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domingo, 18 de julho de 2021

ORDEM E REGRESSO

 
  Com o fim da Idade Média, o pensamento teológico começou a perder sua força para o conhecimento científico experimental e racional. O ápice dessa mudança deu-se no século XVIII, o famoso Século das Luzes, ou então, o Iluminismo, cuja principal característica era o culto da razão em detrimento da fé. Nesse contexto, o francês Auguste Comte destaca-se como grande expoente dessa racionalidade, principalmente ao desenvolver sua filosofia positivista.
  Em primeira análise, é necessária a compreensão de que essa nova filosofia se baseia em um método chamado de Física Social, no qual a aplicação de padrões racionais à moda das ciências exatas –Matemática e Física- visa soluções pragmáticas para as questões humanas em sociedade. Dessa maneira, seria possível prever as ações humanas e até mesmo evitar possíveis desastres e mudanças drásticas nos costumes, mantendo tão almejada ordem para Comte. O qual afirma que a Estática, isto é, a ausência de mudanças, é imprescindível para a manutenção do progresso. Sendo assim, caso essa filosofia conservadora de Auguste Comte fosse aplicada, as liberdades adquiridas ao longo dos séculos XIX até XXI, tais quais movimentos de igualdade de gênero, fim de modelos patriarcais e criminalização do racismo, nunca existiriam.
  Ademais, outro fator de grande relevância em meio ao pensamento Positivista é o fato de que é prevista a primazia da sociedade, do coletivo em relação ao indivíduo, de modo que o grande lema moral se torna o bem público. Assim, para que esse progresso seja atingido, é preciso que cada indivíduo respeite seu lugar social, isto é, sua profissão dignifica sua vida e de seus semelhantes, pois cada um estará contribuindo para a coletividade. Em meio a isso, as escolas cívico-militares brasileiras possuem como principal objetivo a formação de alunos segundos os moldes positivistas, compreendendo assim como na bandeira nacional que a ordem leva ao progresso, de modo que os estudantes devem manter-se disciplinados o bastante para conseguirem se inserir na sociedade visando e adquirirem seus lugares sociais.

  Torna-se essencial, portanto, o entendimento de que a filosofia positivista desenvolvida por Comte possui como propósito manter a Estática, a ordem, para que exista uma harmonia social fundamental conduzindo as comunidades em direção do progresso. Sendo que este está relacionado com o cumprimento dos lugares sociais fundados no trabalho. Dessa maneira, o francês demonstra que pretendia construir uma sociedade pragmática o bastante para que cada cidadão abdicasse de suas pretensões individuais em prol de um ideal coletivo imaginário, cuja maior característica se encontra na ausência de modificações, ou seja, seria o regresso de todas as conquistas minoritárias, uma vez que a Estática sempre privilegiaria a elite burguesa em vigor.


 Matheus Granucci Burgarelli- 1°Ano Direito Matutino

Normas de Conduta da Escola Positivista

 1. CLASSIFICAÇÃO

1.1) O estado dos alunos é classificado por grau numérico, de acordo com o seguinte critério:

a) Grau 10........................................................ POSITIVO

b) Grau 5 a 9,99...............................................METAFÍSICO

c) Grau 0 a 4,99.............................................TEOLÓGICO


2. MELHORIA DE ESTADO. EM BUSCA DO ESTADO POSITIVO

2.1) Em busca de se estabelecer um método para ajudar os alunos a alcançar o estado positivo, percebemos que o reconhecimento a uma ação meritória praticada pelo aluno poderá resultar na melhoria de seu estado e, portanto, no seu progresso. 

2.2) Constituem fatores de melhoria de estado e recebem valores que irão influir no cômputo do grau do estado do aluno, consoante tabela abaixo:

a) Elogio à ciência .................................................0,20

b) Reconhecimento de que a razão é superior a qualquer outro método……....0,40 

c) Aluno obedece a ordem estabelecida......................................0,70

d) Aluno demonstra que confia totalmente na ciência ................0,20


3. SOBRE OS ALUNOS QUE FALTAREM COM ORDEM E PROGRESSO

3.1) Falta comportamental e atitudinal é qualquer violação dos preceitos de ordem e progresso.

3.2) O julgamento da falta deve ser precedido quando ocorrer qualquer uma das seguintes violações:

a) O aluno acredita que o método positivista apresenta falhas.

b) O aluno acredita em outros métodos de obter conhecimento que não seja pelo método racional.

c) O aluno discorda de que a sociedade deve ser estudada a partir de casos concretos, encarando-os como natural à evolução social.


