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domingo, 7 de maio de 2023

Materialismo e Fetichismo

          Marx desenvolveu uma metodologia de estudo científico utilizando o método dialético de Hegel, porém com presença da análise histórica materialista. Isso deu uma percepção social mais próxima da realidade gerando estudos sobre as estruturas da sociedade que influenciam as dinâmicas dos indivíduos.

          A análise materialista observa qual a relação material de uma determinada sociedade em uma determinada época. Com isso conseguimos observar como esta comunidade se hierarquiza, suas prioridades e como se formam todas as outras superestruturas.

          Com base neste conceito, Marx observou que alguns produtos dentro da sociedade capitalista tinham um valor social maior que outros de mesma natureza, esses produtos continham uma característica que Marx definiu como “fetichismo da mercadoria”, pois os mesmos eram contaminados por um pensamento de que os materiais comercializados geram benefícios ou status aos indivíduos que os possuíssem.

          Podemos observar fetichismo na atualidade utilizando o método materialista nos celulares, por exemplo, é observável que o celular Iphone, contém tanto um valor monetário maior como social também, mesmo não se diferenciando de seus concorrentes. Isso decorre da valorização da marca Apple como um produto elitizado, “aumentando o status social” de quem o tiver.

          Conclui-se que o método Materialista-Histórico-Dialético ainda nos ajuda a entender nossa realidade, evidenciando as dinâmicas sociais que influenciam nosso comportamento Individual, como o Fetichismo da mercadoria.

NOME: David Gardeazabal Orotona

SALA: 1° ano Direito (noturno)

RA: 231220316

Coaches e a ideologia capitalista


Life coaching é uma indústria em expansão com muitas pessoas buscando orientação e apoio de profissionais “especializados” em fornecer conselhos e estratégias para ajudá-los a alcançar seus objetivos pessoais e profissionais. Essa indústria sugere que a chave do sucesso está dentro do indivíduo e que, com a mentalidade, as ferramentas e as técnicas certas, qualquer um pode alcançar seus sonhos. Essa abordagem individualista do sucesso está profundamente enraizada na sociedade capitalista, onde o sucesso é igualado à realização pessoal e ao ganho financeiro.

Os coaches, ao reproduzirem a ideologia da classe dominante, falham em reconhecer a dinâmica de luta de classes que permeia nossa sociedade. Ao encorajar os indivíduos a se concentrarem exclusivamente em seu desenvolvimento pessoal, os coaches perpetuam a crença de que o sucesso é apenas o resultado do esforço e da determinação individual. Isso ignora o fato de que o sucesso geralmente depende de fatores fora do controle do indivíduo, como status socioeconômico, acesso a recursos e desigualdades sistêmicas.


A teoria marxista argumenta que a ideologia é moldada pela classe dominante e serve para manter seu poder e controle sobre a sociedade. No caso dos coaches, a ideologia do auto aperfeiçoamento reforça a ideologia capitalista dominante que impede o trabalhador de perceber os problemas estruturais que o mantém em sua condição de dominação, dessa forma fortalecendo a posição de poder da burguesia. 


Portanto, é possível notar que a ideologia dos coaches é oriunda das classes dominantes e tem como objetivo disseminar entre a população geral os ideais de produtividade e individualismo. Ao promover a ideia de que o sucesso é apenas o resultado do esforço individual, os life coaches ignoram os fatores sociais, econômicos e políticos mais amplos que contribuem para a desigualdade e a opressão. A ideologia capitalista de auto aperfeiçoamento não apenas reforça as estruturas de poder existentes, mas também serve para obscurecer a verdadeira natureza da exploração e as consequências negativas do capitalismo. De uma perspectiva marxista, fica claro que o life coaching perpetua a ideologia das classes dominantes e reforça o status quo em vez de desafiá-lo.


