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domingo, 29 de maio de 2011

O socialismo primitivo prega que para ocorrer uma mudança social é preciso que as classes que se encontram acima do proletariado façam uma mudança, e não este que é o mais afetado. Deste modo, acreditam que a classe trabalhadora não possui condições de agir em seu próprio benefício.

Assim, defende que as condições históricas não devem ser utilizadas para explicar a exploração dos menos favorecidos. Existe uma consciência de que a razão pensante é o que pode trazer soluções para tal problema.

Para Owen a coesão social é viável a partir do oferecimento de educação de qualidade para as crianças e de condições de trabalho digna aos trabalhadores. Sob seu ponto de vista, a força produtiva guia a formação da sociedade, isto é, são relações interdependentes.

Em relação aos socialistas utópicos, Engels dizia que estes fixavam a concepção de que apenas algumas pessoas “especiais” poderiam estabelecer o que realmente seria o socialismo. Para ele, a dialética era entendida como algo que colocava os opostos numa mesma situação, isto é, ao mesmo tempo em que algo é o que é, é também o diferente disto. Assim, a história está em permanente mudança, já que ocorrem, simultaneamente, inúmeros “fatos opostos”.

A dialética hegeliana é a do idealismo, isto é, apenas a mente é real e tudo o que é racional é real. Desta forma, ele defende o estabelecimento das idéias como fonte de conhecimento. Já Marx, defende o materialismo dialético, que considera que a matéria é a única realidade, tentando superar o pensamento de Hegel.

O socialismo marxista caracteriza a mais-valia como o trabalho obtido e não pago a quem o produziu. Assim, o sistema capitalista explora a classe trabalhadora e firma-se como classe dominante. Entretanto, para Marx a burguesia, detentora dos meios de produção, é quem deve libertar os trabalhadores da condição miserável em que viviam.

Então, para consolidação do socialismo marxista era preciso um capitalismo avançado, pois apenas assim seria possível produzir o suficiente para a conversão dos meios individuais em meios sociais de produção. Marx apresentava uma filosofia revolucionária que procurava demonstrar as contradições internas da sociedade de classes e as exigências de superação.

Revolução do materialismo histórico-dialético

Em 1877, a partir do livro “Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico”, Friedrich Engels colabora com novas bases de estruturação da sociedade, diferenciando as duas formas de socialismo até então preceituadas: o Utópico (Thomas Morus e Campanella) e o Científico (Karl Marx e si próprio).

Como método filosófico, há a restauração da dialética (retomada por Hegel na Modernidade, após a sua utilização na Antiguidade) em contraposição à chamada “maneira metafísica de pensar”. A diferença básica entre as duas é que, enquanto a primeira reúne em si os pontos de tese, antítese e síntese, a segunda preocupa-se apenas com os fatores tese e antítese. Essa realidade da metafísica limita sua investigação dos fenômenos, porquanto não permite a concatenação dos fatos, isto é, cerca-se apenas de dissoluções, mesmo quando a situação exige uma união de sentidos.

Ao se comparar a dialética hegeliana com a marxista (ou materialista), depreende-se que aquela possui caráter idealista, pois a ideia acaba materializada no real, enquanto esta tem como essência a concretude, já que é o contrário, ou seja, o homem elaborará seu pensamento a partir do materializado.
Sob uma perspectiva socioeconômica, a produção constitui a base de toda a ordem social. Assim, as transformações não ocorrem por causa do raciocínio dos seres ou do ideário sobre verdade e justiça eternas, mas pelo modo de produção e de troca. Nesse sentido, a luta de classes é o motor da história, uma vez que é o conflito entre elas quem vai gerar novas situações completamente inauditas, reestruturando a organização coletiva a ponto de provocar revoluções.

