Para dar fim ao festival de atos racistas, dias após o jogo do Palmeiras, o descartável presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) Alejandro Dominguez disse, em um evento, que o Brasil fora da Libertadores seria como "Tarzan sem Chita". Sim, Chita é um macaco que acompanha Tarzan, um homem branco, no filme da Disney.
Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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domingo, 23 de março de 2025
O caso Luighi
Para dar fim ao festival de atos racistas, dias após o jogo do Palmeiras, o descartável presidente da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) Alejandro Dominguez disse, em um evento, que o Brasil fora da Libertadores seria como "Tarzan sem Chita". Sim, Chita é um macaco que acompanha Tarzan, um homem branco, no filme da Disney.
As antíteses da vida pelo olhar sociológico de Charles Wright Mills
Em “A Imaginação Sociológica”, Charles Wright Mills argumenta que os homens, nos dias de hoje, sentem-se acorrentados pela vida; tudo o que sabem e o que fazem está restrito a seus pequenos universos: a casa, o trabalho e as pessoas com quem mantêm convivência. Com isso, o autor também frisa que a quantidade exorbitante de informações recebidas diariamente, somada a perspectivas morais próprias, fazem com que o indivíduo desenvolva uma consciência falsa de sua posição social. Nessa ótica, enquanto eu lia esse trecho da obra, imediatamente me recordei de algumas antíteses contemporâneas tão presentes nacional e internacionalmente. No Brasil, o “pobre de direita” é um conceito bastante discutido; afinal, sendo uma pessoa de baixa renda, seria racional apoiar governos que propagam políticas elitistas? A mesma lógica serve para o “imigrante xenofóbico”, fenômeno de destaque na última eleição americana – vencida por Donald Trump, candidato cuja campanha se baseou, principalmente, na retirada de imigrantes dos Estados Unidos e no “Make America Great Again”, slogan de cunho extremamente nacionalista. Diversos estrangeiros, inclusive brasileiros, demostraram apoio a Trump através de posts e vídeos na internet, exaltando o atual presidente como um político de boas intenções. Novamente, paramos e pensamos: isso tem algum sentido? Como um imigrante em terras estadunidenses, seria racional apoiar um candidato que, de maneira explícita, manifesta interesse em desmontar sua vida construída com muito esforço, te retirar de casa e te enviar de volta para o seu local de origem?
Em primeiro plano, para responder as perguntas supracitadas, é importante não cair na simplificação de que o “pobre de direita” e o “imigrante xenofóbico” são, simplesmente, pessoas de pouca inteligência. Como justificado por Charles Wright Mills, o que está em jogo na sociedade atual é um complexo sistema de fatores sociais e culturais, identidades e medos que guiam escolhas, mesmo que inconscientemente. Em contexto brasileiro, os governos de direita possuem estratégias de reafirmação ao pobre, fazendo-lhe acreditar que programas públicos de auxílio e acesso são, na verdade, prejudiciais à força de vontade individual, reforçando a – falsa – existência da meritocracia no país. É como se, ao votarem em candidatos direitistas, esses eleitores buscassem reafirmar sua dignidade, mantendo-se distantes dos estigmas de dependência do Estado e de pautas progressistas, consideradas uma ameaça a seus valores morais e normalmente influenciados pela religião.
Acerca do “imigrante xenofóbico”, uma passagem da obra de Mills detém muita semelhança no que tange o comportamento desse grupo, alegando que, em defesa do “eu” e de sua particularidade, os homens tornam-se moralmente insensíveis, ou seja, perdem a empatia e a noção de que, muitas vezes, estão inclusos em alguns discursos odiosos que julgam apoiar. Muito disso também se vale do egoísmo inato observado na humanidade, quando, ao prezarmos pela exclusividade, não queremos que outras pessoas tenham as mesmas oportunidades que tivemos.
Para solucionar os entraves citados – intrínsecos à falta de consciência de classe –, Mills só vê uma solução: o desenvolvimento da Imaginação Sociológica, qualidade de espírito que permitiria aos indivíduos usar a informação e desenvolver a razão, a fim de perceber, com lucidez, o que ocorre no mundo e dentro deles mesmos. Assim, com tal noção em seu âmago, as amarras que acorrentam o homem dentro de seu pequeno universo seriam rompidas e tudo o que interrompe sua evolução, extinto.
Ana Carolina Tiozzo Mascarenhas, 1° ano de direito matutino.
A Física Social e a verdadeira Inclusão
A Teoria do Positivismo, desenvolvida por Auguste Comte, defendia o desenvolvimento de uma Física Social para o estudo dos fenômenos humanos, na qual haveria uma racionalização das ciências e uma observação empírica para chegar a conclusões sobre episódios sociais - criando, portanto, a Sociologia.
O sociólogo concebeu a famosa frase “Ordem e Progresso”, expressa na bandeira nacional brasileira, que defende que a ordem e
estabilidade social liderará para o progresso científico da nação. Comte também
acreditava firmemente na hierarquia social por conhecimento e racionalidade. Tal
afirmação – com um toque humano – acabou corroborando para o desenvolvimento de
uma justificativa para o racismo, abrindo brechas para a escravidão e exclusão
social de pessoas negras.
Segundo a escritora e psicóloga Grada Kilomba, em seu livro “Memórias
da plantação: episódios de racismo cotidiano”, há o silenciamento explícito dos
negros no âmbito educacional devido ao preconceito estrutural em que a
sociedade foi constituída. Ela demonstra – com exemplos pessoais – o quão
racista são as instituições por mais que sigam uma “ordem”, já que estas foram baseadas
em uma estrutura europeia colonizadora e ocidentalizada. Com esta mentalidade
colonizadora, essas instituições tratam as pessoas pretas como “um grupo
subalterno” e os desprezam e os oprimem, de modo que a educação – um direito constitucional
– transforma-se apenas em uma longínqua utopia.