4. ATENUAÇÃO

4.1) A falta cometida pode ser atenuada pela autoridade que aplicou ou por outra

superior competente, quando tiver conhecimento de fatos que recomendem tal

procedimento.

4.2) Os fatos que abrem espaço para atenuação são:

 a) O aluno NÃO estava no estado positivo, o que justifica a imperfeição de suas ações.

 b) O aluno se retrata pela falta de ordem e retorna à linha reta em direção ao progresso.


Andrew dos Santos Carneiro              Primeiro ano de Direito, Noturno


Um espectro ronda o Brasil

O positivismo de Augusto Comte é prevalente em algumas altas esferas da sociedade brasileira, em especial nas altas castas militares das diversas armas. Esta filosofia, tendo uma raiz empiricista, busca as formas usuais de construção de conhecimento científico aplicados aos fenômenos sociais, como experimentos, medições, a busca por leis gerais etc.

Esta prevalência militar do positivismo pode ser explicada em parte pela quase perfeita consonância que ela tem com o funcionamento interno das instituições militares modernas: Desde a compra de comida do quartel e limpeza dos banheiros até o lustramento das botas e manutenção periódica dos equipamentos e armamentos, por uma questão prática e para manutenção da disciplina militar necessária para o regular funcionamento de um corpo de homens armados treinados para enfrentar situações caóticas sem debandar ou cometer crimes de guerra, é inerentemente científica e principiada na busca pela ordem e funcionamento “social”, interno ao quartel, regular e baseado em regras. Não é necessário muito esforço para que os oficiais formados com estes objetivos e elementos em suas mentes sejam tentados a ver a sociedade civil da mesma forma cientificista e que tentem aplicar uma forma deste modelo tecnocrático de gestão em um cargo público que venham a ocupar.

Ainda que eles próprios não estudem Comte, se aprofundando nas minúcias sua doutrina, o positivismo que foi estudado pelos seus antecessores ainda no exército imperial, ditou as normas gerais e regras de funcionamento da instituição e seus posicionamentos na política nacional. Grande parte das políticas públicas do governo militar não podem ser atribuídas a pensamentos conservadores ou direitistas no sentido estrito do termo. Mas sim a uma busca de um governo tecnocrático que estabilizasse o país com o governo nas mãos de técnicos sábios e longe das mãos fétidas das massas ignorantes.

Como exemplo desta busca de ordem podem ser citadas as “minirreformas agrárias” do regime militar por meio do estatuto da terra em busca da “pacificação do campo” até as mais cômicas e aparentemente sem sentido, como a proibição da música de Odair José “Pare de tomar a pílula”, que narra um homem apaixonado pedindo a sua esposa que pare de tomar anticoncepcional para que eles tenham um filho. Esta música foi proibida, pois à época o regime seguia uma política de redução populacional com distribuição de remédios e preservativos numa política de castração de pobres para que não houvessem mais miseráveis abalando esta ordem constituída. E neste contexto, a música teve que ser censurada para a manutenção da “paz social”, ainda que a força conservadora mais prevalente na época fosse a Igreja Católica, que foi e é contra métodos contraceptivos que impossibilitem completamente a geração de vida.



Hoje estas influências positivistas podem ser também reconhecidas no isentismo ideológico de pessoas atuantes na política, a busca por “técnicos” em oposição aos “ideológicos”, gestores ao invés de políticos, a busca por uma nominal pureza científica em problemas sociais complexos e tantas outras facetas deste pragmatismo radical são claramente influência deste cientificismo social que foi impregnado de tal forma no pensamento nacional que pessoas que nunca ouviram falar de Comte tem suas ideias como verdade revelada.

O governo de São Paulo, à exemplo destas medidas puramente científicas sem análise apropriada do contexto que circunda estas ações, ao analisar o número de alimentos descartados por exacerbação do prazo de validade em mercados do estado juntamente com o número de famílias e moradores de rua com insegurança alimentar, tiveram a brilhante ideia de produzir e distribuir comida liofilizada, comida tratada sob um processo especial similar ao de fabricação de ração para animais, esta é usada em zonas de guerra pelo seu prazo de validade ser infinitamente superior ao da comida comum. Tal medida foi batizada por opositores de “Ração pra pobre”.



De fato, caso implementada ela não permitiria que ninguém morresse de fome com biscoitinhos liofilizados praticamente gratuitos, visto que seriam doados. Porém esta análise rasa e míope não considerou a degradação psicológica do pai ou mãe que dariam ração de comer aos seus filhos por não terem dinheiro para algo melhor, não considerou as implicações sociais de criar um apartheid gastronômico entre comida de rico e de pobre mais acentuada do que já existe e tantas outras considerações sociais da medida que não podem ser medidas pela frieza dos números em confortáveis escritórios governamentais.

