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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

A análise marxista sobre o trabalho pode ser utilizada no século XXI

Nas obras de Karl Marx é sempre retratado a temática da relação do trabalho nsociedade capitalistaNesse sentido, com mais de um século de diferença o sociólogo e historiador norte-americano Richard Sennett sob uma perspectiva marxista vai fazer uma crítica a esse “capitalismo flexível” que vigora no mundo contemporâneo 

Primeiramente, a concepção de trabalho demonstrada por Marx retrata que o sistema capitalista transformou o trabalhador em mercadoria, logo, o trabalhador além de lutar para manter os seus instintos naturais, ele também passou a lutar pela aquisição de empregoAdemais, Marx demonstra que essa divisão do trabalho que vigora nessas sociedades industriais tem como intenção criação de um proletariado alienado, na medida que, indivíduo passa anos operando a mesma máquina e não reconhece o produto obtido. Portanto, a divisão do trabalho eleva a força produtiva, a riqueza e o aprimoramento dessa sociedade burguesa, porém ela empobrece o trabalhador até a condição de máquina, consequentemente, a exaustãodanos físicos e psicológicos irreversíveis.   

Por conseguinte, o sociólogo Richard Sennett depois de um século das obras de Marx e sob uma perspectiva marxista vai fazer uma leitura do que seria esse “capitalismo flexível” do século XX. Richard vai retratar que esse capitalismo flexível está gerando uma sociedade impaciente, insegura e concentrada apenas no agora. Nessa perspectiva, muitos trabalhadores vão para os seus empregos, inseguros, pois não sabem se continuarão trabalhando ou serão demitidos, em contrapartida, essas empresas colocam uma falsa motivação na cabeça do proletariado de que o mercado está em constante mudança e por isso o trabalhador tem que estar sempre se renovando e acompanhando as perspectivas da empresadessa forma, o proletariado que mais sofre é aquele que está a mais tempo operando aquela função, pois está sempre sendo ameaçado a ser demitido e trocado por um mais novo, caracterizando o que o Marx retrata como: "coisificação do trabalhador. Essa “coisificação do trabalhador” pode ser vista em diversas empresas consideradas multinacionais na medida que as mudanças tem a ver com o suprimento das demandas do mercado que são consequências da política de concentração de poder sem a centralização. 

Outra forma de dominação que Richard Sennett apresenta e que pode ser feito paralelo com o momento atual do mundo é flexibilização do trabalhoNesse sentido, o trabalhador tem a falsa sensação de liberdade de poder orientar a sua jornada de trabalho, poisnessa era tecnológica a relação entre o patrão e o proletariado é virtual. Entretanto, o trabalhador continua sendo controlado, na medida que o indivíduo tem horário para responder, horário de almoço, hora de entrar e sair, e acesso limitado a páginas em horário de serviço. Portanto, a única diferença entre o proletariado do século XIX e o do XXI no período de trabalho é que a forma de controle era feita pelo relógio e agora é pelo computador.  

Portanto, Marx e Richard Sennett mesmo elaborando suas obras em séculos diferentes conseguiram identificar essa relação de exploração do trabalhador pela classe dominante. Dessa forma, enquanto houver o sistema capitalista, muitos trabalhadores vão continuar voltando para casa com a sensação de que podem perder o emprego e de que estão cada vez mais exaustos fisicamente e psicologicamente.  



João Vitor Cunha Pereira - Direito noturno  

Quem é o juiz dessa luta?


De um lado, os vorazes

Do outro lado, os anestesiados

O caos é relativo, depende do lado que você está

Mas afinal, quando isso se tornou natural?


Mudar de lado? muito fácil, basta querer

“Faça valer a pena ou morra tentando” 

Definitivamente, muitos morrem

Os vorazes? seguem lutando por sobrevivência

Os anestesiados? vocês já sabem


Diante de uma crise, oportunidades não faltam

Trabalhe por três, até porque, os vorazes não tem opção

E por mais que sintam o impacto, os anestesiados disfarçam

Fingindo não ter nenhum grau de parentesco com os vorazes

Afinal, são quase uma elite...


