Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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domingo, 19 de julho de 2020
DO PROGRESSO AO ÓCIO: Uma crítica a “sociedade da produtividade” em tempos de pandemia
O problema inorgânico das ações afirmativas
Comecemos nossa exploração pelo aspecto da moral. A principal complicação da noção de reparar injustiças cometidas pelos nossos ancestrais se dá na violação da unicidade de cada indivíduo, por que devem os filhos herdarem os pecados dos pais? Prejudicar um homem branco hoje sobre a prerrogativa de reparar o dano causado por seus antepassados não está verdadeiramente desfazendo uma injustiça, pois não está interferindo com o gozo do infrator, há muito tempo falecido, nem está amenizando o sofrimento da vítima, também morto há muito tempo. De fato, esse ato de reparar só está criando uma nova injustiça, ao responsabilizar um homem por uma ação que não foi sua.
Devemos então argumentar que um homem não deve ser apenas responsabilizado por suas ações, mas também pelas ações de seus semelhantes, que estavam fora de seu controle, só porque lhe possa ter havido algum ganho material? Deve o povo alemão e suas indústrias serem responsabilizado pelos atos do governo nazista há mais de meio século? Se sim, então não deveriam os favelados serem responsabilizados pelos crimes das gangues que comandam suas comunidades, financiando suas economias locais? Ainda que aprovássemos de tal noção, um descendente de escravocratas, por exemplo, ainda seria mais inocente, por não ser culpado nem de omissão, nem de inação perante os crimes de seus semelhantes, visto que eles não eram nem contemporâneos.
Há ainda de considerar a possibilidade de que qualquer dívida histórica que tentemos incumbir sobre um indivíduo já tenha sido paga. Ainda que adquirido de forma imoral, nem todos aqueles que lucraram a partir da opressão de alguma minoria retiveram suas riquezas puramente para um enriquecimento pessoal, alguns se tornaram pilares de suas comunidades, financiando escolas e hospitais que hoje servem a todos os cidadãos, independente de gênero, etnia, credo, e orientação sexual. Não devemos honrar tais homens, visto que suas riquezas foram adquiridas de forma injusta, mas se estamos discutindo o assunto sobre "dívidas" e "reparações", devemos também avaliar suas contribuições. Visto isso, não poderia então qualquer "dívida histórica" de seus descendentes já estar, de fato, paga?
Investigado as complicações morais das ações afirmativas, olhemos agora para seus impactos sociais. As ações afirmativas se justificam como redutoras da desigualdade, desigualdade que é vista como causa de tensões sociais. Hoje vemos várias minorias sendo acariciadas com ações afirmativas e um número de proteções especiais, mas ainda assim as tensões sociais parecem só aumentar, demonstrando uma inefetividade por parte das ações afirmativas como provedoras de um apaziguamento social.
Percebamos então, primeiro, que a eliminação de toda desigualdade é puramente fantasiosa, visto as diferenças como consequência da diversidade, todas as pessoas nunca serão plenamente iguais, e haverá diferenças de propensões, que devem serem consideradas por causarem diferenças de efetividade e capacidade.
Analisemos então a perspectiva de que não seja a desigualdade, por si só, causadora do caos social, mas sim o desejo impulsivo e impensado pela plena igualdade, um ideal impossível. As ações afirmativas incorporam essa busca pela igualdade "a qualquer custo" e cometem injustiças que geram tensões sociais, por parte do grupo hegemônico, que se vê ativamente injustiçado com as minorias, e por parte das minorias, que internalizam um complexo de vítima e externalizam todas suas insatisfações como sendo responsabilidade de outros na sociedade. As ações afirmativas se mostram então inorgânicas e contraprodutivas na criação da solidariedade e da união social, e acabam apenas intensificando o antagonismo.
Embora a igualdade plena seja um mito e sua busca seja prejudicial, a igualdade de tratamento, perante o direito e o trato social, é uma fonte de justiça e pode gerar um apaziguamento social, mas esse tratamento igualitário não pode ser coagido inorganicamente por ordens como as ações afirmativas, ele só pode ser aprendido organicamente na observação de leis que priorizam a justiça e a solidariedade plenamente imparciais, e de uma educação que reconhece as diferenças e promove o entendimento, ainda que alguns preconceitos estatísticos sejam necessários para a administração social.