Deste modo, observamos que a criação da Física Social serviu apenas para aprisionar, dentro dos parâmetros científicos, uma sociedade que está em constante transformação. A ideia de que a ordem levaria ao progresso é derrubada, visto que é possível presenciarmos o constante preconceito sofrido por grupos cotidianamente – não só racismo, como homofobia. Embora progressos científicos tenham se consolidado, a inclusão dos grupos oprimidos no corpo social nunca ocorreu e o preconceito estrutural se consolidou fortemente – fazendo mais vítimas na contemporaneidade.
GEOVANA DE MORI - 1º ANO - DIREITO MATUTINO
Origem e fortalecimento de grupos reacionários: uma breve análise sob o viés da imaginação sociológica
O autor Wright Mills, em “A imaginação sociológica”, coloca esse tipo imaginário como sendo de extrema importância para o verdadeiro entendimento de sua sociedade, uma vez que possibilita a fuga de uma visão limitada pelos aspectos cotidianos do círculo social no qual um indivíduo está inserido. A partir disso, é possível construir uma visão ampla do corpo social por meio do abandono de valores e crenças prévias, e assim, de fato, entender as relações entre o ser humano, a sociedade e a história.
Ademais, Mills afirma que a velocidade e quantidade informações que recebemos é prejudicial no processo de desenvolver um pensamento, refletir sobre ele e absorvê-lo, por esse motivo, é gerada grande frustração no homem, que não é capaz de assimilar a tempo as mudanças ocorridas, assim, incapaz de lidar com o choque de ideias e valores, externaliza esse sentimento através do ódio, preconceito, intolerância e violência. Dessa forma, cria-se um grupo de pessoas que voltam a ganhar força na atualidade, os reacionários, aqueles que creem no retrocesso, que lutam pela volta dos costumes tradicionais.
Diante disso, é assustador a velocidade na qual medidas de cunho radical conservador estão sendo tomadas nos EUA, com o recém iniciado mandato de Donald Trump, evidenciando a volta em massa de uma população intolerante, radical e conservadora, visto que o atual presidente, em suas campanhas eleitorais já vinha prometendo tomar medidas questionáveis, tal como o fechamento do Departamento de Educação, que felizmente não foi conquistada devido a dificuldades com a aprovação da medida no congresso. Além disso, vale ressaltar o corte de financiamentos a escolas públicas que são acusadas de se pautar em ideologias “antiamericanas” sobre raça e gênero, e a colocação de funcionários da DEIA ( agências de diversidade, equidade, inclusão e acessibilidade) em licença remunerada. Com isso, nota-se a repressão ao desenvolvimento da imaginação sociológica, a fim de limitar o aprendizado a valores obsoletos e opressores
Assim, pode-se notar que grupos, como o de Trump e seus apoiadores, são impossibilitados de fazer o uso da imaginação sociológica, uma vez que são incapazes de afastar-se dos valores que lhes foram ensinados e aceitos devido ao amor e apego que têm pelos mesmos. De acordo com Mills, quando os homens sentem seus valores ameaçados, experimentam crise. Sendo assim, a volta ao poder dos ultra conservadores e os consequentes retrocessos advém do estranhamento que tiveram ao deparar-se com uma sociedade que vinha tornando-se mais tolerante e inclusiva.
Em suma, temos que a imaginação sociológica é imprescindível para a compreensão da relação entre o homem e a sociedade, mas que para atingi-la é necessário desgrudar-se de valores pessoais. Entretanto, existem homens tão apaixonados por seus valores pessoais que o mínimo choque de ideias é inaceitável e deve ser oprimido, a fim de que os seus próprios se sobressaiam. Portanto, hoje, o amor incondicional aos próprios valores, ódio e a inflexibilidade aterroriza toda uma parte da sociedade que já lutou e ainda luta por seus direitos, qualidade de vida e igualdade.
Catharina Passos Tomasella - 1ºano Direito (matutino)
O Capital, a "Mobilização Sociológica" e a Escala 6x1
Pedro Duarte Silva Sinicio Abib - Direito NOTURNO
Ao descrever o fenômeno da “Imaginação Sociológica”, Charles Wright Mills disserta sobre a separação do indivíduo de seu senso social e coletivo, levando o homem a se enxergar no tecido social enquanto único e individual, no famoso discurso do “cada um que cuide da sua vida”, retirando qualquer espírito de mobilização e luta de classes de seu cerne, e limitando sua consciência sobre suas próprias posições, projeto esse que é essencial para que o Capital possa continuar atuando e impondo suas políticas impostas desde os tempos de Revolução Francesa.
São inúmeros os exemplos desse projeto de dessocialização e despolitização da sociedade, o primeiro deles, o voto individual e passivo, tirando qualquer possibilidade de participação política ativa do povo e promovendo uma atuação individual e “secreta”, levando a política de um campo coletivo para um individual. Permitindo que o Capital continue dominando e explorando os meios econômicos e políticos, enquanto entrega uma falsa sensação de participação a uma classe destituída de qualquer capacidade de mudança, devido ao sucesso do projeto burguês individualizante.
Em acontecimentos mais recentes, vimos a mobilização na internet acerca do projeto de lei da deputada Erika Hilton (PSOL) sobre a proibição da Escala 6x1 na jornada de trabalho brasileira. Por mais que pela primeira vez em tempos, a esquerda tenha se unido em prol de uma causa trabalhadora, luta essa que é o cerne de sua existência, foram inúmeros os casos de políticos e trabalhadores que foram contra a causa. A participação de trabalhadores em protesto contra melhores condições para eles próprios é mais um exemplo do sucesso do projeto dessocializante. A individualização se tornou tão profunda, que mesmo a ação política coletiva em prol do trabalhador gera protestos com frases como “Não quer escala 6x1, então se demita, que tem gente desempregada querendo trabalhar”, mostrando perfeitamente a falta de qualquer consciência coletiva para se portar perante a exploração do Capital, escolhendo se aliar ao seu projeto e negociar com ele enquanto indivíduo, perdendo enorme força de barganha e auto sabotando qualquer possibilidade de melhoria de vida, uma vez que a negociação nunca esteve em estado de igualdade, além de demonstrar falta de conhecimento sobre problemas estruturais da gestão pública como o desemprego. Escolher agir enquanto indivíduo é, em casos como este, agir contra o coletivo e sua luta.
