Total de visualizações de página (desde out/2009)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Vento ou Vela?



Em 2007 um jovem casal da família Laxton, na Inglaterra, teve um filho chamado Sasha. Mas em vez de fazer um estardalhaço sobre o acontecimento, eles decidiram manter as coisas mais reservadas. Beck e Kieran não contaram a ninguém o sexo da criança. Referiam-se a Sasha apenas pelo seu nome ou por "a criança." Sasha, que era de fato menino, dormia num quarto amarelo, recebia tanto brinquedos de menino quanto de menina para brincar, e seus pais vestiam-no com qualquer roupa aconchegante, fosse masculina, fosse feminina.

É importante ressaltar que há uma diferença entre diferenciação sexual e diferenciação de gênero. É claro que, devido à presença de seu orgão sexual, Sasha sabia que era garoto, e sabe que assemelha-se mais ao pai que à mãe. Ele preferia, no entanto – e deve ser frisado que eram suas escolhas, suas preferências pessoais -  sair de casa utilizando roupas de menina e gostava de nadar de biquíni.
Ao fazer 5 anos, Sasha entrou para o Jardim de Infância, e a interessante experiência do casal Laxton foi enfraquecida, afinal seria difícil para a criança ter essa inserção mais profunda no sociedade sem uma diferenciação de gênero. Esse acontecimento levanta a seguinte questão: como teria sido a vida de Sasha dali em diante caso ele não tivesse sido coagido pela sociedade a assumir seu papel de garoto? Como seria a própria sociedade caso essa diferenciação não existisse? Será que nesse caso, estaria eu nesse momento escrevendo sobre a experiência de um casal de pais que decidiu criar seu filho com base em seu gênero? Provavelmente.

Em uma entrevista, o próprio Sasha disse “regras como rosa é para meninas e azul é para meninos são bobas.” E não são? Essas regras possuem de fato razão de ser? Em algum ponto do passado essa designação das cores com base no sexo teve início sem nenhum motivo aparente e hoje está consolidada da maneira exposta por Sasha, e isso nos faz estranhar meninos de rosa ou meninas de azul. Mas, se nesse mesmo ponto do passado, a diferenciação tivesse ocorrido de maneira oposta, um quarto cor de rosa para um bebê chamado José seria a coisa mais natural do mundo. Mas hoje, imaginar o fato já causa certa estranheza.

Para Durkheim, todo e cada ser humano tem sua personalidade moldada a partir dos fatos sociais que regem o meio em que ele se encontra. São fenômenos recorrentes, práticas inconscientes, costumes repetidos sem se saber o porquê, ditados bradados sem questionamento. São coisas inerentes a todos, presentes dentro de cada um de nós e ao mesmo tempo quase intocáveis. Rosa é para meninas e azul é para meninos. Mas por quê? Não posso vestir meu filho de rosa? Não, não pode! É errado! Errado? Existem “cores erradas” para se vestir um bebê? Existem opiniões erradas para um ser humano?

No contexto social, sim. Seja católico, heterossexual e de preferência conservador. Claro, o conservadorismo. A palavra que sintetiza as correntes que amarram a sociedade ao passado, uma sociedade temerosa às mudanças, que estão sempre perturbando a ordem... "Esses jovens protestando aqui estão atrapalhando o trânsito!" Enfim, os fatos sociais mudam com o tempo, num passo lento o suficiente para gerar discussões e discordâncias. Alguém contrário ao casamento homoafetivo pode, por exemplo, argumentar que não se deve alterar os preceitos do matrimônio. No entanto o fato que essa pessoa não pode trocar sua filha por uma cabra e o fato que ela pode se divorciar no mesmo dia em que se casou mostra que esses preceitos já foram massivamente alterados.

Em ambos os exemplos citados, o Direito é responsável pela fiscalização da prática. Na vasta maioria dos fatos sociais, é assim que ocorre. Inúmeros fatos sociais se institucionalizam e se oficializam ao tornarem-se leis positivadas, e cabe às áreas do Direito fiscalizar o cumprimento desses fatos, coagindo tentativas contrárias. Em países islâmicos, a mulher que tentar deixar seu marido sofrerá severas consequências por parte do Estado. Da mesma maneira que ocorreria hoje em nossa sociedade a alguém que tenha trocado a filha por uma cabra.

