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domingo, 7 de maio de 2023

O Papel do Capitalismo na Corrosão do Caráter

    O livro "A Corrosão do Caráter" de Richard Sennett apresenta uma análise crítica da sociedade contemporânea, dando enfoque nas mudanças no mundo do trabalho e em suas consequências para a formação do caráter das pessoas. Por sua vez, o capítulo "Feuerbach: oposição entre a concepção materialista e o idealista", do livro "Ideologia Alemã" de Karl Marx e Friedrich Engels, trata sobre a relação entre a materialidade do mundo e as ideias que as pessoas têm sobre ele, ambos os livros se complementam, como será desenvolvido no decorrer do texto. 

    Sennett destaca que a forma como as pessoas trabalham mudou drasticamente nas últimas décadas, com o incorporado de novas tecnologias e a crescente importância do setor de serviços. Em muitos empregos, o trabalho tornou-se mais mecânico e repetitivo, com pouca oportunidade de expressão criativa e de desenvolvimento pessoal. Essa mudança afeta diretamente a formação do caráter das pessoas, sentindo a capacidade de criar laços afetivos duradouros e gerando uma sensação de falta de propósito e de alienação em relação ao trabalho.

    Para Marx e Engels, a alienação é um processo que criado nas relações sociais protegidas na produção material de bens e serviços. Ou seja, o modo como as pessoas trabalham, a forma como a produção é organizada e a propriedade dos meios de produção são elementos que realizaram diretamente a formação da consciência humana e a visão que as pessoas têm de si mesmas e do mundo que as circundam.

    Assim, pode-se ver que a perspectiva de Sennett se complementa com a de Marx e Engels. Ambas destacam a importância das relações sociais na formação do caráter das pessoas e a influência do modo de produção nas ideias e concepções que as pessoas têm sobre si e a respeito do mundo. O capitalismo, como sistema dominante na atualidade, é visto por ambas as perspectivas como um elemento que gera a alienação e a resistência do caráter, por sua ênfase na produtividade e na eficiência, em detrimento das necessidades e aspirações dos trabalhadores.

    Em suma, a análise de Sennett sobre a decoração do caráter nas sociedades contemporâneas se complementa com a perspectiva de Marx e Engels sobre a relação entre a materialidade do mundo e as ideias que as pessoas têm sobre ele. As duas percepções apontam para a importância das relações sociais e do modo de produção na formação do caráter das pessoas, e mostram como o capitalismo, como sistema dominante, gera a alienação e a falta de propósito no trabalho.

RA: 231223552

segunda-feira, 3 de abril de 2023

O Positivismo Contemporâneo.

 

O positivismo foi uma corrente filosófica que surgiu no século XIX e que teve grande influência na época, especialmente nas áreas de ciência e política. Embora o positivismo não seja tão proeminente atualmente como foi no passado, ainda existem vestígios dessa corrente filosófica em várias áreas da sociedade contemporânea.

Na ciência, por exemplo, a influência positivista pode ser vista em algumas correntes que defendem a objetividade e a neutralidade do conhecimento científico, buscando excluir qualquer tipo de subjetividade na pesquisa. Também é possível encontrar vestígios do positivismo em algumas correntes políticas que defendem a ordem e a estabilidade como valores fundamentais.

Analogamente, como exemplo de corrente positivista tem-se o republicanismo, que surgiu na França no final do século XVIII e início do século XIX. Os republicanos defendiam a ideia de que a ciência e a razão deveriam guiar a política, e que a democracia era a melhor forma de governo para garantir a liberdade e a igualdade entre os cidadãos.

Ademais, muitas críticas foram feitas ao positivismo ao longo do tempo, especialmente em relação a sua visão limitada e simplista da realidade, que desconsidera aspectos importantes como a subjetividade humana, a complexidade das relações sociais e a influência de fatores históricos, culturais e políticos.

Embora a influência do positivismo na sociedade contemporânea seja mais sutil do que no passado, ainda é possível encontrar exemplos dessa corrente filosófica em várias áreas, como a ciência, que foi fortemente influenciada por esse pensamento, especialmente em relação à ênfase na observação empírica e na objetividade. A ciência ainda é vista por muitos como uma fonte confiável de conhecimento e a pesquisa científica é frequentemente realizada com base em métodos positivistas.