Percebe-se, então, a importância fundamental da Imaginação Sociológica, permitindo a união de classes sociais e garantindo que pensem enquanto um todo, tomando conhecimento de suas limitações, processos históricos e injustiças sofridas no passado e no presente, e permitindo que lutem contra elas no futuro. Entretanto, tal objetivo só pode ser alcançado a partir do entendimento do contexto histórico-social enquanto um todo, tornando esses indivíduos passivos, em um coletivo ativo no tecido social.
A Falta de Imaginação Sociológica e a Política Brasileira
Pablo Marçal foi um dos nomes mais comentados em 2024. O candidato do PRTB ascendeu muito rapidamente na política do país, chegando a quase ser eleito como prefeito de São Paulo. Tal fato assustou a muitos, visto que, mesmo suas condutas e falas sendo constantemente agressivas e desrespeitosas, ele conseguiu o apreço de vários paulistanos. Esse modo informal de se portar conquistou muitos brasileiros, sendo esta uma das tantas ocasiões em que candidatos se elegem com base nessas características individuais, e não em seus planos de governo. Tal realidade relaciona-se muito à falta de habilidade do povo de discernir o individual do geral, o particular do comum, a perturbação pessoal da questão pública, além de não saber situar-se no tempo e no espaço. Essas qualidades podem ser adquiridas por meio do desenvolvimento da chamada Imaginação Sociológica, conceito desenvolvido por Wright Mills e que explica muitos desses dilemas da atualidade.
Em seu livro, dentre outros fatores, Mills explica que o homem contemporâneo, devido à configuração social vigente, é inquieto e indiferente. Inquieto pois está sempre sob o risco de mudança, em um mundo instável que gera ansiedade e insegurança. Indiferente porque só enxerga o que o cerca e luta para defender e garantir o seu antes de olhar para o outro. Essas duas qualidades, somadas à falta de Imaginação Sociológica, retratam a maioria dos brasileiros. Tal perfil abre espaço para uma política populista e falha, que coloca no governo pessoas desinteressadas no desenvolvimento da nação. Além disso, ela se torna superficial, visto que os candidatos buscam apelar para o carisma, de modo a virar uma disputa de personalidades e não de projetos.
Exemplo disso é a presença em massa de personagens midiáticas como concorrentes aos cargos públicos. O ex- ator de comédia Tiririca retrata isso, ao, em 2010 ter sido eleito deputado com mais de 1,3 milhão de votos, a segunda maior votação para esse cargo da história, segundo o UOL. Além disso, pesquisas do Datafolha revelam que o cantor Gusttavo Lima teria altas chances de se eleger caso se candidatasse à presidência. Isso mostra como os brasileiros são facilmente enganados e votam com base na emoção e em premissas pessoais antes de analisar os projetos dos candidatos.
Assim, conclui-se que a Imaginação sociológica, apesar de importantíssima para o desenvolvimento de um olhar crítico e consciente, não está presente em maior parte do povo brasileiro. Isto abre espaço para política populista, superficial, desonesta e ineficiente, de modo a prejudicar uma possível melhora das condições de vida do povo brasileiro.
Eloisa Prieto Furriel - 1°ano matutino - direito
sábado, 22 de março de 2025
A “Geração Nem-nem” à luz da Imaginação Sociológica
NEET: Neither in employment nor in education or training. A sigla em inglês, deslocada para o imaginário brasileiro como “Geração Nem-nem”, emergiu como caracterização do grupo de jovens que não estudam nem trabalham. Para além do campo linguístico, no contexto hodierno, pode-se notar a construção superficial de julgamento de grande parte do tecido social, a qual atribui a responsabilidade da situação de tal juventude a fatores individuais – como preguiça e desinteresse. Entretanto, essa visão nefasta e exclusivista, cria um cenário deturpado que marginaliza tais indivíduos, perpetuando a vulnerabilidade. Sob essa lógica, é imperioso analisar este fenômeno à luz da Imaginação Sociológica, ilustrada pelo célebre sociólogo Charles Wright Mills.
Mormente, vale ressaltar a tese do pensador, que consiste na capacidade de analisar as experiências privadas a partir de questões sociais mais amplas, ou seja, compreender a mazela desse corpo social como construto relacionado ao contexto social, histórico e estrutural, conectando-o, assim, às questões públicas. Nessa perspectiva, a imaginação sociológica revela que a inatividade dos jovens está relacionada a transformações do mercado de trabalho e do sistema educacional, visto que a precarização do trabalho e o acesso desigual à educação são fatores que contribuem para a exclusão social. Prova disso é a notável informalidade na atividade laboral impulsionada pela desigualdade, em que os jovens que carecem de informação, recursos e qualificação, de maneira majoritária, acabam recorrendo a atividades informais, temporárias e mal remuneradas. Logo, a flexibilização do mercado de trabalho – característica de um tecido pós-industrial – e o precário sistema educacional dificultam a ascensão social dessa geração.
Diante do exposto, torna-se evidente que a aplicação da teoria de Mills alerta a necessidade de repensar a realidade da famigerada “Geração Nem-nem”. Para reverter essa deturpação, é preciso fomentar a criação de políticas públicas que promovam a inclusão social, a qualificação profissional e o acesso à educação de qualidade, visto que a nefasta responsabilização dos jovens, apenas perpetua essa marginalização. Por fim, a prática da imaginação sociológica pelo corpo social, corrobora para a construção de um futuro mais justo e equitativo – nem desigual, nem excludente.