Friso que há alguns parágrafos caracterizei os fatos sociais como quase intocáveis, e não totalmente intocáveis. De fato, é de extrema dificuldade desvencilhar a sociedade de costumes a ela atrelados há muito tempo. É difícil expôr, e mais ainda crêr nas amarras que nos ligam ao titereiro invisível que personifica os fatos sociais. O ser humano é, no entanto, capaz de raciocinar, capaz de pensar. Esses privilégios devem ser utilizados o tempo todo para questionar os fatos sociais da nossa sociedade, para que continuamos evoluindo socialmente. É um trabalho árduo, visto que a vasta maioria das pessoas se quer tem consciência dessa condição. Mas é importante indagar: Será que esse fato tem razão de ser?

Muitos dos fatos sociais em nosso cotidiano não tem fundamento, são pesos preconceituosos e atrasados que a sociedade insiste em levar adiante. O casamento homoafetivo, por exemplo: não prejudicaria os casais heterossexuais de maneira alguma, e traria benefícios trabalhistas, monetários e sobretudo emocionais e sentimentais aos casais homoafetivos que desejam se casar. A vasta maioria das pessoas em nossa sociedade aprendeu, no entanto, que isso não é natural, que não é normal, e por isso causa estranheza. É compreensível, afinal o ser humano quase nada pode fazer para se desvencilhar dos valores e dos fatos sociais da sua contemporaneidade. É algo semelhante aos idosos racistas de algumas gerações atrás. Você pode culpá-los de serem assim? Veja a sociedade em que foram criados e em que cresceram. Não se pode analisar outras eras sob um olhar contemporâneo. Há fatos sociais conflitantes, e indivíduos de ambas as épocas ficariam chocados com alguns dos fatos sociais da outra era.

Os fatos sociais existem e eles regem a vida em sociedade, positivando-se através das leis; isso por si só já é um fato. O bem estar social é, no entanto, muito mais importante que a preservação dos fatos sociais. O Direito tem o de papel questioná-los de forma oficial, visto que é responsável por sua oficialização. O Supremo Tribunal Federal "cuspiu" na Constituição ao aprovar a união estável homoafetiva, visto que ela diz no terceiro parágrafo do artigo 226 que união estável se dá apenas entre homens e mulheres, e muita gente critica os ministros pelo desrespeito à Constituição. Mas e daí que eles fizeram isso? A vida dos casais cuja vida foi transformada com esse acontecimento é muito mais importante que um livro, e em breve relacionamentos homossexuais serão um fato social.

Durkheim diz que por vezes, fatos sociais são como o ar: presentes, pesados, mas imperceptíveis. Acrescento que também, assim como o ar, estão em constante movimento. Mesmo que muitas vezes não sentimos, nunca está parado. E caso aparente estar parado, é só dar um sopro, um empurrãozinho, para que seu movimento possa ser notado. A sociedade é como um veleiro no mar à mercê das ações dos fatos sociais. A questão é: Você quer ser o vento ou a vela?

Por Lucas Omer Severen Surjus
1º Ano Direito Diurno
UNESP

A moldagem do indivíduo



Durkhein define fato social como um grupo de fenômenos que consistem numa maneira coletiva e geral de agira, pensar e sentir que são exteriores aos indivíduos, tais como crenças e tendências práticas, que são capazes de exercer um poder de coerção sobre os indivíduos.

Há fenômenos sociais que existem independentemente da vontade do indivíduo, este é fortemente influenciado desde a infância na sua maneira de pensar e agir, o que leva cada ser a reproduzir cópias de ideias, acreditando que as está criando.

Quando alguém tenta quebrar uma dessas regras pré-estabelecidas pela sociedade, sofre uma coerção direta ou indireta, podendo ser desde alvo de olhares maldosos a um ser excluído do restante da população. Começa, portanto, uma grande luta do “infrator” contra o restante, e mesmo que aquele consiga superar o conflito, ele estará constantemente em choque com a sociedade.