À época de Engels, o capitalismo havia propiciado enorme riqueza aos burgueses, os quais utilizavam a mão de obra dos proletários como sustentáculo. Tal relação chegou ao ápice de revolta da classe trabalhadora após tanta exploração, pois além de ser obrigada ao labor em ambientes insalubres, durante dezenas de horas, subjugando, inclusive, seus filhos às mesmas tarefas degradantes, ainda era responsabilizada e punida com a demissão em presença de crises econômicas.

Diante desse quadro, as revoltas sociais tornaram-se inevitáveis e permitiram, concomitantemente, o surgimento de teorias com vistas à derrubada do sistema vigente. Entre as quais, cita-se o próprio Socialismo, que tinha como prerrogativa a tomada do poder político pelos proletários, convertendo os meios de produção em propriedade pública. Como conseqüência, não haveria mais a divisão em classes sociais, pois todos seriam iguais e teriam os mesmos direitos e deveres.

Portanto, a obra de Engels representa grande valor ao estudo das ciências sociais por vislumbrar uma realidade extremamente inovadora que influencia, até hoje, muitos passos no mundo inteiro.

Dialética e socialismo científico: revolução nas ciências e na sociedade

Em sua obra "Do socialismo utópico ao socialismo científico", Frederich Engels expõe que a dialética, ao contrário da metafísica, leva em conta o caráter efêmero das coisas, o que permite que ela seja utilizada como forma de compreender os diversos elementos mundanos sejam eles históricos, sociais e científicos, todos sujeitos a transformações.
Segundo o mencionado autor, as coisas, em um determinado estado, trazem em si as condições propícias para ocorrência do estado seguinte. Tais condições contradizem os aspectos que caracterizam o estado em que as coisas se encontram. Daí a formulá que sintetiza a proposta da dialética: tese, antítese e síntese.
Na referida obra, é possível também observar que Engels refuta o idealismo de Hegel, propondo- ao contrário do procedimento adotado por Hegel- que deve-se partir das coisas para as ideias, para evitar a criação de concepções falsas acerca dos diversos elementos que nos cerca.
A dialética e o materialismo, aplicados ao estudo da História, permitiram que Engel criasse o chamado materialismo histórico dialético. Segundo esta teoria, ao longo da história, cada modo de produção carregava em si os elemento que propiciavam a sua sucessão por um modo de produção mais eficiente e o surgimento de uma nova sociedade. Por exemplo, durante a Idade Média, a existência das ligas hanseáticas permitiu o surgimento de meios coletivos de produção, os quais passaram a predominar sobre os indivíduais( que foram os mais abundantes até então). Juntamente com esses novos meios de produção surgiu uma nova classe social- a burguesia-e uma sociedade em que esse estrato social exercia posição dominante, explorando a classe trabalhadora. A sociedade burguesa citada apresentaria algumas contradições, tais como a produção com vistas à socidade e a apropriação individual dos produtos, o aumento dos meios de produção e do desemprego, a superprodução e a ausência de consumidores. Tais contradições motivariam o proletariado( a classe trabalhadora) a visar ao fim do modo de produção capitalista e da sociedade que está vinculada a este. Para isso, o proletariado assumiria o poder, representando assim a vontade de maior parte da população, não havendo exploração de uma classe por outra. Com isso o Estado- que é o meio pelo qual se assegura a exploração de uma classe sobre outra(s)- se extinguiria.
A essa passagem da sociedade capitalista para a sociedade socialista, dá-se o nome de Socialismo Científico. È importante ressaltar que ele não chegou a se concretizar da maneira pregada por Engels. Segundo este, o socialismo deveria ser implantado em regiões onde o cpitalismo estivesse em seu máximo grau de desenvolvimento. Não foi o que ocorreu na prática, o que é exemplificado pelo caso da Rússia, que em 1917, assistiu a uma revolução socialista pouco tempo após uma reestruturação econômica de cunho capitalista, ocorrida em 1905.

