esta é a única parte que pode experimentar o real sentido - talvez até figurado - da famosa ordem e progresso, mesmo que às custas de todas as outras bases desse organismo, representadas pelas minorias da sociedade contextualizada.


Trazendo esse pensamento em paralelo, Jeremy Bentham também contribuiu para a filosofia moral contemporânea com a chamada Deontologia, que significa ciência do dever e da obrigação. Ambos os pensadores possuem uma grande diversidade de intenções, objetivos e sentidos que podem ser relacionados a partir do fator comum em suas ideias: a fé na ciência e na capacidade transformadora do conhecimento científico. Eles são ideólogos do industrialismo, sábios em reconhecer as consequências e dimensões do contexto em que viviam, além da ciência ser vista pelos mesmos como motivo de otimismo. 


Nos dias mais recentes, infelizmente, essa visão otimista da ciência nem tão pouco persiste, mesmo com a extrema importância atual dela pela pandemia e a enorme crise sanitária mundial que já perdura por dois anos. É um triste exemplo de regresso pela crise moderna que, segundo Comte, só poderia terminar com a reorganização total, porque o homem propriamente dito não existe, apenas a Humanidade em si, já que o nosso desenvolvimento provém da sociedade.


Sociedade esta que continua atuando ativamente como um único ser vivo, mesmo que desequilibrado no uso de suas forças em diversas partes menos em uma específica; a cabeça, representada pela elite. Porque mesmo que esta seja a infeliz realidade, é a única contínua para o funcionamento do positivismo fora dos papéis, uma que traz ao menos um pouco do gosto da ordem e do progresso ansiados, mas dificilmente igualitários.


Camila Miranda Assi

Direito - Turma XXXVIII

Período Matutino


O ideal positivista frente à sociedade atual.


Inserido num contexto de agitação revolucionária, Auguste Comte busca entender a sociedade não mais através de um pensamento teológico, mas de uma maneira que fosse possível intervir nas relações sociais, para isso, criou uma ciência que se assemelhava a newtoniana, ele não buscava a essência das coisas, mas sim a vinculação entre elas, dessa maneira surgiu o pensamento positivo, que nada mais é que a ideia de superar as fontes que não tivessem certeza ou que não fossem útil. O filosofo prezava muito pelo lema “ordem e progresso”, dizendo que é a partir da ordem que se tem o progresso, entretanto, trazendo as ideias dele para atualidade, não se pode dizer que essas são válidas, pois essa metodologia claramente é limitada a um grupo de pessoas: a elite dos homens brancos e heterossexuais.

Para que os indivíduos fossem felizes, para Auguste, seria preciso por as necessidades da sociedade acima do pessoal, por exemplo, aqueles que trabalham mais e recebem menos deveriam aceitar a situação para não gerar uma desarmonia na sociedade, daí vem à ideia de que todo trabalho é digno. Certamente esse é um pensamento absurdo, pois, se ninguém tivesse a ganância de subir de cargo ou de pedir condições melhores de trabalho o mundo estaria em total retrocesso e ajudaria, ainda mais, a classe alta a tirar vantagem sobre os desfavorecidos.

De modo geral, o positivismo é excludente e pensa em beneficiar somente aqueles que já são beneficiados, o seu conservadorismo colabora diretamente com a desigualdade social, na dificuldade de reintegrar o preso a sociedade, uma vez que não pensa em tratar do assunto pela essência, mas somente pelo problema momentâneo e contribui na manutenção do machismo e do preconceito. É preciso tomar muito cuidado com o rumo que o Brasil está tomando, me parece que a corrente filosófica criada no séc. XIX está tomando cada vez mais espaço na atual sociedade, o fato de ter uma pessoa conservadora no comando do país faz com que isso ocorra.   


Julia Piva, direito noturno. 

Bacon, Descartes e o Negacionismo

           Bacon é um dos pioneiros nos ideais do empirismo e considerado, com Descartes, um dos fundadores da filosofia moderna por conta da sua defesa do método experimental e vigente contra a ciência da especulação. E nos séculos passados, principalmente no XIX, por exemplo, acreditava-se que o desenvolvimento da física e da química traria paz e ordem para a sociedade, cada vez mais aceitando o conhecimento científico acima do senso comum. 

Mas como já conhecemos a continuação dessa história, as guerras mundiais, massacres e ditaduras diversas dos séculos seguintes afundaram a ideia por água abaixo. A razão e o conhecimento, com toda a sua importância gerada no conjunto social humano, não foram suficientes para a salvação da humanidade ou para trazer a prosperidade tão ansiada. 


