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segunda-feira, 4 de maio de 2015

Nenhum homem é uma ilha

     O filme "Ponto de Mutação", baseado na obra de mesmo nome de Fritjof Capra, aborda uma crise de percepção do mundo, a qual a personagem principal, Sonia Hoffman, se encontra e explica ao longo das discussões. Ao fazer uma crítica ao método cartesiano e à escravização da natureza proposta por Bacon, ela propõe que as tendências de forças políticas, sociais e econômicas devem convergir em um só ponto.
     Essa mutação do velho para o novo se dá através da mudança do nosso modo de ver o mundo. Como há conexão entre tudo na natureza, a cientista afirma que deve-se abrir horizontes para os modelos sistêmicos em oposição ao pensamento reducionista e mecanicista. Este é ultrapassado para as necessidades da sociedade atual e para um maior desenvolvimento científico e tecnológico. Aquele abre margem ao desenvolvimento sustentável.
     Assim, uma das maiores preocupações presentes no filme é a questão ambiental e o desenvolvimento econômico. No filme é citado o desmatamento da floresta amazônica como parte de um ciclo que promove a destruição da natureza pelo homem, e que mesmo que fosse resolvida essa parte do problema, o resto ficaria em pendência. Através desse mesmo exemplo, podemos verificar a reação em cadeia de uma ação, mostrando que tudo está interligado.
     Enfim a visão holística, vendo o todo como indissociável, não vê a natureza como instrumento a nosso favor, mas como nós somos parte integrante dela. A relação entre os seres vivos e o meio como um todo. Essa a mutação necessária apresentada por Capra.

Marina P. Diniz
1º ano Direito - diuno

O poeta, o político e a cientista

“Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável...” – Pablo Neruda

Um fluxo de indagações. Assim se passa o filme Ponto de Mutação de 1990, dirigido por Bernt Capra. Personagens que se encontram em um momento de escolhas e indecisões, partilham do conhecimento, fraquezas e dúvidas sobre mundo.
Jack Edwards, um político candidato a presidência dos Estados Unidos, vai com seu antigo redator de discursos, o poeta Thomas Harriman à Mont Saint-Michel, na França. Durante a estadia, encontram a cientista Sonia Hoffman, esta que, surpreendentemente, conhece o poeta, mas não é tão ciente da influência que Jack tem. Com uma série de perguntas sobre a vida, a história, o passado, os três personagens passam o filme sob a luz da busca de conceber respostas sobre diversos assuntos e obter a verdade em seus argumentos sobre discursos atuais, como uma visão mecanicista sobre o tempo e o homem, utilizando metáforas e argumentos embasados em grandes filósofos e escritores como Descartes, Bacon, William Blake e Pablo Neruda, por exemplo.
A complexidade desses argumentos mascara a simplicidade das questões abordadas, pois estas se voltam contra nós mesmos todos os dias, e há essa incessante batalha em se decifrar e determinar tudo o que ocorreu e ocorre ao nosso redor. Assim como Kit, a filha da cientista, revolta-se com o alheamento da mãe, esta que apenas fala dos problemas do mundo com base nos próprios problemas, nós temos essa tendência em observar a sociedade com o olhar que a vida nos molda. Seria o ceticismo do político a forma certa de ver o mundo? Seria a visão analítica da cientista a correta? Ou seria a visão poética do escritor? É impossível afirmar uma verdade sobre qual é a melhor visão, pois todas elas se entrelaçam e fazem com que haja uma disputa devido à disparidade dessas visões. Assim como “nenhum santo sustenta-se só”, essas visões não existem separadamente, coexistem, necessitam uma da outra para existir, pois a vida é maior que tudo isso, “a vida sente a si mesma”. Desse modo, os personagens ajudam-se mutuamente ao expor seus pontos de vista, fazendo o outro sair da zona de conforto e buscar a confrontação, algo que na atualidade as pessoas não almejam, pois preferem se restringir na comodidade do bem comum a defender seu argumento fervorosamente.
O Ponto de Mutação, além de filme é a experiência se expressando na arte, é a dúvida que persiste na consciência dia após dia, é a metáfora da epifania do poeta, do político e da cientista, é a epifania de todos nós. É a vida.