De modo análogo, é possível pontuar também a tecnologia, que frequentemente é vista como um meio para alcançar o progresso e melhorar a qualidade de vida das pessoas. No livro “Petrus Logus – O Guardião do tempo”, de Augusto Cury, é retratada a consequência da ambição do ser humano em produzir tecnologias cada vez mais avançadas, chegando um momento em que se perde o controle dessas produções e elas decidem, autonomamente, mudar o curso da realidade, sendo vistas como as únicas com capacidade para fazer a sociedade evoluir, pois tem a ciência e a razão ao seu favor.

Tendo em vista esse cenário, portanto, podemos concluir que o positivismo tem sido alvo de críticas e questionamentos, especialmente em relação às suas limitações em lidar com questões mais complexas e subjetivas da sociedade, como questões culturais, políticas e sociais. Dessa forma, embora o positivismo ainda esteja presente em alguns setores da sociedade, sua influência é cada vez mais questionada e contestada por outras correntes filosóficas que propõem abordagens mais amplas e críticas da realidade.

RA: 231223552

terça-feira, 21 de março de 2023

AS CONSEQUÊNCIAS DE UM ATO ISOLADO


O suicídio, para Émile Durkheim, é “todo o caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado. [...] Cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias”. Tendo isso em vista, é possível afirmar que o autor pegou um ato isolado, no qual um indivíduo tira a própria vida, e trouxe para uma perspectiva ampla, em nível social. Isso sucedeu devido ao uso que o sociólogo fez da “Imaginação Sociológica”, o que, de modo condensado, consiste na percepção de que uma ação solitária pode interferir em uma sociedade, positiva ou negativamente.

Precipuamente, é um fato incontestável que pessoas negras são extremamente discriminadas e segregadas por grande parte da sociedade, como se uma cor diferente da maioria tornasse um indivíduo menos humano. É um destaque que, ao invés de ser admirado, assusta muitos. O corpo social sente a necessidade de colocar todos dentro de caixas e rótulos para que seja mais fácil apreciar ou julgar. A ideia de que os seres humanos são divididos por cores começou com o zoólogo alemão Johann Blumenbach, que por volta do século XVIII dividiu-os em brancos, vermelhos, amarelos, marrons e pretos. Pouco tempo depois surgiu Arthur Gobineau que defendia a ideia de que existiam raças inferiores e superiores, servindo de embasamento para o estudo posterior de muitos pesquisadores, que chegaram a uma errônea constatação de que os negros são de uma raça menor, vindo a gerar déspotas como Adolf Hitler que tiveram como luz essa visão vil. Atos isolados como esses, tiveram uma repercussão em toda a sociedade da época e consolidou-se nos séculos vindouros, pensamentos que segregam pessoas baseados em premissas sem embasamento e com uma lente totalmente preconceituosa deveriam ser erradicados e não fortalecidos.  

Analogamente, é válido afirmar que essa discriminação, no Brasil, para com os negros são consequências da escravidão, visto que após a promulgação da Lei Áurea os negros não tiveram qualquer auxílio de políticas públicas para serem inseridos na sociedade, continuaram sendo segregados e vistos como inferiores aos brancos. O livro “O avesso da Pele”, de Jeferson Tenório, fala justamente sobre o assunto supracitado: o racismo estrutural, um pré-conceito enraizado na sociedade. A história se passa na cidade de Porto Alegre e é contada por Pedro, um filho que perdeu o seu pai de forma trágica por conta do racismo. O jovem conversa com quem lê de uma maneira simples e, concomitantemente, dolorosa. A obra faz com que o leitor reflita sobre as raízes do preconceito racial, da razão pela qual um negro tem uma vivência mais difícil na sociedade, enquanto está mergulhado na brutal história de vida de um professor que só queria mudar a vida de algumas pessoas negligenciadas e torná-las humanas, querendo que sua ação solitária nas salas de aula mudasse, de alguma forma, o pensamento da sociedade, ou de parte dela.

Diante desse cenário, portanto, podemos concluir que o tema racismo, assim como tantos outros, podem servir de exemplo para que você, leitor, entenda o que é a imaginação sociológica e saiba que ela é a percepção do Eu no mundo, a maneira que a atitude de um indivíduo pode vir a impactar em todo o corpo social. Uma ação de séculos atrás reverbera até os dias de hoje. Ao invés de seguir a perspectiva de Durkheim, quebre o padrão, não esteja predisposto a fornecer um contingente de subsídios para a morte voluntária de outrem, um ato isolado tem suas consequências.

1º Ano de Direito (Matutino)

RA: 231223552