Talvez realmente sejamos corrompidos

Perdendo pouco a pouco a capacidade de sentir

Ou talvez sejamos apenas vítimas de amarras dos meios de produção

Dessa forma, muitos mudam o foco, pois ficam em negação diante do caos

Porque o que importa mesmo é a moral e os bons costumes


Seguimos cumprindo o nosso papel histórico

Um papel imposto por anônimos não tão anônimos assim

Muitos anestesiados acham um dia terão o mesmo potencial de imposição

Nunca deterão deste poder, pois na verdade, se aproximam mais dos vorazes

Seguem até o fim da vida entretidos com pão e circo, achando que um dia chegam lá



Ana Beatriz Costa - Turma XXXVIII - Noturno




UMA ANÁLISE DA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA SOB UMA PERSPECTIVA MARXISTA

 

O marxismo pode ser compreendido como uma corrente filosófica e sociológica que surge a partir da segunda metade do século XIX, tendo como representantes iniciais: Karl Marx e Friedrich Engels. Em resumo, depreende-se que o marxismo se apresenta como ferramenta de análise rigoroso da realidade social. Nesse sentido, essa corrente se caracteriza na dialética materialista e histórica, em outras palavras, estuda o mundo material e os fatos do cotidiano, portanto, se desprendendo do campo das ideias.

Desse modo, o marxismo se afasta do idealismo hegeliano, uma vez que a proposta fundamental de Hegel é permanecer no campo ideológico e filosófico, portanto, não sendo capaz de se sustentar no mundo concreto. Para Marx, devemos observar o mundo material desprendido da ideia de ideologia a fim de garantir uma análise pura da realidade. Nesse sentido, o marxismo lança mão do estudo das relações de produção, das condições materiais e das forças produtivas, bem como de toda a dinâmica do mundo concreto, isto é, da relação entre a economia, a sociedade de classes e a política.

Em vista disso, sob a perspectiva marxista, pode-se afirmar que o mundo contemporâneo vive sob o espectro capitalista, uma vez que a relação do homem com o trabalho continua sendo visar o lucro no mercado global. À exemplo disso, podemos citar as contratações de jogadores dos times de futebol da liga europeia, uma vez que as transações econômicas não visam somente o reforço atlético do time, mas sim a possibilidade de lucro com o marketing para a venda de camisetas e acessórios para os torcedores.

Também, podemos exemplificar as novas relações de trabalho. O mundo moderno foi capaz de robotizar atividades que, até o século XX, eram realizadas pela mão de obra humana. Nesse sentido, a sociedade contemporânea lança mão da substituição da mão de obra humana pela mecanizada a fim de potencializar a produção e diminuir os custos com os empregados. Por exemplo, as grandes empresas automotoras, tais como a Ferrari, Aston Martin e a Mclaren fabricam os seus carros somente por meio da supervisão de uma equipe de engenheiros mecânicos altamente especializados e com um grupo especialista em computação a fim de programar o sistema operacional que controla toda a produção das partes que compõem o automóvel.

Por último, vale ressaltar, também, a religião, que por sua vez tem lançado mão cada vez mais da teologia da prosperidade, isto é, de que é lícito pedir ao criador o acumulo de riquezas, sendo isso, um exemplo de benção divina. Nesse sentido, destaca-se as igrejas neopentecostais brasileiras, pois cada vez mais a prática da venda de objetos espirituais como amuletos de proteção e de prosperidade têm ganhado proporção dentro da comunidade cristã brasileira.  

   

ITALO DE ABREU CORREIA – DIREITO NOTURNO, TURMA 38

A modernidade líquida por uma visão materialista

          “A miséria das classes baixas é sempre maior que o espírito de fraternidade das classes altas.” A frase retirada do romance “Os Miseráveis” do francês Victor Hugo retrata bem o contexto europeu no século XIX. Em meio a realidade caótica do proletariado durante o auge da segunda Revolução Industrial, o filósofo alemão Karl Marx desenvolveu suas teses, defendendo a classe operária e criticando o sistema vigente. Na atualidade, a realidade do trabalhador permanece precária, inúmeros são os tipos de exploração sofridas e a instabilidade do trabalho vem intensificando-se. 