Caio de Sousa Dias Santos 

RA:231222611

1° ano direito - noturno


A superficialidade das relações pessoais no capitalismo contemporâneo

 Segundo o materialismo histórico, teoria proposta por Karl Marx e Friedrich Engels, a produção material define a humanidade, de forma que os meios de produção estão intrinsicamente ligados ao modo de vida das sociedades. Sob essa ótica, é interessante notar como a forma de trabalho influencia na vida pessoal e familiar, tema apresentado pelo sociólogo Richard Sennet em seu livro “A corrosão do caráter”, no qual é descrita a história de Rico, considerado bem-sucedido, filho de trabalhadores sindicalizados, que trabalharam diariamente para que seu filho pudesse ter uma boa formação acadêmica. No entanto, esse conceito materialista de sucesso é destrinchado ao longo da trama, uma vez que se percebe que sua busca por enriquecimento financeiro, dentro do modelo capitalista contemporâneo, degradou suas relações interpessoais e sua vida pessoal.  

Diante desse cenário, a exploração capitalista na contemporaneidade é marcada pela insegurança e pela transferência de responsabilidades do empregador para o trabalhador sob uma máscara de maior liberdade e flexibilidade. Nesse sentido, as novas tecnologias possibilitaram a flexibilização do trabalho, como o home office e a uberização, e essa nova relação trabalhista é panfletada como uma maneira de independência, por exemplo de controlar o próprio horário de trabalho, sem um horário pré-estabelecido. Contudo, essa suposta autonomia faz com que o empregado não diferencie seu horário de trabalho das horas de descanso, uma vez que para conseguir bater as metas da empresa e receber um salário suficiente, muitas vezes o indivíduo tem que trabalhar muito além do período estabelecido.

 

Ademais, essa flexibilidade, o dinâmico mercado de trabalho, facilita as demissões e as constantes mudanças, de forma que os trabalhadores estão sempre inseguros e, como Rico, mudando de emprego. Essa vulnerabilidade cria um forte ambiente de competitividade, pois o funcionário que menos produzir pode facilmente ser demitido, o que causa desconfiança entre os colegas de trabalho. Assim, essa concorrência, somada às várias demissões e alterações de emprego, dificulta a formação de vínculos de amizade e faz com que a relação entre as pessoas se torne extremamente impessoal e superficial.

 

Consequentemente, as relações no ambiente de trabalho afetam e prejudicam a vida pessoal dos trabalhadores, já que se tornou mais difícil a separação entre o emprego e o privado. Nesse contexto, Rico pode ser citado, pois também apresenta dificuldade em manter o convívio familiar, em passar tempo com sua família e com seus filhos, de forma que isso pode afetar as crianças de várias maneiras, como pelo sentimento de solidão, problemas de convivência e de relacionamento com outras pessoas, entre outros. Além disso, assim como a relação trabalhista é inconstante e superficial, os relacionamentos amorosos muitas vezes tendem a também o ser, o que pode ser retratado pela existência de aplicativos de relacionamento, como o Tinder, no qual é fácil de “trocar” de companheiro, de modo a tornar as relações rasas e rápidas.  


Portanto, em consonância com o materialismo histórico, a forma de trabalho influencia nas relações pessoais, de modo que o trabalho contemporâneo, por ser incerto e volúvel, baseado na competição e na maior eficiência possível, enfraquece as relações pessoais, que são relegadas, enfraquecidas e marcadas pela superficialidade.  

Maria Eduarda Bergamasco-1° ano Direito(matutino)

 O Capitalismo e suas várias roupagens: a modernidade e o mundo do trabalho


O século XIX foi marcado por diversas mudanças sociais e políticas ao redor do mundo, uma nova classe social surgia: a burguesia e com ela outras formas de exploração da classe trabalhadora. Nesse contexto conturbado, Karl Marx e Engels tentam olhar para essa sociedade por uma nova óptica, a materialista. Segundo essa lógica, o mundo material influencia a mentalidade dos indivíduos, ou seja, as circunstâncias concretas e materiais atuam como principal meio de explicação da sociedade vigente e dos fenômenos sociais. 

Apesar de serem filósofos de dois séculos atrás, o pensamento de Engels e Marx perpetua até os dias atuais. Nesse sentido, o sociólogo Richard Sennett escreve um texto chamado “deriva”, que por meio da história de “Rico”, faz uma analogia com a sociedade capitalista. A história se trata da vida de um pai e seu filho que passam toda a vida trabalhando para ascender socialmente, além disso, o texto mostra as inseguranças e implicações que Rico passa no mundo do trabalho e que apesar de estar em uma condição de vida melhor que a do pai, ainda vive em função de seu trabalho.