Logo, o indivíduo é, na maioria das vezes, um ser forjado pela sociedade, ele é manipulado de tal forma que a coerção que sofre se torna algo tão natural que adquire caráter de hábito, que o ser pratica por ser algo aprendido com a família, na escola, etc. Algo que ocorre comumente na educação das crianças, que são induzidas a raciocínios por outrem, obrigadas a serem obedientes, terem higiene, manterem o ambiente em que estão organizados, aos poucos a sociedade força aquilo que está incrustado de maneira cíclica e repetitiva em seus novos componentes, facilitando para que não surjam novas ideias, teorias, maneiras de se pensar. De tal modo que os seus membros tornam-se robotizados, incapazes de formular uma solução para os problemas sociais que tornam a aparecer.
Enfim, contribuem para que o sistema vigente continue vigorando, ignoram suas falhas, maquinizam o homem, destroem a capacidade que nos diferencia do restante do mundo animal.

Após a introdução da física social de Augusto Comte, na qual ele propõe a criação de uma nova ciência voltada para o estudo da sociedade. Emile Durkheim, como pai da sociologia, de fato cria esta.
Durkheim buscava a criação de uma ciência em que seu objeto de estudo é idêntico ao cientista. Por isso foi questionada a criação da sociologia. Era o estudo de algo em que o cientista faz parte dela. Como é possível analisar algo assim sem ser imparcial?
De acordo com sua metodologia é preciso analisar tudo aquilo que represente o condicionamento do individuo ao agir, o fato social. E como primeira regra, o fato social deveria ser entendido como coisa. Porque apenas desta forma o cientista poderia se distanciar das paixões, desejos, emoções e acabariam contaminando a análise do objeto. Serviria como forma de desvencilhar dos ídolos da mente, que são falsas percepções do mundo, de Francis Bacon. O sociólogo deverá partir da observação e da interpretação do real para que seja possível formular ideias e conceitos. Permitirá que o sociólogo tenha contato com a realidade de outras sociedades, e compará-las com sua própria sociedade. O cientista social buscará entender essas sociedades pelo que elas são, os papeis individuais de cada um, e a forma em que acontece a coesão social. Diferente da visão positivista de Comte, a qual buscaria integrar essas comunidades a dita civilização. Durkheim analisa a realidade pelo que ela realmente é, não aquilo que eu quero que ela seja.

Fatos sociais, imposições sociais!

Em sua análise, Émile Durkheim relata a existência de alguns fatos entre o indivíduo e a sociedade, que se interrelacionam. Segundo o sociólogo, existem crenças e costumes que regem e determinam algumas regras da sociedade. Dessa forma, podemos analisar como a originalidade e a exclusividade do indivíduo vem se deteriorando, num âmbito coletivo, uma vez que o cidadão está sujeito a várias penalidades, como o afastamento de outras pessoas, ser agredido verbalmente com práticas preconceituosas e exclusão social, apenas por não seguir ou apoiar os fatos e ideais defendidos pela coletividade.
Além disso, Durkheim também retrata a dificuldade do estudo da sociologia, já que
o sociólogo tem como objeto de estudo a sociedade do qual ele faz parte. Sendo assim, ele tem que tentar observar a sociedade sem se envolver, ou seja, tentar fazer uma análise imparcial dela.
Com isso, o autor define que toda a sociedade é munida de relações interpessoais, de maneiras de agir que exercem sobre o indíviduo coerção externa, ou seja, de fatos sociais, que definem e regulam o comportamento da sociedade.