Portanto a filosofia do cientificismo social de Comte se mostra claramente presente nas relações sociais do Brasil, seja com seu próprio nome ou somente em seu conteúdo mesclado a outras filosofias e políticas públicas, e se mostra incapaz de pautar de forma apropriada as políticas públicas e ciências sociais, que diferentemente das ciências naturais e matemáticas, tem fatores interseccionais tantos que se assemelham a um modelo caótico descrito em alguns fatores físicos em que a posição de certos entes só podem ser descritas em taxas de probabilidade e não em certezas absolutas como 2+2=4.

Rafael Carlos Monteiro Martinelli, 1sem Direito Noturno.

O corpo funcional do Positivismo

         O Positivismo surgiu, no contexto da Revolução Industrial e do Iluminismo, como um corpo funcional da sociedade em conjunto, porque tinha a intenção de identificar os diversos problemas sociais presentes para uma melhor compreensão desse organismo vivo através do conhecimento produzido pela ciência, sem qualquer subordinação às escolas políticas que já eram impotentes em conciliar a ordem e o progresso.

        Para alcançar tal avanço, Comte defendia uma ciência universalmente válida, baseada sempre na experimentação do convívio humano no referente ao esclarecimento dos fenômenos, dando condições fundamentais para a civilização moderna. É necessária também uma reparação contínua para manter essa ideologia, caso contrário, seu decaimento pode levar à crise e ao regresso.

Entretanto, todo esse conhecimento científico teoricamente universal nunca foi acessível a todos. Esse corpo funcional tem diversos problemas como uma dor nas costas onde se encontra o proletariado, um inchaço nos pés onde se encontra a mulher, cortes nas mãos onde se encontram pretos, pardos e indígenas e claro, a cabeça livremente intacta onde se encontra a elite. Esta é a única parte que pode experimentar o real sentido - talvez até figurado - da famosa ordem e progresso, mesmo que às custas de todas as outras bases desse organismo, representadas pelas minorias da sociedade contextualizada.


Trazendo esse pensamento em paralelo, Jeremy Bentham também contribuiu para a filosofia moral contemporânea com a chamada Deontologia, que significa ciência do dever e da obrigação. Ambos os pensadores possuem uma grande diversidade de intenções, objetivos e sentidos que podem ser relacionados a partir do fator comum em suas ideias: a fé na ciência e na capacidade transformadora do conhecimento científico. Eles são ideólogos do industrialismo, sábios em reconhecer as consequências e dimensões do contexto em que viviam, além da ciência ser vista pelos mesmos como motivo de otimismo. 


Nos dias mais recentes, infelizmente, essa visão otimista da ciência nem tão pouco persiste, mesmo com a extrema importância atual dela pela pandemia e a enorme crise sanitária mundial que já perdura por dois anos. É um triste exemplo de regresso pela crise moderna que, segundo Comte, só poderia terminar com a reorganização total, porque o homem propriamente dito não existe, apenas a Humanidade em si, já que o nosso desenvolvimento provém da sociedade.


Sociedade esta que continua atuando ativamente como um único ser vivo, mesmo que desequilibrado no uso de suas forças em diversas partes menos em uma específica; a cabeça, representada pela elite. Porque mesmo que esta seja a infeliz realidade, é a única contínua para o funcionamento do positivismo fora dos papéis, uma que traz ao menos um pouco do gosto da ordem e do progresso ansiados, mas dificilmente igualitários.


Camila Miranda Assi

Direito - Turma XXXVIII

Período Matutino


O ideal positivista frente à sociedade atual.


Inserido num contexto de agitação revolucionária, Auguste Comte busca entender a sociedade não mais através de um pensamento teológico, mas de uma maneira que fosse possível intervir nas relações sociais, para isso, criou uma ciência que se assemelhava a newtoniana, ele não buscava a essência das coisas, mas sim a vinculação entre elas, dessa maneira surgiu o pensamento positivo, que nada mais é que a ideia de superar as fontes que não tivessem certeza ou que não fossem útil. O filosofo prezava muito pelo lema “ordem e progresso”, dizendo que é a partir da ordem que se tem o progresso, entretanto, trazendo as ideias dele para atualidade, não se pode dizer que essas são válidas, pois essa metodologia claramente é limitada a um grupo de pessoas: a elite dos homens brancos e heterossexuais.