Lara Costa Andrade
1º ano de Direito(Diurno) – Filme: Ponto de Mutação

Mindwalk - Ponto de Mudança

As reflexões após assistir o filme Mindwalk (Ponto de Mutação, em português), revelam o quanto duas concepções diferentes de filosofia, política e ciência, podem se entrelaçar e ser desvendadas pelos mesmos meios. A teoria dos sistemas exposto pela física Sonja realça toda uma nuance de assuntos que se encaixam e se interpolam em diálogos extensos, porém geniais. Indo de ecologia a guerra,é possível perceber, pela argumentação engendrada das personagens, o quanto tudo o quê está na realidade em si está conectado, fazendo-nos questionar uma vasta gama de preconceitos já formados. São justamente esses preconceitos, o chamado senso comum, que aproxima o filme e o livro dos textos de Descartes e Bacon, uma vez que estes argumentaram incessantemente para quê a realidade fosse enxergada integralmente, sem conceitos pré-concebidos. Portanto, pode-se dizer que, entre todos os outros assuntos discutidos, esse filme aborda a construção da noção contemporânea de realidade, usando pontos de vista tanto metafísicos quanto científicos.

Canto do Sentido

Busca a razão a natureza
Dominar. Vencer. Moldar.
Crê de um deus ter o tocar
Mas corrói da vida a Beleza

Sempre acha a boa Natureza
De vencer as vãs ciências
Elementares maneiras
Na calma, alegre, incerteza

A ciência no incerto
Perde a busca e a clareza
Já a Poesia vê beleza
No confuso a brandir vento

O cientista tem o fim
O poeta tem o início
O Sentimento tem comício
E tem a morte a razão

Octavio Coloza Berganholo
1º Ano, Direito Matutino
Introdução à Sociologia

O mecanicismo e a perda do dionisíaco

     O método proposto por Descartes em seu Discurso do Método trouxe uma visão de mundo completamente nova, dando início ao que hoje é chamado de "mecanicismo cartesiano". Esse mecanicismo consiste numa percepção puramente racional do universo, considerando o mesmo como uma máquina, um relógio. Ainda hoje, tal visão é muito adotada por cientistas.
     No filme Mindwalk, é feita uma abordagem acerca do tema, quando uma cientista pontua que, apesar da importância de Descartes em seu tempo, o mundo precisa de uma nova percepção. Segundo ela, o mecanicismo cartesiano tem transformado as relações humanas e, principalmente, a relação do homem com a natureza. Enfim, a ciência hoje menos tem trabalhado a favor da natureza do que prejudicado-a.
     Nesse sentido, o tema do mecanicismo cartesiano e a racionalização do mundo dialoga com Nietzsche, quando o alemão fala em apolíneo e dionisíaco. O apolíneo representa principalmente o racionalismo e o individualismo, enquanto que o ímpeto dionisíaco nasce da violação deste princípio de individualização. Ocorre que, hoje, há uma perda da proximidade com a natureza, decorrente dessa ciência que trabalha com fins econômicos.
     Dessa forma, percebe-se que o homem perdeu a habilidade de ver a vida como parte de uma realidade mais ampla. A natureza, nesse contexto, é vista como mera fonte infinitamente produtiva de uso, perdendo seu valor intrínseco. Enfim, é preciso substituir esse modelo mecânico de mundo por uma nova percepção que compreenda o universo não só como mera máquina, mas como um universo de conexões e interdependências. Um sistema vivo. Um organismo vivo.


Renan Djanikian Cordeiro
1º ano do Direito Noturno

domingo, 3 de maio de 2015

Bacon e A Poeta.

Através do Novo Organum
metaforou um britânico:
E se não usássemos instrumentos
nos trabalhos mecânicos?
Por causa de um plano ineficaz,
é que a ciência ainda fica pra traz!

Por que mantém-se teimosas
as empresas do intelecto,
se fica claro que é indevido
repetir o ''velho método''?
De novo, usar meramente
as forças nativas da mente?