          As relações de trabalho na modernidade vem se tornando cada vez mais frágil. Mesclando-se os ideais de Marx e do filósofo polonês Zygmunt Bauman, é possível evidenciar a flexibilidade de tais relações. Consoante sua obra “Modernidade Líquida”, de 1999, o autor pontua sobre a superficialidade dos vínculos humanos. Assim, juntamente com o conhecimento da obra de Marx, é possível destacar o fim dos vínculos profundos de trabalho, que faz com que as relações sejam cada vez mais rasas. Isso é, o crescimento de agências com serviços temporários traz uma sensação de insegurança ao proletário, assim como a intensificação de trabalhos em aplicativos, como Uber e Ifood, exemplificam a intensificação da exploração através de jornadas de trabalho extensas e a precarização dos meios trabalhistas. 

          O filósofo alemão Hegel baseou suas teorias na dialética do idealismo, construindo um pensamento que visava divinizar a estrutura vigente. Todavia, Marx e Engels criam um contraponto, desenvolvendo a dialética materialista, pela qual eles irão exaltar ideias revolucionárias e quebrar o idealismo hegeliano, expondo a exploração do proletariado. Consoante o materialismo dialético, todo sistema carrega em si mesmo as sementes de sua destruição. Assim, como ocorreu com o absolutismo monárquico durante a passagem da modernidade para a contemporaneidade, a oposição entre classes consiste o motor da história, construindo sempre um ciclo entre classe a anti classe. 

Portanto, a revolução torna-se o único meio vigente para que a classe operária tome os meios de produção e desenvolva seu próprio sistema, o comunista. Nesse regime, não haveria oposição entre classes, já que todos seriam socioeconomicamente iguais, desse modo, não haveria motor, o que faria com que o comunismo se tonasse um modelo ideal e eterno na sociedade. Só assim o proletariado se livraria da exploração da classe dominante, distanciando-se da realidade retratada em '"Os Miseráveis".


Beatriz Ferraz Gorgatti - 1 ano direito matutino

Correntes


Caminhando mas não cantando

continuamos a seguir a mesma canção 

Somos todos iguais? Pois eu diria que não

A fome esta com meu povo que continua se matando 


Nós não temos dinheiro, não temos liberdade, não temos nada

Continuamos com esta mesma história e ainda dizem que nossa pátria é amada

Os ricos continuam a domar e comprar o mundo 

Meus irmãozinhos de rua calados, pobres, continuam mudo 


A desigualdade não é mais presente, é estilo de vida 

Espere, vida? É mais algo que se pode comprar? 

Porque sei que mais um capitalista veio avaliar 


Sua fome não vale de nada para quem governa as industrias 

Seu medo não vale de nada para quem deveria te proteger

de estilo de vida fizemos a assimetria  

Como escravos do capitalismo estamos a viver


As correntes prendem o povo e o forçam a trabalhar

Tapam suas bocas e os forçam a aceitar 

Prender suas mãos para que nada possamos fazer 

Amarram nossos pés para que não possamos viver 


Mas, quando estas correntes se soltarem 

Esta história vai mudar 

Nada que fizeram vai calar  uma alma revoltada 


Carlos Gabriel Pagliuzo. Primeiro Direito - Matutino 

Temo que me apaguem    
E de mim nada reste        
Deixando apenas um alguém    
Que minha vontade se cesse

Desista do quem
Te explorem o sulco    
Que a Morfeu fique o resto    
És apenas um vulgo        


Isabelle Carrijo Mouammar - Matutino

"Uma interpretação materialista de uma realidade etérea"

        Cercados por um contexto de intensas mudanças sociais, econômicas e políticas, os filósofos Karl Marx e Friedrich Engels foram responsáveis por desenvolver em conjunto obras que mudariam o entendimento das relações humanas para sempre. O socialismo, que era uma doutrina política anterior aos pensadores, determinava a urgência de lutar por uma sociedade mais igualitária, haja vista que as mudanças provocadas pela Revolução Industrial estavam levando a classe trabalhadora a uma miséria cada vez mais profunda. Engels e Marx, então, apenas realizaram uma investigação organizada e sistemática do pensamento socialista para elaborar uma teoria econômica que fosse efetiva. O reconhecimento da exploração da classe proletária, provocada pela burguesia – detentora dos meios de produção - foi o principal ponto de partida dessa análise revolucionária da conjuntura.

