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domingo, 7 de maio de 2023

Alienação e Consciência de classe

  Karl Marx em sua teoria Materialismo histórico dialético, busca alcançar o conhecimento sobre a sociedade com o uso histórico para a busca de padronização de comportamentos relacionados ao tema central de lutas de classe, como exemplos temos a Grécia Antiga com conflitos entre patrícios e plebeus, no Feudalismo, clero e servos, e no contexto de Marx, a burguesia e o proletariado. Esta análise também pode ser relacionada a atualidade, já que é notório o abismo entre a classe dominante e a dominada, além da constante busca pela improvável mobilidade social. 

Em primeira análise, enfatiza-se o reconhecimento da autoridade da burguesia pelo povo, por isso a adequação de costumes para uma falsa sensação de pertencimento a alta sociedade é comum, assim a falta de consciência de classe é a principal artimanha para esta alienação, pois deste modo os interesses dos dominantes são mascarados e defendidos pela maioria, Friedrich Engels, parceiro de Marx, ressalta esta questão na frase: ‘O homem que desconhece a classe a qual pertence, age contra si próprio’. 

Consoante a teoria, o cenário é idêntico quando nos referimos a alienação sofrida no governo Bolsonaro, que apesar de discursos elitistas com falas extremamente problemáticas como: ''Só tem uma utilidade o pobre no nosso país aqui: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso”, ainda sim conquistava grande parte da população de baixa renda no Brasil, em sua grande maioria pessoas que desconhecem sua verdadeira posição social. 


    Aluna: Heloísa Calixto da Silva / Ra: 231224631

1°ano Direito Matutino

Chico, Tarsila e Chaplin: O materialismo histórico aplicado a obras do século XX

 Marx e Engels na obra A Ideologia Alemã afirmam que para estudar o homem é necessário partir de algo concreto, palpável; ou seja: A realidade cotidiana. Partindo dessa premissa, as obras: Construção de Chico Buarque, Operários de Tarsila do Amaral e Tempos Modernos de Charles Chaplin são evidentes exemplos (e excelentes objetos de estudo) de como o materialismo se faz presente na sociedade contemporânea.


“Subiu a construção como se fosse máquina” - Neste verso, o personagem subir a construção como um maquinário denota a maneira a qual as relações produtivas regem a vida social: O extenuante trabalho do operário, fez este crer que era, de fato, parte do equipamento.

“Flutuou no ar como se fosse um pássaro” – No momento em que este operário se liberta da exploração, mesmo que de modo fatal, sente-se livre tal como um pássaro. Fica explicito como modo de produção burguês capitalista é de certo modo, tal como um parasita, uma vez que este absorve toda a vitalidade do explorado para se fortalecer.

“Se acabou no chão feito um pacote flácido” – Após se libertar do maléfico sistema burguês, o obreiro, ironicamente, acaba sendo vítima deste: tem sua humanidade negada, seu valor negligenciado, é um fruto do modo de produção capitalista, mero produto, um pacote flácido sem valia alguma.

“Morreu na contramão atrapalhando o tráfego” – Por fim, a não comoção com a trágica morte do operário, revela o egoísmo da sociedade civil, fenômeno proposto por Hegel; além disso, evidencia a alienação do operariado na sociedade burguesa, este, vítima do ideal burguês de supervalorização do indivíduo, é incapaz de se enxergar no homem que cometera a suicídio.


Partindo para uma perspectiva diferente, a obra Operários de Tarsila do Amaral retrata algumas dezenas de proletários, esses, divergem-se quanto seus fenótipos e sua aparência, entretanto, paradoxalmente, eles aparentam ser todos iguais, fruto da exploração de sua mão de obra. Tal semelhança, expõe de modo subjetivo, a massificação da produção imposta pela burguesia, que aliena e despersonaliza as classes oprimidas, neste caso, o operariado.

Por fim, o filme Tempos Modernos relaciona-se diretamente com o capítulo “À deriva” da obra A corrosão do caráter de Richard Sennett; ambos os protagonistas (tanto o personagem de Chaplin, quanto Enrico e Rico) se veem tão imersos em seus ofícios, que acabam externalizando-o, de tal modo que a labuta acaba regendo todas as outras esferas de suas respectivas vidas. Isso denota a teoria materialista proposta por Marx:

“indivíduos determinados com atividade produtiva segundo um modo determinado entram em relações sociais e políticas determinadas.”.  


Enzo Bispo Silva (RA: 231223293) - 1° Ano Direito - Matutino

sábado, 6 de maio de 2023

Materialismo histórico: a dominação material e intelectual

    

            O materialismo histórico foi uma teoria criada e desenvolvida por Karl Marx e Friedrich Engels, ela consiste em uma ideia de base materialista que defende que a história do homem no tempo pode ser explicada através da organização das relações de trabalho e dos meios de produção em cada período. Dentro dessa lógica, Marx propunha que, independente da época estudada, sempre haveria alguma classe dominante das forças de produção que buscava defender seus próprios interesses e, para que isso fosse feito, era necessário que elas controlassem também os meios intelectuais e espirituais da população dominada, a fim de manter sua dominação.

            Nesse contexto, é passível de ser analisado as relações de controle e influência dentro desse sistema. Para que a lógica capitalista funcione, é necessário que um ou mais indivíduos dominem as forças de produção, no entanto, a rebelião dos dominados seria inevitável dentro de situações que isso acontecesse de forma não estratégica. Por isso, a dominação da base material está intrinsecamente ligada com a dominação da base imaterial – intelecto-, uma vez que quando se nega conhecimento e desenvolvimento espiritual a uma parcela vulnerável da população, é facilmente possível torná-la alienada e submetida ao controle de terceiros.

            Dessa forma, a classe submetida aos pensamentos dominantes se torna passiva diante do sistema hierárquico formado, o que ocasiona trabalhadores que acham normal a exploração que sofrem e as péssimas condições de trabalho a que são submetidos por considerarem isso parte do processo para ganhar um salário no fim do mês. Sendo assim, a alienação se torna uma peça fundamental do sistema capitalista e os pensamentos dominantes se tornam nada mais que as relações materialistas dominantes consideradas sob formas de ideias, de modo que as influências mais altas desse sistema controlam todo o processo de formação intelectual da sociedade para que os seus desejos e interesses sejam atendidos.

            Portanto, diante dessa exploração, Marx defende que seja necessária uma consciência de classe por parte da sociedade, para que os indivíduos entendam quais são os seus papéis dentro do sistema produtivo, seja ele como dominado ou como dominador, de forma a reduzir a alienação e dificultar o controle das classes dominantes do sistema.