O socialismo pela visão de Engels

O autor Friedrich Engels, ao escrever a obra "Do socialismo utópico ao socialismo científico" em 1880, propôs demonstrar, na forma de folheto, aos trabalhadores da época suas idéias sobre o socialismo e expor melhor os conceitos marxistas. Para ele, o socialismo nascer da necessidade de se romper com a ordem vigente, no caso o capitalismo. Os "iluminados", homens que ao romper com os laços do Absolutismo durante a Revolução Francesa, revolucionaram ao acreditar na racionalidade como forma de se reger as sociedades. A burguesia assim emergiu diante dos privilégios antes dados à aristocracia e liderou a sociedade, criando assim seus próprios privilégios. Começa assim uma luta de classes então entre a burguesia (detentora do poder de mercado e dos meios de produção) e da classe trabalhadora (oprimida e explorada para a acumulação de capital pela classe dominante).


Engels, ao citar os pensadores Saint-Simon, Owen e Fourier, explica seus pensamentos sobre o socialismo utópico que pregavam. Saint-Simon explica o conflito entre "trabalhadores" e "ociosos", além de acreditar que o governo deve expressar a administraçao da sociedade e o mundo economico que a cerca. Fourier já faz uma crítica à burguesia por acreditar que a diferença de classes que ainda persiste pós-revolução faz brotar a pobreza que assola a classe trabalhadora. Prevê uma sociedade cooperativista como solução para as desigualdades, pois só assim as riquezas seriam divididas entre aqueles que a produziram. Já Owen acredita que o socialismo só será alcançado com condições dignas aos trabalhadores, oferecendo educação para que se ilumine os industriais e operários para compreensão da sociedade moderna. O trabalho seria fundamental para a edificação da sociedade. Apesar de toda análise sobre os socialistas utópicos, Engels discorda durante a obra sobre esse método por não o considerar aplicável e incondizente com a realidade.

Ao considerar essencial para a sociedade moderna a aplicação do socialismo como ciência, Engels faz uma dualidade com as idéias hegelianas. A idéia de Marx e Engels é o apropriar da dialética hegeliana, mas com ressalva ao seu carater idealista, e assim fazer uma análise da luta de classes . É esse conflito que estabelece o movimento da matéria. O autor se utiliza de dois recursos para fazer a analise da sociedade atual, o materialismo-histórico e o materialismo dialético. O primeiro se caracteriza por desvendar as leis ao desenvolvimento histórico, enquanto o segundo faz uma leitura do mundo sempre em desenvolvimento onde o motor deste é a luta entre as classes. Assim o autor preconiza que o proletariado e a burguesia foram ao longo da história formadas e são produto necessario para a luta de classes.

No capitalismo a produção também é social, porém a acumulação não é. Engels acredita que no socialismo apesar da produção ser social também, a possibilidade de se produzir riqueza deve ser dividida para todos para que assim se forme uma sociedade mais abundante e com estrutura social mais estabelecida. Seria para ele uma idéia de igualdade radical, com a perpectiva de equalizar a sociedade.

Conclamação da Justiça




Não se esqueça,
De tudo que lhe foi causado;
Todo o sangue que eles beberam,
Como se o ódio está,
apenas no peito dos que sofreram;

Eis que surge o patrão,
a voz anti-comunista
tentando desunir os homens,
que viviam na penumbra.

E utilizando, sem razão,
as idéias de Cristo,
deu luz a noção
que todos eram indispensáveis,
e enganou a multidão.

Das mentiras vazias,
surgiu a verdade que,
com furor, foi descoberta.

Povo nas ruas,
ao passo forte,
estremecendo as ruas,
com o barulho da Justiça,
a Liberdade no sangue,
sublevaram a ordem.

E a cada passo fascista,
a cada injustiça,
a bandeira comunista
estará mais perto do céu,
radiante, inalcançavel.

