Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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quinta-feira, 6 de abril de 2023
O perigo de uma história única que gera episódios de racismo no cotidiano
O papel da consciência coletiva na renovação da ciência
O debate acerca do conhecimento e de quem o produz é, de certa forma, recente dentro da Academia, haja visto que, embora os renomados e clássicos autores pudessem ter suas ideias postas à prova, não tradicionalmente é considerado nas análises feitas os espaços de enunciação que tais autores ocupavam. A autora portuguesa Grada Kilomba, em seu livro ``Memórias da Plantação:episódios de racismo cotidiano´´, disserta, a partir da junção de fatos empíricos e teóricos, a forma pela qual se dá o apagamento do discurso e da ciência produzida por pessoas pretas.Além disso, sua obra contempla a discussão sobre a colonização do conhecimento, que no atual contexto de globalização se torna ainda mais acentuada, pois em um mundo onde, para a maioria,infindáveis informações estão facilmente disponíveis, convém aos interesses dos que buscam a hegemonia do conhecimento produzido por grupos dominantes controlar quais estudos serão passiveis de reconhecimento.
Em muito o conceito de Fato Social de Émile Durkheim se relaciona com a temática tratada por Grada, já que suas características principais são: generalidade, exterioridade ao indivíduo e coercitividade. Sob esse viés, nota-se que o fato social é regulado por meio da consciência coletiva que impera entre as relações desenvolvidas pelos indivíduos. A consciência coletiva,por sua vez, por representar o conjunto de valores e crenças de uma sociedade estabelecidos historicamente, muitas vezes, impede a renovação dos pensamentos para que se adequem a valorização da dignidade humana.Dessa forma, a generalidade dessas concepções é analisada por Durkheim sob uma ótica negativa, como em `` É assim que indivíduos perfeitamente inofensivos na maior parte do tempo podem ser levados a atos de atrocidade quando reunidos em multidão´´(As Regras do Método Sociológico)
Em suma, a teoria de Durkheim dialoga com a pensadora contemporânea Grada Kilomba à medida que o primeiro expõe as motivações para muitas das ações sociais que são oriundas de uma retrógrada consciência coletiva,e a segunda revela as consequências reais dessa invisibilização vivenciada pela população negra dentro e fora do meio acadêmico devido ao novo tipo de colonialismo ciêntifico que vivemos.
Guilherme Ferreira Ghiraldelli-1° ano Direito(matutino)
Para Durkheim, a solidariedade social é a força que une os indivíduos em uma sociedade e é expressa por meio da consciência coletiva.
A
consciência coletiva é o conjunto de crenças, valores, normas e hábitos que são
compartilhados por todos os membros de uma sociedade. Ela é formada a partir da
interação social e da comunicação entre os indivíduos, e é transmitida de
geração em geração por meio da educação e da socialização.
Durkheim
argumentou que a consciência coletiva é um elemento crucial para a manutenção
da ordem e da estabilidade social. Ela fornece um conjunto de regras e normas
que orientam o comportamento dos indivíduos e garantem a cooperação e a
solidariedade entre eles. A consciência coletiva é, portanto, uma fonte de
coesão social e um fator importante na manutenção da continuidade e da
estabilidade da sociedade, segundo Durkheim
A
solidariedade social pode ser dividida em dois tipos: solidariedade mecânica e
solidariedade orgânica. Na solidariedade mecânica os indivíduos compartilham
valores, crenças e práticas comuns. Nesse tipo de sociedade, a coerção social é
utilizada para reprovar o ato que confronta a consciência coletiva, como, por
exemplo, o direito penal.
Já
na solidariedade orgânica os indivíduos têm papéis e funções diferentes. Nesse
tipo de sociedade, a consciência coletiva é menos forte e a interdependência
funcional é utilizada para garantir a cooperação e a solidariedade entre os
indivíduos.
Em
ambas as formas de solidariedade social, a consciência coletiva desempenha um
papel fundamental na manutenção da coesão social. Ela é a fonte da identidade
coletiva e fornece um conjunto de normas e valores que orientam o comportamento
dos indivíduos e garantem a cooperação e a solidariedade entre eles. Em resumo,
a teoria da solidariedade social de Émile Durkheim destaca a importância da
consciência coletiva como um fator crucial na manutenção da coesão e da
estabilidade social.
