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segunda-feira, 6 de abril de 2026

As contribuições positivistas para a estruturação e permanência do racismo no Brasil


O positivismo, corrente ideológica criada por Augusto Comte por volta do séc. XIX, define que a única forma válida para a obtenção de conhecimentos é por meio da ciência. Essa corrente objetiva a superação das explicações teológicas e metafísicas, e fundamenta-se principalmente na observação empírica na busca pela “ordem e progresso” sociais, considerados elementos fundamentais para o funcionamento das sociedades modernas. No Brasil, ela causou uma forte influência durante o período da Proclamação da República, tanto que inspirou o lema “Ordem e Progresso” estampado na bandeira.  

Já o embranquecimento da população no Brasil, foi um projeto desenvolvido pela elite brasileira, em torno do fim do séc. XIX e início do séc. XX, que buscava diminuir os números das populações negras no país, por meio da miscigenação com imigrantes europeus. Esse projeto baseava-se em teorias eugenistas e no darwinismo racial, amplamente aceitos na época, que afirmavam uma suposta superioridade racial de indivíduos brancos. Desse modo, devido a essas teorias racistas sobre corpos negros serem inferiores e somando-as ao racismo estrutural existente no país, a elite vendia a ideia do branqueamento como um meio para que a sociedade pudesse se tornar “civilizada” e então passível de “progredir”, como as sociedades europeias. 

Sendo assim, devido aos fortes investimentos feitos pela elite da época para que intelectuais e estudiosos associassem a diminuição da população negra aos ideais de "progresso”, o positivismo foi utilizado por muitos como justificativa para legitimar a exclusão e discriminação raciais. Para além disso, essa era uma forma de assegurar o lugar de autoridade e superioridade dos indivíduos brancos sobre as demais populações que viviam às margens da sociedade, e além disso, alimentar as construções racistas iníciadas pelos colonizadores, sobre os corpos negros serem apontados como impróprios e inferiores por aquela raça que se considera superior as demais, tal como demonstra Grada Kilomba em ‘As memórias da plantação’.  

Portanto, é valida a afirmação de que o positivismo foi uma das formas encontradas por muitos de "validar" os costumes racistas vivenciados na época, fortalecendo as estruturas discriminatórias e opressoras direcionadas a esses grupos marginalizados socialmente no país, revitalizando as marcas deixadas na colonização. 

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