Diga-me se Aristóteles
é confiável nas suas teorias,
em que primeiro vem a conclusão
e depois vem a pesquisa.

Buscamos mais soluções
onde delas há fartura,
quando seria a prevenção
a verdadeira cura.

Mantém-se o ‘’mechanistic view’’
sobre problemas globais,
mas a aplicação do método Cartesiano
ainda é efetiva para os problemas atuais?
O ser humano e o relógio,
merecem análises iguais?
Bacon e a poeta concordariam:
``we need a new way of understanding life``.







Ana Luiza Felizardo
XXXII turma de Direito
Período Noturno

Menos hipótese e mais experimentação

Menos hipóteses e mais experimentação

Em seus textos, Francis Bacon afirmava constantemente que o conhecimento e a busca pelo saber eram compostos de dois processos, sendo um deles a experiência, a qual ele julgava fundamental para que fosse possível chegar ao outro processo, a conclusão, formada pelo conjunto de intelecto, saber prévio e a experimentação.
            “Nem a mão nua nem o intelecto, deixados a si mesmos, logram muito. Todos os feitos se cumprem com instrumentos e recursos auxiliares, de que dependem, em igual medida, tanto o intelecto quanto as mãos. Assim como os instrumentos mecânicos regulam e ampliam o movimento das mãos, os da mente aguçam o intelecto e o precavêm.” (Bacon, Francis)
            Bacon se punha contrário a Aristóteles e os filósofos clássicos pois afirmava que estes chegavam a conclusões sem antes ter testado suas teorias em prática. Para ele, o método da dedução utilizado por estes filósofos não era válido, uma vez que a experimentação era fundamental para a concepção das ideias e as técnicas da filosofia grega tradicional eram compostas de muitas discussões teóricas que não eram de fato postas em prática.
            “Os gregos, com efeito, possuem o que é próprio das crianças: estão sempre prontos para tagarelar, mas estão sempre prontos para tagarelar, mas são incapazes de gerar, pois a sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril em obras.”(Bacon, Francis)
            As ideias de Bacon podem ser comparadas a expressão popular “Fale menos e faça mais”, que é usada no Brasil com um significado similar, referindo-se àquelas pessoas que dizem muito, mas que na realidade fazem poucas das coisas que afirmam, que é justamente a crítica realizada por Bacon em seus textos, de que a prática deveria ser levada tão a sério quanto o intelecto, e que sem ela, é impossível chegar a conclusões realistas.
“Fale menos e faça mais” serve como uma mensagem de Bacon aos filósofos tradicionais, dizendo-lhes que apenas suas discussões não são suficientes para a assimilação do conhecimento e que é preciso pôr suas ideias em prática para que sejam geradas conclusões.

          Juliana Novaes Bueno de Camargo
          1º ano – Direito Noturno

"Isso é fisica’’ "Não, isso é poesia’’



“Ponto de Mutação’’ é um filme de 1990, dirigido por Bernt Amadeus Capra. A obra nos apresenta personagens peculiares e adeptas a diferente visões de mundo; são três: a cientista, o político e o artista. Essas, mantêm um diálogo durante todo o filme, cada qual exprimindo sua perspectiva sobre os mais diversos acontecimentos e movimentos da vida, ou como se exprime na narração “a dança cósmica de criação e destruição’’.

A cientista, que supostamente deveria simbolizar a crença no método científico e apoiar a filosofia cartesiana, encontra-se desiludida: seu trabalho ao invés de usado para o bem da humanidade, fora subvertido. Portanto, agora permite que a natureza aja sobre ela – mera observadora- deixando de ser aquela que interfere na natureza (cientista). Descrê na vida resumida de modo mecanicista (metáfora das engrenagens de um relógio); ao contrário, ela propõe uma visão holística do mundo, garantindo que tudo o que o compõe esteja conectado. Acredita, então, que o mundo esteja passando por uma crise de percepção: as pessoas deveriam olhar de forma preventiva – e não remediável - para as situações a fim de reduzir prejuízos.