Uma nova roupagem ao positivismo


Émile Durkheim dá início ao pós-positivismo, diferenciando-se de Comte por ser muito menos conservador, não pregando que cada indivíduo deve exercer seu determinado papel para a ordem social e o consequente progresso; ou seja, não prega a estabilidade social. A metodologia de Durkheim consiste em observar e analisar os fatos sociais como coisas; reconhecê-los e compreendê-los em razão da coerção que estabelecem sobre o indivíduo.  Desta forma, o que prevalece na análise do sociólogo é a sociedade, bem como na de Comte.
Durkheim sugere, entretanto, o tratamento de fatos sociais como coisas porque, para ele, nós, seres humanos, deixamos nossa passionalidade afetar o exame científico dos fatos. Sendo assim, a análise ideológica deve ir das ideias às coisas, e não das coisas às ideias. Ou seja, deve-se enxergar os fatos de maneira imparcial. Pré-noções acabam por obstaculizar a busca pela verdade científica, o que Bacon denominava como “ídolos da mente”, que deveriam ser combatidos, segundo ele.
A ideia de coisificar os fatos sociais, apesar de remontar a Comte, se diferencia pela noção metafísica que ele dava ao conceber o progresso como o sentido da História. Neste aspecto, Durkheim julga que Comte acabar por se distanciar da verdade sociológica, valorizando sua ideia sobre a História e não seus fatos em si.
Para Durkheim, a explicação do que é Estado, soberania, capitalismo, socialismo se assemelha às explicações da Idade Média. Sua visão, apesar de também ser positivista, é mais racional, pois tentando aproximar a Sociologia das outras ciências, Durkheim acaba por diferir em vários aspectos de seu antecessor Comte.

Steffani de Souza (1º ano Direito noturno)

A Revolução da Ordem

     Juntando-se a sociólogos do século XIX que revolucionaram a óptica tradicional das ciências, como Augusto Comte e Karl Marx, o francês Émile Durkheim apresenta novas formas de obrservação social pelo método científico, tenta desvincular definitivamente sua sociologia e experiência pessoal e explicita o polêmico mecanismo da "coesão social", um olhar de interdependência de nossas ações na sociedade, em um plano pequeno, até as ações de nações, em âmbito global. 
     Em sua grande obra, "Regras do método sociológico" (1895), propõe uma definição de "fato social", sendo esse, na verdade, o motivo de estudo com o qual a sociologia deveria se importar; e que observaria três princípios básicos: "Coercitividade" (imposição de padrões culturais), "Generalidade" (recorrência no social) e "Exterioridade" (são padrões que superam o prórpio indivíduo, são de maior força social). Assim, poderíamos elencar como "fatos sociais": uma norma jurídica, costumes, dogmas e tradições de fé, moral ou educação. Por fim, Durkheim deixa exposta a necessidade de nos abstermos de qualquer juízo de valor ao nos depararmos com o estudo de um desses "fatos", devemos observá-los com de acordo com o seu contexto histórico, quase que com um olhar Determinista aos moldes de Taine.

Eduardo Matheus Ferreira Lopes, Direito diurno.

Coisas em detrimento às paixões




Pai da sociologia, Émile Durkheim, analisa a sociedade de modo que sejam utópicas confecções de previsões ou julgamentos, sendo a maneira correta o que pode ser mais próximo da compreensão, em determinado momento da história. Enaltece-se, em sua visão, um olhar livre de envolvimentos, vínculos, moralidades e paixões, afim de que se obtenha um distanciamento do objeto estudado e, portanto, dotar de credibilidade a ciência da sociologia.
A regra de tratar o fato social como uma coisa diverge de um crivo de raciocínio kantiano, no qual se derivam das ideias as coisas, visto que, com Durkheim, derivam-se das coisas as ideias. Ademais, confronta-se a linha positivista de Comte, uma vez que este afirmava ser o progresso o destino da sociedade, isto é, faz uma interpretação pessoal da história, valorizando sua idéia, e não o que realmente é. O pai do positivismo tomou como sendo desenvolvimento histórico a própria noção que tinha a esse respeito. Dever-se-ia não esperar da sociedade o progresso, mas meramente compreendê-la, de maneira ímpar. Pode-se, nesse aspecto, fazer uma menção a Francis Bacon, à citação de que atrapalham nosso julgamento os ídolos da mente, ou seja, noções pré-concebidas.
No mundo hodierno, muito se aplica o pensamento de Durkheim, inclusive na ciência do Direito, almejando a um juízo adjacente à justiça e visando à imparcialidade para o cumprimento desse objetivo. Fatos tidos como negativos à nossa sociedade são ainda fatos corriqueiros com os quais o povo tem de “aprender a conviver”, contanto que não passem a serem consideradas patologias. Para ilustrar: uma assistente social tem que atender de maneira igual e imparcial o detento indiferente e um detento que acabara de estuprar a mãe desse assistente.
Assim, conclui-se que substratos passionais da nossa consciência afetam nossa análise crítica dos fatos, de modo a obstar a busca pela observação empírica e científica. Deve-se dar primazia às prioridades superiores como o intelecto e a racionalidade em detrimento de algo que não passe pelo crivo do raciocínio livre de juízos.