Tendo em vista esse contexto, é necessário fazer uma análise mais profunda da sociedade atual e das dinâmicas de produção. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman em seu livro “amor líquido”, na atualidade as relações sociais são guiadas por uma lógica de consumo, pois em um mundo volátil, no qual há rápidas mudanças a todo momento, é impossível que essa “liquidez” não tenha consequência nas relações sociais. Deste modo, o filósofo explica que por meio das tecnologias e plataformas de comunicação, as pessoas encontram um perfil na internet que as interessem e rapidamente surge uma nova amizade, depois se algo nessa relação não agradar mais, com um clique é possível desfazer essa conexão e ir em busca de outras. Essa lógica também é observada na vida de Rico, pois por não ter um emprego fixo, ele sempre precisa se mudar em busca de novas oportunidades e, assim, acaba não possuindo relações de amizade longas e duradouras e sua vida social é submetida à lógica de trabalho. Desta forma, apesar de as plataformas de comunicação serem muito recentes, esse fenômeno se relaciona analogamente ao pensamento de Marx e Engels, já que eles dizem que o modo de produção vigente define as relações sociais do indivíduo e o seu modo de vida.

Além disso, é preciso analisar a questão da precarização do trabalho no mundo atual. Com o advento das tecnologias de informação, as redes de serviço se adequaram a essa modernização, utilizando plataformas digitais para intermediar e facilitar a relação com os clientes. Nesse sentido, surgiram aplicativos como Uber, iFood e Rappi que apesar de simplificar as relações entre trabalhador e cliente, acarretam em péssimas consequências sociais. Esses aplicativos seguem uma retórica diferente do que era visto até então, eles adotam um discurso que o entregador ou motorista não se enquadra como funcionário e sim como colaborador autônomo, desta maneira, essas empresas digitais não tem praticamente nenhuma obrigação trabalhista com o trabalhador e, assim, ele é privado de muitos direitos. Além disso, muitas dessas plataformas pedem para os usuários avaliarem o serviço do motorista, fazendo com que os que forem pior avaliados recebam poucas propostas para entregas, diminuindo seu salário. Nesse sentido, pode-se afirmar que essa realidade é análoga a de “Rico”, pois por não ter um trabalho fixo, ele está em um estado constante de insegurança, sendo um dos principais dilemas de sua vida. Desta forma, é evidente que apesar de estarmos em um mundo diferente, as inseguranças e a precarização do trabalho permanecem em todas as épocas das sociedades capitalistas.

Conclui-se, portanto, a atualidade do discurso de Marx e Engels, pois eles discutem a fundo a lógica do modo de produção capitalista e inovam a maneira de pensar a sociedade usando a dialética materialista. Assim, por meio de uma história tão simples como a escrita por Sennett, é possível identificar os pontos mais profundos da sociedade em que estamos inseridos.


Gabriela Cristina de Freitas Abreu

Primeiro ano de Direito Noturno

RA: 231220278


O Papel do Capitalismo na Corrosão do Caráter

    O livro "A Corrosão do Caráter" de Richard Sennett apresenta uma análise crítica da sociedade contemporânea, dando enfoque nas mudanças no mundo do trabalho e em suas consequências para a formação do caráter das pessoas. Por sua vez, o capítulo "Feuerbach: oposição entre a concepção materialista e o idealista", do livro "Ideologia Alemã" de Karl Marx e Friedrich Engels, trata sobre a relação entre a materialidade do mundo e as ideias que as pessoas têm sobre ele, ambos os livros se complementam, como será desenvolvido no decorrer do texto. 