Lucas
Wellington dos Santos Lopes – Noturno – RA: 181220598
As catracas invisíveis
No cotidiano é possível perceber as diversas catracas invisíveis as quais passamos, essas são delimitadores da sociedade, catracas pois permitem uma filtração dos seres e invisível por não existir um objeto de fato, mas são facilitadores na entrada de alguns a certos campos sociais e para outros dificultam. No texto de Grada Kilomba são notadas as diversas catracas invisíveis quem pretos e principalmente mulheres pretas passam, ou melhor, precisam destruir teoricamente esses dificultadores (catracas), pois se trata de um mundo em que as diferentes pessoas e classes ocupam diferentes lugares sociais, em que há um apagamento de tudo o que não é produzido por brancos, uma vez apenas a ciência produzida por brancos é legitima. Segundo o sociólogo Émile Durkheim a sociedade possui uma consciência coletiva, essa é pautada na moral e é capaz produzir coesão social, ou seja, influencia na ação pessoal, uma vez que muitas pessoas não fazem coisas pois no pensamento comum é imoral, portanto é preciso primeiro entender a coletividade antes do indivíduo, pois essa o influencia. Um exemplo seria a segregação em atividades comuns, é possível perceber que há ambientes majoritariamente brancos, como universidades e locais de alto prestígio em geral, justificado pelo privilégio branco pautada em uma consciência coletiva que outras etnias eram incapazes da produção do conhecimento e, assim apagando todo legado cultural de pessoas pretas; até os dias atuais é possível notar a dificuldade de identificação de uma cultura preta em destaque na sociedade.
Pessoas que conseguem acessar lugares diferentes do que a sociedade as impõem são muitas vezes isoladas, tratadas como fora de onde deveriam, pois para uma comunidade pautada na desigualdade social, as classes devem frequentar diferentes locais, utilizar de diferentes serviços, enfim, possuir rotinas completamente distintas; os seres que não aceitam tal realidade são constantemente jogados à margem, a resistência que permite uma mudança, a que traz para o centro; como as cotas raciais, que depois de muita luta e injustiça, pessoas pretas conseguem entrar em universidades, dessa forma elas têm a oportunidade de sair da margem e ir ao centro, superar as catracas invisíveis.
Maria Eduarda Souza Vasconcellos – RA:231220651. 1* ano direito matutino.
O meio compondo indivíduos conscientes ainda é uma utopia
A sociologia, de forma simplória, costuma partir de 2 opções: o meio compondo os indivíduos ou os indivíduos compondo o meio. Através de diversas análises e mecanismos, os sociólogos tentam entender a sociedade sobre algum desses dois aspectos. Pautando-se em Émile Durkheim, é nítido a prevalência da sociedade sobre os indivíduos, logo, o meio compõem coercitivamente os indivíduos.
Nesse sentido, em tudo há uma origem coletiva, ou
seja, a dinâmica social que orienta e predispõe os seres. Não há uma
coincidência em pensamentos ou sentimentos iguais entre seres diferentes, já
que, no princípio, tudo parte da mesma força exterior, geral e coercitiva.
Sendo assim, através da educação, na infância, já são incorporados regras
sociais que certa sociedade quer que os indivíduos sigam.
Dessa forma, conforme o homem se adequa a essas regras
que lhe foram interiorizadas, ele acredita até que elas podem ser fruto de sua
própria elaboração, sem perceber a coerção que foi realizada pelo exterior ao
longo da sua vida.
Infelizmente, Durkheim, com seu funcionalismo, é capaz
de explicar como a sociedade dita diversos comportamentos de forma velada e
naturalizada. Dentro da história, como percebe-se com Grada Kilomba, no seu
livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, é naturalizado
inferiorizar o negro e seu local de fala. Esses comportamentos estão tão
interiorizados e assimilados há tantos anos pelo indivíduos por uma pressão
exterior, geral e coercitiva da sociedade que torna-se difícil dissociar essas
regras embutidas inconscientemente. Desse modo, analisar o mundo, de forma
sociológica, é despir-se dessas assimilações construídas historicamente, mas
não é fácil. Simples é permitir que o que já está generalizado, ou seja, as
coerções passadas cheias de preconceitos, permaneça regendo a sociedade, mesmo
que de uma forma coercitiva, na qual poucos conseguem se livrar.