Do socialismo sonhado ao socialismo não consolidado e à Mais Valia

Na obra “Do socialismo utópico ao socialismo científico”, Frederich Engels aponta o iluminismo de maneira positiva para romper com o modelo absolutista do Antigo Regime. A burguesia, porém, após consolidar a revolução, se converteu de maneira totalmente racional e construiu seus próprios privilégios, negligenciando a vontade da maioria pela qual esta própria classe lutava anteriormente. Essa conversão de ideais se mostra angustiante pra Engels, já que a liberdade sonhada por ele se tornou em simplesmente liberdade de mercado.

A crítica se baseia na negação da burguesia em abrir mão do poder, abstraindo-se, logo, de uma solidariedade natural que todo o ser humano já deveria ter. O utópico, portanto, estava na esperança dessa burguesia em abdicar do individualismo em prol de uma maioria menos favorecida. A análise, portanto, não partia de uma realidade efetiva da sociedade atual.

Para Engels, a análise deve partir de uma base material, não da imaginação, e a partir de então transformar o socialismo utópico em científico.

No auge do capitalismo, enquanto todos acreditavam que este modelo, por gerar tantas riquezas (apesar de não distribuí-las), iria se prolongar infinitamente, Engels mantia a idéia de que logo esse modelo iria se extinguir, baseado no fato de que muitas classes eram desfavorecidas e que logo uma luta de classe iria explodir com o advento de uma pressão provinda de uma grande camada descontente com a situação. Engels não contava, porém, com a adaptação do capitalismo aos avanços do mercado, que se moldou às mudanças e que perdura até a contemporaneidade.

Através do modelo tecnológico, a exploração do trabalho se tornou mais sutil, menos violenta. A pressão capitalista tomou como base o mercado consumidor consumista, em que o carro que uma pessoa acabou de comprar não valerá o mesmo tanto dois meses após a compra, pois outros carros surgirão e as pessoas sentirão a necessidade de obter a novidade só para se manterem nos padrões sociais impostos pelo mercado consumidor.

Engels critica a exploração homem, que por ter apenas a força de trabalho a oferecer ao mercado, se vê explorado pelos burgueses e forças intelectuais. Engels mostra como principal mecanismo de exploração do mercado a mais valia, em que o trabalhador trabalha poucas horas como forma de obter o próprio sustento, e o restante e maior parte da jornada, é para garantir o sustento dos seus patrões.

Engels acretitava que poderia ocorrer a revolução do modelo, em que o proletariado se impusesse contra a exploração e o modelo socialista seria produto dessa revolução. O proletariado firmaria uma ditadura no estado para poder estabelecer assimilações aos seus valores de estado, seu modo de produzir e agir.

Atualmente, é fácil olhar a nossa condição histórica e apontar como errado estava Engels em relação à duração do modelo capitalista. É, porém, anacronismo julgar de tal forma, pois a época em que ele vivia era forte, ainda, os ideais revolucionários de uma população mais ativa politicamente. Atualmente, porém, esses ideais de revolução são mais contidos, restritos a alguns grupos em algumas universidades e organizações pelo país; e ainda sim, com restrita força de expressão.

Da Utopia À Ciência

''Para converter o socialismo em ciência era necessário, antes de tudo, situá-lo no terreno da realidade''.