Deve-se também exercer cautela na sintetização dessa educação inclusiva, sempre considerando o impacto pedagógico que essa pode ter. Peguemos por exemplo a homossexualidade, a heteronormatividade possui algum valor pedagógico na educação do adolescente: Ao se desenvolver o desejo sexual, para saciá-lo o adolescente é impulsionado a interagir com o sexo oposto, se afastando de seu semelhante e interagindo com o diferente, desenvolvendo tolerância e até mesmo apreciação pelas diferenças. Se a homossexualidade fosse normalizada no ensino pré-pubescente, é possível que mais e mais adolescentes se recusassem a interagir com o sexo oposto durante seu desenvolvimento sexual, preferindo o conforto recluso da companhia de seus semelhantes, alienando-se ainda mais do sexo oposto e da diversidade. Tais considerações devem ser feitas e estudadas pelos devidos especialistas antes de se realizar quaisquer mudanças potencialmente desestabilizadoras na educação e na sociedade.
Em suma, as ações afirmativas são inefetivas e até mesmo contraprodutivas. O conceito de realizar justiça através da reparação de dívidas históricas é comparável com se tentar lutar contra a própria sombra. A história não é completamente justa, e o mundo não é perfeito, mas o melhor que podemos fazer não é brigar uns com os outros na partilha do pouco que temos, mas sim trabalharmos juntos em sociedade para que haja mais para todos.
Thiago de Oliveira Lopes - 1º ano - Noturno
NOTA: O AUTOR NÃO COMPARTILHA DAS OPINIÕES OU CONCLUSÕES AQUI EXPRESSAS, O AUTOR TAMBÉM NÃO APROVA DO USO DE SEU TEXTO NA PROPAGAÇÃO DE QUALQUER CAUSA QUE COMPARTILHE DAS OPINIÕES OU CONCLUSÕES NELE EXPRESSAS. ESSE TEXTO FOI ELABORADO EXCLUSIVAMENTE NO CONTEXTO DE UM EXERCÍCIO PROPOSTO.
sábado, 18 de julho de 2020
O POSITIVO GERANDO EFEITOS NEGATIVOS
Ambição Incontida: Um Atentado à Coesão
Nota: O autor do texto não concorda em hipótese alguma com os argumentos acima expostos. A dissertação consiste, apenas, em um exercício de argumentação proposto pelo professor.
Uma vida sem anarquia social
Desordem e retrocesso ocasionados pela ascensão de movimentos sociais
OBS: O texto acima não compactua com a opinião do autor, visto que foi uma atividade proposta pelo professor com objetivo de apresentar diferentes perspectivas de uma mesma corrente.
Sacrifício de Poucos, Benefício de Muitos
August Comte (1798-1857) foi um importante pensador francês, precursor e idealizador da teoria positivista. Suas ideias tiveram grande impacto, principalmente na área das ciências, e possuem influência em filosofias até os dias atuais, como por exemplo nos ideais de Olavo de Carvalho (1947-).
Entre os vários aspectos da teoria positivista, Olavo de Carvalho no capítulo “Mentiras Gays” de sua obra ‘O Imbecil Coletivo’ (1995), o conceito de solidariedade é apropriado e aplicado. Tal pensamento defende o papel de cada cidadão em sua negação identitária e particular em favor do bem comum.
O ponto de intersecção entre tal raciocínio positivista e as ideias de Carvalho, se encontram no princípio de que a homossexualidade é um fator secundário e inferior à atitude heterossexual. Tal argumento está apoiado na ideia de que a homossexualidade é um mero desejo, enquanto o seu oposto é intrínseco à natureza humana e necessário para a sobrevivência da espécie.
Portanto os homossexuais devem renunciar a luta por direitos que vão além daqueles aos quais os heterossexuais possuem em prol de um maior bem-estar social. Também pelo fato de não haver argumento racional que possa sustentar a ideia da conquista de direitos e privilégios referentes a uma opção sexual.
Outrossim, a vontade da maioria deve prevalecer sobre os anseios de uma pequena minoria, pois, nas palavras do próprio Olavo de Carvalho: “alguma relação heterossexual, ainda que em dose menor, continuará sempre necessária e, neste sentido, mais valorosa para a humanidade do que a homossexual”.