Sendo assim, como a sociedade constrói os indivíduos,
usando de sua coerção, exterioridade e generalidade para interiorizar regras,
deveria ser possível fazer isso com inserção de avanços humanitários. Nesse
viés, através de uma consciência coletiva, seria possível que a sociedade
interiorizasse noções de igualdade racial e igualdade de gênero. Assim, o meio
seria capaz de compor indivíduos humanos, conscientes e livres de conceitos
coercitivos preconceituoso da história que a humanidade percorreu. Entretanto, essa
possível realidade, ainda utópica, romperia com hierarquias e poderes já pré-estabelecidos.
Por isso, parece distante demais ainda.
Laís Tozzi Muraro - 1° ano Direito (matutino)
RA: 231221304
quarta-feira, 5 de abril de 2023
O viés problemático da consciência coletiva
Dentre seus estudos relacionados à Teoria Funcionalista, que estabelece para cada fato social uma função, o sociólogo francês Émile Durkheim utiliza o termo “consciência coletiva” para se referir ao conjunto de crenças e sentimentos que são, de maneira geral, compartilhados pelos indivíduos de uma mesma sociedade e que são incorporados por eles através da educação com o objetivo de manter a coesão social.
Nesse sentido, analisando tal conceito na prática, entende-se que ele consiste na padronização do pensamento das pessoas na vida em comum, sendo responsável por causar reações semelhantes na sociedade em geral diante de determinados acontecimentos. Um exemplo disso seriam os relatos de Grada Kilomba, em seu livro “Memórias da plantação: episódios de racismo cotidiano”, nos quais é apresentada a dificuldade de uma mulher negra, historicamente colocada na margem social, ser respeitada, tendo que lidar com inúmeras reações que invalidam sua fala e seu trabalho no cotidiano. A partir disso, pode-se dizer que tais relatos representam o racismo presente na consciência coletiva, que, ainda na atualidade, é caracterizada por traços que remetem à herança histórica da escravidão, do patriarcalismo, entre outros. Sendo assim, percebe-se que esse pensamento padronizado torna-se problemático quando é incorporado pelas novas gerações sem que haja uma postura crítica em relação à visão de mundo que está sendo imposta, fazendo com que valores preconceituosos permaneçam na consciência geral da sociedade sem qualquer contestação.
Em suma, fica evidente que a consciência coletiva é o mecanismo social responsável por sincronizar o pensamento dos cidadãos de modo que determinados valores, hábitos, condutas e normas sejam considerados socialmente corretos por todos e que, por isso, devem ser incorporados. Em contrapartida, tal conjunto pode reproduzir preconceitos que reforcem a exclusão de grupos marginalizados historicamente. Portanto, cabe à consciência individual repensar criticamente o comportamento imposto pela consciência coletiva.
Lara Guerreiro - Primeiro ano de direito (matutino)
RA: 231223196
" Sapies: uma breve história da humanidade "e o positivismo na atualidade.
Lorena Ramos Panizza Jalkh
1° ano de Direito noturno
RA: 231223072
O livro de autoria do historiador Yuval Noah Hurari, promete contar a história da humanidade até os dias atuais e ainda faz projeções para o futuro da espécie humana. Nesse sentido, o best-seller propõe uma interpretação da humanidade a partir da análise histórica, assim como Augusto Comte remete ao objetivo da sociologia para compreensão da sociedade : " [...] O espírito dessa ciência consiste sobretudo em ver, no estudo aprofundado do passado, a verdadeira explicação do presente e a manifestação geral do futuro" - COMTE, Augusto. Sociologia, 1978, p. 53. Dessa forma, desde a premissa do livro, escrito em 2011, é possível observar ,a partir da visão do autor, resquícios do positivismo na atualidade.
Precipuamente, Comte disserta sobre os três estados da história do conhecimento: Primeiramente o estado " teológico" em que o espírito humano está voltado para as crenças (paganismo) como forma de construção do conhecimento, sendo assim o ponto de partida da humanidade para a busca da explicação dos fenômenos ; em seguida há o estado " metafísico" relacionado ao renascimento e trata-se de um período de transição do conhecimento humano; e por fim o estado " positivo" marcado pela observação como maneira de entendimento da realidade e o advento do método científico. Sob essa perspectiva, o israelense também traz a ideia de que a sociedade atual foi formada por estágios de desenvolvimento social ou estágios de " progresso ".