Para que os indivíduos fossem felizes, para Auguste, seria preciso por as necessidades da sociedade acima do pessoal, por exemplo, aqueles que trabalham mais e recebem menos deveriam aceitar a situação para não gerar uma desarmonia na sociedade, daí vem à ideia de que todo trabalho é digno. Certamente esse é um pensamento absurdo, pois, se ninguém tivesse a ganância de subir de cargo ou de pedir condições melhores de trabalho o mundo estaria em total retrocesso e ajudaria, ainda mais, a classe alta a tirar vantagem sobre os desfavorecidos.

De modo geral, o positivismo é excludente e pensa em beneficiar somente aqueles que já são beneficiados, o seu conservadorismo colabora diretamente com a desigualdade social, na dificuldade de reintegrar o preso a sociedade, uma vez que não pensa em tratar do assunto pela essência, mas somente pelo problema momentâneo e contribui na manutenção do machismo e do preconceito. É preciso tomar muito cuidado com o rumo que o Brasil está tomando, me parece que a corrente filosófica criada no séc. XIX está tomando cada vez mais espaço na atual sociedade, o fato de ter uma pessoa conservadora no comando do país faz com que isso ocorra.   


Julia Piva, direito noturno. 

Bacon, Descartes e o Negacionismo

           Bacon é um dos pioneiros nos ideais do empirismo e considerado, com Descartes, um dos fundadores da filosofia moderna por conta da sua defesa do método experimental e vigente contra a ciência da especulação. E nos séculos passados, principalmente no XIX, por exemplo, acreditava-se que o desenvolvimento da física e da química traria paz e ordem para a sociedade, cada vez mais aceitando o conhecimento científico acima do senso comum. 

Mas como já conhecemos a continuação dessa história, as guerras mundiais, massacres e ditaduras diversas dos séculos seguintes afundaram a ideia por água abaixo. A razão e o conhecimento, com toda a sua importância gerada no conjunto social humano, não foram suficientes para a salvação da humanidade ou para trazer a prosperidade tão ansiada. 


Os pensamentos de Bacon e Descartes foram fundamentais para combater a superstição de suas épocas, mas hoje suas técnicas podem não servir de apoio para o mesmo rumo. Porque essa noção de progresso da ciência parece não trazer, necessariamente, como consequência, o progresso dos povos. Ainda mais pela força que o Negacionismo tem atualmente entre a sociedade como um todo, dificultando sua ascendência.


Para ver o quão presente essa onda está, basta apenas pesquisar em qualquer site de buscas e receber as mais recentes notícias postadas até mesmo horas atrás. O negacionismo atual vem principalmente em razão aos números relacionados ao covid e aos impactos negativos negativos das medidas tomadas e dos riscos associados à vacina. Isso acaba provocando prejuízos imensos ao avanço da ciência e da própria divulgação do conhecimento científico para a população.


Camila Miranda Assi

Direito - Turma XXXVIII

Período Matutino

NÃO CONTE COM COMTE

 

 

A concepção de que uma sociedade só pode chegar ao progresso com o estabelecimento da ordem, precisa ser revista. O cientificismo, que pregava a ciência como a panaceia para resolver todos os males, teve origem no positivismo, corrente filosófica criada por Auguste Comte. Esse pensamento filosófico ganhou inúmeros seguidores nos séculos XIX e XX por sua influência, basicamente, Comte acreditava que a sociedade deveria se organizar, e o conceito de ordem era elementar, pois apenas com ordem poderia haver progresso. Ademais, esse pensamento ignorava às origens dos problemas, focando apenas no imediato e no superficial. O Brasil, que ostenta em sua Bandeira Nacional as expressões “Ordem e Progresso” foi nitidamente influenciado pelo pensamento positivista, logo, vemos que “ordem” não é sinônimo de progresso. 

Precisamos analisar o contexto histórico em que Auguste Comte elaborou sua teoria, que foi pós Revolução Burguesa (conhecida por Revolução Francesa) e pós primeira fase da Revolução Industrial, ou seja, um cenário de arrefecimento pós ebulição social. Entendo que Comte acreditava que os movimentos sociais que questionavam os regimes opressores existentes, eram inapropriados para o progresso de uma sociedade, quando na verdade a ordem estabelecida, entes da Revolução Burguesa, servia para manter privilégios do clero e da nobreza e só ouve um progresso quando a ordem estabelecida foi questionada; Comte estava errado. No regime vigente - o capitalismo, a “ordem” só serve para manter os privilégios de uma minoria em detrimento de uma imensa maioria. O princípio elementar da liberdade de escolha, tão propagado pelo pensamento liberal, se mostra uma piada de mau gosto no amplo sentido da expressão na medida em que somos bombardeados pela Indústria Cultural que dita o que devemos vestir, comer, comprar, ler etc. Sedemos nossa liberdade em troca de conectividade, quase não existe contato humano e como já lecionou Zygmunt Bauman “às ciosas não foram feitas para durar”. A ordem estabelecida só sucumbirá ante a “desordem” promovida, precisamos revolucionar, “bora” com Marx. 