Para refutá-la existe o político, um homem que dentro de seu individualismo, não consegue libertar-se de uma visão superficial dos fatos. É assim descrito pelo poeta “Procuro algo por trás da fachada, mas talvez ele seja verdadeiramente essa fachada’’. O político tende a concordar com a visão especializada própria de Descartes e Bacon. Por enxergar a realidade de forma prática, considera a ideia da cientista utópica. Para ele, sempre existirá desigualdade pois, a dominação é intrínseca à sociedade, cuja função consistiria em somente “dançar conforme a música”. Em suas palavras: “como dizer ás pessoas o que é bom para elas?”

O poeta, nessa disputa argumentativa, quase nunca expõe opiniões, mas interfere colocando ideias de pensadores e artistas influentes, nesse debate; ora como complemento, ora como fomento à discussão. Entretanto, ao final da obra, exalta-se e propõe uma visão de mundo totalmente oposta à dos outros. Reitera – e isso pode ser proposital para a tentativa de tornar o filme imparcial- o relativismo das opiniões das outras personagens, em frases como: “me sinto tão reduzido chamado de sistema, quanto de relógio’’, “a vida não é condensável assim’’, “a vida sente a si mesma’’

Afinal, pela foto proponho uma metaforização das três personagens.

 Um político pragmático feito um cata-vento, movido pelas articulações políticas, “conforme bate o vento’’, e construído juntamente às noções do mundo pós-moderno, individuais e sedentas por vantagens. Uma prova da influência da especialização no mundo atual.

A cientista, faria papel de árvore, na tentativa de conectar-se ao mundo, como ocorre com as árvores, e simplesmente fazer parte de um sistema, um “sistema orgânico”. Interpretando livremente suas palavras: tudo faria parte de uma mudança estrutural contínua, mas sem deixar de seguir alguns padrões. Sua personagem prova a descrença, apresenta-se em um estágio relativista ou metafísico da existência. Considera a existência uma autotranscedência movida pela criatividade. Afinal, procura respostas racionais para suas inquietações provindas do sentimento de culpa, pela inquietação pós desilusão com a ciência aplicada.

E o poeta, remeteria ao pássaro, o precursor da liberdade, pois, durante toda a obra, não expõe opiniões de maneira contundente, afinal ele é o poeta, livre para ir e vir e modificar sua opinião no decorrer da vida. Nada é cobrado dele, é um ser empírico e instintivo como ocorre no desfecho da obra, pela atitude explosiva que apresenta.

Ana Flávia Toller - 1º ano Direito (diurno) - Filme: ''Ponto de mutação''

sábado, 2 de maio de 2015

 Vovô vê relógios em patos


“A natureza é um relógio”, me disse meu avô enquanto observávamos um grupo de patos voando em formação. A afirmação não me deixou totalmente confortável e me senti impelido a perguntar: “Por que¿”
Sem hesitar ele olha para mim e fala “veja só, um relógio é composto por partes, engrenagens e pinos, que se estão bem lubrificados e sem nenhum defeito funcionam perfeitamente e assim se pode ler as horas corretamente, o mesmo ocorre na Natureza, se todas as suas mínimas partes estão em ordem, então o todo também estará.”
Mas eu não conseguia me conformar com essa justificativa, pode se dizer que meu espirito estava inquieto: “Então a Natureza não passa de uma Máquina, basta entender as pequenas partes que se posta juntas faram um todo. Parte-se do princípio que entendendo a parte se entende e se pode modificar o todo. É isso que o senhor me está propondo¿”
O velho se remexe um pouco pensando em minhas palavras “você simplificou demais, mas é isso basicamente”, e com isso voltamos para casa aos últimos raios do sol, ele satisfetio por voltar pro conforto de sua casa e eu irrequieto, embebido em meus pensamentos sobre a afirmação tão categórica feita por meu avô.
O desfecho não podia ser outro, obviamente comecei a pensar intensamente em algo que contrapusesse aquela estranha afirmação. Não conseguia me conformar com o fato de que nós somos somente parte de um todo, que nós mesmos somos máquinas e sendo máquinas, caso venhamos com defeito podemos olhar para as partes que nos constituem e repará-las, concertando o todo. Esse pensamento me era incabível, nós não somos máquinas, EU não sou uma máquina, queria gritar pro meu avô.
E o mais triste foi que não achei nada que desse sossego ao meu alento, tudo o que podia pensar eram nas palavras de Henry Bergson: como a vida humana é efêmera e isso é grande parte da angústia do homem, e que sendo assim, consome boa parte do seu tempo para tentar alguma razão a seu ser; seu conforto só vem quando expõe suas angústias a um amigo.
E se fez a luz, percebi que a parte é tão importante quanto o todo, sem a parte funcionando de forma correta, o todo se fragiliza e pode até mesmo deixar de existir. Um sistema aguenta até certo ponto de estresse antes de quebrar por isso era necessário manter todas as pequenas partes na máxima ordem, para que o todo não sucumbisse.
 Talvez essa não seja a tudo que estamos predestinados a ser, somente uma parte do todo, mas garanto que com a ferramentas que tenho não consigo ver outra forma de se estudar o mundo e conseguir justificar minimamente essa nossa estadia mundana. É, o vovô tem lá sua cota de sabedoria.