Carolina Carneiro Chaves

RA: 231223498 - direito matutino

Idealismo: como as pessoas entendem o mundo a partir de estórias

 Como explorado na serie "explicando a mente" da Netflix, é mostrado que as pessoas guardam melhor informações quando essas são colocadas em uma estória. Não é a toa que a sociedade apresente um apelo tão grande por novelas, romances e filmes de ação em tons dramáticos, distantes da realidade. A criação da figura do herói e do vilão é um exemplo de como essas estórias servem também para exprimir valores sociais idealizados. Dessa forma, é possível concluir como as pessoas tendem a formular suas concepções de memória da vida a partir de narrativas idealizadas. Tal lógica, não é distante do pensamento de Hegel, onde a projeção de idéias tem significado universal sobre a existencia. No entanto, ao compararmos a percepção de Hegel com a teoria materialista da história de Marx, observamos que certos contextos são deixados de lado nas análises da realidade. 

A visão hegeliana, assim como filmes de heróis e vilões, trazem uma versão generalista, que abandona situações individuais de cada um presente. Oposto a isso, Marx tras a ideia das condições materias de existencia, que considera os contextos economicos individuais de cada um, que, inseridos no modelo capitalista, são submetidos aos seus modos de vivencia. Dessa forma, percebe-se uma divergencia, ao mesmo passo que as pessoas se apegam a versões idealistas da realidade, vivem uma diferente baseada em seus próprios contextos materialistas. Exemplos dessa discordancia podem ser observados nos discursos atuais sobre meritocracia. Existe a ideia, novamente baseada em valores como em estórias, de que o esforço e dedicação são capazes de trazer tudo ao indivíduo. Ou seja, independente de sua situação, pessoas que realmente tentam e apresentam boa índole conquistam o que desejar. No entanto, tal ideia é falsamente montada, como exemplo disso temos a situação de sucateamento das escolas públicas. Nelas, independente do esforço de indivíduos, que pode ate ser equivalente, o acesso a materiais e aulas é drasticamente diferente, não garantindo iguais oportunidades. 

Em casos como esse, é perceptível o isolamento da realidade de certa forma proposto pela ideia idealista de Hegel. Também, como o materialismo historico de Marx pode trazer perspectivas mais próximas de como as pessoas tem sua viva suscetível ao modelo, nesse caso economico capitalista, em que vivem. A frase de Marx "os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem, não a fazem sob circunstancias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente" serve para demontrar como o idealismo de Hegel e de estórias não conseguem captar totalmente o contexto em que as pessoas realmente existem. No entanto, ainda representam uma grande parte do pensamento social por conta do seu apelo narrativo, cientificamente explicado por nossas memórias, como diz o documentário e eternamente presente em nossas percepções. 

Rafaela Santiago Panichi

primeiro ano de direito noturno

RA: 231223803

Os problemas de ontem presentes no hoje: a convergência entre Marx e Sennett.

       Karl Marx e Friedrich Engels foram grandes teóricos da filosofia e da sociologia entre os séculos XVIII e XIX, ambos foram responsáveis por elucidar teses que buscavam explicar o contexto econômico e social das sociedades burguesas da época. Para eles, a realidade social é um cenário constante de transformações, na qual as relações sociais são guiadas por meio das relações de produção. As teorias de Marx e Engels surgem com a necessidade de se substituir o antigo socialismo da filosofia alemã, denominado “socialismo utópico”, pois na visão deste, o proletariado não possuía autonomia suficiente para entender sua própria realidade sem que estudiosos criassem antes teorias sociológicas nas quais os fenômenos sociais fossem explicados por meio da razão.

Marx e Engels entendem a necessidade de colocar o proletariado como agente dos fenômenos sociais, para eles, são as condições históricas que devem ser o centro das teorias, em outras palavras, é a prática e a realidade que devem ser as bases das teorias filosóficas, porque só assim é possível entender de verdade os fenômenos presentes em uma sociedade. Por esse motivo que ambos criticam o Idealismo Hegeliano, pois para Hegel a explicação do mundo não está na ordem dos fatos em si mas sim nas ideias.

Além disso, Marx por meio de todas as suas teorias e livros propõe que apesar de os homens terem determinadas escolhas de vida, essas são definidas direta ou indiretamente pela sociedade em que vivem, já que tudo dentro de uma sociedade burguesa está intrinsecamente ligado à ideologia dominante, assim até mesmo a religião, a ciência e a arte vinculam-se a aspectos burgueses. Sob esse viés, podemos observar que Richard Sennett em seu livro “A corrosão do caráter” trás esses conceitos todos para uma realidade mais atual e demonstra a influência da ideologia burguesa, que se modifica cada vez mais rápido em busca de maior acúmulo de capital, na vida das pessoas. Sennett observa as diferentes influências desses aspectos burgueses na vida de Enrico e Rico, pai e filho de diferentes gerações, que lidam com as transformações sociais dentro de uma sociedade na qual o capital é sempre o foco, ambos enfrentando seus próprios dilemas em distintas realidades econômicas.

Em resumo, podemos concluir que tanto Marx e Engels, tanto Sennett, conseguem promover uma visão mais ampla e realista dos fenômenos sociais dentro de sociedades regidas pela lógica capitalista do que Hegel, porque eles colocam o homem e os acontecimentos históricos no foco do estudo, construindo as teorias sociológicas a partir deles e não o contrário. Podemos observar também que os problemas observados por esses teóricos séculos atrás ainda são atuais e estão longe de ser resolvidos, porque cada vez mais o homem passa para o segundo plano da sociedade enquanto o capital assume um protagonismo cada vez maior. As relações entre os homens se tornam cada dia mais fragilizadas diante da incessante busca pela sobrevivência em uma sociedade tão precarizada. Direitos trabalhistas, que levaram séculos para serem efetivados, são retirados em uma aparentemente inofensiva reforma trabalhista em detrimento dos grandes empresários que buscam acumular o máximo possível de capital. O que parece é que devemos nos preparar para que cada vez mais direitos e conquistas sociais do proletariado sejam revogadas, porque no atual momento, a imensa maioria das pessoas na política, são pessoas que se preocupam apenas com seu próprio bem estar e enriquecimento, deixando o bem estar coletivo em um plano muito distante.