Precisamos unir a maior classe existente em qualquer sociedade organizada nos moldes neoliberalista, a classe do proletariado (que precisa ser atualizada), massivamente explorada pela ganancia do acumulo de capital. Na ordem estabelecia, os trabalhadores estão na base da pirâmide e só uma revolução pode mudar isso, não podemos contar com às ciências contaminadas pelo capitalismo. A ciências deixou de ser movida pela vontade de conhecer e passou a se guiar pelas possiblidades de manutenção da classe exploratória, o positivismo nunca foi e nunca será a corrente filosófica que nos guiará para o progresso, mas sim para um retrocesso. Julgo importante salientar que o conhecimento científico é importante quanto aplicado com propósitos humanos, não capitalista.   

Meritocracia é outra piada de mau gosto em um mundo onde imperam às desigualdades sociais, mais uma invenção burguesa, que amam Nicolau Maquiavel (pregava a pratica acima da ética), respaldada no pensamento positivista que só serve para governos autoritários. Nós, pessoas do bem, altruístas e apaixonados pela humanidade, promoveremos a desordem para que não prevaleça essa “ordem” proposta por Comte.  

Por conseguinte, e tendo em vista que a sociedade continua em permanente transformação, considero o positivismo um pensamento falido e digno de ser apreciado quando formos avaliar como um pensamento filosófico pode ser prejudicial para a humanidade. Fica claro que não podemos contar com Auguste Comte para acabar com o massacre das minorias, mas podemos contar com Karl Marx que dizia que “as revoluções são a locomotiva da história”.  


Edson dos Santos Nobre  

1º Semestre Direito/Noturno

 

 

Ordem e Retrocesso

         

     No período histórico que compreende a República da Espada, a formulação da bandeira nacional esteve vinculada ao ideal do positivismo: ordem e processo. Dessa forma, tal doutrina constitui não só um alicerce do pensamento militar, mas também de uma "moral correta" a ser seguida pelos brasileiros. Sendo assim, essa ideologia do século XIX persiste, na contemporaneidade, sob a perspectiva de um governo militarizado e moralista presidido por Jair Messias Bolsonaro.

     Para além dessa compreensão histórica, na sociologia Augusto Comte em sua obra, Discurso sobre o Espírito Positivo, argumenta que o progresso aliado à ordem sintetiza o entendimento da  humanidade, isto é, a superação do estágios teológico e metafísico seria de fundamental importância para desenvolver o setor mais elevado do conhecimento. Este, por sua vez, representa o positivismo cujo principal objetivo seria o estudo da sociedade, almejando leis efetivas de utilidade prática na realidade. Com isso, esta física social seria responsável por sistematizar uma moral capaz de regulamentar normas de convívio e de comportamento, estabelecendo um domínio sobre os indivíduos.

     Seguindo essa lógica, Comte debate acerca da ideia de solidariedade, a qual expressaria a ligação de cada um a todos. O trabalho, portanto, é a expressão privilegiada desse conceito, uma vez que ratifica as relações de interação entre os seres humanos. Contudo, o autor defende a aceitação dos "lugares sociais" pela classe trabalhadora mais explorada em prol do bem público, contrariando as necessidades e a busca por melhores condições na vida dos proletários.

     Em suma, é evidente que Jair Messias Bolsonaro utilizasse de uma moral conservadora e militarista, a fim de garantir um maior controle social sob sua presidência. Ademais, a concepção trabalhista do positivismo é arcaica, visto que enfatiza os aspectos desiguais existentes no ambiente de trabalho, promovendo a exploração das classes mais desfavorecidas.


Bruno Solon Viana  -  Direito Matutino Primeiro Semestre 

 O Positivismo e a Trilha de Lágrimas


   "O progresso não é mais que o desenvolvimento da ordem", declarou Auguste Comte sobre a filosofia positivista. Mas afinal, o que é "ordem e progresso"? Para alguns, é o avanço, a ciência, o "American Dream", já para outros, o progresso nada mais é que um sinônimo para a conformidade, a morte, e a pobreza.