A objetificação do fato social


           Émile Durkheim foi um filósofo e sociólogo trabalhando na difícil tarefa de incluir a Sociologia como ciência na universidade em que trabalhava. Diante dessa missão, Durkheim procura desenvolver uma maneira de passar mais credibilidade ao estudo das ciências sociais e encontra uma técnica: tratos os fatos sociais como coisas.                        
            Essa técnica teria o objetivo de criar o afastamento necessário entre cientista e objeto de estudo. Como um homem analisando outro homem não teria grande valor; era importante criar uma maneira de distanciar o analista do analisado, além disso, para o autor, o fenômeno social não tinha diferente natureza dos objetos orgânicos, físicos e químicos.
            Pensado, então, o melhor método de analisar o fato social, Durkheim busca mostrar o que é o fato social em si e chega a conclusão de que é toda maneira de agir determinada por alguma coerção exterior, ou seja, tudo que o homem faz porque a sociedade o compele a fazer, ou ainda algo que ao fazer o homem se sinta envergonhado ou intimidado.

Texto relativo à aula 05
Carolina Paulino Fontenla - Direito diurno

A coercibilidade dos fatos


O individualismo versus o coletivismo para Émile Durkheim é uma questão na qual o autor opta pelo coletivo para poder analisar os fatos sociais, pois o comportamento do indivíduo é todo moldado pela  sociedade na qual ele nasce, cresce e vive.
Durkheim define os fatos sociais como os comportamentos referentes a um determinado grupo social e histórico, que representam sua cultura, forma de agir, de se expressar e de se relacionar. Estes mesmo devem ser visto como coisas e exercem função coercitiva sobre as pessoas. Essa coerção que o ser humano sofre está presente desde o nascimento, e é neste momento em que o mesmo nasce que ele é inserido na sociedade para o filósofo.
Pode-se afirmar que essa coercibilidade privou o desenvolvimento humano ao longo dos tempos, pois desde o nascimento se insere o homem numa sociedade com padrões prontos, linguagem estabelecida e conceitos de correto e errado formados. E o ser humano simplesmente absorve por osmose sem contestação ou tentativa de mudança desses fatos sociais. Seguir tendências a respeitos de literatura, arte, religião e moda são exemplos da ação da coerção dos fatos sociais sobre o indivíduo, afinal aquele que “ousar” inovar na forma de falar, de se vestir, pensar ou crer será friamente julgado pela sociedade.
Desde a época de Durkheim até os dias atuais o ser humano sofre com essa ação social, pois manifestação individual não é considerada um fato social e sendo assim não é aceita pela sociedade. É cômodo lidar com os que no é comum e igual, porém extremamente complicado assimilar o que nos é diferente.