Em sua obra ''Die Entwicklung Des Sozialismus Von Der Utopie Zur Wissenschaft''(''Do Socialismo Utópico Ao Socialismo Científico''),publicada em 1887,Friedich Engels discorre acerca do marxismo que ele intitula ''socialismo científico''.Começa com um roteiro histórico no qual caracteriza o Iluminismo como ''aurora da humanidade''.Caracteriza a ascensão da burguesia, classe que, para ele, fez da filosofia iluminista um instrumento para consolidar seu domínio.Com o advento do Estado Liberal Clássico, os valores burgueses de mercado amalgamaram-se até mesmo a valores como a liberdade.Desde sua origem, o sistema capitalista, para Engels está atrelado às contradições: enquanto aumenta a acumulação burguesa, deterioram-se as condições de vida do proletariado.Surge, então, o socialismo primitivo, chamado pelo autor de ''socialismo utópico''.Destacam-se nesta primeira forma do pensamento socialista Henri de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen.É comum a todos eles a utilização da razão e não do conhecimento histórico para teorização da exploração do regime capitalista.O primeiro se faz lembrar pela oposição que fez entre os ''ociosos'' e os ''trabalhadores'', considerada como a geratriz dos conflitos sociais.Ele concebe um governo presidido pela ciência e pela indústria, já que para ele estas eram as únicas aptas para tal tarefa.Acreditava que a política seria absorvida pela economia.O segundo, por sua vez, empreende uma mordaz e engenhosa crítica às condições sociais geradas pela acumulação burguesa.Para ele,'' na civilização, a pobreza brota da própria abundância''.É sua a proposta dos falanstérios, comunidades auto-suficientes, marcadas pela socialização da produção.Já o último, caracterizado pelo autor como ''um homem cuja pureza quase infantil tocava às raias do sublime e que era, ao lado disso, um condutor de homens como poucos'', propunha melhores condições de trabalho e questionava apropriação burguesa da riqueza produzida pelo operário.Fundou a empresa de New Lanark, da qual era sócio e gerente, onde socializava os frutos da produção com os operários e criou jardins-de-infância.Além disso, ''Todos os movimentos sociais, todos os progressos reais registrados na Inglaterra em interesse da classe trabalhadora, estão ligados ao nome de Owen''.Este primeiro socialismo não solucionou os problemas sociais da primeira metade do século XIX; aliás não foi aplicado em larga escala.Engels não o considera científico, uma vez que, para ele, suas propostas não pertenciam ao terreno da realidade; era preciso um socialismo no terreno material, não utópico.O autor passa a dissertar sobre a filosofia hegeliana: ele a considera o ponto culminante da filosofia alemã.Hegel ''concebe todo o mundo da natureza, da história e do espírito como um processo, isto é, em constante movimento, mudança, transformação e desenvolvimento, tentando, além disso, ressaltar a íntima conexão que preside esse processo de movimento e desenvolvimento''.A forma de pensamento superior, para este filósofo, era a dialética, posteriormente retomada de maneira decisiva no pensamento marxista.Todavia, contrariando o idealismo hegeliano, Engels defende o materialismo histórico, como a única maneira de se interpretar a História coerentemente.Recorre novamente à História e constata ''Os novos fatos obrigaram à revisão de toda a história anterior, e então se viu que, com exceção do Estado primitivo, toda a história anterior era a história das lutas de classes e que essas classes sociais em luta entre si eram em todas as épocas fruto das relações de produção e de troca, isto é, das relações econômicas de sua época; que a estrutura econômica da sociedade em cada época da história constitui, portanto, a base real cujas propriedades explicam, em ultima análise, toda a superestrutura integrada pelas Instituições jurídicas e políticas''.O socialismo é, para o autor, consequência natural das lutas de classes e não um produto da mente humana; é a solução do conflito instalado entre operários e burgueses.A idéia de mais-valia está presente na obra: ''Descoberta que veio revelar que o regime capitalista de produção e a exploração do operário, que dele se deriva, tinham por forma fundamental a apropriação de trabalho não pago; que o capitalista, mesmo quando compra a força de trabalho de seu operário por todo o seu valor, por todo o valor que representa como mercadoria no mercado, dela retira sempre mais valor do que lhe custa e que essa mais-valia é, em última análise, a soma de valor de onde provém a massa cada vez maior do capital acumulado em mãos das classes possuidoras''.Engels acredita que a superação do regime capitalista deve ser buscada na estrutura econômico-material da sociedade.Analizando o modo de produção capitalista, Friedich Engels o caracteriza como o promovedor de um divórcio entre os meios de produção e os produtores, como monopolizador da economia, como gerador de superabundância e, ao mesmo tempo, como gerador de miséria.O manancial do qual bebe o capitalismo é a concorrência do mercado.Como modo de superação do capitalismo, o autor propõe a apropriação, por parte do proletariado, da máquina estatal, via uma revolução.Em seguida,''Quando o Estado se converter, finalmente, em representante efetivo de toda sociedade, tornar-se-á por si mesmo supérfluo.Quando já não existir nenhuma classe social que precise ser submetida; quando desaparecerem, juntamente com a dominação de classe, juntamente com a luta pela existência individual, engendrada pela atual anarquia da produção, os choques e os excessos resultantes dessa luta, nada mais haverá para reprimir, nem haverá necessidade, portanto, dessa força de repressão que é o Estado''.Com o fim do Estado, instaurar-se-á, para Engels, o comunismo.Para ele,'' Ao apossar-se a sociedade dos meios de produção cessa a produção de mercadorias e , com ela, o domínio do produto sobre os produtores.A anarquia reinante no seio da produção social cede lugar a uma organização planejada e consciente''.