   O positivismo, em seu cerne, é uma coleira ao povo e aos pobres. "O trabalho dignifica o homem", disse Benjamin Franklin, numa posição privilegiada de pensador e cientista, enquanto muitos morriam de exaustão em posições análogas à escravidão. O trabalho, nessas condições, não liberta, mas apenas escraviza e força o proletariado numa posição alienante, sob o pretexto de "dignificação" e conformidade.

   O progresso promovido pelo positivismo de Comte apenas beneficiou uma óbvia classe social, a elite branca e burguesa dos países colonizadores, que destruíram centenas de civilizações e culturas, com a proteção da desculpa de estarem levando "ordem e progresso" a esses povos. Para a grande maioria do mundo colonizado, "progresso" é chão de fábrica, condições miseráveis e exploração de mão de obra.

   Em suma, o positivismo de Comte nada mais é que uma ideologia burguesa, alienante por sua própria natureza, impossibilitada por seu próprio discurso de atingir o verdadeiro conhecimento. Embora bela, a Dama Ordem escolheu apenas alguns sortudos homens para serem seus amantes, dando-lhes luxuosos presentes com uma de suas mãos, enquanto na outra, segura uma firme coleira de grilhões, que arrasta homens e mulheres necessários para a manutenção da sua vaidade. Da dor de muitos povos, a Dama Ordem construiu essa gigantesca e monstruosa Trilha de Lágrimas.

Progresso Americano (1872) - John Gast

Matheus de Souza Lusko

Direito - Turma XXXVIII

Período Matutino



Uma das premissas do positivismo, ditas por Comte, seria essa ciência posta como o real frente ao quimérico, o útil frente ao inútil, o certo frente ao incerto. Isto é o pensamento positivista seria a visão sóbria e racional da sociedade, no qual, levaria os seres humanos a caminhar sob o progresso e o desenvolvimento. 

Para essa filosofia, a qual pretendia agir como as ciências naturais, estabelecendo leis sobre a sociedade, os homens deveriam entender-se como parte de um organismo, a fim de alcançarem o seu apogeu. Não obstante, nesse momento, os homens contemporâneos abastecidos pela história e uma nova ótica de mundo, podem-se questionar se há uma evolução real. Melhor, elencar o que é considerado evolução: as máquinas? a produção em larga escala? o elevado nível técnico-cientifico? isso pode-se ser considerado o progresso humano?

A principio, não poucos ratificariam isso como veemência, contudo, ao analisar a outra face do "progresso" consegue-se observar um sub-mundo, os dos não-pertencentes a essa evolução. Ainda conforme a filosofia positivista, há para Comte o conceito de solidariedade como fundamental, porque os homens estariam todos ligados, formando um só. Assim, o trabalho seria uma reverberação disso, afinal ele seria a expressão de solidariedade, posto que cada um deveria aceitar o seu lugar e seu papel social. 

Dessa maneira, depois de expostas essas perspectivas, pode-se analisá-las perante a óptica da pós-modernidade. Como por exemplo: das opções trazidas acima como progresso e desenvolvimento, a quem ela beneficiou e a que preço ela afirmou-se nas entranhas da sociedade? O trabalho, devem todos seres humanos, mesmos os subalternos, aceitarem suas condições desumanas, porque é "seu papel social"?

Não! Essa corrente filosófica ecoa num período da história da humanidade, em que havia um fervilhamento revolucionário (1820-48), de forma que buscava-se a todo custo uma forma de traduzir a sociedade por um método. Porém, ainda que hoje superados séculos,  pode-se observar pensamentos assim em certos setores sociais. Contrariando a tese de evolução e revelando um completo retrocesso, a elite brasileira, por exemplo, porta-se como emissora de falas positivistas, nas quais diante do seu local de privilégios, negam-se a aceitar mudanças sociais, enxergando nas classes sociais, uma espécie de estamento em cuja os pobres serão para sempre pobres e os ricos para sempre ricos.

Para certos nichos sociais, o progresso capitalista de avanço tecnológico e maior saturação das desigualdades sociais, hostilizando todas as consequências existentes e inevitáveis desse sistema, é o correto. Do mesmo modo, para muitos pertencentes a essa bolha, seria inaceitável assistir a um negro de periferia ser colega de classe com o seu filho, nas salas de aula das universidades públicas do país. Pois, seria descumprir com a ideia colonialista, de que a senzala não poderá nunca pisar na Casa Grande, ou seja, uma vez marginalizado, para sempre será. 

Contudo, não se pode deixar que esse pensamento crie mais raízes, a sociedade é outra. A sociedade vigente é a do não aceitar, ir à luta sempre, de retirar esse espectro colonial, positivista que insiste em abraçar o futuro. 