“O movimento é o modo de existência da matéria”. A célebre frase dita por Engels sintetiza a ferramenta que deve ser utilizada para compreender a realidade historicamente construída: a dialética. Nesse sentido, a história é observada como algo em movimento, tornando-se transitória e passível de transformações pela ação humana; é justamente por meio dessa relação dialética entre o ambiente, os seres e os fenômenos naturais que a cultura e a sociedade constituem o mundo e, ao mesmo tempo, são modeladas por ele. Em oposição ao idealismo hegeliano, o materialismo histórico e dialético de Marx e Engels é essencialmente defensor da mudança social. O conceito de “materialismo” é utilizado para evidenciar a característica da sociedade de definir-se por sua produção material, enquanto a “dialética” é consequência do entendimento de que a história da humanidade é a história da luta de classes opostas, constituindo uma relação dual. Dessa forma, para os teóricos, o idealismo está em um plano de imobilidade metafísica das classes e, por isso, é incapaz de concretizar modificações relevantes, o que deve ser superado por uma teoria que promova exatamente o oposto: uma revolução social que subvertesse a ordem vigente de poder da classe dominante sobre a classe dominada, permitindo que o proletariado estabelecesse um governo de uniformidade social.

Avançando historicamente, novas maneiras de apreender a realidade e examinar o que está por trás das relações humanas foram surgindo, como as teorias do sociólogo e historiador norte-americano Richard Sennett. Em sua obra “A corrosão do caráter: consequências do trabalho no novo capitalismo” o pensador, assim como Marx e Engels, trilha uma profunda reflexão sobre as influências do capitalismo no funcionamento do corpo social, referindo-se não ao capitalismo industrial, mas sim a um sistema informacional e flexível. Sob a suposta necessidade de polivalência no mercado de trabalho, o comportamento profissional dos indivíduos está sendo influenciado por forças que atuam através da reinvenção descontínua das instituições, da especialização flexível de produção e da concentração de poder sem centralização. Em um mercado em que reinventar a empresa e flexibilizar a produção são uma regra, o objetivo principal é o retorno a curto prazo e a pronta resposta à demanda do consumidor.

Logo, para saciar esse crescente desejo pelo resultado imediato, é necessário acelerar os processos mediante a permissão de que os funcionários tenham mais controle sobre suas atividades. Esse novo sistema é construído sob a falsa ideia de aumento da liberdade individual ao mesmo tempo em que é concedido às empresas uma vigilância ainda mais problemática, operada via novas tecnologias de informação e precursora de formas mais sofisticadas de dominação. Essas exigências de flexibilidade na atuação profissional e a inexorável fugacidade das relações trabalhistas estariam, de acordo com Sennett, colaborando para o enfraquecimento dos valores como o compromisso, a confiança e a lealdade, indispensáveis para a consolidação do caráter humano. Para o autor, a banalização desses princípios é resultado da superação das relações trabalhistas de longo prazo e estaria disseminando na vida social a adoção de relações mais voláteis em detrimento das mais permanentes, definhando a comunidade e interferindo até na formação do caráter das crianças, que não vêem mais na rotina dos pais a virtude que eles pregam.

Confrontando essas duas abordagens, é possível perceber que, através de novas perspectivas, a dominação de uma classe sobre outra ainda se faz presente. Tendo em vista que o capitalismo e suas produções materiais tem a capacidade de impactar a vida de todos os indivíduos no globo, é simples notar que os princípios dominantes são propagados como o interesse comum de todos os membros da sociedade e, por conseguinte, são universalmente aceitos. Em uma atmosfera de amplo crescimento da globalização e da cooperação superficial, aplicar a metodologia do materialismo histórico e dialético exige que seja feito uma análise prévia das condições de vida para determinar se a comoção revolucionária será suficientemente forte para derrubar as bases pré-estabelecidas. Entretanto, como afirma Sennett, o tempo presente é caracterizado pela mudança individual permanente e pela consequente destruição criativa, que demanda pessoas confortáveis em relação a não saber o que virá ou a não saber calcular as consequências da mudança. Desse modo, pôr em prática a superação do modo de produção existente em um meio no qual as forças produtivas se confundem constantemente, devido à superficialidade, é quase que inviável, uma vez que a produção material é instável e a despreocupação com os resultados são um empecilho para o desenvolvimento prático da subversão, que poderia acabar em demonstrações de dominação ainda mais complexas.