Amanda Caroline Vitorasso, 1º ano - Direito (Matutino).
Os Movimentos Antirracistas perante a Imaginação Sociológica
Os
movimentos antirracistas surgiram com o foco em combater o racismo, a
desigualdade racial e garantir os diretos que são segregados, majoritariamente,
da população negra. Essa iniciativa busca refletir como as estruturas socias
são hierarquizadas racialmente, buscando prover uns e rebaixar outros.
Seguindo
essa lógica, movimentos muito conhecidos como Black Lives Matter, que surgiu
após o assassinato de um jovem negro, Trayvon Martin, em 2013, por conta do ataque de um vigilante que estava armado. Vale ressaltar que não houve consequência nenhuma e o vigilante George Zimmerman foi absolvido do caso, gerando grande comoção na sociedade, principalmente pelos privilégios
que a população branca tem em relação a negra.
Entretanto,
o posicionamento de “soberania” enraizado nos costumes da população evidenciam
as questões raciais em diversos países, que está sendo cada vez mais recorrente
e normalizada, reverberando em um conjunto de considerações antiéticas e
desumanas. Porém, a partir do momento que os movimentos antirracistas entram em ação,
a postura de solidariedade da sociedade ganha forma, sendo que antes estavam
mascaradas.
Diante desse viés, o sociólogo C. Wrigh Mills
em sua obra “Imaginação Sociológica”, explica como situações taxadas como
experiências individuais refletem na estrutura social, por exemplo, casos de discriminação
racial não estão ligados apenas a vivência, como vítima, de uma única pessoa e
sim de um conjunto de pessoas, onde também são fenômenos sociais estabelecidos
nas estruturas de poder e nas desigualdades. Por meio disso, os indivíduos
passam a perceber que um problema de sua vida pessoal, na verdade está mais para
um problema coletivo.
Maria Eduarda Siqueira Alves dos Santos - 1° ano - Direito - Matutino
A imaginação sociológica em tempos de extremismo
O início do século XX foi marcado pela popularização de ideias eugenistas, que pregavam o "aperfeiçoamento" da humanidade por meio do controle da reprodução, sendo usadas posteriormente para justificar a superioridade de grupos étnicos em detrimento de outros, e pela utilização dessas ideias por movimentos autoritários para alcançar o poder, especialmente na Alemanha. Nesse sentido, apesar dos esforços para o desaparecimento dessas ideologias, por meio de leis que proíbem sua disseminação e da repressão contra células nazifascistas, cada vez mais há notícias sobre o crescimento alarmante desses ideais na sociedade atual. Nesse contexto, a importância do pensamento sociológico se torna cada vez mais aparente, pois, como foi proposto por Charles Wright Mills, “tudo aquilo que os homens comuns têm consciência direta e tudo o que tentam fazer está limitado pelas órbitas privadas em que vivem”, o que favorece a difusão de ideias extremistas. Ou seja, além da repressão legal, o pensamento crítico é um complemento necessário.
Antes da Segunda Guerra Mundial, na Alemanha, uma grave crise
econômica e política se espalhou entre o povo, culminando na ascensão do
governo nazista. Isso se deve principalmente ao sentimento de humilhação gerado
pelo Tratado de Versalhes, à hiperinflação da década de 1920, que provocou uma
onda de desemprego, e à instabilidade política da República de Weimar, marcada
por grande polarização, violência entre grupos parlamentares e trocas
constantes de governo. Esses fatores geraram desconfiança na democracia e
desamparo entre a população, criando um terreno fértil para o totalitarismo se
estabelecer. Os nazistas ascenderam ao poder culpando judeus, comunistas e
tratados internacionais, algo aceito por uma população desamparada, imersa em
incertezas e crises em suas órbitas privadas, estes problemas poderiam ter sido
evitados caso o pensamento sociológico fosse disseminado, pois, a partir dele,
as pessoas perceberiam que esses problemas individuais são, na verdade,
questões estruturais complexas e não podem ser solucionados com respostas
simples, como culpar minorias.
Na atualidade, observamos um crescimento alarmante de movimentos
da direita radical na esfera política global. Isso é evidente nos EUA, com Elon
Musk e Steve Bannon realizando gestos muito semelhantes à saudação nazista em
eventos políticos, e no Brasil, com o ex-presidente Jair Bolsonaro afirmando em
2022 que as minorias “têm que se adequar”. Nesse contexto, fica evidente que,
na realidade globalizada contemporânea, marcada por inquietações derivadas do
medo da automação do trabalho pela inteligência artificial, das crises
econômicas e ambientais, do grande volume de notícias negativas e,
principalmente, da desinformação que se espalha rapidamente, as ideologias de
extrema-direita encontram um terreno fértil para proliferar. Agora, seus novos
principais inimigos são os imigrantes, como exemplificado pela política de
deportação de Trump e pelas declarações da deputada portuguesa Rita Matias, que
chamou imigrantes de “ratos”. Assim, o pensamento sociológico se torna ainda
mais necessário para evitar que o povo seja seduzido por essas acusações e
soluções simplistas de extremistas.
Portanto, considerando a forma de operação dos nazifascistas, que
aproveitam momentos de instabilidade para obter poder por meio da alienação de
pessoas fragilizadas, a imaginação sociológica proposta por Mills assume um
papel de suma importância para a construção de sociedades mais críticas e resilientes.
Isso ocorre porque, ao adotá-la, os indivíduos entenderão que suas dificuldades
pessoais são, na verdade, coletivas e complexas, demandando ação conjunta em
busca de uma verdadeira solução, sem cair em discursos extremistas e
identificando as causas dos problemas sociais. Dessa forma, evitam-se os erros
do passado, por meio do pensamento crítico.