TEXTO 4 - MARXISMO

Sarah Kulchar Tvardovskas

1º Ano - Direito (Noturno)

RA: 231224257

Liberdade manipulada: as estruturas de dominação capitalistas

 

                Analisando, a partir de uma perspectiva aprofundada e contemporânea, a célebre expressão imperativa “Proletários de todos os países, uni-vos”, resumidora das propostas sociais apresentadas por Marx e Engels em seu “Manifesto Comunista”, percebe-se que a mesma não se trata somente de um apelo para que as massas trabalhadoras se engajem em busca da promoção de uma sociedade mais justa, mas parte da percepção de que essa mobilização perpassa um elemento fundamental e caro à realidade hodierna: a conscientização da população quanto a sua condição de dominada, em meio ao controle da vida social pelas classes dominantes. Tal dominação, na visão marxista, se expressa através da imposição, pelas classes sociais no centro do poder, de modelos de conduta e ideais que se generalizam na sociedade e induzem a uma falsa percepção de autonomia do indivíduo na escolha de seus próprios valores e representações. Desse modo, para a análise dessa conjuntura de controle social, se faz pertinente ponderar os elementos que constituem as suas raízes socioeconômicas e o modo como ela se manifesta na realidade contemporânea.

                É válido demonstrar, inicialmente, como a dominação das massas se relaciona diretamente às relações de produção na sociedade. Nesse sentido, Marx estabelece como fundamento básico e central para a percepção dos elementos que caracterizam um corpo social, as condições materiais de sua existência, no sentido de que o modo como os indivíduos se relacionam economicamente, de modo a suprir as suas necessidades materiais, é determinante para definição de sua conduta e de seus valores. Sob essa perspectiva, tal concepção materialista pode ser usada para compreender como se estabelecem as relações de poder na sociedade atual, uma vez que o capitalismo, como principal modelo econômico vigente, estrutura o corpo social a partir de uma lógica socioeconômica intensamente desigual, determinando os grupos sociais que ocuparão as posições centrais de prestígio na sociedade, os quais imporão os seus interesses sobre os demais. Por sua vez, as instituições estatais, como representações do poder das elites, atuam de modo a institucionalizar tais interesse, contribuindo não só para a generalização das visões de mundo da burguesia, ao que Marx denomina “ideologia”, como também para a manutenção dessa conjuntura de dominação e exploração.

                Ademais, convém evidenciar como no contexto atual se manifesta tal estrutura de dominação. Nessa perspectiva, tomando por base as relações laborais hodiernas, o mercado se impõe cada vez mais como uma força imperativa que molda o modo como o trabalho se estabelece e, logo, acaba influenciando em todos os aspectos da vida social. Essa influência do mercado no âmbito das esferas coletivas e particulares fica clara no livro “A Corrosão do Caráter”, do sociólogo Richard Sennett, no qual o autor discorre, através da análise de casos concretos, a maneira como o caráter dinâmico e fugaz do capitalismo contemporâneo resulta não só em uma completa inseguridade social, devido à rapidez como as demandas do mercado se estabelecem e influenciam na garantia do emprego, como também fomenta a liquidez das relações sociais, a partir do apagamento do sentimento coletivo, em prol da produtividade econômica individual. Os atuais níveis de desemprego, pessoas em trabalhos informais, pobreza e casos de ansiedade e depressão são exemplos que evidenciam essa dominância do mercado sobre as relações socioeconômicas.

                Em suma, as atuais estruturas de controle e determinação se estabelecem a partir da influência das relações de produção sobre a conjuntura social e produzem reflexos ainda no contexto contemporâneo. Observa-se, logo, como os sentidos que se inserem na expressão de Marx e Engels inicialmente citada se constituem importantes preceitos atemporais, visto que se associam diretamente a essa realidade, atentando para a necessidade contínua de emancipação das massas populares em meio à hegemonia das classes dominantes.

Eduardo Garcia da Silva

RA: 231220324

1º Ano – Direito Noturno

A Era da Eficiência

A todo momento somos bombardeados com imagens de pessoas bem sucedidas,
que supostamente “venceram” na vida. É aquilo “quem controla o passado, controla o
futuro. Quem controla o presente, controla o passado”, e essas pessoas que ocupam os
lugares de destaque na mídia, contam as suas verdades de como eles chegaram lá.
Criando na cabeça do cidadão comum que eles só não chegam lá também, por não terem
se esforçado o suficiente, e logo nos metem 20 cursos diferentes sobre como dormir 2hrs
por dia e trabalhar 27hrs vai fazer de nós os futuros milionários do país.
É assim que aos poucos a classe burguesa vai moldando a sociedade do jeito que
eles querem, escravos do trabalho e da eficiência, onde nada mais importa a não ser a
produção e geração de riqueza, para eles né. E é um discurso que cativa, agrega multidões
de pessoas, e nos divide e gera ódio. Ódio por aqueles que querem uma vida melhor,
porém sob condições plausíveis, sem ter que abrir mão daquilo que faz a vida valer a pena,
em nome de promessas. Todo mundo tem a capacidade e o direito de fazer a sua própria
história, porém antes de tudo é preciso “beber, comer, morar, vestir-se e algumas outras
coisas mais” como nos trouxe Marx. Se a pessoa passa a viver apenas em busca de
eficiência e geração de riqueza para outros, é perigoso ela deixar de ser uma pessoa, e
acabar se tornando apenas um meio de produção.

Bibliografia:
MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã (1845-1846). São Paulo: Martins
Fontes, 1998.
Capítulo: “FEUERBACH: Oposição entre a concepção materialista e a idealista” [p. 05-54]

Aluno: Vinicius Eiji Pereira Pazin
RA: 231223773
Turma: 1º ano - Direito - Matutino

A intrínseca relação entre capitalismo e machismo à luz do materialismo histórico e dialético

As relações de desigualdade de gênero são algo intrínseco a história humana, desde os primórdios as mulheres são colocadas como subordinadas aos homens. Tendo isso em vista, é possível compreender como o materialismo histórico dialético lança luz sobre a relação direta entre capitalismo e machismo, de modo a analisar como as relações de gênero em consonância às relações de luta de classes.

À priori há uma relação histórica entre machismo e capitalismo, uma vez que o segundo surgiu em um contexto sociocultural no qual a desigualdade de gênero já se fazia presente, por isso o capitalismo foi capaz de explorar e reforçar essa desigualdade em diversos aspectos. Dessa forma, o patriarcado foi capaz de construir-se a partir da divisão sexual do trabalho e consequentemente da exploração das mulheres. Em séculos anteriores as mulheres dependiam dos esposos para economicamente e recebiam a função de reproduzir e criar os filhos, os quais cresceriam e reproduziriam a mesma lógica de exploração econômica e de gênero.