Giovanna Cardozo Silva - Turma XXXVIII - matutino

 

Os filhos desnorteados do capitalismo moderno


Os dias parecem passar mais rápidos, os meses que antes eram intermináveis agora parecem breves, um único ano passa sem ao menos as pessoas se darem conta. Como se a terra fizesse questão de girar mais rápido, o que na realidade são 24 horas, mais parecem 12. Se não bastasse um mundo onde os relógios parecem sempre acelerados, as relações também ficaram cada vez mais curtas. Frente a um turbilhão de acontecimentos que se sucedem ao longo de pouquíssimo tempo, as pessoas se encontram confusas, perdidas e como disse Richard Sennett, à deriva. 

O fruto dessas horas, que mais parecem segundos, são os homens desorientados, mas qual é sua causa? Um mundo onde o tempo é dinheiro, e a cada segundo deve-se produzir. No mundo contemporâneo, uma hora gasta à toa, ou melhor, com uma atividade que não é rentável é considerado um tempo mal gasto. Tão preocupados e ansiosos pelos resultados que só virão amanhã, o homem moderno deixa de viver o hoje, que passa despercebido aos seus olhares cegados pelo sistema. 

Na mesma proporção, as relações humanas, de trabalho e pessoais, ficaram inconstantes. Num caso, não atípico, vi um casal de namorados que celebrou todos os meses de aniversário até completar seu primeiro ano de namoro. O caso retratado só mostra como as relações se tornaram instáveis, hoje um ano juntos tem ares de uma vida inteira. O mundo moderno não permite que você gaste seu tempo, tudo se tornou uma questão de acelerar o processo. Os filhos da atualidade “morreriam” com a simples ideia de que na antiguidade os homens só recebiam produtos de seu árduo trabalho no fim de muitos meses.   

A grande estrutura do mercado exige tempo rentável. Na necessidade de manter seus empregos as pessoas se adaptam a nova mentalidade, produzir mais em menos tempo. Antes elas deveriam apenas competir contra o relógio, nos tempos de Ford, posteriormente tiveram que render mais que as máquinas. Mesmo quem não ocupa um trabalho de fato já possui essa obrigação, as crianças, que tem condição para tal, devem estudar, praticar um esporte, aprender uma língua e um instrumento, além de achar um tempo para as próprias brincadeiras. O tempo só não passa depressa para quem passa fome, e o estômago reclama todos os 86.400 segundos de um dia. Mas para os filhos do capitalismo moderno tempo não é vida, tempo é lucro.      




Laura Lopes de Deus Pires 
Direito matutino: turma XXXVIII

   


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"Eu quero viver bem

Quero me alimentar

Com a grana que eu ganho

Não dá nem pra melar"

- Xibom Bombom (As meninas)

O risco na vida do brasileiro naturalizou-se de uma forma perigosa. Tal fato pode ser confirmado com o aumento nos índices de insegurança alimentar, que se tornou muito comum. Nesse sentido, alimentar-se de restos é a única opção para milhões de pessoas que só querem sobreviver. Ao visualizar essa situação, o mercado rapidamente começou a buscar formas de lucrar e encontrou na venda de restos de ossos uma opção viável.

Outrossim, é aceitável que pessoas não tenham vínculos concretos com sua forma de sustento. A lógica do trabalhador é moldada para que seja pautada no acúmulo, seja qual for o meio pare que se chegue a isso. Nessa ótica, a produtividade é incentivada, ao passo que condições saudáveis de trabalho como salário digno e quantidade máxima de horas a serem trabalhadas são desestimuladas. Metas irreais são mantidas em diversas áreas e a cobrança constante nunca para.

Um fato curioso no contexto atual: o número de bilionários no Brasil disparou durante a pandemia, enquanto a taxa de pessoas que possuem um acesso limitado a comida também aumentou. Pode-se dizer, literalmente, que se vive em uma sociedade “Onde o rico cada vez fica mais rico o pobre cada vez fica mais pobre “Nesse contexto, é possível dizer que para a íntima parcela da população, a vida melhorou e eles gozam de conceitos como igualdade, liberdade, fraternidade, enquanto outro grupo enorme não consegue saber o que vai comer no próximo dia, sendo esmagado e alienado por esse sistema cruel.