Rafael Constâncio Cuvice - Direito noturno 1º ano
O crime de homofobia sob a perspectiva sociológica
Evidentemente,
sabe-se que pessoas pertencentes a comunidade LGBTQI+ foram, e ainda são
repudiadas por diversos grupos da sociedade tanto no Brasil quanto em outras
regiões do mundo. Não à toa que, apenas em 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF)
tomou uma decisão que enfim criminalizou a homofobia, equiparando-a ao crime de
racismo.
Vale a pena
ressaltar acerca desse evento que, mesmo sendo enquadrada como crime, essa
prática foi contemplada com uma brecha vantajosa para as igrejas,
principalmente seguidoras do Cristianismo, uma vez que a lei não as restringe
de continuar ensinando doutrinas que tornem a homossexualidade e a liberdade de
gênero em pecados perante a entidade divina.
Ademais, não
obstante a criminalização, pessoas do meio jurídico pertencentes à comunidade enfrentam
a homofobia ainda de maneira mais esdrúxula. Em 2021, durante uma CPI da Pandemia,
o senador Fabiano Contarato respondeu a uma provocação com teor homofóbico feita,
através da internet, pelo empresário bolsonarista Otávio Fakhoury. Tendo uma
família assim como qualquer outra composta por um homem e uma mulher, foi inevitável
para o senador não se emocionar na sua devolutiva em discurso e, claro, aproveitar-se da lei para exercer seu direito, denunciando o ato do empresário.
Por meio da
imaginação sociológica, podemos associar esse comportamento da sociedade, incluindo
a figura de Fakhoury, a uma necessidade de estar acima daqueles que fogem de um
padrão persistente e criado pela mais alta nata da comunidade. O fato de se
queixarem de casais compostos por pessoas do mesmo sexo também pode estar conectado a uma repressão própria em razão do preconceito geracional, sendo
exemplo disso, alguém que despreza uma pessoa LGBTQI+ por tanto tempo e depois
se descobre fazendo parte de tal comunidade, ou encobrindo sua verdadeira
personalidade com argumentos infundados.
Em síntese,
é possível notar, mediante reflexões profundas, que a discriminação de pessoas
homossexuais ou que se identificam com outros gêneros é tão “acimentada” na
estrutura da sociedade que causou o atraso de uma punição necessária, de forma que
ainda seja preciso debater sobre esse assunto de maneira incessante. Ademais,
fica claro que, até mudanças significativas no comportamento social – bem como entre
juristas em Parlamento – acontecerem, a homofobia continuará sendo uma questão estrutural
e tão persistente quanto o racismo.
Nicole Sthefany Calabrezi
1º ano - Direito - matutino
sexta-feira, 21 de março de 2025
A Imaginação Sociológica e a Crise da Saúde Mental na Era Digital
A imaginação sociológica, conceito desenvolvido por C. Wright Mills, conecta as estruturas sociais mais amplas com as experiências pessoais. Na época em que vivemos, que se encontra cada vez mais imersa no mundo digital, é fácil observar que a crise da saúde mental se tornou um tema cada vez mais relevante e, por meio desse conceito, podemos ilustrar com clareza a interseção causada pela imaginação sociológica.
Nas últimas décadas, a crescente utilização das redes sociais tem sido um fator fortemente associado ao aumento dos casos relacionados à saúde mental, principalmente entre os jovens. A constante comparação com outras pessoas, somada à pressão social para se encaixar nos padrões estabelecidos nas redes e à presença do cyberbullying para aqueles que não se encaixam em tais padrões, são algumas das inúmeras situações que acabam afetando a saúde emocional e a autoestima das pessoas. A partir da imaginação sociológica, conseguimos compreender que tais fenômenos são reflexos de uma cultura onde a aparência e a validação externa se tornam o centro de todos os aspectos da sociedade.
Além disso, após a pandemia de COVID-19, é possível perceber a ampliação desses problemas, pois, com o isolamento social, a ansiedade e a depressão se intensificaram entre as pessoas. A rápida transição do trabalho e do ensino para a forma remota trouxe à tona a importância das interações sociais presenciais para a saúde mental. A imaginação sociológica nos ajuda a perceber que a crise da saúde mental não é apenas uma questão de saúde individual, mas um sintoma de uma sociedade que, em muitos aspectos, falhou em proporcionar suporte emocional e conexões significativas.
Outro fator que desempenha um papel crucial nessa crise em que vivemos é a desigualdade social, na qual grupos marginalizados enfrentam barreiras adicionais para conseguir acesso a cuidados com a saúde mental, agravando suas dificuldades. Com a imaginação sociológica, podemos visualizar como as estruturas sociais moldam as experiências de bem-estar psicológico e o acesso a recursos.
Portanto, ao se discutir a crise da saúde mental na era digital, é necessária a adoção da perspectiva sociológica. Isso nos ajuda a entender que, para abordar esses desafios, precisamos ir além das soluções individuais e considerar as mudanças sociais necessárias para criar um ambiente mais saudável e solidário. Assim, a imaginação sociológica torna-se uma ferramenta importante para compreender as complexidades da vida contemporânea e ajuda a impulsionar um diálogo profundo sobre o bem-estar coletivo.
Maria Clara Rodrigues Dias - 1° Ano Direito - Matutino
A Imaginação Sociológica e o sistema global burguês
Nos últimos dias, o governo federal apresentou um projeto que visa à isenção fiscal para quem ganha até cinco mil reais, beneficiando, portanto, a classe trabalhadora. Entretanto, uma proposta que deveria contar com o vasto apoio popular foi alvo de diversos ataques nas redes sociais. Pessoas pobres, guiadas unicamente por uma ideologia, acabaram atacando a si mesmas. Mas por que pessoas comuns, pobres, lutariam pelos interesses da classe dominante?