Ademais, devido a sua formação acadêmica ser apenas em história, Yuval Noah não tem experiência em arqueologia, e nem formação na área. Segundo Eduardo Carlos Bittar (2001, p.43), " É por isso que a interdisciplinaridade (transdisciplinaridade) tem surgido como recurso que supera os caminhos monológicos da tradição dos estudos positivistas". Dessarte, os argumentos do autor não se baseiam em referências interdisciplinares suficientes para formular as conclusões do livro.
Portanto, o livro está atrelado as ideias do século XIX do pai do positivismo e seu grande sucesso reflete como a sociedade atual ainda enxerga, mesmo que de maneira inconsciente, a forma de pensar proposta por Comte em que a ciência tem como objetivo a descoberta de " leis naturais invariáveis " que exercem poder sobre os seres humanos , e que poderiam ditar proposições para o futuro, como eficaz.
Fato social e consciência coletiva
"É fato social toda maneira de fazer, fixada ou não, suscetível de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior; ou ainda, toda maneira de fazer que é geral na extensão de uma sociedade dada e, ao mesmo tempo, possui uma existência própria, independente de suas manifestações individuais." Essa é a definição de fato social trazido por Durkheim em seu livro. Ou seja, o fato social é algo exterior do indivíduo que é imposto a ele desde criança (em sua educação, em suas relações sociais e parentais dentro de casa). Essa imposição desde cedo, faz com que o indivíduo seja forjado pela regras sociais até que elas sejam incorporadas pelo indivíduo, de maneira, que aquilo seja algo natural para ele, porém esses comportamentos e ideias não seriam desenvolvidas espontaneamente. Ou seja, ele acha que esses sentimentos tem origem nele próprio, mas isso é algo que foi imposto a ele.
Com isso, cria-se uma consciência coletiva na qual quem se desvia dela é punido- tanto legalmente quanto socialmente. Atualmente, no mundo da Internet, isso se tornou muito comum com a prática do "cancelamento", que puni, socialmente, quem se desvirtua do que é moralmente imposto pela sociedade. Essa punição social pode até ser pior do que uma pena legal, ao passo que alguém "cancelado socialmente", é excluído da sociedade e de suas atividades, assim como afirma Durkheim no trecho: "Se não me submeto às convenções do mundo, se, ao vestir-me, não levo em conta os costumes observados em meu país e em minha classe, o riso que provoco, o afastamento em relação a mim produzem, embora de maneira mais atenuada, os mesmos efeitos que uma pena propriamente dita."
Além disso, essa consciência social causa, o que Durkheim sintetiza na frase "cada um é arrastado por todos", uma espécie de comportamento social que a pessoa não teria se estivesse sozinho, devido à coerção que o fato social é capaz de realizar em uma sociedade. É como Durkheim diz: "É assim que indivíduos perfeitamente inofensivos na maior parte do tempo podem ser levados a atos de atrocidade quando reunidos em multidão. Ora, o que dizemos dessas explosões passageiras aplica-se identicamente aos movimentos de opinião, mais duráveis, que se produzem a todo instante a nosso redor, seja em toda a extensão da sociedade, seja em círculos mais restritos, sobre assuntos religiosos, políticos, literários, artísticos, etc."
terça-feira, 4 de abril de 2023
O POSITIVISMO E UMA ATUALIDADE RADICALIZADA
Em meados do séc. XIX surge o Positivismo, uma nova área de estudo científico proposta pelo acadêmico francês August Comte. Seguindo a linha dos avanços e rigores das ciências naturais de sua época, Comte visou desenvolver um método de estudo que romperia com a influência das doutrinas religiosas e das correntes filosóficas tradicionais, propondo assim uma análise material e objetiva da sociedade e de suas relações. No entanto a proposta do sociólogo, apesar de revolucionária e pioneira, também estabeleceu uma série de condutas que continuam a promover desavenças e conflitos nos dias atuais.