Camila Gabriele Pereira de Faria1º ano Direito Noturno

Consciência coletiva


Determinar qual o objeto de estudo da sociologia e estipular os caminhos para analisá-lo foi um dos principais temas abordados pelas ciências sociais do século XIX. Coetâneo à Marx, Émile Durkheim inovou ao apresentar os mecanismos que regem a sociedade de forma a apresentá-la como fator-chave de sua análise, assim como Comte já o havia feito, permitindo-lhe classificar seu pensamento como pós-positivista ao remontar o filósofo francês.
Durkheim descreve o processo se socialização humana como fator primordial para a inserção dos indivíduos num meio comum, de forma que todos passem a absorver em seu cotidiano determinados preceitos pré-estabelecidos, a fim de orientar o comportamento dos homens. Tais preceitos são classificados como fatos sociais, que se referem a tudo que é exterior ao próprio indivíduo, mas que visa à determinação de certas regras sociais que têm por fim a formação de uma consciência coletiva. O individualismo é posto em cheque diante da generalidade, coercitividade e da exterioridade das regras impostas pela própria sociedade, que passam a constituir um fato social diante da impossibilidade de se fugir das mesmas. Como regras morais e condutas hereditárias, seja no modo de educação familiar, ou nos costumes de se vestir, alimentar e se relacionar, os fatos sociais atuam de modo a organizar o convívio entre semelhantes, sobretudo ao apresentar um caráter punitivo aos que tentam desrespeitá-los.
Com o desenvolvimento tecnológico característico do século XXI, a coercitividade encontrou meios mais eficazes de se efetivar, de modo que a generalidade fosse obtida mais rapidamente. A mídia representa hoje a via principal para disseminação de informações, que, ao introduzir padrões difundidos na população, garante a exterioridade para enfim constituir um fato social. Durkheim, porém, analisava os fatos sociais sob uma ótica positiva, como necessários para o estabelecimento da ordem e para o bom regimento da sociedade.  As regras morais defendidas pelo sociólogo no século XIX apresentam hoje constante contestação diante do vinculado pela indústria cultural, que frequentemente apresenta situações de desrespeito aos direitos humanos e aos valores morais. O combate aos falsos ídolos, já elucidado por Bacon, é elemento primordial na aquisição do conhecimento pleno e na fuga do falso. Para tanto, cabe à própria sociedade selecionar o verídico diante de todo o conteúdo midiático, impedindo que novos fatos sociais provoquem a massificação da consciência humana.  
Luisa Loures Teixeira - Direito Diurno

Aquele homem hipócrita




Émile Durkheim, filósofo francês e pai da Sociologia, afirma que “a consciência pública, pela vigilância que exerce sobre a conduta dos cidadãos e pelas penas especiais que têm a seu dispor, reprime todo ato que a ofende”.

A sociedade atual – nesse critério – não difere daquela da época de Durkheim: existe a exigência de certas normas e padrões a serem seguidos. Caso contrário, a pena é clara: olhares de reprovação, sussurros irônicos, sorrisos sarcásticos.

Imagine aquele homem. Aquele homem que acorda diariamente às 6h da manhã, toma café e dirige até seu local de trabalho; que discute com os advogados e fica inconformado com o tamanho da saia de sua nova estagiária; que almoça uma salada e vai para a academia; que liga para sua esposa que se encontra em Paris à trabalho e faz promessas de amor a ela; que ouve música clássica e que tem seu mundo girando em torno da pontualidade.

Esse homem é seu vizinho, seu marido, seu pai, seu colega de trabalho, seu amigo, seu irmão. Esse homem é um hipócrita; pois, assim que as portas se fecham, esse homem se transforma. E como não se transformar? A perfeição é exaustiva e os pedestais facilitam a queda daqueles que aceitam ser colocados em seu topo.



Ana Clara Tristão - 1º ano Direito diurno

Paternidade sociológica

Merecidamente considerado o pai da sociologia moderna, Emile Durkheim, contrariou sua tradição familiar religiosa ao investir na pregação do conhecimento científico. Aperfeiçoou o pensamento positivista dando inicio à construção da Sociologia - física social tão buscada por Comte.

Abordando aspectos particulares, como a definição de fato social, Durkheim estabelece pontos de partida para o estudo e a contemplação efetivos da sociedade, a fim de estabelecer um método capaz de estuda-la como ciência. Esse sociólogo, oferece como largada características do fato social, que segundo ele são maneiras específicas que o individuo pensa e/ou age e que respingam na sociedade ao seu redor. A exterioridade, a generalidade e a coercitividade são essas três características capazes de fornecer tamanho empurrão social.

Além disso, Durkheim reforçou a ideia de impessoalidade na hora de realizar estudos científicos e metodológicos a respeito da "física social". É essencial que o sociólogo ou cientista social seja capaz de separar-se de seu conhecimento prévio, entre esses crenças, valores e tradições, para apresentar uma verdade incontestável aos demais indivíduos. Percebe-se, então, que a maior dificuldade para a construção da sociologia permanece vigorando, uma vez que é consenso a neutralidade do pesquisador.