Diante disso, nas últimas décadas, houve um crescimento nas religiões neopentecostais, as quais fazem parte da ideologia para disciplinar corpos. Essas religiões reproduzem e ajudam a manter a ideia de que a esquerda é um mal que rompe com a ordem, e há um esforço permanente para afastar os fiéis de ideais revolucionários. As religiões, segundo Karl Marx, são um alivio para a miséria real e para as explorações vividas no mundo. Nesse sentido, a “ideologia da prosperidade”, a qual valoriza a acumulação do capital serve como uma via menos dolorosa no contexto de exploração e pobreza. Um exemplo claro disso são propagandas de igrejas como a Universal, por exemplo, que estabelecem o sucesso espiritual através da aquisição de bens e uma visível melhora na condição financeira. Pode-se concluir que a religião ganhou um plano mais terreno, para conseguir trazer um alívio visível para a miséria.

 

Lorena Prado Silva – 1° Período Noturno


CLASSES, TRABALHO E O ABISMO.

 Cotidianamente, na sociedade capitalista, bens são produzidos e serviços são prestados pela classe proletária como forma de obtenção das condições materiais, necessidades básicas para a manutenção da vida. De outro lado, todo um sistema é mantido por forças que dominam, conhecidas explicitamente como burguesia, a qual detém controle dos meios de produção e extrai lucro sobre o trabalho alheio. Essa é a realidade.

Diante disso, o filosofo Karl Marx buscou compreender tal realidade a fim de obter o conhecimento necessário e talvez suficiente para transformá-la, ou ao menos iniciar seu processo de transformação. Para compreender a realidade, Marx e Engels buscaram uma visão concreta daquilo que se dispõe na sociedade, trata-se de uma concepção materialista. Assim, ao contrário de Hegel, seu antecessor nessa linha de pensamento, Marx e Engels utilizam o “real” como base da análise científica e não o “ideal”. Marx analisa que nós, seres humanos, somos únicos em nossa forma de ser, visto que produzimos nossos meios de existência e, consequentemente, construímos nossa própria vida material, mesmo que indiretamente.

Dentro desse contexto todo, as relações sociais são estabelecidas por meio das relações de produção, ou seja, há ligação entre a disposição sociopolítica dos indivíduos e a produção. Nesse sentido, a circunstâncias, as quais foram transmitidas pelo passado, definem a história dos humanos, sendo que essa história é “escrita”, ou melhor, conduzida por aqueles que dominam os sistemas de produção, a classe dominante e burguesa.

Acontece que, na Pós-modernidade, os “abismos” que separam as classes tornam-se cada vez mais profundos. Nesse âmbito, é valido dizer que, devido à imposição global do capitalismo, fica evidente que as transformações nas condições de produção acabam por impactar todos os lugares. Prova disso é a generalizada precarização do trabalho proporcionada pela disposição laboral praticada por grandes empresas, desde a área do transporte até a área da alimentação, fazendo com que indivíduos oprimidos se submetam a regimes extenuantes de trabalho sem que garantias básicas e fundamentais lhes sejam garantidas. Assim, a metáfora do abismo fica clara quando as receitas líquidas dessas grandes empresas se tornam mais lucrativas dia após dia enquanto cada entregador ou motorista ligado ao aplicativo da empresa aumenta sua carga de trabalho para obter o sustento e sobreviver ao sistema que oprime. Projetos substituem os antigos empregos sem assegurar garantias e a ideia de flexibilização só atende aos interesses das classes dominantes. Assim caminha a sociedade em uma interpretação materialista da realidade etérea.

 

 