No entanto, a partir de sociedades contemporâneas, as mulheres foram inseridas no mercado de trabalho de assim submetidas a mais um tipo de exploração, já que passaram a não mais apenas cuidas das casas e da prole, mas também a terem uma jornada de trabalho com baixa remuneração em comparação ao sexo masculino. Ademais, vale firmar que a desigualdade entre mulheres e homens não se pauta apenas na questão econômicas, mas se espraia para fatores culturais, sociais e simbólicos capazes de reforçar estereótipos de gênero e a dominação masculina.

Em vista disso, em seus escritos, Richard Senett é capaz de demonstrar como as relações voláteis de trabalho impactam a carreira de trabalho das mulheres no cotidiano atual, já que a instabilidade no serviço e a demissão do marido, fazem com que Jeannette -  esposa de Rico - também mude de emprego e de cidade em prol de um bem maior, que seriam seu marido e seus filhos. Ou seja, a mulher se submete a um esgotamento mental, psíquico e material para que possa cuidar de sua família.

Por conseguinte, o materialismo histórico dialético é capaz de demonstrar criticamente como as relações entre classes na sociedade. De modo que a divisão sexual do trabalho reflete em não apenas salários mais baixos para as mulheres, mas em menos oportunidades de acesso a educação e cargos de poder, dessa forma, as relações de produção e de gênero são influenciadas por condições econômicas, tecnológicas e sociais de cada época, visto que é preciso compreender a sociedade capitalista e absorver o método de olhar para a realidade social para propor mudanças, rompendo-se com a ideologia machista e deixando de ter um olhar puramente filosófico da realidade de exploração das mulheres.

Ana Júlia Nogueira

RA: 231221819

1° ano Direito Matutino

O Materialismo Histórico e Dialético Frente as Desigualdades da Sociedade Contemporânea.

A ideologia Alemã, crítica mais recente da filosofia alemã, é uma filosofia que reduz o conceito de humanidade e sociedade à uma mera abstração. Essa ideologia é duramente criticada por Karl Marx e Friedrich Engels em sua obra juntos, uma vez que a ideologia alemã baseia o conceito de humanidade sob um viés capitalista de exploração trabalhista, que gera riqueza para poucos e pobreza para muitos. Nesse sentido, os filósofos tecem críticas ao sistema capitalista de produção e mostram a necessidade de uma revolução de classes, buscando a superação da desigualdade social e do ideal suprimido de humanidade.

Em uma primeira análise, a perfeita exemplificação dos motivos pelos quais as críticas de Marx e Engels existem se dá na obra de Richard Senett, “A corrosão do caráter”, dado que nessa obra fica evidente a necessidade, criada pelo sistema capitalista, do acúmulo de capitais por parte da população, produzindo efeitos como a desigualdade social, a perda de relações a longo prazo, necessidades individuais, mudanças constantes, etc. Desse modo, fica perceptível, através da história de Enrico e Rico, que a vida de ambos é vinculada ao trabalho e apenas ao trabalho, de modo compulsório, fragmentando suas vidas, impossibilitando laços fixos e duradouros, abalando seu caráter e sua moralidade, em busca de estabilidade, principalmente financeira.

Ademais, a desigualdade gerada pelo sistema capitalista fica evidente, na atualidade, em grandes eventos, como o festival de músicas “Lollapalooza”, o qual se mostrou conivente com o trabalho análogo a escravidão, daqueles responsáveis por montar a estrutura do festival, dos trabalhadores, enquanto o mesmo festival gerava o enriquecimento dos patrocinadores e diretores do evento, deixando ainda mais evidente a desigualdade social gerada pelo sistema capitalista, que busca apenas o lucro, não importando os meios para tal.

Sob esse viés, percebe-se que o capitalismo falhou como um sistema econômico, uma vez que proporciona à diversas populações condições de trabalho deploráveis, assim como jornadas exaustivas e inconstantes, deixando os trabalhadores sem perspectiva de um futuro melhor. Assim, surge a importância das criticas de Marx e Engels, valorizando a importância de uma revolução econômica por parte da classe trabalhadora, buscando melhores condições de trabalho e de vida, deixando de lado as relações de curto prazo e prezando por relações duradouras, que apreciem a humanidade em todo seu conceito.

 

 Maria Clara Cabrera Gementi. Ra: 231220481. 1º ano Direito Noturno

sexta-feira, 5 de maio de 2023

A obra de Senett e as consequências da modernização do trabalho

 A principal reflexão da obra de Richard Senett é sobre as transformações no mundo do trabalho nas últimas décadas, em que a precarização, a flexibilização e a informalização do trabalho têm se intensificado. A principal contribuição de “A corrosão do caráter” é que essas mudanças não apenas afetam a vida profissional dos trabalhadores, mas também têm impactos significativos em suas vidas pessoais e emocionais.  

Analisando o contexto de trabalho atual, as mudanças descritas por Senett são ainda mais evidentes. A pandemia acelerou o processo de digitalização do trabalho e impulsionou a adoção de novas formas de trabalho remoto e flexível. E embora essas mudanças tenham benefícios, uma das principais consequências da popularização desses métodos de trabalho é a permanência do trabalho no cotidiano e nos momentos de descanso dos trabalhadores, onde não acontece o “desligamento” do ambiente de trabalho, devido à tecnologia permitir que os trabalhadores estejam conectados 24 horas por dia, 7 dias por semana, ocorrendo uma dificuldade em estabelecer limites claros entre o trabalho e a vida pessoal. Junto a essa prática, caracteriza-se um fenômeno da atualidade, o “burnout”, onde ocorre o esgotamento físico e mental do trabalhador, afetando sua produtividade e principalmente sua vida pessoal e emotiva. 


Outro dos pontos destacados por Senett em sua obra é a perda do sentido de identidade e propósito que era atribuído ao trabalho. Com a crescente fragmentação do trabalho e a busca incessante por produtividade e eficiência, a classe trabalhadora perdeu a conquista do significado em suas atividades laborais. O que leva à outra consequência negativa, que é a falta da capacidade de criar relações de confiança e cooperação no meio de trabalho, que se traduz também para a vida pessoal. Um exemplo da influência do método de trabalho da atual sociedade capitalista é a prática do “babysitting” ou a presença de babás, onde um cuidador (que na maioria das vezes passa mais tempo com os filhos do que os próprios pais) dificulta a formação de laços paternos e maternos que devem caracterizar o desenvolvimento de uma criança, porém a esfera do trabalho impossibilita que os pais façam parte na criação dos filhos mesmo em momentos essenciais da maternidade. 