Os pensamentos de Bacon e Descartes foram fundamentais para combater a superstição de suas épocas, mas hoje suas técnicas podem não servir de apoio para o mesmo rumo. Porque essa noção de progresso da ciência parece não trazer, necessariamente, como consequência, o progresso dos povos. Ainda mais pela força que o Negacionismo tem atualmente entre a sociedade como um todo, dificultando sua ascendência.


Para ver o quão presente essa onda está, basta apenas pesquisar em qualquer site de buscas e receber as mais recentes notícias postadas até mesmo horas atrás. O negacionismo atual vem principalmente em razão aos números relacionados ao covid e aos impactos negativos negativos das medidas tomadas e dos riscos associados à vacina. Isso acaba provocando prejuízos imensos ao avanço da ciência e da própria divulgação do conhecimento científico para a população.


Camila Miranda Assi

Direito - Turma XXXVIII

Período Matutino

NÃO CONTE COM COMTE

 

 

A concepção de que uma sociedade só pode chegar ao progresso com o estabelecimento da ordem, precisa ser revista. O cientificismo, que pregava a ciência como a panaceia para resolver todos os malesteve origem no positivismo, corrente filosófica criada por Auguste Comte. Esse pensamento filosófico ganhou inúmeros seguidores nos séculos XIX e XX por sua influência, basicamente, Comte acreditava que a sociedade deveria se organizar, e o conceito de ordem era elementar, pois apenas com ordem poderia haver progresso. Ademais, esse pensamento ignorava às origens dos problemas, focando apenas no imediato e no superficial. O Brasil, que ostenta em sua Bandeira Nacional as expressões “Ordem e Progresso” foi nitidamente influenciado pelo pensamento positivista, logo, vemos que “ordem” não é sinônimo de progresso. 

Precisamos analisar o contexto histórico em que Auguste Comte elaborou sua teoria, que foi pós Revolução Burguesa (conhecida por Revolução Francesa) e pós primeira fase da Revolução Industrialou seja, um cenário de arrefecimento pós ebulição social. Entendo que Comte acreditava que os movimentos sociais que questionavam os regimes opressores existentes, eram inapropriados para o progresso de uma sociedadequando na verdade a ordem estabelecida, entes da Revolução Burguesa, servia para manter privilégios do clero e da nobreza e só ouve um progresso quando a ordem estabelecida foi questionada; Comte estava erradoNo regime vigente - capitalismo, a “ordem” só serve para manter os privilégios de uma minoria em detrimento de uma imensa maioria. O princípio elementar da liberdade de escolha, tão propagado pelo pensamento liberal, se mostra uma piada de mau gosto no amplo sentido da expressão na medida em que somos bombardeados pela Indústria Cultural que dita o que devemos vestir, comer, comprar, ler etc. Sedemos nossa liberdade em troca de conectividade, quase não existe contato humano e como já lecionou Zygmunt Bauman “às ciosas não foram feitas para durar”. A ordem estabelecida só sucumbirá ante a “desordem” promovida, precisamos revolucionar, “bora” com Marx. 

Precisamos unir a maior classe existente em qualquer sociedade organizada nos moldes neoliberalista, a classe do proletariado (que precisa ser atualizada), massivamente explorada pela ganancia do acumulo de capital. Na ordem estabelecia, os trabalhadores estão na base da pirâmide e só uma revolução pode mudar isso, não podemos contar com às ciênciacontaminadas pelo capitalismo. A ciências deixou de ser movida pela vontade de conhecer e passou a se guiar pelas possiblidades de manutenção da classe exploratória, o positivismo nunca foi e nunca será a corrente filosófica que nos guiará para o progresso, mas sim para um retrocesso. Julgo importante salientar que o conhecimento científico é importante quanto aplicado com propósitos humanos, não capitalista.   

Meritocracia é outra piada de mau gosto em um mundo onde imperam às desigualdades sociais, mais uma invenção burguesa, que amam Nicolau Maquiavel (pregava a pratica acima da ética), respaldada no pensamento positivista que só serve para governos autoritários. Nós, pessoas do bem, altruístas e apaixonados pela humanidade, promoveremos a desordem para que não prevaleça essa “ordem” proposta por Comte 

Por conseguinte, e tendo em vista que a sociedade continua em permanente transformação, considero o positivismo um pensamento falido e digno de ser apreciado quando formos avaliar como um pensamento filosófico pode ser prejudicial para a humanidade. Fica claro que não podemos contar com Auguste Comte para acabar com o massacre das minorias, mas podemos contar com Karl Marx que dizia que “as revoluções são a locomotiva da história”.  


Edson dos Santos Nobre  

1º Semestre Direito/Noturno