    Sennett destaca que a forma como as pessoas trabalham mudou drasticamente nas últimas décadas, com o incorporado de novas tecnologias e a crescente importância do setor de serviços. Em muitos empregos, o trabalho tornou-se mais mecânico e repetitivo, com pouca oportunidade de expressão criativa e de desenvolvimento pessoal. Essa mudança afeta diretamente a formação do caráter das pessoas, sentindo a capacidade de criar laços afetivos duradouros e gerando uma sensação de falta de propósito e de alienação em relação ao trabalho.

    Para Marx e Engels, a alienação é um processo que criado nas relações sociais protegidas na produção material de bens e serviços. Ou seja, o modo como as pessoas trabalham, a forma como a produção é organizada e a propriedade dos meios de produção são elementos que realizaram diretamente a formação da consciência humana e a visão que as pessoas têm de si mesmas e do mundo que as circundam.

    Assim, pode-se ver que a perspectiva de Sennett se complementa com a de Marx e Engels. Ambas destacam a importância das relações sociais na formação do caráter das pessoas e a influência do modo de produção nas ideias e concepções que as pessoas têm sobre si e a respeito do mundo. O capitalismo, como sistema dominante na atualidade, é visto por ambas as perspectivas como um elemento que gera a alienação e a resistência do caráter, por sua ênfase na produtividade e na eficiência, em detrimento das necessidades e aspirações dos trabalhadores.

    Em suma, a análise de Sennett sobre a decoração do caráter nas sociedades contemporâneas se complementa com a perspectiva de Marx e Engels sobre a relação entre a materialidade do mundo e as ideias que as pessoas têm sobre ele. As duas percepções apontam para a importância das relações sociais e do modo de produção na formação do caráter das pessoas, e mostram como o capitalismo, como sistema dominante, gera a alienação e a falta de propósito no trabalho.

RA: 231223552

O paradoxo das aberrações vegetativas

Tema: Marx e Engels + Sennett. 

Na obra “A corrosão do caráter – consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo” - Sennett entrevista Enrico, pai de Rico, trabalhador sindicalizado que tocava a vida mediante o cronograma do sindicato, ao passo que trabalhava visando a sacrifícios para a construção econômica do futuro. O autor compara o capitalismo flexível (de curto prazo) com o capitalismo de longo prazo, sendo caracterizante do primeiro a flexibilidade, oportunizando uma plasticidade do caráter humano tendente a uma corrosão propriamente dita. Já o trabalho de longo prazo permitia o luxo da linearidade de vida, contendo o planejamento e a motivação, com menos chance de alterações de caráter; daí a transformação do homem motivado em homem irônico. 

Com efeito, ao analisar a diferença entre os dois tipos de capitalismos, Sennett mostra que o de longo prazo é parte das organizações hierárquicas rígidas com autoridade centralizada e o capitalismo flexível envolve uma constante flexibilidade no sentido de que os trabalhos em equipes ocorrem sem o poder de autoridade inflexível. Assim, o novo capitalismo, através da lógica hipercompetitiva, cria o homem irônico que tem como consequência seu caráter corroído. Logo, por não propiciar as condições para a construção de um tempo linear, há a destruição de valores e da disciplina ética, afetando o caráter pessoal. 

Por conseguinte, o novo capitalismo contribui para a corrosão dos laços de amizade e de família, gerando alienação. Dentro disso, os empregados tornam-se meros seres vegetativos, já que não pensam de maneira crítica, tornando-se desqualificados. Outrossim, a indiferença e competitividade levam a um esvaziamento e a um contínuo estado de vulnerabilidade e incertezas para com o futuro. A sociedade passa a se basear em tempo e espaço indefinidos e desregulados, de forma que a continuidade de exposição ao risco extermine o senso de caráter pessoal. Logo, as pessoas tornam-se escravas do presente e do tempo no exercício do correr riscos no novo capitalismo. 