LUCAS GABRIEL DINIZ DE PAULA BARCELOS

DIREITO – NOTURNO – TURMA XXXVIII - 1° PERÍODO

Uma interpretação materialista acerca das redes sociais

   Uma das principais formas de comunicação da sociedade brasileira e mundial são as redes sociais  Desde o início do século XXI, a Indústria Tecnológica tem desenvolvido aplicativos que facilitam a interação interpessoal e que também permitam um rápido contato do usuário com o Mundo ao seu redor. No entanto, o crescimento das mídias sociais corresponde a uma realidade etérea quando se interpreta a contemporaneidade sob uma perspectiva materialista. Segundo o pensamento de Marx e Engels, as redes sociais seriam um mero instrumento do regime capitalista para que o proletariado continue alienado e preso ao domínio da classe burguesa, além de funcionarem para internacionalizar os preceitos defendidos por este modelo de economia.                                                                                       As redes sociais podem ser vistas da mesma forma que a Arte é interpretada. Quando se estuda a História da Arte, constata-se que essa forma de expressão humana foi e é ainda na realidade um meio usado pela burguesia para divulgar seus ideais, e não como uma maneira de representar a beleza de uma paisagem ou o significado de um momento. As redes sociais também não possuem autonomia perante o capitalismo, elas servem como uma forma de controle de seus usuários pelas grandes corporações. Ao usar determinado aplicativo, as ações e dados desse usuário são coletados e vendidos para as empresas, que desenvolverão produtos em função desses gostos e ampliarão suas vendas. Dessa forma, as redes sociais e a arte são usados pelo capitalismo em função de seus interesses, não tendo autonomia perante ele.                                                                                                                                                                     Há de se destacar também que as redes sociais são uma ferramenta adequada para o ideal capitalista de globalização. Quando as mídias sociais possibilitam que as pessoas conversem a todo momento, mesmo que longe uma das outras, elas também permitem que ideias, serviços e produtos circulem com mais facilidade entre seus usuários. Marx e Engels defendem que há no capitalismo, um objetivo de se expandir mundialmente por meio do cotidiano das pessoas, sendo o acesso a uma infinidade de mercadorias por meio de um aplicativo de comunicação, o meio perfeito para isso.                                     Destarte, as redes sociais trabalham em função do capitalismo tanto para fazer o número de vendas das empresas crescer quanto para fazer propaganda de seus produtos e serviços para as pessoas de forma prática. Com um mundo cada vez mais conectado, é evidente que as mídias continuarão a exercer um papel importante na sociedade nos próximos anos, porém não duradouro. Comprovando ser etérea, quando for substituída por uma outra maneira de estabelecer contato entre burguesia e proletariado, caindo assim em desuso.

Nome: Pedro Miguel Segalotti Rueda - Direito Matutino (Primeiro Semestre)

Um preço alto demais a se pagar

 

Quando comecei a pesquisar sobre possíveis cursos e carreiras que eu tinha interesse, me lembro de cruzar com a área do jornalismo. Enquanto assistia vídeos e conversava com pessoas da área, reparei um padrão nas reclamações; “só consigo trabalho como freelancer” me diziam repetidamente. O freelancer é o profissional que não possui vínculo formal com uma empresa, é contratado para um trabalho especifico e pago por ele após a entrega. E uma vez que ouvi o termo e a reclamação, passei a notar o quão comum era essa relação empregatícia.

Gradativamente reparei também que, não apenas a área do jornalismo, como todas as áreas profissionais, estavam se esvaziando da expectativa de empregos a longo prazo e adotando essa forma itinerante de trabalho. Dessa forma, a nova geração que estava entrando no mercado e cresceu observando pais, tios e outros familiares que passaram quinze, vinte anos, trabalhando para uma mesma empresa e pregavam a ideia de crescer no ambiente de trabalho; precisavam se adaptar a esse cenário profissional imprevisível, o qual não possuíam nenhum exemplo ou conhecimento prévio de como lidar.

Nesse panorama, dois motivos que podem ser citados para explicar a adoção em massa dessa prática é o aumento de lucro que ela gera para as empresas, e a volatilidade desse arranjo, que contribui para que haja mudanças rápidas dentro das estruturas de produção. Ou seja, duas características altamente valorizadas no sistema capitalista atual: lucro e rapidez.

Em outras palavras, o trabalhador freelancer é um prestador de serviço, alguém que trabalha de forma terceirizada, e, portanto, não recebe benefícios ou os direitos garantidos pelo CLT durante o vínculo empregatício. E por não ser um empregado, gera menos custos ao contratante.

Já no caso do contratado, essa perspectiva é assustadora. Não se sabe se vai ser oferecido outro projeto ou quando, o salário não é um fator constante, e nas empresas que oferecem contratos empregatícios, o contrato possui data de validade, dessa forma, não há qualquer perspectiva de crescer dentro da instituição.