Marxismo-engelsismo, por que não?

O Manifesto do Partido Comunista sintetiza o pensamento construído por Marx e Engels e, por esse motivo, torna-se a base do socialismo científico, corrente filosófica que influenciou e continua influenciando milhares de pessoas por todo o mundo, com o seu discurso crítico e revolucionário que pretende por fim às grandes agonias humanas.

Esse manifesto, como já dito, teve como autores Marx e Engels. Sei que isso é algo óbvio demais no contexto universitário, mas que para mim merece destaque, afinal de contas, muitas vezes, percebo que o mérito da construção do pensamento socialista é delegado apenas a Marx (como podemos notar pelo uso frequente e exclusivo do substantivo marxismo por aqueles que querem se referir ao socialismo científico), como se Engels fosse um mero suporte intelectual. É no Manifesto do Partido Comunista que estão postuladas as bases de tudo o que se construiu depois em relação ao socialismo científico. O materialismo histórico dialético, a luta de classes, o papel da burguesia, o papel do proletariado, a importância da revolução e etc., são temas abordados no manifesto.

Ao ler textos escritos por Engels, como o “Materialismo dialético como método científico”, percebo que este pensador foi responsável por construir o método que viria a ser utilizado por Marx e pelo próprio Engels, na construção do socialismo científico. Além disso, Engels também foi fundamental para tornar o socialismo, de fato, científico, pois esteve em contato com a classe operária e pôde, por meio disso, empreender uma análise social que é fundamental para a compreensão da realidade. E foi a partir dessa análise sociológica, feita por Engels, que Marx entendeu a situação operária e escreveu em prol de sua melhora.

Dessa forma, compreendo que Marx e Engels trabalharam verdadeiramente em conjunto para construir um pensamento que constantemente é retomado. Os dois trabalharam em áreas diferentes, Marx mais preocupado com a questão econômica e Engels com a social, mas os dois foram, de fato, complementares na construção do socialismo científico. Por isso, não entendo e não concordo com a individualização do socialismo científico, e sim, estou repetindo a expressão mais uma vez, pois me recuso a caracterizá-la como apenas “marxista”, (por que não Marxismo-engelsismo?!) ou qualquer outro dialeto que inclua Engels no lugar de onde não deveria ter sido excluído.


Por que ainda capitalistas?

Engels foi o grande responsável por tornar a obra marxsta mais próxima da realidade, Marx nunca foi um grande pesquisador de campo, já o primeira o fazia com muita facilidade pois mantinha um relacionamento com uma operaria irlandesa tendo, assim, contato direto com a classe operaria.