O paralelo entre Marx e Engels com o pensamento de Sennett manifesta-se no paradoxo entre o pai Enrico, que exerce o trabalho material visando a sacrifícios para a construção econômica do futuro de sua família, e o filho Rico que pôde exercer o trabalho intelectual na ordem econômica vigente e escolheu propagar a mesma ilusão que os encarcera em contextos laborais distintos. Tal ilusão manifesta-se nesse paradoxo, que dobra as pessoas e as torna escravas do presente do capitalismo flexível, que corrói o caráter a partir da fragmentação do indivíduo e elimina os vínculos sociais. Além do mais, a oposição dessa classe é a materialização do complexo plano ideológico de fragmentação da subjetividade do ser na tentativa de se manter a hegemonia capitalista, ao passo que quanto mais repartido, dividido e multifacetado o indivíduo torna-se mais dominável e manipulável. A lógica do capitalismo flexível impõe as condições de trabalhos que não apresentam significados permanentes, já que há um aumento do individualismo metodológico e da seleção natural de Darwin, alienando os empregados e os transformando em seres vegetativos, já que os de atitude passiva estão iludidos demais para serem capazes de pensar criticamente, tendo a eliminação dos vínculos sociais como consequência, pois o trabalho não apresenta significados mais permanentes. 

Portanto, o que pretende-se destacar é que o caráter capitalista do modo de produção, que era primitivo nos séculos XIX e XX, perdurou ao longo do desenvolvimento do processo de trabalho. Exemplos disso são a força do individualismo, o aumento do desemprego e da precarização do trabalho nos setores da economia. Os direitos sociais duramente conquistados pelos trabalhadores estão sendo substituídos ou subtraídos e a "corrosão do caráter" é exemplificada por essas consequências do frágil modelo atual de organização do trabalho no capitalismo. 

Sophya Helena Batazuos Resende Bastianini de Souza - RA: 231224771

1º ano de Direito (noturno)

Do chão de fábrica ao asfalto: aplicativos,trabalho e novas relações produtivas

  Durante o fim do século XX, o colapso de países do bloco socialista como a antiga União Soviética e a Iugoslávia fez de senso comum a ideia do marxismo como ultrapassado ou equivocado. Como exemplo, surge o livro ''The End Of History And The Last Man'' do filósofo estadunidense Francis Fukuyama, em que se afirmava que o ponto máximo da evolução humana estava na democracia liberal e no livre comércio e seus ideais, que assim serviriam de exemplo para as sociedades que ainda não teriam alcançado tal ponto. Dentre tantos erros, na questão econômica, é interessante ressaltar que logo após o advento da internet e sua popularização, as relações de produção mudaram e alteraram a sociedade, ampliando a dominação da burguesia, comprovando as teorias de Karl Marx.

  De acordo com as ideias do materialismo histórico dialético, desenvolvidas no livro a Ideologia Alemã, vários aspectos da humanidade como a cultura, a religião e até mesmo a consciência estão submetidas às condições materiais de produção atuais. No contexto contemporâneo, observa-se que as formas de trabalho com aplicativos como Uber e Ifood marcam uma nova evolução da sociedade em seu passo para outra mudança do capitalismo liberal, e por consequência, isso impacta até mesmo as ideias que permeiam as pessoas inseridas nesse modelo de trabalho, como foi referenciado no livro do sociólogo Richard Sennett ''A Corrosão Do Caráter'', em que se denotava o neoliberalismo e a instabilidade do trabalho como agente da decadência de valores como lealdade e compromisso, nota-se a semelhança no caso de aplicativos, onde os trabalhadores não conhecem mesmo seus chefes, e são vistos como ''empreendedores'' e não como operários, de forma a dominar a classe proletária através da alienação das pessoas.

  Enfim, é evidente que a análise marxista da sociedade não deve ser considerada como equivocada, dado sua contribuição para as ciências sociais através do método de análise material e de concepção do mundo que pode ser comprovada pela realidade dos fatos, ao invés de concepções idealistas que partem muitas vezes de concepções dogmáticas que pouco se traduzem no cotidiano vivido pelos integrantes da sociedade.


Aluno: Arthur Henrique da Silva e Silva

RA:231223341


  

  

  

Alienação e Consciência de classe

  Karl Marx em sua teoria Materialismo histórico dialético, busca alcançar o conhecimento sobre a sociedade com o uso histórico para a busca de padronização de comportamentos relacionados ao tema central de lutas de classe, como exemplos temos a Grécia Antiga com conflitos entre patrícios e plebeus, no Feudalismo, clero e servos, e no contexto de Marx, a burguesia e o proletariado. Esta análise também pode ser relacionada a atualidade, já que é notório o abismo entre a classe dominante e a dominada, além da constante busca pela improvável mobilidade social. 