Para respondermos essa questão, podemos recorrer ao livro "A Imaginação Sociológica" de C. Wright Mills. Basicamente, o conceito de ‘Imaginação Sociológica’ é que cada indivíduo deve compreender que sua vivência individual está atrelada a uma estrutura social ampla, que influencia seu modo de viver, pensar e se comportar. Nesse sentido, compreende-se que a alienação é exatamente o que a burguesia deseja, uma vez que, sem a imaginação sociológica, o indivíduo se vê diante da individualização do ser. ‘Mas por que a individualização é crucial para o capitalismo?’, você pode estar se perguntando. E aqui está a explicação: a individualização é fundamental para a sustentação do capitalismo, pois, com o cidadão dominado por esse espírito individualista, não haverá espaço para uma coletividade que busque seus direitos, assegurando, por conseguinte, a preservação do status quo.
Desse modo, verifica-se que a falta de noção do proletariado sobre o mundo que o cerca é algo pensado e arquitetado, hoje, principalmente através da internet, com notícias falsas e rápidas que se alastram com uma facilidade nunca antes vista. Recentemente, nos Estados Unidos, vimos grandes CEOs das redes sociais apoiando Trump, com a falácia da liberdade de expressão, que, na verdade, é apenas uma forma de liberarem o preconceito e a desinformação em suas plataformas. Os maiores burgueses do mundo se aliariam de forma aleatória? Obviamente não, eles necessitam suprimir a classe trabalhadora da Imaginação Sociológica para não sucumbirem.
Logo, identificamos, então, que o povo brasileiro acompanha esse cenário crítico mundial de manipulação e, consequentemente, justifica os ataques que ocorreram. Um povo sem entendimento coletivo está fadado à escravidão sistêmica.
João Marcos Borges Silva - 1º ano - Direito (noturno)
Oque Descartes falaria sobre a existência das IAs?
Hoje, ao fazer uma pesquisa no Google, me atentei ao fato de que agora todas as vezes que fazemos uma pesquisa, a primeira fonte que aparece respondendo perfeitamente e especificamente a pergunta é uma IA. Isso me fez refletir um fato incontestável que é a dominação cada vez mais abrangente da inteligência artificial em nossas vidas, e me recordou da famosa frase de Descartes "Penso, logo existo", sendo essa até então aplicada a nós, seres humanos.
Apesar de originalmente o conceito de René ser designado as pessoas, teria esse uma chance de ser ressignificado e se estender até as IAs? Já que se o pensamento é a prova da existência, a inteligência artificial poderia realmente adquirir o "existir" como ser consciente? A estas poderiam ser confiadas nossas tomadas de decisões racionais, ou essa capacidade ainda está atribuída apenas ao seres humanos?
Tenho certeza de que René não ampliaria seu conceito racionalista ao campo das inteligências artificiais, já que para ele o pensamento envolve além de processamento de dados e informações, baseia-se na existência do eu consciente e na formulação de dúvidas e reflexões internas próprias, formuladas em autoconsciência. Para ele uma inteligência que apenas guarda, processa, simula respostas e entrega conhecimento que já existe, não tem subjetividade, emoções ou dúvidas próprias, a ela não se aplica pois não possui alma.
Contrariando isto por um lado, não devemos endemoniar as IAs, e nem descartá-las como não constituintes da evolução da sociedade, estou convicta de que René as veria como uma continuação de nossa própria evolução intelectual, uma reflexão da capacidade humana de entender e transformar o mundo. Mas e se algum dia houvessem a criação de IAs que pudessem pensar por si próprias e questionar a sua existência? Será que Descartes com o seu conceito cartesiano de conhecimento, consideraria algum dia as Inteligências artificiais seres pensantes que existem? São perguntas que deixo a você caro leitor.
Lana Laura - 1° ano direito - noturno
Desinformação como ferramenta de manipulação no mundo moderno.
“Alienar”, no âmbito social, normalmente indica que alguém se encontra desconexo da realidade. Num contexto de mundo globalizado onde as informações navegam pelo mundo todo em questão de milésimos de segundos, considerar que alguém pode estar aquém da situação política, econômica e social do mundo parece improvável, no entanto, nota-se que ao contrário do que se espera, atualmente a desinformação e as manipulações de dados são mais fortes do que nunca, o que gera um movimento de desprendimento da realidade por parte de grupos e indivíduos, que ao consumirem essas fontes de informação de veracidade duvidosa, acabam se isolando em uma bolha e não enxergam o que de fato se passa no mundo. Assim, essas pessoas se tornam suscetíveis ao controle de qualquer um com um grau de liderança e eloquência mais elevados, independente se suas propostas e ideias são lógicas, éticas e aplicáveis a nossa realidade.
Tendo isso em mente, esse empobrecimento intelectual das pessoas através da alienação é perceptível com a mais nova onda de ascensão da ideologia fascista e da perda do sentido original na utilização do termo. Em diversos países atualmente, grupos de tamanho considerável se reúnem virtualmente e em locais públicos para defender ideias originadas nesse pensamento político e social extremista que surgiu na Europa durante os anos 1930 e foi responsável pela morte de milhões de pessoas integrantes de grupos minoritários.
Fato é que com o fim da Segunda Guerra Mundial, era esperado que uma tragédia semelhante nunca mais ocorresse e o pensamento nazifascista acabasse junto da guerra, no entanto, graças principalmente a falta de conhecimento sobre história e política (alienação), o ressurgimento desses ideais perigosos e extremistas foi possível com auxílio das tecnologias de informação, o que nos permite voltar a um dos pensamentos do autor, filósofo, cientista e político inglês Francis Bacon.
Em sua obra Novum Organum, Bacon afirma que é de fundamental importância que sejam conservados e respeitados os conhecimentos e acontecimentos do passado, para que assim seja possível lidar com desafios presentes e não repetir erros já cometidos. Nesse sentido, nota-se que uma população alienada a respeito de história e política está condenada a repetir fatos horríveis como o massacre feito por nazistas durante a Segunda Guerra.