Tiago de Oliveira Macedo- 1ºano Direito diurno- filme “O ponto de mutação”

Ilha de Marfim

Pobre é o mundo dos cartesianos
Separado, mutilado, desconexo
Corpo é máquina, breve os anos
Será a vida algo incomplexo?
 
Injusto é o testemunho do avanço
A ele nada natural possui valor
Custeia a fome, causa ranço
Desconsidera a vida, eleva a dor.

Bruxas e natureza, Bacon condenou
Pobres mulheres, todas injustiçadas
A Mãe Natureza o homem escravizou
Graças a Bacon há mentes embaçadas.
 
Diga seu preço amigo cientista
Homens de terno querem saber
Pense por eles, enganado altruísta
Logo descobrirá o amargor do conhecer.
 
Onde está meu refúgio? Castelo de marfim
Lá me esconderei até que chegue o fim
Quero poesia para ler neste meu confim
Onde está meu refúgio? Castelo de marfim.
 
Temo continuar com minha profissão
Um livro para ler é tudo que procuro
Penso em não deixar o mundo na ilusão
Mas caminhar pela maré é mais seguro.
 
Por existência entende-se grande conexão
Toda a vida se relaciona, mantém uma teia
Nada que acontece se passa em vão
Pois todo ocorrido tem uma reação em cadeia.
 
Não há raciocínio que seja correto
Ao estudar o espaço iremos nos anestesiar
Pois nos objetos sólidos o vazio é certo
É incrível como as aparências amam enganar.
 
O mundo não precisa mais de cartesianismo
Esse método não atende às novas expectativas
Tem se tornado feitor do grande antagonismo
O mundo precisa é de boas perspectivas!
 
Onde está meu refúgio? Castelo de marfim
Lá me esconderei até que chegue o fim
Fugi da política, mas ela veio a mim
Onde está meu refúgio? Castelo de marfim.
 

Alexandre Roberto do Nascimento Júnior
1º ano Direito - Diurno
Introdução à Sociologia
Filme "Ponto de Mutação"

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Ídolo da modernidade: o método de Francis Bacon