Isabella Uehara - 1a semestre

noturno - turma xxxviii

A crise da moral (machista, misógina, racista, burguesa) brasileira

O problema da “crise da moral” encontra origem na corrente positivista, ciência que buscava entender as relações sociais para poder intervir nos problemas da sociedade. Segundo os positivistas, qualquer tipo de manifestação que se diferenciasse daquilo considerado normal pela sociedade seria encarado como subversivo e poderia levar a uma “crise da moral”.

Levando em consideração que o positivismo surgiu no século XIX, o que era considerado normal era a submissão da mulher, a supremacia do branco, a superioridade do europeu, os privilégios a burguesia, dentre outros pensamentos. Logo, tudo que fugisse a essa ordem machista, racista, eurocêntrica e burguesa, era subversivo e deveria ser combatido.

Em pleno século XXI, essa corrente conservadora ainda encontra adeptos, pricniplamente, no Brasil. A crescente violência contra pessoas LGBTQIA+ é um exemplo disso. Por serem contra a moral heteronormativa, tais pessoas são consideradas subversivas e, em muitos casos, agredidas e mortas em nome da ordem e da moral "brasileira". 

O asssassinato de Marielle Franco foi um exemplo dessa tentativa de silencimaneto dos focos de diversidade. Mulher, negra e lésbica, a jovem vereadora foi assasinada em 2018 por grupos que a consideravam "um afrontamento a ordem vigente". Confrontar a ordem vigente significa a possibilidade de tirar do poder aqueles que o detém.

Portanto, o positivismo é seguido majoritariamente por aqueles que detém o poder e buscam permanecer nele, visto que tal corrente prega a ordem, isto é, a manutenção dos privilégios e desigualdades sociais e o não questionamento das posições e funções sociais. Assim, o positivismo não busca conhecer a origem dos problemas para solucioná-los, mas busca conhecer as relações dos problemas para colocar tapa-buracos, assim como fez com Marielle, mulher que confrontava a moral machista misógina, racista e burguesa brasileira, ou seja, a "moral brasileira".

Gabriela Caetano da Silva - Turma XXXVIII - Diurno

sábado, 17 de julho de 2021

É na ordi que se progrédi?

Tava com uma vontade de prosear hoje...Vou contar procês um pouco da minha história. Meu nome é Carol, tenho 15 ano, fui criada quando menó lá na roça, em Jequitibá, mas hoje memo eu moro na cidade, seu Afonso que me trouxe pra trabaia na casa dele. Minha mãe, tadinha, com 13 fio e sozinha de amor, não deu conta, e foi se despedindo das cria. Eu fui uma delas, que vim ser empregada aqui na casa da família Andrade.

As coisa não são ruim não, eu acordo bem cedin pra deixá tudo em ordi, a casa nos conforme, fazê o café do seu Afonso, a vitamina da dona Marina, vô trabaiano ao longo do dia e paro memo pela noite, quando a casa tá toda bonita, numa organização que só. O chefe fala memo que só quando as coisas tá em ordi, é que a casa progrédi. Faz sentido, se não tivesse eu pra limpá, tira a sujeira dos canto, arruma a comida, o banheiro deles, o banheiro meu, como que o dia ia se desenrolá? O dia só começa depois que a empregada começa a coloca tudo nas ordi, aí progrédi, progrédi memo!

Teve uma época que eu tava de namoro, sabe? Eu e o Zezin, a gente se encontrava lá na esquina da minha rua, bem de madrugada, pra dar uns beijinhos, cês sabe, né? Eu fazia escondido porque o seu Afonso é quase que meu pai, e ele não deixava não, dizia que a paixão distrai a mente de quem trabaia, que coloca tudo fora de ordi, e se fica fora das ordi, nada progrédi. Ele dizia que trabaiadô não faz nada quando tá apaixonado. Eu num acho, o Zezin me deixava tão boa do coração que até quando eu ia limpa as coisa em casa eu fazia com mais vontade, sabe? Tudo ficava tão mió, até os serviço que é mais cansativo, eu não ligava de fazê. Mai quando a dona Marina descobriu, eu não tive o que escolhê, disse adeus pro Zezin. Inté que não foi de todo ruim, não dá pra causá desarmonia na casa, né? Deixa os patrão incomodado. Eu fiz o que era mió pra todo mundo.