Sendo assim, é interessante perceber que a alienação tem uma origem, e essa origem está centrada num interesse: Manipulação. Pessoas alienadas são facilmente manipuladas por alguém que se destaca por uma melhor capacidade de discursar, a alienação foi utilizada por Hitler na Alemanha, Mussolini na Itália e pelos militares brasileiros durante a ditadura; Portanto, cabe a nós refletir a quem interessa essa alienação mundial e qual o interesse final por trás disso tudo, o estudo de todas as ciências é fundamental nessas situações, para não cairmos em armadilhas como essas.
A Imaginação Sociológica e a redução da taxa de vacinação
A pandemia da Covid-19 reavivou discussões sobre a eficácia das vacinas, pois uma parcela da sociedade desconfiou da velocidade de desenvolvimento da vacina contra o coronavírus. De tal modo, nos anos seguintes houve uma queda na taxa do programa de imunização oferecido pelo sistema de saúde pública brasileiro. Assim, percebe-se a interferência da opinião na razão.
Em primeiro lugar, é válido discutir sobre essa distorção da percepção pública pela pessoal. Consoante ao sociólogo Wright Mills, a imaginação sociológica é o meio de superar as convicções íntimas e construir um pensamento crítico. Nesse viés, identifica-se que as pessoas desacreditadas nas vacinas deixam de lado o uso da imaginação sociológica e priorizam suas opiniões pessoais. Assim, isso afeta a sociedade no geral em relação à imunização coletiva para que doenças já erradicadas não acabem ressurgindo.
Em segundo plano, pode-se destacar a causa dessa descrença científica: o excesso de notícias consumidas diariamente, sendo que as falsas acabam passando despercebidas. À luz disso, Mills afirma que não é apenas de informações que precisamos, mas também de uma qualidade de espírito que nos permitirá assimilar as notícias e desenvolver a razão a fim de apreender o que está acontecendo no mundo. Desse modo, seríamos capazes de averiguar a veracidade das informações recebidas de tal modo não deixariamos que convicções pessoais interferissem na percepção científica.
Portanto, a redução da taxa de vacinação pós-pandemia é fruto de dois problemas. Sendo um deles, o não uso da imaginação sociológica para abandonar as percepções pessoais. Enquanto o outro problema é a falta da qualidade de espírito que ajuda a averiguar as notícias falsas que influenciam nas convicções individuais afetam as convicções públicas.
Maria Júlia Miranda Loureiro - 1º ano Direito (matutino)
O porquê da ascensão do conservadorismo no Brasil de acordo com os conceitos da Imaginação Sociológica.
Atualmente, nosso país vive uma explosão de ideais conservadores, levando assim a recorrentes discussões sobre quais costumes e valores devem orientar a sociedade brasileira. Isso nos leva a refletir o porquê dessa súbita expansão dos pensamentos tradicionalistas em nosso território.
Primeiramente precisamos entender que no Brasil ainda se perpetuam estruturas segregacionistas, como o racismo, o machismo e a homofobia. Todavia, nas últimas 2 décadas houve expressivos avanços que vêm rompendo com essas estruturas coloniais, patriarcais e preconceituosas. A exemplo disso, podemos citar o reconhecimento do Supremo Tribunal Federal (STF), em 2011, da união estável entre pessoas do mesmo sexo, equiparando-as à união estável entre homens e mulheres. Esse entendimento representa uma grande conquista para comunidade LGBTQIA+ e quebra com esse padrão heteronormativo que regia no país.
Por conseguinte, os avanços dessas minorias acabaram rompendo com uma bolha tradicional e indo além de uma opção sexual individual, tomando como exemplo as causas LGBTQIA+, e se transformando em uma comunidade com um sentimento mútuo de luta por uma igualdade perante a constituição brasileira. Em decorrência disso, esse grupo conservador, que teve seus costumes e valores ameaçados, organizou-se com um movimento reacionário a essas inovações nos campos sociais e políticos.
Portanto, essa ascensão do
conservadorismo no nosso país vem como resposta a movimentos inovadores, que dispõem
de uma outra perspectiva a respeito de temas que antes eram tidos como
consolidados em nossa sociedade. Devido a isso, esses conservadores se sentiram
ameaçados, uma vez que, em seus ambientes particulares, confundiam essas
questões sociais com questões psicológicas individuais, promovendo por exemplo uma
ideia de cura gay, e se assustando ao perceber a eclosão de uma comunidade
LGBTQIA+.
Paulo Henrique Possobom Carrenho, 1°Ano Direito Noturno,
Unesp Franca.
''Pobres de direita'' analisando tal fenômeno a partir da imaginação sociológica
Comecemos com uma pergunta; ‘’O que acontece quando um
sujeito não entende o seu contexto social?’’. Para acharmos a resposta dessa, usaremos
do livro ‘’ A imaginação sociológica’’ de Wright Miils. Segundo o autor, o ser
humano é resultado do contexto histórico em que vive, entretanto, atualmente,
há no imaginário da sociedade, uma manipulação que desgruda o ‘’individuo’’ de
sua realidade social e histórica. A partir disso, inicia-se a discussão desse
texto, o do porquê haver uma crescente no fenômeno chamado ‘’Pobres de
direita’’.
A priori, é necessário contextualizar nosso cenário
atual. Modernamente, houve uma intensificação nos discursos conservadores, ou
seja, em regimes políticos de direita, no Brasil tivemos o governo
Bolsonaro. Outros grandes exemplos são os deputados Nikolas Ferreira e
Cleytinho. O discurso dessa ideologia
politica é muito simples, e se consiste no fato de separar o sujeito do seu coletivo,
ou seja, fazer com que o indivíduo não se enxergue como pertencente a sua
classe social. ‘’Mas com qual objetivo ?’’; A partir de que o sujeito se separa
do coletivo, esse perde forças, sendo impossível se opor contra o Estado em
determinadas situações, a direita faz com oque o pobre lute contra seus
direitos. ‘’Mas como isso acontece ?’’; Pense bem, uma das pregações desses
políticos, por exemplo, é de que a partir de um trabalho autônomo (Ifood, Uber,
etc...), esse indivíduo tem mais chances de ter uma ascensão social, a partir
disso tal pessoa que pertencia a classe ‘’CLT’’ por exemplo, separa-se desse coletivo, e
começa a lutar contra os direitos que possuía, para que assim, tente conquistar
sua autonomia e consequentemente a falsa ideia da ascensão social, não que seja
impossível, mas são exceções os que conseguem, como já dizia Capitão Nascimento
‘’ O sistema é foda’’. ‘’Mas o porquê isso acontece?’’ Isso ocorre devido a diversos fatores, mas o principal muitas vezes é a falta de educação, essa que
é responsável por fazer que com o indivíduo entenda a sua realidade
Histórico-social, por isso as pessoas de classes socias mais baixas são as que
mais sofrem manipulações a partir desse discurso da direita, visto que muitos
carecem desse direito básico.