Resumidamente, a análise do autor focaliza em demostrar que, embora essas mudanças tenham trazido benefícios, as consequências negativas para a vida profissional e pessoal dos trabalhadores são inegáveis, e entre elas estão: a perda de identidade e propósito no trabalho, a dificuldade em estabelecer relações interpessoais de confiança e cooperação, a intensificação do trabalho e da sobrecarga emocional. Essas consequências são extremamente preocupantes considerando o contexto em que vivemos, onde transtornos mentais constituem ameaças cada vez maiores e mais presentes na sociedade. 

Afonso da Silva Ferreira - 1º ano de Direito - Matutino 

RA: 231223242 

quinta-feira, 4 de maio de 2023

A relação de Sennett e Marx com as estruturas de trabalho

 As relações de trabalho e o meio de produção que temos hoje passou por grandes mudanças em um período razoável, e estas transformações foram fundamentais para que possamos compreender a realidade em que estamos vivendo sem muitas vezes perceber a lógica do capitalismo e suas relações.

O sociólogo e filósofo Karl Marx foi um dos grandes pensadores acerca da relação de trabalho com o capital, principalmente na ligação entre a classe burguesa e o proletariado, já que ele viveu em um contexto de crescente urbanização e industrialização do Sec. XIX. Esse confronto de acordo com Marx, vem de seu materialismo histórico, justificando que essa ligação que ditou os rumos das sociedades ao longo da história humana, onde há o dominado e o dominador, que em sua época, a classe operária seria a dominada enquanto os burgueses seriam os dominadores.

 Além disso, ao pensar em uma perspectiva mais ampla, ele percebeu que a classe trabalhadora dominada estava dependente de suas tarefas dentro das fábricas e isso gerou transformações que iriam para o âmbito familiar e social, e com isso os trabalhadores ficaram alineados, graças a um Estado burguês com políticas burguesas que visavam explorá-los sem uma justa remuneração pelo bem ali produzido.

Ao levar esses conceitos para a atualidade, as formas de trabalho foram se adaptando ao longo do tempo, principalmente com a chegada da internet e com a crescente globalização. Ao fazer uma análise do texto de Sennett “A corrosão do caráter”, podemos ver que há mudanças em relação ao trabalho entre o pai e o filho, ambos entrevistados por Sennett em diferentes épocas.

O pai estava muito vinculado, identificado e alienado com o seu emprego, criando uma certa identidade com aquilo que ele fazia e levando aquilo para o âmbito familiar e social, enquanto o filho, que viveu a ascensão da internet e trabalha com ela, tem outro tipo de relação com o seu trabalho, que é muito mais frio e distante em comparação com o pai, além de não ter certa identificação com aquilo que fazia por ser rápido e supérfluo, não garantindo algo fixo com que se identificasse.

Em conclusão, podemos ver que a estrutura do trabalho e o do Estado por muito tempo se consolidou de uma maneira que foram explicados por Marx e por outros sociólogos ao passar dos anos e agora essa nova estrutura está mudando o jeito como vemos o trabalho e o trabalhador com suas novas noções de exploração.



Hugo Rodrigues da Silva Direito 1º ano (Matutino)  RA:231222637 

A corrida dos ratos explicada por Marx e Sennett

      No livro "A corrosão do caráter", de Richard Sennett, o autor retrata sobre a vida de um pai e um filho, Enrico e Rico, ambos submetidos à uma sociedade capitalista de diferentes formas, a vida do "chefe da família" sempre muito mais difícil, pensada sempre em como manter o status dos filhos, trabalhando por uma boa educação, nunca pensando numa forma de lazer, em como passar o tempo da melhor maneira junto com a família e aproveitar o momento.

  Visto que, todos estamos submetidos à uma vida pensada no capital, é notável que, cada vez mais, os indivíduos têm objetivos que possam ser alcançados através do dinheiro. Em sua obra "Feuerbach", Karl Marx se contrapõe à esse tipo de modo de existência, segundo o autor "A maneira como os indivíduos manifestam sua vida reflete exatamente o que eles são. O que eles são coincide, pois, com sua produção, isto é, tanto com o que eles produzem quanto com a maneira como produzem. O que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais da sua produção", ou seja, o indivíduo submetido à uma sociedade capitalista não existe em seu ser individual, mas sim, em um ser que deve sempre estar disposto à trabalhar o máximo possível para acumular riquezas, em sua grande maioria, para deixar à próxima geração, à fim de alcançar a tão sonhada estabilidade financeira, o status social, uma qualidade de vida boa, talvez, nos últimos dez anos (sendo muito otimista) de sua vida.

 Por fim, fazendo uma analogia aos trabalhadores (motoristas, entregadores etc) de aplicativo que, por muitas vezes, trabalham o dia inteiro, não possuindo, sequer, direitos trabalhistas, chegam em casa extremamente cansados e, por consequência, raramente ou nunca podem acompanhar o mandato de um político que o próprio elegeu, portanto, não consegue obter um conhecimento crítico acerca das mudanças nas leis, se estão melhorando suas condições de trabalho ou não, ou seja, o ciclo continua, semelhante aos ratos que correm em suas rodas dentro de gaiolas e nunca saem do lugar. 


Sophia Caños Farias, 1 ano noturno

RA: 231224826

Sociologia como concepção materialista da história: as contribuições de Marx e Sennett.

    Karl Marx e Richard Sennett se dedicaram a compreender a história e a sociedade a partir de uma perspectiva materialista. Ambos acreditavam que a análise das condições materiais de vida das pessoas é fundamental para entender as transformações sociais e históricas.
    Para Marx, a sociologia como concepção materialista da história busca compreender as estruturas sociais a partir da análise das condições econômicas e materiais que as sustentam. Ele argumentava que a produção e distribuição de bens materiais eram os motores principais da história, moldando as relações sociais, as instituições políticas e os conflitos que caracterizam cada época. Além disso, Marx enfatizava a importância da luta de classes na dinâmica social e histórica, destacando a centralidade das relações de poder e da exploração econômica na organização das sociedades.
    Por sua vez, Sennett também parte da premissa de que as condições materiais de vida são cruciais para entender a sociedade e a história. Em suas obras, ele enfatiza a importância do trabalho como elemento central da vida social, e analisa as transformações que ocorreram no mundo do trabalho ao longo do tempo. Para Sennett, a organização do trabalho é fundamental para compreender as relações sociais, as desigualdades e as dinâmicas de poder presentes em uma determinada sociedade.
    Nesse sentido, a sociologia materialista oferece uma importante contribuição para o entendimento da dinâmica social e histórica, ajudando a explicar as transformações e os conflitos presentes nas sociedades contemporâneas.