Hoje memo eu num quero nem namora, eu quero estudá! Eu já tô com 15 ano e não sei entendê as letra ainda. Não que eu não sei nada também, meu nome eu escrivenho, mas eu queria poder ler aqueles livro da estante do Jorge, que é o fio do seu Afonso e da dona Marina. É um monte de letrinha miuda que eu queria muito sabê os significado. Mas seu Afonso falô que isso é vontade demais, que eu já passei de idade, e donde que eu vô arranja tempo pra limpa, cozinha, passa roupa e aprende as letra? É pedi demais… É o meu sonho, sabe? Quem sabe quando eu fô mais velha eu consigo trabaiá mais depressa e separa um tempo pros estudo.

Mai por enquanto, eu não posso ser egoísta, preciso lembra que se eu num coloca a casa em ordi, ninguém coloca, o meu trabaio é importante, ele faz as pessoas mais feliz, deixa tudo no seu lugar, em perfeita harmonia. Nem sempre nois faz o que quer, mas se eu tô fazendo algo que ajuda, deve de ser suficiente... Não quero ser egoísta, vô bota tudo em ordi, porque assim a casa progrédi, é o que diz o Seu Afonso. Se cada um ficar no seu lugar e fizer sua função, quem sabe as coisas num dão certo. Se tá todo mundo feliz, vô ficá feliz também, isso que é o importante. Tudo nos conforme. E quem sabe um dia o Jorge não me ensina um pouco das letra…De quarqué jeito, tô sempre aprendeno aqui nessa casa. Uma coisa já me ensinaro. É na ordi que se progrédi, né?

-Letícia Magalhães, Noturno 


O PREÇO DO PROGRESSO

 O positivismo é uma corrente filosófica construída por Augusto Comte se dá em um período muito conturbado da história, muitas evoluções em curso ou que acabaram de ocorrer, a carencia de um método que sistematizasse a ciências humanas assim como a construída por descartes e bacon para a ciências exatas era grande. Nesse cenário surge Comte, sociólogo que buscava analisar a sociedade e propor algo a ela, esse algo nada mais é do que o positivismo.

Para se compreender como o conhecimento se deu ao longo da história até chegar no positivismo Comte observou que a priori o ser humano buscou explicar o mundo através da teologia, naturalmente com o surgimento dos filósofos e o ato de questionar foi tornando-se necessário utilizar também da metafisica para se explicar os eventos naturais que ocorriam em volta do ser humano, nunca buscando através da ciência entender o que ocorria no mundo. 

Embora ambos os conhecimentos, teológico e metafisico não serem o essencial, Comte reconhece que ambos os dois foram importantes para a evolução e contexto em que a humanidade se encontrava na época. Todavia ele propunha um método positivista para análise da sociedade se fundamentando na ideia de que a natureza se sobrepõe as ações humanas com princípio na invariável do movimento social.

Duas palavras muito recorrente no livro “Discurso sobre o espírito positivo” de Comte são as mesmas que o exército empregou a bandeira brasileira, “ordem e progresso”. Para a corrente positivista ambos os dois princípios são igualmente essenciais, não existindo progresso sem ordem e nem ordem sem progresso, sendo que a ideia de ordem vem para reprimir qualquer tipo de manifestação de variabilidade que se possa ocorrer no meio social, é interessante se observar o antagonismo que ele já fazia com o comunismo que se pauta em revoltas e da mudança revolucionaria e o mais contraditório nessa ideia positivista é não reconhecer que se nada sair da ordem a sociedade ficaria naturalmente estagnada, o que não abre margem para qualquer tipo de progresso.

A dualidade entre positivismo e a igreja naturalmente é existente, afinal o positivismo preza muito pelo conhecimento cientifico, todavia é muito curioso ver que preceitos do catolicismo surgem dentro do positivismo, exemplo disso é o preceito de família e de disciplina comportamental, outro ponto como o bem publico é prezado, não existindo uma felicidade individual e nem sem ordem, mas sim uma felicidade coletiva que seria essencialmente pautada na ordem.

O positivismo se faz até hoje presente nas instituições do mundo, sendo que no Brasil ele pode ser amplamente observado. Um exemplo disso é a campanha feita pelo governo federal no início da pandemia de covid-19, com o slogan “O Brasil Não Pode Parar” incentivando que as pessoas deveriam enfrentar, de peito aberto, o vírus, pois o progresso não pode parar. A questão que fica sobre tudo é: qual o custo do progresso e progresso para quem? As 541.000 vidas ceifadas pelo vírus covid-19 desde o início da pandemia sabem o custo, famílias que perderam um ente querido também sabem qual o custo. O custo do progresso é a vida, e a vida não deveria ter um preço.




Victor Hugo da Silva Fernandes ||||| Turma XXXVIII ||||| Noturno