Predominante por dezessete séculos, o saber aristotélico viu-se, progressivamente, substituído por uma nova ciência da natureza. A revolução científica do século XVII teve Francis Bacon como um de seus maiores expoentes. Nascido em Londres, foi educado para a vida política e desempenhou, durante décadas, cargos públicos de grande notoriedade. 
Bacon buscou, por meio do projeto Instauratio Magna, restaurar o domínio do homem sobre a natureza. Para o intelectual, o verdadeiro filósofo deveria permitir o progresso do conhecimento por meio de resultados práticos – pensamento defendido em sua obra mais famosa, o Novum Organum. O método indutivo compreende seis partes: classificação das ciências existentes, apresentação dos princípios de um novo método para conduzir a busca da verdade, coleta de dados empíricos, exemplos de aplicação do método, demonstração do avanço permitido pelo novo mecanismo e, por um fim, um resultado organizado do novo entendimento. 
A divisão do conhecimento, pioneirismo de Francis Bacon, teve sua importância reconhecida por Diderot na primeira edição de sua enciclopédia (Encyclopédie). O método permitiu que os enciclopedistas, enfim, pudessem cobrir, organizadamente, todos os ramos do conhecimento. O inglês também discute em sua obra, contrariando Aristóteles, sobre as falácias lógicas do raciocínio humano: o saber só poderia ser alcançado quando o homem fosse capaz de livrar-se dos "Ídolos" – hábitos que conduzem ao erro como, por exemplo, o uso da ambiguidade das palavras. 
Apesar de contemporâneos, Bacon e Descartes propunham formas distintas de construção do conhecimento. Enquanto este apostava em uma desconstrução matemática através da dúvida, aquele apoiava-se em experimentos que produziam dados suficientes para que, por meio do raciocínio indutivo, fosse possível chegar a leis universais. O desenvolvimento da ciência provou que os dois caminhos se complementam, uma vez que, apesar de propor à existência humana modos de observação, o pensador londrino reconhece a legitimidade da priori. 
Romper com o aristotelismo levou Francis Bacon a inúmeras possibilidades. O uso organizado e sistemático da observação influenciou uma nova geração de cientistas como Hooke e Immanuel Kant, do inspirado "Crítica da Razão Pura", elevando-o ao patamar de ídolo da modernidade.

Alexsander Alves,
Ingressante do Direito Noturno (XXXII, Faculdade de Ciências Humanas e Sociais)

ERRAR É HUMANO, MUDAR É PRECISO
Francis Bacon, um dos expoentes da filosofia moderna, é crítico contundente dos pensadores clássicos. Em sua visão, estes são meros retóricos que não acumularam obras em favor do bem-estar da humanidade.
Ele inova ao apresentar um novo método indutivo, que se traduz no trabalho conjunto de razão e experiência. Com base nas relações explícitas e implícitas observáveis no cotidiano do ser humano, trilha-se um novo caminho rumo à verdade da natureza.
“Saber é poder”. Esta afirmação de Bacon propõe a construção do conhecimento acerca da realidade como possibilidade de transformação da mesma em favor do proveito humano. O processo de cooperação de razão e sentidos é bem sucedido quando o homem elimina suas falsas percepções do mundo, chamadas de “ídolos”. Para isso é preciso identificá-las, diz mais o filósofo.
Um dos mais incômodos ídolos da classificação baconiana é o ídolo de foro ou da feira, aquele no qual a linguagem é utilizada num discurso distorcido, que prejudica as relações sociais. Quanto a isso, pode-se citar a cultura de massa propagada nos meios de comunicação. Ao ser consumidor desses canais, não é exigida reflexão sobre informação transmitida, mas é bem comum incentivo de preconceitos e  comodismo frente aos constantes problemas sociais. As manchetes de jornais e seus respectivos textos a respeito das eleições do ano passado e das posteriores manifestações que prosseguiram em 2015 são claro exemplo dessa tendenciosidade midiática.


João Victor Ruiz/1º Ano – Direito Noturno/Aula 3

A Ciência Em Si

Bacon nasce em uma época de grandes transformações no mundo, quando os pensamentos da Renascença são substituídos por uma abordagem científica do conhecimento. O filósofo acreditava que a sabedoria deve provir de experiências, buscando sempre a clareza científica e deixando de lado a fantasia da mente. Em seu mais famoso livro, Novum Organum, faz uma confrontação com essa fantasia, dizendo que tudo aquilo que não se pode ver e sentir não serve para busca pela verdade. Assim, estabelece que a percepção é a porta para uma avaliação fiel da realidade.
Lembrando que o homem está sempre em busca de novos saberes, podemos apontar que o método de Bacon é aplicável a qualquer tempo e pode ser usado por qualquer pessoa. Apesar de o senso comum colocar o fazer científico como uma atividade exclusivamente teórica e restritiva a aqueles que usam a razão em primeiro plano. Bacon refuta isso, acreditando que devemos questionar e testar tudo aquilo que nos traz dúvida e incertezas. Igualmente, Gilberto Gil por meio de sua poesia mostra que as percepções do ser humano são quem guiam a razão para a descoberta de novas leis. Como nos mostra em sua música: 
A Ciência Em Si