Ademais, partindo do pressuposto marxista que conclui que relações profissionais tem consequências na consciência da sociedade, vale observar que tipo de efeito esse modelo possui para aqueles que participam dele. Um desses efeitos pode ser observado em “A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo.” De Richard Sennet, quando o mesmo descreve a linguagem usada por um indivíduo, referido no texto como Rico, que foi demitido diversas vezes e devido a isso teve que se mudar repetidamente. Sennet conta que raras vezes Rico usou da voz passiva para descrever os fatos, embora muitas das mudanças não tenham sido do seu desejo. “Não podia tomar medida alguma. Mesmo assim, sente-se responsável por esse fato, que transcendeu o seu controle; toma-o a si literalmente, como um fardo.”, Sennet afirma.

Interpreto esse fenômeno como uma colisão da propaganda capitalista que defende a meritocracia, com a estrutura de um mercado que não valoriza o trabalhador. De um lado temos um discurso que afirma e reforça a ideia de que para conquistar o sucesso requer apenas esforço e dedicação, enquanto do outro temos um sistema que não se importa com o indivíduo, não valoriza lealdade ou dedicação, e coloca o lucro sempre em primeiro lugar. Quando os dois se encontram, o individuo é assombrado por uma culpa. Acredita que a situação foi consequência de uma suposta falta de esforço ou de dedicação, e não do sistema em si.

Além disso, ainda usando do texto de Sennet, é possível afirmar que esse modelo de mercado que valoriza relações curtas e descartáveis, reflete numa sociedade que forma morais de mesmo caráter com o meio e uns com os outros. Como exposto no trecho:

Esse conflito entre família e trabalho impõe algumas questões sobre a própria experiência adulta. Como se podem buscar objetivos de longo prazo numa sociedade de curto prazo? Como se podem manter relações sociais duráveis? Como pode um ser humano desenvolver uma narrativa de identidade e história de vida numa sociedade composta de episódios e fragmentos?

Dessa forma, eu acredito que tendemos a ficar cada vez mais inseguros profissionalmente, além de estar vulneráveis a aceitar contratos desfavoráveis para não ficar fora do mercado de trabalho. Bem como também estamos sendo conduzidos a desenvolver relações cada vez mais fugazes com o meio, socialmente e com as atividades que realizamos.

Vitoria Talarico de Aguiar, matutino


Basta ter dinheiro?

 

A questão que mais rodeia o mundo é: Como conseguir aquele carro do ano? O que eu preciso ter para conseguir o respeito dos outros? A resposta é simples e curta, basta ter dinheiro, ele que é o responsável por moldar como você será tratado e quais as suas chances de sobrevivência no mundo contemporâneo.

O capitalismo nos faz acreditar que quanto mais você trabalha, maiores são as duas chances de conseguir comprar aquele tão sonhado carro. Entretanto, as condições são diferentes conforme o trabalho exercido. O trabalho mais árduo é o menos valorizado, quantas vezes você não ouviu alguém falar que se você não estudar vai acabar virando lixeiro? Como se esse trabalho não fosse digno de ser exercido. Então, precisamos parar para observar que os nossos ideais advêm da classe dominante, a burguesia, e ela não representa o Estado, mas uma pequena parcela da população.

Na música “Falcão” de Djonja, fica claro que querer não é poder, principalmente no trecho: “Waltin’ que amava carro, morreu sem ter o seu”, dá para imaginar que Waltin é mais um da classe trabalhadora que dá seu sangue no trabalho dia e noite para conseguir colocar comida na mesa, e que mesmo dando duro no trabalho ele não consegue realizar o seu sonho de consumo. É necessário compreender a realidade de cada um para entender que, para a maioria os bens materiais não fazem parte do sonho deles, porém um prato de comida garantido ao final do dia os deixaria felizes.

 Hegel erra ao dizer que o Estado representa a sociedade civil, pois a menor parcela da população não consegue transmitir a realidade social, o capitalismo não quer que a maioria seja a representação do Estado porque seria evidente o preço a se pagar por uma sociedade com liberdade no poder de compra.

No Brasil, o índice de fome aumenta, o preço da comida aumenta, o salário continua o mesmo e a saúde só piora, mas o que realmente importa para as pessoas burguesas é tirar o PT do governo. Como já dizia a música “Xibom Bombom”, “O de cima sobe e o de baixo desce”, ou seja, as crises só favorecem os mais ricos, e a classe trabalhadora tem que lutar duas vezes mais para conseguir sobreviver aos problemas econômicos. Qual o preço a se pagar por um governo que se diz liberal?


Julia Piva – Direito noturno (1° ano)