O filósofo elogia o Iluminismo por romper com o passado, no entanto ressalva que a razão iluminista se converte em racionalidade burguesa, através da quebra de privilégios da nobreza a burguesia cria seus próprios privilégios ( privilégios de mercado e etc.), traindo os valores da revolução francesa, sendo assim, a racionalidade é útil apenas no momento em que surge. A classe burguesa caminha para o seu próprio fim, pois seu sistema impõe uma luta de classes, e esta mais tarde trará o fim do capitalismo.

Para Engels todas as experiências socialistas que foram realizadas até então eram consideradas utópicas, todas fracassaram e foram obras de homens "iluminados”, sem tecnologia suficiente seria impossível o sucesso de alguma dessas experiências.

O socialismo deveria surgir em algum lugar desenvolvido, devido à impossibilidade de "socializar a miséria", isso era especialmente verdade quando levado em conta a precariedade dos meios de produção da época, somente somando o capital e a ciência o socialismo cientifico teria chance de funcionar.

Se o capitalismo cria seu próprio fim e a ciência é o que se necessita para tornar o socialismo possível, num primeiro momento é estranho que depois de todos os avanços tecnológicos da época ainda vivamos no sistema capitalista. Mas, se analisarmos com mais cautela veremos que a própria tecnologia necessária para o socialismo é o que faz com que o capitalismo perdure. A melhora nos meios de produção faz com que o proletariado tenha a impressão de diminuição da exploração, a jornada de trabalho diminui, seu trabalho se torna mais fácil e ainda podem comprar mais aparelhos eletrônicos, lhes dando um falso sentimento de ascensão social.

Desse modo, fugimos da previsão de Engels, que não contava com a inteligência burguesa de "mascarar" a exploração e continuamos a viver na sociedade capitalista.


Burguesia eficiente

Engels nega o Socialismo Utópico de Saint-Simon, Charles Fourier e Robert Owen, pois o considera embasado em situações imaginárias, dificilmente concretizáveis.

Ele, então, propõe o Socialismo Científico que se fundamenta no Materialismo Histórico, ou seja, na investigação das leis do desenvolvimento da história. Sendo assim, Engels acredita que somente as pesquisas históricas permitem a compreensão da realidade e, posteriormente, a formulação de soluções para os problemas sociais, (“É na própria história que estão as respostas para os males de uma época.”).

Ao analisar os fatos históricos, ele chega à conclusão de que, com exceção do estado primitivo, “toda a história era a história da luta de classes”. Dessa forma, Engels afirma que o conflito entre dominantes e dominados (a dialética das classes) movimenta o processo histórico.

Para o teórico, a burguesia, classe dominante, caminharia para a própria destruição, uma vez que, explorando demasiadamente outra classe, promoveria condições para que esta se rebelasse e rompesse a ordem vigente.

Por isso, o Socialismo se estabeleceria naturalmente diante de uma situação de exploração da força de trabalho (mais-valia) associada à precária socialização das riquezas geradas pelo Capitalismo.

Mas se o Socialismo seria um processo inevitável e incontornável, por que ele não se tornou uma realidade mundial?

O desenvolvimento tecnológico e científico pode ser citado com responsável pela não concretização do Socialismo, já que as inovações científicas amenizam a impressão de exploração, na medida em que “suavizam” o processo de produção, isto é, tornam o fardo do trabalho menos pesado.

Além disso, o encantamento que tais inovações provocam nas pessoas também afasta a idéia de revoltas. A acessibilidade desses produtos transmite a sensação de participação no sistema capitalista e, portanto, é outro fator que evita subversões.

De posse desses artifícios, a burguesia conseguiu globalizar seus princípios e vontades, incutindo nas pessoas uma ilusão de pertencer à classe dominante. Dessa forma, o mais humilde dos trabalhadores passou a se identificar mais com o empresário que vê pela televisão (adquirida em vinte e quatro prestações nas Casas Bahia) do que com seu vizinho que passa pelas mesmas necessidades.

Nesse processo de “burguerização artificial” do mundo, a burguesia foi muito eficiente e deu, definitivamente, um pontapé nas previsões de Engels.