Se toda coincidência
Tende a que se entenda
E toda lenda
Quer chegar aqui
A ciência não se aprende
A ciência apreende
A ciência em si

Se toda estrela cadente
Cai pra fazer sentido
E todo mito
Quer ter carne aqui
A ciência não se ensina
A ciência insemina
A ciência em si

Se o que se pode ver, ouvir, pegar, medir, pesar
Do avião a jato ao jaboti
Desperta o que ainda não, não se pôde pensar
Do sono do eterno ao eterno devir
Como a órbita da terra abraça o vácuo devagar
Para alcançar o que já estava aqui
Se a crença quer se materializar
Tanto quanto a experiência quer se abstrair
A ciência não avança
A ciência alcança
A ciência em si


A poesia nos mostra que a ciência ergue-se sobre si mesma, é necessário portanto, um sensível observador da realidade para compreender o mundo em que vivemos.

Gabriela Gandelman Torina
1º ano de Direito Noturno
Aula 3


A observação como fator do Direito Alternativo

             Curioso o modo pragmático dos quais os filósofos estudados se apoiam, considerando a razão. Assim como o primeiro pensador estudado, Descartes, para Bacon a verdade efetiva é também aquela aplicada no âmbito da sociedade, do homem ou da natureza, sem servir como mero exercício da mente. Bacon, o teórico que fundamentará o texto, se opõe ao método aristotélico de tratar a ciência como indagação mais do que experiência, ao afirmar “mostrando-se (Aristóteles) sempre mais solícito em formular respostas e em apresentar algo positivo nas palavras do que a verdade íntima das coisas”.
                Para Bacon, que valoriza a razão empírica, a filosofia tradicional vigente em sua época não servia para o domínio do real, era vaidade dos gregos e direcionava para o senso comum, já que “pouco serviria ao bem-estar do homem”. Em seu método há o estabelecimento dos graus de certeza através da observação dos fatos, rejeição dos sentidos e distanciamento do labor da mente que, guiado meramente pela razão, se ausenta da materialidade da vida e atinge a dialética.
                Conhecendo o Direito, observa-se que este é tradicionalmente moldado em normas técnicas, que não se altera com os aspectos volúveis do tempo, das ordens e da moral. A fim de suprir essa lacuna que causa a constância, surge na modernidade o Direito Alternativo, um movimento político/jurídico que propõe uma ruptura com o modelo jurídico liberal burguês que se conserva. Ele busca novos paradigmas para a ciência normativa, já que pela observação da sociedade sente a necessidade de uma visão mais social e inclusiva no parâmetro jurídico.
                Interpretando o mundo a partir da experiência, o Direito Alternativo busca se expandir transformando a ciência das leis tradicional em verdade funcional, que sirva ao bem –estar do homem, conforme o método. Do mesmo modo que a razão, o direito é factual e deve ser analisado como algo vulnerável ao tempo e às ordens sociais, porque “A verdade não deve, porém, ser buscada na boa fortuna de uma época, que é inconstante, mas à luz da natureza e da experiência, que é eterna”, BACON, Francis.


Karla Gabriella dos Santos Santana - 1º ano de Direito Diurno
Introdução à Sociologia - aula 3
FRANCIS BACON: EXPERIMENTO COMO BASE DO CONHECIMENTO


Conhecido como pioneiro da filosofia empirista, Francis Bacon irá revolucionar a forma de obtenção de conhecimento de sua época, para tanto, estabelece uma crítica a filosofia grega que aplica a ciência como o exercício da mente, porém sem nenhuma aplicação prática na conduta humana, tal como no trecho: “ (...) sua sabedoria é farta em palavras, mas estéril em obras”. Além disso, Bacon acreditava que para Aristóteles a experiência era escrava da razão, ou seja, as conclusões eram previamente estabelecidas sem a consulta da natureza e do mundo empírico para sua resolução, sendo assim, as afirmações eram feitas de maneira arbitrária. Portanto, a filosofia tradicional não traz uma verdadeira mudança social.
Assim, Bacon acreditava na mudança do método para se obter o conhecimento, no qual a experiência deve guiar a razão, e não ao contrário. Dessa forma, a descoberta científica é guiada pela experimentação. Em contrapartida, tal concepção de busca pelo conhecimento se mostraria inválida para o racionalista Descartes, uma vez que este acreditava que as imperfeições dos sentidos traem a razão resultando em conclusões errôneas. Porém, para Bacon, a antecipação da mente através de analogias de eventos comuns são uma forma de obtenção do senso comum que nem sempre trazem validade cientifica.