Assim, percebe-se que o Pai da Sociologia, não só complementou e concordou com filósofos pré-sociólogos, como também inovou linhas de pensamentos. Já que ele foi um dos pensadores que deu maior ênfase à uma das características fundamentais do direito: a coerção. Desde Durkheim essa forma de coação já vinha sendo estudada e trabalhada. Não por coincidência, somos moldados a seguir normas e regras que são exteriores à nós e que fazemos questão de impô-las às gerações futuras.

Dessa forma, torna-se inquestionável a paternidade dessa ciência social que, a medida que os séculos viram, só deixa mais evidente essa manutenção dos fatos, das expressões e das divisões de trabalho sociais; aspectos inicialmente apontados por Émile Durkheim.

Bárbara Andrade Borges - 1º ano - Direito Diurno.

            A existência está passível de sanção.             


 

  Somos levados a ser o que somos? Qual é o limite de nossa autonomia diante da sociedade? Somos meros reféns do que já existe? E nossa existência, qual o seu papel? Ao nascermos nos deparamos com um mundo pronto  regras sociais, cultura, língua,etc. No processo educacional familiar valores morais , religiosos ,etc. são-nos impostos para que ao sairmos do âmbito familiar possamos conviver em sociedade. Nesta há  regras de adequação, sendo o não cumprimento punido com diferentes formas de sanção.

  Dessa forma a personalidade do individuo é moldada  pela coercitividade  seja na infância , em que noções de certo e errado , permitido e proibido, são impostos ate que se internalizem, seja na sociedade  com suas leis morais e suas normas positivadas.        Chegamos num mundo pronto para nós, nas palavras de Shakespeare “ o mundo é um palco, no qual atuam homens e mulheres” a partir disso desempenhamos diferentes papeis, marido, filho, empregado, papeis que já existiam antes de nossa concepção.

Nessa problemática existe  a nossa autonomia, esta que é exercida pela metade visto os fatores citados anteriormente que impedem pré-escolhas, como quando e onde nascer...

  O exercício da autonomia ,quando vai de encontro ao que é considerado “normal” ,ou socialmente aceito, é punido com de alguma forma , exemplo : o assassinato é punido com a reclusão social, ou mesmo coisas simples como vestir-se diferente das pessoas do grupo ao qual pertence , que punem o “transgressor” com um isolamento.
  O exercício da autonomia , livre do peso social, pode trazer tanto problemas, como também benefícios, pois não devemos nos omitir perante o que nos foi imposto, por mais que tenhamos uma carga enorme de imposições assimiladas, temos a possibilidade de utilizar nossa existência para transpor o estabelecido. Como foi dito por Sartre a “existência precede a essência “ e desse pressuposto que  encontramos caminhos para atuar como atores mais independentes, contrariando o status quo ,mesmo que correndo o risco de sermos sancionados

Durkheim

Herdeiro do positivismo de Augusto Comte, Durkheim procurava acreditar que o sociólogo precisa ter certa distância de seu objeto de estudo, mantendo-se isento de sentimentos como paixão, desejo ou preconceito. A observação, a descrição, a comparação e a estatística eram o seu meio de conhecimento e pesquisa.
Seus estudos não se limitavam à ideia de uma estrutura formada pela união das instituições sociais. Para Durheim, os focos do estudo são as chamados fatos sociais, que explicam as ações coletivas e individuais como consequências de outros acontecimentos sociais, como o governo, a religião e a geografia. Assim, Durkheim teve como principais contribuições a definição dos conceitos de consciência coletiva e de consciência individual. Embora todos tenham valores individuais, no interior de qualquer grupo ou sociedade existem formas padronizadas de conduta e pensamento. Esse conjunto de ações que definem a moral vigente é a chamada consciência coletiva, cuja uma das variáveis é o nível de educação da sociedade. Quanto maior o nível, melhor o desenvolvimento, o sociólogo trabalhou temas que vão desde a emergência do indivíduo até a origem da ordem social, da moral, ao estudo da divisão social do trabalho.

Juliana Casagrande, direito diurno