Luiz de Deus Silva Neto
RA: 231223641

Os encontros das teorias de Karl Marx e Richard Sennett.

 A teoria de Karl Marx é uma das mais influentes teorias sociológicas do mundo. Ele acreditava que a história humana era impulsionada pela luta de classes e que a economia era a base da sociedade. Marx argumentava que as relações de produção eram as mais importantes, pois elas determinavam a forma como a riqueza era distribuída na sociedade. De acordo com Marx, a exploração do trabalhador pelo capitalista é o cerne do capitalismo, o que leva à alienação do trabalhador e à desigualdade social.

O livro "A Corrosão do Caráter" de Richard Sennett é um olhar sobre as mudanças no mundo do trabalho e como essas mudanças afetaram a identidade e a personalidade dos trabalhadores. Ele defende que o trabalho se tornou mais fragmentado e superficial, o que leva a um sentido de desapego e falta de compromisso com o trabalho. Sennett argumenta que a cultura do trabalho mudou de uma cultura de compromisso para uma cultura de flexibilidade, onde o trabalhador é forçado a ser adaptável e a mudar constantemente.

A ideia de Marx e o livro de Sennett se complementam em muitos aspectos. Marx acreditava que o capitalismo era um sistema econômico baseado na exploração do trabalhador pelo capitalista. Sennett explica que, como resultado das mudanças no mundo do trabalho, o trabalhador moderno é fragmentado e superficial, o que leva a um sentido de desapego e falta de compromisso com o trabalho. Ambos os autores argumentam que a alienação do trabalhador é uma consequência direta da estrutura do trabalho capitalista moderno.

Outro aspecto em que os dois autores se complementam é na questão da identidade. Marx alegou que a identidade do trabalhador é definida pelo trabalho que ele realiza. Sennett declara que a identidade do trabalhador moderno é cada vez mais fragmentada e superficial, o que leva a uma perda de identidade. Ambos os autores justificam que a falta de identidade e compromisso com o trabalho é uma consequência da estrutura do trabalho capitalista moderno.

Além disso, Marx e Sennett também compartilham a crença de que o trabalho moderno leva à desigualdade social. Marx cita que o capitalismo é intrinsecamente desigual porque o capitalista explora o trabalhador. Sennett declara que as mudanças no mundo do trabalho levaram a um aumento da desigualdade social, já que alguns trabalhadores são considerados mais valiosos do que outros.

Em conclusão, a teoria de Marx e o livro de Sennett se complementam em muitos aspectos. Ambos os autores argumentam que a estrutura do trabalho capitalista moderno leva à alienação do trabalhador, à perda de identidade e à desigualdade social. Embora a teoria de Marx tenha sido escrita há mais de um século, ainda é relevante hoje, assim como as ideias de Sennett sobre as mudanças no mundo do trabalho. Juntos, eles nos alertam sobre as consequências negativas do trabalho moderno e nos incentivam a buscar mudanças positivas para a sociedade.

 

Maria Eduarda Souza Vasconcellos – RA:231220651. 1* ano direito matutino.

 

 

quarta-feira, 3 de maio de 2023

contemporaneidade do materialismo histórico dialético

O materialismo histórico dialético é uma teoria desenvolvida por Karl Marx que busca entender a dinâmica da história e da sociedade. Segundo essa teoria, a história é movida por contradições internas e o desenvolvimento das sociedades é resultado das lutas de classes. Na sociedade atual, essa teoria continua sendo relevante e pode ser usada para entender a realidade social e econômica que vivemos.

Em primeira análise, Marx argumenta que a sociedade capitalista é dividida em duas classes sociais fundamentais: a burguesia, que detém os meios de produção e exerce o controle sobre a produção e a distribuição de bens e serviços; e o proletariado, que é obrigado a vender sua força de trabalho para sobreviver. Essa relação de exploração e dominação é a fonte das contradições que movem a história e que geram as mudanças sociais. Na sociedade atual, a teoria do materialismo histórico dialético pode ser aplicada para entender a persistência das desigualdades sociais, que continuam a ser um dos principais desafios enfrentados pelas sociedades contemporâneas. A desigualdade econômica, por exemplo, é evidenciada pela concentração de riqueza nas mãos de uma minoria e pela falta de acesso a recursos básicos por grande parte da população. A teoria marxista ajuda a entender como essa desigualdade é mantida e como a luta de classes pode ser uma forma de superar essa situação.

Além disso, a teoria marxista também pode ser aplicada para entender as crises econômicas e políticas que afetam a sociedade contemporânea. Para Marx, a instabilidade econômica é uma característica inerente ao capitalismo, que é marcado pela busca constante de lucro e pela concorrência acirrada entre as empresas. Essa instabilidade pode levar a crises cíclicas que afetam a economia global e têm impactos negativos sobre a vida das pessoas. Por fim, a teoria do materialismo histórico dialético pode ser usada para entender as mudanças sociais e culturais que ocorrem na sociedade contemporânea. A globalização, por exemplo, é um fenômeno que tem impactos significativos sobre a economia, a cultura e a política em todo o mundo. Ao analisar essas mudanças sob a perspectiva marxista, é possível entender como elas estão relacionadas com as contradições e lutas de classe que movem a história que muitas vezes reforçam a ideologia dominante e contribuem para a manutenção das desigualdades sociais. A teoria também pode ser aplicada para entender a degradação ambiental, uma vez que a exploração desenfreada dos recursos naturais é resultado de um sistema econômico que privilegia o lucro em detrimento da sustentabilidade ambiental.

Em conclusão, o materialismo histórico dialético continua sendo uma teoria relevante na análise da sociedade atual, permitindo-nos compreender as complexas dinâmicas sociais, econômicas e culturais que moldam nosso mundo. A teoria marxista nos ajuda a entender as desigualdades sociais, as crises econômicas e políticas e as mudanças culturais que afetam a sociedade contemporânea.


Giulia Lotti Pupin

RA: 231224761

noturno-direito

primeiro semestre 




A consciência do homem: entre a Reificação e a distinção dos animais.