Mediante ao exposto, é possível concluir que as ideias de Olavo de Carvalho apresentam, nos aspectos considerados, semelhança com o positivismo de Comte, pois acima de tudo consideram que o funcionamento da sociedade como um todo supera as necessidades individuais de poucos, logo, a preservação de certos costumes em detrimento de práticas periféricas fundamental para o progresso social.
Pedro Américo Andrade de Almeida - Direito 1º Semestre - Noturno
sexta-feira, 17 de julho de 2020
Libertinagem em ascensão
das práticas racionais positivistas. Com isso, intelectuais como Olavo de Carvalho, ganham protagonismo no combate à "Desordem e Regresso".
A desordem promovida pelo Black Lives Matter e seu atentado ao progresso
Disfunções do positivismo contemporâneo
Entretanto, quando se observado a fundo essa corrente, podemos observar inúmeros empecilhos para a sociedade contemporânea. Primordialmente, devemos nos perguntar: "ordem a que custo"? A custo de privar um ser humano de amar? Do seu direito fundamental de ir e vir? Do direito à dignidade? Da singularidade do ser? De sua liberdade?
Um dos mais aclamados escritos brasileiros de ideologia positivista, Olavo de Carvalho, em seu texto "O Imbecil Coletivo", exterioriza diversos desses custos para a "ordem", como por exemplo, patologizando a relação homoafetiva,se fundamentando no argumento de que a mesma pode importunar a manutenção da "ordem" biológica de reprodução e manutenção da espécie, e nessa visão, tenta legitimar a homofobia, alegando seu direito de liberdade de pensamento, devidamente assegurado pela Constituição de 1988. Contudo, a liberdade de expressão não comporta qualquer violação ao direito de outrém, nesse caso, o direito à dignidade humana.
Esses efeitos deturpados positivistas, no entanto, não surgem exclusivamente desse lunático. Existem diversos apreciadores dessa corrente, e que se encontram em posições de prestígio na sociedade, tal como o ex-ministro Weintraub, que lutou para que ocorresse a revogação das cotas para negros em cursos de pós-graduação de instituições federais de ensino, justificando tal posicionamento no fato da escravidão já ter sido abolida um século atrás. Essa forma excessivamente linear e simplista de análise dos fatos, característica do positivismo, é superficial e incompleta. De certo modo, o mesmo pode ser considerado como uma espécie de dogmatismo, pois ignora a profundidade e complexidade dos fatos, como também suas raízes históricas.
Agora, se tratando do mundo jurídico, o positivismo também se apresenta consideravelmente, conhecido como "juspositivismo", ou mesmo "positivismo jurídico", procura reduzir o Direito apenas ao que está posto, positivado. Tal fato traz como consequência direta uma lógica de exclusão de todas as perspectivas de interpretação da norma, e de sua aplicação singular à cada caso. Com essa aplicação "mecânica" da lei, é descartada as considerações morais dos juristas, algo explicitamente essencial dado a unicidade de cada cenário.
Em suma, essa corrente já não condiz mais com a conjuntura atual. Os fatos devem ser observados complexamente, com todas as perspectivas históricas e humanas, respeitando a diversidade e a singularidade de cada indivíduo, e não de modo simplista e superficial, pregando a ordem a qualquer preço.
Felipe Zaniolo de Oliveira - 1° ano - Diurno.
segunda-feira, 13 de julho de 2020
O positivismo como ferramenta do autoritarismo
terça-feira, 21 de abril de 2020
O obscurantismo na pandemia
A grande maioria dos países toma o devido cuidado para que a tragédia seja a menor possivel, porém, a população e o governo precisam cooperar nesse momento para que isso seja possível, já que a maior recomendação da OMS (Organização Mundial da Saude) é o distanciamento social mas mesmo com mais de 2,5 milhões de casos e 177 mil mortes mundiais até o momento alguns ainda duvidam da letalidade do corona vírus e das precauções que devem ser tomadas.
Ao redor do globo pessoas fazem manifestações negacionistas, em alguns países, como Alemanha, tais pessoas são internadas como Beate Bahner, líder dos negacionistas no país, após surto psicótico. Em outros, como o Brasil, o presidente sai às ruas, cumprimenta a população e se posiciona contra a quarentena, a consequência disso vimos e estamos vendo em países com líderes semelhantes, como os Estados Unidos e Trump ou o Reino Unido e Boris Johnsons, que antes negacionistas, se renderam às recomendações da OMS após terem que lidar com as milhares de mortes causadas pelo vírus. Bolsonaro usa da economia como desculpa mas se esquece que sem população não há economia, e nem para quem governar.