Com intuito de explicar os pré-conceitos estabelecidos pela razão, Bacon irá utilizar da ideia de ídolos que são falsas percepções que temos sobre o mundo bloqueando a mente humana de se obter o conhecimento. Quatro ídolos irão representar tais percepções. O ídolo da tribo que é uma característica inerente a condição humana representando a distorção da realidade provocada pela própria mente humana. O ídolo da caverna que representa as influências externas sobre o indivíduo, pode ser exemplificado por suas leituras e educação que irão moldar seu modo de pensar. O ídolo do foro que se refere a influência das associações no pensamento do indivíduo. Por fim, o ídolo do teatro que está vinculado as representações teatrais as quais os indivíduos estão submetidos, como postulados filosóficos.

Beatriz Palma, Direito Diurno.

O Cortiço de Bacon

O método do pai da ciência moderna perdura durante os séculos. O Empirismo e a Metodologia Científica foram criados pelo inglês Francis Bacon, em meados do século XVII, fazendo oposição ao “Labor da Mente” Aristotélico até então vigente. A indução e experiência por observação ganharam tamanha dimensão que a escola literária Naturalista (marcada pela obra “O Cortiço” de Aluísio Azevedo), sofreu grandes influências desses, mesmo após dois séculos da teorização de Bacon. Portanto, considerar “O Cortiço” uma aplicação eficaz da teoria baconiana.
O Naturalismo surgiu na segunda metade do século XIX, rompendo com os laços fantasiosos e alienados do Romantismo, juntamente com o Realismo, inaugurado no Brasil com a obra “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis. Sua fundamentação consiste em analisar comportamentos coletivos e a influência do meio nestes, sendo seus autores defensores das linhas de pensamento deterministas e evolucionistas. O autor em questão, Aluísio Azevedo na composição de sua obra morou três meses em um cortiço para analisar a rotina do ambiente, sendo assim, seus personagens aproximam-se quase em totalidade da verossimilhança (além de contar com a neutralidade do mesmo neste cosmo, imprescindível à aplicação eficaz do método científico). Ou seja, os dados coletados pela observação e explorados por seus sentidos foram processados pela razão e apena assim puderam compor uma obra efetivamente realística, o que comprova a funcionalidade do empirismo de Francis Bacon.
Outro ponto de análise é a personagem Pombinha. Em “O Cortiço”, Pombinha é uma exceção ao meio degradante, sendo uma das únicas personagens alfabetizadas e de educação regrada aos moldes católicos. Porém, sua conivência com Leoni, uma prostituta de luxo, consistiu em uma fortíssima influência externa, o que desencadeou uma brusca mudança de comportamento, levando a chamada “flor do cortiço” a exercer a mesma atividade de prostituição. Aplicando este exemplo á tese de Bacon, a persuasão que relações sociais ou convivências podem exercer sobre o indivíduo configuram os chamados Ídolos do Foro, os quais são capazes de distorcer a realidade em si, o que seria, contemporaneamente, uma ideologia.
É por sua dinamização que a teoria de Bacon sustenta a si própria dentre o tempo. A avaliação da realidade e sua teoria de regulação da mente por mecanismos de experiência guiam o indivíduo para a racionalidade. Ou seja, a observação do meio de um cortiço e sua interpretação (a experiência sensível em si) não trouxe ao autor deduções apenas pelo pensamento ou sentidos, e sim dados relacionados ao real, como aponta Francis Bacon.


Giulia Dalla Dea Vatiero
Direito Matutino - 1º ano