Portanto, chegamos à resposta da primeira pergunta feita.
Quando isso acontece, infelizmente o indivíduo fica anestesiado, e acaba se
prejudicando ou podendo prejudicar os demais, não conseguindo entender as reais
necessidades de sua realidade e deixando de lutar pelos seus principais
direitos.
Felipe Ferreira Gomes - 1º ano - Direito (noturno)
“Pejotização” e a crise da ambição no século XXI
Na obra “Imaginação Sociológica”, Charles Wright Mills defende a tese de que o ser humano é, fundamentalmente, fruto do contexto histórico em que se insere. Nesse sentido, o pensador alega haver, no imaginário da sociedade moderna, um pensamento falacioso e alienado o qual, na contramão das ciências sociais, desconhece o vínculo entre a vida privada do sujeito e o momento histórico deste.
Embora analise o século XX, Mills discorre sobre tendências que perduraram na sociedade contemporânea, como a recorrente alternância entre ansiedade e indiferença quanto a fugazes mudanças. Ao exemplificar, o autor define a sociedade estadunidense dos anos 60, permeada por instabilidades econômicas e políticas, como marcada por essa dicotomia, a qual culminou em uma “crise da ambição”. Analogamente, o hodierno também tem sido marcado pelos sentimentos de “inquietação e indiferença”, pois o sujeito, mesmo que note a influência direta da crise econômica sobre a própria qualidade de vida, sendo destituído de imaginação sociológica, é incapaz de relacionar a angústia “pessoal” com a conjuntura histórica na qual se insere. Nesse ínterim, vê-se no Brasil atual, no tangente ao labor, não apenas a “demonização” da CLT pelos jovens, mas uma verdadeira “crise da ambição”, em que o trabalho perde, além da valorização, o próprio sentido. Isso pois, o cidadão é permeado, concomitantemente, pelo sentimento de aversão à CLT, ou seja, ao exercício do trabalho registrado, sob as “amarras” da lei, e por discursos neoliberais meritocráticos, dos chamados “coaches”, os quais defendem que o êxito profissional depende exclusivamente de habilidades individuais, cujo desenvolvimento está a cargo do trabalhador. Dessa forma, o proletariado contemporâneo, pressionado ideológica e estruturalmente a ser autônomo, além de ter seus próprios direitos desmantelados, é condicionado, compulsoriamente, à autogestão. Assim, lançado à própria sorte no mercado de trabalho, sob o pretexto de ser livre da subordinação à CLT, o cidadão sente-se inapto ao exercício do tão exaltado empreendedorismo, posto que este exige atributos idealizados pelo sistema neoliberal.
Diante desse cenário, em que a ansiedade perante o mercado de trabalho leva os jovens a repudiarem os ofícios com carteira assinada, é fulcral o fomento à prática da imaginação sociológica e, em contrapartida ao pensamento de Francis Bacon, da filosofia, pela população brasileira. É necessário, portanto, buscar atingir a “qualidade de espírito” defendida por Mills. Essa última, por meio da articulação crítica das informações e do desenvolvimento da razão, promove ao ser a lucidez quanto às realidades tanto externa quanto interna a ele, ou por outra, representa o resultado advindo da imaginação sociológica. Doravante, apenas por intermédio da criticidade sociológica será possível não só evitar a extinção das leis trabalhistas brasileiras como conhecemos no presente, mas também recuperar a visão positiva acerca dessa conquista, a CLT, tão arduamente alcançada pelos trabalhadores e trabalhadoras do nosso país, entre os jovens.
Laura Xavier de Oliveira - 1º ano - Direito (matutino)
Os 4 Receptores
Um computador
Um burguês
Um ufanista
E um burocrata
Recebem, através de suas visões
A imagem de uma pessoa desempregada
O computador cataloga ela como 05
Monta um gráfico com a quantidade de pessoas nessa situação
Atribui isso como uma característica da sociedade
E afirma que ela tem desemprego estrutural
O burguês vê a oportunidade de um substituto em caso de greve
Precariza as condições de trabalho
Culpa a ausência de mérito de parte da sociedade
E enxerga tudo isso como simples parte da natureza humana
O ufanista tenta ignorar a imagem
Afirma que sua pátria jamais passaria por tal situação
Defende que sua nação é o baluarte do desenvolvimento econômico
E vai erguer um muro nas fronteiras para impedir que alguém diferente dele entre
O burocrata pergunta se o 05 tem documentos
Analisa se há processos no qual ele está envolvido
Verifica se a pessoa está dentro de propriedade registrada em cartório
E culpa a falta de documentos registrados
Menti o título
Há um quinto receptor
Já parou para pensar
Na imaginação sociológica
Não dos outros em relação ao 05
Mas sim
Do 05 em relação aos outros?
Meu nome não é 05
Meu nome é Vic
Meu nome é Giovana
Meu nome é Carlos
Estou aqui
Tenho minha subjetividade e compreensão da sociedade
E enxergo ela de uma perspectiva que você precisa ver também
- Felipe Lopes Gouveia Clauz Morlina, Direito Noturno, 1ºsemestre, UNESP Franca