Este é um espaço para as discussões da disciplina de Sociologia Geral e Jurídica do curso de Direito da UNESP/Franca. É um espaço dedicado à iniciação à "ciência da sociedade". Os textos e visões de mundo aqui presentes não representam a opinião do professor da disciplina e coordenador do blog. Refletem, com efeito, a diversidade de opiniões que devem caracterizar o "fazer científico" e a Universidade. (Coordenação: Prof. Dr. Agnaldo de Sousa Barbosa)
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sábado, 19 de março de 2011
Descartes: realizador de procedimentos úteis à vida
O caminho reto
Ao munir-se do experimentalismo, do trabalho coletivo e das relações de causa e efeito dos fenômenos a serem estudados, Descartes perpetuou seu sistema metódico de estudos, empregável atemporalmente em qualquer área do conhecimento - contribuindo, assim, para a junção de variadas concepções sobre determinado assunto das ciências, a fim de melhor explicá-lo e repassá-lo às gerações posteriores.
Além disso, em "O Discurso do Método", a recusa do filósofo em basear-se apenas em obras alheias e na observação de outros povos para a concretização de seu raciocínio, revela a hesitação e os perigos de se cair no senso-comum e na alienação à sua contemporaneidade, impedindo que o produto final desse tipo de pesquisa seja imparcial e útil às necessidades que deram origem à busca por conhecimento.
Assim, salvo pela aceitação de Deus como fonte de tudo o que é perfeito (ponto controverso quando associado à ciência), a metódica cartesiana tendencia a ser de grande valor como base de nossos estudos e contribuir para nossos avanços, desde que sigamos, senão sempre, na maioria das vezes, pelo "caminho reto".
Herança do Método
Descartes, em sua obra “Discurso sobre o Método”, procura estabelecer uma linha de raciocínio mecanicista para os estudos filosóficos. A partir de técnicas das ciências exatas, busca criar um novo modo de “fazer o saber”. Em suas palavras: “Assim, o meu desígnio não é ensinar aqui o método que cada qual deve seguir para bem conduzir sua razão, mas apenas mostrar de que maneira me esforcei por conduzir a minha” (“Discurso do Método”, René Descartes, 1637). Não se trata de uma regra engessada, mas um ótimo ponto de partida. Uma herança, a nós, deixada pelo filósofo.
O método? Essa é a parte principal de todo trabalho ou pesquisa. O estudioso mais eficiente não é aquele que lê tudo de forma voraz; e, sim, o metódico, aquele que estabelece um projeto e procura segui-lo com exatidão, à risca. Portanto, o trabalho de Descartes trata sobre o essencial de toda e qualquer pesquisa. Sua proposta é formada por: uma seleção inicial do material analisado, julgando o que realmente é verdadeiro e o que deve ser descartado; seguido de uma decomposição, com o fim de simplificar as problemáticas; posteriormente, a resolução das questões levantadas e a definição de cada elemento encontrado.
Retornando ao discurso do parágrafo segundo, certa vez, Isaac Newton disse: “Se vi mais longe, foi porque estava sobre os ombros de gigantes”. Se quisermos alcançar grandes avanços em nossas pesquisas, devemos aproveitar todo progresso já conquistado. Descartes já nos mostrou um caminho, um bom plano. Essa é a nossa herança, usemo-na da melhor forma.
segunda-feira, 14 de março de 2011
A vanguarda cartesiana na busca pelas verdades da natureza
domingo, 13 de março de 2011
Na busca da certeza.
Descartes foi o principal expoente da escola racionalista, que se baseia na idéia de que o conhecimento de mundo é obtido pelo uso da razão, e que os dados dos sentidos são essencialmente duvidosos, mais uma fonte de erro de que de conhecimento.
Desde então, poucos pensadores compartilharam sua teoria de que a existência de Deus é indubitável. Todavia, a crença de que a descoberta cientifica exige que partamos de fatos confiáveis (logo, indiscutíveis) para firmar nossas premissas, aplicando a lógica e não deixando intervir nenhum elemento sobre o qual possa recair alguma suspeita, despojando-nos de nossas idéias e suposições costumeiras, tornou-se fundamental na ciência do mundo ocidental. Hoje, o autor se faz presente na medida em que filósofos e cientistas modernos vieram a crer que a observação (portanto usando os sentidos) tem um papel imprescindível no estabelecimento daqueles fatos indubitáveis de que derivamos conseqüências lógicas, mas ainda acreditam que Descartes traçara o método fundamental.
O dualismo cartesiano (divisão da natureza em dois tipos de manifestação, como alma e corpo) tornou-se uma parte inerente do modo ocidental de considerar o mundo.
Foi graças a ele que a atividade intelectual no Ocidente foi dominada pela busca da certeza, centrada nas considerações metodológicas. Se o método correto fosse seguido, seria possível construir um conhecimento de base sólida na ciência.