"A produção das ideias, das representações e da consciência está intimamente ligada à atividade material". Tal ponderação citada por Karl Marx, é congruente ao diferenciar os humanos dos animais, posto que  ao começarem a produzir seus meios de existência, produziram indiretamente  seus meios materiais e suas próprias consciências. No entanto, a partir do momento que surge o Capitalismo com as Revoluções Industriais, por conseguinte, aparece uma classe trabalhadora  que passa a ser subordinada, alienada, precificada e, principalmente, tratada como objeto- o que Marx conceituou como "Reificação do Homem". Por isso, questiona-se: o homem realmente adquiriu consciência a partir da atividade material ou isso é apenas uma utopia?

       Em "A Corrosão do Caráter" de Richard Sennett, Rico, um homem que vive num mundo-altamente caracterizado pela flexibilidade, relações de "curto prazo", instabilidade e desconfiança- é uma prova da quão inconsciente o ser humano pode ser (ou pode parecer), especialmente, quando não fala que foi demitido, mas que enfrentou uma crise e teve que tomar uma decisão. Ele, na verdade, assumiu uma responsabilidade como se fosse culpa dele, o que não é, já que isso faz parte da sociedade e do sistema econômico do qual ele vive-a objetificação e fácil eliminação daquele que não é mais útil. E, também, a culpabilização daquele que é a verdadeira vítima da história.

         No mesmo livro, é possível analisar Enrico, pai de Rico, que viveu em um mundo completamente contrário, pós Guerras Mundiais, pós Grande Depressão, com um Estado forte e centralizado, sindicatos bem organizados. Esse meio material influenciou a sua condição de existência, uma vida linear, engessada, fordista, rígida, disciplinada e, sobretudo, um pouco mais consciente sobre sua classe social, seu aspecto de oprimido. Isso o induziu a criar seu filho de forma sistemática, prezando para que ele pudesse ascender socialmente e um dia ser parte da classe dominante. O que o pai não imaginava era que ao seu filho ser parte dessa "nova classe", iria ter vergonha de suas origens e que, também sofreria, de outras formas (com demissões) em relação aos opressores.

          Destarte, a consciência ainda é limitada, mesmo que Marx justifique que seja o fator que nos diferencie em relação aos animais. Isso porque há uma alienação na própria criação dos meios de existência e nos meios materiais, como acontece com Rico, quando se vê culpabilizando a si mesmo por ter sido demitido. E isso é muito relacionado com o próprio sistema financeiro, a curto-prazo, instável, reificado.

            Isabela Junqueira, 1° ano Direito (Matutino)

            RA: 231223315

Alienação social

 

A principio é fundamental entender a relação entre Richard Sennett e Karl Marx. O primeiro, é um sociólogo e historiador norte-americano que defende a tese de que o imperativo da flexibilidade é imposto por uma nova configuração econômica - o “novo capitalismo”, ou seja, uma sociedade em que as novas tecnologias escravizam mais pessoas do que nunca.  No entanto, para o segundo autor, existem fatores estruturais que se repetem em todas as sociedades: modo de produção material e a Luta de classes. Em todas as sociedades, também, o trabalho é visto como a base da vida social, capaz de moldar as relações humanas, trabalho como plataforma da história. Então, há uma relação entre o modo como as pessoas produzem sua substância – modo de produção material. E o modo como elas compreendem o sentido de suas vidas e constroem suas relações socias. Dessa forma, os dois autores dialogam ao argumentarem sobre o capitalismo e sua relação com o homem em sociedade.

Sob efeito do capitalismo tem-se a alienação causada pelo consumo em um sistema social e politico destrutivo a quem vive nele. Assim sendo, vale conceituar esse problema, alienação do trabalho: objeto do trabalho não pertence mais ao trabalhado, processo de trabalho perde o sentido e a vida social, aos poucos, torna-se também desprovida de sentido (fetiche da mercadoria ou consciência retificada). Logo, esse sistema produtivo é capaz de gerar alienação individual. Consequentemente, fenômenos como os fetichismos passam a ser comum. Diante disso, Sennett quem nos dá uma bela descrição desse tempo, centrando parte de sua análise justamente no significado do “fetichismo da mercadoria” para entender as bases culturais que originaram a sociedade do consumo, que uma perspectiva exclusiva da produção não permitiria apreender. Baseado em histórias da época, o autor vai revelar como, já nas últimas décadas, era possível ver como os donos das lojas de departamento “começaram a trabalhar mais o caráter de espetáculo de suas empresas, de maneira quase deliberada”. Esses proprietários descobriram que associar um vestido feito à máquina à foto de uma duquesa X lhe conferia um status que não tinha relação nenhuma com o próprio vestido, e do mesmo modo, ao pôr uma simples caçarola em uma réplica de um harém mourisco na vitrine de uma loja, dava a esse objeto um “inexplicável” poder de atração. Ante os expostos, é comum observar marcas como Nike e Adidas garantirem espaço do público, pelo fato de ser das marcas, não muito pelo produto em si. Posto isso, é fundamental frisar que o consumo leva á alienação e uma falsa sensação de existência.

 

Bianca Regina Pinheiro

1° ano Direito - Noturno

RA: 231220138

A consciência social

A principal diferença entre os animais e os seres humanos está na ausência e na presença de consciência, respectivamente. Mas de onde vem essa consciência? O que a define? 
Segundo Marx e Engels, ela depende das condições materiais de produção e coincide com o que e como a sociedade produz os bens materiais, ou seja, ela é um produto social, é definida pela vida. 
Quer dizer, diferentes nações, diferentes sociedades, diferentes consciências têm estágios de desenvolvimento das forças produtivas e das divisões de trabalho. 
Então, uma vez que a consciência que rege a sociedade é determinada pelos meios de produção, a classe que os domina também domina o "poder espiritual" através das ideias de dominação. Elas não são tão aparentes assim, muito pelo contrário, elas se apresentam de forma sutil como se fossem ideias naturais e universais que vão sendo naturalizadas e incorporadas pela classe dominada, até que se tornem as únicas ideias válidas na sociedade. 
Além de dominar os meios de produção, o mercado e as ideias, a classe dominante também detém o poder político, tendo assim, todos os setores da sociedade nas mãos. 
Com o passar do tempo, a classe dominante vai mudando conforme o mercado e os meios de produção também forem mudando. Para uma nova classe se estabelecer no poder, ela tem que conseguir uma base mais ampla do que a classe que dominava anteriormente tinha, negar as ideias que já existiam e ser mais radical e decisiva do que as de antes já foram. 
 Assim podemos concluir que a criação material é a base de todo o mundo sensível. 

Giovanna de Moraes Pereira- 1º ano noturno
RA: 231223706

Tempo: Um deus? Um fenômeno? Uma forma de controle?