Em primeira análise, enfatiza-se o reconhecimento da autoridade da burguesia pelo povo, por isso a adequação de costumes para uma falsa sensação de pertencimento a alta sociedade é comum, assim a falta de consciência de classe é a principal artimanha para esta alienação, pois deste modo os interesses dos dominantes são mascarados e defendidos pela maioria, Friedrich Engels, parceiro de Marx, ressalta esta questão na frase: ‘O homem que desconhece a classe a qual pertence, age contra si próprio’. 

Consoante a teoria, o cenário é idêntico quando nos referimos a alienação sofrida no governo Bolsonaro, que apesar de discursos elitistas com falas extremamente problemáticas como: ''Só tem uma utilidade o pobre no nosso país aqui: votar. Título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso”, ainda sim conquistava grande parte da população de baixa renda no Brasil, em sua grande maioria pessoas que desconhecem sua verdadeira posição social. 


    Aluna: Heloísa Calixto da Silva / Ra: 231224631

1°ano Direito Matutino

Chico, Tarsila e Chaplin: O materialismo histórico aplicado a obras do século XX

 Marx e Engels na obra A Ideologia Alemã afirmam que para estudar o homem é necessário partir de algo concreto, palpável; ou seja: A realidade cotidiana. Partindo dessa premissa, as obras: Construção de Chico Buarque, Operários de Tarsila do Amaral e Tempos Modernos de Charles Chaplin são evidentes exemplos (e excelentes objetos de estudo) de como o materialismo se faz presente na sociedade contemporânea.


“Subiu a construção como se fosse máquina” - Neste verso, o personagem subir a construção como um maquinário denota a maneira a qual as relações produtivas regem a vida social: O extenuante trabalho do operário, fez este crer que era, de fato, parte do equipamento.

“Flutuou no ar como se fosse um pássaro” – No momento em que este operário se liberta da exploração, mesmo que de modo fatal, sente-se livre tal como um pássaro. Fica explicito como modo de produção burguês capitalista é de certo modo, tal como um parasita, uma vez que este absorve toda a vitalidade do explorado para se fortalecer.

“Se acabou no chão feito um pacote flácido” – Após se libertar do maléfico sistema burguês, o obreiro, ironicamente, acaba sendo vítima deste: tem sua humanidade negada, seu valor negligenciado, é um fruto do modo de produção capitalista, mero produto, um pacote flácido sem valia alguma.

“Morreu na contramão atrapalhando o tráfego” – Por fim, a não comoção com a trágica morte do operário, revela o egoísmo da sociedade civil, fenômeno proposto por Hegel; além disso, evidencia a alienação do operariado na sociedade burguesa, este, vítima do ideal burguês de supervalorização do indivíduo, é incapaz de se enxergar no homem que cometera a suicídio.


Partindo para uma perspectiva diferente, a obra Operários de Tarsila do Amaral retrata algumas dezenas de proletários, esses, divergem-se quanto seus fenótipos e sua aparência, entretanto, paradoxalmente, eles aparentam ser todos iguais, fruto da exploração de sua mão de obra. Tal semelhança, expõe de modo subjetivo, a massificação da produção imposta pela burguesia, que aliena e despersonaliza as classes oprimidas, neste caso, o operariado.

Por fim, o filme Tempos Modernos relaciona-se diretamente com o capítulo “À deriva” da obra A corrosão do caráter de Richard Sennett; ambos os protagonistas (tanto o personagem de Chaplin, quanto Enrico e Rico) se veem tão imersos em seus ofícios, que acabam externalizando-o, de tal modo que a labuta acaba regendo todas as outras esferas de suas respectivas vidas. Isso denota a teoria materialista proposta por Marx:

“indivíduos determinados com atividade produtiva segundo um modo determinado entram em relações sociais e políticas determinadas.”.  


Enzo Bispo Silva (RA: 231223293) - 1° Ano Direito - Matutino