Estamos vivendo um momento histórico em nossas vidas, e não há duvida de que todas as ações terão graves consequências, agora, devemos torcer para que apesar da ascensão o obscurantismo, saiamos dessa com o menor saldo de mortes possivel.
Mariana Marcelino - 1º Noturno
Balbúrdia ou ciência?
A problemática do negacionismo científico em relação às pandemias históricas e seus efeitos globais
O direito de confrontar a ciência
A ignorância mata
Murilo Augusto Cremonini 1°Ano Direito Matutino
Meias Palavras para Meias Verdades
Com a pandemia do COVID-19, as teorias da conspiração e o negacionismo, voltaram a ser um problema de segurança pública, uma vez que os mesmos não buscam a construção de uma narrativa fiel à realidade, mas sim embasada em preconceitos sociais ou interesses econômicos.
As já conhecidas teorias da conspiração encontram na atual conjuntura, um ambiente perfeito para sua disseminação. Não é difícil encontrar grupos de WhatsApp ou Facebook para compartilhar ou consumir narrativas conspiracionistas. Seus criadores, utilizam da liberdade de expressão para disseminar suas ideias infundamentadas ao público. Fazendo questionamentos à ciência através da utilização de argumentos construídos sem qualquer lógica.
Também existe uma crescente nos negacionistas, pois muitas pessoas ao se depararem com os desafios trazidos pela quarentena e pelo isolamento social, preferem criar uma narrativa fantasiosa de que o COVID-19 é somente um resfriado e que todas as providências tomadas para contê-lo são desnecessárias. Grande parte dessas teorias tem origem no egoísmo de parte da população que não quer ter seus lucros prejudicados em função de políticas de saúde e segurança pública e por isso a mesma tenta atacar a ciência utilizando de questionamentos e informações falsas.
Percebe-se que em muitos casos o direito de livre expressão, e também o espaço de fala dado à parte da população, permite que a mesma ataque a ciência, sendo esse construído sem qualquer base racional, mas sim "validado" pela grande quantidade de replicações e assim tornando-se uma pós-verdade que é utilizada para confrontar os resultados científicos, que por sua vez foram construídos através do método científico.
A NEGAÇÃO DA CIÊNCIA NUMA SITUACAO DE CRISE
Pensamento cientifico e o contexto político-social
A princípio, o prefeito de Milão, Giuseppe Sala, apoiou a campanha “Milão não para” que pedia para que a cidade não paralisasse suas atividades no início da pandemia do coronavírus. No entanto, três dias depois, com o aumento do número de casos e mortes, o prefeito se pronunciou e admitiu estar errado ao apoiar tal campanha. Casos como esses, nos quais figuras de autoridades fazem declarações minimizando o vírus, tem como consequências o aumento do número de pessoas que não veem a gravidade da situação. No Brasil, o Presidente Jair Bolsonaro fez o uso de expressões como “gripezinha” e “resfriadinho” com o objetivo de minimizar os riscos da pandemia a saúde pública, porém o Brasil já registra, de acordo com o G1, mais de 40 mil casos e 2575 mortes.
Outrossim, pesquisas com os remédios hidroxicloroquina e cloroquina -utilizados no combate de doenças como lúpus e artrite reumatoide- estão sendo feitas para comprovar seu efeito sobre o COVID-19, pois em alguns casos houve melhora dos pacientes, em outros não fizeram diferença no tratamento. No entanto, com a saída da notícia sobre essa droga, várias pessoas começaram a comprar esse remédio o que levou ao desabastecimento do mercado deixando indivíduos com lúpus, malária e artrite reumatoide sem os tratamentos adequados. Tal fato levou a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinar tais medicamentos como produtos controlados.
De acordo com os argumentos supracitados, pode-se concluir que nem tudo está sendo baseado em pesquisas científicas e tais fatos podem ter consequências devastadoras, como a morte de indivíduos devido à falta de informação.
Maria Júlia Servilha Hasegawa- 1ºano- noturno