     Tempo, substantivo comum que à priori se refere à mudança de números, seja em um relógio, em um celular, em um computador, que nos mostra uma mudança, mas o que significa exatamente? Há somente um significado? O que seria e o que representa essa mudança que pode ser vista em segundos, minutos, horas, etc? O que é o tempo realmente?

    Esse substantivo, por mais simples que pareça, é o tema de muitos pensamentos e ideias, afinal o que seria esse substantivo? Na música de Caetano Veloso, “Oração ao Tempo” percebe-se o tempo visto não somente como um fenômeno natural, mas um deus: “Por seres tão inventivo/ E pareceres contínuo/ Tempo, tempo, tempo, tempo/ És um dos deuses mais lindos/ Tempo, tempo, tempo, tempo”. O tempo também já foi e continua sendo uma grande reflexão filosófica quando nos lembramos, por exemplo, da obra de Santo Agostinho, Confissões, livro 11, que aborda sobre o quão difícil se torna a busca por um conceito, por uma definição de tempo. Também temos de um lado, Platão defendendo o passado como forma ilimitada do tempo, enquanto de outro lado vemos filósofos medievais defendendo a ideia de que é finito e portanto todas as coisas possuem início e fim. No entanto, essa questão não fica somente no ramo da filosofia, passando também à física, afinal como estudar o tempo? É possível voltar no tempo? O tempo é uma unidade de medida criada e usada somente por humanos? Temos um exemplo disso na série alemã, Dark, que trata do assunto de viagem no tempo, tratando-o não como um mero fenômeno, um mero acaso, mas um deus que traça e muda a vida das pessoas, sendo essa, uma produção que nos traz muitos questionamentos sobre esse tema tão complicado com frases do célebre físico Albert Einstein como “ A diferença entre passado, presente e futuro é somente uma persistente ilusão”, além de conceitos físicos como o Paradoxo de Bootstrap, a Teoria da Relatividade Geral, a Ponte de Einstein-Rosen (e como isso se liga com possíveis buracos de minhoca provenientes de buracos negros). Entretanto, afinal, se existem tantas discussões sobre o tempo em tantas áreas, seria possível o tempo ser enxergado de maneira social? Poderia ser o tempo uma ferramenta de controle social?

No livro, “A corrosão do caráter”, capítulo “a deriva”, o sociólogo estadunidense Richard Sennett traz ao leitor a história de Enrico, um imigrante italiano em busca de condições sociais melhores, e seu filho Rico quando já adulto. O capítulo começa contando um pouco sobre a vida do italiano em terras estadunidenses, sobre seu trabalho (de faxineiro) que não lhe permite uma ascensão grande ao ponto de sair de uma posição de emprego que se encontra numa categoria de prestígio baixa. Podemos entender a luta de Enrico para melhorar de vida, e que embora passe a maior parte de seu tempo trabalhando, logra algumas conquistas como comprar uma casa para mudar para um bairro considerado melhor, juntar economias, seu filho consegue ir à universidade e se formar. Passando um pouco o capítulo, Sennett nos descreve o encontro que teve com o filho de Enrico, Rico, anos depois e que no primeiro olhar, já conseguiu notar uma postura proveniente de Rico que tenta passar uma ideia de ter vindo de uma classe social mais alta desde seu nascimento, o que Sennett sabe que não é verdade. Mais para frente, entramos no diálogo entre o sociólogo e o filho de Enrico, mas uma coisa que chama muita atenção é a forma com que o tempo é tratado nesse diálogo e na vida atual de Rico. Se antes, seu pai, por mais que tivesse de trabalhar incessantemente para alcançar o famoso termo American Dream, mantinha laços com seus colegas de trabalho, passava tempo ensinando e passando coisas para seu filho, além de usar uma parte de seu tempo para ser presente para a família, nos remetendo à uma frase utilizada no começo do livro que diz que o tempo é o único recurso grátis para o que se encontram no fundo da sociedade. Quando olhamos para Rico, vemos que o tempo, o mesmo fenômeno presente na vida de seu pai, possui agora, outro significado, afinal Rico não possui tempo suficiente para passar com seus filhos, sua vida é um emaranhado de inseguranças sobre como será o trabalho no dia de amanhã, se ele e sua família terão de mudar de cidade, de estado, resultando em: tempo para compartilhar com amigos? Não há. Tempo para criar laços com pessoas, com lembranças? A vida está corrida demais para isso. Tempo para simplesmente fazer nada? Não existe, afinal o tempo representa o que mais vale numa sociedade movida pelo capitalismo, o dinheiro.

    Analisando brevemente essa relação de Enrico e Rico com o tempo, surge a questão… Seria o tempo uma forma de se controlar as pessoas? Afinal, como não posso decidir, nem que por um dia, o que fazer com os números de segundos, minutos, horas que representam minha vida? A jaula de ferro, conceito criado por Max Weber, traz à tona a estrutura burocrática que torna possível a racionalização do acúmulo de tempo, como se o tempo fosse algo palpável que podemos guardar na gaveta de casa. Enquanto pessoas acordam uma semana em cada lugar, sem a preocupação de manter sua subsistência básica, podendo usar seu tempo da maneira que sua racionalidade, seus pensamentos decidam, vemos a maior parte das pessoas utilizando seu tempo em um emprego por muitas vezes repetitivo, que não há ganho intelectual, além de horas no transporte público, para conseguir o mínimo para a existência, a sobrevivência no lugar da vivência, a falta de tempo para os filhos, para os amigos, para aquele livro que tem páginas demais, para que ao final sequer possam comprar um molho de tomate mais saudável no supermercado e acabem optando de maneira não livre a levar um molho industrializado, prejudicial a saúde, porém mais barato. Como pode o tempo ser ao mesmo tempo uma coisa que não para, uma coisa que nos deixa presos? Como pode o tempo, um deus, um fenômeno natural, uma abstração, ser utilizado para um aprisionamento normalizado? Para que eu passe mais tempo dentro de um ônibus que ensinando meu filho a ler, que cultivando memórias pelas pessoas e situações pelas quais tenho afeto? Como pode o ser humano buscar relações duradouras,  buscar narrativas de identidade se tudo parece uma série composta de episódios curtos para se ver no intervalo de almoço, de stories do tiktok que duram trinta segundos, de fragmentos? Quando o tempo vai ser utilizado para que sejamos livres e esse sentimento finalmente nos pertença? Nem toda prisão precisa ter grade.


Maria Eduarda S. Lago - Noturno
231221037