“O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”, essa frase revela uma série de valores que norteiam o pensamento positivista. O objetivo final da doutrina era o alcance do “progresso”, ou seja, uma mudança positiva na condição de vida em sociedade. No entanto, na concepção dos positivistas esse “progresso” só seria alcançado em razão de dois princípios norteadores, o primeiro deles sendo o amor (impulso individual) e a ordem (harmonia governamental através da imobilidade). Logo, todo movimento ou comportamento que escapava dos moldes estabelecidos nesse período era (e muitas vezes ainda é) considerado anormal, dúbio e até mesmo hostil para com o bom funcionamento social.
O movimento negro, feminista, indígena, LGBTQIA+, etc., todos hostilizados por uma oposição conservadora embasada, essencialmente, pelos ideais positivistas. Os padrões de “humanidade” estabelecidos no final do século XIX e início do XX constituem, para os mesmos, um conjunto de fatos inquestionáveis e essenciais para o funcionamento da sociedade, devendo serem, portanto, defendidos sem reservas.
Na atualidade essa batalha se traduz eventualmente nos dois extremos do espectro político. De um lado tem-se um grupo de “direita” conservador, formado em sua maioria por adultos educados pelos padrões dogmáticos citados anteriormente, do outro os progressistas de “esquerda” que ostracizam qualquer hábito ou tradição distintos dos arquétipos contemporâneos minoritários.
Para tanto, percebemos que os preceitos de Comte se enraizaram nos mais distintos âmbitos sociais e, a cada metamorfose e inovação, nossas opiniões ficam cada vez mais engessadas e a nossa sociedade mais radicalizada. Em busca da ordem frequentemente sacrificamos o motor do desenvolvimento, a mudança e a diversidade e, como postulado por Heráclito: “Nada é permanente, exceto a mudança”.
Bruno Vieira Salles - 1° ano - Ra: 231224885
segunda-feira, 3 de abril de 2023
A opressão social na formação da consciência coletiva.
Como um dos maiores sociólogos, os pensamentos e ideias de Emile Durkheim ainda são relevantes. Uma dessas ideias é a consciência coletiva, que é a noção de que as sociedades têm uma cultura, um conjunto de valores e um conjunto de crenças compartilhados que servem como base de sua coesão social. Essa consciência determina como as pessoas se comportam e como as interações sociais são reguladas.
Segundo Durkheim, dois componentes formam a consciência coletiva: as normas sociais, que são as regras de comportamento definidas pelos membros mais influentes da sociedade, e as representações coletivas, que são as ideias e crenças que todos da sociedade compartilham. Esses dois se unem para direcionar as interações sociais e a conduta humana. Porém, é crucial lembrar que Durkheim vê a consciência coletiva como um conceito abstrato que existe à parte das pessoas da sociedade, o que intelectuais questionaram, argumentando que a consciência coletiva é na verdade uma criação social feita e mantida pelos próprios indivíduos.
Grada Kilomba é uma dessas intelectuais e nos ajuda a compreender como esse conceito se encontra sendo influenciado por uma opressão atualmente. Ela afirma que a consciência coletiva de uma sociedade é uma criação social criada pelas experiências e pontos de vista de seus constituintes, e não um conceito abstrato. A partir dessa interpretação e a obra de Kilomba, o racismo, o sexismo e outras formas de opressão estão arraigados na sociedade e impactam a forma como as pessoas se percebem e interagem. A principal contribuição de seus artigos é o fato de que Kilomba destaca que grupos sociais marginalizados são frequentemente excluídos do processo de construção da consciência coletiva, não tendo voz ou presença visível, sendo excluídos da formação das tradições e costumes mesmo sendo uma expressiva parte da população. Para criar uma consciência coletiva mais inclusiva e justa, é essencial reconhecer e valorizar os pontos de vista e as experiências de vários grupos, e não limitar a percepção apenas a quem se encontra no centro e ignorar todas as perspectivas de quem se encontra na margem, segundo os próprios conceitos da autora.
Resumidamente, a consciência coletiva de Durkheim é a base para compreender como as sociedades funcionam e como a cultura e os valores são transmitidos de uma geração para outra. No entanto, é crucial reconhecer as críticas feitas a essa ideia, particularmente no que diz respeito à compreensão não abstrata da consciência coletiva. As obras de Grada Kilomba são uma contribuição significativa para esse debate, porque enfatizam o quão crucial é reconhecer como a opressão social molda a consciência coletiva e como as vozes oprimidas devem ser incluídas em sua formação.
Afonso da Silva Ferreira - 1º ano de Direito - Matutino
RA: 231223242